{"id":16131,"date":"2021-12-14T11:43:07","date_gmt":"2021-12-14T14:43:07","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16131"},"modified":"2021-12-11T11:46:30","modified_gmt":"2021-12-11T14:46:30","slug":"o-trabalhador-inserido-na-uberizacao-esta-longe-de-achar-que-a-moto-dele-e-uma-microempresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/12\/14\/o-trabalhador-inserido-na-uberizacao-esta-longe-de-achar-que-a-moto-dele-e-uma-microempresa\/","title":{"rendered":"\u201cO trabalhador inserido na uberiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de achar que a moto dele \u00e9 uma microempresa\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cesar Sanson<\/strong> &#8211; Pesquisadora do\u00a0<strong>Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho<\/strong>\u00a0(<strong>Cesit<\/strong>) da\u00a0<strong>Faculdade de Economia da Unicamp<\/strong>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/601524-breque-dos-apps-e-um-freio-coletivo-na-uberizacao-e-na-degradacao-e-exploracao-do-trabalho-entrevista-especial-com-ludmila-abilio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Ludmila Costhek Ab\u00edlio<\/strong><\/a>\u00a0\u00e9 um dos nomes mais significativos nos estudos voltados \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/591102-uberizacao-nos-leva-para-a-servidao-diz-pesquisador\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0<\/a>do trabalho no Brasil. Autora de\u00a0<strong>Sem Maquiagem<\/strong>\u00a0(2014), no qual investiga as rela\u00e7\u00f5es de trabalho em torno das revendedoras de cosm\u00e9ticos na ind\u00fastria de beleza brasileira, ela v\u00ea a\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0como um processo de generaliza\u00e7\u00e3o de modelos de explora\u00e7\u00e3o do trabalho tipicamente perif\u00e9rico por meio de tecnologias que se apropriam da busca humana por autonomia. Longe de ser algo neutro, gerado de forma autom\u00e1tica por sistemas que buscam solucionar problemas humanos, o gerenciamento algor\u00edtmico se mostra uma forma de cis\u00e3o entre o ser humano e a tarefa que ele executa: a efici\u00eancia da for\u00e7a de trabalho \u00e9 potencializada, enquanto o trabalhador tem que arcar, sozinho, com o \u00f4nus de garantir a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2021\/12\/09_12_ludmila_abilio_foto_nupecs_afu.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Ludmila Ab\u00edlio<\/em><\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva ao\u00a0<strong>Democracia e Mundo do Trabalho em Debate \u2013 DMT<\/strong>,\u00a0<strong>Ludmila Costhek Ab\u00edlio<\/strong>\u00a0discute temas como a crescente \u201camadoriza\u00e7\u00e3o\u201d do trabalho, a informalidade que contamina os meios de controle e os efeitos da\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0sobre a oferta de emprego, entre outros. A pesquisadora tamb\u00e9m traz um alerta: \u00e9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o no que \u00e9 dito pelos trabalhadores submetidos \u00e0 uberiza\u00e7\u00e3o, sob pena de apagar experi\u00eancias e trajet\u00f3rias de vida \u2013 e de n\u00e3o ser capaz de propor caminhos em um cen\u00e1rio de crescente precariza\u00e7\u00e3o da vida de trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p>A entrevista \u00e9 de\u00a0<strong>Igor Natusch<\/strong>, publicada por\u00a0<strong>Democracia e Mundo do Trabalho em Debate \u2013 DMT<\/strong>, 01-12-2021.<\/p>\n<h3><strong>Eis a entrevista<\/strong>.<\/h3>\n<p><strong>Um n\u00famero consider\u00e1vel de especialistas ligados ao mundo do trabalho parece concordar que o processo de uberiza\u00e7\u00e3o assume, em pa\u00edses como Brasil, algumas caracter\u00edsticas distintas do verificado na Europa ou na Am\u00e9rica do Norte. De certa forma, estar\u00edamos chegando \u201catrasados\u201d nesse processo, que estaria se desenvolvendo h\u00e1 mais tempo em outros lugares. Voc\u00ea v\u00ea a quest\u00e3o da mesma forma?