{"id":16097,"date":"2021-12-11T12:36:22","date_gmt":"2021-12-11T15:36:22","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16097"},"modified":"2021-12-08T19:45:05","modified_gmt":"2021-12-08T22:45:05","slug":"o-novo-mapa-da-desigualdade-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/12\/11\/o-novo-mapa-da-desigualdade-global\/","title":{"rendered":"O novo mapa da desigualdade global"},"content":{"rendered":"<p><strong>R\u00f4ney Rodrigues<\/strong> &#8211; <\/span>O texto a seguir \u00e9 o Resumo Executivo \u2013 traduzido por\u00a0Outras Palavras\u00a0\u2013 do\u00a0Relat\u00f3rio Mundial sobre as Desigualdades para 2022. Produzido pela equipe de Thomas Piketty, na Escola de Economia de Paris, o documento foi lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira, 7\/12. A \u00edntegra do documento pode ser\u00a0<a href=\"https:\/\/wir2022.wid.world\/\">baixada aqui<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0Vitor Costa.<\/p>\n<p><strong>Dados confi\u00e1veis de desigualdade como bens p\u00fablicos globais<\/strong><\/p>\n<p>Vivemos em um mundo com muitos dados e, no entanto, carecemos de informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas sobre a desigualdade. Os n\u00fameros do crescimento econ\u00f4mico s\u00e3o publicados todos os anos por governos em todo o mundo, mas n\u00e3o nos dizem muito sobre como esse crescimento \u00e9 distribu\u00eddo entre a popula\u00e7\u00e3o: sobre quem ganha e quem perde com as pol\u00edticas econ\u00f4micas. O acesso a esses dados \u00e9 fundamental para a democracia. Al\u00e9m da renda e da riqueza, tamb\u00e9m \u00e9 fundamental melhorar nossa capacidade coletiva de medir e monitorar outras dimens\u00f5es das disparidades socioecon\u00f4micas, incluindo as desigualdades de g\u00eanero e as ambientais. Informa\u00e7\u00e3o sobre desigualdade com acesso livre, transparente e confi\u00e1vel \u00e9 um bem p\u00fablico global.<\/p>\n<p>Este relat\u00f3rio apresenta nossa s\u00edntese mais atualizada dos esfor\u00e7os de pesquisa internacional para rastrear as desigualdades globais. Os dados e an\u00e1lises aqui apresentados baseiam-se no trabalho de mais de 100 pesquisadores localizados em todos os continentes, ao longo de quatro anos, contribuindo para o\u00a0<em>World Inequality Database<\/em>\u00a0(WID.world), mantido pelo\u00a0<em>World Inequality Lab<\/em>. Esta vasta rede colabora com institui\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas, autoridades fiscais, universidades e organiza\u00e7\u00f5es internacionais para compilar, analisar e divulgar dados compar\u00e1veis de desigualdade internacional.<\/p>\n<p><strong>As desigualdades contempor\u00e2neas de renda e riqueza s\u00e3o muito grandes<\/strong><\/p>\n<p>Um adulto m\u00e9dio ganha, em PPC (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paridade_do_poder_de_compra\">Paridade do Poder de Compra<\/a>), US$ 23.380 por ano em 2021, e esse mesmo adulto m\u00e9dio ganha US$ 102.600. Essas m\u00e9dias mascaram grandes disparidades entre os pa\u00edses e mesmo dentro deles. Os 10% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o global atualmente respondem por 52% da renda global, enquanto a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o ganha 8% dela. Em m\u00e9dia, um indiv\u00edduo entre os 10% mais ricos da distribui\u00e7\u00e3o de renda global ganha US$ 122.100 por ano, enquanto um indiv\u00edduo da metade mais pobre da distribui\u00e7\u00e3o de renda global ganha US$ 3.920 por ano\u00a0<em>(Figura 1)<\/em>.<\/p>\n<p>As desigualdades de riqueza global s\u00e3o ainda mais pronunciadas do que as desigualdades de renda. A metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o global mal possui alguma riqueza, tem apenas 2% do total dela. Em contraste, os 10% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o global possuem 76% de toda a riqueza do planeta. Em m\u00e9dia, a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o possui PPC US$ 4.100 por adulto e os 10% mais ricos possuem US$ 771.300 em m\u00e9dia\u00a0<em>(Figura 4)<\/em>.