{"id":16381,"date":"2022-01-31T12:57:46","date_gmt":"2022-01-31T15:57:46","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16381"},"modified":"2022-01-23T14:00:41","modified_gmt":"2022-01-23T17:00:41","slug":"a-crise-energetica-a-europa-e-a-reviravolta-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/01\/31\/a-crise-energetica-a-europa-e-a-reviravolta-russa\/","title":{"rendered":"A crise energ\u00e9tica, a Europa e a reviravolta russa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/strong> &#8211;\u00a0Em apenas um ano, o mercado mundial de energia enfrentou duas grandes crises diametralmente opostas: a primeira, no in\u00edcio de 2020, no momento em que se generalizou a pandemia do coronav\u00edrus; e a segunda, ainda em pleno curso. Tudo come\u00e7ou com uma queda abrupta da demanda mundial e dos pre\u00e7os internacionais, provocada pela interrup\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea e universal da atividade econ\u00f4mica e pelo aumento exponencial do desemprego, come\u00e7ando pela China e atingindo, em sequ\u00eancia, a Europa e os Estados Unidos. O consumo das empresas e das fam\u00edlias caiu da noite para o dia, e os tanques e reservat\u00f3rios de petr\u00f3leo e g\u00e1s ao redor do mundo ficaram cheios e ociosos; os pr\u00f3prios navios petroleiros ficaram \u00e0 deriva sem ter onde desembarcar, provocando uma queda dos pre\u00e7os e uma paralisa\u00e7\u00e3o quase completa da produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo. Como consequ\u00eancia, a economia mundial regrediu no ano de 2020 e a ind\u00fastria energ\u00e9tica sofreu um baque de rapidez e propor\u00e7\u00f5es desconhecidas. Menos de um ano depois, o cen\u00e1rio j\u00e1 havia se invertido radicalmente, depois da inven\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o das vacinas e depois da retomada da atividade econ\u00f4mica. Com a desmontagem anterior das estruturas log\u00edsticas e a interrup\u00e7\u00e3o dos fluxos globais, a oferta de energia n\u00e3o conseguiu responder \u00e0 retomada econ\u00f4mica, e um ano depois da primeira crise, os tanques e reservat\u00f3rios de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural encontravam-se vazios, e a pr\u00f3pria oferta mundial de carv\u00e3o foi interrompida por acidentes naturais e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que se somaram a erros de planejamento estrat\u00e9gico, sobretudo no caso da China e dos Estados Unidos. Como consequ\u00eancia, durante o ano de 2021, os pre\u00e7os da energia dobraram ou triplicaram, dependendo de cada regi\u00e3o; o suprimento de energia el\u00e9trica foi interrompido em v\u00e1rios pa\u00edses, e multiplicou-se o fechamento de empresas e as revoltas populares contra a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos, do combust\u00edvel e dos servi\u00e7os p\u00fablicos em geral.<\/p>\n<blockquote><p>Se Hans Morgenthau estiver com a raz\u00e3o [a causa da Guerra da Ge\u00f3rgia, de 2008] \u00e9 um segredo de polichinelo: a R\u00fassia foi a grande perdedora da d\u00e9cada de 1990 e ser\u00e1 a grande questionadora da nova ordem mundial, at\u00e9 que lhe devolvam \u2013 ou ela retome \u2013 todo ou parte do seu velho territ\u00f3rio. Por isso a Guerra da Ge\u00f3rgia n\u00e3o deve ser considerada uma \u201cguerra antiga\u201d, pelo contr\u00e1rio, ela \u00e9 o an\u00fancio do futuro.<br \/>\nFiori, J.L, \u201cGuerra e Paz\u201d. Valor Econ\u00f4mico, SP, 28 de agosto de 2008<\/p>\n<p>With the US distracted and Europe lacking both military clout and diplomatic unity, Putin may feel now is the best time Russia will ever have to attack Ukraine.