{"id":16323,"date":"2022-01-10T12:24:16","date_gmt":"2022-01-10T15:24:16","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16323"},"modified":"2022-01-07T15:27:09","modified_gmt":"2022-01-07T18:27:09","slug":"florestan-fernandes-ciencia-e-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/01\/10\/florestan-fernandes-ciencia-e-politica\/","title":{"rendered":"Florestan Fernandes: ci\u00eancia e pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><strong>LINCOLN SECCO &#8211;\u00a0<\/strong>O hiato do soci\u00f3logo socialista entre a academia e o partido<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO capitalismo n\u00e3o \u00e9 eterno. Ele ter\u00e1, por contradi\u00e7\u00f5es insan\u00e1veis, mais cedo ou mais tarde, de sofrer a a\u00e7\u00e3o renovadora imposta pela civiliza\u00e7\u00e3o sem barb\u00e1rie\u201d (Florestan Fernandes).<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 um tru\u00edsmo afirmar que a institucionaliza\u00e7\u00e3o da Sociologia universit\u00e1ria no Brasil deveu muito a Florestan Fernandes. Ele se esfor\u00e7ou para demonstrar o car\u00e1ter cient\u00edfico de suas pesquisas a uma elite paulista de forma\u00e7\u00e3o ecl\u00e9tica e que havia criado a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em 1934. Por outro lado, Florestan surgiu no debate p\u00fablico nos anos 1980 sobre a redemocratiza\u00e7\u00e3o como um autodenominado publicista revolucion\u00e1rio e membro do Partido dos Trabalhadores (PT). Como se explica essa passagem do soci\u00f3logo ao socialista?<\/p>\n<p>Como membro da primeira gera\u00e7\u00e3o de professores da USP ap\u00f3s a \u201cMiss\u00e3o Francesa\u201d,<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>\u00a0<\/sup>Florestan se dedicou simultaneamente aos cl\u00e1ssicos da Sociologia, que ele divulgou em colet\u00e2neas e cursos ao p\u00fablico estudantil, bem como a s\u00f3lidas pesquisas emp\u00edricas.<\/p>\n<p>Ao acompanharmos essa trajet\u00f3ria inicial, tudo indicaria para uma carreira linear que teria sofrido uma rota\u00e7\u00e3o pol\u00edtica depois do golpe de 1964. Mesmo se considerarmos a breve milit\u00e2ncia de Florestan no Partido Socialista Revolucion\u00e1rio liderado por Herm\u00ednio Sacchetta,<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a><\/sup>\u00a0por raz\u00f5es subjetivas a sua dedica\u00e7\u00e3o primordial sempre foi \u00e0 USP. Florestan se envolveu em poucas atividades militantes, embora sua ades\u00e3o ao trotskismo esteja longe de ser um mero \u201cdetalhe juvenil\u201d em sua biografia.<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a><\/sup>\u00a0O registro mais importante de seu curto compromisso partid\u00e1rio foi um trabalho intelectual: a tradu\u00e7\u00e3o e a introdu\u00e7\u00e3o que escreveu a uma obra de Marx;<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a><\/sup><\/p>\n<p>No entanto, Antonio Candido lembrou que o marxismo persistiu no pensamento de Florestan como uma tend\u00eancia recessiva ou rio subterr\u00e2neo<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a><\/sup>. Em outras palavras, existiu sempre uma tens\u00e3o entre ci\u00eancia e engajamento. Uma pista sobre isso est\u00e1 nas suas escolhas tem\u00e1ticas: a crian\u00e7a, nos seus primeiros artigos cient\u00edficos<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a><\/sup>; os Tupinamb\u00e1, em seus mestrado<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a><\/sup>\u00a0e doutorado<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a><\/sup>; os imigrantes; os tupis; as favelas<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a><\/sup>\u00a0e o negro em in\u00fameros artigos, projetos de pesquisa e programas de cursos ao longo da vida, cujo ponto m\u00e1ximo foi o concurso para a cadeira de Sociologia I<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a><\/sup>, em que dissecou a condi\u00e7\u00e3o heteron\u00f4mica da ra\u00e7a negra<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a><\/sup>. Outro tra\u00e7o de sua inclina\u00e7\u00e3o militante foi a entrada na Campanha em Defesa da Escola P\u00fablica, lan\u00e7ada em maio de 1960<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn12\" name=\"_ednref12\"><sup>[xii]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>No entanto, quantas escolhas que fazemos numa carreira n\u00e3o sofrem condicionamentos institucionais? Muitas investiga\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas tinham por escopo compreender os mecanismos que garantem a coes\u00e3o da sociedade e definir os fatos sociais que funcionam independentemente de nossa vontade. Para isso, era comum eleger como objeto as sociedades ind\u00edgenas, as quais evidenciariam de forma mais simples a fun\u00e7\u00e3o de cada elemento num sistema. Da mesma forma, a investiga\u00e7\u00e3o sobre rela\u00e7\u00f5es raciais foi um projeto da Unesco.<\/p>\n<p>As pesquisas acad\u00eamicas sobre sua trajet\u00f3ria, suas biografias, depoimentos de colegas e mesmo seus relatos esparsos de natureza autobiogr\u00e1fica, fornecidos atrav\u00e9s de entrevistas, problematizam permanentemente essa transforma\u00e7\u00e3o<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a><\/sup>, da qual nos ocuparemos nas pr\u00f3ximas p\u00e1ginas, partindo de sua forma\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o acad\u00eamica como soci\u00f3logo socialista, at\u00e9 seu retorno, em outras condi\u00e7\u00f5es, a uma op\u00e7\u00e3o pelo socialismo revolucion\u00e1rio, posi\u00e7\u00e3o que definiu sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>O soci\u00f3logo socialista<\/strong><\/p>\n<p>Nas Jornadas em homenagem a Florestan Fernandes ocorridas no\u00a0<em>campus<\/em>\u00a0da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo (Unesp), na cidade de Mar\u00edlia, em 1986, Barbara Freitag identificou uma\u00a0<em>ruptura<\/em>\u00a0epistemol\u00f3gica que separou o acad\u00eamico reformista pr\u00e9-golpe de 1964 e o pol\u00edtico revolucion\u00e1rio que se desenvolveu depois. N\u00e3o escapou a ela que havia continuidades, mas a escolha do conceito de ruptura, que foi proposto por Louis Althusser<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a><\/sup>\u00a0para periodizar a obra de Marx, n\u00e3o podia ser casual. Para a autora, a cesura e a mudan\u00e7a s\u00e3o predominantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s perman\u00eancias.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 de Souza Martins, observando o mesmo processo, optou por combinar as mudan\u00e7as do entorno social com a continuidade tem\u00e1tica na reda\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi uma escolha casual, porque o livro come\u00e7ou a ser preparado a partir de material de cursos oferecidos na USP antes da cassa\u00e7\u00e3o do autor, e o intervalo entre a escrita dos primeiros cap\u00edtulos e do \u00faltimo foi de dez anos. Martins identifica que na primeira parte predominaram as refer\u00eancias a Weber e Durkheim, e na terceira parte, a Lenin<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn15\" name=\"_ednref15\"><sup>[xv]<\/sup><\/a>, todas permeadas pela \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica da hist\u00f3ria\u201d. Os temas j\u00e1 estavam no projeto acad\u00eamico redigido em 1962 e intitulado\u00a0<em>Economia e sociedade no Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>As indaga\u00e7\u00f5es daquele projeto, as pesquisas emp\u00edricas dos assistentes de Florestan Fernandes e o engajamento t\u00edpico das Ci\u00eancias Sociais latino-americanas j\u00e1 apresentariam d\u00favidas a respeito das \u201ccertezas pol\u00edticas\u201d da esquerda. A reorienta\u00e7\u00e3o do trabalho teria a ver menos com o \u201calargamento da consci\u00eancia pol\u00edtica\u201d e uma \u201cesquerdiza\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o sociol\u00f3gica\u201d e mais com uma \u201caguda consci\u00eancia sociol\u00f3gica\u201d do momento hist\u00f3rico. Portanto n\u00e3o haveria descompasso entre as duas primeiras partes da obra e a terceira, porque, segundo Jos\u00e9 de Souza Martins, o que o autor exp\u00f5e naquelas j\u00e1 cont\u00eam os desdobramentos pol\u00edticos que, em seguida, vieram a vitimar Florestan Fernandes com a cassa\u00e7\u00e3o pela ditadura<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Em 1969, Florestan reuniu artigos que escrevera desde 1946. A inten\u00e7\u00e3o declarada era subsidiar professores de cursos de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Sociologia<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a><\/sup>. Aparentemente, ele teria tentado escrever a partir daqueles textos um manual de Sociologia, mas isso n\u00e3o fazia mais sentido em fun\u00e7\u00e3o da reforma universit\u00e1ria de 1968 que substituiu o sistema de c\u00e1tedras pelos departamentos e desmembrou as faculdades de filosofia e, provavelmente, em fun\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio afastamento da USP.