{"id":17590,"date":"2022-03-27T12:54:44","date_gmt":"2022-03-27T15:54:44","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=17590"},"modified":"2022-03-26T20:57:43","modified_gmt":"2022-03-26T23:57:43","slug":"ucrania-por-que-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/03\/27\/ucrania-por-que-a-crise\/","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia: por que a crise?"},"content":{"rendered":"<p><strong>David Teurtrie &#8211; <\/strong>O rumor de coturnos \u00e0s portas da Europa enlouquece as chancelarias ocidentais. Tentando obter garantias relativas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de sua integridade territorial, a R\u00fassia apresentou aos norte-americanos dois projetos de tratado com vistas a reformular a arquitetura de seguran\u00e7a na Europa, enquanto acumulava tropas na fronteira ucraniana. Moscou exige o congelamento oficial da amplia\u00e7\u00e3o da Otan no leste, a retirada das tropas ocidentais dos pa\u00edses da Europa Oriental e o repatriamento para os Estados Unidos das armas nucleares norte-americanas instaladas na Europa. N\u00e3o podendo ser atendidas nos termos em que foram apresentadas, essas solicita\u00e7\u00f5es em forma de ultimato geram a amea\u00e7a de uma interven\u00e7\u00e3o militar russa na Ucr\u00e2nia. Duas interpreta\u00e7\u00f5es se op\u00f5em: para uns, Moscou dobra a aposta para obter concess\u00f5es da parte de Washington e dos europeus; para outros, ao contr\u00e1rio, o Kremlin quer o pretexto de uma recusa para justificar a interven\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia. Seja como for, a quest\u00e3o vem \u00e0 baila no momento escolhido por Moscou para testar essa rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Por que jogar um jogo t\u00e3o perigoso? E por que agora?<\/p>\n<p>Desde 2014, as autoridades russas aumentaram consideravelmente sua capacidade econ\u00f4mica de superar um choque grave, sobretudo no setor banc\u00e1rio e financeiro. A participa\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar nas reservas do Banco Central caiu. Um cart\u00e3o de pagamento nacional, Mir, est\u00e1 hoje no bolso de 87% da popula\u00e7\u00e3o. E se os Estados Unidos puserem em execu\u00e7\u00e3o sua amea\u00e7a de desconectar a R\u00fassia do sistema ocidental Swift, como fizeram com o Ir\u00e3 em 2012 e 2018, as transfer\u00eancias financeiras entre empresas e bancos russos poder\u00e3o agora ser efetuadas por um sistema de mensagens local. A R\u00fassia se sente, portanto, \u00e0 altura de enfrentar san\u00e7\u00f5es severas em caso de conflito. Por outro lado, a mobiliza\u00e7\u00e3o anterior do Ex\u00e9rcito russo nas fronteiras ucranianas, na primavera de 2021, teve por consequ\u00eancia o rein\u00edcio do di\u00e1logo russo-americano em torno de quest\u00f5es estrat\u00e9gicas e de ciberseguran\u00e7a. Ainda dessa vez, o Kremlin manifestamente julgou que a estrat\u00e9gia da tens\u00e3o constitu\u00eda o \u00fanico meio de se fazer ouvir pelos ocidentais e que a nova administra\u00e7\u00e3o norte-americana estaria disposta a fazer mais concess\u00f5es a fim de se concentrar em seu confronto crescente com Pequim.<\/p>\n<p>Ora, Vladimir Putin parece querer dar um basta naquilo que designa como o projeto ocidental de transformar a Ucr\u00e2nia numa \u201canti-R\u00fassia\u201d nacionalista.