{"id":1651,"date":"2016-08-23T15:30:23","date_gmt":"2016-08-23T18:30:23","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=1651"},"modified":"2016-08-23T10:34:46","modified_gmt":"2016-08-23T13:34:46","slug":"cidades-assim-se-privatizou-o-porto-maravilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/08\/23\/cidades-assim-se-privatizou-o-porto-maravilha\/","title":{"rendered":"Cidades: assim se privatizou o Porto Maravilha"},"content":{"rendered":"<p><strong>Adriano Belis\u00e1rio &#8211;\u00a0<\/strong>Hist\u00f3ria de um retrocesso emblem\u00e1tico: \u00e1rea degradada do centro do Rio, que seria recuperada com moradias e espa\u00e7os p\u00fablicos, foi entregue \u00e0 especula\u00e7\u00e3o. Como mega-empresas obtiveram dos governos a rendi\u00e7\u00e3o total<\/p>\n<p>img src=&#8221;http:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/160818-PortoMaravilha-485&#215;302.jpg&#8221; alt=&#8221;160818-PortoMaravilha&#8221; \/&gt;<\/p>\n<p>O Porto Maravilha, na vers\u00e3o atual. Espa\u00e7os residenciais (em vermelho) ocupam \u00e1reas m\u00ednimas, se comparadas \u00e0s comerciais (azuis). As \u201cculturais\u201d (verdes) s\u00e3o quase todas geridas por grandes empresas, como Globo<\/p>\n<p>Maior parceria p\u00fablico-privada (PPP) do pa\u00eds, a cria\u00e7\u00e3o do Porto Maravilha, em 2009, marcou n\u00e3o s\u00f3 o in\u00edcio da transforma\u00e7\u00e3o da zona portu\u00e1ria no Rio de Janeiro, mas tamb\u00e9m o fim de uma proposta de transforma\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o com foco na participa\u00e7\u00e3o social e moradia popular. Dona de mais de 60% dos terrenos na regi\u00e3o com potencial de constru\u00e7\u00e3o, a Uni\u00e3o era uma pe\u00e7a-chave para a reestrutura\u00e7\u00e3o urbana da \u00e1rea, e, durante seis anos, o Minist\u00e9rio das Cidades liderou o grupo de trabalho dedicado ao tema. No entanto, mesmo com pareceres t\u00e9cnicos e jur\u00eddicos favor\u00e1veis, tramita\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada nos governos municipal, estadual e federal, a proposta de cria\u00e7\u00e3o de um cons\u00f3rcio p\u00fablico para a reabilita\u00e7\u00e3o da \u00e1rea foi descartada para surpresa de quase todos os envolvidos no processo.<\/p>\n<p>Em vez dela, foi adotada a atual proposta, cujas principais diretrizes foram elaboradas e executadas pela OAS, Odebrecht e Carioca Christiani Nielsen. S\u00e3o 5 milh\u00f5es de metros quadrados que englobam tr\u00eas bairros inteiros \u2013 Santo Cristo, Gamboa e Sa\u00fade \u2013 e incluem outros quatro. As empreiteiras se revezam em cons\u00f3rcios naquela \u00e1rea. Al\u00e9m das duas fases do Porto Maravilha, que juntas receberam investimentos de mais de R$ 10 bilh\u00f5es, as mesmas empresas ganharam outros editais para atuar na regi\u00e3o, como as obras do programa Morar Carioca (R$ 32 milh\u00f5es) e a PPP para operar o ve\u00edculo leve sobre trilhos, o VLT (R$ 1,1 bilh\u00e3o).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a decis\u00e3o de 2009, o Minist\u00e9rio das Cidades \u2013 criado no in\u00edcio do governo Lula com a miss\u00e3o de impulsionar pol\u00edticas de desenvolvimento urbano e habita\u00e7\u00e3o com inclus\u00e3o social \u2013 foi afastado das negocia\u00e7\u00f5es. Aos poucos o desenho atual do porto foi tomando conta. A <strong>P\u00fablica<\/strong> reuniu relatos de ex-funcion\u00e1rios envolvidos nas negocia\u00e7\u00f5es para contar como aconteceu o triste fim de um dos principais projetos do minist\u00e9rio.<\/p>\n<div class=\"tabs-left et_sliderfx_fade et_sliderauto_false et_sliderauto_speed_5000 et_slidertype_left_tabs clearfix\">\n<div class=\"et-tabs-content\">\n<div class=\"et-tabs-content-main-wrap\">\n<div class=\"et-tabs-content-wrapper\">\n<div class=\"et_slidecontent et_shortcode_slide_active\">\n<div id=\"attachment_25155\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25155\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09172109\/slide3.png?resize=480%2C246\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09172109\/slide3.png 2264w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09172109\/slide3-254x130.png 254w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09172109\/slide3-600x308.png 600w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09172109\/slide3-1080x554.png 1080w\" alt=\"O retrato da situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria