{"id":16003,"date":"2021-11-16T12:19:55","date_gmt":"2021-11-16T15:19:55","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=16003"},"modified":"2021-11-14T14:22:02","modified_gmt":"2021-11-14T17:22:02","slug":"bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/","title":{"rendered":"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz Carlos Bresser-Pereira<\/strong> &#8211; O\u00a0filme de Sergei Loniztsa, <em>Na neblina<\/em>, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial na Bielorr\u00fasia ocupada, narra a hist\u00f3ria de um homem simples que participa de um ato de sabotagem com mais tr\u00eas companheiros de trabalho, mas que, sem explica\u00e7\u00f5es, \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o \u00e9 condenado \u00e0 forca pelos ocupadores alem\u00e3es. Por isso ele \u00e9 acusado pela sua pr\u00f3pria comunidade de ter sido o delator, e assim, sem o reconhecimento dos seus, a vida perde o sentido para ele. No final das contas, sugere-nos o filme, cada indiv\u00edduo deve encontrar para si pr\u00f3prio o sentido de sua vida.<\/p>\n<p>Em outro diapas\u00e3o, em\u00a0<em>O porto<\/em>, do diretor finland\u00eas Aki Kaurimaki, o menino imigrante encontra nos pobres de Le Havre a solidariedade que d\u00e1 sentido a suas vidas. Assim tanto o grande cinema como a literatura oferecem pistas para a busca e a realiza\u00e7\u00e3o do sentido da vida, mas afinal devemos exercer nossa liberdade e fazer nossas escolhas, sabendo que se elas n\u00e3o levarem em considera\u00e7\u00e3o o outro, se forem mera express\u00e3o de um individualismo exacerbado n\u00e3o nos levar\u00e3o a lugar algum.<\/p>\n<p>\u00c9 esse o tema de um pequeno e fascinante livro que foi publicado na Fran\u00e7a contendo o debate que dois not\u00e1veis fil\u00f3sofos da modernidade, Chistopher Lasch e Cornelius Castoriadis, travaram em 1986, intermediados pelo fil\u00f3sofo e jornalista Michael Ignatieff, no Canal 4 da televis\u00e3o inglesa. Esse debate jamais havia sido publicado. Embora j\u00e1 se tenham passado 35 anos, e os dois debatedores j\u00e1 tenham morrido, esse debate, publicado sob o t\u00edtulo\u00a0<em>La culture de l\u2019\u00e9go\u00efsme<\/em>\u00a0(Ed. Climat), continua atual, dado seu elevado n\u00edvel de abstra\u00e7\u00e3o e a qualidade dos debatedores. Chistopher Lasch foi principalmente o autor de\u00a0<em>A cultura do narcisismo<\/em>\u00a0(Zahar), uma extraordin\u00e1ria cr\u00edtica do capitalismo consumista e individualista, e Cornelius Castoriadis, depois de muito cedo ter feito a cr\u00edtica pioneira do burocratismo comunista, em conjunto com Claude Lefort, tornou-se psicanalista e um cr\u00edtico agudo tanto do marxismo quanto do capitalismo liberal.<\/p>\n<p>O tema do debate j\u00e1 era ent\u00e3o a crise da modernidade, o fato de que o espa\u00e7o p\u00fablico e a ideia de um destino comum estava desaparecendo, e um individualismo avassalador tomava conta das pessoas. Enquanto isso, aqui no Brasil, o psicanalista e fil\u00f3sofo Joel Birman escreveu um belo ensaio,\u00a0<em>O sujeito na contemporaneidade<\/em>\u00a0(Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira) que n\u00e3o \u00e9 um livro pol\u00edtico, mas nos mostra como a psique humana mudou nesse per\u00edodo, e, na sua conclus\u00e3o, assinala que, ao passarmos da modernidade para a contemporaneidade, nos tornamos v\u00edtimas do narcisismo que Christopher Lasch j\u00e1 denunciava: \u201cnuma cultura narc\u00edsica como a nossa, permeada pela moral do individualismo levada a seu exagero, cada qual trata apenas de sua vida, e considera o outro como o inimigo e o rival, seja isso real, seja potencial\u201d.