{"id":16321,"date":"2022-01-12T12:19:58","date_gmt":"2022-01-12T15:19:58","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16321"},"modified":"2022-01-07T15:31:09","modified_gmt":"2022-01-07T18:31:09","slug":"o-brasil-virou-um-pais-que-nao-aumenta-a-riqueza-mas-aumenta-o-numero-de-ricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2022\/01\/12\/o-brasil-virou-um-pais-que-nao-aumenta-a-riqueza-mas-aumenta-o-numero-de-ricos\/","title":{"rendered":"O Brasil virou um pa\u00eds que n\u00e3o aumenta a riqueza, mas aumenta o n\u00famero de ricos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Igor Natusch<\/strong> &#8211;\u00a0Entrevista especial com Marcio Pochmann<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Brasil tem conseguido, ao mesmo tempo, encolher e andar para tr\u00e1s. Apesar das frequentes (e nunca concretizadas) promessas do ministro Paulo Guedes e de sua equipe, o pa\u00eds vive uma situa\u00e7\u00e3o de decrescimento econ\u00f4mico, que n\u00e3o d\u00e1 sinais de que v\u00e1 arrefecer. Defendida de forma incans\u00e1vel por setores ligados ao grande capital, a ado\u00e7\u00e3o de reformas que precarizam direitos e a privatiza\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas simplesmente n\u00e3o traz os efeitos prometidos \u2013 e a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre propor mais reformas, mais privatiza\u00e7\u00f5es, em um processo de desmonte que parece n\u00e3o ter limites. O efeito sobre a classe trabalhadora, infelizmente, \u00e9 tr\u00e1gico: mesmo os que t\u00eam carteira assinada precisam correr atr\u00e1s da m\u00e1quina, buscando do jeito que d\u00e1 os recursos que o permitam escapar da fome e do endividamento sem fim. Tudo isso, \u00e9 claro, permeado por um esfacelamento das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, em um cen\u00e1rio ruim e que n\u00e3o aponta para um 2022 muito melhor.<\/p>\n<p>Diante de uma situa\u00e7\u00e3o quase inimagin\u00e1vel de decad\u00eancia, \u00e9 preciso buscar, nas mentes que pensam e compreendem o momento presente, as pistas para a constru\u00e7\u00e3o de um novo poss\u00edvel. Economista e professor da Unicamp,\u00a0<strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0falou ao\u00a0<strong>Democracia e Mundo do Trabalho em Debate \u2013 DMT<\/strong>\u00a0sobre os muitos aspectos negativos que cercam, neste momento, o cen\u00e1rio econ\u00f4mico brasileiro e sua inser\u00e7\u00e3o nas din\u00e2micas globais \u2013 mas tamb\u00e9m apontou os rompimentos necess\u00e1rios e os caminhos que se apresentam para escapar do que descreve como \u201cdesist\u00eancia hist\u00f3rica\u201d das elites brasileiras com rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 Ap\u00f3s o golpe contra Dilma Rousseff em 2016 e a ascens\u00e3o de Michel Temer ao poder, ganhou for\u00e7a a implementa\u00e7\u00e3o de um programa severo de venda de empresas p\u00fablicas e de \u201creformas\u201d que precarizam setores e direitos. Algo que estava desenhado na Ponte Para o Futuro do MDB, ali\u00e1s, e que foi feito em alian\u00e7a declarada com setores que, at\u00e9 ent\u00e3o, eram de oposi\u00e7\u00e3o, como o PSDB. Como voc\u00ea descreveria as consequ\u00eancias dessa guinada? Onde esse projeto colocou o Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 N\u00f3s estamos em um movimento de decad\u00eancia acelerada no Brasil. H\u00e1 dez anos, o Brasil se encontrava entre as seis principais economias do mundo; hoje, nos encontramos quase na d\u00e9cima-terceira posi\u00e7\u00e3o. Come\u00e7amos a d\u00e9cada passada relativamente bem, conseguindo combinar crescimento econ\u00f4mico e amplitude democr\u00e1tica, mas, na metade de d\u00e9cada, sofremos um processo de inflex\u00e3o, porque, basicamente, ao inv\u00e9s do crescimento, n\u00f3s passamos a ter um decrescimento econ\u00f4mico. Em 2019, a economia estava tr\u00eas pontos percentuais abaixo do registrado em 2014; a pandemia agravou isso, nos levou a sete pontos percentuais abaixo de 2014 e possivelmente este ano (2022) a esperada retomada econ\u00f4mica n\u00e3o acontecer\u00e1. \u00c9 um