<br \/>\nFinancial Times, FTWeekend, January, 15, 2022<\/p><\/blockquote>\n<p>Algumas causas dessa crise energ\u00e9tica foram conjunturais e dever\u00e3o ser superadas no transcurso de 2022, como no caso das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremamente adversas deste \u00faltimo ano. Mas outras causas se manter\u00e3o e devem for\u00e7ar mudan\u00e7as dentro da pr\u00f3pria matriz energ\u00e9tica dos pa\u00edses mais afetados pela crise, redirecionando investimentos e apressando algumas escolhas dram\u00e1ticas, como no caso mais urgente do abandono do carv\u00e3o, sobretudo no caso do continente europeu. Como \u00e9 sabido, a Europa \u00e9 fortemente dependente das importa\u00e7\u00f5es de energia, sobretudo de petr\u00f3leo e de g\u00e1s, e \u00e9 tamb\u00e9m o continente que vem liderando a luta mundial contra o uso do carv\u00e3o e de todas as fontes de energia f\u00f3sseis. Nesse contexto, a recente decis\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia de considerar o \u201cg\u00e1s natural\u201d e a \u201cenergia nuclear\u201d como \u201cfontes de energia limpas\u201d j\u00e1 deve ser vista como uma consequ\u00eancia imediata da crise, mas que dever\u00e1 afetar a vida dos europeus, no curto, m\u00e9dio e longo prazo. Na verdade, a Europa est\u00e1 decidindo e est\u00e1 sendo coagida ao mesmo tempo a transformar o g\u00e1s natural na sua principal fonte de \u201cenergia limpa\u201d, e esta decis\u00e3o deve se manter e prolongar durante todo o per\u00edodo da \u201ctransi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d europeia, programada para alcan\u00e7ar a meta de emiss\u00e3o zero de carbono em 2050. E j\u00e1 agora o mais prov\u00e1vel \u00e9 que, mesmo depois de alcan\u00e7ada esta meta, o g\u00e1s natural siga sendo a principal componente da matriz energ\u00e9tica europeia at\u00e9 o final do s\u00e9culo, sobretudo devido ao veto alem\u00e3o ao uso da energia at\u00f4mica\u2026<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural apareceu junto com o petr\u00f3leo no s\u00e9culo XIX, tanto nos EUA como na R\u00fassia, mas s\u00f3 come\u00e7ou a ser utilizado de forma mais sistem\u00e1tica pelos EUA nas d\u00e9cadas de 20 e 30 do s\u00e9culo passado, quando os americanos possu\u00edam apenas 10 gasodutos. Tal situa\u00e7\u00e3o, entretanto, mudou radicalmente depois da \u201ccrise do petr\u00f3leo\u201d dos anos 60 e 70, quando o g\u00e1s natural se \u201cautonomizou\u201d e deu um salto como fonte energ\u00e9tica, com a multiplica\u00e7\u00e3o acelerada dos gasodutos nos EUA. Hoje h\u00e1 cerca de um milh\u00e3o de quil\u00f4metros de gasodutos ao redor do mundo, 25 vezes a circunfer\u00eancia da Terra, e o g\u00e1s natural j\u00e1 representa 24% do consumo mundial de energia prim\u00e1ria, um pouco abaixo apenas do carv\u00e3o, com 27%, e do petr\u00f3leo, com 34%. Por isto, a nova centralidade energ\u00e9tica do g\u00e1s natural n\u00e3o deve se restringir \u00e0 Europa, mas s\u00f3 a Europa tomou a decis\u00e3o de privilegiar o g\u00e1s na montagem de sua matriz energ\u00e9tica, no presente e no futuro. Esta escolha europeia dever\u00e1 produzir consequ\u00eancias geoecon\u00f4micas imediatas, bastando ter-se em conta que um ter\u00e7o das reservas mundiais de g\u00e1s natural se encontram nos territ\u00f3rios da R\u00fassia e do Ir\u00e3, que \u00bc do g\u00e1s consumido pela China vem do Cazaquist\u00e3o, e que hoje as exporta\u00e7\u00f5es do g\u00e1s russo j\u00e1 s\u00e3o respons\u00e1veis por 40% do mercado europeu, onde os russos concorrem diretamente com o g\u00e1s natural liquefeito, ou shale gas norte-americano. Por outro lado, esta simples distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica j\u00e1 fala por si s\u00f3 da import\u00e2ncia geopol\u00edtica envolvida em todas as disputas comerciais e territoriais envolvendo a distribui\u00e7\u00e3o mundial do g\u00e1s natural. Basta lembrar que as \u201ccrises do g\u00e1s\u201d de 2006, 2009 e 2014, j\u00e1 estiveram diretamente associados com a interrup\u00e7\u00e3o dos gasodutos russos que atravessam o territ\u00f3rio ucraniano na dire\u00e7\u00e3o da Europa. E portanto, tamb\u00e9m, com a disputa entre R\u00fassia, Estados Unidos e as for\u00e7as da OTAN, em torno do controle militar do territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia. Uma disputa que inclui os demais pa\u00edses da chamada \u201cEuropa Central\u201d e que se prolonga desde o fim da Guerra Fria, mas que neste momento est\u00e1 concentrada queda de bra\u00e7o entre R\u00fassia e OTAN, em torno \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da Ucr\u00e2nia e da Ge\u00f3rgia como pa\u00edses membros da organiza\u00e7\u00e3o militar do Atl\u00e2ntico Norte liderada pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em 1991, depois do fim da Guerra Fria, n\u00e3o houve a assinatura de um \u201cacordo de paz\u201d que definisse de forma expl\u00edcita as regras da nova ordem mundial, imposta pelos vitoriosos, como havia acontecido no fim da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais. De fato, o territ\u00f3rio sovi\u00e9tico n\u00e3o foi bombardeado e seu ex\u00e9rcito n\u00e3o foi destru\u00eddo, mas durante toda a d\u00e9cada de 90, os EUA e a OTAN promoveram ativamente a coopta\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do antigo Pacto de Vars\u00f3via, o desmembramento do pr\u00f3prio territ\u00f3rio russo, consolidado desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, pela Dinastia dos Romanov. Come\u00e7ando pela Let\u00f4nia, Est\u00f4nia e Litu\u00e2nia, e seguindo pela Ucr\u00e2nia, a Bielorr\u00fassia, os B\u00e1lc\u00e3s, o C\u00e1ucaso e os pa\u00edses da \u00c1sia Central. E depois disto, os EUA e a OTAN participaram da Guerras da B\u00f3snia, da Iugosl\u00e1via e do Kosovo, e iniciaram de imediato a instala\u00e7\u00e3o de armamento bal\u00edstico nos pa\u00edses da Europa Central que foram sendo incorporados \u00e0 OTAN. Somando e subtraindo, a R\u00fassia \u2013 e n\u00e3o apenas a URSS -, perdeu em apenas uma d\u00e9cada, cerca de 5.000.000 km2 do seu territ\u00f3rio imperial, e cerca de 140 milh\u00f5es de habitantes do seu territ\u00f3rio sovi\u00e9tico. Podendo se compreender assim como o desaparecimento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica transformou a R\u00fassia numa pot\u00eancia derrotada e humilhada que se colocou como objetivo central, sobretudo depois do ano 2001, reconquistar seu espa\u00e7o perdido, questionando o novo \u201cequil\u00edbrio estrat\u00e9gico\u201d imposto pelos EUA e pela OTAN, atrav\u00e9s de sua expans\u00e3o pura e simples na dire\u00e7\u00e3o do leste e da fronteira ocidental da R\u00fassia. A mesma fronteira que j\u00e1 havia sido atacada e invadida pelos Cavaleiros Teut\u00f4nicos do Papa, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIII; pelas tropas polonesas e cat\u00f3licas do Rei Sigismundo II, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII; pelas tropas suecas e luteranas do Rei Carlos XII, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII; pelas tropas francesas de Napole\u00e3o Bonaparte, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX; e pelas tropas da Alemanha Nazista e de sua Opera\u00e7\u00e3o Barbarossa, iniciada em 22 de junho de 1941, envolvendo 3,5 milh\u00f5es de soldados, respons\u00e1veis pela morte de cerca de 20 milh\u00f5es de russos, muitos deles trucidados pura e simplesmente, com vistas a apropria\u00e7\u00e3o dos recursos naturais da Ucr\u00e2nia e do C\u00e1ucaso.<\/p>\n<p>Foi a partir desta hist\u00f3ria de invas\u00f5es e humilha\u00e7\u00f5es, e com o genoc\u00eddio alem\u00e3o ainda na sua mem\u00f3ria, que a R\u00fassia resolveu dizer um basta, em 2008, na Guerra da Ge\u00f3rgia que interrompeu por alguns anos o desejo da OTAN de colocar um p\u00e9 na regi\u00e3o do C\u00e1ucaso, onde se concentra uma boa parte das reservas energ\u00e9ticas da R\u00fassia. E \u00e9 tamb\u00e9m dentro deste contexto que deve ser lida a disputa em torno da Ucr\u00e2nia e seu entrela\u00e7amento com a atual crise energ\u00e9tica europeia. Sobretudo neste momento em que a oferta europeia do g\u00e1s liquefeito norte-americano vem sendo afetada pelo aumento da