<\/p>\n<p>O debate entre Castoriadis e Lasch come\u00e7a com Ignatieff perguntando qual o pre\u00e7o que tem sido necess\u00e1rio pagar pela modernidade. Nossas tradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nos dizem que um sentimento de comunidade \u00e9 necess\u00e1rio, mas o espa\u00e7o p\u00fablico se reduziu e vivemos cada vez mais uma vida privada. E pergunta: \u201cSer\u00e1 que nos tornamos mais ego\u00edstas e menos capazes de engajamento pol\u00edtico? Como voc\u00eas descrevem a mudan\u00e7a que ocorreu na nossa vida p\u00fablica?\u201d<\/p>\n<p>Para Castoriadis, a mudan\u00e7a come\u00e7ou a acontecer no final dos anos 1950, e dois fatores foram determinantes: a desagrega\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio, e do projeto revolucion\u00e1rio a que estava ligado, e a capacidade demonstrada pelo capitalismo de melhorar o padr\u00e3o de vida das pessoas. Em consequ\u00eancia as pessoas viraram as costas aos interesses comuns e mergulharam no seu mundo privado, ainda que seja preciso colocar \u201cmundo privado\u201d entre aspas, porque \u201cnada \u00e9 jamais totalmente privado, o pr\u00f3prio indiv\u00edduo \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social\u201d.<\/p>\n<p>Lasch concorda e acrescenta que esse individualismo n\u00e3o \u00e9 o do estilo antigo, que surge nos s\u00e9culos XVII e XVIII, mas \u00e9 um novo individualismo, do \u201ceu m\u00ednimo\u201d ou do \u201ceu narcis\u00edstico\u201d \u2013 um eu crescentemente desprovido de conte\u00fado cujo objetivo \u201c\u00e9 pura e simplesmente a sobreviv\u00eancia\u201d. A alternativa \u00e0 mera sobreviv\u00eancia \u00e9 uma vida moral, \u00e9 uma vida p\u00fablica ou uma vida voltada para o bem p\u00fablico, a qual, como j\u00e1 assinalava Arist\u00f3teles, para ser realizada com liberdade sup\u00f5e a independ\u00eancia das necessidades materiais. O que j\u00e1 estava claro para os fil\u00f3sofos iluministas \u2013 acrescento. Eles distinguiam o ego\u00edsmo ou a cobi\u00e7a \u2013 ou as paix\u00f5es \u2013 dos \u201cinteresses bem considerados\u201d que se constituiriam em uma alternativa mais realista e razo\u00e1vel ao comportamento dominado pelo individualismo exacerbado e ao altru\u00edsmo.<\/p>\n<p>O que realmente caracteriza a sociedade contempor\u00e2nea, para Castoriadis, \u00e9 \u201ca falta de projeto\u201d. Cada um pensa na sua aposentadoria, na educa\u00e7\u00e3o de seus filhos, mas \u201cesse \u00e9 um tempo privado; ningu\u00e9m mais \u00e9 parte de um horizonte de tempo p\u00fablico\u201d. O caso limite \u00e9 o da multid\u00e3o em um grande engarrafamento de tr\u00e2nsito. Ela est\u00e1 \u201cmergulhada no oceano da coisa social\u201d, mas cada motorista est\u00e1 isolado, e todos se odeiam mutuamente.<\/p>\n<p>Estamos ent\u00e3o diante do \u201ccolapso do espa\u00e7o p\u00fablico?\u201d pergunta Ignatieff. Vivemos em um mundo muito inst\u00e1vel, responde Lasch. Antes n\u00f3s \u00e9ramos rodeados de objetos s\u00f3lidos e dur\u00e1veis, agora de imagens e mais imagens, fantasmag\u00f3ricas, proporcionadas pelas novas m\u00eddias. Desaparece, assim, a continuidade hist\u00f3rica que \u00e9 uma refer\u00eancia fundamental para cada um. Mas Ignatieff cobra a resposta sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a crise do dom\u00ednio p\u00fablico e o indiv\u00edduo voltado para si mesmo. Mas essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples porque os dois elementos se determinam mutuamente, responde Lasch. As mudan\u00e7as no indiv\u00edduo s\u00e3o tamb\u00e9m mudan\u00e7as na sociedade. O problema est\u00e1 \u201cno desaparecimento de um verdadeiro conflito social e pol\u00edtico\u201d. Porque, completa Castoriadis, \u201cas pessoas tem a impress\u00e3o, com raz\u00e3o, que n\u00e3o vale a penas lutar pelas ideias pol\u00edticas que se encontram dispon\u00edveis no mercado\u201d.