{"id":1730,"date":"2016-09-18T12:23:27","date_gmt":"2016-09-18T15:23:27","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=1730"},"modified":"2016-09-16T20:26:00","modified_gmt":"2016-09-16T23:26:00","slug":"o-belchior-que-a-critica-vulgar-nao-viu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/09\/18\/o-belchior-que-a-critica-vulgar-nao-viu\/","title":{"rendered":"O Belchior que a cr\u00edtica vulgar n\u00e3o viu"},"content":{"rendered":"<p class=\"entry-title\"><strong>Alberto Sartorelli<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<em>Can\u00e7\u00f5es do compositor cearense debateram, desde os anos 1970, a<\/em><em>aliena\u00e7\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es mercantis<\/em> <em>e a pr\u00f3pria ind\u00fastria cultural. Mas alguns procuraram enquadr\u00e1-lo como apenas um rapaz rom\u00e2ntico<\/em><\/p>\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<div class=\"pf-content\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><em>Que tal a civiliza\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Crist\u00e3 e ocidental\u2026<\/em><br \/>\n<em>Deploro essa heran\u00e7a na l\u00edngua<\/em><br \/>\n<em>Que me deram eles, afinal.<br \/>\n<\/em>&#8211; BELCHIOR, \u201cQuinhentos anos de qu\u00ea?\u201d<br \/>\n(Bahiuno, 1993)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A imagem de Belchior vendida pela ind\u00fastria cultural \u00e9 a do artista brega, de voz fanha e bigod\u00e3o \u2013 uma figura! Poucos prestam aten\u00e7\u00e3o nas letras. A forma simples de suas can\u00e7\u00f5es possibilitou sua assimila\u00e7\u00e3o pela ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, que criou-lhe uma imagem caricata e reproduziu suas m\u00fasicas em massa, entre shows, premia\u00e7\u00f5es e programas de audit\u00f3rio, fazendo t\u00e1bula rasa de seu conte\u00fado cr\u00edtico. Belchior foi reduzido a um mero cantor rom\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Em est\u00e9tica, o artista engajado politicamente deve escolher entre dois caminhos: o da forma art\u00edstica de dif\u00edcil assimila\u00e7\u00e3o \u2013 e remunera\u00e7\u00e3o!\u00a0\u2013 para o p\u00fablico e para a ind\u00fastria cultural; ou o da forma mais simples, de f\u00e1cil assimila\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e do show business. Ambas as op\u00e7\u00f5es est\u00e3o fadadas ao sil\u00eancio pol\u00edtico: uma n\u00e3o apela, a outra tem seu apelo anulado pela caricaturiza\u00e7\u00e3o. No fim, a ind\u00fastria cultural impede que qualquer artista seja levado muito a s\u00e9rio, por seu ostracismo ou por sua redu\u00e7\u00e3o a uma imagem vend\u00e1vel.<\/p>\n<p>A especificidade de Belchior \u00e9 a sua consci\u00eancia perante esse processo todo. \u201cAluguei minha can\u00e7\u00e3o \/ pra pagar meu aluguel \/ e uma dona que me disse \/ que o dinheiro \u00e9 um deus cruel \/ [\u2026] hoje eu n\u00e3o toco por m\u00fasica \/ hoje eu toco por dinheiro \/ na emo\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \/ de quem canta no chuveiro \/ fa\u00e7o arte pela arte \/ sem cansar minha beleza \/ assim quando eu vejo porcos \/ lan\u00e7o logo as minhas p\u00e9rolas\u201d (TOCANDO POR M\u00daSICA, Melodrama, 1987).