{"id":16030,"date":"2021-11-22T12:48:29","date_gmt":"2021-11-22T15:48:29","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16030"},"modified":"2021-11-20T12:52:30","modified_gmt":"2021-11-20T15:52:30","slug":"para-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/11\/22\/para-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra\/","title":{"rendered":"Para desvendar as l\u00f3gicas do capital e da guerra"},"content":{"rendered":"<p><strong>Gilberto Bercovici <\/strong>e\u00a0<strong>Luiz Felipe Os\u00f3rio &#8211; <\/strong>Primeira de tr\u00eas partes da entrevista. Neste segmento, o ex\u00edlio no Chile; a efervesc\u00eancia pol\u00edtico-cultural not\u00e1vel durante o governo Allende; a volta ao Brasil e o envolvimento no processo que levaria \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do SUS; o esfor\u00e7o de an\u00e1lise de conjuntura brasileira e internacional; a descoberta de Braudel<\/p>\n<p><em>Ainda em meio \u00e0 pandemia do coronav\u00edrus e \u00e0 trag\u00e9dia social desencadeada no Brasil, na frieza do distanciamento social e de respostas por escrito, Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori concedeu \u00e0 Margem Esquerda uma entrevista \u00fanica. Para al\u00e9m de an\u00e1lises certeiras e debates te\u00f3ricos, o intelectual que nunca se encaixou nas formas estanques das especializa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do pensamento social e pol\u00edtico enfatiza, aqui, uma narrativa biogr\u00e1fica, na qual mescla eventos da sua vida com os acontecimentos da hist\u00f3ria pol\u00edtica do Brasil e do mundo, simbiose a qual permitiu que experimentasse a estadia em v\u00e1rios pa\u00edses e a conviv\u00eancia com grandes c\u00e2nones do nosso tempo.<\/em><\/p>\n<p><em>Na apresenta\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria, estrat\u00e9gia e desenvolvimento, o economista chileno, Jos\u00e9 Gabriel Palma, professor da Universidade de Cambridge, diz que Fiori \u00e9 um pensador \u201cher\u00e9tico\u201d pela sua multidisciplinariedade e independ\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o a autores de refer\u00eancia e escolas de pensamento. De fato, Fiori se formou no Chile, quando as grandes quest\u00f5es em debate eram a revolu\u00e7\u00e3o, o socialismo democr\u00e1tico e o desenvolvimento, e quando se formularam as principais teorias da depend\u00eancia, e esses debates o marcaram definitivamente. Com o passar do tempo, formulou sua pr\u00f3pria vis\u00e3o a respeito do funcionamento do sistema internacional e recolocou o debate do bloqueio do desenvolvimento latino-americano no contexto das lutas geopol\u00edticas pelo poder global. Suas an\u00e1lises s\u00e3o marcadas pelo pessimismo da raz\u00e3o e pelo otimismo da vontade, na express\u00e3o cl\u00e1ssica de Gramsci, e pela frieza com que disseca os fatos e as tend\u00eancias no pleno calor dos acontecimentos. Sua produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e suas an\u00e1lises da conjuntura nacional e internacional, sobretudo a partir da d\u00e9cada de 1990, fazem dele um dos principais articulistas e pensadores brasileiros.<\/em><\/p>\n<p><em>Neste denso documento, conduzido pelos professores Luiz Felipe Os\u00f3rio e Gilberto Bercovici nos primeiros dias de setembro de 2020, Fiori nos deixa pistas para conhecer melhor sua vida e obra em meio \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es mundiais e aos seus impactos sobre o contexto pol\u00edtico-econ\u00f4mico latino-americano e brasileiro. Desde os tempos do seu ex\u00edlio no Chile, passando por v\u00e1rios pa\u00edses, e depois no Rio de Janeiro, ele discute sua hist\u00f3ria e suas conjunturas, entre livros e artigos que foram marcando sua vida e sua trajet\u00f3ria intelectual de lutas, derrotas e vit\u00f3rias por igualdade, liberdade e o desenvolvimento soberano do Brasil.