<\/p>\n<p>Mas e a pol\u00edtica? \u201cA pol\u00edtica se tornou cada vez mais uma quest\u00e3o de grupos de interesse\u201d, afirma Lasch. E d\u00e1 um exemplo. O movimento pelos direitos civis, nos Estados Unidos, que teve como um de seus grandes l\u00edderes Martin Luther King, era um movimento c\u00edvico universal contra todos os racismos. Nos anos 1970 esse movimento foi redefinido como um movimento dos negros contra o racismo branco. Perdeu universalidade; tornou-se manifesta\u00e7\u00e3o dos interessados. Como a direita faz a cl\u00e1ssica \u201cculpabiliza\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas\u201d, h\u00e1, do outro lado, o que Lasch chama \u201ca valoriza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima\u201d. Os movimentos sociais s\u00f3 ganham legitimidade quando apontam as v\u00edtimas de alguma discrimina\u00e7\u00e3o. Desaparece, assim, a possibilidade de \u201cuma linguagem que seja compreendida por todos e constitua a base da vida pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>O que leva Castoriadis a concordar com for\u00e7a, tamb\u00e9m ele citando Arist\u00f3teles. Na\u00a0<em>p\u00f3lis<\/em>\u00a0grega, quando havia interessados em uma determinada quest\u00e3o, eles n\u00e3o tinham direito a voto, porque a pol\u00edtica estava voltada para o bem p\u00fablico, n\u00e3o para os grupos de interesse. Para a filosofia a partir do s\u00e9culo XVII, com exce\u00e7\u00e3o de Rousseau, a pol\u00edtica existe para defender o indiv\u00edduo do Estado. \u201cEla n\u00e3o aceita que possamos, n\u00f3s mesmos, construir uma comunidade pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Isto significa que criticam a democracia liberal baseada no interesse? As concep\u00e7\u00f5es de bem p\u00fablico n\u00e3o se tornaram invi\u00e1veis nas sociedades muito grandes e muito divididas do presente? \u2013 pergunta Ignatieff. Os dois interlocutores n\u00e3o t\u00eam uma resposta clara para a pergunta. N\u00e3o est\u00e1 claro no debate que h\u00e1 dois tipos de liberalismo pol\u00edtico: o liberalismo da afirma\u00e7\u00e3o dos direitos civis ou do Estado de direito, que \u00e9 uma conquista da humanidade, e o liberalismo pol\u00edtico identificado com a pol\u00edtica dos interesses em lugar da pol\u00edtica do bem p\u00fablico, que eles vivamente criticam.<\/p>\n<p>Ignatieff volta \u00e0 cr\u00edtica da sociedade contempor\u00e2nea. N\u00e3o estaria ela se dando conta que a l\u00f3gica do gozo, do consumo privado, \u00e9 vazia? Lasch concorda com veem\u00eancia. \u201cO consumo concebido como cultura e n\u00e3o como simples abund\u00e2ncia de bens parece ter como resultado transformar as pessoas em brinquedos passivos de seus fantasmas\u2026\u201d O que \u201ctorna derris\u00f3rio\u201d o liberalismo baseado na soberania do consumidor.<\/p>\n<p>Na verdade, assinala Castoriadis, o indiv\u00edduo s\u00f3 \u00e9 indiv\u00edduo no quadro da sociedade; quando essa sociedade fornece a ele um sentido para sua vida \u2013 um sentido que ele necessita. \u201cCada um de n\u00f3s necessita ser qualquer coisa de substancial\u201d. Do que se conclui, observa Ignatieff, que a estrutura\u00e7\u00e3o da identidade de cada indiv\u00edduo \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica. E, continua ele, nenhum de n\u00f3s pode se livrar de seu passado, de sua hist\u00f3ria, mas ser\u00e1 a sociedade contempor\u00e2nea t\u00e3o desprovida de sentido? N\u00e3o continua a existir nela a ideia de \u201ccar\u00e1ter\u201d? Ela n\u00e3o nos diz, \u201ceis aqui o tipo de pessoa que n\u00f3s honramos, que n\u00f3s respeitamos\u201d?