<\/p>\n<p>Belchior, antes de m\u00fasico no sentido geral, \u00e9 um compositor de can\u00e7\u00f5es. Cada autor encontra uma forma para se expressar: o ensaio filos\u00f3fico, a pintura n\u00e3o-figurativa, a \u00f3pera, a can\u00e7\u00e3o. A can\u00e7\u00e3o foi a forma adequada que Belchior encontrou para transpassar seus pensamentos. \u00c9 preciso ter em mente, ao pensarmos a obra de Belchior, um autor de vasta erudi\u00e7\u00e3o, de poesia refinad\u00edssima, conhecedor das l\u00ednguas latinas e da literatura cl\u00e1ssica, e um artista engajado politicamente de maneira radical\u00edssima. A partir da forma can\u00e7\u00e3o, Belchior oferece uma vis\u00e3o do Brasil e do mundo que pouqu\u00edssimos fil\u00f3sofos nascidos em nossas terras puderam vislumbrar. Como diz Nietzsche, o homem verdadeiramente de seu tempo sempre est\u00e1 \u00e0 frente de seu tempo. \u00c9 o caso de Belchior.Belchior demonstra uma compreens\u00e3o total do processo de nivelamento\u00a0\u2013 por baixo \u2013 da cultura por parte da ind\u00fastria cultural, dificultando demasiado a ocorr\u00eancia de composi\u00e7\u00f5es com alto grau de complexidade \u2013 os artistas que se prop\u00f5em a tal correm sempre o risco da mis\u00e9ria material e do esquecimento. Os pr\u00f3prios arranjos dos discos de Belchior s\u00e3o bem simples, com o teclado tendendo ao \u201cengra\u00e7ado\u201d. N\u00e3o \u00e9 da mesma maneira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s letras, sempre de uma profundidade abissal e cr\u00edtica \u00e1cida.<\/p>\n<p>Uma das cr\u00edticas mais ferrenhas do cancionista sobralino \u00e9 contra a arte alegre, moda da \u00e9poca nos anos 1960-70. O fil\u00f3sofo Theodor Adorno, em sua <em>Teoria Est\u00e9tica<\/em> (1969) diz que a arte se utiliza de elementos da vida enquanto seus materiais; se a vida social \u00e9 cindida pela divis\u00e3o do trabalho, que separa o homem de sua produ\u00e7\u00e3o e da natureza, e impede a felicidade enquanto reconhecimento rec\u00edproco entre sujeito e objeto, a arte que imita essa vida deve ser triste, como a pr\u00f3pria vida. A arte alegre seria, ent\u00e3o, ideol\u00f3gica, uma falsa verdade. A Bahia alegr\u00edssima de Caetano Veloso dos anos 1970 (a triste \u00e9 de Greg\u00f3rio de Matos) n\u00e3o passa de logro, ilus\u00e3o. \u201cVeloso \/ o sol n\u00e3o \u00e9 tao brilhante pra que vem \/ do norte \/ e vai viver na rua\u201d (FOTOGRAFIA 3X4, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). Surpreendente o jogo de ambiguidade: \u201cveloso\u201d pode ser tanto um adjetivo do Sol, velando pelo migrante e suas dificuldades na metr\u00f3pole, ou assumir outro sentido completamente oposto, identificado com o pr\u00f3prio Caetano enquanto imperativo moral \u2013 \u201cVeloso (Caetano), veja!, para quem sofre, o sol n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o brilhante quanto dizes\u201d. Ou ent\u00e3o esta outra: \u201cMas trago de cabe\u00e7a uma can\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio \/ em que um antigo compositor baiano me dizia \/ tudo \u00e9 divino \/ tudo \u00e9 maravilhoso \/ [\u2026] mas sei que nada \u00e9 divino \/ nada, nada \u00e9 maravilhoso \/ nada, nada \u00e9 sagrado \/ nada, nada \u00e9 misterioso, n\u00e3o\u201d (APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976).