demanda interna do pr\u00f3prio mercado americano e pela concorr\u00eancia dos mercados asi\u00e1ticos, que est\u00e3o pagando at\u00e9 quatro vezes mais do que seu valor no mercado europeu. Devendo-se somar as agruras europeia neste inverno de 2022, a disputa sem fim, primeiro em torno \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, e agora em torno \u00e0 libera\u00e7\u00e3o do Gasoduto do B\u00e1ltico, o Nord Stream 2, constru\u00eddo entre Vyborg na R\u00fassia, e Greifswald na Alemanha, com capacidade imediata de entregar aos alem\u00e3es e europeus mais 55 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos anuais do g\u00e1s natural russo que j\u00e1 se transformou numa pe\u00e7a chave da escalada diplom\u00e1tica e b\u00e9lica das \u00faltimas semanas em torno ao controle militar da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>O que \u00e9 certo \u00e9 que neste momento, em plena crise energ\u00e9tica, pand\u00eamica e inflacion\u00e1ria europeia, s\u00f3 a R\u00fassia tem capacidade imediata de aumentar a oferta do g\u00e1s que os europeus necessitam para esquentar suas casas, baixar seus custos de produ\u00e7\u00e3o e recuperar a competitividade de sua ind\u00fastria, diminuindo o grau de insatisfa\u00e7\u00e3o de suas popula\u00e7\u00f5es. E \u00e9 esta posi\u00e7\u00e3o excepcional da R\u00fassia que explica o seu empoderamento e sua decis\u00e3o de avan\u00e7ar suas pe\u00e7as no tabuleiro do xadrez geopol\u00edtico da Europa, colocando sentados na mesa de negocia\u00e7\u00f5es, os EUA, a OTAN e todos os demais pa\u00edses europeus, para discutir a sua pr\u00f3pria proposta de redefini\u00e7\u00e3o pac\u00edfica dos par\u00e2metros estrat\u00e9gicos impostos \u00e0 R\u00fassia, pela \u201cfor\u00e7a dos fatos e das armas\u201d, durante a d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>O mais prov\u00e1vel \u00e9 que as negocia\u00e7\u00f5es iniciadas na segunda semana de janeiro de 2022 se prolonguem por muito tempo, ou simplesmente permane\u00e7am congeladas. At\u00e9 porque a R\u00fassia j\u00e1 venceu o primeiro round, na medida em que colocou sobre a mesa de forma expl\u00edcita a sua condi\u00e7\u00e3o fundamental e inarred\u00e1vel para que se possa estabilizar um novo equil\u00edbrio estrat\u00e9gico europeu: a n\u00e3o incorpora\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia e da Ge\u00f3rgia como pa\u00edses-membros da OTAN. A partir deste momento, a \u201cpr\u00f3xima movida\u201d no tabuleiro cabe \u00e0s \u201cpot\u00eancias ocidentais, que est\u00e3o plenamente notificadas de que sua eventual decis\u00e3o de incorporar estes dois pa\u00edses \u00e0 sua organiza\u00e7\u00e3o militar, representar\u00e1 uma declara\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica e simult\u00e2nea de guerra com a R\u00fassia. Ou seja, servir\u00e1 como sinal para o in\u00edcio uma invas\u00e3o massiva do territ\u00f3rio ucraniano por parte do poder militar russo. E n\u00e3o seria improv\u00e1vel, nestas condi\u00e7\u00f5es, que houvesse uma suspens\u00e3o imediata do fornecimento do g\u00e1s russo para os pa\u00edses europeus envolvidos mais diretamente num conflito que pode se transformar numa nova grande guerra mundial, no caso em que envolva uma participa\u00e7\u00e3o direta da China, que numa situa\u00e7\u00e3o como esta poderia se sentir livre e autorizada para atacara e ocupar Taiwan.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: A crise energ\u00e9tica, a Europa e a reviravolta russa &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/a-crise-energetica-aeuropa-e-a-reviravolta-russa\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori &#8211;\u00a0Em apenas um ano, o mercado mundial de energia enfrentou duas grandes crises diametralmente opostas: a primeira, no in\u00edcio de 2020, no momento em que se generalizou a pandemia do coronav\u00edrus; e a segunda, ainda em pleno curso. 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