<\/p>\n<p>Sim, \u201caquilo que sustenta a imagem do eu \u00e9 tamb\u00e9m o fato de que os outros a reconhecem\u201d, responde Castoriadis. Mas aquilo que n\u00f3s chamamos \u201crespeito\u201d e Hegel denominava \u201creconhecimento\u201d perdeu sentido com o colapso do mundo p\u00fablico. Mas, retruca Ignatieff, \u201cat\u00e9 que ponto voc\u00ea nos est\u00e1 empurrando para o pessimismo?\u201d Onde est\u00e1 a liberdade do indiv\u00edduo? Pergunta que leva Castoriadis a concluir de maneira solene. A verdadeira liberdade, como a democracia, s\u00e3o conceitos tr\u00e1gicos, porque n\u00e3o h\u00e1 limites externos para ela. Nunca sabemos at\u00e9 onde podemos chegar em termos de liberdade e de democracia. \u201cNa trag\u00e9dia grega o her\u00f3i n\u00e3o morre porque haveria um limite que ele haveria transgredido; esse \u00e9 o pecado crist\u00e3o. O her\u00f3i tr\u00e1gico morre de sua\u00a0<em>h\u00fabris<\/em>, ele morre por transgredir em um campo onde n\u00e3o havia limites estabelecidos anteriormente\u201d. Citando por meu turno Arist\u00f3teles, n\u00e3o posso deixar de acrescentar que a pr\u00e1tica da liberdade n\u00e3o conflita com o interesse, mas \u00e9 incompat\u00edvel com o ego\u00edsmo, porque ela s\u00f3 se realiza no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Um pouco depois desse debate, a psicanalista e fil\u00f3sofa Maria Rita Kehl em\u00a0<em>A raz\u00e3o depois da queda<\/em>, via nascer a p\u00f3s-modernidade ou a contemporaneidade, e j\u00e1 fazia sua cr\u00edtica: \u201cN\u00e3o ousamos mais dar asas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, ou seja, ao desejo\u2026 a p\u00f3s-modernidade \u00e9 o momento em que se decreta a fal\u00eancia das utopias modernas\u2026 a ideia do homem como sujeito da hist\u00f3ria vai sendo abandonada\u201d.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a contemporaneidade, esse foi o tempo do neoliberalismo. N\u00e3o foi apenas um tempo do liberalismo econ\u00f4mico, foi tamb\u00e9m um tempo de profunda crise do sujeito, foi um momento em que o individualismo se transformou em narcisismo e a solidariedade exercida no espa\u00e7o p\u00fablico com vistas ao futuro cedeu lugar \u00e0 perda da ideia de tempo e de futuro, de que nos fala agora Joel Birman. Em seu livro, ele n\u00e3o discute o esvaziamento do espa\u00e7o p\u00fablico, mas ele est\u00e1 interessado em um problema com ele relacionado. Ele foca sua aten\u00e7\u00e3o no mal-estar da contemporaneidade \u2013 como esse mal-estar \u00e9 diferente do mal-estar da modernidade que Freud analisou em\u00a0<em>O mal-estar da civiliza\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>(1930), livro no qual \u201csistematizou os impasses do projeto da modernidade, j\u00e1 ent\u00e3o indicando como o narcisismo solapava por dentro a m\u00e1xima \u00e9tica do Iluminismo, centrada na felicidade, no culto do eu e no prazer\u201d. Birman vai, portanto, fazer uma an\u00e1lise hist\u00f3rica do sujeito, na linha do pr\u00f3prio Freud, que, como observa o autor, jamais acreditou na natureza humana racional e abstrata, e pensou historicamente \u201cn\u00e3o obstante a condi\u00e7\u00e3o pulsional de base\u201d do sujeito.<\/p>\n<p>Joel Birman est\u00e1 interessado nesse sujeito, e para analisar seu mal-estar, ele vai opor tr\u00eas dualidades de conceitos. O que vemos, na transi\u00e7\u00e3o da modernidade para a atualidade e a passagem do sofrimento \u00e0 dor, do tempo ao espa\u00e7o, e do desamparo ao desalento. O sujeito moderno, o sujeito de meados do s\u00e9culo XX, enfrentava uma infinidade de contradi\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio Freud e grandes escritores como Arthur Schnitzler e Robert Musil, e fil\u00f3sofos como Herbert Marcuse e Walter Benjamin, analisaram, mas ele sabia reconhecer o seu tempo hist\u00f3rico ao inv\u00e9s de acreditar \u201cque tudo se passa no tempo presente, no qual a repeti\u00e7\u00e3o do mesmo \u00e9 t\u00e3o poderosa que n\u00e3o anuncia qualquer possibilidade de ruptura e de descontinuidade\u201d.