{"id":16870,"date":"2022-03-13T12:01:12","date_gmt":"2022-03-13T15:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16870"},"modified":"2022-03-07T19:03:40","modified_gmt":"2022-03-07T22:03:40","slug":"o-deus-subterraneo-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/03\/13\/o-deus-subterraneo-do-capitalismo\/","title":{"rendered":"O deus subterr\u00e2neo do capitalismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Eleut\u00e9rio F.S. Prado<\/strong> &#8211; Este artigo pretende expor resumidamente a tese do fil\u00f3sofo freudo-marxista Adrian Johnston sobre o lugar da religi\u00e3o nos \u00faltimos dois s\u00e9culos frente \u00e0 seculariza\u00e7\u00e3o produzida pelo crescimento exponencial das rela\u00e7\u00f5es mercantis. Ele quer saber, dizendo de outro modo, como a religi\u00e3o ocupou o espa\u00e7o social conforme ocorreu o desenvolvimento do capitalismo. A sua exposi\u00e7\u00e3o encontra-se num extenso artigo publicado na revista <em>Philosophy Today<\/em>, em 2019:\u00a0<em>The triumph of theological economics: god goes underground<\/em>, t\u00edtulo que pode ser assim traduzido: O triunfo da teologia econ\u00f4mica: deus se tornou subterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Johnston se inspira numa pr\u00e9dica de Jacques Lacan deixada nas linhas de seu famoso semin\u00e1rio sobre\u00a0<em>Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>, de 1964: \u201ca verdadeira f\u00f3rmula do ate\u00edsmo n\u00e3o \u00e9 que Deus esteja morto\u2026 a verdadeira f\u00f3rmula do ate\u00edsmo \u00e9 que Deus se tornou inconsciente\u201d. Se assim for, isso mostra que o governo da divindade sobre a sociedade \u00e9 t\u00e3o poderoso que apenas pode ser abandonado na apar\u00eancia; quando isso ocorre, quando os crentes se tornam descrentes, ele vai sobreviver oculto no inconsciente daqueles que agora s\u00e3o \u201cateus\u201d \u2013 incluindo-se nessa categoria os que se assumem agn\u00f3sticos e aquele que o s\u00e3o devido ao seu comportamento social, mas n\u00e3o se assumem como tais. Mais do que isso, Johnston sustenta que a cren\u00e7a em um ser todo poderoso, quando passa a ser renegada expl\u00edcita ou implicitamente, se torna ainda mais en\u00e9rgica, pois agora ela passa a reinar sobre os \u201csujeitos\u201d sociais sem que eles o saibam.<\/p>\n<p>Eis o que ele pr\u00f3prio diz: \u201cMinha interven\u00e7\u00e3o (\u2026) inspira-se especialmente na s\u00f3bria considera\u00e7\u00e3o de Jacques Lacan sobre o \u2018triunfo da religi\u00e3o\u2019, mote que desafia as expectativas de Freud de que a seculariza\u00e7\u00e3o iria se ampliar e se aprofundar [com o desenvolvimento do capitalismo]. Argumento que os fen\u00f4menos sociopol\u00edticos das \u00faltimas d\u00e9cadas testemunham que as superestruturas religiosas se infundiram nas superestruturas econ\u00f4micas. Afirmo que essa din\u00e2mica foi t\u00e3o longe que a humanidade contempor\u00e2nea \u00e9 agora amplamente secular quando acredita ser religiosa e religiosa quando acredita ser secular\u201d.<\/p>\n<p>Como a psican\u00e1lise faz afirma\u00e7\u00f5es sobre a psique dos indiv\u00edduos e a tese mantida por Johnston refere-se \u00e0 sociedade como um todo, a passagem que faz de um n\u00edvel a outro requer uma justifica\u00e7\u00e3o. E esta lhe parece imediata: como a religi\u00e3o existe simultaneamente como realidade pessoal e coletiva, ela pode ser alvo de uma cr\u00edtica hist\u00f3rico-materialista na perspectiva da cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. Eis que a considera\u00e7\u00e3o da intera\u00e7\u00e3o entre a religi\u00e3o e o sistema do capital \u00e9 importante \u2013 como ainda se ver\u00e1 \u2013 para compreender tanto a resili\u00eancia hist\u00f3rica do capitalismo como certos desenvolvimentos degenerativos do liberalismo no campo da direita.<\/p>\n<p>De qualquer modo, a referida continuidade desafia n\u00e3o apenas as expectativas de Freud quanto ao desaparecimento da religi\u00e3o, mas tamb\u00e9m de muitos outros que viveram no per\u00edodo hist\u00f3rico em que predominaram as esperan\u00e7as de \u201cprogresso\u201d incitadas pelo advento do Iluminismo. Acreditou-se, ent\u00e3o, principalmente nos meios intelectuais europeus, que o desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico tornaria o culto de um ser divino, pouco a pouco e cada vez mais, uma exce\u00e7\u00e3o, ou mesmo, uma rel\u00edquia da hist\u00f3ria. De qualquer modo, sabe-se que a religi\u00e3o deixou de fato de subsumir a sociedade em uma totalidade \u00e9tica inescap\u00e1vel, para se tornar uma quest\u00e3o de foro individual.