{"id":16552,"date":"2022-02-27T12:58:26","date_gmt":"2022-02-27T15:58:26","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16552"},"modified":"2022-03-20T11:20:23","modified_gmt":"2022-03-20T14:20:23","slug":"a-crise-da-ucrania-e-o-acordo-entre-russia-e-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/02\/27\/a-crise-da-ucrania-e-o-acordo-entre-russia-e-china\/","title":{"rendered":"A crise da Ucr\u00e2nia e o acordo entre R\u00fassia e China"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/strong> &#8211; Dois acontecimentos sacudiram o cen\u00e1rio mundial neste in\u00edcio de 2022: o primeiro foi o\u00a0<em>ultimatum\u00a0<\/em>russo, lan\u00e7ado em meados de dezembro de 2021 e dirigido aos EUA, \u00e0 OTAN e aos pa\u00edses-membros da Uni\u00e3o Europeia, exigindo o recuo imediato da OTAN na Ucr\u00e2nia, e propondo uma revis\u00e3o completa do \u201cmapa militar\u201d da Europa Central, definido pelos Estados Unidos e seus aliados da Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica ap\u00f3s a vit\u00f3ria na Guerra Fria. O segundo foi a \u201cdeclara\u00e7\u00e3o conjunta\u201d da Federa\u00e7\u00e3o Russa e da Rep\u00fablica da China, no dia 7 de fevereiro de 2022, propondo uma \u201crefunda\u00e7\u00e3o\u201d da ordem mundial estabelecida depois da Segunda Guerra Mundial e aprofundada depois da vit\u00f3ria dos EUA e de seus aliados na Guerra do Golfo em 1991 [leia aqui, em ingl\u00eas]. Os dois documentos prop\u00f5em uma \u201crevis\u00e3o\u201d do\u00a0<em>status quo\u00a0<\/em>internacional, mas o primeiro cont\u00e9m objetivos e exig\u00eancias imediatas e localizadas, enquanto o segundo apresenta uma verdadeira proposta de \u201crefunda\u00e7\u00e3o\u201d do sistema interestatal \u201cinventado\u201d pelos europeus. Ambos, no entanto, est\u00e3o apontando neste momento para uma reconfigura\u00e7\u00e3o profunda do sistema internacional.<\/p>\n<blockquote><p><em>J\u00e1 n\u00e3o existe mais um \u00fanico \u201ccrit\u00e9rio \u00e9tico\u201d, tampouco existe mais um \u00fanico juiz com poder para arbitrar todos os conflitos internacionais, com base na sua pr\u00f3pria \u201ct\u00e1bua de valores\u201d. E j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel expulsar os \u201cnovos pecadores\u201d do \u201cpara\u00edso\u201d inventado pelos europeus, como aconteceu com os lend\u00e1rios Ad\u00e3o e Eva. Como essa supremacia acabou, talvez seja poss\u00edvel, ou mesmo necess\u00e1rio, que o Ocidente aprenda a respeitar e conviver de forma pac\u00edfica com a \u201cverdade\u201d e com os \u201cvalores\u2019 de outras civiliza\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div id=\"readability-page-1\" class=\"page\">\n<div id=\"single-the-content\">\n<blockquote><p><strong>J. L. Fiori<\/strong>. O mito do pecado original, o ceticismo \u00e9tico e o desafio da paz. In: ______. (Org.).\u00a0<em>Sobre a Paz.\u00a0<\/em>Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2021, p. 464.<\/p><\/blockquote>\n<p>No caso do \u201cultimato russo\u201d, a quest\u00e3o imediata que est\u00e1 em jogo \u00e9 a incorpora\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela OTAN, mas o verdadeiro problema de fundo \u00e9 a exig\u00eancia russa de revis\u00e3o das \u201cperdas\u201d que lhe foram impostas depois da dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica1. Depois de 1991, a R\u00fassia perdeu 5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados e 140 milh\u00f5es de habitantes, mas agora se prop\u00f5e a reduzir essas perdas expandindo sua influ\u00eancia no seu entorno estrat\u00e9gico e afastando a amea\u00e7a ao seu territ\u00f3rio, por parte da OTAN e dos Estados Unidos. Esse ultimatum era perfeitamente previs\u00edvel e veio sendo anunciado h\u00e1 muito tempo, pelo menos desde a \u201cGuerra da Ge\u00f3rgia\u201d, em 20082. A grande novidade agora \u00e9 que a proposta revisionista dos russos dever\u00e1 avan\u00e7ar sem guerra, atrav\u00e9s de um jogo de xadrez extremamente complexo, no qual se acumulam as amea\u00e7as militares e econ\u00f4micas, mas n\u00e3o dever\u00e1 haver um enfrentamento direto, apesar da propaganda e da histeria psicol\u00f3gica provocada pelos an\u00fancios sucessivos da \u201cinvas\u00e3o que n\u00e3o houve\u201d, sobretudo da parte dos Estados