{"id":16526,"date":"2022-02-19T12:11:04","date_gmt":"2022-02-19T15:11:04","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16526"},"modified":"2022-02-16T21:13:45","modified_gmt":"2022-02-17T00:13:45","slug":"sobre-a-leveza-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/02\/19\/sobre-a-leveza-da-paz\/","title":{"rendered":"Sobre a leveza da paz"},"content":{"rendered":"<div id=\"readability-page-1\" class=\"page\">\n<div id=\"single-the-content\">\n<p><strong>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori &#8211;<\/strong> No in\u00edcio da d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo passado, dois cientistas sociais norte-americanos \u2013 Charles Kindleberger e Robert Gilpin \u2013 formularam quase ao mesmo tempo uma tese sobre a \u201cordem mundial\u201d que ficou conhecida pelo nome de \u201cteoria da estabilidade hegem\u00f4nica\u201d. O mundo vivia o fim do sistema de Bretton Woods e assistia \u00e0 derrota dos Estados Unidos no Vietn\u00e3. Esses dois autores estavam preocupados com a possibilidade de que se repetisse a Grande Depress\u00e3o dos anos 1930, por falta de uma lideran\u00e7a mundial, e foi com essa preocupa\u00e7\u00e3o que Kindleberger formulou seu argumento de que \u201cuma economia liberal mundial necessitaria de um estabilizador e um s\u00f3 pa\u00eds estabilizador\u201d\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a>\u00a0para poder funcionar \u201cnormalmente\u201d \u2013 um pa\u00eds que assumisse a responsabilidade e garantisse ao sistema mundial certos \u201cbens p\u00fablicos\u201d indispens\u00e1veis para seu funcionamento, como seria o caso da moeda internacional, do livre-com\u00e9rcio e da coordena\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f4micas nacionais.<\/p>\n<blockquote><p><em>O longo debate filos\u00f3fico e \u00e9tico dos cl\u00e1ssicos, sobre a guerra<br \/>\ne a paz, permanece at\u00e9 hoje prisioneiro de um racioc\u00ednio<br \/>\ncircular. Para eles a paz \u00e9 um valor positivo e universal, mas ao<br \/>\nmesmo tempo, a guerra pode ser \u201cvirtuosa\u201d sempre que tenha<br \/>\ncomo objetivo a paz. Ou seja, para os cl\u00e1ssicos seria<br \/>\nperfeitamente \u00e9tico interromper a paz e declarar a guerra para<br \/>\nobter a paz, o que vem a ser um paradoxo l\u00f3gico e \u00e9tico.<br \/>\n<strong>J.L. Fiori. Dial\u00e9tica da guerra e da paz. Sobre a Guerra<\/strong>.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<div>\n<p>A tese de Kindleberger era quase id\u00eantica \u00e0 de Robert Gilpin: \u201ca experi\u00eancia hist\u00f3rica sugere que, na aus\u00eancia de uma pot\u00eancia liberal dominante, a coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica internacional mostrou-se extremamente dif\u00edcil de ser alcan\u00e7ada ou mantida\u201d. Primeiro, Kindleberger falou da necessidade de uma \u201clideran\u00e7a\u201d ou \u201cprimazia\u201d no sistema mundial, mas depois um n\u00famero cada vez maior de autores passou a utilizar a palavra \u201chegemonia mundial\u201d. \u00c0s vezes, referindo-se a um poder acima de todos os demais poderes; outras vezes, ao poder global de um Estado que fosse aceito e legitimado pelos demais Estados.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca da Segunda Guerra Mundial, e preocupado sobretudo com a quest\u00e3o da paz dentro de um sistema internacional an\u00e1rquico, o cientista social ingl\u00eas Edward Carr chegou a uma conclus\u00e3o realista e an\u00e1loga \u00e0 de Kindleberger e Gilpin: segundo Carr, para que existisse paz, seria necess\u00e1rio que existisse uma legisla\u00e7\u00e3o internacional, e para que \u201cexistisse uma legisla\u00e7\u00e3o internacional, seria necess\u00e1rio que existisse tamb\u00e9m um superestado\u201d\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a>. E alguns anos depois, o cientista social franc\u00eas, Raymond Aron, tamb\u00e9m reconhecia a impossibilidade da paz mundial \u201cenquanto a humanidade n\u00e3o se tivesse unido num Estado Universal\u201d\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>. Aron, no entanto, distinguia dois tipos de sistemas internacionais que coexistiriam lado a lado: um mais \u201chomog\u00eaneo\u201d, onde haveria mais consenso e menos guerras, e um outro, mais \u201cheterog\u00eaneo\u201d, onde as diverg\u00eancias culturais e as guerras seriam mais frequentes, e onde se faria mais necess\u00e1ria a presen\u00e7a de um \u201cEstado Universal\u201d ou \u201csuperestado\u201d, que cumprisse a fun\u00e7\u00e3o de \u201capaziguar\u201d o sistema.