<\/p>\n<p>Num artigo de 1962, que resolveu publicar novamente em 1970 e em 1974, Florestan Fernandes faz uma defesa do m\u00e9todo de interpreta\u00e7\u00e3o funcionalista, o qual n\u00e3o se ocuparia apenas da compreens\u00e3o dos mecanismos de reprodu\u00e7\u00e3o da ordem social existente, mas permitiria tamb\u00e9m encontrar os fatores din\u00e2micos de um sistema e entender como sua continuidade libera \u201cfor\u00e7as ou mecanismos socialmente inovadores\u201d<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a><\/sup>. O funcionalismo n\u00e3o \u00e9 insens\u00edvel aos aspectos diacr\u00f4nicos da vida social, embora apresente limites que s\u00f3 podem ser resolvidos atrav\u00e9s do m\u00e9todo dial\u00e9tico.<\/p>\n<p>Por se ocuparem da contribui\u00e7\u00e3o de cada elemento na conserva\u00e7\u00e3o do organismo social e na continuidade estrutural<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn19\" name=\"_ednref19\">[xix]<\/a><\/sup>, para muitos marxistas as abordagens funcionalistas produziam an\u00e1lises est\u00e1ticas e conservadoras. Meu objetivo n\u00e3o \u00e9 julgar se Florestan Fernandes foi ou n\u00e3o bem sucedido em combinar m\u00e9todos diferentes, ou mesmo se se trata de uma combina\u00e7\u00e3o. Afinal, ele os utilizou de acordo com o objeto. Para ele, o funcionalismo n\u00e3o \u00e9 uma teoria (nisso ele coincidia com Talcott Parsons) e sim uma via para formular \u201cproposi\u00e7\u00f5es emp\u00edricas, test\u00e1-las e incorpor\u00e1-las \u00e0 teoria\u201d. Em Florestan, o uso de diferentes m\u00e9todos para diversos objetos n\u00e3o apresenta um problema. A an\u00e1lise estrutural funcional (Radcliffe-Brown) pode abranger os conflitos sociais que se tornam estruturais e apreender fen\u00f4menos com \u201calto teor de estabilidade\u201d, mas para a explica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e a generaliza\u00e7\u00e3o ele recorre ao marxismo.<\/p>\n<p>Para escrever seu artigo sobre as brincadeiras infantis do bairro paulistano do Bom Retiro<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn20\" name=\"_ednref20\">[xx]<\/a><\/sup>, Florestan Fernandes fez trabalho de campo, registrou a amizade com as crian\u00e7as, as estruturas recorrentes, os ritos de inicia\u00e7\u00e3o e outros fen\u00f4menos que dispensavam alus\u00f5es a Marx. Na\u00a0<em>Fun\u00e7\u00e3o da guerra na sociedade Tupinamb\u00e1\u00a0<\/em>ele escreveu uma \u201cobra prima funcionalista\u201d<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn21\" name=\"_ednref21\">[xxi]<\/a><\/sup>; nos\u00a0<em>Fundamentos emp\u00edricos da explica\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica<\/em>, o autor vinculou o uso das correntes te\u00f3ricas mais importantes da Sociologia \u00e0 natureza do objeto a ser investigado.<\/p>\n<p>Numa obra como\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>, em que precisou lidar com a hist\u00f3ria\u00a0<em>in flux<\/em>, como gostava de dizer, Florestan precisou munir-se de diferentes instrumentos de an\u00e1lise, de acordo com Martins<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn22\" name=\"_ednref22\">[xxii]<\/a><\/sup>. Essa op\u00e7\u00e3o era estranha \u00e0 maioria dos marxistas. Al\u00e9m disso, nos seus trabalhos acad\u00eamicos anteriores, embora tivesse escrito sobre Marx, Florestan jamais se utilizou explicitamente do \u201cm\u00e9todo marxista\u201d e muito menos \u201cmarxista leninista\u201d. Portanto, as mudan\u00e7as que se evidenciam entre a primeira e a terceira partes de\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil\u00a0<\/em>s\u00e3o salientes. O autor pretendeu escrever um ensaio de interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica da Hist\u00f3ria. Embora pare\u00e7a guiado por um conceito aprior\u00edstico de revolu\u00e7\u00e3o burguesa, \u00e0 qual sua reconstitui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica deveria se moldar, n\u00e3o \u00e9 isso o que ele faz. Parece uma teleologia, porque o vocabul\u00e1rio sempre nos remete a tarefas inconclusas, processos interrompidos, revolu\u00e7\u00f5es incompletas. A n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o plena da revolu\u00e7\u00e3o burguesa \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o emp\u00edrica do presente e a partir disso ele interroga o passado e o reconstitui.<\/p>\n<p>Florestan utiliza no \u00faltimo cap\u00edtulo de seu livro o conceito de solidariedade mec\u00e2nica de Durkheim para aquilatar o papel da burguesia perif\u00e9rica, ou seja, a sua fun\u00e7\u00e3o social na reprodu\u00e7\u00e3o do organismo social. No tope da sociedade brasileira, a coes\u00e3o burguesa assenta-se mais na tradi\u00e7\u00e3o e costumes compartilhados do que em regras jur\u00eddicas e impessoais que caracterizariam uma solidariedade org\u00e2nica.<\/p>\n<p>A burguesia latino-americana est\u00e1 submetida \u00e0 superposi\u00e7\u00e3o da apropria\u00e7\u00e3o neocolonial ou imperialista sobre a expropria\u00e7\u00e3o do excedente econ\u00f4mico interno. A troca desigual drena grande parte da mais valia para fora e n\u00e3o permite que haja uma base material para a burguesia erigir uma domina\u00e7\u00e3o com consenso.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar exatamente o momento da revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil, posto que ela n\u00e3o tem um momento revolucion\u00e1rio<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn23\" name=\"_ednref23\">[xxiii]<\/a><\/sup>. Se a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa \u00e9 um conjunto de acontecimentos que desencadeia ou consolida um processo revolucion\u00e1rio, no Brasil ela \u00e9 um processo que gera eventos contrarrevolucion\u00e1rios. \u00c9 paradoxal que assim seja. Mas isso se explica por que na periferia ela \u00e9 um processo secular que, por se prolongar no tempo, perdeu seu significado revolucion\u00e1rio. Essa revolu\u00e7\u00e3o\u00a0<em>n\u00e3o revolucion\u00e1ria<\/em>\u00a0se rep\u00f5e para as classes dominadas como contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Faz sentido, portanto, a alus\u00e3o \u00e0 solidariedade mec\u00e2nica como elo que garante a coes\u00e3o social burguesa. N\u00e3o \u00e9 pela via democr\u00e1tica, pela soberania nacional e pelo exerc\u00edcio da hegemonia que a burguesia cumpre suas fun\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e, sim, monopolizando de forma autocr\u00e1tica o poder econ\u00f4mico, pol\u00edtico e cultural. A autocracia \u00e9 uma perman\u00eancia hist\u00f3rica que sateliza as formas semi-democr\u00e1ticas ou autorit\u00e1rias de poder e o seu extremo \u201ctotalit\u00e1rio\u201d. O fascismo \u00e9 uma permanente possibilidade hist\u00f3rica do modelo autocr\u00e1tico burgu\u00eas na Am\u00e9rica Latina<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn24\" name=\"_ednref24\">[xxiv]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Florestan Fernandes escreveu seguramente um cl\u00e1ssico, mas nada parecido com os ensaios de S\u00e9rgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Gilberto Freyre e Celso Furtado, que o antecederam, e nem a Gorender, que o sucedeu<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn25\" name=\"_ednref25\">[xxv]<\/a><\/sup>. Por outro lado, Fernandes n\u00e3o produziu um texto acad\u00eamico que pudesse ser aceito enquanto tal, ao menos para os padr\u00f5es da USP naquela \u00e9poca. Seu livro \u00e9 desbalanceado: a terceira parte \u00e9 muito maior e a segunda apenas um fragmento. Al\u00e9m disso, ele n\u00e3o rompe com as refer\u00eancias acad\u00eamicas iniciais na terceira parte. Recorre a distin\u00e7\u00f5es weberianas entre autoridade e poder mas, ao mesmo tempo, suas refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas mudam qualitativamente.<\/p>\n<p>Isso nem sempre \u00e9 expl\u00edcito no texto porque ele usa poucas notas de rodap\u00e9. Mas, pelas datas das edi\u00e7\u00f5es que inseriu na bibliografia, podemos saber que entre o in\u00edcio da reda\u00e7\u00e3o e o t\u00e9rmino, Florestan leu Rosa Luxemburgo (uma edi\u00e7\u00e3o mexicana de 1967) e Paul Baran, citados no cap\u00edtulo sete. Recorre a autores latino-americanos, como o historiador Tulio Halperin Donghi (1969), Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui (edi\u00e7\u00e3o peruana de 1972) e Juan Carlos Portantiero (1973). Obviamente, h\u00e1 a presen\u00e7a marcante de Lenin, cujas\u00a0<em>Oeuvres<\/em>\u00a0(edi\u00e7\u00e3o francesa citada) ainda estavam sendo publicadas. A maioria dos livros usados \u00e9 de 1967 e 1968. O \u201cseu\u201d Lenin, no entanto, \u00e9 legitimado com valores da ci\u00eancia: rigor, precis\u00e3o, base emp\u00edrica e amplitude do conhecimento te\u00f3rico. Florestan Fernandes dirigiu a publica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios autores marxistas ao lado de cl\u00e1ssicos acad\u00eamicos. Mas \u00e9 sintom\u00e1tico que Mao Ts\u00e9-Tung, Trotsky, Stalin e Lenin estivessem numa cole\u00e7\u00e3o chamada Grandes Cientistas Sociais<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn26\" name=\"_ednref26\">[xxvi]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>O inacabamento formal aparece nos avisos de omiss\u00f5es que ele faz para \u201cn\u00e3o estender desnecessariamente a explana\u00e7\u00e3o\u201d, nas \u201crepeti\u00e7\u00f5es e sobreposi\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis\u201d ou quando escreve que n\u00e3o vai discutir determinados aspectos de fora de um per\u00edodo hist\u00f3rico depois de muita \u201cindecis\u00e3o\u201d. Mesmo na bibliografia, Florestan lembra que recorreu a levantamentos feitos em 1941 com Donald Pierson e aos programas de cursos de terceiro e quarto anos aplicados na USP em 1966.