Unidos e da Inglaterra. A R\u00fassia obteve uma vit\u00f3ria imediata ao conseguir colocar todos os demais atores envolvidos em torno de uma mesa para discutir os termos da sua proposta. E o mais prov\u00e1vel \u00e9 que os seus principais pleitos sejam atendidos, sem invas\u00e3o nem guerra. Al\u00e9m disso, nas discuss\u00f5es evidenciaram-se a divis\u00e3o entre as pot\u00eancias ocidentais e a falta de iniciativa e lideran\u00e7a da parte do governo norte-americano, que se restringiu a repetir a mesma amea\u00e7a de sempre, de que imporia novas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas aos russos caso ocorresse a invas\u00e3o que foi reiteradamente negada pelos pr\u00f3prios russos, enquanto a iniciativa diplom\u00e1tica passava quase inteiramente para as m\u00e3os dos europeus. Os Estados Unidos n\u00e3o receberam o apoio que esperavam de seus velhos aliados do Oriente M\u00e9dio (nem mesmo de Israel), da \u00c1sia (nem mesmo da \u00cdndia), e mesmo da Am\u00e9rica Latina (nem mesmo do Brasil). E o que \u00e9 pior, para os anglo-sax\u00f5es, tudo indica que a Alemanha ter\u00e1 um papel fundamental na intermedia\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica do conflito, o que envolveria uma reaproxima\u00e7\u00e3o entre os alem\u00e3es e os russos, com a libera\u00e7\u00e3o imediata do Gasoduto do B\u00e1ltico que sempre teve a oposi\u00e7\u00e3o dos norte-americanos. Afora o fato que um eventual sucesso diplom\u00e1tico alem\u00e3o neste conflito daria \u00e0 Alemanha uma centralidade geopol\u00edtica dentro da Europa que aceleraria o decl\u00ednio da influ\u00eancia dos Estados Unidos entre seus aliados europeus. Neste sentido, um acordo diplom\u00e1tico \u201cintra-europeu\u201d seria tamb\u00e9m uma derrota para os Estados Unidos, mas ao mesmo tempo \u00e9 imposs\u00edvel imaginar que um acordo deste tipo possa ter sucesso sem o apoio dos pr\u00f3prios Estados Unidos e da Otan que \u00e9 na pr\u00e1tica um \u201cbra\u00e7o armado norte-americano\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso do documento apresentado \u00e0 \u201ccomunidade internacional\u201d pela R\u00fassia e pela China, no dia 7 de fevereiro rec\u00e9m-passado, as reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e locais dos dois pa\u00edses s\u00e3o bem conhecidas e n\u00e3o t\u00eam maior import\u00e2ncia neste contexto. A import\u00e2ncia do documento vai muito al\u00e9m disto, porque se trata de fato de uma verdadeira \u201ccarta de princ\u00edpios\u201d proposta \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o de todos os povos do mundo<em>,\u00a0<\/em>contendo algumas ideias e conceitos fundamentais para uma \u201crefunda\u00e7\u00e3o\u201d do sistema internacional criado pelos europeus h\u00e1 quatro s\u00e9culos. \u00c9 um documento que requer leitura atenta e uma reflex\u00e3o s\u00e9ria, sobretudo neste momento de desestrutura\u00e7\u00e3o do \u201cbloco ocidental\u201d e de divis\u00e3o e fragiliza\u00e7\u00e3o interna dos pr\u00f3prios Estados Unidos.<\/p>\n<p>O primeiro aspecto que chama aten\u00e7\u00e3o nesse documento aparentemente ins\u00f3lito \u00e9 sua defesa de alguns valores muito caros ao\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paz_de_Vestf%C3%A1lia\">\u201csistema de Westf\u00e1lia\u201d<\/a>, como \u00e9 o caso de sua defesa intransigente da soberania nacional, e do direito de cada povo decidir seu pr\u00f3prio destino, desde que respeitado o mesmo direito de todos os demais povos. Ao mesmo tempo, o documento defende tamb\u00e9m algumas das ideias mais destacadas do \u201cliberal-internacionalismo\u201d contempor\u00e2neo, como \u00e9 o caso da sua defesa de uma ordem internacional baseada em leis, do seu entusiasmo pela globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e o multilateralismo, por sua defesa da \u201ccausa clim\u00e1tica\u201d e do desenvolvimento sustent\u00e1vel, e seu apoio irrestrito \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o internacional no campo da sa\u00fade, da infraestrutura, do desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, do uso pac\u00edfico do espa\u00e7o e do combate ao terrorismo. De um ponto de vista acad\u00eamico e ocidental, ali\u00e1s, esse \u201cdocumento russo-chin\u00eas\u201d lembra muitas vezes o idealismo internacionalista de um Woodrow Wilson, tanto quanto lembra, em outros momentos, o idealismo nacionalista de um Charles de Gaulle.