<\/p>\n<p><strong>FIGURA 1 \u2013 Renda global e desigualdade de riqueza<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183741\/Grafico1.png?resize=601%2C365&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 601px) 100vw, 601px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183741\/Grafico1.png 601w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183741\/Grafico1-300x182.png 300w\" alt=\"\" width=\"601\" height=\"365\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Os 50% mais pobres possuem 8% da renda total medida pela Paridade do Poder de Compra (PPC). Os 10% mais ricos possuem 76% do total da riqueza dom\u00e9stica e capturam 52% da renda total em 2021. Observe que os maiores detentores de riqueza n\u00e3o s\u00e3o necessariamente os maiores detentores de renda. Os rendimentos s\u00e3o medidos ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o dos sistemas de pens\u00f5es e de desemprego e antes dos impostos e transfer\u00eancias. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>O Oriente M\u00e9dio e o norte da \u00c1frica s\u00e3o as regi\u00f5es mais desiguais do mundo, enquanto a Europa tem os n\u00edveis de desigualdade mais baixos<\/strong><\/p>\n<p>A Figura 2 mostra os n\u00edveis de desigualdade de renda entre as regi\u00f5es. A desigualdade varia significativamente entre a regi\u00e3o mais igualit\u00e1ria (Europa) e a mais desigual (Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, na sigla MENA). Na Europa, a riqueza dos 10% mais ricos \u00e9 de cerca de 36% do total, enquanto no Oriente M\u00e9dio e no norte da \u00c1frica esse valor chega a 58%. Entre esses dois n\u00edveis, vemos uma diversidade de padr\u00f5es. No Leste Asi\u00e1tico, os 10% mais ricos possuem 43% da riqueza total e na Am\u00e9rica Latina, 55%.<\/p>\n<p><strong>FIGURA 2 \u2013 A metade mais pobre fica para tr\u00e1s: 50% inferior, 40% intermedi\u00e1rio e 10% superior em todo o mundo em 2021<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183837\/Grafico2.png?resize=640%2C245&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 803px) 100vw, 803px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183837\/Grafico2.png 803w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183837\/Grafico2-300x115.png 300w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183837\/Grafico2-768x294.png 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"245\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Na Am\u00e9rica Latina, os 10% mais ricos possuem 55% da renda nacional, em compara\u00e7\u00e3o com 36% na Europa. O rendimento \u00e9 medido ap\u00f3s as contribui\u00e7\u00f5es para pens\u00f5es e seguro-desemprego, al\u00e9m de benef\u00edcios pagos e recebidos pelo indiv\u00edduo, mas antes do imposto de renda e outras transfer\u00eancias. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>A renda m\u00e9dia nacional nos diz pouco sobre a desigualdade<\/strong><\/p>\n<p>O mapa mundial da desigualdade (Figura 3) revela que os n\u00edveis de renda m\u00e9dia nacional s\u00e3o indicadores ruins para a desigualdade: entre os pa\u00edses de alta renda, alguns s\u00e3o muito desiguais (como os EUA) enquanto outros s\u00e3o relativamente igualit\u00e1rios (por exemplo, Su\u00e9cia). O mesmo vale para pa\u00edses de renda baixa e m\u00e9dia, com alguns exibindo desigualdade extrema (por exemplo, Brasil e \u00cdndia), n\u00edveis um tanto elevados (China) e n\u00edveis moderados a relativamente baixos (por exemplo, Mal\u00e1sia e Uruguai).<\/p>\n<p><strong>FIGURA 3 \u2013 Dos 10% mais ricos aos 50% mais pobres: gargalos de renda no mundo, 2021<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183909\/Grafico3.png?resize=602%2C354&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183909\/Grafico3.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183909\/Grafico3-300x176.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"354\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0No Brasil, os 50% mais pobres ganham 29 vezes menos do que os 10% mais ricos. Este valor \u00e9 7 vezes menor na Fran\u00e7a. O rendimento \u00e9 medido ap\u00f3s as contribui\u00e7\u00f5es para pens\u00f5es e seguro-desemprego e benef\u00edcios pagos e recebidos pelo indiv\u00edduo, mas antes do imposto de renda e outras transfer\u00eancias. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>FIGURA 4 \u2013A concentra\u00e7\u00e3o extrema de capital: Desigualdade de riqueza no mundo, 2021.<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183932\/Grafico4.png?resize=602%2C355&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183932\/Grafico4.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07183932\/Grafico4-300x177.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"355\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Os 10% mais ricos na Am\u00e9rica Latina ficam com 77% da riqueza total, contra 22% para os 40% intermedi\u00e1rios e 1% para os 50% mais pobres. Na Europa, os 10% mais ricos possuem 58% da riqueza total, contra 38% dos 40% intermedi\u00e1rios e 4% dos 50% mais pobres. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>A desigualdade \u00e9 uma escolha pol\u00edtica, n\u00e3o uma inevitabilidade<\/strong><\/p>\n<p>As desigualdades de renda e de riqueza aumentaram em quase todo o mundo desde a d\u00e9cada de 1980, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de programas de desregulamenta\u00e7\u00e3o e liberaliza\u00e7\u00e3o que assumiram diferentes formas em diferentes pa\u00edses. O aumento n\u00e3o foi uniforme: alguns pa\u00edses experimentaram aumentos espetaculares na desigualdade (incluindo os EUA, R\u00fassia e \u00cdndia), enquanto outros (pa\u00edses europeus e China) experimentaram aumentos relativamente menores. Essas diferen\u00e7as, que discutimos longamente na edi\u00e7\u00e3o anterior do\u00a0<em>Relat\u00f3rio Mundial sobre as Desigualdades<\/em>, confirmam que a desigualdade n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel. \u00c9 uma escolha pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>As desigualdades globais contempor\u00e2neas est\u00e3o pr\u00f3ximas dos n\u00edveis do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, no auge do imperialismo ocidental<\/strong><\/p>\n<p>Embora a desigualdade tenha aumentado na maioria dos pa\u00edses, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, as desigualdades globais entre os pa\u00edses diminu\u00edram. A diferen\u00e7a entre a renda m\u00e9dia dos 10% mais ricos e a renda m\u00e9dia dos 50% mais pobres caiu de cerca de 50 x para um pouco menos de 40x (Figura 5). Ao mesmo tempo, as desigualdades aumentaram significativamente dentro desses pa\u00edses. A diferen\u00e7a entre as rendas m\u00e9dias dos 10% mais ricos e dos 50% mais pobres dos indiv\u00edduos dentro dos pa\u00edses quase dobrou, de 8,5x para 15x. Esse aumento acentuado nas desigualdades dentro dos pa\u00edses significou que, apesar da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e do forte crescimento nos pa\u00edses emergentes, o mundo continua particularmente desigual hoje em dia. Isso tamb\u00e9m significa que as desigualdades dentro dos pa\u00edses s\u00e3o agora ainda maiores do que as desigualdades significativas observadas entre pa\u00edses (Figura 6).<\/p>\n<p><strong>FIGURA 5 \u2013 Desigualdade de renda global<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184025\/Grafico5.png?resize=602%2C349&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184025\/Grafico5.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184025\/Grafico5-300x174.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"349\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>A desigualdade global, medida pelo c\u00e1lculo T10\/B50 entre o rendimento m\u00e9dio dos 10% mais ricos e o rendimento m\u00e9dio dos 50% mais pobres, mais do que duplicou entre 1820 e 1910, de menos de 20x para cerca de 40x, e se estabilizou em torno de 40x entre 1910 e 2020. \u00c9 muito cedo para dizer se o decl\u00ednio na desigualdade global observado desde 2008 vai continuar. O rendimento \u00e9 medido ap\u00f3s as contribui\u00e7\u00f5es para pens\u00f5es e seguro-desemprego e benef\u00edcios pagos e recebidos pelo indiv\u00edduo, mas antes do imposto sobre o rendimento e outras transfer\u00eancias. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>FIGURA 6 \u2013 Desigualdade de renda global: desigualdade entre\u00a0<\/strong><em><strong>versus<\/strong><\/em><strong>\u00a0dentro do pa\u00eds (\u00edndice de Theil) 1820-2020<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184051\/Grafico6.png?resize=598%2C342&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184051\/Grafico6.png 598w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184051\/Grafico6-300x172.png 300w\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"342\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0A import\u00e2ncia da desigualdade entre os pa\u00edses, medida pelo \u00edndice de Theil, aumentou entre 1820 e 1980 e diminuiu fortemente desde ent\u00e3o. Em 2020, a desigualdade entre os pa\u00edses representava cerca de um ter\u00e7o da desigualdade global entre os indiv\u00edduos. O resto se deve \u00e0 desigualdade dentro dos pa\u00edses. O rendimento \u00e9 medido per capita ap\u00f3s as transfer\u00eancias de pens\u00f5es e seguro-desemprego e antes dos impostos sobre o rendimento e o patrim\u00f4nio. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology e Chancel e Piketty (2021)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>As desigualdades globais parecem ser t\u00e3o grandes hoje quanto no auge do imperialismo ocidental no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Na verdade, a parcela da renda atualmente auferida pela metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 cerca de metade do que era em 1820, antes da grande ruptura entre os pa\u00edses ocidentais e suas col\u00f4nias (Figura 7). Em outras palavras, ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer para desfazer as desigualdades econ\u00f4micas globais herdadas da organiza\u00e7\u00e3o muito desigual da produ\u00e7\u00e3o mundial entre meados do s\u00e9culo XIX e meados do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p><strong>FIGURA 7 \u2013 Desigualdade de renda global, 1820-2020<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184125\/Grafico7.png?resize=597%2C299&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184125\/Grafico7.png 597w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184125\/Grafico7-300x150.png 300w\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"299\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>A parcela da renda global que vai para os 10% mais rico em n\u00edvel mundial flutuou em torno de 50-60% entre 1820 e 2020 (50% em 1820, 60% em 1910, 56% em 1980, 61% em 2000, 55% em 2020), enquanto a parcela que vai para os 50% mais pobre geralmente tem sido em torno ou abaixo de 10% (14% em 1920, 7% em 1910, 5% em 1980, 6% em 2000, 7% em 2020). A desigualdade global sempre foi muito grande. Ele cresceu entre 1820 e 1910 e mostra pouca tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o a longo prazo entre 1910 e 2020. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology e Chancel e Piketty (2021)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>As na\u00e7\u00f5es ficaram mais ricas, mas os governos se tornaram mais pobres<\/strong><\/p>\n<p>Uma maneira de entender essas desigualdades \u00e9 observar a lacuna entre a riqueza l\u00edquida dos governos e a riqueza l\u00edquida do setor privado. Nos \u00faltimos 40 anos, os pa\u00edses tornaram-se significativamente mais ricos, mas seus governos tornaram-se significativamente mais pobres. A parcela da riqueza detida pelos atores p\u00fablicos \u00e9 pr\u00f3xima de zero ou negativa nos pa\u00edses ricos, o que significa que a totalidade da riqueza est\u00e1 em m\u00e3os privadas (Figura 8). Essa tend\u00eancia foi ampliada pela crise de covid, durante a qual os governos tomaram emprestado o equivalente a 10-20% do PIB, essencialmente do setor privado. Hoje, a pouca riqueza dos governos tem implica\u00e7\u00f5es importantes para a capacidade do Estado de enfrentar a desigualdade no futuro, bem como para os principais desafios do s\u00e9culo XXI, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>FIGURA 8 \u2013 A ascens\u00e3o do setor privado\u00a0<\/strong><em><strong>versus<\/strong><\/em><strong>\u00a0o decl\u00ednio da riqueza p\u00fablica nos pa\u00edses ricos, 1970-2020<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184203\/Grafico8.png?resize=602%2C418&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184203\/Grafico8.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184203\/Grafico8-300x208.