<\/p>\n<\/div>\n<p>Do lado oposto ao dos realistas, alguns autores \u201cliberais\u201d ou \u201cpluralistas\u201d, como Joseph Nye e Robert Keohane, defendiam a possibilidade de que o mundo fosse pacificado e ordenado atrav\u00e9s de um sistema de \u201cregimes supranacionais\u201d, mas mesmo eles reconheciam a exist\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es \u201cem que n\u00e3o existiriam acordos sobre as normas e os procedimentos, ou em que as exce\u00e7\u00f5es \u00e0s regras fossem mais importantes que as ades\u00f5es\u201d, e consideravam que nessas circunst\u00e2ncias era necess\u00e1ria a exist\u00eancia ou interven\u00e7\u00e3o de uma pot\u00eancia hegem\u00f4nica.<\/p>\n<p>Edward Carr e Raymond Aron, assim como Joseph Nye e Robert Kehoane, estavam preocupados com o problema e o desafio da estabiliza\u00e7\u00e3o da paz entre as na\u00e7\u00f5es; Charles Kindleberger e Robert Gilpin, por sua vez, pensavam o bom funcionamento da economia mundial como uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da paz entre os povos. Mas todos chegaram a uma mesma conclus\u00e3o: a necessidade de um \u201csuperestado\u201d ou \u201chegemon\u201d como condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para poder ordenar e estabilizar a paz mundial. No entanto, apesar desse grande consenso te\u00f3rico, por cima de diferentes escolas de pensamento, o que aconteceu no mundo depois de 1991 refutou na pr\u00e1tica, e de forma indiscut\u00edvel, todas essas hip\u00f3teses realistas e liberais.<\/p>\n<p>A supremacia pol\u00edtico-militar conquistada pelos norte-americanos depois do fim da Guerra Fria, e em particular depois de sua esmagadora vit\u00f3ria na Guerra do Golfo, transformou os Estados Unidos numa pot\u00eancia hegem\u00f4nica unipolar, ou mesmo numa esp\u00e9cie de \u201csuperestado\u201d, como preconizava Edward Carr. Apesar disso, nos 30 anos que se seguiram, aumentou o n\u00famero das guerras que se sucederam de forma quase cont\u00ednua, e em quase todas elas os Estados Unidos estiveram envolvidos de forma direta ou indireta.<\/p>\n<p>Por outro lado \u2013 como preconizaram Kindleberger e Gilpin \u2013 os Estados Unidos concentraram em suas m\u00e3os \u2013 durante quase todo este per\u00edodo \u2013 todos os instrumentos de poder indispens\u00e1veis ao exerc\u00edcio da lideran\u00e7a ou hegemonia econ\u00f4mica mundial, arbitraram isoladamente o sistema monet\u00e1rio internacional, promoveram a abertura e a desregula\u00e7\u00e3o das demais economias nacionais, defenderam o livre-com\u00e9rcio e promoveram ativamente a converg\u00eancia das pol\u00edticas macroecon\u00f4micas de quase todos os pa\u00edses capitalistas relevantes. Al\u00e9m disso, mantiveram e aumentaram seu poder no plano industrial, tecnol\u00f3gico, militar, financeiro e cultural. E apesar de tudo isso, o mundo viveu nesse per\u00edodo uma sucess\u00e3o de crises financeiras, e a maior delas, a de 2008, acabou atingindo a economia mundial e destruindo a utopia da globaliza\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, a maior parte da economia internacional entrou em um per\u00edodo de baixo crescimento, prolongado com a not\u00e1vel exce\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios Estados Unidos, da China e da \u00cdndia, e alguns pequenos pa\u00edses asi\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Somados