<\/p>\n<p>Mas a surpreendente originalidade desse documento aumenta ainda mais com sua defesa universal e irrestrita de valores como a liberdade, a igualdade, a justi\u00e7a, os direitos humanos e a democracia. Sobretudo quando assume a defesa da democracia como um valor universal, e n\u00e3o como privil\u00e9gio de algum povo em particular ou responsabilidade conjunta de toda a comunidade internacional, com o reconhecimento simult\u00e2neo de que n\u00e3o existe apenas uma forma de democracia, nem nenhum \u201cpovo escolhido\u201d que possa ou deva impor aos demais algum modelo superior de democracia, como se fosse uma \u201cverdade revelada\u201d por Deus. E \u00e9 neste ponto que se explicita a proposta verdadeiramente revolucion\u00e1ria desse documento: que se aceite de uma vez por todas que, pelo menos desde o final do s\u00e9culo XX, o sistema interestatal n\u00e3o \u00e9 mais um monop\u00f3lio dos europeus e de algumas de suas ex-col\u00f4nias, uma vez que ele est\u00e1 formado agora por v\u00e1rias culturas e civiliza\u00e7\u00f5es, e que nenhuma delas \u00e9 superior \u00e0s demais, nem muito menos possui o monop\u00f3lio da verdade e da moralidade<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=113&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-mudanca-a-vistana-geopolitica-global%2F#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>. Ou seja, esta proposta eurasiana de uma nova ordem mundial rejeita qualquer tipo de \u201cuniversalismo expansivo\u201d ou \u201ccatequ\u00e9tico\u201d, mas aceita ao mesmo tempo a exist\u00eancia de valores universais<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=113&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-mudanca-a-vistana-geopolitica-global%2F#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o haveria nada de original em tudo isso se tais ideias fizessem parte de um texto acad\u00eamico ou de uma reflex\u00e3o filos\u00f3fica p\u00f3s-moderna, por exemplo. O que faz a diferen\u00e7a nesse documento n\u00e3o \u00e9 seu multiculturalismo; \u00e9 o fato de que este multiculturalismo aparece aqui como uma reivindica\u00e7\u00e3o e uma proposta universal apresentada e sustentada pela segunda maior pot\u00eancia at\u00f4mica do mundo, e pela segunda maior economia de mercado do mundo. Mais ainda, que seja uma proposta sustentada por uma pot\u00eancia que faz parte da \u00e1rvore geneal\u00f3gica da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental e, ao mesmo tempo, por uma pot\u00eancia e uma civiliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pertence a esta mesma matriz, nem teve jamais nenhum tipo de voca\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica. Sim, porque a China se desfez do seu Imp\u00e9rio milenar e s\u00f3 se transformou num Estado nacional no in\u00edcio do s\u00e9culo XX; e foi s\u00f3 no final do s\u00e9culo XX que ela se integrou plenamente ao sistema interestatal, incorporando-se \u00e0 economia capitalista mundial numa velocidade e um sucesso extraordin\u00e1rios. Desde ent\u00e3o, o Estado nacional chin\u00eas se comporta como todos os demais Estados europeus, mas a China nunca teve nenhum tipo de religi\u00e3o oficial, e nunca se prop\u00f4s ser um modelo econ\u00f4mico, pol\u00edtico ou \u00e9tico universal \u2013 e por isso tamb\u00e9m nunca se prop\u00f4s a catequizar o resto do mundo. Pelo contr\u00e1rio, a China parece fazer quest\u00e3o de se relacionar com todos os povos do mundo independentemente de regimes pol\u00edticos, religi\u00f5es ou ideologias, mesmo quando seja absolutamente inflex\u00edvel com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defesa nacional de seus valores tradicionais e interesses de sua civiliza\u00e7\u00e3o milenar.