<\/p>\n<p>N\u00e3o se espera de um ensaio essas explica\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de um intelectual universit\u00e1rio; e nem de uma tese, a tomada de partido anunciada na nota explicativa: o livro \u00e9 a resposta intelectual \u00e0 ditadura por um socialista militante. Seria um programa de pesquisa reconstituir a oficina de\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>\u00a0na biblioteca de Florestan. E, ao mesmo tempo, entender por que, na \u00e9poca em que escreveu, ele n\u00e3o conseguiu operar completamente a passagem do acad\u00eamico ao pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o derivou da incapacidade do autor. Ele era o mais importante cientista social da sua gera\u00e7\u00e3o e at\u00e9 hoje um dos mais importantes representantes do pensamento social brasileiro. Quando Florestan Fernandes escreveu sua obra m\u00e1xima, a universidade que o formou e o marcou de modo indel\u00e9vel j\u00e1 estava transitando para uma especializa\u00e7\u00e3o incontorn\u00e1vel. Talvez aquele fosse o \u00faltimo momento em que algu\u00e9m poderia se propor um ensaio como o que Florestan pretendeu escrever. Mas talvez s\u00f3 fosse poss\u00edvel uma obra j\u00e1 carregada pelo ac\u00famulo de monografias de base que a USP havia produzido.<\/p>\n<p>Para uma obra de tema hist\u00f3rico como a\u00a0<em>Revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>, a expans\u00e3o do fragmento da segunda parte, dez anos depois de ter sido esbo\u00e7ado, teria que levar em conta novos avan\u00e7os da historiografia. Um exemplo era a\u00a0<em>Hist\u00f3ria Geral da Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira<\/em>\u00a0dirigida por S\u00e9rgio Buarque de Holanda e publicada entre 1960 e 1972<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn27\" name=\"_ednref27\">[xxvii]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Nem Caio Prado e nem S\u00e9rgio Buarque haviam escrito seus ensaios com tal profus\u00e3o de pesquisas anteriores. At\u00e9 mesmo o marxismo que Caio Prado conhecia nos anos 1930 era muito incipiente<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn28\" name=\"_ednref28\">[xxviii]<\/a><\/sup>. E nem eles e nem Gilberto Freyre ou Celso Furtado tinham tido propriamente uma carreira acad\u00eamica como a de Florestan Fernandes.<\/p>\n<p>O que h\u00e1 de ins\u00f3lito na obra \u00e9 que, na verdade, ela ficou a meio caminho da tese acad\u00eamica e do \u201censaio livre\u201d, como ele a denominou. A querela entre a descontinuidade e a continuidade n\u00e3o se resolve apenas no plano do conte\u00fado, mas da\u00a0<em>forma dif\u00edcil<\/em>. No plano do conte\u00fado, podemos discutir muito tempo se ele trocou Weber e Durkheim por Marx e Lenin. Mas, no inacabamento formal, podemos descobrir que talvez n\u00e3o haja na sua trajet\u00f3ria uma evolu\u00e7\u00e3o linear em que textos anteriores j\u00e1 revelariam os resultados posteriores, nem um salto no escuro no qual se evidenciasse a ruptura com o passado.<\/p>\n<p>A sua biografia n\u00e3o demonstra isso. Por raz\u00f5es de natureza pessoal e talvez pol\u00edtica, como ele revela em sua correspond\u00eancia com Barbara Freitag, Florestan n\u00e3o se fixou no exterior como outros (Emilia Viotti da Costa estendeu sua carreira nos Estados Unidos, por exemplo). Mas tamb\u00e9m n\u00e3o adentrou nenhuma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica at\u00e9 1986, quando a ditadura j\u00e1 estava formalmente terminada. Obviamente, al\u00e9m das raz\u00f5es geracionais, isso se explica pela inexist\u00eancia de um movimento socialista que pudesse dar amparo material e moral para a reflex\u00e3o intelectual.<\/p>\n<p><strong>O hiato entre a academia e o partido<\/strong><\/p>\n<p>Florestan Fernandes n\u00e3o poderia ter escrito\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>\u00a0n\u00e3o fosse sua forma\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica na USP. Ao mesmo tempo, n\u00e3o o faria se n\u00e3o tivesse passado pelo golpe de 1964, que o afastou progressivamente da universidade. Sem discutir o m\u00e9rito e o conte\u00fado do livro, ainda assim podemos afirmar que a tens\u00e3o entre ci\u00eancia e engajamento se expressou na forma do texto.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de Florestan rompeu conscientemente com a forma ensa\u00edstica que vigorava nos estudos hist\u00f3ricos e sociol\u00f3gicos brasileiros. Seguramente, isso foi mais vis\u00edvel nas Ci\u00eancias Sociais do que na historiografia.\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa<\/em>\u00a0ficou a meio caminho entre o erudito e \u00e1rido trabalho do\u00a0<em>scholar<\/em>\u00a0e a liberdade do ensaio militante.<\/p>\n<p>Por isso, Florestan marca muito mais uma ruptura no pr\u00f3prio modo de pesquisa dos problemas brasileiros do que uma mudan\u00e7a pessoal apenas. Com ele, a escrita cient\u00edfica alcan\u00e7a um alto padr\u00e3o. E exatamente no momento em que o soci\u00f3logo afasta-se da USP e busca a \u201cescrita p\u00fablica\u201d, as Ci\u00eancias Sociais se espalham pelo territ\u00f3rio em novos cursos universit\u00e1rios e suas formas de express\u00e3o se padronizam. A universidade se departamentaliza e os crit\u00e9rios de rigor, controle e metrifica\u00e7\u00e3o do saber come\u00e7am a se impor.<\/p>\n<p><em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil\u00a0<\/em>\u00e9 uma obra necessariamente inacabada entre o ensaio e a tese; um livro de inten\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria e, ao mesmo tempo, uma colet\u00e2nea de longos artigos escritos em momentos diferentes; uma resposta intelectual ao golpe de 1964 e um exerc\u00edcio cient\u00edfico; uma obra revolucion\u00e1ria em busca do marxismo, sem romper com o ecletismo daquela forma\u00e7\u00e3o uspiana; um cl\u00e1ssico entre Weber e Lenin.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo que publicara antologias acad\u00eamicas e artigos do mais perfeito rigor funcionalista e oferecera os cursos de s\u00f3lida erudi\u00e7\u00e3o, foi dar aulas nos Estados Unidos e no Canad\u00e1, mas acabou por voltar e dar lugar, ao longo dos anos 1970, ao professor engajado da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, ao articulista de jornal, ao divulgador de Lenin, ao diretor da cole\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Grandes Cientistas Sociais<\/em>, ao apoiador do jornal\u00a0<em>Portugal Democr\u00e1tico<\/em>\u00a0e das atividades da resist\u00eancia anti-salazarista no Brasil, ao autor de cursos que se tornavam livros e de sua bela obra sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Por fim, o publicista revolucion\u00e1rio encontrou no Partido dos Trabalhadores o seu lugar de \u201cretorno\u201d ao compromisso militante.<\/p>\n<p><strong>O publicista revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Florestan Fernandes foi eleito deputado constituinte pelo PT em 1986. Sem perder aquela caracter\u00edstica que o definia, a de \u201cpublicista revolucion\u00e1rio\u201d, analisou todo o processo constituinte. Gra\u00e7as a ele, foi poss\u00edvel compreender por que uma Assembleia conservadora produziu um texto socialmente avan\u00e7ado, apesar das suas limita\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. \u00c9 que, ap\u00f3s dez anos de press\u00e3o popular, os deputados do chamado \u201ccentr\u00e3o\u201d (o grupo conservador da Constituinte) sentiram-se \u201cmoralmente\u201d cercados. Foi o suficiente para aprovar, por exemplo, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade, o direito de greve e a universaliza\u00e7\u00e3o da aposentadoria rural.<\/p>\n<p>Florestan acompanhava as lutas de classes dentro e fora do parlamento. Sua escrita, amparada em s\u00f3lida cultura hist\u00f3rica e sociol\u00f3gica, era tamb\u00e9m plena da humanidade de um menino pobre que quase foi tragado pelo abismo da mis\u00e9ria: \u201cLembro-me das experi\u00eancias da inf\u00e2ncia e do trabalho precoce aos seis anos de idade [\u2026]: via-me como algu\u00e9m segurando-se nas bordas de um po\u00e7o profundo e vultos humanos pisando minhas m\u00e3os para que eu despencasse e sumisse, tragado pela \u00e1gua\u201d<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn29\" name=\"_ednref29\">[xxix]<\/a><\/sup>.