antes do Porto Maravilha mostra a predomin\u00e2ncia de im\u00f3veis p\u00fablicos na regi\u00e3o. Apenas 25% da \u00e1rea eram terrenos privados. Estado e munic\u00edpio detinham aproximadamente 6% cada um. Todo o restante pertencia \u00e0 Uni\u00e3o. O mapa e os dados foram compilados por Mariana Werneck, cuja pesquisa \u201cPorto Maravilha: agentes, coaliz\u00f5es de poder e neoliberaliza\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro\u201d, ser\u00e1 publicada em setembro pelo Observat\u00f3rio de Metr\u00f3poles\" width=\"480\" height=\"246\" data-lazy-loaded=\"true\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O retrato da situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria antes do Porto Maravilha mostra a predomin\u00e2ncia de im\u00f3veis p\u00fablicos na regi\u00e3o. Apenas 25% da \u00e1rea eram terrenos privados. Estado e munic\u00edpio detinham aproximadamente 6% cada um. Todo o restante pertencia \u00e0 Uni\u00e3o. O mapa e os dados foram compilados por Mariana Werneck, cuja pesquisa \u201cPorto Maravilha: agentes, coaliz\u00f5es de poder e neoliberaliza\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro\u201d, ser\u00e1 publicada em setembro pelo Observat\u00f3rio de Metr\u00f3poles<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>O Minist\u00e9rio das Cidades posto de lado<\/strong><\/p>\n<p>Quem visita a zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro logo percebe a quantidade expressiva de grandes galp\u00f5es e f\u00e1bricas desativadas. Por outro lado, a regi\u00e3o do Porto Maravilha ainda tinha a menor densidade habitacional do munic\u00edpio em 2010.<\/p>\n<p>A \u00e1rea do Porto Maravilha equivale a quase um ter\u00e7o do centro da cidade. De acordo com o Censo de 2010, em sua imensa maioria os habitantes da zona portu\u00e1ria s\u00e3o de baixa renda: dos 10.098 domic\u00edlios da regi\u00e3o, apenas 611 possuem renda maior que tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos. Entre as favelas, a mais antiga do Brasil, o morro da Provid\u00eancia, re\u00fane a maior parte dos moradores, concentrando 1.237 domic\u00edlios.<\/p>\n<p>Com tanto terreno dispon\u00edvel em uma \u00e1rea central e t\u00e3o poucos habitantes, aumentar o n\u00famero de moradias sempre foi uma das prioridades das pol\u00edticas p\u00fablicas de urbaniza\u00e7\u00e3o para o local. O objetivo era reverter o padr\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o atual: intenso de dia, mas quase deserto \u00e0 noite e nos fins de semana. Pelo menos desde os anos 1980, h\u00e1 propostas em debate. J\u00e1 naquela \u00e9poca, a Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio de Janeiro apresentou um projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o e foi criado o projeto Sagas para garantir o uso residencial, bem como preservar o patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico de bairros do local.<\/p>\n<p>Conforme levantamento feito por Mariana Werneck, apenas 25% da \u00e1rea da regi\u00e3o eram terrenos privados. Estado e munic\u00edpio detinham aproximadamente 6% cada um. Todo o restante pertencia \u00e0 Uni\u00e3o. Por isso, com a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Cidades em 2003, abriu-se um novo cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria. O novo \u00f3rg\u00e3o liderou, no governo federal, a busca de solu\u00e7\u00f5es para o porto do Rio, em especial por meio do<em> Programa<\/em> de <em>Reabilita\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Centrais da Secret\u00e1ria Nacional de Programas Urbanos, que previa a reabilita\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da moradia no centro das cidades brasileiras. Surgiu ali a <\/em>proposta de cria\u00e7\u00e3o de um cons\u00f3rcio p\u00fablico, composto pelos tr\u00eas n\u00edveis de governo, respons\u00e1vel por conduzir a reabilita\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. A prioridade eram a participa\u00e7\u00e3o e a perman\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o local, al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00f5es de interesse social nos im\u00f3veis p\u00fablicos edificados.