{"id":15949,"date":"2021-11-02T12:02:40","date_gmt":"2021-11-02T15:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=15949"},"modified":"2021-10-27T14:04:40","modified_gmt":"2021-10-27T17:04:40","slug":"a-esperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/11\/02\/a-esperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras\/","title":{"rendered":"A esperan\u00e7a da paz e a perman\u00eancia das guerras"},"content":{"rendered":"<p><strong>J<\/strong><strong>os\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/strong><strong><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote1sym\"><sup>1<\/sup><\/a><\/strong><\/p>\n<div id=\"readability-page-1\" class=\"page\">\n<div id=\"single-the-content\">\n<p><em>\u00c9 bom lembrar que a esperan\u00e7a e a previs\u00e3o,<\/em><br \/>\n<em>embora insepar\u00e1veis, n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa [\u2026]<\/em><br \/>\n<em>e toda previs\u00e3o sobre o mundo real tem que repousar<\/em><br \/>\n<em>em algum tipo de infer\u00eancia sobre o futuro<\/em><br \/>\n<em>a partir daquilo que aconteceu no passado,<\/em><br \/>\n<em>ou seja, a partir da hist\u00f3ria.<\/em><br \/>\n<em><strong>Eric Hobsbawn, Sobre a Hist\u00f3ria<\/strong><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a>.<\/em><\/p>\n<p>No dia 30 de julho de 1932, Albert Einstein postou uma carta no pequeno vilarejo de Caputh, perto de Potsdam, na Alemanha, dirigida a Sigmund Freud, tratando do tema da \u201cguerra e da paz\u201d entre os homens e as na\u00e7\u00f5es. Nessa carta, Einstein perguntava a Freud como ele explicaria a perman\u00eancia das guerras, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos e de toda a hist\u00f3ria humana, e perguntava tamb\u00e9m se Freud considerava que fosse \u201cposs\u00edvel controlar a evolu\u00e7\u00e3o da mente do homem de modo a torn\u00e1-la \u00e0 prova das psicoses do \u00f3dio e da destrutividade\u201d.<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>\u00a0Desde Viena, Freud respondeu a Einstein que, do ponto de vista de sua teoria psicanal\u00edtica, \u201cn\u00e3o havia maneira de eliminar totalmente os impulsos agressivos do homem\u201d, apesar de que fosse poss\u00edvel \u201ctentar desvi\u00e1-los num grau tal que eles n\u00e3o necessitassem encontrar sua express\u00e3o na guerra\u201d.<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Mas ao mesmo tempo, na sua \u201ccarta-resposta\u201d, Freud colocou uma outra quest\u00e3o, aparentemente ins\u00f3lita, dirigida a Einstein e a todos os demais \u201chomens de boa vontade\u201d: \u201cpor que o senhor, eu e tantas outras pessoas nos revoltamos t\u00e3o violentamente contra a guerra, mesmo sabendo que o instinto de destrui\u00e7\u00e3o e morte \u00e9 insepar\u00e1vel da libido humana?\u201d. E se apressou em responder, falando para si mesmo, \u201ca principal raz\u00e3o por que nos rebelamos contra a guerra \u00e9 que n\u00e3o podemos fazer outra coisa. Somos pacifistas porque somos obrigados a s\u00ea-lo, por motivos org\u00e2nicos, b\u00e1sicos [\u2026], temos uma intoler\u00e2ncia constitucional \u00e0 guerra, digamos, uma idiossincrasia exacerbada no mais alto grau\u201d.