\u00a0 Nestes textos, ele denunciava os \u201csenhores da fala, da riqueza e do poder\u201d que erigiram uma sociedade civil n\u00e3o civilizada e deixaram aos de baixo o rancor emudecido e a esperan\u00e7a radical.<\/p>\n<p>Sem peso ou voz na sociedade civil, jovens, negros, ind\u00edgenas, mulheres e deserdados da terra foram todos exclu\u00eddos em fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria din\u00e2mica de reprodu\u00e7\u00e3o da ordem existente. Ao lado de um punhado de deputados da esquerda, Florestan buscou represent\u00e1-los. Foi uma luta desigual, como ele nos mostrava em seus artigos e nas palestras e conversas que mantinha em todo o Brasil. Ainda assim, aquela Constitui\u00e7\u00e3o provocou os poderosos. Sucessivas tentativas de revisar o texto constitucional buscaram revogar direitos ou impedir sua regulamenta\u00e7\u00e3o. O \u201cFlorestan\u201d dos militantes do PT foi fundamentalmente o que escrevia artigos corajosos na\u00a0<em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>\u00a0a partir de 1983. Nos estertores da ditadura, ele citava Prestes e Marighella, Marx e Lenin. Desencavava a utopia do socialismo de cada luta parcial e moment\u00e2nea. Depois, seus artigos se reuniam em colet\u00e2neas que compr\u00e1vamos ou emprest\u00e1vamos avidamente.<\/p>\n<p>Florestan apresentava uma escrita dif\u00edcil para a juventude de periferia que se reunia nos n\u00facleos petistas de S\u00e3o Paulo. E, no entanto, seus livros repercutiam. Claro que sua escrita se desdobrava em momentos fortes, em senten\u00e7as socialistas e revolucion\u00e1rias atraentes. Mas o seu vocabul\u00e1rio recorria a met\u00e1foras \u201coper\u00e1rias\u201d (circuito fechado, martelo, bigorna, malho); a interjei\u00e7\u00f5es como safa!, h\u00e9las; prov\u00e9rbios como \u201cMateus, primeiro os teus\u201d; a express\u00f5es long\u00ednquas da inf\u00e2ncia: m\u00e3o de gato, po\u00e7\u00f5es milagrosas, bra\u00e7o de ferro, jogo da amarelinha; termos ins\u00f3litos: ranger de dentes, butim, esbulho etc; \u00e0 B\u00edblia (deus Mamon); latim (<em>primus inter pares<\/em>,\u00a0<em>servus<\/em>,\u00a0<em>manu militari<\/em>,\u00a0<em>locus<\/em>,\u00a0<em>ex officio<\/em>,\u00a0<em>quantum<\/em>,\u00a0<em>mores<\/em>); verbos como aluir, soldar, esboroar; refer\u00eancias latino-americanas a\u00a0<em>los de abajo;\u00a0<\/em>poesias do momento, como de Affonso Romano de Sant\u2019Anna; cartuns de Henfil; a autobiografia de um cineasta como Bergman ou trabalhos de ex-alunos; conceitos como estamentos, castas, estratos e classes; longa dura\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria; prolet\u00e1rios, miser\u00e1veis da terra, condenados da terra, desenraizados, massa e classe; e express\u00f5es cl\u00e1ssicas da esquerda, como a lata de lixo da hist\u00f3ria, bandeira estrelada do socialismo prolet\u00e1rio, vanguardas etc.; t\u00edtulos sem concess\u00f5es como \u201cLuta de classes e socialismo prolet\u00e1rio\u201d; \u201cOs subterr\u00e2neos da Hist\u00f3ria n\u00e3o entram nas enquetes\u201d.<\/p>\n<p>Que intelectual escreveria com um estilo t\u00e3o incisivo um artigo como \u201cOs desenraizados\u201d? Florestan inicia com uma cita\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Os desclassificados do ouro<\/em>\u00a0da historiadora Laura de Mello e Souza, referencia-se em Marx e, de repente, o conceito de ex\u00e9rcito industrial de reserva se torna a imagem de massas humanas exclu\u00eddas de Lima e Caracas vistas do avi\u00e3o. Sua quantidade f\u00edsica vis\u00edvel n\u00e3o se torna fator revolucion\u00e1rio porque a cultura que lhes \u00e9 imposta exclui o uso da contraviol\u00eancia e elas \u201cdeixam-se cozinhar no banho frio de surdos rancores\u201d<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn30\" name=\"_ednref30\"><sup>[xxx]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que neste Florestan que encantava aquela juventude militante da classe m\u00e9dia baixa ou do proletariado havia uma combina\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias que nenhum outro acad\u00eamico importante da \u00e9poca possu\u00eda: sua condi\u00e7\u00e3o de estudioso das crian\u00e7as (o que transparece no vocabul\u00e1rio), seu estudo dos negros, sua aproxima\u00e7\u00e3o com comunistas, reformistas cat\u00f3licos, sociais democratas aut\u00eanticos, suas reminisc\u00eancias trotskistas, suas alus\u00f5es ao anarquismo: \u201cOs anarquistas tiveram a virtude de estender os bra\u00e7os a esses companheiros e a grandeza de compreender o seu infort\u00fanio. Os revolucion\u00e1rios nacionalistas e comunistas da periferia acabaram aprendendo, pela pr\u00e1tica, que eles s\u00e3o os humildes mais exigentes de amor\u201d<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn31\" name=\"_ednref31\">[xxxi]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>No entanto, havia tamb\u00e9m a marca de uma origem pobre do filho da m\u00e3e solteira, lavadeira; do menino carregador de feira e do jovem gar\u00e7om: \u201cCom dez anos, eu pr\u00f3prio, l\u00fampen e miser\u00e1vel da terra, corria pelas ruas gritando \u2018queremos Get\u00falio!\u2019\u201d<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn32\" name=\"_ednref32\">[xxxii]<\/a><\/sup>. Florestan ampliou sua base de apoio porque n\u00e3o se prendeu \u00e0 classe m\u00e9dia progressista (numerosa nos anos 1980), m\u00e1quinas sindicais ou tend\u00eancias do pr\u00f3prio partido. Ele se dirigiu aos menores, \u00e0s mulheres, aos velhos, aos cegos, aos humilhados, aos estropiados an\u00f4nimos, aos dependentes de drogas, aos solit\u00e1rios das ruas, aos mendigos, aos seres humanos encurralados.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o pregava no deserto e nem fazia o papel de Cassandra. Tinha um discurso transversal que apanhava os setores organizados da classe oper\u00e1ria, os rebentos indesej\u00e1veis da pequena burguesia que aderiam ao socialismo, os desempregados, os exclu\u00eddos e a luta pela cidadania.<\/p>\n<p>Sua linguagem era um diferencial que o destacava de outros intelectuais p\u00fablicos que, ou escreviam como os pol\u00edticos profissionais, ou enquanto universit\u00e1rios n\u00e3o conseguiam despir-se de suas especialidades.<\/p>\n<p><strong>A disputa intramuros<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do vocabul\u00e1rio, havia algo de diferente em Florestan. Afinal, o que o teria levado a usar aquela linguagem e a tomar as posi\u00e7\u00f5es que outros n\u00e3o tomaram, de maneira t\u00e3o enf\u00e1tica? Ele costumava dizer que estava liberto das constri\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o teria sido o socialista que era sem ter sido antes o soci\u00f3logo da USP. Outros acad\u00eamicos disputavam o espa\u00e7o pol\u00edtico da esquerda.<\/p>\n<p>Dono de uma obra sociol\u00f3gica cada vez mais entronizada como cl\u00e1ssica, Florestan passou ao largo das an\u00e1lises acad\u00eamicas\u00a0<em>interna corporis<\/em>. Seria importante reconstituir as cr\u00edticas que eventualmente se fizeram de seus primeiros trabalhos em antropologia (ou o porqu\u00ea de um poss\u00edvel esquecimento). No caso da sua tese sobre a inadapta\u00e7\u00e3o do negro \u00e0 sociedade de classes ela foi questionada por historiadores que atacavam o \u201cideario marxista\u201de a apresenta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u201c\u00e0 luz das lutas de classes\u201d, o que seria um reducionismo<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn33\" name=\"_ednref33\">[xxxiii]<\/a><\/sup>. Numa cr\u00edtica mais sofisticada foi feita antes Hasenbalg demonstrou que o racismo n\u00e3o era apenas um res\u00edduo escravista e nem se reduzia a um fen\u00f4meno de classe, embora n\u00e3o desprezasse a discuss\u00e3o sobre ela<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn34\" name=\"_ednref34\">[xxxiv]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Florestan continuou escrevendo artigos sobre a condi\u00e7\u00e3o do negro sem fazer uma avalia\u00e7\u00e3o dessas cr\u00edticas e seria \u00fatil verificar em seu arquivo o quanto esteve informado sobre elas.<\/p>\n<p>Cinco professores do curso de Ci\u00eancias Sociais da USP foram candidatos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es em 1986. Francisco Weffort tinha em seu curr\u00edculo simplesmente a dire\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Wilson Pinheiro e o cargo de secret\u00e1rio geral do PT; al\u00e9m disso, era esperado pela c\u00fapula que seria o l\u00edder intelectual da bancada na constituinte, mas sua candidatura a deputado federal naufragou com 8.592 votos. Entre os candidatos a deputado estadual, Jos\u00e9 \u00c1lvaro Mois\u00e9s teve 8.008 votos; \u00c9der Sader, 8.959; e Bol\u00edvar Lamounier (pelo PSB) teve 5.948 votos. Florestan foi eleito deputado federal constituinte com 50.024 votos.