<sup>1<\/sup>\u00a0Com efeito, contava com os Acordos de Minsk, assinados em setembro de 2014, para obter o direito de vigiar a pol\u00edtica ucraniana por interm\u00e9dio das rep\u00fablicas do Donbass. O que aconteceu foi o contr\u00e1rio: n\u00e3o apenas sua aplica\u00e7\u00e3o est\u00e1 em ponto morto, como tamb\u00e9m o presidente Volodymyr Zelensky, cuja elei\u00e7\u00e3o em abril de 2019 dera ao Kremlin a esperan\u00e7a de um acordo com Kiev, ampliou a pol\u00edtica de ruptura com o \u201cmundo russo\u201d iniciada por seu predecessor. Pior: a coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-militar entre a Ucr\u00e2nia e a Otan vai se intensificando cada vez mais, enquanto a Turquia, ela pr\u00f3pria membro da alian\u00e7a, contribuiu com drones de combate que fazem o Kremlin temer, por parte de Kiev, a inten\u00e7\u00e3o de reconquistar militarmente o Donbass. Trata-se ent\u00e3o, para Moscou, de retomar a iniciativa enquanto ainda \u00e9 tempo. Mas, para al\u00e9m dos fatores conjunturais que deram origem \u00e0s tens\u00f5es do momento, for\u00e7oso \u00e9 constatar que a R\u00fassia apenas atualiza as exig\u00eancias que n\u00e3o cessou de formular desde o fim da Guerra Fria, sem que o Ocidente as considere aceit\u00e1veis ou mesmo leg\u00edtimas.<\/p>\n<p>O mal-entendido remonta ao desmoronamento do bloco comunista em 1991. Segundo toda a l\u00f3gica, o fim do Pacto de Vars\u00f3via deveria conduzir \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o da Otan, criada para enfrentar a \u201camea\u00e7a sovi\u00e9tica\u201d. Convinha propor novos formatos de integra\u00e7\u00e3o para essa \u201coutra Europa\u201d que aspirava a se aproximar do Ocidente. O momento parecia oportuno, visto que as elites russas, que sem d\u00favida nunca tinham sido t\u00e3o pr\u00f3-ocidentais assim, haviam aceitado a liquida\u00e7\u00e3o de seu imp\u00e9rio sem reagir.<sup>2<\/sup>\u00a0Contudo, as propostas nesse sentido, formuladas notadamente pela Fran\u00e7a, foram sepultadas sob a press\u00e3o de Washington. N\u00e3o querendo deixar escapar sua \u201cvit\u00f3ria\u201d sobre Moscou, os Estados Unidos incentivaram a amplia\u00e7\u00e3o, para leste, das estruturas euroatl\u00e2nticas herdadas da Guerra Fria a fim de consolidar seu dom\u00ednio na Europa. Para isso, dispuseram de um aliado de peso, a Alemanha, desejosa de retomar sua ascend\u00eancia sobre a Mitteleuropa [Europa Central].<\/p>\n<p><strong>Viola\u00e7\u00e3o do direito internacional<\/strong><\/p>\n<p>Desde 1997, a extens\u00e3o da Otan a leste continuou, embora os respons\u00e1veis ocidentais houvessem prometido a Gorbachev que isso n\u00e3o aconteceria.<sup>3<\/sup>\u00a0Nos Estados Unidos, personalidades de primeiro plano deixaram clara sua oposi\u00e7\u00e3o. George Kennan, considerado o arquiteto da pol\u00edtica de repress\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, predisse as consequ\u00eancias t\u00e3o l\u00f3gicas quanto nefastas de semelhante atitude: \u201cA expans\u00e3o da Otan ser\u00e1 o erro mais fatal da pol\u00edtica norte-americana desde o fim da Guerra Fria. \u00c9 de esperar que essa medida atice as tend\u00eancias nacionalistas, antiocidentais e militaristas da opini\u00e3o p\u00fablica russa, instaure uma atmosfera de Guerra Fria nas rela\u00e7\u00f5es Leste-Oeste e oriente a pol\u00edtica externa russa em uma dire\u00e7\u00e3o que n\u00e3o corresponder\u00e1 verdadeiramente a nossos desejos\u201d.<sup>4<\/sup><\/p>\n<p>Em 1999, a Otan, festejando seu cinquenten\u00e1rio com grande pompa, efetuou a primeira amplia\u00e7\u00e3o a leste (Hungria, Pol\u00f4nia e Rep\u00fablica Tcheca) e anunciou a continua\u00e7\u00e3o do processo at\u00e9 as fronteiras russas. E n\u00e3o foi s\u00f3: a alian\u00e7a atl\u00e2ntica entrou ao mesmo tempo em guerra contra a Iugosl\u00e1via, o que transformou a organiza\u00e7\u00e3o, de bloco defensivo, em coaliz\u00e3o ofensiva, violando totalmente o direito internacional. A guerra contra Belgrado foi conduzida sem o aval da ONU, impedindo Moscou de utilizar um dos \u00faltimos instrumentos de poder que lhe restavam: seu direito de veto no Conselho de Seguran\u00e7a. As elites russas, que tanto insistiram na integra\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds ao Ocidente, se sentiram tra\u00eddas: a R\u00fassia, ent\u00e3o presidida por Boris Yeltsin, um dos respons\u00e1veis pela implos\u00e3o sovi\u00e9tica, n\u00e3o se viu tratada como um parceiro merecedor de recompensa por sua contribui\u00e7\u00e3o para o fim do sistema comunista, e sim como o grande perdedor da Guerra Fria, obrigado a pagar por isso um pre\u00e7o geopol\u00edtico.