<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Tudo indica que Freud conseguiu identificar, acertadamente, a ambiguidade dos impulsos naturais dos indiv\u00edduos que poderiam estar por tr\u00e1s de uma hist\u00f3ria coletiva da humanidade, marcada por uma sucess\u00e3o intermin\u00e1vel de guerras que se sucedem de forma quase compulsiva, a despeito de que a maioria das sociedades humanas considera e defende a \u201cpaz\u201d como um valor universal. Mas apesar disto, n\u00e3o existe at\u00e9 hoje nenhuma teoria que tenha conseguido explicar como essas guerras deram origem a uma sucess\u00e3o de \u201cordens \u00e9ticas internacionais\u201d que duraram at\u00e9 o momento em que foram destru\u00eddas ou modificadas por novas grandes guerras, e assim sucessivamente, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos. Como aconteceu com a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), e com a assinatura da Paz de Westf\u00e1lia, em 1648, que deu origem ao sistema de Estados nacionais europeus que depois se universalizou e foi sendo modificado ao mesmo tempo pelas guerras entre os europeus e depois entre os europeus e o \u201cresto do mundo\u201d, nos s\u00e9culos XVIII, XIX, XX e XXI.<\/p>\n<p>Foi o caso, por exemplo, da Guerra dos Nove Anos (1688-1697), envolvendo as principais pot\u00eancias europeias da \u00e9poca, e que culminou com a assinatura do Tratado de Ryswick; ou com a Guerra de Sucess\u00e3o Espanhola (1701-1714), considerada a primeira \u201cguerra global\u201d, que terminou com a assinatura do Tratado de Utrecht; ou ainda a Guerra dos Sete Anos, (1756-1763), que se desenvolveu simultaneamente na Europa, \u00c1frica, \u00cdndia, Am\u00e9rica do Norte e Filipinas, e que terminou com a assinatura de v\u00e1rios tratados de paz, que produziram mudan\u00e7as territoriais em quatro continentes. E assim sucessivamente, com as Guerras Revolucion\u00e1rias e as Guerras Napole\u00f4nicas francesas (1792-1815), que mudaram o mapa pol\u00edtico da Europa e foram seguidas pela Paz de Viena, respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cordem internacional\u201d extremamente conservadora, quase religiosa, e muito reacion\u00e1ria do ponto de vista social; ou tamb\u00e9m, com a Primeira Guerra Mundial e a Paz de Versailles, de 1919; e, finalmente, com a Segunda Guerra Mundial e o estabelecimento dos Acordos de Paz de Yalta, Potsdam e S\u00e3o Francisco, de 1945, respons\u00e1veis pelo nascimento da chamada \u201cordem liberal internacional\u201d, tutelada pelos Estados Unidos, e contempor\u00e2nea da Guerra Fria dos norte-americanos e seus aliados ocidentais, contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Mas o mesmo n\u00e3o aconteceu depois do fim da Guerra Fria e da Guerra do Golfo de 1991, quando n\u00e3o foi assinado nenhum novo grande acordo de paz entre vitoriosos e derrotados, e o mundo entrou num per\u00edodo de trinta anos de guerras quase cont\u00ednuas, sobretudo no Oriente M\u00e9dio, no Norte da \u00c1frica e na \u00c1sia Central, envolvendo Estados Unidos, R\u00fassia e todas as pot\u00eancias europeias da OTAN, que invadiram ou bombardearam pelo menos 11 pa\u00edses situados nas tr\u00eas regi\u00f5es acima mencionadas. Um per\u00edodo que foi festejado, no in\u00edcio dos anos 90, como a vit\u00f3ria definitiva da ordem liberal, cosmopolita e pac\u00edfica, preconizada pelas \u201cpot\u00eancias ocidentais\u201d, mas que se transformou num das \u00e9pocas mais violentas e destrutivas da Hist\u00f3ria moderna.