{"id":15918,"date":"2021-10-21T12:37:18","date_gmt":"2021-10-21T15:37:18","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=15918"},"modified":"2021-10-17T14:41:34","modified_gmt":"2021-10-17T17:41:34","slug":"muito-mais-que-bucolicos-paraisos-fiscais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/10\/21\/muito-mais-que-bucolicos-paraisos-fiscais\/","title":{"rendered":"Muito mais que buc\u00f3licos \u201cpara\u00edsos fiscais\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nicholas Shaxson<\/strong> &#8211; A \u201cCity\u201d, distrito financeiro de Londres. Daqui partem os fios da teia que sustenta a rede global offshore.<\/p>\n<p>Um esc\u00e2ndalo mundial \u2013 o\u00a0<em>Pandora Leaks,\u00a0<\/em>revelado pelo Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalistas Investigadivos \u2014 voltou a chamar aten\u00e7\u00e3o, em 3\/10\/2021, para a promiscuidade entre os mundos da pol\u00edtica institucional, das finan\u00e7as e da economia\u00a0<em>off shore,<\/em>\u00a0a grande rede dos chamados \u201cpara\u00edsos fiscais\u201d. Nesta entrevista, publicada originalmente em novembro de 2012, no site franc\u00eas independente, \u201c<a href=\"http:\/\/www.medelu.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Memoire des luttes<\/a>\u201d,\u00a0o jornalista investigativo e escritor Nicholas Shaxson ajuda a entender o que est\u00e1 em jogo.<\/p>\n<p><em>Autor de um livro produzido a partir pesquisa profunda no mundo paralelo das finan\u00e7as ocultas \u2013 Treasure Islands: Uncovering the Damage of Offshore Banking and Tax Havens1 \u2013,\u00a0Nicholas\u00a0Shaxson\u00a0escreve regularmente no \u201cFinancial Times\u201d e no \u201cThe Economist\u201d. Em sua obra de refer\u00eancia, ele lan\u00e7a uma nova luz sobre o papel da City de Londres e da rede formada pelas ex-col\u00f4nias do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico na gal\u00e1xia offshore.<\/em><\/p>\n<p><strong>Christophe Ventura: Em seu livro, voc\u00ea indica quantias exorbitantes (ativos banc\u00e1rios, investimentos diretos de multinacionais no exterior, frutos da evas\u00e3o fiscal etc) que transitam pelo sistema internacional dos para\u00edsos fiscais. Segundo voc\u00ea, \u201cmais da metade do com\u00e9rcio internacional (\u2026) passa por ele\u201d. Mas, na verdade, o que \u00e9 um para\u00edso fiscal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nicholas Shaxson<\/strong>:\u00a0Podemos explicar facilmente o que \u00e9 um para\u00edso fiscal com duas palavras: \u201cfuga\u201d e \u201coutro lugar\u201d. Os para\u00edsos fiscais possibilitam sonegar impostos, certamente, mas tamb\u00e9m fugir \u00e0s leis penais, \u00e0 regula\u00e7\u00e3o financeira, \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es de transpar\u00eancia etc. Em uma palavra, \u00e0s responsabilidades civis e sociais. Eles isentam os ricos e as grandes empresas das restri\u00e7\u00f5es, dos riscos e das obriga\u00e7\u00f5es que a democracia exige de cada um de n\u00f3s. A tributa\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um aspecto da quest\u00e3o.<br \/>\nA palavra \u201coutro lugar\u201d \u00e9 igualmente crucial. Quem pretende fugir \u00e0s suas responsabilidades, precisa colocar seu dinheiro (o pr\u00f3prio ou de sua empresa) em outro lugar. Da\u00ed a palavra \u201coffshore\u201d, literalmente, em Ingl\u00eas \u201cfora do pa\u00eds\u201d. Assim, por exemplo, a legisla\u00e7\u00e3o das Bahamas \u00e9 concebida para atrair dinheiro n\u00e3o dos habitantes do arquip\u00e9lago, mas de estrangeiros.