<\/p>\n<p>\u201cFoi feita uma s\u00e9rie de contratos com especialistas para a modelagem de governan\u00e7a e jur\u00eddica. Investiu-se cerca de 300 mil reais em consultorias. Em agosto de 2009, est\u00e1vamos no final do processo\u201d, lembra Renato Balbim, ge\u00f3grafo e ex-coordenador do Programa de Reabilita\u00e7\u00e3o de \u00c1reas Centrais do Minist\u00e9rio das Cidades. Na \u00e9poca, a zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro era a principal aposta da pasta para moradias em \u00e1reas centrais. Representada por Lula, o ex-governador fluminense S\u00e9rgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, a alian\u00e7a entre PT e PMDB propiciou um alinhamento pol\u00edtico entre os tr\u00eas n\u00edveis de governo, dando novo f\u00f4lego ao antigo plano de reabilita\u00e7\u00e3o do porto.<\/p>\n<p>No dia 23 de julho de 2009, a primeira fase do Porto Maravilha foi lan\u00e7ada. Houve cerim\u00f4nia p\u00fablica e presen\u00e7a de autoridades. O ent\u00e3o presidente Lula garantiu: \u201cN\u00e3o faltar\u00e3o recursos para concluirmos essas obras\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTodas as etapas de reda\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o das minutas j\u00e1 tinham sido superadas nos tr\u00eas n\u00edveis de governo. Estava tudo muito bem estruturado, inclusive politicamente, para fazer a assinatura do documento que oficializaria a minuta do cons\u00f3rcio [p\u00fablico], a ser aprovada posteriormente nas c\u00e2maras legislativas dos tr\u00eas entes\u201d, diz Balbim. \u201cFaltava apenas a \u00faltima reuni\u00e3o para bater o martelo sobre a concord\u00e2ncia pol\u00edtica final\u201d, recorda.<\/p>\n<p>A tal reuni\u00e3o ocorreu semanas depois na Casa Civil, em Bras\u00edlia, e contou com a presen\u00e7a de Eduardo Paes para, enfim, formalizar a proposta. Balbim resume a surpresa dos t\u00e9cnicos do minist\u00e9rio ouvidos pela P\u00fablica: \u201cEntramos em uma reuni\u00e3o para dar o passo final, tomar decis\u00f5es de encaminhamentos, e j\u00e1 era um clima de fim de feira. Ela se encerrou sem defini\u00e7\u00f5es e depois disto a coisa morreu\u201d.<\/p>\n<p>\u201cApesar de at\u00e9 ent\u00e3o tudo indicar que o cons\u00f3rcio p\u00fablico tinha total aprova\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas n\u00edveis, simplesmente de um dia pro outro percebemos que n\u00e3o iria mais se levar adiante essa modelagem. Foi uma decis\u00e3o cuja explica\u00e7\u00e3o escapa \u00e0 \u00e1rea t\u00e9cnica\u201d, lamenta Balbim.<\/p>\n<div id=\"attachment_25108\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<div id=\"attachment_25108\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25108\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09122247\/porto-maravilha-lula-paes.jpg?resize=471%2C322\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09122247\/porto-maravilha-lula-paes.jpg 3500w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09122247\/porto-maravilha-lula-paes-196x134.jpg 196w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09122247\/porto-maravilha-lula-paes-600x409.jpg 600w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09122247\/porto-maravilha-lula-paes-1080x737.jpg 1080w\" alt=\"Lula e Eduardo Paes na cerim\u00f4nia de inaugura\u00e7\u00e3o da primeira fase do Porto Maravilha, em 2010 (Foto: F\u00e1bio Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil)\" width=\"471\" height=\"322\" data-lazy-loaded=\"true\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Lula e Eduardo Paes na cerim\u00f4nia de inaugura\u00e7\u00e3o da primeira fase do Porto Maravilha, em 2010<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"470\" height=\"470\" frameborder=\"0\" scrolling=\"yes\" src=\"http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09132158\/RESP_00077.pdf\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>A di<\/strong><strong>feren\u00e7a entre as propostas<\/strong><\/p>\n<p>O cons\u00f3rcio p\u00fablico j\u00e1 previa o mecanismo de Opera\u00e7\u00e3o Urbana Consorciada, presente no Estatuto da Cidade. Ele \u00e9 viabilizado mediante a venda de Certificados do Potencial Adicional de Constru\u00e7\u00e3o, os Cepacs, que autorizam a constru\u00e7\u00e3o de andares acima do limite definido pelo zoneamento da cidade. Eles funcionam como um \u201cterreno virtual\u201d que pode ser vendido na bolsa de valores. No caso do Porto Maravilha, os Cepacs quase dobraram a \u00e1rea edific\u00e1vel \u2013 para cima. At\u00e9 agora, metade dos t\u00edtulos foi negociada no mercado, e cerca de 10% foram de fato constru\u00eddos.