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"418\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0A riqueza p\u00fablica \u00e9 a soma de todos os ativos financeiros e n\u00e3o financeiros, al\u00e9m de saldos de d\u00edvidas, detidos pelos governos. A riqueza p\u00fablica caiu de 60% da renda nacional em 1970 para -106% em 2020 no Reino Unido. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology e Bauluz et al. (2021) e atualiza\u00e7\u00f5es.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>As desigualdades de riqueza aumentaram no topo da distribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O aumento da riqueza privada tamb\u00e9m foi desigual dentro dos pa\u00edses e em n\u00edvel mundial. Os multimilion\u00e1rios globais auferiram uma parcela desproporcional do crescimento da riqueza global nas \u00faltimas d\u00e9cadas: o 1% do topo ficou com 38% de toda a riqueza adicional acumulada desde meados da d\u00e9cada de 1990, enquanto os 50% da base ficou com apenas 2% dela. Essa desigualdade origina-se de uma s\u00e9ria desigualdade nas taxas de crescimento entre os segmentos superior e inferior da distribui\u00e7\u00e3o da riqueza. A riqueza dos indiv\u00edduos mais ricos do planeta cresceu de 6% a 9% ao ano desde 1995, enquanto a riqueza m\u00e9dia cresceu 3,2% ao ano (Figura 9). Desde 1995, a parcela da riqueza global em m\u00e3os de bilion\u00e1rios aumentou de 1% para mais de 3%. Este aumento foi exacerbado durante a pandemia do coronav\u00edrus. Na verdade, 2020 marcou o aumento mais acentuado na participa\u00e7\u00e3o dos bilion\u00e1rios globais na riqueza j\u00e1 registrado (Figura 10).<\/p>\n<p><strong>FIGURA 9 \u2013 Taxa m\u00e9dia de crescimento anual da riqueza, 1995-2021<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184234\/Grafico9.png?resize=601%2C338&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 601px) 100vw, 601px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184234\/Grafico9.png 601w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184234\/Grafico9-300x169.png 300w\" alt=\"\" width=\"601\" height=\"338\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0As taxas de crescimento entre a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o estavam entre 3% e 4% ao ano, entre 1995 e 2021. Como esse novo grupo come\u00e7ou com n\u00edveis de riqueza muito baixos, seus n\u00edveis absolutos de crescimento permaneceram muito baixos. A metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial ficou com apenas 2,3% do crescimento geral da riqueza desde 1995. O 1% do topo se beneficiou de altas taxas de crescimento (3% a 9% ao ano). Este grupo auferiu 38% do crescimento total da riqueza entre 1995 e 2021. A riqueza l\u00edquida das fam\u00edlias \u00e9 igual \u00e0 soma dos ativos financeiros (por exemplo, a\u00e7\u00f5es ou t\u00edtulos) e ativos n\u00e3o financeiros (por exemplo, im\u00f3veis ou terras) pertencentes a indiv\u00edduos, e saldo de suas d\u00edvidas. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>FIGURA 10 \u2013 Desigualdade extrema de riqueza: o aumento dos bilion\u00e1rios globais, 1995-2021<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184319\/Grafico10.png?resize=602%2C300&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184319\/Grafico10.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184319\/Grafico10-300x150.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"300\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0A parcela da riqueza detida pelos bilion\u00e1rios do mundo aumentou de 1% da riqueza total das fam\u00edlias em 1995 para quase 3,5% hoje. A riqueza l\u00edquida das fam\u00edlias \u00e9 igual \u00e0 soma dos ativos financeiros (por exemplo, a\u00e7\u00f5es ou t\u00edtulos) e ativos n\u00e3o financeiros (por exemplo, im\u00f3veis ou terras) pertencentes a indiv\u00edduos, e saldo de suas d\u00edvidas. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology e Bauluz et al. (2021) e atualiza\u00e7\u00f5es.