<\/em><\/p>\n<p><strong>Para iniciar esta conversa, seria interessante ouvir sobre sua trajet\u00f3ria. Desde o Rio Grande do Sul at\u00e9 o Rio de Janeiro foi uma longa caminhada que passou por v\u00e1rias cidades e destinos, incluindo momentos no exterior, e todo esse percurso estava imerso nos solavancos da hist\u00f3ria brasileira, mesclando momentos de euforia desenvolvimentista e repress\u00e3o pol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p>Costumo pensar comigo mesmo que tive dois ex\u00edlios ou duas grandes \u201cimigra\u00e7\u00f5es\u201d que marcaram minha vida intelectual, profissional e pessoal. O primeiro deles quando tinha dezenove anos e fui obrigado, pela ditadura militar, a me exilar no Chile. E o segundo, quase dez anos depois, quando fui obrigado a sair de l\u00e1 por causa da ditadura militar do general Pinochet. Depois disso, em distintos momentos, vivi na Argentina, nos Estados Unidos, na Espanha, na Inglaterra, permaneci ou retornei muitas vezes \u00e0 Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Alemanha, Europa Central e acabei visitando dezenas de pa\u00edses e centenas de cidades ao redor do mundo. Essas viagens ajudaram a forjar minha paix\u00e3o pelo mundo e meu interesse pelo sistema mundial. Aprendi a import\u00e2ncia decisiva das fronteiras e identidades nacionais, e ao mesmo tempo aprendi a n\u00e3o ser nacionalista, mas a ser internacionalista sem me transformar num cosmopolita ing\u00eanuo e liberal.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que meu primeiro ex\u00edlio foi o que me deixou a marca mais profunda e definitiva, porque depois de sair do Brasil fui obrigado a viver toda minha juventude como \u201cap\u00e1trida\u201d, desde o momento em que os militares brasileiros tiraram minha identidade brasileira, obrigando-me a viver com um documento fornecido pelo governo chileno aos refugiados que se exilavam no seu territ\u00f3rio sem uma documenta\u00e7\u00e3o nacional. Al\u00e9m disso, foi no Chile que fiz minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, onde estudei sociologia, economia e filosofia. Por isso, ali\u00e1s, meu sentimento t\u00e3o forte de um segundo ex\u00edlio quando sa\u00ed de l\u00e1, porque j\u00e1 tinha minha vida praticamente formada no momento em que tive que fugir de novo. Hoje, eu n\u00e3o saberia avaliar se eu teria sa\u00eddo do Chile se n\u00e3o fosse pelo golpe de Pinochet. O que sei \u00e9 que para mim foi muito triste deixar o pa\u00eds \u00e0 \u00e9poca. Eu tinha acabado de completar 28 anos e, na verdade, ao sair de Santiago, deixei para tr\u00e1s minha juventude e minha segunda p\u00e1tria.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea sempre conta que tocou-lhe viver um per\u00edodo de grandes transforma\u00e7\u00f5es no Chile, durante os governos de Eduardo Frei e Salvador Allende, e como foi um per\u00edodo de grande ebuli\u00e7\u00e3o de ideias inovadoras at\u00e9 chegar o golpe militar. Qual o impacto que isso teve na sua forma\u00e7\u00e3o intelectual?<\/strong><\/p>\n<p>Sa\u00ed do Brasil em 1965, antes dos chamados \u201canos de chumbo\u201d da ditadura militar brasileira, mas acompanhei de perto a experi\u00eancia chilena dos governos de Eduardo Frei e Salvador Allende, e at\u00e9 assisti da minha casa o bombardeio final da resid\u00eancia do presidente chileno. Quando cheguei ao Chile, e, sobretudo, no ambiente universit\u00e1rio que frequentei, o grande debate dos anos 1960 e in\u00edcio dos 1970 era sobre reforma ou revolu\u00e7\u00e3o, socialismo ou capitalismo de Estado, e sobre a possibilidade da \u201ctransi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d para o socialismo.