per\u00edodo de sete anos sem crescimento econ\u00f4mico, algo inimagin\u00e1vel na hist\u00f3ria republicana do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de inclus\u00e3o social, n\u00f3s estamos vendo um processo de exclus\u00e3o, o retorno da fome, da pobreza. As nossas grandes cidades, especialmente nos seus centros, est\u00e3o vivendo o aumento dos moradores de rua. E, n\u00e3o bastasse isso, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de asfixia na democracia brasileira. Essa situa\u00e7\u00e3o, de certa maneira, decorre da perda da capacidade brasileira de voltar a crescer, e resulta em uma esp\u00e9cie de descolamento do consumo dos ricos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de produzir internamente. Estamos dependendo cada vez mais da importa\u00e7\u00e3o para atender o consumo dos ricos, e se financia isso atrav\u00e9s da exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios \u2013 algo que j\u00e1 hav\u00edamos vivenciado no Brasil, praticamente at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 Ter\u00edamos ent\u00e3o, nesse sentido espec\u00edfico, um retrocesso de uns bons 80 ou 90 anos\u2026<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 Pois \u00e9, e essa situa\u00e7\u00e3o decorre da aus\u00eancia de crescimento econ\u00f4mico e, especialmente, de um processo de desorganiza\u00e7\u00e3o do sistema produtivo. N\u00e3o \u00e9 apenas desindustrializa\u00e7\u00e3o, mas o pr\u00f3prio sistema produtivo se perde em fun\u00e7\u00e3o do fato de termos desorganizado a economia nacional.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 E esse processo vem sendo promovido em nome de qu\u00ea? Pergunto porque os \u00edndices de desemprego n\u00e3o caem, as promessas de melhora nas condi\u00e7\u00f5es de vida n\u00e3o se concretizam, o \u201ccrescimento em V\u201d prometido pelo ministro Paulo Guedes nunca vem\u2026 Quem se beneficia desse cen\u00e1rio de decad\u00eancia?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 A impress\u00e3o que eu tenho \u00e9 de que h\u00e1 uma desist\u00eancia hist\u00f3rica, em especial por parte das elites nacionais. Essa desist\u00eancia parte de uma esp\u00e9cie de realismo perif\u00e9rico, ou seja, o entendimento de que o Brasil n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de seguir em frente com seu protagonismo, algo que se tentava estabelecer desde o come\u00e7o deste s\u00e9culo, com os governos do PT. O Brasil teria, ent\u00e3o, que abandonar esse protagonismo e aceitar uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, dependendo fundamentalmente de outros pa\u00edses, em especial dos Estados Unidos. Quando falo em desist\u00eancia hist\u00f3rica, me refiro a essa perda de capacidade de se posicionar como protagonista, em especial neste momento em que temos um deslocamento do centro din\u00e2mico do mundo do ocidente para o oriente, com a China, a consolida\u00e7\u00e3o da rota da seda etc. \u00c9 um novo cen\u00e1rio, no qual o Brasil vinha inclusive se posicionando, a partir da sua presen\u00e7a nos Brics, por exemplo. E isso tudo foi abandonado.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 Existe uma parcela (n\u00e3o muito ampla, \u00e9 verdade) da opini\u00e3o p\u00fablica que defende que Michel Temer armou o caminho para uma retomada segura do crescimento no Brasil, e que Bolsonaro teria \u201cestragado tudo\u201d com sua incompet\u00eancia, por assim dizer. O senhor acredita que essa leitura dialoga com a realidade? Houve, de fato, um rompimento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 Olha, eu n\u00e3o vejo diferen\u00e7a entre o governo Temer e o governo Bolsonaro. H\u00e1, talvez, uma radicaliza\u00e7\u00e3o do governo Temer (com a chegada de Bolsonaro). As bases daquilo que nos foi apresentado com o nome pomposo de Ponte para o Futuro vinham a partir de um diagn\u00f3stico de que os problemas do Brasil resultavam de termos um Estado pesado, incompetente, corrupto, ineficiente. Ent\u00e3o, a partir dessa leitura de que o Estado era o problema, as medidas foram tomadas no sentido de contrair esse Estado. Foram retomadas as privatiza\u00e7\u00f5es, as reformas avan\u00e7aram, e ao mesmo tempo (foram tomadas medidas como) a Lei do Teto, essa impossibilidade por 20 anos de gastos operacionais do Estado aumentarem \u2013 a \u00fanica autoriza\u00e7\u00e3o, claro, \u00e9 o gasto financeiro, esse n\u00e3o tem nenhum limite. Esse diagn\u00f3stico n\u00e3o foi alterado, e me parece que Bolsonaro inclusive aprofunda essa perspectiva de que o Estado \u00e9 o problema: continuaram fazendo reformas, Bolsonaro fez a reforma previdenci\u00e1ria e h\u00e1 v\u00e1rias outras que o governo vem tentando fazer.