<\/p>\n<p>O Porto Maravilha de hoje, proposto pelas empreiteiras, segue algumas recomenda\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio das Cidades, como a ado\u00e7\u00e3o do modelo baseado na comercializa\u00e7\u00e3o de Cepacs. Mas a diferen\u00e7a \u00e9 gritante, sobretudo no papel do governo federal na administra\u00e7\u00e3o: de acordo com a proposta das empresas, toda negocia\u00e7\u00e3o para as interven\u00e7\u00f5es na \u00e1rea se daria com os poderes locais. A Uni\u00e3o apenas abriria m\u00e3o dos terrenos para a incorpora\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n<p>De fato, com a PPP do Porto Maravilha firmada com a prefeitura, as empreiteiras assumiram servi\u00e7os b\u00e1sicos que s\u00e3o de responsabilidade do munic\u00edpio, como a manuten\u00e7\u00e3o e a limpeza dos espa\u00e7os p\u00fablicos, a sinaliza\u00e7\u00e3o de vias, a ilumina\u00e7\u00e3o. \u201cSe voc\u00ea quer resolver qualquer coisa, voc\u00ea se dirige ao Porto Novo\u201d, afirma Maria de F\u00e1tima Lima em depoimento ao \u201c<a href=\"http:\/\/apublica.org\/2016\/08\/a-outra-historia-do-porto-maravilha\/#http:\/\/apublica.org\/100\">100\u201d, projeto da <strong>P\u00fablica<\/strong> sobre remo\u00e7\u00f5es<\/a><em> no \u201cRio ol\u00edmpico\u201d. <\/em>\u201cTudo aqui na regi\u00e3o portu\u00e1ria \u00e9 com o Porto Novo: eles que cortam, mandam plantar, mandam iluminar\u201d, critica a ex-moradora do morro da Provid\u00eancia. No caso da coleta de lixo, o cons\u00f3rcio Porto Novo contratou para o servi\u00e7o a pr\u00f3pria empresa p\u00fablica de limpeza urbana do munic\u00edpio (Comlurb) pelo valor de R$ 19 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o no porto, a prefeitura carioca pretende agora expandir o modelo de PPP em grandes opera\u00e7\u00f5es urbanas para outras regi\u00f5es. J\u00e1 h\u00e1 planos para replicar o modelo na zona oeste, em uma \u00e1rea que corresponde a quase um quarto do Rio de Janeiro. O Porto Maravilha virou vitrine.<\/p>\n<div id=\"attachment_25134\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<div id=\"attachment_25134\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25134\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09143120\/Bruno-Bartholini-38.jpg?resize=468%2C312\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09143120\/Bruno-Bartholini-38.jpg 2000w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09143120\/Bruno-Bartholini-38-201x134.jpg 201w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09143120\/Bruno-Bartholini-38-600x400.jpg 600w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09143120\/Bruno-Bartholini-38-1080x720.jpg 1080w\" alt=\"O Museu do Amanh\u00e3, um dos principais s\u00edmbolos do projeto Porto Maravilha (Foto: Bruno Bartholini)\" width=\"468\" height=\"312\" data-lazy-loaded=\"true\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>O Museu do Amanh\u00e3, um dos principais s\u00edmbolos do projeto Porto Maravilha<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c0 frente da Secretaria Nacional de Programas Urbanos do Minist\u00e9rio das Cidades de 2003 a 2007, Raquel Rolnik lembra: \u201cA ideia seria ter uma empresa p\u00fablica gerida pelos tr\u00eas n\u00edveis de governo que pudesse recepcionar o conjunto de terras p\u00fablicas. Tamb\u00e9m come\u00e7amos a desenvolver um plano de aproveitamento dos terrenos para habita\u00e7\u00e3o\u201d. A ideia era que a reabilita\u00e7\u00e3o se desse por fases, com mecanismos de transpar\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. A expectativa era lan\u00e7ar o projeto oficialmente durante o F\u00f3rum Urbano Mundial de 2010, que ocorreu na zona portu\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>A inven\u00e7\u00e3o de um novo mercado para as empreiteiras<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro grande passo do grupo de trabalho liderado pelo Minist\u00e9rio das Cidades foi um termo de coopera\u00e7\u00e3o que, assinado em 24 de mar\u00e7o de 2006, selava a parceria entre os tr\u00eas n\u00edveis de governo para elaborar o projeto. \u201cPassamos tr\u00eas anos negociando isto a duras penas. O Cesar Maia n\u00e3o dialogava e estava muito isolado, brigava com o governo do estado e com o governo federal. O culminar disso tudo foi o dia da assinatura do termo. Na v\u00e9spera, eu fico sabendo que o Cesar Maia foi para Nicar\u00e1gua. Ent\u00e3o, eu decido ir, representando a prefeitura\u201d, recorda Alfredo Sirkis, ent\u00e3o secret\u00e1rio municipal de Habita\u00e7\u00e3o da prefeitura de Cesar Maia (PMDB). Por\u00e9m, na manh\u00e3 da cerim\u00f4nia, ao abrir o <em>Di\u00e1rio Oficial<\/em>, ele descobriu ter sido exonerado. A exonera\u00e7\u00e3o, que estava combinada, foi cerca de dez dias antes da data acertada. \u201cEu achei que ia ser um vexame: no dia da assinatura, vir o presidente da Rep\u00fablica, uma porrada de ministros e nem o prefeito nem ningu\u00e9m [do munic\u00edpio] aparecer. A\u00ed eu fui e discursei mesmo assim, como se estivesse no meu \u00faltimo dia como secret\u00e1rio\u201d, lembra Sirkis.