{"id":1751,"date":"2016-09-24T12:32:47","date_gmt":"2016-09-24T15:32:47","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=1751"},"modified":"2016-09-23T20:36:07","modified_gmt":"2016-09-23T23:36:07","slug":"perdemos-a-ideia-de-nacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/09\/24\/perdemos-a-ideia-de-nacao\/","title":{"rendered":"\u201cPerdemos a ideia de na\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mauricio Puls &#8211;\u00a0<\/strong>Fundador do PSDB e ex-ministro de Jos\u00e9 Sarney e Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira mostra que o \u00f3dio da classe m\u00e9dia \u00e0s medidas para diminuir as desigualdades, somadas a erros do governo, levaram ao impeachment. Ele critica a atual pol\u00edtica econ\u00f4mica, que nada faz para conter os juros e desvalorizar o c\u00e2mbio, mas prev\u00ea uma ruptura entre Temer e o PSDB. Esta \u00e9 a segunda vez que Bresser \u00e9 a capa da revista: na primeira, em 2013, ele criticou o moralismo liberal que ganhou for\u00e7a com o mensal\u00e3o<\/p>\n<p>Coautor de um rec\u00e9m-lan\u00e7ado livro em que sistematiza a teoria do novo desenvolvimentismo, o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira sustenta que a crise atual decorre de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica equivocada, baseada na conjuga\u00e7\u00e3o de altas taxas de juros com o c\u00e2mbio valorizado. Isso beneficia os investidores estrangeiros, os financistas e a classe m\u00e9dia, mas deprime a taxa de lucro e os investimentos, e condena o Brasil ao baixo crescimento. Para superar a estagna\u00e7\u00e3o, Bresser prop\u00f5e a ado\u00e7\u00e3o de medidas para que o Pa\u00eds desvalorize o c\u00e2mbio e volte a exportar manufaturados. Isso aumentaria a taxa de lucro das empresas, estimularia os investimentos e, a m\u00e9dio prazo, promoveria o desenvolvimento nacional.<\/p>\n<p>Para Bresser, o impeachment foi articulado por essa coaliz\u00e3o rentista, que se rebelou contra as iniciativas adotadas pelo governo Dilma Rousseff de tentar reduzir os juros e desvalorizar a taxa de c\u00e2mbio. Essa pol\u00edtica gerou uma rea\u00e7\u00e3o emocional que ele nunca tinha visto antes: em 1964, a classe m\u00e9dia apoiou os militares por medo do comunismo; agora, aderiu ao golpe por \u00f3dio \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais. Mas o PT, diz ele, tamb\u00e9m contribuiu para a crise: os erros na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica e a falta de habilidade pol\u00edtica da administra\u00e7\u00e3o petista fragilizaram o governo num momento em que o PSDB passou a pedir o impeachment.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o PMDB de Eduardo Cunha e Michel Temer vislumbrou a possibilidade de assumir o poder. O partido adotou um discurso neoliberal para obter o apoio da elite, mas, segundo Bresser, n\u00e3o vai cumprir o que prometeu, por n\u00e3o ter apoio suficiente no Congresso e por n\u00e3o estar convicto das maravilhas do neoliberalismo. A economia deve se recuperar, mas muito lentamente, porque o governo insiste em manter a mesma pol\u00edtica econ\u00f4mica. Ap\u00f3s o golpe, a coaliz\u00e3o que derrubou o PT deve se desfazer, mas ainda \u00e9 cedo para fazer previs\u00f5es para 2018.<\/p>\n<p>A crise atual, de acordo com o ex-ministro, tem suas ra\u00edzes na alta prefer\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o pelo consumo imediato e na perda da ideia de na\u00e7\u00e3o, que se acelerou na d\u00e9cada de 1990. Esses tra\u00e7os legitimam uma taxa de c\u00e2mbio apreciada, pois todos, da direita \u00e0 esquerda, querem o d\u00f3lar barato e desprezam a import\u00e2ncia do Estado na promo\u00e7\u00e3o dos investimentos.<br \/>\nMacroeconomia Desenvolvimentista exp\u00f5e as medidas para que o Pa\u00eds volte a crescer. O problema reside em saber quem poderia levar a cabo um programa que contraria os interesses da coaliz\u00e3o rentista que tomou de assalto o poder. Bresser deposita suas esperan\u00e7as em Ciro Gomes, do PDT: \u201cEu vejo uma esperan\u00e7a em Ciro Gomes. Ele amadureceu muito\u201d.