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o dos para\u00edsos fiscais na arquitetura das finan\u00e7as internacionais?<\/strong><\/p>\n<p>Os para\u00edsos fiscais servem a v\u00e1rios objetivos. Seus apologistas dizem que eles permitem corrigir as \u201cdefici\u00eancias\u201d do sistema financeiro internacional: gra\u00e7as a eles, o capital move-se mais r\u00e1pido pela economia e enfrenta menos obst\u00e1culos. Uma imagem muitas vezes usada \u00e9 a de gr\u00e3os de areia numa m\u00e1quina: os para\u00edsos fiscais forneceriam o \u00f3leo que lubrifica o motor. Mas se voc\u00ea olhar mais de perto, tem uma perspectiva completamente diferente. Quais s\u00e3o esses \u201cobst\u00e1culos\u201d que supostamente desaceleram as finan\u00e7as globais e as tornam menos \u201ceficientes\u201d? S\u00e3o os impostos, a regula\u00e7\u00e3o financeira e as obriga\u00e7\u00f5es de transpar\u00eancia \u2013 todas elas, coisas que t\u00eam uma boa raz\u00e3o de existir! N\u00e3o se v\u00ea muito bem, por exemplo, como o sigilo banc\u00e1rio pode ser \u201ceficiente\u201d: ele \u00e9 talvez bem conveniente para pessoas privadas, mas prejudica o sistema como um todo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea descreve um dos mecanismos a que recorrem as multinacionais: a \u201cmanipula\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de transfer\u00eancia\u201d. Do que se trata?<\/strong><\/p>\n<p>Os pre\u00e7os de transfer\u00eancia s\u00e3o um recurso usado pelas multinacionais para reduzir o valor dos seus impostos. Basicamente, permite transferir as receitas de uma empresa para um para\u00edso fiscal \u2013 onde ela n\u00e3o \u00e9 tributadas \u2013 e os custos para um pa\u00eds de forte tributa\u00e7\u00e3o \u2013 onde eles permitem redu\u00e7\u00e3o de impostos. Como procede uma multinacional? Manipulando os pre\u00e7os dos bens e servi\u00e7os que as suas subsidi\u00e1rias comerciam. Tomemos, por hip\u00f3tese, o caso de uma m\u00e1quina fabricada na Fran\u00e7a e vendida ao Equador, por meio das Bermudas. O pre\u00e7o de venta no Equador \u00e9 de 2 mil d\u00f3lares; os custos de produ\u00e7\u00e3o, 1 mil d\u00f3lares. A filial das Bermudas paga para a matriz francesa U$ 1001 d\u00f3lares pela m\u00e1quina, que \u00e9 faturada em seguida \u00e0 filial equatoriana por US$ 1998. A companhia francesa obt\u00e9m, portanto, um d\u00f3lar de lucro (1001-1000 = 1); a subsidi\u00e1ria equatoriana, 2 d\u00f3lares (2000 \u2013 1998 = 2), o que gera muito pouca receita tanto para o Estado franc\u00eas como para o Estado equatoriano. J\u00e1 a filial das Bermudas realiza ela um lucro de 997 d\u00f3lares (1998 \u2013 1001 = 997), que n\u00e3o \u00e9 tributado. E pronto! A\u00ed est\u00e1 como desaparece uma nota fiscal! A realidade \u00e9, naturalmente, mais complexa, mas o procedimento b\u00e1sico \u00e9 esse.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 o\u00a0<em>C\u00edrculo M\u00e1gico Offshore<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 o nome dado a um pequeno grupo de escrit\u00f3rios de advocacia que dominam o setor financeiro \u201coffshore\u201d. Eles t\u00eam escrit\u00f3rios em m\u00faltiplos para\u00edsos fiscais ao redor do mundo e s\u00e3o mestres na arte de elaborar montagens financeiras transnacionais, muito frequentes hoje em dia.