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que me parece interessante \u00e9 que, do diagn\u00f3stico, foram geradas promessas. Foi defendido que, se diminuir o Estado, o setor privado volta a crescer espontaneamente, ocupando o espa\u00e7o daquele Estado corrupto e ineficiente. Que a retirada de direitos \u2013 a redu\u00e7\u00e3o do custo do trabalho por exemplo \u2013 faria com que as empresas voltassem a crescer, porque as empresas estariam \u00e1vidas para contratar trabalhadores, mas n\u00e3o contratava porque os trabalhadores custavam muito. Se a gente toma 2014 como refer\u00eancia, o custo-trabalho hor\u00e1rio na ind\u00fastria brasileira equivalia a 36% do que era nos EUA, e esse valor equivalia a praticamente duas vezes o que era o custo-trabalho hor\u00e1rio na China. O \u00faltimo dado que est\u00e1 dispon\u00edvel, de 2019, mostra que esse custo no Brasil passou a ser de 24% do registrado nos EUA e, ao mesmo tempo, temos hoje um custo-trabalho hor\u00e1rio igual ao da China. Ou seja, houve uma redu\u00e7\u00e3o percept\u00edvel \u2013 e, como sabemos, a promessa de gera\u00e7\u00e3o de empregos n\u00e3o se concretizou.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o diagn\u00f3stico est\u00e1 equivocado, e os resultados s\u00e3o profundamente frustrantes. Se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos um Congresso Nacional atento \u00e0 realidade brasileira, caberia fazer uma an\u00e1lise sobre a pol\u00edtica adotada, porque quem autorizou essa pol\u00edtica foi, em \u00faltima an\u00e1lise, o pr\u00f3prio Congresso. Foi ele quem validou a reforma previdenci\u00e1ria, a Lei de Tetos e assim por diante. Se fizesse uma avalia\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o faz porque n\u00e3o quer \u2013 essa an\u00e1lise demonstraria que houve um erro. E, constatado o erro, \u00e9 \u00f3bvio que seria necess\u00e1rio reformular, refazer, voltar ao come\u00e7o. A gente lida com um governo e um Congresso que n\u00e3o fazem avalia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, que tomam decis\u00f5es e depois esquecem o que fizeram.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 A atual equipe econ\u00f4mica deu sinais numerosos de que n\u00e3o leva as camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o em considera\u00e7\u00e3o na hora de formular suas pol\u00edticas. Deu inclusive declara\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter claramente preconceituoso, do tipo \u201cempregada dom\u00e9stica indo para Disney\u201d. O quanto h\u00e1 de ideol\u00f3gico nesse processo de fragmenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, na sua vis\u00e3o? Talvez o Brasil esteja, por assim dizer, ref\u00e9m de uma vis\u00e3o ideol\u00f3gica de mercado que se recusa a admitir a pr\u00f3pria inefic\u00e1cia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 Veja, n\u00f3s j\u00e1 estamos h\u00e1 seis anos, desde 2016, com uma equipe econ\u00f4mica dos sonhos do mercado financeiro. E, nesse per\u00edodo, o que temos visto? Houve um endividamento profundo das fam\u00edlias, que chega aos 75%: a cada quatro fam\u00edlias, apenas uma n\u00e3o est\u00e1 endividada. E em 2014, esse n\u00famero era de 44%, ou seja, nem metade das fam\u00edlias estavam endividadas. O lucro dos bancos cresceu, em um cen\u00e1rio em que h\u00e1, como falamos, um decrescimento econ\u00f4mico. N\u00f3s nos transformamos em um pa\u00eds que aprofunda o subdesenvolvimento, na medida em que a riqueza n\u00e3o aumenta, mas aumenta o n\u00famero de ricos, de milion\u00e1rios. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque, se voc\u00ea tem fam\u00edlias que est\u00e3o sofrendo uma captura de sua renda por meio do endividamento, isso serve a determinado segmento financeiro e banc\u00e1rio que, digamos assim, conduz o pa\u00eds. Mas n\u00e3o \u00e9 somente isso, h\u00e1 setores como o agroneg\u00f3cio que t\u00eam ido muito bem. N\u00f3s nos transformamos no segundo maior exportador de alimentos do mundo, mas, simultaneamente, tem crescido o n\u00famero de fam\u00edlias brasileiras com fome, que n\u00e3o t\u00eam o que comer.<\/p>\n<p>Fizeram reformas no Brasil, mas n\u00e3o mexeram naquela que me parece ser a quest\u00e3o central, que \u00e9 a quest\u00e3o tribut\u00e1ria. Num Brasil em que n\u00e3o aumenta a riqueza, mas aumenta o n\u00famero de milion\u00e1rios, quanto mais dinheiro voc\u00ea ganha, menos imposto voc\u00ea paga. \u00c9 um sistema tribut\u00e1rio praticamente todo assentado nos segmentos de menor renda, que s\u00e3o os que, proporcionalmente \u00e0 pr\u00f3pria renda, pagam mais impostos. \u00c9 esse tipo de paradoxo que est\u00e1 se criando no Brasil, a partir da insist\u00eancia em um diagn\u00f3stico equivocado para os problemas do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 H\u00e1 um elemento discursivo nisso, n\u00e3o? E que se mant\u00e9m, mesmo que a conta nunca feche: se privatizar, a economia cresce, se precarizar direitos trabalhistas, vamos ter mais emprego\u2026 Nunca acontece, e a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre insistir um pouco mais, aprofundar um pouco mais as reformas, como se estiv\u00e9ssemos sendo punidos por n\u00e3o precarizar o suficiente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 Esse discurso n\u00e3o \u00e9 novo. Se voltarmos aos anos 1990, ele segue o mesmo de l\u00e1 para c\u00e1, sem tirar nem p\u00f4r. A diferen\u00e7a \u00e9 que, nos anos 1990, havia, dentro desse discurso ideol\u00f3gico, uma perspectiva de que, tirando o Estado da atividade industrial, sobrariam mais recursos para o Estado investir no social. Seria, ent\u00e3o, uma esp\u00e9cie de recomposi\u00e7\u00e3o do Estado, na medida em que se entendia, ou ao menos se explicitava, que o setor privado poderia exercer as atividades do setor p\u00fablico em melhores condi\u00e7\u00f5es, com melhores resultados e assim por diante. Essa batalha foi perdida. Ent\u00e3o, o que se nota nos mais recentes governos brasileiros \u00e9 que foi abandonado o discurso de que o setor privado \u00e9 melhor do que o setor p\u00fablico; agora, o que se diz \u00e9 que o Estado gasta demais, que \u00e9 preciso reduzir esse gasto, e que para isso \u00e9 preciso privatizar e reduzir a presen\u00e7a do Estado. Mas quem est\u00e1 comprando as empresas estatais privatizadas n\u00e3o s\u00e3o mais empresas privadas: s\u00e3o empresas estatais de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em 2005, das 500 maiores empresas do mundo, 5% eram estatais; em 2020, s\u00e3o 45%. Houve uma mudan\u00e7a, sobretudo a partir da crise de 2008 e 2009. Ao mesmo tempo, pa\u00edses est\u00e3o usando seus fundos soberanos para comprar empresas privadas e tamb\u00e9m entrar nesse sistema de privatiza\u00e7\u00e3o. Por exemplo, essa \u00faltima privatiza\u00e7\u00e3o da refinaria Landulpho Alves, na Bahia: quem comprou foi um fundo soberano dos Emirados \u00c1rabes. Ora, um fundo soberano, nesse caso, nada mais \u00e9 do que uma empresa estatal. Ent\u00e3o, n\u00e3o temos mais o discurso ideol\u00f3gico de que o setor privado vai fazer melhor, at\u00e9 porque h\u00e1 um questionamento \u2013 e o Brasil, infelizmente, parece ser um ponto fora da curva \u2013 que leva v\u00e1rios pa\u00edses a um processo de reestatiza\u00e7\u00e3o. Porque as empresas privadas n\u00e3o conseguiram cumprir aquilo que prometiam, que era a redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e tarifas, oferecer um servi\u00e7o de maior qualidade e fazer os investimentos necess\u00e1rios. Isso, de maneira geral, n\u00e3o ocorreu. Sei que h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 isso, de modo geral, que tem justificado que servi\u00e7os de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, de luz, de g\u00e1s voltem a ser estatizados em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 Enquanto ouvia o senhor falar, fiquei pensando: o quanto desse andar na contram\u00e3o do Brasil, no que se refere \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es, reflete em precariza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e no aumento das desigualdades?