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, eu pensaria at\u00e9 o contr\u00e1rio. Isso vai depender muito da forma como a gente entende o que \u00e9 a\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Pela minha perspectiva, a uberiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um processo que esteja exclusivamente atrelado \u00e0s plataformas digitais e aplicativos. Pelo contr\u00e1rio: a\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 um processo que se desenha no mundo do trabalho h\u00e1 d\u00e9cadas, e que acaba sendo catalisado pelas novas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/601535-as-tecnologias-digitais-tem-poder-de-decisao-em-nossas-vidas-entrevista-com-eric-sadin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tecnologias digitais<\/a>. Porque veja, eu posso pensar em uma s\u00e9rie de trabalhadores uberizados que n\u00e3o est\u00e3o passando pela plataforma. Nesse sentido, talvez n\u00f3s sempre tenhamos enfrentado elementos que hoje s\u00e3o centrais \u00e0 uberiza\u00e7\u00e3o. O que acontece \u00e9 que, por meio das\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/597844-ameacas-do-capitalismo-de-plataforma-podem-ser-ainda-mais-letais-na-pandemia-entrevista-especial-com-juliette-robichez\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">plataformas digitais<\/a>, voc\u00ea tem hoje novas formas de organizar e controlar essa multid\u00e3o de trabalhadores. O que a gente est\u00e1 vendo no mundo, quando a gente fala em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/596491-a-gig-economy-e-a-versao-millennial-do-trabalho-precario-entrevista-com-alexandrea-ravenelle\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">gig economy<\/a>, em economia de plataformas, \u00e9 que esses processos de flexibiliza\u00e7\u00e3o e essas formas de explora\u00e7\u00e3o, com caracter\u00edsticas que s\u00e3o tipicamente perif\u00e9ricas do trabalho, est\u00e3o se expandindo para outras rela\u00e7\u00f5es onde elas n\u00e3o eram vis\u00edveis desta forma.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu pensaria mais no sentido de que a gente est\u00e1, na verdade, exportando essa uberiza\u00e7\u00e3o. Sen\u00e3o n\u00f3s vamos atrelar caracter\u00edsticas a um aplicativo, e penso que \u00e9 ao contr\u00e1rio: \u00e9 a empresa em plataforma que se apropria de elementos que sempre estiveram ali e d\u00e1 novas formas a eles. S\u00e3o processos complexos, mas eu n\u00e3o diria que n\u00f3s chegamos atrasados na uberiza\u00e7\u00e3o: eu diria que n\u00f3s estamos exportando, n\u00f3s e outros pa\u00edses da periferia, elementos que eram tipicamente perif\u00e9ricos e que est\u00e3o se expandindo pelo mundo do trabalho, atravessando o mundo do trabalho como um todo. Mas claro que se realizam de formas desiguais, de acordo com contextos espec\u00edficos.<\/p>\n<p><strong>Ter\u00edamos ent\u00e3o, at\u00e9 certo ponto, uma precariza\u00e7\u00e3o que sempre foi almejada pelos detentores dos meios de produ\u00e7\u00e3o e que assume, a partir do advento das plataformas e aplicativos, esse formato espec\u00edfico?<\/strong><\/p>\n<p>Eu penso assim: voc\u00ea tem historicamente uma tens\u00e3o que move a rela\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho, e que sempre moveu, que \u00e9 o uso do trabalhador como for\u00e7a de trabalho. A busca do capital sempre foi no sentido de que esse uso seja mais intensivo, pelo maior tempo poss\u00edvel, da forma mais eficiente poss\u00edvel, com a elimina\u00e7\u00e3o de todos esses momentos em que a for\u00e7a de trabalho n\u00e3o est\u00e1 sendo eficazmente otimizada \u2013 e tudo isso ao menor custo poss\u00edvel. Por outro lado, essa for\u00e7a de trabalho \u00e9 um ser humano, com todas as suas lutas e conquistas, frutos de enfrentamento de v\u00e1rios conflitos que envolvem a ergonomia do trabalho, a sa\u00fade e seguran\u00e7a do trabalhador,as determina\u00e7\u00f5es sociais sobre qual \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o \u201cdigna\u201d da jornada de trabalho, o direito ao descanso, ao envelhecimento, ao adoecimento protegido. Todos os direitos e prote\u00e7\u00f5es do trabalho giram em torno dessa tens\u00e3o entre as determina\u00e7\u00f5es socialmente estabelecidas sobre os limites e prote\u00e7\u00f5es em torno do uso dessa for\u00e7a de trabalho. N\u00f3s estamos vendo as conquistas, freios e prote\u00e7\u00f5es que foram historicamente constitu\u00eddos sendo abolidos; neste sentido, parece que a gente est\u00e1 sempre voltando para o passado. S\u00f3 que, ao mesmo tempo, n\u00f3s temos hoje meios t\u00e9cnicos e pol\u00edticos que garantem novas formas de gerenciamento desta for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>, na minha perspectiva, envolve dois elementos centrais. Um deles \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do trabalhador a uma mera for\u00e7a de trabalho, e que passa a ser uma for\u00e7a de trabalho sob demanda, usada de acordo com as determina\u00e7\u00f5es das empresas. S\u00f3 que o trabalhador n\u00e3o est\u00e1 descansando, dormindo em casa: ele est\u00e1 na rua, esperando ser convocado novamente, ele est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o o