<\/p>\n<p><strong>Brasileiros \u2013 O senhor est\u00e1 lan\u00e7ando um livro?<\/strong><br \/>\n<strong>Luiz Carlos Bresser-Pereira \u2013<\/strong> Sim, se chama Macroeconomia Desenvolvimentista. Foi escrito por mim, Nelson Marconi e Jos\u00e9 Luis Oreiro (UFRJ). \u00c9 uma tese que venho desenvolvendo desde 2001. A partir de ent\u00e3o, venho tratando sistematicamente, de um ponto de vista macroecon\u00f4mico, a taxa de c\u00e2mbio e a taxa de juros a partir da percep\u00e7\u00e3o de que, no Brasil, a taxa de juros era muito alta e a taxa de c\u00e2mbio, muito frequentemente apreciada, e n\u00e3o havia nenhuma teoria sobre isso. Confesso que n\u00e3o achei uma boa teoria econ\u00f4mica para explicar por que a taxa de juros \u00e9 t\u00e3o escandalosamente alta no Brasil. A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o que faz sentido \u00e9 que essa taxa \u00e9 alta devido ao poder pol\u00edtico que os capitalistas rentistas, incluindo uma ampla classe m\u00e9dia que se beneficia desses juros altos, t\u00eam no Brasil. Agora, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 taxa de c\u00e2mbio, h\u00e1 um vazio na teoria econ\u00f4mica. O c\u00e2mbio \u00e9 um pre\u00e7o. A verdade \u00e9 que existem cinco pre\u00e7os macroecon\u00f4micos: a taxa de lucro, que motiva os empres\u00e1rios a investir; a taxa de juros, que \u00e9 o pre\u00e7o do capital; a taxa de c\u00e2mbio, que \u00e9 pre\u00e7o da moeda estrangeira; a taxa de sal\u00e1rios, que \u00e9 o pre\u00e7o da for\u00e7a de trabalho; e a taxa de infla\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de todas as coisas. Voc\u00ea s\u00f3 tem equil\u00edbrio macroecon\u00f4mico e condi\u00e7\u00f5es para crescer com estabilidade e com distribui\u00e7\u00e3o de renda se esses cinco pre\u00e7os estiverem no seu lugar. O mercado n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de manter certos esses pre\u00e7os. E \u00e9 por isso que vivemos de crise em crise, porque esses pre\u00e7os n\u00e3o ficam no lugar. E o pre\u00e7o que mais sai fora do lugar em pa\u00edses em desenvolvimento \u00e9 a taxa de c\u00e2mbio. Nesses pa\u00edses, h\u00e1 uma tend\u00eancia \u00e0 sobreaprecia\u00e7\u00e3o c\u00edclica e cr\u00f4nica da taxa de c\u00e2mbio. Entre 2007 e 2014, a taxa de c\u00e2mbio no Brasil permaneceu em torno de R$ 2,50 por d\u00f3lar a pre\u00e7os de hoje, enquanto a taxa de c\u00e2mbio que torna as boas empresas nacionais competitivas \u00e9 de R$ 3,90. Essa diferen\u00e7a de R$ 2,50 para R$ 3,90 \u00e9 uma aprecia\u00e7\u00e3o brutal. Uma desvantagem enorme. Qual \u00e9 o papel do Estado no plano econ\u00f4mico? Ele precisa garantir as condi\u00e7\u00f5es gerais para o investimento privado, que deve ser 80% do investimento total. Ent\u00e3o, preciso estimular o investimento privado. Para isso preciso n\u00e3o apenas ter uma taxa de lucro satisfat\u00f3ria e uma taxa de juros baixa, mas tamb\u00e9m que a taxa de c\u00e2mbio esteja no lugar. Porque se houver uma taxa de c\u00e2mbio apreciada, a taxa de lucro dos empres\u00e1rios fica deprimida. Mas \u00e0s vezes usa-se a taxa de c\u00e2mbio apreciada para tentar controlar a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>\u201cDILMA FOI CRITICADA POR USAR A PETROBRAS PARA SEGURAR A INFLA\u00c7\u00c3O; MAS CONTROLAR A INFLA\u00c7\u00c3O SEGURANDO O C\u00c2MBIO \u00c9 MUITO MAIS GRAVE\u201d<\/h3>\n<p><strong>Como se est\u00e1 fazendo agora.