todos esses fatos e evid\u00eancias, pode-se afirmar que as guerras e crises econ\u00f4micas dos \u00faltimos 30 anos refutam peremptoriamente a tese central da teoria da \u201cestabilidade hegem\u00f4nica\u201d e colocam sob suspeita todas as esperan\u00e7as pacifistas depositadas na exist\u00eancia de um ou mais Estados \u201chomog\u00eaneos\u201d e \u201csuperiores\u201d que seriam capazes de ordenar e pacificar o resto do sistema interestatal. Mas ao mesmo tempo, a experi\u00eancia hist\u00f3rica das \u00faltimas d\u00e9cadas deixou no ar, e sem explica\u00e7\u00e3o, duas grandes observa\u00e7\u00f5es ou constata\u00e7\u00f5es muito intrigantes: a primeira \u00e9 que a maioria das guerras ocorridas nesse per\u00edodo envolveu um ou mais membros do grupo das \u201cgrandes pot\u00eancias homog\u00eaneas\u201d de que fala Raymond Aron; a segunda \u00e9 que os Estados Unidos, que viriam a se transformar num \u201csuperestado\u201d depois de 1991, iniciaram ou participaram direta ou indiretamente de todos os grandes conflitos travados depois do fim da Guerra Fria.<\/p>\n<p>Essas duas observa\u00e7\u00f5es estiveram na origem de nossas perguntas e de nossa pesquisa sobre o tema da guerra e da paz, que come\u00e7ou pelo estudo dos grandes imp\u00e9rios cl\u00e1ssicos que dominaram o mundo a partir dos s\u00e9culos VII e VI a.C., para depois se debru\u00e7ar de forma particular sobre o estudo da guerra e da paz dentro do sistema interestatal europeu a partir dos s\u00e9culos XV e XVI. Os resultados parciais da nossa pesquisa aparecem nos dois livros que publicamos nos \u00faltimos tr\u00eas anos: o primeiro em 2018,\u00a0<em>Sobre a Guerra\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a><\/em>, e o segundo agora em 2021,\u00a0<em>Sobre a Paz\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a><\/em>.<\/p>\n<div>\n<p>A primeira e grande conclus\u00e3o que extra\u00edmos deste nosso estudo da hist\u00f3ria \u00e9 que a experi\u00eancia recente dos Estados Unidos n\u00e3o \u00e9 um caso excepcional. Pelo contr\u00e1rio, o que a hist\u00f3ria do sistema interestatal ensina \u00e9 que suas grandes \u201cpot\u00eancias homog\u00eaneas\u201d, e sua \u201cpot\u00eancia hegem\u00f4nica\u201d, em particular, foram as grandes respons\u00e1veis pela maioria das grandes guerras dos \u00faltimos cinco s\u00e9culos. Fosse no caso da Espanha e da Fran\u00e7a entre os s\u00e9culos XV e XVII, fosse no caso da Inglaterra e dos Estados Unidos, entre os s\u00e9culos XVII e XXI. Comprova-se, em todos os casos, que \u201ca\u201d ou \u201cas\u201d \u201cgrandes pot\u00eancias hegem\u00f4nicas \u201diniciam suas guerras e desestabilizam todas as situa\u00e7\u00f5es de paz simplesmente porque necessitam seguir expandindo seu poder para poder manter o poder que j\u00e1 possuem, ou seja, de forma mais concreta, precisam estar sempre \u00e0 frente de seus competidores imediatos, para impedir que surja em qualquer ponto do sistema algum rival com poder suficiente para amea\u00e7ar sua domina\u00e7\u00e3o ou lideran\u00e7a global ou regional, em todos e qualquer canto do mundo. Tudo isto porque, em \u00faltima inst\u00e2ncia, no campo das rela\u00e7\u00f5es internacionais, n\u00e3o existe nada que possa se desenvolver fora do espa\u00e7o-tempo das rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas, assim\u00e9tricas e conflitivas de poder, fosse entre os antigos imp\u00e9rios, ou entre os Estados nacionais modernos. Basta olhar com mais cuidado, por exemplo, para o movimento contempor\u00e2neo das na\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos gases de efeito estufa, e da substitui\u00e7\u00e3o das fontes de energia f\u00f3ssil por novas fontes de \u201cenergia limpa\u201d, que \u00e9 apoiada por 196 pa\u00edses e conta com a ben\u00e7\u00e3o generosa do Papa, para entender um pouco melhor como funciona este sistema de poder internacional em que vivemos. Porque a pr\u00f3pria transi\u00e7\u00e3o \u201cecol\u00f3gica\u201d ou \u201cenerg\u00e9tica\u201d n\u00e3o poder\u00e1 ser jamais pac\u00edfica ou multilateral, porque envolve disputas e competi\u00e7\u00f5es n\u00e3o declaradas que ter\u00e3o ganhadores e perdedores, e que dar\u00e3o origem \u00e0s hierarquias e desigualdades de poder entre os que t\u00eam e os que n\u00e3o t\u00eam, por exemplo, acesso a algumas das novas fontes ou componentes da \u201cenergia limpa\u201d, como o \u201ccobalto\u201d, o \u201cl\u00edtio\u201d ou as \u201cterras raras\u201d, por exemplo, que est\u00e3o mais concentradas do que as reservas tradicionais de petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s natural. E nessas disputas assim\u00e9tricas nunca haver\u00e1 possibilidade de uma arbitragem \u201cjusta\u201d, \u201cconsensual\u201d ou definitiva, dependendo da posi\u00e7\u00e3o que o \u00e1rbitro ocupe na hierarquia e da assimetria do pr\u00f3prio poder. E por isso mesmo, nunca haver\u00e1 uma paz conquistada atrav\u00e9s da guerra que possa ser equ\u00e2nime, porque toda paz ser\u00e1 sempre injusta do ponto de vista dos derrotados.<\/p>\n<p>Por isso, conclu\u00edmos nossos dois livros com uma tese que n\u00e3o \u00e9 nem realista nem idealista, \u00e9 simplesmente dial\u00e9tica: \u201ca paz \u00e9 quase sempre um per\u00edodo de \u201ctr\u00e9gua\u201d que dura o tempo imposto pela \u201ccompuls\u00e3o expansiva\u201d dos ganhadores, e pela necessidade de \u201crevanche\u201d dos derrotados. Por isso se pode dizer que toda paz est\u00e1 sempre \u201cgr\u00e1vida\u201d de uma nova guerra. Apesar disto, a \u201cpaz\u201d mant\u00e9m-se como um desejo de todos os homens, e aparece no plano da sua consci\u00eancia individual e social como uma obriga\u00e7\u00e3o moral, um imperativo pol\u00edtico, e uma utopia \u00e9tica quase universal. Por isso, a guerra e a paz devem ser vistas e analisadas como dimens\u00f5es insepar\u00e1veis de um mesmo processo, contradit\u00f3rio e permanente de busca dos homens, por uma transcend\u00eancia moral muito dif\u00edcil de ser alcan\u00e7ada\u201d\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Dezembro de 2021<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote1anc\">1<\/a>\u00a0Kindleberger, C.\u00a0<em>The World in Depression,<\/em>\u00a01929-1939. Los Angeles: University of California Press, 1973, p. 304.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote2anc\">2<\/a>\u00a0Carr, E.\u00a0<em>The Twenty Year \u0301s Crisis 1919-1939<\/em>. London: Perennial, 2001, p. 211.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote3anc\">3<\/a>\u00a0Aron, R.\u00a0<em>Paz e Guerra entre as Na\u00e7\u00f5es<\/em>. Bras\u00edlia: Editora UnB, 2002, p. 47.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote4anc\">4<\/a>\u00a0Fiori, J. L. (Org).\u00a0<em>Sobre a Guerra<\/em>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2018.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote5anc\">5<\/a>\u00a0Fiori, J. L. (Org).\u00a0<em>Sobre a Paz<\/em>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2021.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=286&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Ffiori-sobre-a-leveza-da-paz%2F#sdfootnote6anc\">6<\/a>\u00a0Fiori, J. L. (org.).\u00a0<em>Sobre a Paz<\/em>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2021. Contracapa.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Fiori: sobre a leveza da paz &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/fiori-sobre-a-leveza-da-paz\/<\/p>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori &#8211; No in\u00edcio da d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo passado, dois cientistas sociais norte-americanos \u2013 Charles Kindleberger e Robert Gilpin \u2013 formularam quase ao mesmo tempo uma tese sobre a \u201cordem mundial\u201d que ficou conhecida pelo nome de \u201cteoria da estabilidade hegem\u00f4nica\u201d. 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