<\/p>\n<p>O debate sobre o desenvolvimento e o \u201cdesenvolvimentismo\u201d n\u00e3o ocupava lugar central na agenda das nossas discuss\u00f5es. A atmosfera intelectual era de grande euforia ut\u00f3pica, e a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana exercia \u2013 obviamente \u2013 enorme fasc\u00ednio sobre a juventude, como prova de que a revolu\u00e7\u00e3o era poss\u00edvel e se podia construir um mundo novo na Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o consigo lembrar nessa \u00e9poca de nenhum jovem que tivesse como seu ideal apenas o \u201cdesenvolvimento\u201d, ou como ideologia, o \u201cdesenvolvimentismo\u201d. O escrit\u00f3rio central da Cepal\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a>estava em Santiago, e suas pesquisas e formula\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas foram muito importantes, mas estiveram muito pouco presentes na minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, pelo menos no meu tempo de gradua\u00e7\u00e3o em sociologia na Universidade do Chile, embora as ideias e as propostas cepalinas tenham exercido forte influ\u00eancia sobre o \u201creformismo democrata crist\u00e3o\u201d do governo de Eduardo Frei, entre 1964 e 1970.<\/p>\n<p>De qualquer forma, mais al\u00e9m da Cepal, a pr\u00f3pria experi\u00eancia reformista dos democratas-crist\u00e3os e, depois, a experi\u00eancia frustrada do socialismo democr\u00e1tico de Salvador Allende atra\u00edram para o Chile muitos intelectuais do mundo todo, e de todos os matizes te\u00f3ricos e ideol\u00f3gicos, que vinham pesquisar, observar ou participar de congressos e semin\u00e1rios, transformando a cidade numa verdadeira universidade aberta e p\u00fablica, um verdadeiro caldeir\u00e3o de ideias, uma experi\u00eancia intelectual \u00fanica, que j\u00e1 tinha ocorrido em algumas cidades europeias nos s\u00e9culos XIX e XX, mas que nunca tinha acontecido, e nunca mais ocorreu, na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Lembro de uma vez, por exemplo, que vinha caminhando e vi uma aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas na frente de um pr\u00e9dio. Parei, escutei, entrei e vi um senhor mais velho de gravata borboleta falando para um p\u00fablico muito atento. Ent\u00e3o, perguntei quem era e me disseram que era Arnold Toynbee. Sentei e escutei uma brilhante confer\u00eancia e depois segui meu caminho. Mas poderia ter sido Bobbio, Foucault, Braudel ou mesmo Willy Brandt, Enrico Berlinguer ou, mais tarde, o pr\u00f3prio Fidel Castro. Esse era o clima intelectual de Santiago do Chile naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tive experi\u00eancias profissionais interessantes. Primeiro, trabalhei numa pesquisa do professor Alain Touraine sobre a classe trabalhadora chilena. Depois, fiz concurso e trabalhei no Instituto de Sociologia da Universidade do Chile, e, em seguida, nos anos 1967-68, trabalhei com Paulo Freire no Icira\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a>, numa pesquisa sobre a \u201cconsci\u00eancia camponesa\u201d e o processo de reforma agr\u00e1ria. Foi no tempo em que o Paulo Freire estava escrevendo seu livro Pedagogia do oprimido, que eu acompanhei muito de perto; e finalmente trabalhei tamb\u00e9m no Cidu\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>\u00a0, numa investiga\u00e7\u00e3o sobre os \u201cmovimentos sociais urbanos\u201d, e numa equipe de que participavam tamb\u00e9m os soci\u00f3logos espanh\u00f3is Manuel Castells e Jordi Borja.<\/p>\n<p>Assim mesmo, de tudo isso o que mais me marcou intelectualmente nesses anos de trabalho em Santiago foi minha conviv\u00eancia com Paulo Freire, de quem me fiz grande amigo, apesar de nossa diferen\u00e7a de idade. Sempre digo que Paulo foi quem me ensinou a pensar com liberdade, sem medo das minhas pr\u00f3prias ideias. No final de 1968, ele foi trabalhar na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e em seguida foi para o Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra, onde me convidou em 1971 para fazer algumas confer\u00eancias. Guardo dele uma lembran\u00e7a muito forte e, por isso, foi muito gratificante para mim, quando, muitos anos depois, em 1981, encontrei um vendedor de livros numa rua de Sevilha que expunha um pequeno livrinho que levava na capa o nome do Paulo, do meu pai [Ernani Maria Fiori, importante fil\u00f3sofo brasileiro] e o meu. Era uma pequena edi\u00e7\u00e3o espanhola de tr\u00eas artigos nossos publicados sob o t\u00edtulo\u00a0<em>La educaci\u00f3n liberadora [A educa\u00e7\u00e3o libertadora]<\/em>.