<\/p>\n<p>Foi neste ano tamb\u00e9m que nasceu outro projeto, que acabaria vitorioso: incluir definitivamente as construtoras na dire\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio. Em 8 de agosto de 2006, quatro meses depois da assinatura do termo, Cesar Maia surpreendeu os funcion\u00e1rios do governo federal ao publicar um Procedimento de Manifesta\u00e7\u00e3o de Interesse (PMI) para que empresas privadas efetuassem \u201cos estudos de modelagem necess\u00e1rios para a viabiliza\u00e7\u00e3o de uma concess\u00e3o ou parceria p\u00fablico-privada\u201d para a regi\u00e3o. O \u00fanico a manifestar interesse em elaborar propostas para a \u00e1rea foi o cons\u00f3rcio Rio Mar e Vila, liderado pela OAS e composto por Odebrecht, Carioca Christiani-Nielsen e pela Andrade Gutierrez, que depois saiu do grupo.<\/p>\n<p>Ao longo de 2007, as empreiteiras come\u00e7aram a desenhar seus planos para o porto, elaborando estudos e contratando consultores internacionais e locais, como o pr\u00f3prio Sirkis. Constitu\u00edram um grupo de trabalho no munic\u00edpio, cujas reuni\u00f5es contavam com a presen\u00e7a dos representantes das empresas. As propostas, alinhadas com os objetivos das empreiteiras, foram reunidas em uma p\u00e1gina do <em>Di\u00e1rio Oficial<\/em> em 2 de janeiro de 2008 (leia<a href=\"http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09130104\/D.O._02-01-2008.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>). Mas o projeto s\u00f3 foi implementado pela atual administra\u00e7\u00e3o, de Eduardo Paes.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Depois de ter deixado o Minist\u00e9rio das Cidades, Raquel Rolnik prestou consultoria ao BNDES em reabilita\u00e7\u00e3o de \u00e1reas centrais, entre 2007 e 2008. \u201cEm 2008, o \u00c9lvio Gaspar [ent\u00e3o diretor do BNDES] me liga e pede para eu ir na OAS para o [ent\u00e3o presidente da empresa] L\u00e9o Pinheiro mostrar o que eles est\u00e3o fazendo sobre o porto\u201d, lembra a urbanista. \u201cAo chegar l\u00e1, eu vejo o projeto urban\u00edstico do Porto Maravilha quase todo pronto: j\u00e1 tinha um plano, os projetos de leis todos montados etc. Ele estava extremamente interessado, pois sabia que isto podia se transformar em um modelo e, a partir dali, abrir um mercado totalmente novo para as empreiteiras, que \u00e9 o das PPPs de desenvolvimento urbano. Em novembro do ano seguinte, o Eduardo Paes pega aquele pacote, manda para C\u00e2mara dos Vereadores no final do ano e aprova tudo\u201d, afirma Raquel, que foi ainda relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito \u00e0 Moradia, em que denunciou as tentativas de remo\u00e7\u00e3o em massa na zona portu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Atual presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Regi\u00e3o do Porto (Cdurp), Alberto Silva confirmou \u00e0 reportagem que, ap\u00f3s a sua elei\u00e7\u00e3o em 2008, Eduardo Paes foi procurado pelo cons\u00f3rcio de empreiteiras interessadas nos terrenos p\u00fablicos da zona portu\u00e1ria. \u201cBoa parte da modelagem institucional [atual] \u00e9 resultado dessa PMI. A aprova\u00e7\u00e3o do pacote institucional \u00e9 resultado desse processo: o cons\u00f3rcio entrega todo este material, a prefeitura absorve e transforma no pacote legal que cria a Cdurp, a Opera\u00e7\u00e3o Urbana, a regulamenta\u00e7\u00e3o das leis de PPP do munic\u00edpio, o pacote de incentivo fiscal\u201d, garante.<\/p>\n<p><strong>Nasce o Porto Maravilha<\/strong><\/p>\n<p>Quatro meses depois de ter tomado posse, em abril de 2009, Eduardo Paes convidou as empreiteiras para a mesa de negocia\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio das Cidades. Foi na ocasi\u00e3o que Renato Balbim tomou contato com o projeto das empresas, que estava sendo desenvolvido paralelamente ao do cons\u00f3rcio p\u00fablico. Apesar de n\u00e3o se recordar da data exata, Balbim lembra a \u201cprofunda polariza\u00e7\u00e3o\u201d do encontro. Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o da proposta elaborada pelas empresas e daquela do cons\u00f3rcio p\u00fablico, \u201cficou claro que as posi\u00e7\u00f5es eram diametralmente opostas\u201d, diz. Segundo ele, o objetivo do governo federal era manter o controle dos principais projetos e decis\u00f5es urban\u00edsticas com os entes p\u00fablicos, e n\u00e3o com as empresas privadas. Aconteceu o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cA ideia deles [representantes das empreiteiras] era passar as terras para a prefeitura e as empreiteiras fazerem a incorpora\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. N\u00e3o inovava em nada: \u00e9 um modelo de incorpora\u00e7\u00e3o simplista, que traz seguran\u00e7a total pro empreendedor. N\u00e3o era uma proposta de reabilita\u00e7\u00e3o de \u00e1rea, que tem outros mecanismos e prioridades, como a participa\u00e7\u00e3o social, perman\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o, valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, al\u00e9m de uma modelagem de neg\u00f3cios que convertia parte das melhorias urbanas e dos ganhos de capital para o conjunto da cidade\u201d, compara Balbim.<\/p>\n<p>Presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, S\u00e9rgio Magalh\u00e3es tamb\u00e9m critica o modelo adotado no Porto Maravilha por n\u00e3o apresentar nenhuma novidade do ponto de vista urban\u00edstico. Segundo ele, que acompanha as propostas para a regi\u00e3o desde os anos 1980, a opera\u00e7\u00e3o urbana atual n\u00e3o privilegia o espa\u00e7o p\u00fablico e mant\u00e9m o regime fundi\u00e1rio j\u00e1 existente, mudando apenas os propriet\u00e1rios das terras.<\/p>\n<p>De acordo com \u00c1lvaro Pereira, doutor em direito pela USP e pesquisador do Porto Maravilha, \u201chavia uma prioridade bastante distinta do objetivo a ser implementado\u201d. \u201cO cons\u00f3rcio p\u00fablico \u00e9 algo claramente distinto da proposta que surge pela PMI, onde n\u00e3o existe um foco em habita\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 criar um modelo rent\u00e1vel para o mercado imobili\u00e1rio privado\u201d, aponta.<\/p>\n<div class=\"yarpp-related\">\n<p>Amparados pelo PMI, representantes das empreiteiras participaram da constru\u00e7\u00e3o do edital que posteriormente venceram. Conforme o <a href=\"http:\/\/portomaravilha.com.br\/conteudo\/relatorios\/2010\/Relatorio%20jan-mar2010.pdf\">relat\u00f3rio da prefeitura<\/a> do primeiro trimestre de 2010, \u201cforam realizadas diversas reuni\u00f5es entre a equipe da Cdurp, t\u00e9cnicos da prefeitura do Rio e representantes de empresas que est\u00e3o desenvolvendo a documenta\u00e7\u00e3o referente \u00e0 PPP\u201d. A \u00fanica concorrente da licita\u00e7\u00e3o foi a Queiroz Galv\u00e3o, desclassificada por n\u00e3o apresentar toda a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por meio do FGTS, a Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF) assumiu todos os gastos da PPP, em troca dos Cepacs e terrenos p\u00fablicos da regi\u00e3o. O banco injetou R$ 3,5 bilh\u00f5es para dar o pontap\u00e9 inicial. A maior parte desse recurso concentra-se nos cinco primeiros anos da opera\u00e7\u00e3o, que consumiram R$ 5 bilh\u00f5es para fazer as interven\u00e7\u00f5es de maior porte, como a demoli\u00e7\u00e3o da avenida Perimetral (<a href=\"http:\/\/apublica.org\/2016\/05\/o-maior-misterio-da-olimpiada\/\"><em>saiba mais aqui<\/em><\/a>). O novo arranjo e a entrada da CEF foram uma surpresa at\u00e9 para os t\u00e9cnicos da prefeitura. \u201cPaes entrou e percebeu que o projeto j\u00e1 estava maduro. Colocou o Felipe G\u00f3es, que veio da iniciativa privada, no IPP, montou a opera\u00e7\u00e3o e aprovou na C\u00e2mara, e a CEF entrou com recursos do FGTS. Foi uma surpresa\u201d, relatou um servidor do munic\u00edpio para a pesquisa \u201c<a href=\"http:\/\/apublica.org\/2016\/08\/a-outra-historia-do-porto-maravilha\/#http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/8\/8131\/tde-11012016-145212\/pt-br.php\">Grandes projetos urbanos e a governan\u00e7a de metr\u00f3poles: o caso do Porto Maravilha do Rio de Janeiro<\/a>\u201d, da cientista pol\u00edtica Betina Saru\u00ea.