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 Aqui no Brasil h\u00e1 uma coisa interessante: se voc\u00ea olhar para esses novos ricos, esses que s\u00e3o citados nas revistas especializadas, vai ver que se tratam, em sua maioria, de empres\u00e1rios que compraram empresas privatizadas, em uma esp\u00e9cie de mercantiliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos no Brasil. Voc\u00ea pega setores como a educa\u00e7\u00e3o e a cobran\u00e7a de ped\u00e1gios e vai observando que os novos ricos s\u00e3o vinculados a esses setores, que eram monop\u00f3lios estatais e foram deslocados para o setor privado. E os investimentos (previstos nos contratos de concess\u00e3o) n\u00e3o ocorreram, as tarifas \u2013 de \u00e1gua, ped\u00e1gios e telefonia, por exemplo \u2013 est\u00e3o entre as mais altas do mundo, no caso brasileiro.<\/p>\n<p>Enfim, estamos diante de um pa\u00eds que n\u00e3o aumenta riqueza, mas que aumenta o n\u00famero de ricos. E, do ponto de vista ocupacional, o que a gente vai vendo \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de uma massa de popula\u00e7\u00e3o sobrante a servir aos pr\u00f3prios ricos. Desde trabalhadores generalistas \u2013 passeador de cachorro, piscineiro, dom\u00e9sticas, mordomos, motoristas, baby sitter etc \u2013 at\u00e9 profissionais do mais alto n\u00edvel: h\u00e1 m\u00e9dicos especializados em tratamentos que somente ricos podem pagar, odont\u00f3logos, hospitais de luxo. Houve uma esp\u00e9cie de elitiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os brasileiros: voc\u00ea tem servi\u00e7os banc\u00e1rios especializados para quem tem renda mais alta, voc\u00ea tem o conceito de cliente vip nas empresas a\u00e9reas, voc\u00ea tem servi\u00e7os de t\u00e1xi e de transporte individual com mais conforto e tarifa mais alta. \u00c9 uma aparta\u00e7\u00e3o da sociedade que foi se tornando cada vez mais consolidada, porque \u00e9 claro que, nesse processo, voc\u00ea vai limando os pobres: restaurante de luxo, hospital de luxo, escolas de luxo, tudo isso vai demarcando o tipo de sociedade que n\u00f3s temos, e que \u00e9 consequ\u00eancia dessas escolhas todas que foram feitas.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 O Brasil foi um dos principais proponentes, em escala global, da ideia de que era preciso seguir trabalhando durante a pandemia. Foi adotado, pelo governo federal, um discurso de que era preciso cuidar da sa\u00fade e da economia ao mesmo tempo \u2013 uma forma, na verdade, de dizer que a economia deveria seguir funcionando, em detrimento da sa\u00fade da classe trabalhadora. Qual foi o efeito dessa postura, e o quanto ela deixou ainda mais dram\u00e1tica uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 era bastante desfavor\u00e1vel ao Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 Certamente, o balan\u00e7o ainda dever\u00e1 ser feito em melhores condi\u00e7\u00f5es, mas os balan\u00e7os preliminares demonstram que o Brasil, com popula\u00e7\u00e3o inferior a 3% do total mundial, chegou a ter 12% das mortes do mundo. S\u00f3 esse dado j\u00e1 identifica que atuamos muito mal nesse sentido. N\u00e3o soubemos nem mesmo aproveitar o que a tecnologia nos oferece, como fizeram, por exemplo, os pa\u00edses orientais: pelo celular, voc\u00ea pode monitorar quem est\u00e1 com o v\u00edrus, fazer um isolamento focado, ao inv\u00e9s de em larga escala. Ou seja, n\u00f3s entramos muito mal na pandemia, e esse argumento de que a economia n\u00e3o podia parar fez, na verdade, com que tiv\u00e9ssemos um resultado bastante desfavor\u00e1vel em termos