<\/p>\n<p>Mesmo os jovens Marx e Engels n\u00e3o escaparam de acreditar numa progressiva dessacraliza\u00e7\u00e3o da sociedade e, assim, no avan\u00e7o avassalador da seculariza\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento do capitalismo. E isso est\u00e1 impl\u00edcito no modo como trataram o papel transformador da burguesia no\u00a0<em>Manifesto comunista;\u00a0<\/em>eis que essa classe social, na vis\u00e3o deles, seria portadora de um progresso material e cultural de grande valor para a humanidade: \u201cA burguesia, historicamente, desempenhou um papel muito revolucion\u00e1rio. Onde quer que tenha conquistado o poder, p\u00f4s fim \u00e0s romanceadas rela\u00e7\u00f5es feudais e patriarcais. Rompeu sem piedade os diferentes la\u00e7os feudais que ligavam o homem a seus \u2018superiores naturais\u2019 e n\u00e3o deixou nenhuma outra liga\u00e7\u00e3o entre os homens a n\u00e3o ser o frio autointeresse, o insens\u00edvel \u2018pagamento em esp\u00e9cie\u2019. Ela afogou os mais sagrados \u00eaxtases do fervor religioso, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo pequeno-burgu\u00eas, nas \u00e1guas g\u00e9lidas do c\u00e1lculo ego\u00edsta\u201d.<\/p>\n<p>Grosso modo, em sua obra cr\u00edtica da economia pol\u00edtica, Marx trata a religi\u00e3o como realidade social externa ao sistema da rela\u00e7\u00e3o de capital e, portanto, como estranha \u2013 mera heran\u00e7a do passado \u2013 \u00e0 superestrutura do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Entretanto, \u00e9 poss\u00edvel reconhecer j\u00e1 na no\u00e7\u00e3o smithiana de \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d, a transmigra\u00e7\u00e3o da \u201cm\u00e3o vis\u00edvel\u201d de Deus \u2013 elemento central da superestrutura da sociedade medieval que busca se manter na modernidade \u2013 para o sistema econ\u00f4mico na forma de um \u201cesp\u00edrito\u201d que o governa divinamente em proveito da prosperidade geral. Entretanto, como se sabe, Marx considerou o argumento da m\u00e3o invis\u00edvel como inefetivo j\u00e1 que o contr\u00e1rio poderia ser deduzido das premissas, mas n\u00e3o viu nele a inser\u00e7\u00e3o do divino na l\u00f3gica de funcionamento do sistema econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Nos\u00a0<em>Grundrisse<\/em>, ele escreveu: \u201cA depend\u00eancia rec\u00edproca se expressa na necessidade constante da troca e no valor de troca com a media\u00e7\u00e3o de tudo. Os economistas expressam isso como segue: cada um persegue o seu interesse privado; e por esse meio favorece o interesse privado de todos, o interesse geral, sem mesmo desej\u00e1-lo ou sab\u00ea-lo. (\u2026). Igualmente, \u00e9 poss\u00edvel deduzir dessa frase abstrata que cada indiv\u00edduo bloqueia reciprocamente a afirma\u00e7\u00e3o do interesse de todos os outros, de modo que, ao inv\u00e9s de uma afirma\u00e7\u00e3o geral, a guerra de todos contra todos produz uma nega\u00e7\u00e3o geral\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00f3rio, entretanto, que uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o aparece na se\u00e7\u00e3o sobre o fetichismo da mercadoria do primeiro cap\u00edtulo de\u00a0<em>O capital<\/em>. O velho Marx diz a\u00ed que a mercadoria, apesar de parecer uma coisa trivial, cont\u00e9m \u201csubtileza metaf\u00edsica e manha teol\u00f3gica\u201d. Entretanto, esse car\u00e1ter para al\u00e9m de emp\u00edrico do produto do trabalho no capitalismo n\u00e3o aponta para o ocultamento que aqui se quer apresentar. Pois, se o fetichismo indica um encantamento do mundo das mercadorias, este n\u00e3o prov\u00e9m de internaliza\u00e7\u00e3o a\u00ed de um ser divino que antes morava no c\u00e9u.