<\/p>\n<p>Por isso, se for o caso de especular sobre o futuro desta \u201cnova era\u201d que est\u00e1 nascendo, \u00e9 preciso ter claro que a China n\u00e3o est\u00e1 se propondo a substituir os Estados Unidos como centro articulador de algum tipo de novo \u201cprojeto \u00e9tico universal\u201d. Tudo indica que o avan\u00e7o desta nova \u201cera multicivilizacional\u201d j\u00e1 n\u00e3o tem como ser revertido, nem h\u00e1 mais como devolver o sistema mundial \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o anterior, de completa supremacia euroc\u00eantrica. \u201cE mesmo que o eixo do sistema mundial ainda n\u00e3o tenha se deslocado inteiramente para a \u00c1sia, o certo \u00e9 que j\u00e1 se estabeleceu um novo \u2018balan\u00e7o de poder\u2019 que deslocou a hegemonia anterior, do projeto universal e do \u2018expansionismo catequ\u00e9tico\u2019 da tradi\u00e7\u00e3o greco-romana e judaico-crist\u00e3\u201d<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=113&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-mudanca-a-vistana-geopolitica-global%2F#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=113&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-mudanca-a-vistana-geopolitica-global%2F#sdfootnote1anc\">1<\/a>\u00a0O Abade de Saint Pierre (1658-1743), fil\u00f3sofo e diplomata franc\u00eas do in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII foi o primeiro a formular a tese que depois foi retomada por v\u00e1rios outros autores, de que uma das principais causas das novas guerras \u00e9 o desejo de repara\u00e7\u00e3o ou \u201crevanche\u201d dos derrotados das guerras anteriores, na sua obra\u00a0<em>Projeto para tornar perp\u00e9tua a paz na Europa\u00a0<\/em>(Bras\u00edlia: Ed. UnB, 2003).<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=113&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-mudanca-a-vistana-geopolitica-global%2F#sdfootnote2anc\">2<\/a>\u00a0Fiori, J. L. Guerra e paz.\u00a0<em>Jornal Valor Econ\u00f4mico<\/em>, S\u00e3o Paulo, 28 ago. 2008<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=113&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-mudanca-a-vistana-geopolitica-global%2F#sdfootnote3anc\">3<\/a>\u00a0\u201c<em>Some actors representing but the minority on the international scale continue to advocate unilateral approaches to addressing international issues and resort to force, they interfere in the internal affairs of their states, infringing their legitimate rights and interests<\/em>\u2026\u201d (Joint Statement of the Russian Federation. And the People\u2019s Republic of China\u201d, en.kremlin.ru\/supplement \/5770, p. 1).<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=113&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-mudanca-a-vistana-geopolitica-global%2F#sdfootnote4anc\">4<\/a>\u00a0\u201c<em>The sides call on all States to pursue well-being for all and with these ends, to build dialogue and mutual trust , strengthen mutual understanding champion such universal human values as peace, development, equality, justice, democracy and freedom, respect the rights of peoples to independently determine the development paths of their countries and the sovereignty and the security and development interests of States, to protect the United Nations-driven<\/em>\u00a0<em>international<\/em><\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=113&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-mudanca-a-vistana-geopolitica-global%2F#sdfootnote5anc\">5<\/a>\u00a0Fiori, J. L. A\u00a0<em>Pax Romana<\/em>: conquista, imp\u00e9rio e projeto universal. In: ______. (Org.)\u00a0<em>Sobre a Paz.\u00a0<\/em>Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2021, p. 131.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Fiori: mudan\u00e7a \u00e0 vista na geopol\u00edtica global &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/fiori-mudanca-a-vistana-geopolitica-global\/<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori &#8211; Dois acontecimentos sacudiram o cen\u00e1rio mundial neste in\u00edcio de 2022: o primeiro foi o\u00a0ultimatum\u00a0russo, lan\u00e7ado em meados de dezembro de 2021 e dirigido aos EUA, \u00e0 OTAN e aos pa\u00edses-membros da Uni\u00e3o Europeia, exigindo o recuo imediato da OTAN na Ucr\u00e2nia, e propondo uma revis\u00e3o completa do \u201cmapa militar\u201d da Europa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16484,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[71,85],"class_list":["post-16552","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica","tag-geopolitica","tag-guerra-na-ucrania"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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