tempo todo. A sobreviv\u00eancia enquanto ser humano \u00e9 transferida totalmente para ele, e \u00e9 isso que hoje se chama de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/603564-sujeito-empreendedor-alienado-e-servil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">empreendedorismo de si<\/a>, trata-se de gerir a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia e ser inteiramente respons\u00e1vel por ela, o capital e o Estado n\u00e3o comparecem mais nessa rela\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a novidade de fato da\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>, voc\u00ea conseguir reduzir o trabalhador \u00e0 for\u00e7a de trabalho, tendo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o mecanismos t\u00e9cnico-pol\u00edticos que garantem o uso mais eficaz e racionalizado dessa for\u00e7a de trabalho, ao mesmo tempo em que capital e Estado finalmente se desresponsabilizam. Isso \u00e9 uma enorme novidade, mas, quando a gente olha para a periferia, esses elementos sempre foram altamente complexos, porque esses limites no emprego da for\u00e7a de trabalho nunca foram delimitados, estabilizados ou universalizados. O modo de vida do trabalhador perif\u00e9rico sempre esteve muito pr\u00f3ximo do que \u00e9 ser um uberizado. O que acontece agora \u00e9 que voc\u00ea tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o uma nova forma de gerenciamento da informalidade, voc\u00ea consegue ter centenas de milhares de trabalhadores sendo controlados e gerenciados por uma \u00fanica empresa. S\u00e3o novas formas de centraliza\u00e7\u00e3o dos ganhos, da explora\u00e7\u00e3o e do controle que est\u00e3o acontecendo.<\/p>\n<p><strong>A senhora mencionou o dito \u2018empreendedor de si mesmo\u2019, a pessoa que seria supostamente dona de um neg\u00f3cio que \u00e9 ela pr\u00f3pria. Isso nos faz pensar em algumas quest\u00f5es em torno da formalidade desses trabalhadores e trabalhadoras \u2013 como, por exemplo, o fato de que boa parte dos trabalhadores em plataforma rejeita a CLT, n\u00e3o deseja ter sua rela\u00e7\u00e3o de trabalho regida pela l\u00f3gica da carteira assinada.<\/strong><\/p>\n<p>Acho que a gente tem que ter muito cuidado com o uso da palavra \u2018<strong>empreendedorismo<\/strong>\u2019 e com a pr\u00f3pria compreens\u00e3o do que o trabalhador est\u00e1 dizendo. Porque esse \u00e9 um dilema que a academia e outros setores, al\u00e9m dos pr\u00f3prios trabalhadores, claro, est\u00e3o enfrentando, n\u00f3s todos estamos enredados nesse dilema. Temos que pensar sobre como a gente escuta o que est\u00e1 sendo dito para n\u00f3s. O trabalhador que diz para voc\u00ea \u2018n\u00e3o quero ter patr\u00e3o\u2019 \u00e9 o mesmo que vai falar \u2018nossa,\u00a0<strong>Uber Eats<\/strong>\u00a0\u00e9 trabalho escravo, o\u00a0<strong>iFood<\/strong>\u00a0est\u00e1 cada vez pior\u2019. O trabalhador est\u00e1 longe de achar que a moto dele \u00e9 uma microempresa, que ele est\u00e1 investindo e que ele \u00e9 um empreendedor, n\u00e3o \u00e9 isso que est\u00e1 sendo dito para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Uma grande sacada do capitalismo \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o racionalizada da nossa busca por autonomia. Hoje, e h\u00e1 muito tempo, ela \u00e9 um elemento da gest\u00e3o, transferindo para o trabalhador uma s\u00e9rie de elementos que permitem que ele gerencie o pr\u00f3prio tempo. S\u00f3 que \u00e9 um gerenciamento completamente subordinado. Eu chamo isso de autogerenciamento subordinado, at\u00e9 para n\u00e3o usar mais a palavra \u2018empreendedorismo\u2019, porque \u00e9 tudo muito diferente de ser um empreendedor. De fato, voc\u00ea n\u00e3o tem mais a figura f\u00edsica do chefe, voc\u00ea n\u00e3o tem a figura f\u00edsica de um rel\u00f3gio de ponto e nem da pr\u00f3pria empresa. Tudo isso traz uma s\u00e9rie de estabilidades e direitos para o trabalhador, mas \u00e9 tamb\u00e9m atravessada por uma s\u00e9rie de formas de explora\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o, e a gente n\u00e3o pode esquecer isso. O mundo do trabalho brasileiro \u00e9 um mundo composto por humilha\u00e7\u00f5es cotidianas e injusti\u00e7as que correm tamb\u00e9m por dentro do emprego formal.