<\/p>\n<p>Vencido o p\u00e1reo entre intelectuais tradicionais, Florestan n\u00e3o se deixou enredar pelas disputas do dia a dia no PT. N\u00e3o so\u00e7obrou no \u201cinternismo\u201d, em parte porque trazia uma bagagem acad\u00eamica \u00edmpar que se imbricou muito rapidamente com o reconhecimento eleitoral. Apesar do PT ter 290 mil filiados em 1985, o peso pol\u00edtico de um mandato era grande numa bancada de apenas 16 deputados federais.<\/p>\n<p><strong>No PT<\/strong><\/p>\n<p>Florestan pode ter percebido logo que ele tinha estatura suficiente para n\u00e3o se prender a uma corrente de esquerda espec\u00edfica dentro do PT e, de certa forma, representar as diversas correntes em conjunto. Seu apelo transcendia as tend\u00eancias internas. Transitava entre elas, como se pode observar em pref\u00e1cios, cartas de apoio e documentos internos escritos por Florestan para lideran\u00e7as com posicionamentos diversos entre si, como Ivan Valente, Adelmo Genro Filho, Markus Sokol, Miguel Carvalho, Man\u00e9 Gabeira e Artur Scavone<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn35\" name=\"_ednref35\">[xxxv]<\/a>\u00a0<\/sup>entre outros. Debateu com Jos\u00e9 Dirceu, Lula, Perseu Abramo, Gushiken e Gorender. Mantinha interlocu\u00e7\u00e3o com o movimento negro.<\/p>\n<p>Aqui, a mem\u00f3ria seletiva me leva a registrar seu contato com sindicalistas da oposi\u00e7\u00e3o metal\u00fargica de S\u00e3o Paulo. Florestan costumava falar com admira\u00e7\u00e3o de Cleodon Silva. Outros sindicalistas da\u00a0<em>CUT pela Base<\/em>\u00a0e da esquerda em geral debatiam com ele, que interagia tamb\u00e9m com categorias como os coureiros e os vidreiros. Seus espa\u00e7os como palestrante eram os dos petistas em geral: associa\u00e7\u00f5es de amigos de bairro, sal\u00f5es paroquiais, sindicatos (coureiros, qu\u00edmicos, condutores e o Centro do Professorado Paulista), faculdades privadas da Grande S\u00e3o Paulo (em Guarulhos, por exemplo), salas de c\u00e2maras municipais e at\u00e9 conventos onde grupos de esquerda faziam seus semin\u00e1rios<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn36\" name=\"_ednref36\">[xxxvi]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Florestan defendia o car\u00e1ter socialista do PT, embora preferisse que se tornasse um partido marxista. Isso o separava at\u00e9 mesmo de alguns companheiros da esquerda partid\u00e1ria. Ele aceitava que o PT se limitasse \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o dentro da ordem, mas sempre se declarava favor\u00e1vel \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o contra a ordem. Ele foi um intelectual\u00a0<em>de<\/em>\u00a0esquerda no PT mas n\u00e3o\u00a0<em>da<\/em>\u00a0esquerda partid\u00e1ria. Algumas vezes esteve em contradi\u00e7\u00e3o com ela e em outras se articulou na defesa de suas teses<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn37\" name=\"_ednref37\">[xxxvii]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o foi apenas produto de uma condi\u00e7\u00e3o objetiva, ditada pelo seu peso eleitoral e reconhecimento intelectual. Tamb\u00e9m foi uma op\u00e7\u00e3o consciente. Ele declarou em 1986 que, antes do golpe de 1964, tinha se mantido equidistante da esquerda democr\u00e1tica \u2013 PSB, PCB e PTB: \u201cPreferi me manter como um intelectual de esquerda que servia a todas as correntes socialistas\u201d<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn38\" name=\"_ednref38\">[xxxviii]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Claro que havia ali uma reconstitui\u00e7\u00e3o interessada de sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria pol\u00edtica. Ele n\u00e3o citou a milit\u00e2ncia trotskista e esteve, como j\u00e1 vimos, muito mais a servi\u00e7o da USP do que de qualquer partido. Ao ser indagado sobre o trotskismo, respondeu: \u201cAcho que num pa\u00eds como o Brasil temos que superar diverg\u00eancias que n\u00e3o foram criadas aqui. N\u00e3o podemos nos dividir em fun\u00e7\u00e3o do passado revolucion\u00e1rio de outros povos. Durante um tempo eu me opunha a Stalin em nome do trotskismo. Posteriormente, superei essa posi\u00e7\u00e3o, estudando melhor a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, especificamente a participa\u00e7\u00e3o de Lenin, e as v\u00e1rias correntes que formaram a Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa. Minha posi\u00e7\u00e3o atualmente \u00e9 que dever\u00edamos construir no Brasil um caminho diferente, que nos levasse \u00e0s ra\u00edzes verdadeiramente cl\u00e1ssicas do marxismo\u201d<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn39\" name=\"_ednref39\">[xxxix]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Florestan esgrimia tr\u00eas argumentos que lhe eram altamente convenientes num partido de esquerda plural como o PT: atribu\u00eda sua posi\u00e7\u00e3o ao estudo, o que deslocava a op\u00e7\u00e3o para uma zona imune \u00e0s disputas internas imediatas; reconduzia o debate da esquerda para o solo hist\u00f3rico real, o Brasil; e, finalmente, se refugiava no pr\u00f3prio campo da esquerda socialista num salto sobre o s\u00e9culo XX que o levava \u00e0s ra\u00edzes do marxismo, que para ele se materializava na obra de Marx, Engels e Lenin.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m se traduzia no ecletismo das cita\u00e7\u00f5es, no ecumenismo das homenagens e na recusa das modas. Florestan conjuminava refer\u00eancias mistas a cientistas sociais desconhecidos dos militantes e a revolucion\u00e1rios: Mannheim, Durkheim e Weber estavam ao lado de Mao, Fidel e Lenin; Joaquim Nabuco, Raimundo Faoro e Caio Prado Junior ao lado de Ant\u00f4nio Bento, Greg\u00f3rio Bezerra e Lula. Seus artigos homenageavam o socialista italiano Sandro Pertini, o guerrilheiro Carlos Marighella, o trotskista Herm\u00ednio Sacchetta e o comunista Lu\u00eds Carlos Prestes. Ali\u00e1s, Prestes foi a S\u00e3o Paulo para participar do programa\u00a0<em>Roda Viva<\/em>, da TV Cultura, em 1986. Ele havia lido a obra de Florestan no ex\u00edlio. Prestes apareceu na TV com o broche de Florestan e acabou declarando apoio a ele.<\/p>\n<p>Fernandes tamb\u00e9m escreveu sobre a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a Alb\u00e2nia, jamais se declarando contra aquele \u201csocialismo dif\u00edcil\u201d ou \u201csocialismo de acumula\u00e7\u00e3o\u201d. Apoiou Deng Xiaoping no epis\u00f3dio do massacre da pra\u00e7a da Paz Celestial. Defendia acaloradamente Cuba. Escreveu v\u00e1rios textos sobre Lula. Muitas vezes seus artigos eram copiados e distribu\u00eddos no seu escrit\u00f3rio paulistano da Rua Santo Ant\u00f4nio, no Bixiga. Artigos que ainda n\u00e3o tinham sido publicados, j\u00e1 eram lidos antes pelos militantes. Recordo-me particularmente de um dos textos sobre o Primeiro Congresso do PT que circulou mimeografado e, depois, integrou o op\u00fasculo\u00a0<em>O PT em Movimento<\/em>.<\/p>\n<p>Florestan Fernandes n\u00e3o referenciou seus textos em Althusser nos anos 1970 e nem em Gramsci nos anos 1980. Carlos Nelson Coutinho procurou Gramsci em\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>. Bem, ele estava l\u00e1, com um livro isolado numa vasta bibliografia, mas o uso do conceito de hegemonia n\u00e3o era o gramsciano<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn40\" name=\"_ednref40\">[xl]<\/a><\/sup>. Ao citar em outra obra o bloco hist\u00f3rico hegem\u00f4nico, por exemplo, Florestan opinou que a moderniza\u00e7\u00e3o brasileira era gerenciada a partir de fora. \u00c9 o capital monopolista internacional que calibra e dirige o setor interno \u201cnacional\u201d que \u201csimula a hegemonia\u201d. Numa situa\u00e7\u00e3o assim, os capitalistas s\u00f3 se unem em torno do m\u00ednimo comum (a defesa da propriedade privada), a sociedade civil n\u00e3o se civiliza, o poder pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 compartilhado e a reforma \u00e9 substitu\u00edda pela concilia\u00e7\u00e3o no topo.<\/p>\n<p>A burguesia compradora (Florestan recorre a um conceito mao\u00edsta) s\u00f3 \u00e9 \u201cnacional\u201d na medida em que \u201cela \u00e9 a verdadeira na\u00e7\u00e3o\u201d, sem espa\u00e7o para os outros, particularmente a massa de pobres e despossu\u00eddos. Qualquer reforma radical \u00e9 disfuncional para o tipo de desenvolvimento de um capitalismo perif\u00e9rico<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn41\" name=\"_ednref41\">[xli]<\/a><\/sup>, portanto n\u00e3o se pode esperar nada da burguesia.<\/p>\n<p>A hegemonia simulada s\u00f3 deixa espa\u00e7o na sociedade civil para os \u201ciguais\u201d e n\u00e3o admite qualquer brecha para a classe trabalhadora. A luta de classes s\u00f3 poder\u00e1 assumir, desde o in\u00edcio, um car\u00e1ter de contra viol\u00eancia e, no ponto m\u00e1ximo, chegar \u00e0 luta armada<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn42\" name=\"_ednref42\">[xlii]<\/a><\/sup>\u00a0e ao esboroamento da tutela militar.