<\/p>\n<p>E agora de novo, j\u00e1 na terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, depois da desastrosa retirada das tropas americanas e da OTAN, do Afeganist\u00e3o e do Iraque, e do seu deslocamento para a regi\u00e3o do Pac\u00edfico e do Oceano \u00cdndico, com o intuito de cercar e conter a China, os homens voltam se perguntar \u2013 como Einstein e Freud, na d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo passado \u2013 se \u00e9 poss\u00edvel sonhar com uma paz duradoura entre as na\u00e7\u00f5es ou se a humanidade est\u00e1 apenas se preparando para uma nova sucess\u00e3o de guerras entre suas grandes pot\u00eancias. Nesta hora, para n\u00e3o incorrer em expectativas e esperan\u00e7as frustradas, como aconteceu nos anos 90, o melhor que se pode fazer, na aus\u00eancia de alguma teoria que d\u00ea conta dessa sucess\u00e3o infinita de \u201cguerras\u201d e de \u201cpazes\u201d, \u00e9 recorrer \u00e0 pr\u00f3pria Hist\u00f3ria e algumas de suas li\u00e7\u00f5es. Com este objetivo, destacar\u00edamos quatro grandes ensinamentos do passado, que \u00e9 melhor n\u00e3o voltar a esquecer:<\/p>\n<p>O primeiro, \u00e9 que o objetivo de todas as guerras nunca foi a \u201cpaz pela paz\u201d; foi sempre a conquista de uma \u201cvit\u00f3ria\u201d que permitisse ao \u201cganhador\u201d impor sua vontade aos derrotados, junto com seus valores, institui\u00e7\u00f5es e regras de comportamento a serem aceitas e obedecidas a partir da vit\u00f3ria consagrada pela assinatura dos \u201cacordos\u201d ou \u201ctratados de paz\u201d que passam a regular as rela\u00e7\u00f5es entre vencedores e perdedores. Entretanto, o que a Hist\u00f3ria tamb\u00e9m ensina \u00e9 que a paz conquistada atrav\u00e9s da guerra e da submiss\u00e3o dos derrotados acaba se transformando \u2013 quase invariavelmente \u2013 no ponto de partida e motivo principal da nova guerra de \u201crevanche\u201d dos derrotados. Exatamente como previu o diplomata franc\u00eas Abb\u00e9 de Saint Pierre, na sua obra cl\u00e1ssica de 1712, em que formulou pela primeira vez a tese<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a>\u00a0retomada e defendida por Hans Morghentau, sobre o \u201cressentimento dos derrotados\u201d como causa principal das novas guerras.<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote7sym\"><sup>7<\/sup><\/a>\u00a0Os dois autores, compartilhando a convic\u00e7\u00e3o de que toda paz \u00e9 sempre, e em \u00faltima inst\u00e2ncia, apenas uma \u201ctr\u00e9gua\u201d, que pode ser mais ou menos longa, mas que n\u00e3o interrompe jamais a prepara\u00e7\u00e3o da nova guerra, seja por parte dos derrotados, seja por parte dos vitoriosos.<\/p>\n<p>O segundo ensinamento \u00e9 que a \u201cpaz\u201d n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de \u201cordem\u201d, nem \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria da \u201cordem\u201d, mesmo quando a \u201cordem\u201d seja uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria da \u201cpaz\u201d. Haja vista o caso cl\u00e1ssico da Paz de Westf\u00e1lia, que definiu as bases de uma \u201cordem europeia\u201d cujo \u00e1rbitro, em \u00faltima inst\u00e2ncia, foi sempre a pr\u00f3pria guerra, ou melhor, a capacidade de uns maior do que a de outros de fazer guerra. E agora de novo, nos \u00faltimos trinta anos, depois da vit\u00f3ria dos Estados Unidos na Guerra Fria e na Guerra do Golfo, quando conquistaram o comando unipolar do mundo, com condi\u00e7\u00f5es excepcionais de exerc\u00edcio de seu poder global, sem nenhum tipo de contesta\u00e7\u00e3o. O que se assistiu na pr\u00e1tica, como j\u00e1 vimos, foi uma nova ordem mundial mantida atrav\u00e9s do exerc\u00edcio da guerra cont\u00ednua, ou de uma \u201cguerra sem fim\u201d, como chamaram os pr\u00f3prios norte-americanos. Isso confirma a ideia de que toda \u201cordem internacional\u201d requer hierarquias, normas e institui\u00e7\u00f5es, \u00e1rbitros e protocolos de puni\u00e7\u00e3o, mas deixa claro ao mesmo tempo que quem estabelece essas normas e hierarquias, em \u00faltima inst\u00e2ncia, s\u00e3o as pr\u00f3prias pot\u00eancias dominantes atrav\u00e9s de suas guerras.