<\/p>\n<p>Para Joel Birman o mal-estar da contemporaneidade est\u00e1 em primeiro lugar na incapacidade do sujeito de viver o tempo e a mudan\u00e7a que vem com ele. Quando ele sonha e se recorda do sonho, ele vive uma narrativa, mas hoje, ao inv\u00e9s do sonho, predomina o pesadelo e o p\u00e2nico, que \u00e9 traum\u00e1tico, e paralisa o sujeito em um espa\u00e7o sem tempo. Mas para ele \u201co mal-estar contempor\u00e2neo se caracteriza principalmente como dor, e n\u00e3o como sofrimento\u201d. A dor \u00e9 f\u00edsica, \u00e9 uma materializa\u00e7\u00e3o sensorial privada, n\u00e3o envolve a alteridade que est\u00e1 presente no sofrimento \u2013 um sentimento ps\u00edquico. Se a dor se mant\u00e9m apenas como dor, ela \u00e9 s\u00f3 nossa, e talvez possa ser resolvida pelo analg\u00e9sico ou pelo medicamento psiqui\u00e1trico; se logramos transform\u00e1-la em sofrimento, isto significa que fazemos parte de um todo social, e que podemos contar com a ajuda e a compreens\u00e3o do outro e com a psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Mas os homens e as mulheres perderam essa capacidade na contemporaneidade. Diante da dor, diante do pesadelo e do trauma, ele fica paralisado ao n\u00e3o poder situ\u00e1-la no tempo e transform\u00e1-la em sofrimento compartilhado. Ele enfrenta os excessos, as irrup\u00e7\u00f5es de suas emo\u00e7\u00f5es, mas como elas n\u00e3o podem se expressar em explos\u00f5es porque a sociedade n\u00e3o as aceita, n\u00e3o lhe resta alternativa sen\u00e3o implodir, \u201ccolocando em quest\u00e3o a ordem da vida, porque os interst\u00edcios e as fendas do som\u00e1tico seriam as \u00fanicas linhas de fuga dispon\u00edveis para a materializa\u00e7\u00e3o da implos\u00e3o.\u201d E assim, al\u00e9m da dor, vemos o sujeito mergulhar na hiperatividade, vemos a demiss\u00e3o do pensamento e a acelera\u00e7\u00e3o do comportamento, a a\u00e7\u00e3o se tornando um imperativo categ\u00f3rico.<\/p>\n<p>A express\u00e3o art\u00edstica do sujeito contempor\u00e2neo aparece de forma exemplar no filme de Stanley Kubrick,\u00a0<em>De olhos bem fechados<\/em>, no qual \u201ctoda a narrativa se constr\u00f3i entre a possibilidade e a impossibilidade da experi\u00eancia de sonhar\u201d. De repente, diante da mulher que lhe conta um sonho er\u00f3tico com um marinheiro, o marido, a express\u00e3o da contemporaneidade bem sucedida e bem comportada que perdeu a capacidade de sonhar e imaginar, que reconhece apenas a apar\u00eancia dos objetos \u00e0 sua volta, se desconstr\u00f3i e vive um pesadelo. Ora, observa Birman, como Freud ensinou, o desejo \u00e9 o motor da vida, mas \u201cpara o sujeito desejar \u00e9 preciso que possa tamb\u00e9m fantasmar\u201d, \u00e9 preciso que saiba usar a imagina\u00e7\u00e3o com liberdade \u2013 algo que o marido n\u00e3o tem.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um livro pol\u00edtico, mas nesse mundo visto pelo sujeito como continuidade e repeti\u00e7\u00e3o, nesse mundo no qual o sujeito perdeu a perspectiva do tempo e a capacidade de imaginar e de se comunicar com os outros, Birman n\u00e3o pode deixar de se referir ao fim da hist\u00f3ria de Francis Fukuyama e ao car\u00e1ter neoliberal dessa vis\u00e3o. Porque, afinal, acrescento, essa contemporaneidade a que ele se refere foi o tempo do neoliberalismo, foram os 30 anos neoliberais do capitalismo que entraram em colapso com a crise financeira global de 2008.