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea analisa a geografia pol\u00edtica dos para\u00edsos fiscais em escala internacional e apresenta ao leitor os v\u00e1rios grupos de \u201cjurisdi\u00e7\u00f5es de sigilo\u201d. Na sua opini\u00e3o, h\u00e1 uma \u201cteia de aranha\u201d formada por tr\u00eas c\u00edrculos, dos quais o mais importante e agressivo gravita em torno da City de Londres. Voc\u00ea desenvolve a ideia de que o sistema de para\u00edsos fiscais teria uma filia\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria colonial brit\u00e2nica, mas tamb\u00e9m francesa. Do que se trata? Como funciona esse novo imp\u00e9rio financeiro? Qual \u00e9 o papel atual da City de Londres no mundo \u201coffshore\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>A Gr\u00e3-Bretanha est\u00e1 no centro de uma rede de para\u00edsos fiscais que abastece a City [distrito financeiro] de Londres de capital e lhe fornece um gigantesco volume de neg\u00f3cios. O primeiro c\u00edrculo da teia \u00e9 constitu\u00eddo do que \u00e9 chamado de depend\u00eancias da Coroa \u2013 Jersey, Guernsey e Ilha de Man \u2013, cuja atividade principal s\u00e3o transa\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses da Europa, \u00c1frica, ex-URSS e Oriente M\u00e9dio. O segundo c\u00edrculo inclui territ\u00f3rios brit\u00e2nicos no exterior, incluindo as Ilhas Cayman e Bermudas, voltados principalmente \u00e0s Am\u00e9ricas do Norte e do Sul. Estas entidades (depend\u00eancias da Coroa e territ\u00f3rios ultramarinos do Reino Unido) s\u00e3o parcialmente brit\u00e2nicos, parcialmente aut\u00f4nomos. A Gr\u00e3-Bretanha se coloca em sua defesa, assegura a sua \u201cboa governan\u00e7a\u201d e seus governantes s\u00e3o nomeados pela rainha; em troca, sua pol\u00edtica interna \u00e9 independente. Al\u00e9m desses dois c\u00edrculos, outros para\u00edsos fiscais mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es estreitas com a City de Londres, mas cortaram todos os la\u00e7os institucionais com a antiga pot\u00eancia colonial. \u00c9 o caso de Hong Kong, por exemplo. Essa rede de para\u00edsos fiscais envolve o planeta: cada link \u201ccaptura\u201d o capital que transita por sua esfera geogr\u00e1fica e o envia para a City.<\/p>\n<p><strong>E os Estados Unidos?<\/strong><\/p>\n<p>Particularmente desde os anos 1970, os EUA t\u00eam adotado, de forma deliberada, uma legisla\u00e7\u00e3o que assegura aos fundos estrangeiros o sigilo banc\u00e1rio e v\u00e1rios benef\u00edcios fiscais; isso atrai ao pa\u00eds trilh\u00f5es de d\u00f3lares de capital flutuante, proveniente do exterior. Certas infraestruturas \u201coffshore\u201d existem num ou noutro Estado norte-americano, mas os mais importantes s\u00e3o diretamente dispon\u00edveis em n\u00edvel federal. Os Estados Unidos tamb\u00e9m disp\u00f5em de uma pequena rede de sat\u00e9lites, tais como o Panam\u00e1 ou as Ilhas Virgens norte-americanas, mas essa rede nem se compara \u00e0 brit\u00e2nica.<\/p>\n<p><strong>Ao mergulhar o leitor na hist\u00f3ria da evas\u00e3o fiscal e financeira, voc\u00ea indica que o \u201cverdadeiro Big Bang\u201d teve lugar no final dos anos 1950, com a emerg\u00eancia dos eurod\u00f3lares \u2013 d\u00f3lares detidos fora dos Estados Unidos \u2013 e do euromercado. Voc\u00ea pode nos explicar melhor?