<\/p>\n<p>Entretanto, Florestan utilizava o conceito de sociedade civil exatamente como Gramsci.\u00a0 Para ele se tratava, analiticamente, de um termo m\u00e9dio entre o Estado autocr\u00e1tico e o mundo da produ\u00e7\u00e3o. Ele se referia \u00e0 \u201cinfraestrutura da sociedade civil\u201d e via ali o l\u00f3cus da fermenta\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e da proposi\u00e7\u00e3o de uma nova hegemonia. Como Gramsci, ele n\u00e3o eludia o momento da correla\u00e7\u00e3o militar de for\u00e7as. Mas tudo isso carece de uma perquiri\u00e7\u00e3o mais aprofundada nos seus artigos posteriores \u00e0\u00a0<em>Revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Florestan defendeu para o PT o marxismo e o socialismo revolucion\u00e1rio. Em 1991, no Sal\u00e3o Nobre da Faculdade de Direito da Universidade de S\u00e3o Paulo, ele foi o principal orador do evento em defesa do marxismo. A imagem que se me fixou na mem\u00f3ria foi a dele lendo, de p\u00e9, um trecho do\u00a0<em>Manifesto Comunista<\/em>. Mas o araponga que assistiu ao debate anotou que Florestan Fernandes fez breve hist\u00f3rico do marxismo e pregou a unidade no PT<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn43\" name=\"_ednref43\">[xliii]<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Apelou at\u00e9 o fim aos \u201cverdadeiros anarquistas, socialistas e comunistas\u201d, desvencilhou-se das armadilhas de um \u201csocialismo democr\u00e1tico\u201d amb\u00edguo e oportunista e n\u00e3o deixou que o muro de Berlim ca\u00edsse em sua cabe\u00e7a. A crise do Leste Europeu era para ele \u201co \u00eaxito passageiro de contrarrevolu\u00e7\u00f5es bem arquitetadas\u201d<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn44\" name=\"_ednref44\">[xliv]<\/a>\u00a0<\/sup>e uma chance de repensar o socialismo \u201cvoltando \u00e0s ra\u00edzes<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn45\" name=\"_ednref45\">[xlv]<\/a><\/sup>, mas o foco do PT deveria continuar sendo os problemas brasileiros. A radicalidade que ele esperava do partido n\u00e3o proviria do melhor balan\u00e7o do socialismo real, mas das iniquidades intoler\u00e1veis do que ele denominou pioneiramente de capitalismo selvagem.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Historicamente, o debate sobre a revolu\u00e7\u00e3o brasileira a definiu das seguintes formas: um processo de reformas de longa dura\u00e7\u00e3o; um projeto de moderniza\u00e7\u00e3o; a passagem da col\u00f4nia \u00e0 na\u00e7\u00e3o; e a ruptura radical com o imperialismo<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_edn46\" name=\"_ednref46\">[xlvi]<\/a><\/sup>. O reformismo de Florestan nos anos 1960 talvez o tenha aproximado das tr\u00eas primeiras acep\u00e7\u00f5es. Mas no PT, ele soldou-se a uma concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o como ruptura (no singular) sob a forma inequ\u00edvoca do socialismo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao herdar tarefas burguesas irrealiz\u00e1veis, o PT teria que lev\u00e1-las adiante como exig\u00eancias socialistas, sob o risco de sucumbir ao canto de sereia da concilia\u00e7\u00e3o de classes. Concilia\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, pois como j\u00e1 vimos ela \u00e9 sempre um contrato entre iguais e n\u00e3o admite ningu\u00e9m de fora do c\u00edrculo do poder econ\u00f4mico, social, cultural e racial.<\/p>\n<p>Florestan, de fato, teve uma posi\u00e7\u00e3o socialista desde os estertores do Estado Novo, mas depois de sua milit\u00e2ncia trotskista, o adjetivo daquela op\u00e7\u00e3o era \u201creformista\u201d. Depois de 1964, o socialismo permaneceu, mas se fez \u201crevolucion\u00e1rio\u201d. A continuidade substantiva deriva dos circuitos de suas rela\u00e7\u00f5es pessoais, de aspectos geracionais e da fase em que se definiu conscientemente na esfera pol\u00edtica. Claro que isso se refletiu em alus\u00f5es a um Marx t\u00e9cnico ou que podia comparecer \u00e0s aulas como mais um m\u00e9todo alternativo para a pesquisa.<\/p>\n<p>J\u00e1 a descontinuidade resultou de altera\u00e7\u00f5es objetivas que n\u00e3o dependeram da vontade de Florestan: o golpe de 1964 e a cassa\u00e7\u00e3o que o afastou do l\u00f3cus institucional de sua produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica original.<\/p>\n<p>Ser revolucion\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 apenas op\u00e7\u00e3o do intelectual. Ele pode assim se declarar, mas se sua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 universit\u00e1ria (especialmente na USP da \u00e9poca de Florestan), seu revolucionarismo ser\u00e1 mera extravag\u00e2ncia individual e Florestan era avesso a esse tipo de demagogia. O intelectual revolucion\u00e1rio \u00e9 aquele que se liga ao partido ou ao movimento social revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 necess\u00e1rio ligar as op\u00e7\u00f5es individuais com a hist\u00f3ria vivida. O indiv\u00edduo emp\u00edrico Florestan Fernandes n\u00e3o desaparece por isso. Ele \u00e9 reconfigurado como um indiv\u00edduo concreto que fez suas escolhas. Mas estas s\u00f3 importam no quadro geral em que se torna compreens\u00edvel a forma como as tens\u00f5es objetivas da hist\u00f3ria do pa\u00eds foram filtradas subjetivamente por ele.<\/p>\n<p>A biografia materialista e dial\u00e9tica tem em vista as tens\u00f5es que permeiam os espa\u00e7os institucionais, os limites da \u00e9poca e as oportunidades hist\u00f3ricas que se abrem para as op\u00e7\u00f5es individuais. Florestan Fernandes podia ter optado pelo cientista que se encerra no circuito fechado. Mas preferiu o engajamento revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Vers\u00e3o revista e ampliada de artigo publicado em: RODRIGUES, Jaime e TOLEDO, Edilene (orgs).\u00a0<em>Florestan Fernandes: 100 anos de um pensador brasileiro<\/em>. Livro eletr\u00f4nico. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2020. Tamb\u00e9m publicado em\u00a0<em>Mouro: Revista Marxista<\/em>, n. 15, S\u00e3o Paulo, 2020 (separata)<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ALTHUSSER, Louis.\u00a0<em>Pour Marx<\/em>. Paris: Maspero, 1965.<\/p>\n<p>ANDERSON, P.\u00a0<em>Teoria, pol\u00edtica e hist\u00f3ria: um\u00a0 debate com E.P. Thompson<\/em>. Campinas: Unicamp, 2018.<\/p>\n<p>AZEVEDO, Maria C. M.\u00a0<em>Onda negra medo branco<\/em>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.<\/p>\n<p>CANDIDO, Antonio.\u00a0<em>Florestan Fernandes<\/em>, 1\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Editora Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2001.<\/p>\n<p>CARONE, Edgard.\u00a0<em>O marxismo no Brasil<\/em>. Belo Horizonte: Dois Pontos, 1986.<\/p>\n<p>CEP\u00caDA, Vera e MAZUCATO, Thiago (orgs). O intelectual Florestan Fernandes e seus di\u00e1logos intelectuais. S\u00e3o Carlos: Ufscar, 2015<\/p>\n<p>COGGIOLA, Osvaldo (org).\u00a0<em>Florestan Fernandes: em busca do socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Xam\u00e3, 1995.<\/p>\n<p>COUTINHO, Carlos Nelson. \u201cMarxismo e \u2018imagem do Brasil\u2019 em Florestan Fernandes (2000)\u201d. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/www.acessa.com\/gramsci\/?page=visualizar&amp;id=90\">https:\/\/www.acessa.com\/gramsci\/?page=visualizar&amp;id=90<\/a>&gt;.<\/p>\n<p>DAVID, Ant\u00f4nio (orgs.).\u00a0<em>O Brasil de Florestan<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ed. da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo; Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2018.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan. \u201cAs trocinhas do Bom Retiro\u201d.\u00a0<em>Revista do Arquivo Municipal<\/em>, n.113: 1947, p. 7-124.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A Constitui\u00e7\u00e3o inacabada<\/em>. S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, 1989.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A contesta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1995.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A fun\u00e7\u00e3o social da guerra na sociedade Tupinamb\u00e1.<\/em>\u00a02\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Pioneira, 1970.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A integra\u00e7\u00e3o do negro na sociedade de classes,\u00a0<\/em>2 v. 3\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1978.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>. 5\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Globo, 2005.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A transi\u00e7\u00e3o prolongada<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 1990.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Elementos de Sociologia Te\u00f3rica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Nova Rep\u00fablica?<\/em>\u00a03\u00aa ed., Rio de Janeiro: Zahar, 1986.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>O PT em movimento<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 1991.