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, a subida ao poder de Putin, no ano seguinte, correspondeu antes a um per\u00edodo de estabiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre a R\u00fassia e os ocidentais. O novo presidente russo multiplicou os gestos de boa vontade para com Washington ap\u00f3s os atentados de 11 de setembro de 2001. Aceitou a instala\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria de bases norte-americanas na \u00c1sia Central e ordenou, na mesma \u00e9poca, o fechamento de bases herdadas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em Cuba, al\u00e9m da retirada de soldados russos do Kosovo. Em troca, a R\u00fassia esperava que os ocidentais aceitassem a ideia do espa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico, por ela definido como \u201cestrangeiro pr\u00f3ximo\u201d, integrado \u00e0 sua esfera de responsabilidade. Mas, no momento em que as rela\u00e7\u00f5es russas melhoravam, principalmente com a Fran\u00e7a e a Alemanha, elementos de incompreens\u00e3o iam se acumulando com os Estados Unidos. Em 2003, a invas\u00e3o do Iraque por tropas norte-americanas sem o aval da ONU constituiu uma nova viola\u00e7\u00e3o do direito internacional denunciada em conjunto por Paris, Berlim e Moscou. Essa oposi\u00e7\u00e3o comum das tr\u00eas principais pot\u00eancias do continente europeu confirmou o medo de Washington dos riscos que uma reaproxima\u00e7\u00e3o russo-europeia faria pesar sobre sua hegemonia.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/pag16_Le_Monde_Edicao_175_David_Foto_Reuters-Gleb_Garanich-e1643732945298.jpg?resize=640%2C463&#038;ssl=1\" alt=\"Ucr\u00e2nia\" width=\"640\" height=\"463\" \/><\/p>\n<p><em>Militares ucranianos fazem treinamento \u200b\u200bna regi\u00e3o de Lviv, Ucr\u00e2nia<\/em><\/p>\n<p>Nos anos seguintes, os Estados Unidos anunciaram sua inten\u00e7\u00e3o de instalar partes de seu escudo antim\u00edssil na Europa Oriental, o que contrariava o Ato Fundador R\u00fassia-Otan (assinado em 1997), pois este garantia a Moscou que os ocidentais n\u00e3o construiriam novas infraestruturas militares permanentes no leste. De resto, Washington contestou os acordos de desarmamento nuclear: os Estados Unidos se retiraram do tratado Anti-Ballistic Missile [M\u00edsseis antibal\u00edsticos] (ABM, 1972) em dezembro de 2001.<\/p>\n<p>Medo leg\u00edtimo ou obsess\u00e3o, as \u201crevolu\u00e7\u00f5es coloridas\u201d no espa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico foram percebidas em Moscou como opera\u00e7\u00f5es destinadas a instalar regimes pr\u00f3-ocidentais \u00e0s suas portas. De fato, em abril de 2008, Washington pressionou fortemente seus aliados europeus para que favorecessem a voca\u00e7\u00e3o da Ge\u00f3rgia e da Ucr\u00e2nia de integrar a Otan, embora a maioria dos ucranianos fosse na \u00e9poca contra essa ades\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os Estados Unidos insistiram no reconhecimento da independ\u00eancia do Kosovo, o que representou uma nova viola\u00e7\u00e3o do direito internacional, pois se tratava agora, juridicamente, de uma prov\u00edncia s\u00e9rvia.<\/p>\n<p>Como os ocidentais abriram a caixa de Pandora do intervencionismo e do questionamento da intangibilidade das fronteiras no continente europeu, a R\u00fassia retrucou intervindo militarmente na Ge\u00f3rgia em 2008 e depois reconhecendo a independ\u00eancia da Oss\u00e9tia do Sul e da Abec\u00e1sia. Assim agindo, o Kremlin dava a entender que faria tudo para impedir uma nova amplia\u00e7\u00e3o da Otan em dire\u00e7\u00e3o ao leste. Entretanto, pondo em causa a integridade territorial da Ge\u00f3rgia, a R\u00fassia violou tamb\u00e9m o direito internacional.