<\/strong><br \/>\nComo se est\u00e1 fazendo agora. Por que a taxa de c\u00e2mbio tem essa tend\u00eancia \u00e0 sobreaprecia\u00e7\u00e3o c\u00edclica e cr\u00f4nica? S\u00e3o dois tipos de causa. Uma \u00e9 estrutural, todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina t\u00eam: \u00e9 a doen\u00e7a holandesa. Ela decorre do fato de que as nossas commodities agr\u00edcolas e minerais t\u00eam uma produtividade que permite que sejam exportadas a uma taxa de c\u00e2mbio substancialmente mais apreciada do que a taxa de c\u00e2mbio necess\u00e1ria para que as empresas industriais competentes se tornem competitivas. Isso \u00e9 a doen\u00e7a holandesa. Vamos supor que no Brasil a taxa de c\u00e2mbio de equil\u00edbrio industrial seja de R$ 3,90. A doen\u00e7a holandesa traz a taxa de c\u00e2mbio para R$ 3 porque s\u00e3o as commodities que definem essa taxa. Mas o que leva essa taxa de R$ 3 para R$ 2,50? A responsabilidade \u00e9 de tr\u00eas pol\u00edticas que os pa\u00edses em desenvolvimento adotam, com o apoio dos economistas heterodoxos populistas e dos economistas ortodoxos populistas, chefiados pelo FMI e pelo Banco Mundial. Eles prop\u00f5em que o Brasil tenha um d\u00e9ficit em conta corrente porque prop\u00f5em que o Pa\u00eds cres\u00e7a com \u201cpoupan\u00e7a externa\u201d. Voc\u00ea financia isso com investimento externo direto ou com empr\u00e9stimos. No Brasil, 80% do financiamento do d\u00e9ficit em conta corrente \u00e9 feito por investimento externo direto. Para os economistas de todas as correntes isso \u00e9 o para\u00edso. Um equ\u00edvoco completo. Eles acreditam que a poupan\u00e7a externa se somaria \u00e0 poupan\u00e7a interna e voc\u00ea estaria investindo mais. Mas quando voc\u00ea aprecia o c\u00e2mbio, desestimula o investimento. Em vez de somar-se a poupan\u00e7a interna, a poupan\u00e7a externa substitui a interna. Esses d\u00e9ficits, em vez de financiarem o investimento, financiam o consumo. O dinheiro que vem inclusive sob a forma de investimento externo direto financia o consumo no Brasil, na sua maior parte. Veja o que aconteceu em 2014. Tivemos 4,6% de d\u00e9ficit em conta corrente, uma loucura. Investiu-se um pouco mais? Nada disso. O investimento estava l\u00e1 embaixo. Foi tudo para o consumo. A primeira raz\u00e3o para que haja essa tend\u00eancia \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio \u00e9 a pol\u00edtica de crescimento com poupan\u00e7a externa. A segunda \u00e9 o uso da taxa de c\u00e2mbio para controlar a infla\u00e7\u00e3o, a chamada \u00e2ncora cambial. \u00c9 uma viol\u00eancia adotada por essa ortodoxia populista. Ao defenderem o crescimento com poupan\u00e7a externa e ao defenderem o uso da taxa de c\u00e2mbio para controlar a infla\u00e7\u00e3o, eles est\u00e3o sendo populistas cambiais. Dilma foi fortemente criticada por ter usado os pre\u00e7os da Petrobras para controlar a infla\u00e7\u00e3o. Isso foi visto como um esc\u00e2ndalo. Tamb\u00e9m acho. Mas entre controlar a infla\u00e7\u00e3o segurando os pre\u00e7os da Petrobras e controlar a infla\u00e7\u00e3o segurando o c\u00e2mbio, o segundo crime \u00e9 muito mais grave que o primeiro. A terceira pol\u00edtica habitual que aprecia o c\u00e2mbio s\u00e3o as altas taxas de juros, porque elas atraem capitais. Eles dizem que esses juros ajudam a controlar a infla\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o entendo por que precisamos ter uma taxa de juros real de 6% enquanto outros pa\u00edses t\u00eam taxa de 1%. A grande maioria dos pa\u00edses ricos tem taxas de quase 1% real negativo para empr\u00e9stimos de dez anos. Por que acontece isso? Uma taxa de juros alta interessa aos rentistas, que s\u00e3o muitos. N\u00e3o s\u00f3 os muito ricos. Isso tamb\u00e9m interessa \u00e0 classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p><strong>A classe m\u00e9dia que aplica em fundos de investimento, em fundos de pens\u00e3o?