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma longa hist\u00f3ria, muito emocionante. Resumindo, a City de Londres ofereceu aos bancos um novo ambiente, n\u00e3o regulamentado, que lhes permitiu, desde os anos 1950, contornar a regulamenta\u00e7\u00e3o financeira estrita praticada nas fronteiras nacionais. Em \u00faltima an\u00e1lise, gra\u00e7as a este playground \u201coffshore\u201d, Wall Street tem podido crescer extraordinariamente e recuperar todo o seu poder pol\u00edtico: ele tem o controle sobre o aparelho de Estado dos Estados Unidos e convenceu o Legislativo de que a \u00fanica forma de avan\u00e7ar \u00e9 a que foi escolhida por Londres.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea prop\u00f5e enfrentar o \u201csistema offshore\u201d e apresenta, para isso, diversas propostas espec\u00edficas. Elas dizem respeito aos pa\u00edses ocidentais (incluindo o Reino Unido), assim como aos do Sul, ao tema das reformas tribut\u00e1rias e ao da luta contra a corrup\u00e7\u00e3o. Como seria, a seu ver, um sistema financeiro regulado pelas sociedades?<\/strong><\/p>\n<p>O sistema de Bretton Woods, praticado nos vinte e cinco anos que se seguiram \u00e0 Segunda Guerra Mundial, \u00e9 o melhor exemplo de finan\u00e7as bem regulamentadas,. Sob sua \u00e9gide, diversos pa\u00edses haviam introduzido controles de capital e controles de c\u00e2mbio. Os interc\u00e2mbios financeiros e a especula\u00e7\u00e3o internacional eram severamente enquadrados. As taxas de imposto sobre a renda eram muito altas. Alguns hoje consideram esse per\u00edodo como a idade de ouro do capitalismo: o com\u00e9rcio era relativamente livre, mas n\u00e3o as finan\u00e7as. Houve um forte crescimento econ\u00f4mico, poucas crises financeiras, e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. \u00c9 interessante notar que, recentemente, o FMI reconheceu que o controle do capital n\u00e3o era talvez uma ideia t\u00e3o m\u00e1\u2026<\/p>\n<p><strong>O que um Estado nacional pode fazer para lutar eficazmente contra os efeitos nocivos das finan\u00e7as \u201coffshore\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 receita m\u00e1gica. A primeira coisa a ser feita \u00e9 compreender bem o papel dos centros \u201coffshore\u201d\u00a0na economia mundial. \u00c9 necess\u00e1rio criar uma consci\u00eancia nova. Em seguida, tomar uma s\u00e9rie de medidas espec\u00edficas \u2013 descrevo algumas em meu livro. Deve-se, por exemplo, estabelecer um sistema em que as multinacionais s\u00e3o tributadas em fun\u00e7\u00e3o de sua atividade econ\u00f4mica real, em vez de sua forma jur\u00eddica artificial e complicada. Em tal sistema, sua atividade nos para\u00edsos fiscais n\u00e3o seria levada em conta. Se as multinacionais se retirarem dos para\u00edsos fiscais, eles v\u00e3o perder uma grande parte da prote\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de que desfrutam h\u00e1 anos.<\/p>\n<p><strong>A constru\u00e7\u00e3o europeia, que tem como dois princ\u00edpios fundamentais \u201ca livre circula\u00e7\u00e3o dos capitais\u201d e \u201ca livre concorr\u00eancia\u201d n\u00e3o favorece tamb\u00e9m a \u201cconcorr\u00eancia fiscal\u201d e, portanto, a cria\u00e7\u00e3o de novos para\u00edsos fiscais dentro de suas pr\u00f3prias fronteiras (Luxemburgo, Pa\u00edses Baixos, Irlanda etc. ), ao lado dos \u201ctradicionais\u201d como a Su\u00ed\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Certamente. Todo o mundo sabe que a Su\u00e1\u00e7a \u00e9 um para\u00edso fiscal, mas h\u00e1 outros na Europa: Luxemburgo, em particular, claro, o Reino Unido. A \u00c1ustria, os Pa\u00edses Baixos e a Irlanda tamb\u00e9m desempenham um papel importante. Sempre que a Uni\u00e3o Europeia tenta resolver o problema, ela enfrenta obst\u00e1culos pol\u00edticos \u2013 e isso, desde que existe.