<\/p>\n<p>Diferentemente, consiste numa ilus\u00e3o real que ocorre na pr\u00e1tica social propiciada pela economia mercantil generalizada, pois a\u00ed os agentes confundem invariavelmente a forma de valor com o suporte dessa forma, ou seja, com o valor de uso. Note-se, em adi\u00e7\u00e3o, que o pr\u00f3prio Marx distinguiu entre o caso em que os produtos da m\u00e3o humana assumem eles pr\u00f3prios uma \u201cforma fantasmag\u00f3rica\u201d e o caso em que \u201cos produtos do c\u00e9rebro humano parecem dotados de vida pr\u00f3pria\u201d. Somente esse \u00faltimo \u2013 mas n\u00e3o o primeiro \u2013 pertence, segundo ele, \u00e0 \u201cregi\u00e3o nebulosa da religi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, como nota Johnston, \u00e9 poss\u00edvel argumentar que o fetichismo \u00e9 uma pista que leva a algo que se encontra mais escondido. Trata-se de um ind\u00edcio e ele aponta que uma sutil sacralidade parece inerente ao pr\u00f3prio sistema do capital. Pois, este \u00faltimo opera por meio das a\u00e7\u00f5es funcionais dos indiv\u00edduos que o comp\u00f5em, mas segundo uma l\u00f3gica objetiva que independente da consci\u00eancia desses mesmos indiv\u00edduos. Eis que vem a ser um sistema que possui a propriedade da auto-organiza\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o deixa de produzir crises sucessivas, as quais, ali\u00e1s, s\u00e3o imanentes e necess\u00e1rias para que o processo de acumula\u00e7\u00e3o de capital possa continuar. De qualquer modo, \u00e9 nele que se produzem sem cessar \u201ccoisas de valor\u201d.<\/p>\n<p>Ser\u00e1, entretanto, um autor influenciado pontualmente pela obra de Max Weber, Ernest Bloch, o primeiro marxista a se referir ao capitalismo como religi\u00e3o. Segundo Michael L\u00f6wy, em\u00a0<em>A jaula de a\u00e7o<\/em>, Bloch, em seu livro\u00a0<em>Thomas M\u00fcnzer: te\u00f3logo da revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, Bloch acusa Calvino de querer destruir o cristianismo introduzindo uma nova religi\u00e3o justamente por apresentar o pr\u00f3prio capitalismo como religi\u00e3o. No entanto, foi Walter Benjamin, a partir da leitura dessa obra de Bloch, quem primeiro tentou transformar essa acusa\u00e7\u00e3o num atributo cr\u00edtico aplic\u00e1vel ao pr\u00f3prio sistema da rela\u00e7\u00e3o de capital. Eis que, para ele, como deixou registrado num rascunho, \u00e9 preciso considerar o capitalismo como uma verdadeira religi\u00e3o: \u201cDemonstrar a estrutura religiosa do capitalismo \u2013 isto \u00e9, demonstrar que ele n\u00e3o \u00e9 apenas uma forma\u00e7\u00e3o condicionada pela religi\u00e3o, como pensa Weber, mas um fen\u00f4meno essencialmente religioso \u2013 nos conduziria ainda hoje \u00e0s sutilezas de uma pol\u00eamica universal desmesurada (\u2026) O cristianismo, na \u00e9poca da Reforma, n\u00e3o favoreceu o advento do capitalismo; ele se transformou no capitalismo\u201d.<\/p>\n<p>O jovem Marx previu uma dessacraliza\u00e7\u00e3o crescente da sociedade moderna, mas o que ocorreu \u2013 menciona Johnston \u2013 foi o contr\u00e1rio. O que o seu cr\u00edtico por excel\u00eancia concebeu como fonte de estranhamento, converteu-se em objeto de um respeito m\u00edstico. O car\u00e1ter religioso que assume perante os indiv\u00edduos alienados, manifestou-se na ideologia dos movimentos de direita e de extrema direita contempor\u00e2neos. Como se sabe, o neoliberalismo em ascens\u00e3o desde os anos 1980 diviniza o sistema econ\u00f4mico para isol\u00e1-lo das demandas democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A liberdade que o pr\u00f3prio capitalismo requer para o seu funcionamento \u00e9 defendida com fervor religioso. A austeridade \u00e9 assumida como um dever de Estado independentemente de sua funcionalidade. O pr\u00f3prio sistema deixa de ser encarado como uma ordem natural para ser tomado como uma ordem moral pela economia pol\u00edtica contempor\u00e2nea. Eis que Deus, nas palavras de Johnston, caiu do c\u00e9u e se tornou \u201csubterr\u00e2neo\u201d.