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>As desigualdades de riqueza dentro dos pa\u00edses diminu\u00edram durante a maior parte do s\u00e9culo XX, mas a parte dos 50% mais pobres sempre foi muito baixa<\/strong><\/p>\n<p>A desigualdade de riqueza foi significativamente reduzida nos pa\u00edses ocidentais entre o in\u00edcio do s\u00e9culo XX e a d\u00e9cada de 1980, mas a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o nesses pa\u00edses sempre possuiu muito pouco, entre 2% e 7% do total (Figura 11). Em outras regi\u00f5es, a participa\u00e7\u00e3o dos 50% mais pobres \u00e9 ainda menor. Esses resultados mostram que ainda h\u00e1 muito a ser feito, em todas as regi\u00f5es do mundo, se quisermos reduzir as desigualdades extremas de riqueza.<\/p>\n<p><strong>FIGURA 11 \u2013 Riqueza do 1% mais rico\u00a0<\/strong><em><strong>versus<\/strong><\/em><strong>\u00a0riqueza dos 50% mais pobres na Europa Ocidental e os EUA, 1910-2020<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184352\/Grafico11.png?resize=602%2C365&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184352\/Grafico11.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184352\/Grafico11-300x182.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"365\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0o gr\u00e1fico apresenta as m\u00e9dias decenais das principais por\u00e7\u00f5es de patrim\u00f4nio pessoal do 1% mais rico na Europa Ocidental e nos Estados Unidos. Entre 1910 e 2020, o 1% do topo foi de 55% em m\u00e9dia, na Europa, contra 43% nos EUA. Um s\u00e9culo depois, os EUA est\u00e3o quase de volta ao n\u00edvel do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>As desigualdades de g\u00eanero permanecem consider\u00e1veis em n\u00edvel global, e o progresso dentro dos pa\u00edses \u00e9 muito lento<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<em>Relat\u00f3rio Mundial sobre as Desigualdades 2022<\/em>\u00a0nos fornece as primeiras estimativas da desigualdade de g\u00eanero nos rendimentos globais. No geral, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na renda total do trabalho se aproximava de 30% em 1990 e \u00e9 de menos de 35% hoje (Figura 12). A atual desigualdade de renda de g\u00eanero continua muito alta: em um mundo com plena igualdade de g\u00eanero, as mulheres ganhariam 50% de toda a renda do trabalho. Em 30 anos, o progresso foi muito lento em n\u00edvel global e a din\u00e2mica foi diferente entre os pa\u00edses, com alguns registrando progresso, mas outros observando redu\u00e7\u00f5es na participa\u00e7\u00e3o das mulheres nos rendimentos (Figura 13).<\/p>\n<p><strong>FIGURA 12 \u2013 Participa\u00e7\u00e3o feminina na renda global do trabalho, 1990-2020<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184425\/Grafico12.png?resize=602%2C290&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184425\/Grafico12.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184425\/Grafico12-300x145.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"290\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0A participa\u00e7\u00e3o da renda feminina na renda global do trabalho era de 31% em 1990 e de 35% em 2015. Hoje, os homens representam 64% da renda total do trabalho. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology e Neef e Robillard (2021)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>FIGURA 13 \u2013 Participa\u00e7\u00e3o feminina na renda no mundo, 1990, 2020<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184450\/Grafico13.png?resize=602%2C391&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184450\/Grafico13.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184450\/Grafico13-300x195.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"391\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0A parcela do trabalho feminino aumentou de 34% para 38% na Am\u00e9rica do Norte entre 1990 e 2020. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology e Neef e Robillard (2021)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Lidar com grandes desigualdades nas emiss\u00f5es de carbono \u00e9 essencial para enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p>As desigualdades globais de renda e riqueza est\u00e3o intimamente ligadas \u00e0s desigualdades ecol\u00f3gicas e \u00e0s desigualdades nas contribui\u00e7\u00f5es para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Em m\u00e9dia, os humanos emitem 6,6 toneladas de di\u00f3xido de carbono (CO2) per capita, por ano. O nosso novo conjunto de dados sobre as desigualdades nas emiss\u00f5es de carbono revela importantes desigualdades nas emiss\u00f5es de CO2 em n\u00edvel mundial: os 10% dos principais emissores s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 50% de todas as emiss\u00f5es, enquanto os 50% menos emitem 12% do total (Figura 14)<\/p>\n<p><strong>FIGURA 14 \u2013 Desigualdade global de carbono, 2019 \u2013 Contribui\u00e7\u00e3o por grupo para as emiss\u00f5es mundiais (%)<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184521\/Grafico14.png?resize=602%2C339&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184521\/Grafico14.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184521\/Grafico14-300x169.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"339\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0As pegadas de carbono pessoais incluem emiss\u00f5es de consumo dom\u00e9stico, investimentos p\u00fablicos e privados, bem como importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es de carbono incorporado em bens e servi\u00e7os comercializados com o resto do mundo. Estimativas modeladas com base na combina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de dados fiscais, pesquisas domiciliares e tabelas de insumo-produto. As emiss\u00f5es s\u00e3o divididas igualmente dentro das fam\u00edlias. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology e Chancel (2021)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A Figura 15 mostra que essas desigualdades n\u00e3o s\u00e3o apenas uma quest\u00e3o de pa\u00eds rico\u00a0<em>versus<\/em>\u00a0pa\u00eds pobre. Existem grandes emissores em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda e baixos emissores em pa\u00edses ricos. Na Europa, os 50% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o emitem cerca de cinco toneladas por ano por pessoa; os 50% mais pobres no Leste Asi\u00e1tico emitem cerca de tr\u00eas toneladas e os 50% mais pobres na Am\u00e9rica do Norte, cerca de 10 toneladas. Isso contrasta fortemente com as emiss\u00f5es dos 10% mais ricos nessas regi\u00f5es (29 toneladas na Europa, 39 no Leste Asi\u00e1tico e 73 na Am\u00e9rica do Norte).<\/p>\n<p><strong>FIGURA 15 \u2013 Emiss\u00f5es per capita em todo o mundo, 2019<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184547\/Grafico15.png?resize=602%2C339&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184547\/Grafico15.png 602w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184547\/Grafico15-300x169.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"339\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0As pegadas de carbono pessoais incluem emiss\u00f5es de consumo dom\u00e9stico, investimentos p\u00fablicos e privados, bem como importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es de carbono incorporado em bens e servi\u00e7os comercializados com o resto do mundo. Estimativas modeladas com base na combina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de dados fiscais, pesquisas domiciliares e tabelas de insumo-produto. As emiss\u00f5es s\u00e3o divididas igualmente dentro das fam\u00edlias. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology e Chancel (2021)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Este relat\u00f3rio tamb\u00e9m revela que a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses ricos j\u00e1 est\u00e1 dentro (ou perto) das metas clim\u00e1ticas para 2030 estabelecidas pelos pa\u00edses ricos, quando essas metas s\u00e3o expressas em uma base per capita. Este n\u00e3o \u00e9 o caso da metade mais rica da popula\u00e7\u00e3o. Grandes desigualdades nas emiss\u00f5es sugerem que as pol\u00edticas clim\u00e1ticas devem visar mais os poluidores ricos. At\u00e9 agora, as pol\u00edticas clim\u00e1ticas, como os impostos sobre o carbono, t\u00eam frequentemente impactado, de forma desproporcional, os grupos de baixa e m\u00e9dia renda, ao mesmo tempo em que n\u00e3o alteram os h\u00e1bitos de consumo dos grupos mais ricos.