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando o trabalhador fala \u2018eu n\u00e3o quero CLT\u2019 a gente pensa \u2018puxa, olha isso, enganaram ele, a\u00a0<strong>Uber<\/strong>\u00a0disse que ele poderia ser o pr\u00f3prio chefe e o cara acreditou\u2019. E isso acaba silenciando a experi\u00eancia desse trabalhador, produzindo sobre ele a ideia de uma falsa consci\u00eancia, de um autoengano, e a coisa \u00e9 muito mais complicada que isso. Mas essa discuss\u00e3o acaba sendo bastante complexa e arenosa, porque estamos vivendo um momento de ataque aos direitos trabalhistas e de reformula\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o trabalho formal, que foi completamente transfigurado pela reforma trabalhista. Ent\u00e3o, n\u00e3o se trata de dizer que o trabalho formal n\u00e3o \u00e9 importante, mas de entender a experi\u00eancia dos trabalhadores e suas trajet\u00f3rias de vida.<\/p>\n<p><strong>Um aspecto que \u00e9 bastante presente em seu trabalho, e que n\u00e3o vejo ser abordado com tanta frequ\u00eancia em outros contextos de discuss\u00e3o sobre a uberiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 o processo crescente de amadorismo que vai tomando conta do mundo do trabalho. O que se pode dizer a respeito do efeito que a uberiza\u00e7\u00e3o acaba tendo sobre o pr\u00f3prio conceito de trabalho especializado?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que essa \u00e9 uma quest\u00e3o super importante. Na verdade, eu comecei a falar sobre\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/591603-uberizacao-a-edicao-da-velha-ideia-do-trabalho-amador-entrevista-especial-com-ludmila-abilio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>trabalho amador<\/strong><\/a>\u00a0antes de come\u00e7ar a tratar da\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>, quando eu fui pesquisar o trabalho das revendedoras da\u00a0<strong>Natura<\/strong>. Voc\u00ea tem uma empresa que conta, hoje, com mais de um milh\u00e3o e meio de mulheres vendendo esses produtos, completamente respons\u00e1veis pela comercializa\u00e7\u00e3o desses produtos, sem lojas ou nada parecido. E esse neg\u00f3cio d\u00e1 certo. \u00c9 um trabalho, mas que n\u00e3o aparece como trabalho, que est\u00e1 envolvido por essa perda de forma-trabalho. \u00c9 s\u00f3 voc\u00ea aderir, n\u00e3o tem contrata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem sele\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem tempo de trabalho definido, n\u00e3o tem valor da hora de trabalho. Nada est\u00e1 definido, e isso d\u00e1 uma permeabilidade enorme a esse tipo de atividade, porque eu posso ser secret\u00e1ria e estar vendendo ao mesmo tempo, posso ser delegada de pol\u00edcia e estar vendendo durante o expediente. Quando eu escrevo sobre esse tema do trabalho amador, estou me remetendo a conceitos de uma soci\u00f3loga francesa,\u00a0<strong>Marie-Anne Dujarier<\/strong>, que vai olhar para o trabalho do consumidor \u2013 coisas como, por exemplo, pesquisarmos na internet os pre\u00e7os de uma passagem de avi\u00e3o. Isso \u00e9 um trabalho amador, porque eu n\u00e3o sou uma profissional em uma ag\u00eancia de turismo ou uma agente de viagens: eu sou uma consumidora, que est\u00e1 realizando uma tarefa que perdeu a forma social do trabalho.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando eu escrevi o livro\u00a0<strong>Sem maquiagem<\/strong>\u00a0(2014), eu j\u00e1 estava olhando para essa\u00a0<strong>amadoriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0como uma tend\u00eancia do mundo do trabalho. Com as plataformas digitais, isso fica muito evidente. Se voc\u00ea olhar para um motoboy, voc\u00ea entende perfeitamente esse processo de amadoriza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 10 anos, o motoboy tinha uma profiss\u00e3o estabelecida, uma forma de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho clara: era um emprego, que podia ser formal ou informal, em nome do qual ele passava por sele\u00e7\u00f5es, os conhecimentos dele eram claramente mobilizados o tempo todo. Havia clareza sobre o valor da hora de trabalho, e o grau de conhecimento que ele tinha sobre a cidade ia afetar no alcance e no funcionamento de seu trabalho. Voc\u00ea segue tendo essas figuras, mas, se eu resolver agora mesmo que quero virar uma entregadora, fa\u00e7o um cadastro e, se me aprovarem, eu viro. A\u00a0<strong>amadoriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 justamente isso, a perda dessas formas socialmente est\u00e1veis e reguladas do trabalho.