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.<em>\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o social dos Tupinamb\u00e1<\/em>. S\u00e3o Paulo: Instituto Progresso Editorial, s\/d.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Pensamento e a\u00e7\u00e3o: o PT e os rumos do socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1989.<\/p>\n<p>FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Tens\u00f5es na educa\u00e7\u00e3o<\/em>. Salvador: Sarah Letras, 1995.<\/p>\n<p>HASENBALG, C.\u00a0<em>Discrimina\u00e7\u00e3o e Desigualdades Raciais no Brasil<\/em>. Rio de Janeiro,<\/p>\n<p>Graal, 1979.<\/p>\n<p>LEIRNER, Piero. \u201cA antropologia que Florestan esqueceu\u201d,\u00a0<em>Novos estudos CEBRAP<\/em>, vol.36, n.1 S\u00e3o Paulo Jul\/Out. 2017.<\/p>\n<p>MARCHETTI, Fabiana. A Primeira Rep\u00fablica: a ideia de revolu\u00e7\u00e3o na obra de Edgard Carone (1964-1985). S\u00e3o Paulo: FFLCH-USP, disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, 2016.<\/p>\n<p>MARX, Karl.\u00a0<em>Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica<\/em>. Introdu\u00e7\u00e3o de Florestan Fernandes. S\u00e3o Paulo: Flama, 1946.<\/p>\n<p>PERIC\u00c1S, Luiz Bernardo (org.).\u00a0<em>Caminhos da revolu\u00e7\u00e3o brasileira<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2019.<\/p>\n<p>RODRIGUES, Jaime (org).\u00a0<em>Florestan Fernandes: 100 anos de um pensador brasileiro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2020.<\/p>\n<p>RODRIGUES, Lidiane Soares.\u00a0<em>Entre a academia e o partido: a obra de Florestan Fernandes (1969-1983)<\/em>. S\u00e3o Paulo: USP, 2006 (disserta\u00e7\u00e3o de mestrado).<\/p>\n<p>SECCO, L. e SANTIAGO, C. (orgs.).\u00a0<em>Um olhar que persiste<\/em>. Pref\u00e1cio de Florestan Fernandes. S\u00e3o Paulo: Anita Garibaldi, 1995.<\/p>\n<p>SECCO, Lincoln.\u00a0<em>Caio Prado Junior: o sentido da revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008.<\/p>\n<p>SECCO, Lincoln.\u00a0<em>Hist\u00f3ria do PT<\/em>. 5\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Ateli\u00ea, 2016.<\/p>\n<p>SEREZA, Haroldo C.\u00a0<em>Florestan<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo. 2005<\/p>\n<p>VERAS, Eliane.\u00a0<em>Florestan Fernandes: o militante solit\u00e1rio<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 1997.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a>\u00a0Como ficou conhecida a experi\u00eancia do grupo de professores trazidos da Fran\u00e7a para formar as primeiras turmas da rec\u00e9m-criada Universidade de S\u00e3o Paulo na d\u00e9cada de 1930.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a>\u00a0VERAS, Eliane.\u00a0<em>Florestan Fernandes: o militante solit\u00e1rio<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 1997.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a>\u00a0COGGIOLA, Osvaldo. \u201cFlorestan Fernandes \u2013 VI\u201d, Terra Redonda, 7\/8\/2020 in\u00a0<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/florestan-fernandes-vi\/\">https:\/\/aterraeredonda.com.br\/florestan-fernandes-vi\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a>\u00a0MARX, Karl.\u00a0<em>Contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica<\/em>. Introdu\u00e7\u00e3o de Florestan Fernandes. S\u00e3o Paulo: Flama, 1946. O livro se tornou raridade bibliogr\u00e1fica e \u00e9 prov\u00e1vel que seja uma tradu\u00e7\u00e3o do franc\u00eas. A introdu\u00e7\u00e3o de Florestan tinha uma linguagem acad\u00eamica e reapareceu em COGGIOLA, O. (org).\u00a0<em>Florestan Fernandes: em busca do socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Xam\u00e3, 1995.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a>\u00a0CANDIDO, Antonio. \u201cEstudante e estudioso\u201d; In: SECCO e SANTIAGO, op. cit., p. 287.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan. \u201cAs trocinhas do Bom Retiro\u201d.\u00a0<em>Revista do Arquivo Municipal<\/em>, n.113: 1947, p. 7-124.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.<em>\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o social dos Tupinamb\u00e1<\/em>. S\u00e3o Paulo: Instituto Progresso Editorial, s\/d, acompanhado de vinte gr\u00e1ficos.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A fun\u00e7\u00e3o social da guerra na sociedade Tupinamb\u00e1.<\/em>\u00a02\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Pioneira, 1970.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a>\u00a0DAVID, Ant\u00f4nio (org.).\u00a0<em>O Brasil de Florestan<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ed. da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo; Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2018.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A integra\u00e7\u00e3o do negro na sociedade de classes,\u00a0<\/em>2 v. 3\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1978.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a>\u00a0Embora a primeira pesquisa sobre rela\u00e7\u00f5es raciais em S\u00e3o Paulo realizada com Roger Bastide n\u00e3o tivesse sido escolha dele e, sim, uma encomenda da Unesco, cf. CANDIDO, Antonio.\u00a0<em>Florestan Fernandes<\/em>, 1\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Editora Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2001, p. 45.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Campanha lan\u00e7ada a partir da mobiliza\u00e7\u00e3o de professores da USP, dentre eles Florestan Fernandes, mas que se expandiu para al\u00e9m da universidade, contra o projeto de lei desfavor\u00e1vel ao ensino p\u00fablico defendido pelos deputados da UDN, Carlos Lacerda e padre Jos\u00e9 Trindade da Fonseca e Silva. Cabe lembrar que a quest\u00e3o educacional n\u00e3o \u00e9 nada secund\u00e1ria na forma\u00e7\u00e3o de Florestan. Para ele, a revolu\u00e7\u00e3o na escola \u00e9 que levaria \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o nas ruas. Fernandes, F.\u00a0<em>A contesta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1995, p. 200.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a>\u00a0Convidado pela Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo para escrever um artigo em pouco tempo, na quarentena e sem possibilidade de perscrutar arquivos, vou me limitar a reconstituir brevemente aquela trajet\u00f3ria com base nas leituras que fiz no passado de algumas de suas obras e na mem\u00f3ria militante colhida direta ou indiretamente e com todos os riscos que os historiadores conhecem bem.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a>\u00a0Louis Althusser indicava em\u00a0<em>A ideologia alem\u00e3<\/em>\u00a0uma \u201cruptura consciente\u201d de Marx com seu passado te\u00f3rico no qual ele era comunista, mas n\u00e3o \u201cmarxista\u201d. ALTHUSSER, Louis.\u00a0<em>Pour Marx<\/em>. Paris: Maspero, 1965, p. 39.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a>\u00a0Na terceira parte Florestan desenvolve o conceito de autocracia burguesa, o qual n\u00e3o diz respeito a um regime pol\u00edtico e, sim, a um tra\u00e7o estrutural da domina\u00e7\u00e3o burguesa. Isso o diferenciava dos que preferiam, na mesma \u00e9poca, o uso do conceito de autoritarismo, como seu aluno Fernando Henrique Cardoso. O professor Bernardo Ricupero chamou a aten\u00e7\u00e3o para este fato num debate comigo e com Luiz Dulci em 2020.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a>\u00a0MARTINS, Jos\u00e9 de Souza. \u201cPref\u00e1cio\u201d. In: FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>. 5\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Globo, 2005, p. 23.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para uma an\u00e1lise quantitativa dos principais autores citados por Florestan Fernandes nas obras\u00a0<em>Ensaios de Sociologia Geral e Aplicada<\/em>\u00a0(1960),\u00a0<em>Elementos de Sociologia Te\u00f3rica<\/em>\u00a0(1970) e\u00a0<em>A Natureza Sociol\u00f3gica da Sociologia<\/em>\u00a0(1980) vide: MAZUCATO, Thiago. \u201cUma abordagem preliminar sobre a constitui\u00e7\u00e3o das Ci\u00eancias Sociais no Brasil: Florestan Fernandes e seus di\u00e1logos intelectuais\u201d, in: CEP\u00caDA, Vera e MAZUCATO, Thiago (orgs).\u00a0<em>O intelectual Florestan Fernandes e seus di\u00e1logos intelectuais<\/em>. S\u00e3o Carlos: Ufscar, 2015. Cabe a ressalva de que as obras n\u00e3o s\u00e3o reuni\u00f5es de artigos de diversas \u00e9pocas. Por exemplo: no livro de 1970 h\u00e1 textos escritos desde 1946.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Elementos de Sociologia Te\u00f3rica<\/em>. 2 ed. S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional, 1974, p. 196.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref19\" name=\"_edn19\">[xix]<\/a>\u00a0ABBAGNANO, N. Diccionario de filosof\u00eda. Mexico: FCE, 1998, p.576. Para uma discuss\u00e3o do \u201cenigma\u201d acerca de como a pluralidade de atos individuais constitui um sistema social (em Parsons e Sartre) veja-se: ANDERSON, P.