econ\u00f4micos. O Brasil perdeu 4,1% do PIB, destruiu muito emprego etc. O que estamos vendo agora, que j\u00e1 temos um avan\u00e7o na quantidade de pessoas vacinadas, \u00e9 que a economia (brasileira) n\u00e3o reage. Isso indica claramente que vamos ser considerados um caso global de fracasso do ponto de vista de enfrentamento desta pandemia. E vale dizer que, segundo os estudiosos, (a pandemia de covid-19) n\u00e3o se trata de um ponto isolado no tempo, como a gripe espanhola, que aconteceu em 1918 e n\u00e3o se repetiu \u2013 mas que (o novo coronav\u00edrus) seria uma pandemia de outras tantas que vir\u00e3o pela frente, dado a devasta\u00e7\u00e3o ambiental, o novo regime clim\u00e1tico, o antropoceno e assim por diante. Infelizmente, n\u00e3o soubemos nos posicionar diante desse risco.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a forma como o Brasil est\u00e1 inserido nas cadeias globais de valor nos coloca em uma posi\u00e7\u00e3o defensiva e muito vulner\u00e1vel a crises como essa. N\u00f3s ainda hoje seguimos com a ind\u00fastria automobil\u00edstica enfrentando s\u00e9rios problemas de produ\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o temos os microprocessadores \u2013 e o Brasil montou uma empresa de microchip, a\u00ed no Rio Grande do Sul, que est\u00e1 sendo inviabilizada ao ponto do fechamento. \u00c9 um sinal de que precisar\u00edamos ter pol\u00edticas de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Mas seguimos sendo um pa\u00eds sem plano governamental, sem estrat\u00e9gia nacional, o or\u00e7amento virou uma coisa parcialmente secreta, e estamos vivendo os efeitos disso tudo.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 Queria falar a respeito do efeito que esse quadro todo tem sobre o \u00e2nimo da classe trabalhadora. Porque se fala muito que o povo n\u00e3o \u201creage\u201d, que est\u00e1 \u201cap\u00e1tico\u201d, mas essas mesmas pessoas est\u00e3o submetidas a uma situa\u00e7\u00e3o de terminar o dia sem ter certeza se v\u00e3o pagar suas contas, se v\u00e3o conseguir comprar itens de subsist\u00eancia\u2026 Num cen\u00e1rio desses, o pr\u00f3prio conceito de cidadania sai amea\u00e7ado. Qual a dimens\u00e3o dessa press\u00e3o sobre trabalhadores e trabalhadoras, e quais os efeitos que se pode esperar para o conjunto da sociedade brasileira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 A impress\u00e3o que tenho \u00e9 que estamos assistindo uma altera\u00e7\u00e3o profunda na rela\u00e7\u00e3o salarial. A partir de 1930, com Get\u00falio Vargas, se estabelece um projeto de sociedade que visa, na verdade, a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade salarial no Brasil. N\u00f3s t\u00ednhamos uma popula\u00e7\u00e3o sobrante enorme, que o Caio Prado denominava de \u201cinorg\u00e2nicos\u201d, porque n\u00e3o eram org\u00e2nicos ao capital. E o projeto tenentista foi transformar essa massa de trabalhadores inorg\u00e2nicos, sobretudo do campo, em prolet\u00e1rios urbanos organizados atrav\u00e9s da carteira de trabalho, que lhes dava identidade e pertencimento. Ent\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o salarial a partir de uma regulariza\u00e7\u00e3o de trabalho, que lhe d\u00e1 direitos e a garantia de renda acima do sal\u00e1rio m\u00ednimo, teria como efeito permitir que voc\u00ea sa\u00edsse da condi\u00e7\u00e3o de pobre ou miser\u00e1vel e participasse de forma mais ativa da sociedade. A impress\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s estamos \u2013 e isso vem desde os anos 1990; lembremos que o pr\u00f3prio Fernando Henrique Cardoso declarou o fim da Era Vargas \u2013 vivenciando o abandono dessa rela\u00e7\u00e3o salarial em favor da rela\u00e7\u00e3o d\u00e9bito-cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Voc\u00ea estava comentando das pessoas com sal\u00e1rio muito baixo, vivendo em situa\u00e7\u00e3o de instabilidade e desespero. Acontece que todo mundo sabe mais ou menos o tamanho de sua d\u00edvida mensal, ou seja, que esse m\u00eas vou gastar tanto com aluguel, alimenta\u00e7\u00e3o, transporte, enfim. E o que me parece \u00e9 que o sal\u00e1rio, para aqueles que o t\u00eam, depreciou-se a um ponto que, mesmo sendo assalariado, voc\u00ea n\u00e3o consegue sair da condi\u00e7\u00e3o de pobreza. Ent\u00e3o, essa rela\u00e7\u00e3o d\u00e9bito-cr\u00e9dito quer dizer que, a partir da d\u00edvida que eu tenho no m\u00eas, eu saio para obter cr\u00e9dito, seja de que forma for ou quais sejam as condi\u00e7\u00f5es para que isso venha a ocorrer.