<\/p>\n<p>Outro exemplo claro disso \u00e9 o motorista da\u00a0<strong>Uber<\/strong>. Voc\u00ea olha um taxista e um motorista e eles est\u00e3o fazendo exatamente a mesma coisa, mas o taxista passa por uma s\u00e9rie de certifica\u00e7\u00f5es, mediadas pelo Estado. Para ser taxista ele tem que obter uma licen\u00e7a, e quem \u00e9 que concede essa licen\u00e7a? O carro dele vai ter uma placa espec\u00edfica, e de onde saiu essa placa? O carro vai ter um logotipo, um padr\u00e3o visual, e como a empresa obt\u00e9m a autoriza\u00e7\u00e3o para usar esse nome social? Tudo isso passou pela regula\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Estado<\/strong>. Voc\u00ea entra no carro, e a pessoa pode ser um p\u00e9ssimo motorista e tudo mais (risos), mas voc\u00ea tem todos esses elementos que garantem a confiabilidade. O motorista da\u00a0<strong>Uber<\/strong>\u00a0n\u00e3o passou por nada disso, ele tem o carro dele e um cadastro no aplicativo. Ele n\u00e3o \u00e9 um profissional, ele vive como um amador.<\/p>\n<p>Eu posso fazer isso todos os dias da minha vida durante muitos anos, mas a forma como isso \u00e9 socialmente reconhecido \u00e9 como uma esp\u00e9cie de tempor\u00e1rio permanente, como se eu estivesse ali o tempo todo e, ao mesmo tempo, sempre de forma passageira. Eu confio nesse trabalhador \u2013 e a\u00a0<strong>amadoriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0tem a ver com isso, com novas formas de certifica\u00e7\u00e3o do trabalho \u2013 porque eu confio na marca, e porque \u00e9 uma multid\u00e3o de pessoas em todo o mundo que est\u00e3o usando essa marca, ent\u00e3o eu confio na avalia\u00e7\u00e3o da multid\u00e3o. Quando eu vou em um apartamento do\u00a0<strong>AirBNB<\/strong>. ele n\u00e3o passou por certifica\u00e7\u00e3o nenhuma do Estado, mas eu confio na certifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 feita de forma amadora (pelos usu\u00e1rios). \u00c9 a multid\u00e3o que promove um controle de qualidade sobre esse trabalhador e sobre o servi\u00e7o. Ent\u00e3o, n\u00f3s tamb\u00e9m somos postos para trabalhar, n\u00f3s somos gerentes amadores. Quando eu escrevo uma avalia\u00e7\u00e3o, eu quero contribuir com as pessoas, quero ajudar quem for ficar naquele apartamento que eu achei ruim, ent\u00e3o eu atuo como um gerente amador \u2013 e n\u00e3o sou eu individualmente, \u00e9 a multid\u00e3o, o que importa nessa hist\u00f3ria \u00e9 o coletivo.<\/p>\n<p><strong>Enquanto a senhora falava, lembrei que, logo que surgiram esses aplicativos, eles vinham imbu\u00eddos de um discurso de compartilhamento. A Uber, por exemplo, n\u00e3o se colocava como um servi\u00e7o de transporte individual: era um aplicativo de caronas. Acho que isso dialoga bastante com o que a senhora est\u00e1 colocando, como uma amadoriza\u00e7\u00e3o conceitual do trabalho e um esvaziamento do significado do servi\u00e7o que est\u00e1 sendo oferecido.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante isso, porque, no caso do\u00a0<strong>AirBNB<\/strong>, como qualificar o que est\u00e1 sendo vendido? Isso acaba tendo n\u00f3s at\u00e9 na teoria marxista: qual \u00e9 a mercadoria produzida, o que \u00e9 trabalho e o que n\u00e3o \u00e9, quais s\u00e3o os custos do trabalho? Ent\u00e3o, quanto a essa\u00a0<strong>amadoriza\u00e7\u00e3o<\/strong>, eu venho falando muito nesse processo de\u00a0<strong>informaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0na\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 apenas transformar o trabalhador ou trabalhadora em informal: \u00e9 informalizar os meios de controle, de gerenciamento, de determina\u00e7\u00e3o do trabalho. O que \u00e9 trabalho e o que n\u00e3o \u00e9, qual o valor do trabalho, como ele \u00e9 distribu\u00eddo: todas as regras que regem essas quest\u00f5es s\u00e3o presentes e s\u00e3o ferrenhas, mas elas perderam suas formas est\u00e1veis. E quanto a essa economia de compartilhamento, \u00e9 claro que a\u00a0<strong>Uber<\/strong>\u00a0nunca esteve nem perto de ser uma plataforma de compartilhamento, mas h\u00e1 a uma apropria\u00e7\u00e3o desse nosso engajamento, das solidariedades e at\u00e9 mesmo buscas pela comunidade.<\/p>\n<p><strong>Pensando um pouco, ent\u00e3o, a partir de posi\u00e7\u00f5es que se possa tomar, coisas que se possa fazer no enfrentamento desses aspectos prejudiciais que acabam sendo atingidos pela uberiza\u00e7\u00e3o. Queria perguntar a respeito do problema do desemprego \u2013 mais especificamente, da incompatibilidade de um ambiente de trabalho uberizado com a necessidade de seguran\u00e7a m\u00ednima de renda para que o trabalhador pague suas contas e coloque comida na geladeira. E trago essa quest\u00e3o porque cresce, na esfera p\u00fablica, um discurso de que \u00e9 necess\u00e1rio \u201caceitar\u201d que n\u00e3o existe emprego para todo mundo\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o de grande import\u00e2ncia. Porque \u00e9 isso, se