\u00a0<em>Teoria, pol\u00edtica e hist\u00f3ria: um\u00a0 debate com E.P. Thompson<\/em>. Campinas: Unicamp, 2018, pp.62-64.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref20\" name=\"_edn20\">[xx]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan. \u201cAs trocinhas do Bom Retiro\u201d.\u00a0<em>Revista do Arquivo Municipal<\/em>, n.113: 1947, p. 7-124.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref21\" name=\"_edn21\">[xxi]<\/a>\u00a0LEIRNER, Piero. \u201cA antropologia que Florestan esqueceu\u201d,\u00a0<em>Novos estudos CEBRAP<\/em>, vol.36, n.1 S\u00e3o Paulo Jul\/Out. 2017. Na obra, a guerra \u00e9 um fator de integra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de anomia.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref22\" name=\"_edn22\">[xxii]<\/a>\u00a0Cf. MARTINS, op. cit., p. 21.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref23\" name=\"_edn23\">[xxiii]<\/a>\u00a0SEREZA, Haroldo C.\u00a0<em>Florestan<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo. 2005, p. 155.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref24\" name=\"_edn24\">[xxiv]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa<\/em>, p. 344.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref25\" name=\"_edn25\">[xxv]<\/a>\u00a0No caso de Jacob Gorender nota-se uma dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Ele transita do comunista ao marxista, do dirigente pol\u00edtico ao historiador que troca os artigos e resolu\u00e7\u00f5es pela \u201ctese\u201d. Evidentemente\u00a0<em>O escravismo colonial<\/em>\u00a0n\u00e3o \u00e9 uma tese, mas \u00e9 inteiramente referenciado em notas de rodap\u00e9, debate historiogr\u00e1fico e documenta\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Como os acad\u00eamicos em geral, o autor tamb\u00e9m ataca acerbamente a tradi\u00e7\u00e3o do PCB (Nelson Werneck Sodr\u00e9) e suas cr\u00edticas a Caio Prado Junior seguiam a forma respeitosa com a qual ele era citado na USP. Ali\u00e1s, Gorender participou nos anos 1980 tanto de debates partid\u00e1rios quanto acad\u00eamicos, aceitando um reconhecimento que a universidade lhe dava, embora em doses homeop\u00e1ticas. J\u00e1 Florestan revisitou a universidade apenas como \u201cpol\u00edtico\u201d e mesmo sua doc\u00eancia na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da PUCSP \u201cn\u00e3o significou um retorno \u00e0 atividade acad\u00eamica\u201d, que n\u00e3o pode se resumir a aulas, obviamente. Ver VERAS, op. cit., p. 81.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref26\" name=\"_edn26\">[xxvi]<\/a>\u00a0RODRIGUES, Lidiane S.\u00a0<em>Entre a academia e o partido: a obra de Florestan Fernandes (1969-1983).<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: USP, 2006 (disserta\u00e7\u00e3o de mestrado), p. 66.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref27\" name=\"_edn27\">[xxvii]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cole\u00e7\u00e3o s\u00f3 atingiu a fase republicana j\u00e1 sob dire\u00e7\u00e3o de Boris Fausto no ano em que\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/em>\u00a0foi publicada em 1975. At\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 havia poucos livros de s\u00edntese sobre a \u00e9poca republicana feitos por n\u00e3o especialistas como Sert\u00f3rio de Castro, Jos\u00e9 Maria Belo, Leoncio Basbaum e Cruz Costa. No entanto, particularmente para a terceira parte de sua obra Florestan j\u00e1 dispunha de fontes nos livros de Edgard Carone, que foi o pioneiro da historiografia republicana universit\u00e1ria. Vide MARCHETTI, Fabiana.\u00a0<em>A Primeira Rep\u00fablica: a ideia de revolu\u00e7\u00e3o na obra de Edgard Carone (1964-1985)<\/em>. S\u00e3o Paulo: FFLCH-USP, disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, 2016. Carone est\u00e1 na bibliografia de Florestan e suas obras foram editadas sob a dire\u00e7\u00e3o de um aluno dele: Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref28\" name=\"_edn28\">[xxviii]<\/a>\u00a0Vide CARONE, Edgard.\u00a0<em>O marxismo no Brasil<\/em>. Belo Horizonte: Dois Pontos, 1986; SECCO, Lincoln.\u00a0<em>Caio Prado Junior: o sentido da revolu\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref29\" name=\"_edn29\">[xxix]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A transi\u00e7\u00e3o prolongada<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 1990, p. 165.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref30\" name=\"_edn30\">[xxx]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>A Constitui\u00e7\u00e3o inacabada<\/em>. S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, 1989, p. 24-26.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref31\" name=\"_edn31\">[xxxi]<\/a>\u00a0Idem, Ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref32\" name=\"_edn32\">[xxxii]<\/a>\u00a0Idem, Ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref33\" name=\"_edn33\">[xxxiii]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 AZEVEDO,\u00a0 Maria C. M. Onda negra medo branco. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987,\u00a0 p. 178.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref34\" name=\"_edn34\">[xxxiv]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 HASENBALG, C. Discrimina\u00e7\u00e3o e Desigualdades Raciais no Brasil. Rio de Janeiro,<\/p>\n<p>Graal, 1979.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref35\" name=\"_edn35\">[xxxv]<\/a>\u00a0Florestan ajudou a campanha de Scavone a vereador e escreveu para ela um documento sobre a cidade de S\u00e3o Paulo em 1992.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref36\" name=\"_edn36\">[xxxvi]<\/a>\u00a0Seu assessor Paulo Henrique Martinez invariavelmente o conduzia a esses locais de autom\u00f3vel.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref37\" name=\"_edn37\">[xxxvii]<\/a>\u00a0SECCO, Lincoln.\u00a0<em>Hist\u00f3ria do PT<\/em>. Pref\u00e1cio de Emilia Viotti da Costa. 5\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Ateli\u00ea, 2016.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref38\" name=\"_edn38\">[xxxviii]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0 FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Pensamento e a\u00e7\u00e3o: o PT e os rumos do socialismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1989, p.168.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref39\" name=\"_edn39\">[xxxix]<\/a>\u00a0Id. ibid, p.169.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref40\" name=\"_edn40\">[xl]<\/a>\u00a0COUTINHO, Carlos Nelson. \u201cMarxismo e \u2018imagem do Brasil\u2019 em Florestan Fernandes (2000)\u201d. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/www.acessa.com\/gramsci\/?page=visualizar&amp;id=90\">https:\/\/www.acessa.com\/gramsci\/?page=visualizar&amp;id=90<\/a>&gt;.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref41\" name=\"_edn41\">[xli]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Nova Rep\u00fablica?<\/em>\u00a03\u00aa ed., Rio de Janeiro: Zahar, 1986, p. 67.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref42\" name=\"_edn42\">[xlii]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Pensamento e a\u00e7\u00e3o<\/em>, op. cit., p. 166.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref43\" name=\"_edn43\">[xliii]<\/a>\u00a0Arquivo Nacional, Fundo da Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u2013 Documento 24650, 22 de fevereiro de 1991.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref44\" name=\"_edn44\">[xliv]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>O PT em movimento<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 1991, p. 12.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref45\" name=\"_edn45\">[xlv]<\/a>\u00a0FERNANDES, Florestan.\u00a0<em>Tens\u00f5es na educa\u00e7\u00e3o<\/em>. Salvador: SarahLetras, 1995, p. 46.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=140&amp;url=https%3A%2F%2Faterraeredonda.com.br%2Fflorestan-fernandes-ciencia-e-politica%2F%3Fdoing_wp_cron%3D1641579847.5768671035766601562500#_ednref46\" name=\"_edn46\">[xlvi]<\/a>\u00a0PERIC\u00c1S, Luiz Bernardo. \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o\u201d. In: PERIC\u00c1S (org).\u00a0<em>Caminhos da revolu\u00e7\u00e3o brasileira<\/em>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2019, p. 9. O autor definiu esses quatro caminhos a partir de exaustiva pesquisa emp\u00edrica de textos produzidos pela esquerda brasileira at\u00e9 1964.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Florestan Fernandes: ci\u00eancia e pol\u00edtica &#8211; A TERRA \u00c9 REDONDA &#8211; https:\/\/aterraeredonda.com.br\/florestan-fernandes-ciencia-e-politica\/?doing_wp_cron=1641579847.5768671035766601562500<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LINCOLN SECCO &#8211;\u00a0O hiato do soci\u00f3logo socialista entre a academia e o partido \u201cO capitalismo n\u00e3o \u00e9 eterno. 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