<\/p>\n<p>O terceiro, \u00e9 que o poder precisa ser exercido de forma permanente, para que seja reconhecido e obedecido. Por isso, no sistema interestatal criado pelos europeus, as \u201cpot\u00eancias dominantes\u201d de cada \u00e9poca necessitam estar em permanente prepara\u00e7\u00e3o para a guerra, para poder exercer e preservar seu pr\u00f3prio poder. No plano internacional, como diria Maquiavel, o poder precisa ser temido mais do que amado, e ele \u00e9 temido pela sua capacidade de destrui\u00e7\u00e3o, muito mais do que por sua capacidade de constru\u00e7\u00e3o ou reconstru\u00e7\u00e3o dos povos, pa\u00edses ou na\u00e7\u00f5es que tenham sido castigados e destru\u00eddos por sua \u201cdesobedi\u00eancia\u201d, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vontade dos \u201cpoderosos\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o poder das grandes pot\u00eancias precisa expandir-se para que elas possam manter \u2013 pelo menos \u2013 a posi\u00e7\u00e3o que j\u00e1 possuem. A pr\u00f3pria l\u00f3gica dessa \u201cexpans\u00e3o cont\u00ednua\u201d acaba impedindo que as pot\u00eancias dominantes aceitem o\u00a0<em>status quo<\/em>\u00a0que elas mesmas instalaram atrav\u00e9s de suas vit\u00f3rias. Com este objetivo, inclusive, as \u201cgrandes pot\u00eancias\u201d s\u00e3o obrigadas, muitas vezes, a destruir as \u201cregras\u201d e \u201cinstitui\u00e7\u00f5es\u201d que elas mesmas criaram, sempre e quando tais regras e institui\u00e7\u00f5es ameacem sua necessidade e seu processo de expans\u00e3o. Foi sempre assim, mas essa tend\u00eancia se agravou nos \u00faltimos trinta anos, ap\u00f3s 1991, quando os Estados Unidos se viram na condi\u00e7\u00e3o de detentores exclusivos do poder global dentro do sistema internacional. Isso corrobora nossa tese de que o\u00a0<em>hegemon<\/em>\u00a0\u00e9 o principal desestabilizador do sistema internacional que ele lidera, pelo simples motivo que ele precisa mudar o pr\u00f3prio sistema para poder manter sua preemin\u00eancia ou supremacia. Um fen\u00f4meno que parece, \u00e0 primeira vista, surpreendente e contradit\u00f3rio, mas que se repete atrav\u00e9s da Hist\u00f3ria, e que n\u00f3s mesmos apelidamos num outro texto de \u201cparadoxo do hiperpoder\u201d.<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote8sym\"><sup>8<\/sup><\/a><\/p>\n<p>E o quarto, finalmente, \u00e9 que apesar da perman\u00eancia das guerras, a \u201cbusca da paz\u201d acabou se consolidando, nos \u00faltimos s\u00e9culos, como uma utopia cada vez mais universal, e de quase todos os povos do mundo. E que esta utopia adquiriu uma particular dramaticidade depois da inven\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o das armas at\u00f4micas em Hiroshima e Nagasaki, anunciando a possibilidade de autodestrui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio universo do\u00a0<em>Homo sapiens.