<\/p>\n<p>O ressentimento russo atingiu o ponto sem volta com a crise ucraniana. No fim de 2013, europeus e norte-americanos deram apoio \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es que redundaram na deposi\u00e7\u00e3o do presidente Viktor Yanukovich, cuja elei\u00e7\u00e3o em 2010, no entanto, fora reconhecida como boa resposta aos padr\u00f5es democr\u00e1ticos. Para Moscou, os ocidentais urdiram um golpe de Estado para obter a qualquer custo a uni\u00e3o da Ucr\u00e2nia ao campo ocidental. A partir da\u00ed, as inger\u00eancias russas na Ucr\u00e2nia \u2013 anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia e apoio militar oficioso aos separatistas do Donbass \u2013 passaram a ser apresentadas pelo Kremlin como uma resposta leg\u00edtima \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a pr\u00f3-ocidental em Kiev. J\u00e1 as capitais ocidentais denunciaram um questionamento sem precedentes da ordem internacional do p\u00f3s-Guerra Fria.<\/p>\n<p>Os Acordos de Minsk, assinados em setembro de 2014, deram ensejo \u00e0 Fran\u00e7a e \u00e0 Alemanha de voltar \u00e0 cena a fim de encontrar uma solu\u00e7\u00e3o negociada para o conflito no Donbass. Foi necess\u00e1ria a eclos\u00e3o de um conflito armado no continente para que Paris e Berlim sa\u00edssem de sua passividade. Todavia, sete anos depois, o processo ainda n\u00e3o avan\u00e7ou. Kiev continua se recusando a conceder autonomia ao Donbass, prevista no texto. Diante da aus\u00eancia de rea\u00e7\u00e3o por parte de Paris e Berlim, acusadas de se alinhar com as posi\u00e7\u00f5es ucranianas, o Kremlin procurou negociar diretamente com os norte-americanos, vendo neles os verdadeiros padrinhos de Kiev. Do mesmo modo, Moscou se espantou ao ver que os europeus aceitavam sem reagir todas as iniciativas norte-americanas, mesmo as mais contest\u00e1veis, como a sa\u00edda de Washington do Tratado sobre as For\u00e7as Nucleares Intermedi\u00e1rias (TFNI), em fevereiro de 2019, que deveria suscitar sua oposi\u00e7\u00e3o, visto que eles s\u00e3o potencialmente os primeiros alvos desse tipo de armamento. Segundo a pesquisadora Isabelle Facon, a R\u00fassia \u201cconsidera, com vis\u00edvel irrita\u00e7\u00e3o, que os pa\u00edses europeus s\u00e3o irremediavelmente incapazes de autonomia estrat\u00e9gica com rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos e se recusam a assumir suas responsabilidades diante da degrada\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica internacional\u201d.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p><strong>Correia de transmiss\u00e3o atlantista<\/strong><\/p>\n<p>Mais espantoso ainda: quando russos e norte-americanos voltaram a discutir quest\u00f5es estrat\u00e9gicas, com a prorroga\u00e7\u00e3o por cinco anos do tratado de redu\u00e7\u00e3o de armas nucleares New Start, seguida da confer\u00eancia Biden-Putin em junho de 2021, a Uni\u00e3o Europeia, longe de pressionar no sentido de uma distens\u00e3o com Moscou, rejeitou o princ\u00edpio de um encontro com o presidente russo. Essa recusa de di\u00e1logo contrasta com a atitude dos europeus perante o outro grande vizinho da Uni\u00e3o Europeia, a Turquia: a despeito de seu ativismo militar (ocupa\u00e7\u00e3o de Chipre do Norte e de parte do territ\u00f3rio s\u00edrio, envio de tropas ao Iraque, L\u00edbia e C\u00e1ucaso), o regime autorit\u00e1rio de Recep Tayyip Erdogan, aliado de Kiev, n\u00e3o \u00e9 objeto de nenhuma san\u00e7\u00e3o. No caso da R\u00fassia, ao contr\u00e1rio, a \u00fanica pol\u00edtica dos europeus \u00e9 amea\u00e7\u00e1-la regularmente com uma nova s\u00e9rie de medidas restritivas, em vista das a\u00e7\u00f5es do Kremlin. Quanto \u00e0 Ucr\u00e2nia, os europeus ficaram reduzidos a repetir o lema da Otan da \u201cporta aberta\u201d, embora as grandes pot\u00eancias europeias, Fran\u00e7a e Alemanha \u00e0 frente, tenham se oposto a isso no passado e n\u00e3o alimentem, no fundo, inten\u00e7\u00e3o alguma de integrar a Ucr\u00e2nia \u00e0 sua alian\u00e7a militar.