<\/p>\n<p>Chamado de \u201cantigo\u201d, pois j\u00e1 havia deixado de ser vanguarda e ca\u00eddo no pop, encontramos mais uma cr\u00edtica a Caetano e sua composi\u00e7\u00e3o \u201cDivino Maravilhoso\u201d (1968), em parceria com Gilberto Gil e que foi imortalizada na voz de Gal Costa. Vale notar, sem d\u00favida, que a cr\u00edtica de Belchior a Caetano prov\u00e9m de alguma admira\u00e7\u00e3o: em entrevista ao<em>Pasquim<\/em> em 1982, Belchior diz que Caetano Veloso \u00e9 o melhor letrista da MPB, \u201co autor da modernidade musical no Brasil\u201d. Todavia, \u00e9 com enorme verve materialista que ele fortemente rebate a letra de Caetano \u2013 \u201cnada \u00e9 divino, maravilhoso, sagrado, misterioso!\u201d<\/p>\n<p>O materialismo \u00e9 um dos fundamentos da m\u00fasica de Belchior. Seus grandes inimigos s\u00e3o os escapistas, os fugidios, aqueles que diante de cren\u00e7as metaf\u00edsicas falam de uma vida reconciliada, feliz. Musicalmente representada na Tropic\u00e1lia, essa ideia era disseminada pelos hippies, com a cabe\u00e7a feita por alucin\u00f3genos e um mix de espiritualidade. A resposta do materialista \u00e9 \u00e1cida [sic]. \u201cEu n\u00e3o estou interessado em nenhuma teoria \/ em nenhuma fantasia \/ nem no algo mais \/ nem em tinta pro meu rosto \/ oba oba, ou melodia \/ para acompanhar bocejos \/ sonhos matinais \/ eu n\u00e3o estou interessado em nenhuma teoria \/ nem nessas coisas do oriente \/ romances astrais \/ a minha alucina\u00e7\u00e3o \u00e9 suportar o dia-a-dia \/ e meu del\u00edrio \u00e9 a experi\u00eancia \/ com coisas reais\u201d (ALUCINA\u00c7\u00c3O, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). \u00c9 como se Belchior dissesse que n\u00e3o \u00e9 por estar num registro de experi\u00eancia desconhecido que essa experi\u00eancia \u00e9 necessariamente divina; especular metafisicamente sobre isso n\u00e3o passa de teoria vazia. E que o importante n\u00e3o \u00e9 o plano espiritual, mas este aqui, o da mis\u00e9ria e do sofrimento, a realidade emp\u00edrica e social.<\/p>\n<p>Aos 29 anos em 1976, quando do lan\u00e7amento do \u00e1lbum <em>Alucina\u00e7\u00e3o<\/em>, Belchior teve o tempo, a maturidade e o olhar agu\u00e7ado para ver a dissolu\u00e7\u00e3o do sonho pacifista de liberdade. Os libert\u00e1rios de outrora logo se tornaram os burgueses. \u201cJ\u00e1 faz tempo \/ eu vi voc\u00ea na rua \/ cabelo ao vento \/ gente jovem reunida \/ na parede da mem\u00f3ria \/ esta lembran\u00e7a \u00e9 o quadro que d\u00f3i mais \/ minha dor \u00e9 perceber \/ que apesar de termos feito \/ tudo, tudo o que fizemos \/ ainda somos os mesmos e vivemos \/ como os nossos pais \/ [\u2026] e hoje eu sei \/ que quem me deu a ideia \/ de uma nova consci\u00eancia e juventude \/ est\u00e1 em casa guardado por Deus \/ contando seus metais\u201d (COMO OS NOSSOS PAIS, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). \u00c9 curioso notar que foi exatamente \u201cComo os nossos pais\u201d, na magn\u00edfica voz de Elis Regina, a can\u00e7\u00e3o que colocou Belchior de fato no mercado fonogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>O radicalismo pol\u00edtico de Belchior tem seu principal fundamento na cr\u00edtica do dinheiro em si e do trabalho alienado, uma cr\u00edtica mais profunda do que a mera cr\u00edtica do capitalismo. O dinheiro \u00e9 tratado enquanto fetiche e abstra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m enquanto necessidade material e fonte da corrup\u00e7\u00e3o moral. \u201cTudo poderia ter mudado, sim \/ pelo trabalho que fizemos \u2013 tu e eu \/ mas o dinheiro \u00e9 cruel \/ e um vento forte levou os amigos \/ para longe das conversas \/ dos caf\u00e9s e dos abrigos \/ e nossa esperan\u00e7a de jovens \/ n\u00e3o aconteceu\u201d (N\u00c3O LEVE FLORES, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). E \u00e9 o trabalho aquilo separa o homem da natureza, exterior e interior, desumanizando-o. \u201cE no escrit\u00f3rio em que eu trabalho e fico rico \/ quanto mais eu multiplico \/ diminui o meu amor\u201d (PARALELAS, Cora\u00e7\u00e3o Selvagem, 1977). Por isso, o aspecto pol\u00edtico da obra de Belchior ultrapassa a defesa do socialismo centralista ou qualquer outro sistema que envolva a burocracia. O problema \u00e9 um problema fundamental, primeiro, filos\u00f3fico: a civiliza\u00e7\u00e3o. \u201cAqui sem sonhos maus, n\u00e3o h\u00e1 anhangu\u00e1 \/ nem cruz nem dor \/ e o \u00edndio ia indo, inocente e nu \/ sem rei, sem lei, sem mais, ao som do sol \/ e do uirapuru\u201d (NUM PA\u00cdS FELIZ, Bahiuno, 1993). Profundo como um antrop\u00f3logo anarquista, um Pierre Clastres da can\u00e7\u00e3o, a cr\u00edtica mira o fundamento da coisa: a racionalidade ordenadora, dominadora, instrumental, como fora notado por Adorno e Horkheimer na <i>Dial\u00e9tica do Esclarecimento<\/i> (1946).<\/p>\n<p>Belchior faz as den\u00fancias fundamentais; sua arte \u00e9 hegemonicamente negativa. Todavia, h\u00e1 um resqu\u00edcio de esperan\u00e7a nessa vis\u00e3o do Apocalipse, mesmo que a esperan\u00e7a fale sobre o que n\u00e3o deve ser. Nada absurdo para o cancionista sobralino, pois para ele a sociedade \u00e9 ruim por excesso, n\u00e3o por falta. \u201cN\u00e3o quero regra nem nada \/ tudo t\u00e1 como o diabo gosta, t\u00e1 \/ j\u00e1 tenho este peso \/ que me fere as costas \/ e n\u00e3o vou, eu mesmo \/ atar minha m\u00e3o \/ o que transforma o velho no novo \/ bendito fruto do povo ser\u00e1 \/ e a \u00fanica forma que pode ser norma \/ \u00e9 nenhuma regra ter \/ \u00e9 nunca fazer \/ nada que o mestre mandar \/ sempre desobedecer \/ nunca reverenciar.\u201d (COMO O DIABO GOSTA, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). \u201cComo o diabo gosta\u201d deveria ter sido um hino da liberdade; passou despercebida, sem ningu\u00e9m contestar a \u201cPra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei das flores\u201d (Geraldo Vandr\u00e9, 1968) o posto de can\u00e7\u00e3o de protesto.<\/p>\n<p>Para Belchior, as palavras s\u00e3o um instrumento de luta pol\u00edtica, do despertar da consci\u00eancia contra a opress\u00e3o e seus mecanismos ideol\u00f3gicos. \u201cSe voc\u00ea vier me perguntar por onde andei \/ no tempo em que voc\u00ea sonhava \/ de olhos abertos, lhe direi \/ amigo, eu me desesperava \/ [\u2026] e eu quero \u00e9 que esse canto torto feito faca \/ corte a carne de voc\u00eas\u201d (A PALO SECO, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). Para tal intento, sua can\u00e7\u00e3o deve ter um qu\u00ea de disson\u00e2ncia para com o sistema estabelecido, e em vez de cantar as \u201cgrandezas do Brasil\u201d, tem de denunciar os horrores de uma sociedade civil falida. \u201cN\u00e3o me pe\u00e7a que eu lhe fa\u00e7a uma can\u00e7\u00e3o como se deve \/ correta, branca, suave \/ muito limpa, muito leve \/ sons, palavras, s\u00e3o navalhas \/ e eu n\u00e3o posso cantar como conv\u00e9m \/ sem querer ferir ningu\u00e9m \/ mas n\u00e3o se preocupe meu amigo \/ com os horrores que eu lhe digo \/ isso \u00e9 somente uma can\u00e7\u00e3o \/ a vida realmente \u00e9 diferente \/ quer dizer \/ a vida \u00e9 muito pior\u201d (APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). Se a arte \u00e9 a m\u00edmese da vida, toda arte, por mais verdadeira que seja enquanto parte, n\u00e3o d\u00e1 conta do todo. A realidade \u00e9 pior do que a tristeza que a arte transpassa, e pior do que o pesadelo em sonho. \u00c9 essa realidade que importa mudar.