<\/p>\n<p><strong>E como voc\u00ea veio parar no Rio de Janeiro?<\/strong><\/p>\n<p>Como j\u00e1 contei, sa\u00ed muito cedo de Porto Alegre e fui direto para o Chile, mas meu caminho de volta foi um pouco menos linear, inclusive porque eu n\u00e3o tinha nenhum projeto ou inten\u00e7\u00e3o de voltar para o Brasil. E, por isso, depois de Santiago, vivi um tempo curto em Buenos Aires, que era onde gostaria de ter ficado ent\u00e3o, mas de onde sa\u00ed devido ao agravamento da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica argentina e o an\u00fancio iminente de mais um golpe de Estado, j\u00e1 no in\u00edcio de 1974. Naquele momento fui convidado a trabalhar na Unesco\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a>, mas o convite demorou a se concretizar. Assim, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo sem emprego e sem perspectiva de trabalho, fui obrigado a voltar ao Brasil, onde fiz um concurso para professor e fui classificado na USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), e recebi um convite para trabalhar no Instituto de Medicina Social da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Durante um ou dois anos trabalhei nas duas cidades, para finalmente optar por ficar apenas no Rio, por v\u00e1rios motivos que pesaram na minha decis\u00e3o naquele momento. E s\u00f3 alguns anos depois foi que entrei para a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).<\/p>\n<p><strong>Medicina Social?<\/strong><\/p>\n<p>Foi isso mesmo, me convidaram para ajudar no seu programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, e aceitei porque considerei que era um desafio novo e tirava um pouco minha cabe\u00e7a da cat\u00e1strofe chilena. E depois da montagem do programa, acabei gostando do \u201cgrupo da casa\u201d, fui professor da primeira turma de mestrado, e depois de trinta anos me aposentei como professor titular da Uerj. Nesse tempo, me orgulho muito de ter ajudado a formar in\u00fameros sanitaristas, participando com eles da formula\u00e7\u00e3o do projeto origin\u00e1rio de cria\u00e7\u00e3o do SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade), que come\u00e7ou a ser desenhado em 1976 por um grupo l\u00e1 do IMS (Instituto de Medicina Social), sendo depois constru\u00eddo durante a gest\u00e3o do dr. H\u00e9sio Cordeiro\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a>\u00a0na presid\u00eancia do Inamps (Instituto Nacional de Assist\u00eancia M\u00e9dica da Previd\u00eancia Social), em 1986-87, antes de ser consagrado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. H\u00e9sio Cordeiro foi um dos fundadores do IMS, e tamb\u00e9m aluno da primeira turma do mestrado, junto de outros m\u00e9dicos que l\u00e1 se formaram e o acompanharam no Inamps.<\/p>\n<p>O IMS acabou se transformando numa \u201cescola de poder\u201d que formou mais de um ministro da Sa\u00fade e in\u00fameros dirigentes sanit\u00e1rios brasileiros, e, do ponto de vista estritamente intelectual, ele se transformou num lugar de reflex\u00e3o multidisciplinar e heterodoxa, que formou a elite da \u201cintelligentsia sanit\u00e1ria\u201d brasileira durante muitos anos. Para mim, foi uma experi\u00eancia que come\u00e7ou de forma heterodoxa, mas que acabou sendo um espa\u00e7o de conviv\u00eancia, forma\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de ideias que teve grande import\u00e2ncia na minha vida profissional e intelectual, sobretudo durante as d\u00e9cadas de 1970 e 1980.<\/p>\n<p><strong>Entrando agora mais diretamente no campo das ideias e da sua produ\u00e7\u00e3o, gostar\u00edamos de resgatar os caminhos da sua forma\u00e7\u00e3o intelectual e as influ\u00eancias que mais impactaram na forma\u00e7\u00e3o do seu pensamento.