<\/p>\n<p>A crise nas rela\u00e7\u00f5es russo-ocidentais demonstra que a seguran\u00e7a do continente europeu n\u00e3o pode ser garantida sem \u2013 e muito menos contra \u2013 a R\u00fassia. J\u00e1 Washington insiste em favorecer essa exclus\u00e3o, que refor\u00e7a a hegemonia norte-americana na Europa. De seu lado, os europeus do oeste, com a Fran\u00e7a na primeira fila, n\u00e3o tiveram vis\u00e3o e coragem pol\u00edtica para bloquear as iniciativas mais provocadoras de Washington (por exemplo, a declara\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio de Estado, Antony Blinken, em junho \u00faltimo, favor\u00e1vel \u00e0 ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 Otan) e propor um quadro institucional inclusivo, capaz de evitar o reaparecimento de linhas de fratura no continente. Resultado dessa correia de transmiss\u00e3o atlantista: franceses e europeus s\u00e3o maltratados pelos Estados Unidos. A retirada n\u00e3o combinada do Afeganist\u00e3o, como a cria\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a militar no Pac\u00edfico sem o aval de Paris, \u00e9 o \u00faltimo epis\u00f3dio dessa atitude. Agora, os europeus observam como meros espectadores as tratativas russo-americanas sobre a seguran\u00e7a do Velho Continente, tendo ao fundo um cen\u00e1rio de amea\u00e7a de guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p><strong>David Teurtrie<\/strong>\u00a0\u00e9 pesquisador associado do Institut National des Langues et des Civilisations Orientales (Inalco) e autor de\u00a0<em>Russie. Le retour de la puissance\u00a0<\/em>[R\u00fassia. A volta da pot\u00eancia], Armand Colin, Malakoff, 2021.<\/p>\n<p>1 Vladimir Putin, \u201cDe l\u2019unit\u00e9 historique des Russes et des Ukrainiens\u201d [Sobre a unidade hist\u00f3rica de russos e ucranianos], site da Embaixada da Federa\u00e7\u00e3o Russa na Fran\u00e7a, 12 jul. 2021.<\/p>\n<p>2 Ver H\u00e9l\u00e8ne Richard, \u201c<a href=\"https:\/\/www.monde-diplomatique.fr\/2018\/09\/RICHARD\/59048\">Quand la Russie r\u00eavait d\u2019Europe<\/a>\u201d [Quando a R\u00fassia sonhava com a Europa],\u00a0<em>Le Monde Diplomatique<\/em>, set. 2018.<\/p>\n<p>3 Ver Philippe Descamps, \u201cL\u2019OTAN ne s\u2019\u00e9tendra pas d\u2019un pouce vers l\u2019est\u201d [A Otan n\u00e3o avan\u00e7ar\u00e1 uma polegada para o leste],\u00a0<em>Le Monde Diplomatique<\/em>, set. 2018.<\/p>\n<p>4 George F. Kennan, \u201cA fateful error\u201d [Um erro fatal],\u00a0<em>New York Times<\/em>, 5 fev. 1997.<\/p>\n<p>5 Isabelle Facon, \u201cLa Russie et l\u2019Occident: un \u00e9loignement grandissant au c\u0153ur d\u2019une ordre international polycentrique\u201d [A R\u00fassia e o Ocidente: um afastamento crescente no seio de uma ordem internacional polic\u00eantrica]. In:\u00a0<em>Regards de l\u2019Observatoire Franco-Russe\u00a0<\/em>[Olhar do Observat\u00f3rio Franco-Russo], L\u2019Observatoire, Moscou, 2019.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Ucr\u00e2nia: por que a crise? &#8211; Le Monde Diplomatique Brasil &#8211; Edi\u00e7\u00e3o 175 &#8211; https:\/\/diplomatique.org.br\/ucrania-por-que-a-crise\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>David Teurtrie &#8211; O rumor de coturnos \u00e0s portas da Europa enlouquece as chancelarias ocidentais. 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