<\/strong><br \/>\nIsso. E interessa tamb\u00e9m aos financistas, que ganham comiss\u00f5es administrando os recursos dos rentistas. E a quem interessa o c\u00e2mbio apreciado? Exatamente \u00e0s mesmas pessoas. Os rentistas querem uma taxa de juros real, e a infla\u00e7\u00e3o reduz o juro real. Para eles \u00e9 bom que se use o c\u00e2mbio para controlar a infla\u00e7\u00e3o. Agora, isso interessa profundamente tamb\u00e9m aos pa\u00edses mais ricos e poderosos que tentam nos controlar, que tentam ocupar nosso mercado interno. Uma taxa de c\u00e2mbio apreciada permite a eles exportar mais para n\u00f3s do que n\u00f3s para eles. Quando digo que o Brasil deve ter uma taxa de c\u00e2mbio que torne competitivas as nossas boas empresas, estou dizendo que o Brasil deveria ter como meta um pequeno super\u00e1vit em conta corrente. Precisamos de uma taxa de c\u00e2mbio de R$ 3,90. N\u00e3o temos uma meta de infla\u00e7\u00e3o? Devemos ter tamb\u00e9m uma meta de c\u00e2mbio. E essa meta deve ser de um pequeno super\u00e1vit em conta corrente, coisa de 1% do PIB. Nesse caso, a nossa taxa de c\u00e2mbio girar\u00e1 em torno da taxa que torna o nosso setor industrial competitivo. Para isso, \u00e9 preciso neutralizar a doen\u00e7a holandesa. Como? Por meio de uma reten\u00e7\u00e3o sobre o pre\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es das commodities. Se a taxa de c\u00e2mbio estiver em R$ 3 e eu preciso de R$ 3,90, coloco um imposto de R$ 0,90 sobre cada d\u00f3lar exportado, por exemplo, de soja ou min\u00e9rio. Atrav\u00e9s do deslocamento da curva de oferta, a taxa de c\u00e2mbio vai para R$ 3,90. O produtor de soja ou de min\u00e9rio n\u00e3o perde nada: ele iria receber R$ 3 com a taxa de c\u00e2mbio mais baixa, pagou R$ 0,90 de reten\u00e7\u00e3o e recebeu de volta R$ 3,90 com a taxa de c\u00e2mbio mais alta. O que ele iria receber antes recebe depois. 100%. Isso neutraliza a doen\u00e7a holandesa. O Brasil adotou esse caminho por 60 anos, de 1930 a 1990, com grande \u00eaxito. Mas ainda tem aquelas tr\u00eas pol\u00edticas habituais que reduzem a taxa de c\u00e2mbio de R$ 3 para apenas R$ 2,50. Tenho que rejeitar aquelas tr\u00eas pol\u00edticas: n\u00e3o ter um d\u00e9ficit em conta corrente financiado por investimentos diretos, n\u00e3o usar a taxa de c\u00e2mbio para controlar a infla\u00e7\u00e3o e p\u00f4r uma taxa de juros decente na economia.<\/p>\n<p><strong>Durante o governo Dilma, at\u00e9 2012, houve uma tentativa de desvalorizar o c\u00e2mbio e baixar os juros, e isso despertou uma oposi\u00e7\u00e3o feroz da classe m\u00e9dia, que aplica em fundos de investimento, em fundos de pens\u00e3o, que quer o d\u00f3lar barato para viajar para Miami.<\/strong><br \/>\nComo se explica isso? No governo Lula-Meirelles a taxa de c\u00e2mbio caiu de R$ 6 para R$ 2,20. Dilma recebeu de Lula uma miss\u00e3o imposs\u00edvel. Ela teria de desvalorizar o real em 50% para tornar a ind\u00fastria competitiva. Ela n\u00e3o tinha poder para isso, n\u00e3o tinha apoio nem entre os empres\u00e1rios nem entre os trabalhadores. O que ela fez? A partir de 2011, baixou os juros e, em consequ\u00eancia, a taxa de c\u00e2mbio depreciou. Mas depreciou 20%, e n\u00e3o 50%. Estava longe do necess\u00e1rio. Mas, quando voc\u00ea deprecia a moeda, precisa fazer ajuste fiscal. O capitalismo tem suas regras: deprecia\u00e7\u00e3o precisa ser feita com ajuste fiscal. Como Dilma n\u00e3o fez isso, a infla\u00e7\u00e3o subiu um pouquinho, e o crescimento baixou para 1%. Ent\u00e3o voc\u00ea tem um juro baixo deixando a classe m\u00e9dia e os rentistas indignados. A infla\u00e7\u00e3o sobe um pouquinho sem haver nenhum crescimento. Surgiu espa\u00e7o para uma oposi\u00e7\u00e3o violenta. Ou seja, naquele momento come\u00e7ou a se romper o pacto pol\u00edtico que Lula e Dilma tentaram fazer com os industriais. Fazer um pacto desenvolvimentista como Get\u00falio fez, como Juscelino fez, como os militares conseguiram a partir de 1967. Esse pacto come\u00e7ou a se romper em 2012 porque, ao mesmo tempo que o crescimento era pequeno e a infla\u00e7\u00e3o subia, o lucro dos empres\u00e1rios caiu violentamente. Por qu\u00ea? Temos de voltar ao final do governo FHC. Na \u00e9poca, a taxa de c\u00e2mbio se desvalorizou at\u00e9 chegar a R$ 6. Os empres\u00e1rios voltaram a exportar. Depois o c\u00e2mbio come\u00e7ou a apreciar, at\u00e9 chegar a R$ 2,20. Os industriais perderam o mercado exterior, mas, como tinha um boom de