<\/p>\n<p>A expectativa era que a valoriza\u00e7\u00e3o dos terrenos p\u00fablicos e os Cepacs bancassem o restante do compromisso de R$ 8 bilh\u00f5es assumidos pela CEF. Mas a conta n\u00e3o fechou. Em valores corrigidos, o compromisso total chega, hoje, a R$ 9,9 bilh\u00f5es. O interesse do mercado ficou abaixo do esperado, e, j\u00e1 no ano passado, foi preciso mais um aporte do FGTS para bancar a PPP, no valor de R$ 1,5 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Para esse novo aporte, a fim de regulamentar os investimentos do FGTS em opera\u00e7\u00f5es urbanas, o Minist\u00e9rio das Cidades foi acionado. Por meio de uma <a href=\"https:\/\/www.legisweb.com.br\/legislacao\/?id=278905\">Instru\u00e7\u00e3o Normativa publicada em dezembro de 2014<\/a>, o minist\u00e9rio voltou \u00e0 cena e conseguiu vincular o novo aporte \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de um Plano de Habita\u00e7\u00e3o de Interesse Social (PHIS) elaborado \u201cde forma participativa\u201d. Foi uma pequena vit\u00f3ria da moradia dentro do Porto Maravilha (<em>saiba mais no box<\/em>).<\/p>\n<p>A volta do Minist\u00e9rio das Cidades incomodou um poderoso articulador do PMDB carioca, que ficou conhecido nacionalmente no ano seguinte: o deputado Eduardo Cunha. Em mensagens interceptadas pela Lava Jato, durante a negocia\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Normativa, Cunha queixava-se do Minist\u00e9rio das Cidades para o j\u00e1 mencionado L\u00e9o Pinheiro, da OAS, enquanto o assegurava de seu controle na CEF: \u201cL\u00e1 eu mudo isso tudo f\u00e1cil, mas Cidades n\u00e3o\u201d. Cunha \u00e9 acusado de ter cobrado pelo menos R$ 52 milh\u00f5es (1,5% do R$ 3,5 bilh\u00f5es) em propina para liberar o dinheiro do fundo de infraestrutura do FGTS para o Porto Maravilha, por meio da CEF.<\/p>\n<p>Passados dois anos, a realidade \u00e9 diferente no atual Minist\u00e9rio das Cidades, dirigido pelo ex-deputado Bruno Ara\u00fajo, do PSDB, que deu o voto decisivo para o afastamento da presidente Dilma Rousseff na C\u00e2mara dos Deputados. Ao assumir, o ministro j\u00e1 afirmou que pretende apostar nas parcerias p\u00fablico-privadas para o desenvolvimento das cidades brasileiras.<\/p>\n<p><strong>No plano de habita\u00e7\u00e3o popular do Porto Maravilha, corti\u00e7os invis\u00edveis e programas atrasados<\/strong><\/p>\n<p>Tendo como meta ofertar 1.500 im\u00f3veis residenciais para fam\u00edlias de baixa renda, o <a href=\"http:\/\/apublica.org\/2016\/08\/a-outra-historia-do-porto-maravilha\/#http:\/\/www.portomaravilha.com.br\/conteudo\/outros\/Diagnostico_PHIS Porto rev abr2016.pdf\">Plano de Habita\u00e7\u00e3o de Interesse Social (PHIS) do Porto Maravilha<\/a> ignora a presen\u00e7a de cerca de mil pessoas que vivem nos corti\u00e7os da regi\u00e3o, segundo o projeto Prata Preta, pesquisa do Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles e da Central de Movimentos Populares. No plano coordenado pela prefeitura, n\u00e3o h\u00e1 nenhum diagn\u00f3stico ou linha de a\u00e7\u00e3o que contemple a realidade dos moradores desses im\u00f3veis.<\/p>\n<p>Dos 710 quartos espalhados em 54 corti\u00e7os analisados pela pesquisa, pouco mais da metade tem quartos entre 9 e 12 metros quadrados. Treze s\u00e3o ainda menores, com os quartos variando entre 4 e 8 metros quadrados. H\u00e1 ainda outros corti\u00e7os que n\u00e3o foram mapeados, pois est\u00e3o em locais de dif\u00edcil acesso, como em bocas de fumo. Ao contr\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, onde os corti\u00e7os foram regulamentados, ainda n\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre o tema no Rio de Janeiro. \u201cFomos rua a rua. \u00c9 muito dif\u00edcil de encontrar, pois eles se invisibilizam para continuar sobrevivendo, j\u00e1 que s\u00e3o ilegais\u201d, afirma Mariana Werneck, do Observat\u00f3rio de Metr\u00f3poles, que participou da pesquisa.