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos assistindo um aumento absurdo da jornada de trabalho, a partir de ocupa\u00e7\u00f5es e atividades parciais. Dependendo do caso, eu trabalho na Uber doze horas por dia, \u00e0 noite trabalho como seguran\u00e7a de um restaurante, no final de semana trabalho como entregador ou vendedor de produtos de embelezamento\u2026 Ou seja, fa\u00e7o umas 70 ou 80 horas de trabalho por semana, porque estou atr\u00e1s de uma renda que me d\u00ea cr\u00e9dito para fechar o meu d\u00e9bito. E o que estamos vendo \u00e9 que a separa\u00e7\u00e3o que antes existia entre trabalho legal e a ilegalidade desaparece, na medida em que a ilegalidade vai contaminando essa rela\u00e7\u00e3o \u2013 e n\u00e3o \u00e9 porque a pessoa queira, \u00e9 porque \u00e9 a forma que ela encontra para fechar o seu d\u00e9bito. Estou em minha casa, comprei um produto pela internet, a pessoa vem me entregar no domingo e me diz \u201colha, eu sou agente de sa\u00fade de segunda a sexta, no s\u00e1bado e domingo eu sou entregador\u201d. A pessoa apresenta um cart\u00e3ozinho, dizendo \u201ceu sou seguran\u00e7a, mas eu posso cortar a grama, posso ser motorista, eu fa\u00e7o de tudo\u201d. O que voc\u00ea \u00e9, afinal? Eu sou qualquer coisa. Ou seja, o trabalho segue central em nossas vidas, mas ele n\u00e3o produz mais identidade e pertencimento.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 Em uma conjuntura na qual os empregos criados s\u00e3o cada vez mais prec\u00e1rios e com menos direitos, algo que parece fundamental \u00e9 buscar alguma forma de prote\u00e7\u00e3o para os trabalhadores e trabalhadoras submetidos a essa situa\u00e7\u00e3o. Talvez a via do emprego formal esteja prejudicada no atual cen\u00e1rio, mas o senhor acredita que h\u00e1 uma alternativa dentro de conceitos como economia solid\u00e1ria, cooperativas etc?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 Eu acredito que h\u00e1 espa\u00e7o no Brasil para expans\u00e3o do emprego assalariado protegido, inclusive com carteira assinada. Neste momento, como o pa\u00eds est\u00e1 decrescendo, n\u00e3o h\u00e1 como criar emprego, mas, se voltarmos a crescer\u2026 O Brasil \u00e9 um pa\u00eds em constru\u00e7\u00e3o, em tudo, s\u00e3o atividades que precisam ser constru\u00eddas e que poderiam perfeitamente gerar um impulso de empregos assalariados. Mas, obviamente, n\u00e3o devemos descartar outras possibilidades de ocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas em termos de economia solid\u00e1ria, mas em outras proposi\u00e7\u00f5es que surgem a partir do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. H\u00e1 registro de que a ado\u00e7\u00e3o da tecnologia 5G, por exemplo, permite, em pa\u00edses como a China, que pequenos produtores do interior fa\u00e7am a divulga\u00e7\u00e3o do que produzem e, a partir disso, consigam exportar. Ou seja, conseguem eliminar o intermedi\u00e1rio, que\u00a0 hoje fica com parte expressiva da renda. Est\u00e1 se falando mais, ultimamente, em cooperativismo de plataforma. O que estou querendo chamar a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a economia solid\u00e1ria, nos anos 1990, era vista como uma forma de resist\u00eancia ao desemprego \u2013 tanto que nos anos 2000, quando a oferta de emprego aumentou, ficou mais dif\u00edcil manter ativas as experi\u00eancias de economia solid\u00e1ria. O que me parece agora \u00e9 um pouco diferente: a economia solid\u00e1ria pode ser n\u00e3o apenas uma resist\u00eancia, mas tamb\u00e9m uma alternativa e uma forma de associa\u00e7\u00e3o e renda conectada \u00e0s novas tecnologias.