<\/strong><\/p>\n<p>Talvez, devido \u00e0 minha pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, em v\u00e1rias \u00e1reas ou \u201ccampos de saber\u201d, nunca me senti ligado de forma monog\u00e2mica a nenhum autor ou escola de pensamento, e quase sempre tive dificuldade para responder exatamente quando me perguntavam o que eu era profissionalmente. Assim mesmo, acho que os tr\u00eas alicerces fundamentais da minha forma\u00e7\u00e3o intelectual vieram da filosofia, que estudei em v\u00e1rios momentos da vida, sem nunca ter conclu\u00eddo um curso formalmente. Ali\u00e1s, meu pai era fil\u00f3sofo, e isso com certeza marcou muito minha forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, minha vis\u00e3o dial\u00e9tica da hist\u00f3ria, que veio da minha admira\u00e7\u00e3o pelo pensamento de Her\u00e1clito e se estendeu at\u00e9 Hegel e Marx; em segundo lugar, meu \u201cceticismo radical\u201d, que veio tamb\u00e9m da filosofia grega, se consolidou com minha leitura de Sexto Emp\u00edrico, e depois passou por Montaigne e Hume, chegando at\u00e9 o debate epistemol\u00f3gico do s\u00e9culo XX, entre Popper, Lakatos, Feyeraband, Bachelard, Kuhn, Prigogine etc.; e, finalmente, meu \u201chiper-realismo pol\u00edtico\u201d, que vem de Tuc\u00eddides, passa por Maquiavel (o maior de todos os meus mestres) e Hobbes e se consolida com o estudo das teorias realistas da teoria pol\u00edtica e da economia pol\u00edtica internacional contempor\u00e2nea, que v\u00e3o de Edward Carr a John Mearsheimer, para citar apenas dois nomes. E sublinho aqui o \u201cprefixo hiper\u201d, por incluir no meu campo de estudo, com toda a dignidade de um \u201cobjeto cient\u00edfico\u201d, aquilo que os cientistas pol\u00edticos costumam descartar como \u201cteoria da conspira\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 no s\u00e9culo XX, e no campo em que venho atuando nos \u00faltimos anos, sublinharia a influ\u00eancia decisiva de alguns historiadores e cientistas sociais que trabalharam com as \u201cgrandes dura\u00e7\u00f5es\u201d e os grandes conflitos de poder do sistema mundial, como \u00e9 o caso dos te\u00f3ricos do imperialismo \u2013 Hobson, Hilferding, Bukharin e Schumpeter \u2013, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio Marx, Max Weber, Karl Polanyi, Norbert Elias, William McNeill, Charles Dawson, Fernand Braudel, Charles Tilly, Immanuel Wallerstein e Giovanni Arrighi, que s\u00e3o os que mais me influenciaram. Por outro lado, no campo da economia propriamente dita, sofri influ\u00eancia sobretudo da economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica e dos seus autores heterodoxos, come\u00e7ando por William Petty e o pr\u00f3prio Marx, seguindo com List e Hamilton; e no s\u00e9culo XX, Keynes, Kalecki, Steindl, ao lado da escola estruturalista latino-americana, com Prebisch, Furtado, Pinto, Vuscovich, Concei\u00e7\u00e3o, Lessa etc.<\/p>\n<p>Fui aluno ou participei de semin\u00e1rios com quase todos os \u201cpais\u201d das chamadas teorias da depend\u00eancia, e em particular Andreas Gunder Frank e Enzo Faletto foram meus professores j\u00e1 no curso de gradua\u00e7\u00e3o no Instituto de Sociologia da Universidade do Chile. Ali\u00e1s, foi Enzo Faletto quem me ensinou e introduziu pela primeira vez no pensamento de Max Weber. De qualquer maneira, \u00e9 sempre muito dif\u00edcil identificar as ra\u00edzes e reconstruir as trilhas do seu pr\u00f3prio pensamento.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea se refere muitas vezes a um texto que seria sua primeira produ\u00e7\u00e3o escrita,<\/strong>\u00a0<strong>depois da sua volta ao Brasil, em 1983, chamado \u201cPara uma economia pol\u00edtica do<\/strong>\u00a0<strong>tempo conjuntural\u201d. Qual a import\u00e2ncia que atribui a esse ensaio com rela\u00e7\u00e3o a suas<\/strong>\u00a0<strong>pesquisas e produ\u00e7\u00e3o intelectual posterior?