<\/p>\n<p>Um mecanismo utilizado nas letras e nas melodias de Belchior \u00e9 o da aproxima\u00e7\u00e3o perante o ouvinte. Cearense, migrante, que na cidade grande sofreu, tocou em puteiros, foi explorado para \u201cfazer a vida\u201d. \u201cPra quem n\u00e3o tem pra onde ir \/ a noite nunca tem fim \/ o meu canto tinha um dono e esse dono do meu canto \/ pra me explorar, me queria sempre b\u00eabado de gim\u201d (TER OU N\u00c3O TER, Todos os sentidos, 1978). \u00c9 assim, por meio de sua experi\u00eancia de vida trash, que Belchior realiza o approche para com o ouvinte. Ritmo simples e letra aguda, essa foi a aposta do cancionista para a politiza\u00e7\u00e3o da massa. \u201cA minha hist\u00f3ria \u00e9 talvez \/ \u00e9 talvez igual a tua \/ jovem que desceu do norte \/ que no sul viveu na rua \/ que ficou desnorteado \/ como \u00e9 comum no seu tempo \/ que ficou desapontado \/ como \u00e9 comum no seu tempo \/ que ficou apaixonado e violento como voc\u00ea \/ eu sou como voc\u00ea que me ouve agora\u201d (FOTOGRAFIA 3X4, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). Ao dizer \u201ceu sou como voc\u00ea\u201d, Belchior almeja arrebatar o outro como identidade, e trazer \u00e0 tona a revolta contra a opress\u00e3o; seu p\u00fablico \u2013 alvo, escolhido a dedo, n\u00e3o \u00e9 o intelectual burgu\u00eas letrado, mas o pobre que vai ao boteco depois da jornada de trabalho; ele o reconhece como indiv\u00edduo ativo a ser despertado: o sujeito revolucion\u00e1rio. Mas \u00e9 claro que a ind\u00fastria cultural fez de tudo para anular esse conte\u00fado: em plena ditadura militar, transformaram Belchior numa personagem caricata, num astro rom\u00e2ntico, o gal\u00e3 de \u201cTodo sujo de batom\u201d (Cora\u00e7\u00e3o Selvagem, 1977).<\/p>\n<p>Belchior sabe, desde muito tempo, que \u201cEles venceram \/ e o sinal est\u00e1 fechado pra n\u00f3s \/ que somos jovens\u201d (COMO OS NOSSOS PAIS, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). Mesmo assim, n\u00e3o foi em v\u00e3o seu esfor\u00e7o: al\u00e9m de todas as can\u00e7\u00f5es citadas at\u00e9 agora, ainda h\u00e1 muitas outras de conte\u00fado cr\u00edtico ferrenho, como por exemplo \u201cPequeno perfil de um cidad\u00e3o comum\u201d (Era uma vez um homem e seu tempo, 1979), uma epopeia sem o elemento \u00e9pico, que fala de como \u00e9 v\u00e3 a vida do sujeito raso, de gosto pouco refinado, cuja finalidade \u00e9 voltada ao trabalho; \u201cArte Final\u201d (Bahiuno, 1993), grande can\u00e7\u00e3o sobre tudo aquilo que deveria ter acontecido e n\u00e3o aconteceu; ou \u201cMeu cordial brasileiro\u201d (Bahiuno, 1993), que identifica a tese do \u201chomem cordial\u201d de S\u00e9rgio Buarque de Hollanda (Ra\u00edzes do Brasil, 1936), o elemento diferenciador do brasileiro, com o aspecto consentido do nosso povo perante a pol\u00edtica e o trabalho. Belchior teve sua poesia impregnada pela frustra\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter podido colocar em pr\u00e1tica o projeto por um mundo melhor, e sua m\u00fasica \u00e9 mais verdadeira e mais revolucion\u00e1ria por isso: n\u00e3o promete a felicidade, mas escancara a impossibilidade dela no estado de coisas vigente.