<\/p>\n<p><strong>Redistribuindo riqueza para investir no futuro<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<em>Relat\u00f3rio Mundial Sobre as Desigualdades 2022<\/em>\u00a0analisa v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas para redistribuir a riqueza e investir no futuro, a fim de enfrentar os desafios do s\u00e9culo XXI. A Tabela 1 apresenta os ganhos de receita que viriam de um modesto imposto progressivo sobre a riqueza dos multimilion\u00e1rios globais. Dado o grande volume de concentra\u00e7\u00e3o de riqueza, impostos progressivos podem gerar receitas significativas para os governos. Em nosso cen\u00e1rio, descobrimos que 1,6% da receita global poderia ser gerada e reinvestida em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. O relat\u00f3rio vem com um simulador online para que todos possam projetar seu imposto de renda preferido em n\u00edvel global ou em sua regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>TABELA 1 \u2013 Milion\u00e1rios e bilion\u00e1rios no mundo<\/strong><\/p>\n<div>\n<figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184620\/Tabela1.png?resize=632%2C242&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 632px) 100vw, 632px\" srcset=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184620\/Tabela1.png 632w, https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2021\/12\/07184620\/Tabela1-300x115.png 300w\" alt=\"\" width=\"632\" height=\"242\" \/><figcaption><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Em 2021, havia 62,2 milh\u00f5es de pessoas no mundo possuindo mais de US$ 1 milh\u00e3o (medido a partir de taxas de c\u00e2mbio de mercado). Sua riqueza m\u00e9dia era de US$ 2,8 milh\u00f5es, representando um total de US$ 174 trilh\u00f5es. Em nosso cen\u00e1rio tribut\u00e1rio 2, um imposto global progressivo sobre a riqueza geraria 2,1% da receita global, levando em considera\u00e7\u00e3o a deprecia\u00e7\u00e3o e evas\u00e3o do capital. Fonte: wir2022.wid.wolrd\/methodology<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Ressaltamos, desde o in\u00edcio, que enfrentar os desafios do s\u00e9culo XXI n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem uma redu\u00e7\u00e3o significativa das desigualdades de renda e riqueza. A ascens\u00e3o dos Estados de bem-estar modernos no s\u00e9culo XX, que foi associada a um grande progresso na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e oportunidades para todos (ver Cap\u00edtulo 10), estava associada ao forte aumento de impostos progressivos. Isso desempenhou um papel fundamental para garantir a aceitabilidade social e pol\u00edtica do aumento da tributa\u00e7\u00e3o e da socializa\u00e7\u00e3o da riqueza. Uma evolu\u00e7\u00e3o semelhante ser\u00e1 necess\u00e1ria para enfrentar os desafios do s\u00e9culo XXI. Algumas mudan\u00e7as recentes na tributa\u00e7\u00e3o internacional mostram que o progresso em dire\u00e7\u00e3o a pol\u00edticas econ\u00f4micas mais justas \u00e9 de fato poss\u00edvel, tanto em n\u00edvel global como tamb\u00e9m dentro dos pa\u00edses. Os cap\u00edtulos 8, 9 e 10 do relat\u00f3rio discutem v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es para combater a desigualdade, aprendendo com exemplos em todo o mundo e ao longo da hist\u00f3ria moderna. A desigualdade \u00e9 sempre uma escolha pol\u00edtica e aprender com as pol\u00edticas implementadas em outros pa\u00edses ou em outros momentos \u00e9 fundamental para projetar caminhos de desenvolvimento mais justos.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: O novo mapa da desigualdade global &#8211; Outras Palavras &#8211; https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/novo-mapa-da-desigualdade-global\/<\/p>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>R\u00f4ney Rodrigues &#8211; O texto a seguir \u00e9 o Resumo Executivo \u2013 traduzido por\u00a0Outras Palavras\u00a0\u2013 do\u00a0Relat\u00f3rio Mundial sobre as Desigualdades para 2022. Produzido pela equipe de Thomas Piketty, na Escola de Economia de Paris, o documento foi lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira, 7\/12. A \u00edntegra do documento pode ser\u00a0baixada aqui. Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0Vitor Costa. 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