<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea tem raz\u00e3o em lembrar desse texto, porque de fato ele teve import\u00e2ncia seminal com rela\u00e7\u00e3o a quase tudo que escrevi depois. O fasc\u00ednio pela pol\u00edtica e pela an\u00e1lise das conjunturas pol\u00edticas, nacionais e internacionais atravessa toda minha vida intelectual. Mas, neste caso, tudo come\u00e7ou com um curso que dei no Departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da USP em 1975, onde procurei analisar a origem hist\u00f3rico-conjuntural do conceito de \u201cditadura do proletariado\u201d, formulado por Marx, a partir da experi\u00eancia fracassada da Comuna de Paris.<\/p>\n<p>E, a prop\u00f3sito, li e analisei com os alunos o texto cl\u00e1ssico de Marx,\u00a0<em>O 18 de brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte<\/em>, que considero a primeira tentativa de an\u00e1lise e compreens\u00e3o de uma conjuntura pol\u00edtica concreta, constru\u00edda a partir de uma vis\u00e3o te\u00f3rica de longo prazo, a do materialismo hist\u00f3rico. Foi a partir da\u00ed que comecei a trabalhar de forma mais rigorosa e conceitual sobre o que seria o \u201ctempo conjuntural\u201d e como ele deveria ser estudado. Foi o resultado dessa pesquisa que procurei sintetizar naquele texto que voc\u00ea mencionou. Parto naquele trabalho exatamente d\u2019<em>O 18 de brum\u00e1rio<\/em>\u2026, e vou fazendo um exerc\u00edcio cr\u00edtico de reflex\u00e3o sobre os limites do conceito de \u201cinteresse de classe\u201d, na pr\u00f3pria an\u00e1lise de Marx sobre a conjuntura pol\u00edtica francesa de 1850, para depois discutir como v\u00e1rios outros autores marxistas tentaram resolver o problema da heterogeneidade e da inoper\u00e2ncia anal\u00edtica do conceito quando este \u00e9 utilizado para examinar o tempo curto da hist\u00f3ria conjuntural. E \u00e9 a\u00ed que introduzo e tento combinar, pela primeira vez, as an\u00e1lises dos autores marxistas com a teoria das \u201cexpectativas racionais\u201d do Weber, a \u201cteoria da guerra\u201d do Clausewitz e a teoria das \u201clongas dura\u00e7\u00f5es\u201d hist\u00f3ricas do Braudel.<\/p>\n<p><strong>Foi nesse momento que voc\u00ea come\u00e7ou a escrever e publicar suas pr\u00f3prias<\/strong>\u00a0<strong>an\u00e1lises da conjuntura brasileira e internacional?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, eu escrevi esse texto em 1983, e foi s\u00f3 no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 que convergiram duas coisas que mudaram minha vida intelectual: a primeira foi a divulga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica de minhas an\u00e1lises de conjuntura; e a segunda foi o in\u00edcio da minha atividade como \u201cintelectual p\u00fablico\u201d ou como \u201cpublicista\u201d cr\u00edtico do projeto neoliberal que estava come\u00e7ando a desembarcar no Brasil naquele momento. Tudo come\u00e7ou com a publica\u00e7\u00e3o, no Caderno de Ideias do\u00a0<em>Jornal do Brasil<\/em>, de uma an\u00e1lise e um diagn\u00f3stico cr\u00edtico do plano de estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do governo Collor de Mello, alguns dias depois do an\u00fancio do chamado Plano Collor, em mar\u00e7o de 1990.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, em meados de 1994 tamb\u00e9m publiquei no Caderno Mais! da\u00a0<em>Folha de S\u00e3o Paulo\u00a0<\/em>uma an\u00e1lise cr\u00edtica da Plano Cruzado, poucos dias depois da sua divulga\u00e7\u00e3o, e que se chamou exatamente \u201cOs moedeiros falsos\u201d. Nos dois casos, o objeto da minha cr\u00edtica n\u00e3o foi a parte t\u00e9cnica do plano macroecon\u00f4mico propriamente dito, mas o fato de que os dois planos serviriam como \u201cCavalo de Troia\u201d para introduzir no Brasil as pol\u00edticas e reformas neoliberais que vinham sendo difundidas, lideradas e\/ou impostas urbi et orbi pelas pot\u00eancias anglo-sax\u00f4nicas, e, no nosso caso em particular, pelos Estados Unidos. Depois disso, sim, comecei a escrever e nunca mais interrompi minha milit\u00e2ncia intelectual, com a publica\u00e7\u00e3o cada vez mais regular de centenas de artigos de an\u00e1lise conjuntural em jornais e revistas nacionais e internacionais. E ao escrever fui desenvolvendo meu pr\u00f3prio m\u00e9todo e minhas pr\u00f3prias categorias e instrumentos adequados \u00e0 an\u00e1lise cr\u00edtica do \u201ctempo conjuntural\u201d, definido como \u201cponto de encontro\u201d e, ao mesmo tempo, \u201cponto de passagem\u201d de v\u00e1rios tempos e lutas de poder sobrepostos e inter-relacionados, lutas pol\u00edticas e econ\u00f4micas, nacionais e internacionais.