consolidou de forma muito vitoriosa a perspectiva de que n\u00e3o h\u00e1 lugar para todos no mundo do trabalho e inclusive a esquerda encabe\u00e7a, hoje, esse discurso. Isso est\u00e1 incorporado ao discurso da esquerda quando ela fala em descartabilidade social, em gest\u00e3o dos descart\u00e1veis, em marginalidade. S\u00f3 que o fato de as pessoas n\u00e3o estarem empregadas n\u00e3o quer dizer, de forma alguma, que elas n\u00e3o estejam trabalhando. Isso tem a ver com a\u00a0<strong>amadoriza\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong>, com uma s\u00e9rie de formas de trabalho que mal s\u00e3o reconhecidas como trabalho de fato. Outra quest\u00e3o da qual muito se fala \u00e9 a do encarceramento, e o encarceramento surge como sin\u00f4nimo de gest\u00e3o de descart\u00e1veis. Calma l\u00e1, hoje o setor prisional \u00e9 um excelente neg\u00f3cio, totalmente mercantilizado inclusive na quest\u00e3o de gest\u00e3o do trabalho. Voc\u00ea tem cadeias produtivas que contam com a m\u00e3o de obra n\u00e3o paga de presidi\u00e1rios, sem contar todos os elementos da mercantiliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o prisional. Ou seja, a gente internalizou, de fato, esse discurso de que \u2018olha, n\u00e3o tem lugar para todo mundo\u2019, tanto \u00e0 esquerda quanto \u00e0 direita, nossos discursos est\u00e3o gravemente convergindo.<\/p>\n<p><strong>Tornou-se quase uma quest\u00e3o pr\u00e9via, n\u00e3o? Se vamos discutir o tema do emprego, ent\u00e3o \u00e9 preciso partir do princ\u00edpio de que n\u00e3o h\u00e1 lugar para todo mundo.<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente, e a\u00ed tudo vai se legitimando. A\u00a0<strong>reforma trabalhista<\/strong>, mesmo: \u2018olha, \u00e9 preciso aumentar a empregabilidade das pessoas, e para isso temos que cortar direitos, temos que flexibilizar o uso da for\u00e7a de trabalho\u2019. Isso gerou emprego? N\u00e3o.<\/p>\n<p>O que me parece um grande problema, hoje, \u00e9 que a esquerda tem poucos elementos para se contrapor, de fato, a esse discurso. A gente sabe que isso n\u00e3o \u00e9 real, que precarizar n\u00e3o gera emprego, mas nossos instrumentos de an\u00e1lise precisam se complexificar e se fortalecer. Quando a gente incorpora o discurso de que n\u00e3o h\u00e1 lugar para todos \u2013 e podemos ver que as pessoas est\u00e3o trabalhando cada vez mais, e de formas cada vez mais degradadas \u2013 isso complica muito a conversa. E a\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0se legitima a partir da\u00ed, \u00e9 o que a\u00a0<strong>Uber<\/strong>\u00a0faz: \u2018voc\u00eas v\u00e3o regular? Ent\u00e3o eu n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es de me manter aqui, eu saio desse pa\u00eds\u2019. Na verdade o que ela faz \u00e9 uma chantagem. A f\u00e1brica da Natura \u00e9 inteiramente desmont\u00e1vel, a arquitetura dela \u00e9 feita de uma forma que ela pode mudar de pa\u00eds a qualquer momento, \u00e9 uma enorme mobilidade do capital. A\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0entra nessa esteira: \u2018olha, \u00e9 melhor os caras estarem trabalhando precarizados do que n\u00e3o terem nada\u2019.<\/p>\n<p><strong>Como se a pr\u00f3pria possibilidade de trabalhar fosse um recurso finito.<\/strong><\/p>\n<p>Exato, \u00e9 isso que est\u00e1 em jogo, e at\u00e9 pode ser finito, mas n\u00e3o podemos, em nome da certeza do fim da centralidade do valor-trabalho, obscurecer os processos avassaladores de mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida, dos direitos sociais; dos novos tipos de subsun\u00e7\u00e3o de trabalhos antes improdutivos e dispersos, das formas de explora\u00e7\u00e3o advindas da converg\u00eancias entre com\u00e9rcio, distribui\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, que ainda convergem com o consumo, com a vida reprodutiva e podem, pelo contr\u00e1rio, nos indicar a cada vez mais livre explora\u00e7\u00e3o do trabalho e coloniza\u00e7\u00e3o do valor em todas as esferas da vida. N\u00e3o podemos perder um olhar dial\u00e9tico entre descartabilidade social e elimina\u00e7\u00e3o de freios na explora\u00e7\u00e3o do trabalho. A explora\u00e7\u00e3o do trabalho colonizou todas as esferas da vida, essa coloniza\u00e7\u00e3o conta com a perda de formas est\u00e1veis e fix\u00e1veis sobre uma s\u00e9rie de elementos que v\u00e3o compondo um processo de trabalho, ele mesmo cada vez mais dif\u00edcil de delimitar e definir.