commodities e como Lula aumentou o sal\u00e1rio m\u00ednimo, aumentou o cr\u00e9dito e criou o Bolsa Fam\u00edlia, com tudo isso o mercado interno aumentou. Mas aquele mercado interno do Lula vazou para as importa\u00e7\u00f5es. Quando chegou em 2011, o Brasil foi inundado por bens importados. E a taxa de lucro caiu, chegou em 2014 em apenas 4%. Devido \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o cambial, o lucro das empresas foi desaparecendo, mas elas continuaram se endividando. Em 2015, elas, que j\u00e1 tinham parado de investir em 2012, come\u00e7aram a pagar d\u00edvidas, come\u00e7aram um processo de desalavancagem, que \u00e9 um sinal da crise: voc\u00ea n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o investe, mas tamb\u00e9m n\u00e3o compra. O maior erro da Dilma foi quando ela resolveu fazer as desonera\u00e7\u00f5es em 2013. Elas criaram uma crise fiscal e n\u00e3o estimularam o investimento.<\/p>\n<p><strong>Mas todo esse setor industrial t\u00e3o afetado pelo endividamento, paradoxalmente, parece ter aderido em bloco ao discurso da coaliz\u00e3o que defendia o aumento dos juros.<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma discuss\u00e3o antiga sobre a burguesia nacional. Desde os anos 1960, defino a burguesia como uma burguesia nacional-dependente. A burguesia dos Estados Unidos ou da Fran\u00e7a, no s\u00e9culo XIX, ou a burguesia dos pa\u00edses asi\u00e1ticos, no s\u00e9culo XX, usaram o Estado para defender seus interesses, para proteger seu parque industrial. A nossa \u00e9 nacional-dependente. Isso \u00e9 um oximoro, uma contradi\u00e7\u00e3o interna. A depend\u00eancia ideol\u00f3gica dos brasileiros \u00e9 maior que a dos asi\u00e1ticos. Quando voc\u00ea vai se desenvolver 200 anos depois da Inglaterra ou 100 anos depois da Alemanha, v\u00ea que os pa\u00edses desenvolvidos se tornaram democr\u00e1ticos, liberais, e escondem o seu nacionalismo de forma astuciosa. Continuam nacionalistas, mas n\u00e3o demonstram isso. E transformam o nacionalismo em palavra feia. Isso facilita nossa depend\u00eancia ideol\u00f3gica. \u00c9 f\u00e1cil voc\u00ea se render. Em certos momentos os empres\u00e1rios brasileiros s\u00e3o nacionalistas. Entre os anos 1930 e 1980, com um pequeno intervalo nos anos 1960, eles foram nacionalistas. Com Lula, eles estavam ficando nacionalistas. Mas em 2012 a coisa degringolou e eles abandonaram o barco.<\/p>\n<p><strong>O senhor v\u00ea grandes diferen\u00e7as entre o golpe de 1964 e o golpe deste ano?<\/strong><br \/>\nAs diferen\u00e7as s\u00e3o grandes por que o golpe atual \u00e9 um golpe dentro da democracia, por assim dizer. Voc\u00ea faz uma viol\u00eancia ao princ\u00edpio democr\u00e1tico e impede um governante sem raz\u00f5es constitucionais e legais para isso. Mas mant\u00e9m a democracia, n\u00e3o suspende os direitos. O regime sofreu um arranh\u00e3o grave, mas continua democr\u00e1tico. Porque as duas caracter\u00edsticas fundamentais da democracia ainda continuam. O conceito m\u00ednimo de democracia exige duas coisas: os direitos civis e o sufr\u00e1gio universal. Essas duas coisas est\u00e3o presentes. Mas foi um golpe, n\u00e3o para encerrar o princ\u00edpio democr\u00e1tico, mas para derrubar um governo.<\/p>\n<p><strong>Mas os setores sociais que articularam os dois golpes s\u00e3o diferentes?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, s\u00e3o os mesmos setores. A grande diferen\u00e7a que vejo \u00e9 que naquele momento havia um medo real do comunismo por parte da classe alta e da classe m\u00e9dia. \u00c9 evidente, para quem pensasse minimamente, que o Jo\u00e3o Goulart n\u00e3o era comunista. Mas havia Cuba, a revolu\u00e7\u00e3o havia ocorrido recentemente, em 1959, e havia uma esquerda no mundo e na Am\u00e9rica Latina que estava apostando na revolu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a direita ficou com medo no mundo inteiro. Agora n\u00e3o existe o medo, mas apareceu uma coisa que n\u00e3o havia naquela \u00e9poca, que \u00e9 o \u00f3dio.