<\/p>\n<p><strong>Em 1984, voc\u00ea tamb\u00e9m publicou um trabalho a quatro m\u00e3os com o professor Carlos Lessa, sobre a pol\u00edtica econ\u00f4mica e a crise pol\u00edtica do Segundo Vargas.\u00a0<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a>\u00a0Qual a import\u00e2ncia que voc\u00ea atribui a esse trabalho, e como ele influenciou sua tese de doutoramento, que escreveu logo em seguida e defendeu em 1985, na USP, sobre os ciclos e crises do Estado desenvolvimentista brasileiro? A tese foi editada pela EdUerj em 1995, com o t\u00edtulo\u00a0<em>O voo da coruja.<\/em>\u00a0Por que esse t\u00edtulo?<\/strong><\/p>\n<p>Respondendo por partes e come\u00e7ando pelo in\u00edcio desta hist\u00f3ria, foi exatamente a\u00ed que entrei na UFRJ, em 1980, a convite do Carlos Lessa, para fazermos juntos a pesquisa sobre o Segundo Vargas, que durou uns dois ou tr\u00eas anos. Durante a conviv\u00eancia com ele, aprendi tudo o que sei at\u00e9 hoje de pol\u00edtica econ\u00f4mica, e foi essa pesquisa que me ensinou a utiliz\u00e1-la como um instrumento de an\u00e1lise das conjunturas pol\u00edticas um grande salto anal\u00edtico. Meu interesse n\u00e3o era ser economista, era saber ler os dados econ\u00f4micos e combinar a an\u00e1lise pol\u00edtica com a an\u00e1lise econ\u00f4mica na leitura din\u00e2mica de um tempo hist\u00f3rico em que se combinam sempre fatos, expectativas e estrat\u00e9gias de luta pelo poder. No caso dessa pesquisa, nossa pergunta era a rela\u00e7\u00e3o que poderia ter existido entre a pol\u00edtica econ\u00f4mica nacionalista do segundo governo de Vargas e o ultimato militar que levou o presidente ao suic\u00eddio.<\/p>\n<p>E nossa conclus\u00e3o foi que a crise e o golpe militar n\u00e3o foram causados pela pol\u00edtica econ\u00f4mica, at\u00e9 porque o segundo governo de Vargas nunca praticou uma pol\u00edtica macroecon\u00f4mica que pudesse ser chamada de heterodoxa, e que pudesse provocar a revolta dos conservadores, que n\u00e3o fosse no caso do aumento do sal\u00e1rio-m\u00ednimo de 100%, em 1953, e que levou ao imediato afastamento do ministro do Trabalho, Jo\u00e3o Goulart. O que o governo de Vargas fez foi usar o espa\u00e7o de liberdade criado pelos Acordos de Bretton Woods para levar \u00e0 frente uma pol\u00edtica monet\u00e1ria e cambial flex\u00edvel que permitisse atender aos m\u00faltiplos interesses heterog\u00eaneos reunidos na coaliz\u00e3o de for\u00e7as que o sustentava. N\u00e3o havia nada de excepcional nisso e todos os governos posteriores fizeram o mesmo, pelo menos at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980. Por isso, nossa aten\u00e7\u00e3o se deslocou para os fatores e as conex\u00f5es internacionais que pesaram naquela conjuntura. No caso, em primeiro lugar, o projeto de integra\u00e7\u00e3o do Cone Sul, o ABC que foi denunciado pelo pr\u00f3prio ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do governo, Neves da Fontoura. E, em segundo lugar, o Acordo Militar Brasil-EUA, assinado em 1952, que condicionou os desdobramentos pol\u00edticos que se seguiram, e todo o desenvolvimento brasileiro at\u00e9 o final dos anos 1970. Esse acordo referendou a op\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica defendida pelo general Golbery do Couto e Silva num artigo publicado naquele mesmo ano, na Revista do Clube Militar, no qual defendia o alinhamento incondicional do Brasil com os Estados Unidos como condi\u00e7\u00e3o de possibilidade do pr\u00f3prio desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds. Foi a\u00ed tamb\u00e9m que comecei a entender melhor o papel que teve, para o sucesso econ\u00f4mico do desenvolvimentismo conservador brasileiro, a submiss\u00e3o militar brasileira \u00e0 pol\u00edtica externa estadunidense,pelo menos at\u00e9 o momento em que o general Ernesto Geisel denunciou \u2013 em 1977 \u2013 este mesmo Acordo Militar de 1952, uma decis\u00e3o que pesou decisivamente na perda do apoio americano ao regime militar brasileiro.