<\/p>\n<p>Para compreender a sacraliza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida econ\u00f4mica por parte desses movimentos, Johnston julga que \u00e9 preciso repensar, sem eliminar, a distin\u00e7\u00e3o separadora cl\u00e1ssica feita pelo materialismo hist\u00f3rico entre a infraestrutura econ\u00f4mica e a superestrutura social e cultural. Eis que n\u00e3o basta identificar o modo de produ\u00e7\u00e3o por meio de suas rela\u00e7\u00f5es sociais espec\u00edficas para em sequ\u00eancia descobrir a superestrutura que lhe corresponde, como se fossem faces opostas de uma mesma realidade. Pois, n\u00e3o \u00e9 verdade que apenas a primeira determina ou condiciona a segunda, mas sim que ambas se determinam mutuamente. Pode-se dizer, metaforicamente, que a infraestrutura e a superestrutura da sociedade s\u00e3o porosas \u2013 ou n\u00e3o completas.<\/p>\n<p>Em particular, a religi\u00e3o tradicional mantida nunca deixa de ser afetada pela normatividade do capitalismo e este, enquanto sistema, n\u00e3o pode subsistir sem assumir algum car\u00e1ter de esfera sagrada. Marx, pontualmente, parece \u00e0s vezes detectar \u2013 afirma Johnston \u2013, mesmo no capitalismo de seu tempo, \u201cuma sacralidade supranaturalista, sutilmente disfar\u00e7ada, que se lhe afigura como inerente ao pr\u00f3prio capitalismo\u201d. Contemporaneamente, mesmo uma fus\u00e3o de economia e religi\u00e3o se manifesta atualmente com grande for\u00e7a de convencimento nas fra\u00e7\u00f5es mais pobres das sociedades perif\u00e9ricas por meio da assim chamada \u201cteologia da prosperidade\u201d. Por outro lado, a religi\u00e3o se funde com a pol\u00edtica nos movimentos identit\u00e1rios e nacionalistas que crescem nos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Johnston detecta agora, na sociedade contempor\u00e2nea, uma amplifica\u00e7\u00e3o dos sinais ainda fracos, mas que j\u00e1 se manifestavam em meados do s\u00e9culo XIX. Se, por um lado, a religi\u00e3o tradicional perdeu cada vez mais a condi\u00e7\u00e3o de totalidade normativa que envolve a sociedade como um todo e determina os comportamentos em geral, a pr\u00f3pria esfera que produz essa mudan\u00e7a e engendra a domin\u00e2ncia das rela\u00e7\u00f5es utilit\u00e1rias e, assim, materialistas no sentido vulgar, ou seja, o crescimento da import\u00e2ncia da esfera econ\u00f4mica na vida social, vai se tornar cada vez mais sacralizada. A sua normatividade \u00e9 secretamente imperativa. Segundo o fil\u00f3sofo freudo-marxista que aqui se estuda, \u201cesta \u2018desteologiza\u00e7\u00e3o\u2019 da religi\u00e3o e a \u2018teologiza\u00e7\u00e3o\u2019 relacionada da economia foi j\u00e1 muito longe\u201d.<\/p>\n<p>Eis o que ele diz: \u201cNo in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, a religi\u00e3o est\u00e1 completamente presente tanto na infraestrutura quanto na superestrutura. Um Deus obsceno e profano habita a terra vestindo as duas faces do culturalismo beligerante e do neoliberalismo arrogante. Em uma invers\u00e3o \u2013 do tipo \u201cvirar de cabe\u00e7a para baixo\u201d (<em>verkehrtes<\/em>) \u2013 entre o deste mundo e o do outro mundo, a humanidade contempor\u00e2nea agora \u00e9 secular onde acredita ser religiosa e religiosa onde acredita ser secular. O encantado e o desencantado trocaram de lugar; o aparentemente encantado agora se tornou desencantado e vice-versa\u201d.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, Johnston acredita que a cr\u00edtica da economia pol\u00edtica tem tamb\u00e9m de sofrer uma revers\u00e3o em sua orienta\u00e7\u00e3o. Se ela nasceu, como se sabe, da rejei\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica da religi\u00e3o, mantida na Alemanha pelos jovens hegelianos, agora essa rejei\u00e7\u00e3o tem de ser rejeitada. Ela n\u00e3o pode mais se cingir \u00e0 cr\u00edtica da pol\u00edtica econ\u00f4mica, da m\u00e1 compreens\u00e3o das tend\u00eancias do capitalismo ou da ideologia em prol do mercado, pois tem de alcan\u00e7ar tamb\u00e9m a sacraliza\u00e7\u00e3o do econ\u00f4mico; n\u00e3o s\u00f3 da dupla produ\u00e7\u00e3o\/circula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m e em especial do Estado. \u201cAinda n\u00e3o somos, mas precisamos nos tornar ateus econ\u00f4micos\u201d.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: O deus subterr\u00e2neo do capitalismo &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/o-deus-subterraneo-do-capitalismo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eleut\u00e9rio F.S. 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