<\/p>\n<h3>\u00a0\u201cNUNCA TINHA VISTO ISSO. \u00c9 MUITO GRAVE. O \u00d3DIO \u00c9 PR\u00d3PRIO DE REGIMES EM QUE OS PROBLEMAS ERAM RESOLVIDOS PELA GUERRA E PELO ASSASSINATO\u201d<\/h3>\n<p><strong>Qual \u00e9 o fundamento desse \u00f3dio?<\/strong><br \/>\nPara mim, o fundamento desse \u00f3dio \u00e9 um elitismo muito violento dos brasileiros, que vem ainda da escravid\u00e3o, e especialmente da classe m\u00e9dia. A classe m\u00e9dia viu que tinha sido esquecida no governo Lula. Os muito ricos estavam ganhando muito dinheiro, e o governo tinha uma clara prefer\u00eancia pelos pobres. Eles viram que tinham ficado exclu\u00eddos e viam a ascens\u00e3o social desses pobres, que andavam de avi\u00e3o com eles, entravam nos shopping centers com eles, entravam nas universidades. Todos aqueles elementos que distinguiam essas pessoas dos escravos e seus descendentes. As elites brasileiras s\u00f3 admitem a ascens\u00e3o isoladamente, muito individualmente. Mas uma coletiva \u00e9 inaceit\u00e1vel. H\u00e1 ainda outro fator. De repente apareceu o mensal\u00e3o, um esc\u00e2ndalo pol\u00edtico grave exatamente no partido que estava promovendo essa pol\u00edtica que as incomodava tanto. Ent\u00e3o, o \u00f3dio teve um destino: virou um \u00f3dio ao PT e ao Lula, e a Dilma depois. Nunca tinha visto isso na minha vida. \u00c9 muito grave. Porque a pol\u00edtica s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel numa democracia, porque a pol\u00edtica \u00e9 a arte de negociar e persuadir para governar. Fora da pol\u00edtica, s\u00f3 resta a viol\u00eancia. Nas sociedades pr\u00e9-capitalistas os problemas eram resolvidos assim: fora do pal\u00e1cio, eram resolvidos pela guerra; dentro do pal\u00e1cio eram resolvidos pelo assassinato. \u00c9 s\u00f3 ver as trag\u00e9dias. O \u00f3dio \u00e9 pr\u00f3prio desse tipo de regime. N\u00e3o da democracia. Na democracia h\u00e1 advers\u00e1rios, n\u00e3o inimigos. Quando voc\u00ea transforma o advers\u00e1rio em inimigo, as coisas ficam muito ruins. L\u00e1 se foi a toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>O senhor foi um dos fundadores do PSDB. O partido, no in\u00edcio, n\u00e3o tinha esse radicalismo dos cabe\u00e7as negras.<\/strong><br \/>\nTodos n\u00f3s \u00e9ramos do PMDB at\u00e9 que foi criado o PT, em 1980. Eu n\u00e3o fui para o PT porque n\u00e3o queria fazer parte de um partido revolucion\u00e1rio. N\u00e3o acreditava em revolu\u00e7\u00e3o, sempre fui um social-democrata. Ent\u00e3o, fiquei no PMDB. Mas o PMDB aqui em S\u00e3o Paulo se corrompeu, e a principal raz\u00e3o foi o Orestes Qu\u00e9rcia. Ent\u00e3o n\u00f3s sa\u00edmos e fomos para o PSDB. A\u00ed surgiu a discuss\u00e3o sobre o que o partido devia ser, se ele devia ser um partido social-democrata. Franco Montoro era contra, mas ele foi derrotado. S\u00f3 que o PT se transformou num partido socialista e nos empurrou para a direita. Aconteceu j\u00e1 na campanha do Fernando Henrique em 1994 quando, contra a minha vontade, fez o acordo com o PFL. Ele n\u00e3o precisava ter feito aquele acordo. No governo o PSDB se revelou um partido liberal-conservador. A quest\u00e3o do interesse nacional, isso o PSDB n\u00e3o tem a menor ideia do que seja.<\/p>\n<p><strong>E o governo Temer? Quando assumiu, houve promessas de cortes de gastos e privatiza\u00e7\u00f5es. Depois aumentaram a meta do d\u00e9ficit para R$ 170 bilh\u00f5es. V\u00e1rias coisas anunciadas n\u00e3o foram implementadas, e foram concedidos reajustes salariais ao funcionalismo. O governo assumiu com uma ret\u00f3rica neoliberal, mas na pr\u00e1tica n\u00e3o tem cumprido o que prometeu.