<\/p>\n<div id=\"attachment_25106\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<div id=\"attachment_25106\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-25106 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09120600\/imagem.png?resize=481%2C270\" sizes=\"auto, (max-width: 481px) 100vw, 481px\" srcset=\"http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09120600\/imagem.png 481w, http:\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/apublica-files-main\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/09120600\/imagem-239x134.png 239w\" alt=\"Em 35% dos corti\u00e7os, n\u00e3o h\u00e1 cozinha. Muitos de seus moradores fazem suas refei\u00e7\u00f5es na rua, especialmente em um restaurante popular da regi\u00e3o, mantido pelo governo do estado, que o fechou durante os fins de semana (Fonte dos dados e imagens: projeto Prata Preta)\" width=\"481\" height=\"270\" data-lazy-loaded=\"true\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Em 35% dos corti\u00e7os, n\u00e3o h\u00e1 cozinha. Muitos de seus moradores fazem suas refei\u00e7\u00f5es na rua, especialmente em um restaurante popular da regi\u00e3o, mantido pelo governo do estado, que o fechou durante os fins de semana (Fonte dos dados e imagens: projeto Prata Preta)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para Marcelo Edmundo, da Central de Movimentos Populares, apesar dos problemas e de ter sido elaborado tardiamente, o PHIS \u201c\u00e9 um avan\u00e7o que precisa ser efetivado\u201d. Alguns programas previstos pelo PHIS ainda n\u00e3o sa\u00edram do papel, como o de Melhoria Habitacional e Assessoria T\u00e9cnica, formulado para dar suporte a resid\u00eancias em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. Com lan\u00e7amento previsto para mar\u00e7o, a a\u00e7\u00e3o agora deve ter in\u00edcio \u201cat\u00e9 o final do ano\u201d, segundo afirmou a Cdurp \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>\u201cPara fazer habita\u00e7\u00e3o de interesse social, \u00e9 preciso atuar nas \u00e1reas em que se encontra disponibilidade, onde n\u00e3o se inviabiliza a produ\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o por causa do pre\u00e7o da terra\u201d, disse \u00e0 <strong>P\u00fablica<\/strong> Alberto Silva, presidente da Cdurp. Por estar comprometida com os empreendimentos imobili\u00e1rios, boa parte das antigas terras p\u00fablicas n\u00e3o pode mais ser utilizada para habita\u00e7\u00e3o popular. Por isso, o PHIS do Porto Maravilha abrange n\u00e3o s\u00f3 a regi\u00e3o portu\u00e1ria, mas tamb\u00e9m os bairros do entorno.<\/p>\n<p>\u201cUma grande lacuna no diagn\u00f3stico do PHIS \u00e9 justamente a identifica\u00e7\u00e3o de terrenos na zona portu\u00e1ria que pudessem abrigar um n\u00famero relevante de unidades de habita\u00e7\u00e3o de interesse social. Isso inviabiliza em muito as estimativas de habita\u00e7\u00e3o de interesse social naquela \u00e1rea\u201d, explica Mariana Werneck.<\/p>\n<p>Para o presidente da Cdurp, a \u00eanfase na destina\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis p\u00fablicos para habita\u00e7\u00e3o de interesse social em opera\u00e7\u00f5es urbanas \u00e9 um \u201cdiscurso viciado\u201d. \u201cNa l\u00f3gica da opera\u00e7\u00e3o urbana, vende-se o potencial de constru\u00e7\u00e3o [Cepacs] para pagar a conta da requalifica\u00e7\u00e3o inteira. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea pega um terreno onde tem esse potencial e usa para fim p\u00fablico, seja um pr\u00e9dio p\u00fablico ou habita\u00e7\u00e3o de interesse social, isto \u00e9 uma despesa para o Estado, [n\u00e3o traz] receita nenhuma\u201d, critica Silva.<\/p>\n<p>J\u00e1 a arquiteta Fernanda Sanchez, que pesquisa o Porto Maravilha, faz coro a especialistas que consideram o retorno fiscal do Porto Maravilha \u201cpraticamente nulo\u201d no curto prazo. \u201cOs investidores da \u00e1rea v\u00e3o se beneficiar da lei que d\u00e1 isen\u00e7\u00e3o de impostos como IPTU e ISS por dez anos na regi\u00e3o. Trata-se da privatiza\u00e7\u00e3o de uma zona inteira da cidade\u201d, aponta.<\/p>\n<p>http:\/\/outras-palavras.net\/outrasmidias\/?p=345995<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriano Belis\u00e1rio &#8211;\u00a0Hist\u00f3ria de um retrocesso emblem\u00e1tico: \u00e1rea degradada do centro do Rio, que seria recuperada com moradias e espa\u00e7os p\u00fablicos, foi entregue \u00e0 especula\u00e7\u00e3o. Como mega-empresas obtiveram dos governos a rendi\u00e7\u00e3o total img src=&#8221;http:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/160818-PortoMaravilha-485&#215;302.jpg&#8221; alt=&#8221;160818-PortoMaravilha&#8221; \/&gt; O Porto Maravilha, na vers\u00e3o atual. Espa\u00e7os residenciais (em vermelho) ocupam \u00e1reas m\u00ednimas, se comparadas \u00e0s comerciais (azuis). 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