<\/p>\n<p><strong>DMT \u2013 Como o senhor colocou, o Brasil est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o. E, se olharmos para a hist\u00f3ria brasileira, veremos que quase tudo que se construiu em termos de pa\u00eds passou por uma atua\u00e7\u00e3o do Estado, enquanto promotor de desenvolvimento. Nesse sentido, qual o papel do Estado e da empresa p\u00fablica no momento que vivemos? Existe sa\u00edda do buraco em que estamos sem a presen\u00e7a de empresas p\u00fablicas s\u00f3lidas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcio Pochmann<\/strong>\u00a0\u2013 De fato, n\u00f3s estamos cancelando a possibilidade de futuro do pa\u00eds. Hoje, somos um pa\u00eds sem futuro, \u00e0 espera de um milagre, vivendo o espontane\u00edsmo pleno. Recuperando a hist\u00f3ria, o que acontece, por exemplo, \u00e9 que n\u00f3s vivemos uma era agr\u00e1ria at\u00e9 1920 ou 1930, mas desde os anos 1810, praticamente, ingressamos tamb\u00e9m na era industrial: o pa\u00eds continuou sendo agr\u00e1rio, mas a sua elite come\u00e7ou a ter acesso aos bens industriais, de forma muito gradual e seletiva. Em 1815, o Brasil instala o primeiro motor a combust\u00e3o para o esmagamento de cana de a\u00e7\u00facar na Bahia; o Brasil foi o segundo pa\u00eds a ter o tel\u00e9grafo, o segundo a ter telefone, Santos Dumont andou com um autom\u00f3vel em 1891, um ano depois da Fran\u00e7a produzir autom\u00f3veis. Ou seja, n\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos na era industrial, mas como um pa\u00eds comprador, financiando essas compras a partir da exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios. O que nos permitiu estabelecer de fato uma sociedade industrial foi a constru\u00e7\u00e3o de um Estado industrial, a partir de 1930, voltado \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o, dentro do projeto urbano e salarial do qual fal\u00e1vamos anteriormente.<\/p>\n<p>O Brasil era um pa\u00eds produtor de computadores nos anos 1980, e n\u00f3s jogamos isso fora. Foi feita recentemente a licita\u00e7\u00e3o do 5G no Brasil, e isso \u00e9 como se o pa\u00eds tivesse ido ao supermercado comprar um produto. Temos praticamente quatro quintos da popula\u00e7\u00e3o com acesso muito limitado \u00e0 internet, \u00e0s vezes por cerca de 20 dias no m\u00eas, nos pacotes que conseguem comprar.<\/p>\n<p>A minha impress\u00e3o \u00e9 de que n\u00e3o vamos superar essa fase se n\u00e3o fizermos uma re-moderniza\u00e7\u00e3o profunda do Estado. N\u00f3s precisamos de um Estado digital, e isso quer dizer que o Estado que temos hoje n\u00e3o serve, precisa ser um Estado com uma profunda modifica\u00e7\u00e3o. Mas para isso \u00e9 preciso ter ideias, \u00e9 preciso ter projeto, \u00e9 preciso ter pessoas que defendam isso. N\u00e3o \u00e9 apenas dizer que n\u00e3o pode avan\u00e7ar a liberaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, porque o Estado atual \u00e9 insuficiente para essa tarefa. \u00c9 preciso avan\u00e7ar na proposi\u00e7\u00e3o de um projeto de pa\u00eds, que leve em conta essa necessidade de construir um Estado digital.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: O Brasil virou um pa\u00eds que n\u00e3o aumenta a riqueza, mas aumenta o n\u00famero de ricos. Entrevista especial com Marcio Pochmann \u2013 DMT \u2013 Democracia e Mundo do Trabalho em Debate &#8211; https:\/\/www.dmtemdebate.com.br\/o-brasil-virou-um-pais-que-nao-aumenta-a-riqueza-mas-aumenta-o-numero-de-ricos-entrevista-especial-com-marcio-pochmann\/#:~:text=com%20Marcio%20Pochmann-,O%20Brasil%20virou%20um%20pa%C3%ADs%20que%20n%C3%A3o%20aumenta%20a%20riqueza,entrevista%20especial%20com%20Marcio%20Pochmann<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igor Natusch &#8211;\u00a0Entrevista especial com Marcio Pochmann Nos \u00faltimos anos, o Brasil tem conseguido, ao mesmo tempo, encolher e andar para tr\u00e1s. Apesar das frequentes (e nunca concretizadas) promessas do ministro Paulo Guedes e de sua equipe, o pa\u00eds vive uma situa\u00e7\u00e3o de decrescimento econ\u00f4mico, que n\u00e3o d\u00e1 sinais de que v\u00e1 arrefecer. 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