<\/p>\n<p><strong>Os pa\u00edses emergentes como a China, a \u00cdndia e outros n\u00e3o v\u00e3o tamb\u00e9m procurar se aproveitar das facilidades das finan\u00e7as \u201coffshore\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Os para\u00edsos fiscais beneficiam as elites ricas de v\u00e1rios pa\u00edses do mundo. Eles causam, sem d\u00favida, muito mais danos nos pa\u00edses em desenvolvimento do que nos pa\u00edses ricos da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). E, sim, \u00e9 verdade: as elites chinesas apoiam fortemente Hong Kong (e seu colaborador pr\u00f3ximo, as Ilhas Virgens Brit\u00e2nicas), apesar das consequ\u00eancias desastrosas para o resto da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Nas conclus\u00f5es do livro, voc\u00ea se dirige tamb\u00e9m \u00e0 m\u00eddia. Qual \u00e9 a sua mensagem para os jornalistas e especialistas?<\/strong><\/p>\n<p>Um consenso conseguiu se impor. E afirma que o sistema \u00e9 \u201ceficiente\u201d e os para\u00edsos fiscais s\u00e3o uma boa coisa. Comece por questionar este pressuposto. O assunto \u00e9 t\u00e3o complexo que muitas vezes, para explicar como as coisas funcionam, os jornalistas recorrem a \u201cespecialistas\u201d \u2013 na maioria das vezes, os profissionais do \u201cBig Four\u201d, as quatro grandes empresas de auditoria. O problema \u00e9 que essas empresas de auditoria t\u00eam como fonte de suas receitas ajudar seus clientes a sonegar impostos e outras obriga\u00e7\u00f5es fiscais. Seu ponto de vista \u00e9, portanto, enviesado em favor do sistema. Sempre que jornalistas recorrem a eles, sua vis\u00e3o de mundo perniciosa dissemina-se e coloniza cada vez mais as consci\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea considera que \u00e9 poss\u00edvel atribuir, aos centros \u201coffshore\u201d, alguma responsabilidade nas dificuldades da zona do euro, do sistema banc\u00e1rio europeu e da Gr\u00e9cia?<\/strong><\/p>\n<p>Aqueles que, nos para\u00edsos fiscais, fazem as leis, s\u00e3o sempre separados daqueles que sofrem suas consequ\u00eancias. Nunca h\u00e1 qualquer consulta democr\u00e1tica real quando essas leis s\u00e3o adotadas. O problema \u00e9 que este n\u00e3o \u00e9 apenas um ato deliberado. As coisas v\u00e3o mais longe. Trata-se da pr\u00f3pria ess\u00eancia dos para\u00edsos fiscais. Suas leis s\u00e3o feitas por pessoas iniciadas por iniciados: pessoas que n\u00e3o prestam contas a ningu\u00e9m, ao contr\u00e1rio do que a democracia exige. Os para\u00edsos fiscais s\u00e3o m\u00e1quinas legais de uso privado, quase cabines secretos. As conclus\u00f5es a serem tiradas da recente crise financeira, como da pr\u00f3xima, deveriam ser bastante \u00f3bvias.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Muito mais que buc\u00f3licos \u201cpara\u00edsos fiscais\u201d &#8211; Outras Palavras. Link: https:\/\/outraspalavras.net\/sem-categoria\/muito-mais-que-bucolicos-paraisos\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nicholas Shaxson &#8211; A \u201cCity\u201d, distrito financeiro de Londres. Daqui partem os fios da teia que sustenta a rede global offshore. 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