<\/em>\u00a0A partir desse momento, como previu Freud, \u00e9 poss\u00edvel que este \u201cdesejo da paz\u201d tenha adquirido uma dimens\u00e3o ainda mais instintiva e quase biol\u00f3gica de preserva\u00e7\u00e3o e defesa da esp\u00e9cie humana, contra o seu pr\u00f3prio instinto ou \u201cpuls\u00e3o de morte\u201d. E neste sentido se pode dizer que a \u201cpaz\u201d acabou se transformando na maior das utopias humanas. Ao mesmo tempo, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que apesar de sua destrui\u00e7\u00e3o, as guerras do passado funcionaram muitas vezes, como j\u00e1 vimos, como instrumento consciente ou inconsciente de cria\u00e7\u00e3o da chamada \u201cmoral internacional\u201d que foi sendo tecida pelos \u201cacordos\u201d e \u201ctratados de paz\u201d, impostos pelos \u201cvitoriosos\u201d e depois negados ou reformados pelos antigos \u201cderrotados\u201d, numa sucess\u00e3o cont\u00ednua de novas guerras, novas \u201cpazes\u201d e novas \u201cconquistas \u00e9ticas\u201d.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica e necess\u00e1ria entre a guerra e a paz sempre foi muito dif\u00edcil de compreender e de aceitar, assim como t\u00e3o ou mais dif\u00edcil \u00e9 entender e aceitar a exist\u00eancia de uma puls\u00e3o de morte ao lado da pr\u00f3pria libido humana. Mas a verdade \u00e9 que na Hist\u00f3ria, como na conjuntura atual do sistema internacional, guerra e paz s\u00e3o insepar\u00e1veis e atuam de forma conjunta, como fontes energ\u00e9ticas de um mesmo processo contradit\u00f3rio de busca e constru\u00e7\u00e3o de uma ordem \u00e9tica universal que vai sendo tecida aos poucos, mas que est\u00e1 situada sempre mais \u00e0 frente, como uma utopia ou grande esperan\u00e7a da esp\u00e9cie humana.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote1anc\">1<\/a>\u00a0Este artigo antecipa ideias e algumas passagens de um novo livro de: Fiori, J. L. (Org.).\u00a0<em>Sobre a Paz<\/em>. Editora Vozes, Petr\u00f3polis, 2021, que se encontra no prelo e deve chegar \u00e0s livrarias no m\u00eas de dezembro.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote2anc\">2<\/a>S\u00e3o Paulo: Cia das Letras, 1998, p. 67<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote3anc\">3<\/a>\u00a0Freud (1969, p. 205 e 207c).<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote4anc\">4<\/a>\u00a0Freud (1969, p. 217).<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote5anc\">5<\/a>\u00a0Freud (p. 218, 219 e 220).<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote6anc\">6<\/a>\u00a0Saint-Pierre, Abb\u00e9 de.\u00a0<em>Projeto para tornar perp\u00e9tua a paz na Europa<\/em>. Editora UNB, S\u00e3o Paulo, 2003, p. 35.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote7anc\">7<\/a>\u00a0Morghentau, H.\u00a0<em>Politics among Nations. The struggle for power and peace<\/em>. Boston: Mc Graw Hill, 1993, p. 65-66.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=362&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fesperanca-da-paz-e-a-permanencia-das-guerras%2F#sdfootnote8anc\">8<\/a>\u00a0\u201cO grande problema te\u00f3rico est\u00e1 na descoberta de que as principais crises do sistema mundial foram sempre provocadas pelo pr\u00f3prio poder hegem\u00f4nico que deveria ser o seu grande pacificador e estabilizador\u201d (Fiori, J. L. Forma\u00e7\u00e3o, expans\u00e3o e limites do poder global. In: _______ [Org.].\u00a0<em>O Poder Americano<\/em>. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 2004, p. 15). Recentemente, o cientista pol\u00edtico norte-americano Michael Beckley chegou a uma conclus\u00e3o semelhante no seu artigo \u201c<em>Rogue Superpower.\u00a0<\/em><em>Why this could be an illiberal American Century<\/em>\u201d, in\u00a0<em>Foreign Affairs<\/em>, nov-dez. 2020 (www.foreignaffairs.com\/print\/node\/1126558).<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: A esperan\u00e7a da paz e a perman\u00eancia das guerras &#8211; Outras Palavras. 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