<\/p>\n<p><strong>Uma quest\u00e3o que come\u00e7a a ser discutida de forma mais consistente dentro da esfera sindical \u00e9 o acesso ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/596392-atencao-os-algoritmos-comecam-a-nos-controlar-entrevista-com-andres-montoya\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">algoritmo<\/a>, como condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a negocia\u00e7\u00e3o coletiva e como um direito da classe trabalhadora. Na sua vis\u00e3o, esse \u00e9 um passo na dire\u00e7\u00e3o correta?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que a quest\u00e3o do gerenciamento algor\u00edtmico do trabalho \u00e9, hoje, urgente. Voc\u00ea v\u00ea, quando teve o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/601524-breque-dos-apps-e-um-freio-coletivo-na-uberizacao-e-na-degradacao-e-exploracao-do-trabalho-entrevista-especial-com-ludmila-abilio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Breque dos Apps<\/strong><\/a>\u00a0e surgiram uma s\u00e9rie de projetos de lei, a gente que acompanhou de perto viu o desconhecimento sobre o que o gerenciamento algor\u00edtmico \u00e9 e as possibilidades de explora\u00e7\u00e3o que ele traz. Eu gosto muito de uma frase que um motoboy me falou: \u2018n\u00e3o adianta colocar no projeto l\u00e1 a transpar\u00eancia\u2019 \u2013 e \u00e9 claro que tem que colocar a transpar\u00eancia no projeto, mas ele coloca as coisas assim \u2013 \u2018voc\u00ea coloca isso l\u00e1 na lei, mas robotizaram a gente e n\u00f3s estamos em um mato sem cachorro\u2019. \u2018Porque a empresa n\u00e3o me penaliza formalmente se eu recusar corridas, por exemplo: ela n\u00e3o me bloqueia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o me manda mais corridas\u2019. Isso j\u00e1 \u00e9 feito, eles (motoristas de aplicativos) chamam de bloqueio branco. Gerenciamento algor\u00edtmico n\u00e3o \u00e9 uma coisa que vai acontecendo por meio da tecnologia, algo automatizado e neutro. N\u00e3o: \u00e9 algo programado com fins humanos muito claros e que, em torno desses interesses, vai se aprimorando. N\u00e3o adianta, por exemplo, voc\u00ea falar em transpar\u00eancia se voc\u00ea n\u00e3o garante, ao mesmo tempo, o valor da hora de trabalho, incluindo a\u00ed o tempo de espera. Se voc\u00ea n\u00e3o regular isso, o gerenciamento algor\u00edtmico traz a possibilidade de driblar uma s\u00e9rie de elementos que podem at\u00e9 estar formalmente colocados, mas que s\u00e3o burl\u00e1veis, por meio informais e dif\u00edceis de localizar e fixar.<\/p>\n<p><strong>A senhora mencionou o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/601524-breque-dos-apps-e-um-freio-coletivo-na-uberizacao-e-na-degradacao-e-exploracao-do-trabalho-entrevista-especial-com-ludmila-abilio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Breque dos Apps<\/a>, que vem sendo uma movimenta\u00e7\u00e3o de trabalhadores ligados a aplicativos no sentido de construir formas de organiza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma ponte poss\u00edvel entre esses esfor\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o e o modelo tradicional, em torno do sindicato e da negocia\u00e7\u00e3o coletiva? A senhora acredita que \u00e9 poss\u00edvel casar esses dois universos?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil, porque, por um lado, voc\u00ea tem os sindicatos, que se formaram em uma rela\u00e7\u00e3o muito clara com formas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho que seguem existindo, mas que, hoje, se combinam com outras formas de controle e gerenciamento que est\u00e3o distantes daquela categoria est\u00e1vel do emprego. O sindicato se formou em uma rela\u00e7\u00e3o na qual estava claro o que era local de trabalho, o que era tempo de trabalho, quem era o patr\u00e3o, qual era o sal\u00e1rio. Os processos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/610195-a-nova-informalizacao-e-a-perversidade-da-plataformizacao-do-trabalho-entrevista-especial-com-ruy-braga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">informaliza\u00e7\u00e3o do trabalho<\/a>\u00a0hoje vigentes requerem uma readequa\u00e7\u00e3o dessa forma de organiza\u00e7\u00e3o e um freio que d\u00ea conta de enfrentar o fato de que o patr\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 mais (em uma posi\u00e7\u00e3o) imediatamente vis\u00edvel e localiz\u00e1vel. As cadeias produtivas se globalizaram profundamente, h\u00e1 uma alt\u00edssima mobilidade do capital, temos cadeias produtivas que v\u00e3o da\u00a0<strong>Zara<\/strong>\u00a0na Espanha ao boliviano no centro de S\u00e3o Paulo trabalhando em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. Ent\u00e3o, por um lado voc\u00ea tem esses desafios que o sindicalismo est\u00e1 enfrentando h\u00e1 d\u00e9cadas, e, por outro lado, voc\u00ea tem, nessas novas formas de organiza\u00e7\u00e3o, esses dilemas complexos, como a recusa a essas formas tradicionais de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e a deslegitima\u00e7\u00e3o dos sindicatos.