<\/p>\n<p>No fim, em meio a essa cena sombria, nos tempos dele e no nosso tempo de agora, ainda h\u00e1 alguma esperan\u00e7a. Para Belchior, mais importante do que a filosofia ou a arte \u00e9 a vida. \u201cPrimeiro o meu viver \/ segundo este vil cantar de amigo\u201d (AMOR DE PERDI\u00c7\u00c3O, Elogio da Loucura, 1988). Sua filosofia \u00e9 oposta \u00e0 de Caetano: se para o compositor baiano, quem \u201cmora na filosofia\u201d est\u00e1 separado dos sentimentos humanos, a filosofia de Belchior prov\u00e9m da experi\u00eancia; \u00e9 pensamento vivo. \u201cDeixando a profundidade de lado \/ eu quero \u00e9 ficar colado \u00e0 pele dela noite e dia \/ fazendo tudo de novo \/ e dizendo sim \u00e0 paix\u00e3o \/ morando na filosofia\u201d (DIVINA COM\u00c9DIA HUMANA, Todos os sentidos, 1978).<\/p>\n<p>Marcado no cancioneiro latino-americano como uma de suas grandes vozes, Belchior foi um mestre da poesia. Foi assimilado pela ind\u00fastria cultural, de fato, como Mercedes Sosa ou Che Guevara. Ele se jogou na contradi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular, assim como qualquer um se joga nas contradi\u00e7\u00f5es da l\u00f3gica do trabalho. Assimilado, mas n\u00e3o rendido. \u201cMarginal bem sucedido e amante da anarquia \/ eu n\u00e3o sou renegado sem causa\u201d (LAMENTO DE UM MARGINAL BEM SUCEDIDO, Bahiuno, 1993). N\u00e3o \u00e9 por ter sido reproduzido e veiculado pela ind\u00fastria cultural que Belchior perdeu totalmente a sua virul\u00eancia: ela se mant\u00e9m viva em ouvintes atentos que, como n\u00f3s, encontram nele uma manifesta\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de seu tempo, e mais: a esperan\u00e7a de um mundo melhor, inteiramente outro. Por agora, o importante \u00e9 viver. \u201cBebi, conversei com os amigos ao redor de minha mesa \/ e n\u00e3o deixei meu cigarro se apagar pela tristeza \/ sempre \u00e9 dia de ironia no meu cora\u00e7\u00e3o\u201d (N\u00c3O LEVE FLORES, Alucina\u00e7\u00e3o, 1976). Belchior, como Nietzsche, diz sim \u00e0 vida, apesar de tudo, e talvez por isso tenha ca\u00eddo fora dessa loucura midi\u00e1tica que \u00e9 a vida de um artista famoso sempre sob os holofotes.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s d\u00favidas acerca de seu paradeiro, que me perdoem os escandalizados, mas a letra j\u00e1 estava dada h\u00e1 muito tempo. \u201cSaia do meu caminho \/ eu prefiro andar sozinho \/ deixem que eu decido a minha vida\u201d (COMENT\u00c1RIO A RESPEITO DE JOHN, Era uma vez um homem e seu tempo, 1979).<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"aS80jJXvTv\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/poeticas\/o-belchior-que-a-critica-vulgar-nao-viu\/\">O Belchior que a cr\u00edtica vulgar n\u00e3o viu<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;O Belchior que a cr\u00edtica vulgar n\u00e3o viu&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/poeticas\/o-belchior-que-a-critica-vulgar-nao-viu\/embed\/#?secret=hyZRzDqqPj#?secret=aS80jJXvTv\" data-secret=\"aS80jJXvTv\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alberto Sartorelli\u00a0&#8211;\u00a0Can\u00e7\u00f5es do compositor cearense debateram, desde os anos 1970, aaliena\u00e7\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es mercantis e a pr\u00f3pria ind\u00fastria cultural. 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