<\/strong><br \/>\nPense assim: Dilma foi eleita em 2014 com o apoio dos pobres, mas sem nenhum apoio na sociedade civil: os ricos e bem educados votaram em massa no A\u00e9cio e na Marina, e depois no A\u00e9cio, que perdeu. Ele \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o das nossas elites liberais-dependentes. E autorit\u00e1rias. Foi A\u00e9cio quem prop\u00f4s o impeachment de cara. E a\u00ed surgiu um segundo grupo, que demorou a se formar, que foi o grupo dos oportunistas, que agora tem o nome de centr\u00e3o. \u00c9 liderado pelo Eduardo Cunha, que se associou ao Temer, e perceberam que essa era a oportunidade deles. Mas para isso era preciso que tivessem um discurso t\u00e3o liberal e dependente quanto aquele discurso que as elites e seus ide\u00f3logos estavam fazendo. Foi a forma de obterem o apoio daquelas elites. Agora, o governo Temer vai fazer aquelas pol\u00edticas que ele prometeu? N\u00e3o vai. N\u00e3o vai porque n\u00e3o tem apoio suficiente, ele j\u00e1 disse que n\u00e3o governa sozinho, que o Parlamento faz parte do governo. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o vai fazer porque n\u00e3o est\u00e1 convicto das maravilhas de uma pol\u00edtica estritamente liberal. Temer \u00e9 um constitucionalista, um homem do meio termo, equilibrado. N\u00e3o \u00e9 um t\u00edpico liberal.<\/p>\n<p><strong>A coaliz\u00e3o que se formou contra o PT j\u00e1 come\u00e7ou a se fragmentar?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, s\u00f3 depois do impeachment \u00e9 que isso vai se desmontar. Ela vai desmontar porque temos logo em seguida as elei\u00e7\u00f5es municipais. A\u00ed o quadro pol\u00edtico vai ficar mais claro. Para mim, Temer quer ficar na hist\u00f3ria como o presidente que superou uma crise brasileira. Ele n\u00e3o quer ficar como um golpista. Agora, ele s\u00f3 vai contar com o apoio do centr\u00e3o, que \u00e9 essa coisa meio informe. O centr\u00e3o s\u00f3 vai assumir uma posi\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais muito perto delas. Temer precisa administrar o centr\u00e3o. A economia est\u00e1 come\u00e7ando a ter uma recupera\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 lenta.<\/p>\n<p><strong>Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nTr\u00eas problemas est\u00e3o atrasando fortemente a nossa recupera\u00e7\u00e3o. Primeiro, a taxa de c\u00e2mbio voltou a se apreciar, como prev\u00ea a minha teoria. Segundo, o forte endividamento das empresas. Isso exigiria que o Estado ampliasse fortemente o cr\u00e9dito para eles, para superar esse problema. Mas o Estado est\u00e1 imobilizado, eles n\u00e3o fazem nada. O Nelson Barbosa estava tentando encontrar solu\u00e7\u00f5es para o endividamento das empresas. Estava absolutamente certo. E o terceiro problema s\u00e3o os juros escandalosamente altos, que o Banco Central ainda n\u00e3o se dignou a baixar. Ent\u00e3o esses tr\u00eas problemas est\u00e3o sendo mal resolvidos. Mas vai haver uma modesta recupera\u00e7\u00e3o. Tenho uma tese cultural sobre a crise brasileira: uma alta prefer\u00eancia pelo consumo imediato da sociedade como um todo, do povo \u00e0s elites, e a perda da ideia de na\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou a ocorrer nos anos 1980 e se acelerou na d\u00e9cada seguinte. Essas duas coisas se somam. Vamos pensar a partir de 1994. Dada a alta prefer\u00eancia pelo consumo imediato, voc\u00ea quer c\u00e2mbio apreciado, porque aumenta o consumo no curto prazo. No plano fiscal, o grande problema do investimento \u00e9 estimular os empres\u00e1rios a investir. E precisamos que o Estado invista pelo menos 20% do total de investimentos. O Estado tem investido menos da metade disso. Por qu\u00ea? Porque nem a direita nem a esquerda querem que o Estado invista. A direita n\u00e3o quer porque acha que o setor privado resolver\u00e1 tudo. A infraestrutura foi abandonada no governo Fernando Collor e continuou abandonada no governo Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<h3>\u201cO C\u00c2MBIO APRECIADO INTERESSA AOS PA\u00cdSES RICOS QUE TENTAM NOS CONTROLAR. N\u00c3O TEMOS META\u00a0DE INFLA\u00c7\u00c3O? DEVEMOS TER UMA META DE C\u00c2MBIO\u201d<\/h3>\n<p><strong>E a esquerda?