<\/p>\n<p>Para Birman, na contemporaneidade, \u201co terror de se perder apodera-se do eu\u2026 a \u201cdespossess\u00e3o de si\u201d se anuncia assim como problem\u00e1tica crucial do mal-estar da contemporaneidade\u201d. O sujeito se sente dominado pelo sentimento do vazio. Por que? Haver\u00e1 uma raz\u00e3o geral para essa trag\u00e9dia humana e moral? Birman n\u00e3o d\u00e1 uma resposta direta a essa quest\u00e3o. Mas ele cita Lasch, que criticou \u201ca constitui\u00e7\u00e3o da cultura do narcisismo na atualidade\u201d. E, afinal, o que \u00e9 essa cultura, sen\u00e3o a cultura de um individualismo ou de um ego\u00edsmo extremado, que impede ao sujeito compartilhar valores e objetivos e dar sentido para sua pr\u00f3pria vida? Conforme termina Birman, confirmando a an\u00e1lise anterior de Lasch, Castoriadis e Ignatieff, \u201ca solidariedade, como valor que amalgama ainda os la\u00e7os sociais na modernidade, desapareceu inteiramente do cen\u00e1rio na contemporaneidade\u201d.<\/p>\n<p>Seu resultado, por\u00e9m, observo, n\u00e3o foi apenas tr\u00e1gico para o sujeito; foi tamb\u00e9m para a sociedade que, hoje, vive uma crise profunda, uma crise que n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m cultural, que n\u00e3o se revela apenas na estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nos pa\u00edses ricos e na redu\u00e7\u00e3o do crescimento nos pa\u00edses em desenvolvimento, mas tamb\u00e9m na perda de valores e de uma ideia de destino comum. A mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica continua acelerada, mas dado o individualismo exacerbado que o neoliberalismo pregava e a teoria econ\u00f4mica neocl\u00e1ssica legitimava como \u201ccient\u00edfico\u201d a partir da redu\u00e7\u00e3o do sujeito ao\u00a0<em>homo economicus<\/em> que sempre maximiza seus interesses, o sujeito contempor\u00e2neo se tornou desorientado e infeliz. Entretanto, essa vis\u00e3o do mundo e das coisas s\u00f3 foi plenamente hegem\u00f4nica nos anos 1990. Desde o in\u00edcio dos anos 2000 come\u00e7ou a ser contestada, e hoje est\u00e1 mais uma vez claro que uma sociedade presidida pelo utilitarismo e o narcisismo \u00e9 incompat\u00edvel com a vida social e a realiza\u00e7\u00e3o humana. Que a democracia, que foi uma conquista da modernidade, n\u00e3o pode ser reduzida a um eventual equil\u00edbrio de interesses conflitantes, ou \u00e0 cultura do ego\u00edsmo, porque ela s\u00f3 se realiza quando \u00e9 o resultado de uma constru\u00e7\u00e3o social compartilhada e participativa na qual o sujeito busca compatibilizar seus pr\u00f3prios interesses com seu esp\u00edrito republicano que luta por um interesse p\u00fablico que ele reconhece como existente e leg\u00edtimo.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade &#8211; Outras Palavras. Link: https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Carlos Bresser-Pereira &#8211; O\u00a0filme de Sergei Loniztsa, Na neblina, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial na Bielorr\u00fasia ocupada, narra a hist\u00f3ria de um homem simples que participa de um ato de sabotagem com mais tr\u00eas companheiros de trabalho, mas que, sem explica\u00e7\u00f5es, \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o \u00e9 condenado \u00e0 forca pelos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1752,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[49],"class_list":["post-16003","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teoria","tag-conjuntura"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Luiz