<\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca que li pela primeira vez a trilogia de Braudel sobre a civiliza\u00e7\u00e3o material e capitalismo e retomei ent\u00e3o minha \u201cpreocupa\u00e7\u00e3o hegeliana\u201d com os tempos hist\u00f3ricos e o desafio de junt\u00e1-los numa mesma an\u00e1lise conjuntural. E foi essa tentativa de os dois tempos \u2013 estrutural e conjuntural \u2013 que me levou \u00e0 tese de doutorado. Acho que o que ficou daquela tese \u00e9 menos sua an\u00e1lise da crise do Estado desenvolvimentista brasileiro e mais a quest\u00e3o do m\u00e9todo, a combina\u00e7\u00e3o do tempo conjuntural com o tempo estrutural, a combina\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o nacional com a internacional e, finalmente, da pol\u00edtica com a economia, sem cair em nenhum tipo de economicismo ou politicismo. Esse \u201cnovo olhar\u201d me permitiu reinterpretar a crise do nosso desenvolvimentismo dos anos 1980 e perceber que o desenvolvimentismo brasileiro, militar e conservador acabou com a crise econ\u00f4mica mundial dos anos 1970 e com a mudan\u00e7a da estrat\u00e9gia econ\u00f4mica internacional e a geopol\u00edtica dos Estados Unidos dos anos 1980. Por fim, o t\u00edtulo Voo da coruja foi extra\u00eddo da \u00faltima frase da tese, que acaba com uma refer\u00eancia e uma homenagem a Hegel.<\/p>\n<p><em>(continua)<\/em><\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote1anc\">1<\/a>Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, criada no \u00e2mbito do Conselho Econ\u00f4mico e Social (Economic and Social Council \u2013 Ecosoc) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em uma tentativa de debater setorialmente, por continentes, os rumos do desenvolvimento, principalmente, na periferia, no p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote2anc\">2<\/a>Sigla para Instituto de Capacitaci\u00f3n y Investigaci\u00f3n de La Reforma Agraria [Instituto de Capacita\u00e7\u00e3o e Investiga\u00e7\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria], \u00f3rg\u00e3o chileno voltado para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e estudos voltados \u00e0 reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote3anc\">3<\/a>Sigla para Curso de Desarrollo Urbano y Regional de la Universidad Cat\u00f3lica de Chile [Curso de Desenvolvimento Urbano e Regional da Universidade Cat\u00f3lica do Chile], centro de estudos e pesquisas que formou importantes nomes do pensamento social latino-americano da \u00e9poca.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote4anc\">4<\/a>\u00c9 a sigla para Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura, que possui escrit\u00f3rio tamb\u00e9m em Buenos Aires.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote5anc\">5<\/a>Renomado sanitarista brasileiro, H\u00e9sio de Albuquerque Cordeiro nos deixou no dia 8 de novembro de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=346&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fpara-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra%2F#sdendnote6anc\">6<\/a>Lessa, C. e Fiori, J.L, \u201cHouve uma pol\u00edtica econ\u00f4mica nacional-populista?\u201d, XII Encontro Nacional de Economia, S\u00e3o Paulo, ANPEC, 1984<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Para desvendar as l\u00f3gicas do capital e da guerra &#8211; Outras Palavras. Link: https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/para-desvendar-as-logicas-do-capital-e-da-guerra\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gilberto Bercovici e\u00a0Luiz Felipe Os\u00f3rio &#8211; Primeira de tr\u00eas partes da entrevista. 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