<\/strong><br \/>\nA esquerda quer aumentar a receita tribut\u00e1ria, sim, mas quer gastar tudo no social. N\u00e3o quer gastar em outra coisa que n\u00e3o no social, porque quer distribuir renda. A diferen\u00e7a no or\u00e7amento p\u00fablico \u00e9 que a direita n\u00e3o quer gastar dinheiro: quer cortar o or\u00e7amento p\u00fablico e continuar n\u00e3o investindo nada. E quer diminuir imposto. A esquerda n\u00e3o: quer manter e at\u00e9 elevar os impostos. Mas o que vier ela quer gastar no social. N\u00e3o vai para investimento. E a\u00ed vem a perda da ideia de na\u00e7\u00e3o. A quem interessa o c\u00e2mbio apreciado? Aos interesses estrangeiros, fundamentalmente. Eles ficam felic\u00edssimos com a nossa prefer\u00eancia pelo consumo imediato. Isso atende plenamente \u00e0 vontade deles de ocupar o nosso mercado. Essa prefer\u00eancia pelo consumo imediato significa populismo fiscal e populismo cambial: o Estado gastar mais do que arrecada irresponsavelmente e a na\u00e7\u00e3o gastar mais do que arrecada irresponsavelmente. E a perda da ideia de na\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamentalmente o populismo cambial. O populismo venceu amplamente no Brasil, tanto pela esquerda como pela direita. A diferen\u00e7a \u00e9 que a esquerda gosta dos dois populismos, fiscal e cambial, e a direita n\u00e3o gosta do populismo fiscal.<\/p>\n<p><strong>O senhor v\u00ea uma esperan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nSe elegermos um l\u00edder competente, pode ser que ele consiga isso. Porque a sociedade est\u00e1 desesperada por alguma coisa. Est\u00e1 claro que o Pa\u00eds est\u00e1 sem rumo. Vejo uma esperan\u00e7a em Ciro Gomes. Ele fez uma confer\u00eancia duas semanas atr\u00e1s e fiquei impressionado. Ele amadureceu muito. Sabe tudo sobre o Brasil, conhece muito economia, tem posi\u00e7\u00f5es equilibradas. Pode ser um l\u00edder desse tipo. Vamos ver se ele consegue apoio para isso. J\u00e1 na esquerda o candidato vai ser Lula. S\u00f3 que Lula est\u00e1 sem discurso, seu discurso se esvaziou.<\/p>\n<p><strong>Cada governante cumpriu um papel hist\u00f3rico: FHC, infla\u00e7\u00e3o; e Lula, distribui\u00e7\u00e3o de renda?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, a infla\u00e7\u00e3o foi controlada pelo mais importante presidente que o Pa\u00eds teve ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o: Itamar Franco, um homem modesto, n\u00e3o era uma sumidade jur\u00eddica nem econ\u00f4mica. Mas foi um pol\u00edtico muito competente, s\u00e9rio, e tinha uma qualidade invej\u00e1vel: era um republicano. Ele estava atr\u00e1s do que acreditava. Isso \u00e9 importante porque o pol\u00edtico precisa fazer concess\u00f5es, mas precisa ter uma no\u00e7\u00e3o clara do que quer. Ele n\u00e3o entendia nada de economia, mas trocou quatro ministros at\u00e9 acertar.<\/p>\n<p><strong>Dilma \u00e9 criticada por ter caracter\u00edsticas semelhantes.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, mas o Itamar era um bom pol\u00edtico. Ele sabia fazer compromissos. Ele tinha esp\u00edrito republicano, mas era capaz de negociar. \u00c9 uma arte muito dif\u00edcil. Dilma infelizmente n\u00e3o estava \u00e0 altura do cargo em que foi colocada.\u00a0\u00c9 uma mulher republicana, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o h\u00e1bil como Itamar. E n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o humilde, porque Itamar sabia que n\u00e3o sabia economia. E, se voc\u00ea n\u00e3o sabe, precisa confiar em quem sabe. Dilma n\u00e3o, ela ditava a pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>http:\/\/brasileiros.com.br\/2016\/09\/perdemos-ideia-de-nacao\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mauricio Puls &#8211;\u00a0Fundador do PSDB e ex-ministro de Jos\u00e9 Sarney e Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira mostra que o \u00f3dio da classe m\u00e9dia \u00e0s medidas para diminuir as desigualdades, somadas a erros do governo, levaram ao impeachment. 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