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe uma resposta pronta ou clara para isso. Se esses movimentos conseguem se articular e encontrar essas pontes, isso potencializa as possibilidades de resist\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e trabalhadoras. Mas essas pontes n\u00e3o est\u00e3o muito vis\u00edveis. A gente v\u00ea as tens\u00f5es, por exemplo, por dentro do<strong>\u00a0Breque dos Apps<\/strong>. S\u00e3o reconfigura\u00e7\u00f5es por dentro da esquerda que est\u00e3o acontecendo, que est\u00e3o em disputa e que t\u00eam consequ\u00eancias muito s\u00e9rias.<\/p>\n<p><strong>Se pensamos nessa tens\u00e3o interna dentro do Breque dos Apps, que a senhora acabou de mencionar, o que essas pessoas est\u00e3o nos dizendo? Porque me parece que boa parte do problema est\u00e1, como a senhora mencionou anteriormente, na dificuldade em ouvir e interpretar o que est\u00e1 sendo dito pelos trabalhadores e trabalhadoras que est\u00e3o totalmente inseridos na uberiza\u00e7\u00e3o. Qual seria, na sua leitura, a dire\u00e7\u00e3o que essas pessoas est\u00e3o apontando, em termos de atua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que o pr\u00f3prio nome que escolheram,\u00a0<strong>Breque dos Apps<\/strong>, \u00e9 muito expressivo. O que \u00e9 um breque? \u00c9 como se dissessem \u2018olha s\u00f3, vamos colocar um freio no gerenciamento algor\u00edtmico, nessas formas de degrada\u00e7\u00e3o, de rebaixamento do valor da for\u00e7a de trabalho, de extens\u00e3o do tempo de trabalho\u2019. O Breque incide em elementos centrais das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, porque qual \u00e9 a pauta do Breque? \u00c9 o valor, os crit\u00e9rios de distribui\u00e7\u00e3o do trabalho, as injusti\u00e7as permanentes, os desligamentos sum\u00e1rios que ocorrem cotidianamente. Veja que interessante isso, o trabalhador n\u00e3o p\u00f5e como pauta o fim dos bloqueios: ele quer o fim dos bloqueios injustos. Ele est\u00e1 mantendo uma rela\u00e7\u00e3o de compra e venda de trabalho, e nem est\u00e1 no horizonte dele superar isso, ele s\u00f3 est\u00e1 pedindo a ado\u00e7\u00e3o de normas minimamente estabelecidas nesta rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu acho que o Breque est\u00e1 falando disso para a gente, do patamar m\u00ednimo de dignidade nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho. \u00c9 pouco, a gente tem que pedir mais, mas esse pouco, hoje, \u00e9 muito. Ent\u00e3o, a gente precisa estar muito atento ao que est\u00e1 sendo pedido, e entender que s\u00e3o novas formas de organiza\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tem lideran\u00e7as que despontaram, que ganham visibilidade, mas s\u00e3o lideran\u00e7as que surgem p\u00f3s-movimento. Esse movimento \u00e9 horizontalizado, o funcionamento dele corre ao largo de partidos e sindicatos. E n\u00e3o h\u00e1 consenso, de fato: h\u00e1 trabalhadores que sim, est\u00e3o na briga pelo reconhecimento de v\u00ednculo pela CLT, mas h\u00e1 trabalhadores que t\u00eam outra concep\u00e7\u00e3o. Ou seja, a coisa est\u00e1 em pleno movimento e estamos sendo desafiados em v\u00e1rios campos, inclusive nas possibilidades do sindicalismo, em nossos horizontes pol\u00edticos. Tudo isso est\u00e1 materializado no\u00a0<strong>Breque<\/strong>\u00a0e na\u00a0<strong>uberiza\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: \u201cO trabalhador inserido na uberiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de achar que a moto dele \u00e9 uma microempresa\u201d. Entrevista com Ludmila Costhek Ab\u00edlio &#8211; Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU &#8211; https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/615125-o-trabalhador-inserido-na-uberizacao-esta-longe-de-achar-que-a-moto-dele-e-uma-microempresa-entrevista-especial-com-ludmila-costhek-abilio<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cesar Sanson &#8211; Pesquisadora do\u00a0Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho\u00a0(Cesit) da\u00a0Faculdade de Economia da Unicamp,\u00a0Ludmila Costhek Ab\u00edlio\u00a0\u00e9 um dos nomes mais significativos nos estudos voltados \u00e0\u00a0uberiza\u00e7\u00e3o\u00a0do trabalho no Brasil. 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