Carlos Bresser-Pereira &#8211; O\u00a0filme de Sergei Loniztsa, Na neblina, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial na Bielorr\u00fasia ocupada, narra a hist\u00f3ria de um homem simples que participa de um ato de sabotagem com mais tr\u00eas companheiros de trabalho, mas que, sem explica\u00e7\u00f5es, \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o \u00e9 condenado \u00e0 forca pelos [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-11-16T15:19:55+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/bresser-pereira.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"810\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"455\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"13 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade\",\"datePublished\":\"2021-11-16T15:19:55+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/\"},\"wordCount\":3111,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/09\\\/bresser-pereira.jpg?fit=810%2C455&ssl=1\",\"keywords\":[\"Conjuntura\"],\"articleSection\":[\"Teoria\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/\",\"name\":\"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/09\\\/bresser-pereira.jpg?fit=810%2C455&ssl=1\",\"datePublished\":\"2021-11-16T15:19:55+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/09\\\/bresser-pereira.jpg?fit=810%2C455&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/09\\\/bresser-pereira.jpg?fit=810%2C455&ssl=1\",\"width\":810,\"height\":455},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/11\\\/16\\\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade - Controversia","og_description":"Luiz Carlos Bresser-Pereira &#8211; O\u00a0filme de Sergei Loniztsa, Na neblina, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial na Bielorr\u00fasia ocupada, narra a hist\u00f3ria de um homem simples que participa de um ato de sabotagem com mais tr\u00eas companheiros de trabalho, mas que, sem explica\u00e7\u00f5es, \u00e9 o \u00fanico que n\u00e3o \u00e9 condenado \u00e0 forca pelos [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2021-11-16T15:19:55+00:00","og_image":[{"width":810,"height":455,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/bresser-pereira.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"13 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade","datePublished":"2021-11-16T15:19:55+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/"},"wordCount":3111,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/bresser-pereira.jpg?fit=810%2C455&ssl=1","keywords":["Conjuntura"],"articleSection":["Teoria"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/","name":"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/bresser-pereira.jpg?fit=810%2C455&ssl=1","datePublished":"2021-11-16T15:19:55+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/bresser-pereira.jpg?fit=810%2C455&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/bresser-pereira.jpg?fit=810%2C455&ssl=1","width":810,"height":455},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/11\/16\/bresser-pereira-ve-o-mal-estar-da-contemporaneidade\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Bresser-Pereira v\u00ea o mal-estar da contemporaneidade"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/bresser-pereira.jpg?fit=810%2C455&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16003"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16003\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16004,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16003\/revisions\/16004"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1752"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}