{"id":15892,"date":"2021-10-20T10:07:40","date_gmt":"2021-10-20T13:07:40","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=15892"},"modified":"2021-10-12T10:11:58","modified_gmt":"2021-10-12T13:11:58","slug":"sujeitos-invisiveis%ef%bb%bf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/10\/20\/sujeitos-invisiveis%ef%bb%bf\/","title":{"rendered":"Sujeitos invis\u00edveis\ufeff"},"content":{"rendered":"<p><strong>Paulo Chavonga<\/strong> &#8211;\u00a0Pesquisadores investigam desafios enfrentados por crian\u00e7as e adolescentes imigrantes e refugiados, tema ainda pouco discutido nas universidades brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cUma menina venezuelana atravessa o port\u00e3o da aduana brasileira. Com duas tran\u00e7as e la\u00e7o de fita rosa no cabelo, veste casaco tamb\u00e9m rosa e leva uma mochila aparentemente pesada nas costas um pouco curvadas. Debaixo do bra\u00e7o carrega um travesseiro grande quase do tamanho de seu corpo magro e mi\u00fado. O rosto est\u00e1 s\u00e9rio; a apar\u00eancia, cansada. Os passos est\u00e3o firmes e um pouco apressados, seguindo a mulher que vai na frente. O olhar, perdido. As duas seguem o fluxo e chegam num espa\u00e7o com bancos de madeira enfileirados para aguardarem o primeiro de uma s\u00e9rie de atendimentos. Adultos e crian\u00e7as, todos de aspecto cansado, se juntam na mesma espera por informa\u00e7\u00f5es. Nesse momento, n\u00e3o h\u00e1 prioridade para ningu\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>O trecho acima integra o di\u00e1rio de campo da pesquisadora Fernanda Paraguassu, reproduzido em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado \u201cNarrativas de inf\u00e2ncias refugiadas: A crian\u00e7a como protagonista da pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d, defendida em 2020, no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ). Para realizar o estudo, que acaba de ser premiado como o melhor nessa categoria pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Programas de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o (Comp\u00f3s), ela visitou abrigos de refugiados venezuelanos em Roraima e conversou com crian\u00e7as de 7 a 12 anos, refugiadas ou solicitantes de ref\u00fagio, oriundas da pr\u00f3pria Venezuela e da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e radicadas no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cO grande desafio n\u00e3o foi a barreira lingu\u00edstica, mesmo porque as crian\u00e7as j\u00e1 se expressavam em portugu\u00eas, mas conquistar a confian\u00e7a dos respons\u00e1veis e das pr\u00f3prias crian\u00e7as\u201d, diz a pesquisadora, que ao longo do processo de intermedia\u00e7\u00e3o teve ajuda de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e valeu-se de atividade l\u00fadica para interagir com elas. \u201cA ideia foi estabelecer uma comunica\u00e7\u00e3o capaz de criar v\u00ednculos\u201d, diz o marroquino radicado h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas no Brasil Mohammed ElHajji, orientador da pesquisa de Paraguassu na UFRJ. \u201cEm geral, a crian\u00e7a n\u00e3o escolhe migrar. Al\u00e9m da falta de autonomia para opinar, costuma ser invisibilizada nesse processo. \u00c9 fundamental que ela tenha voz ativa.\u201d<\/p>\n<p>O mesmo problema reverbera na academia. \u201cExistem poucas pesquisas no Brasil sobre crian\u00e7as e adolescentes refugiados e imigrantes. A maioria dos estudos sobre quest\u00f5es migrat\u00f3rias est\u00e1 focada nos adultos e suas motiva\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Katia Nor\u00f5es, professora do curso de pedagogia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). \u201cEm termos de pesquisas, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as menores, com at\u00e9 6 anos\u201d, completa o pedagogo Fl\u00e1vio Santiago, que atualmente investiga em est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (FE-USP) a situa\u00e7\u00e3o de imigrantes de origem africana nas unidades de educa\u00e7\u00e3o infantil paulistanas.<\/p>\n<p>Para dar visibilidade ao tema, a dupla organizou o dossi\u00ea <em>Migra\u00e7\u00f5es internacionais e inf\u00e2ncias<\/em>, publicado recentemente na revista <em>Zero-a-Seis<\/em>, do N\u00facleo de Estudos e Pesquisas da Educa\u00e7\u00e3o na Pequena Inf\u00e2ncia da Universidade Federal de Santa Catarina (Nupein-UFSC). A edi\u00e7\u00e3o re\u00fane trabalhos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros de \u00e1reas como geografia, educa\u00e7\u00e3o, sociologia, psicologia e direito. \u201cA meta foi colocar a crian\u00e7a como protagonista na discuss\u00e3o sobre os contextos migrat\u00f3rios tanto no Brasil quanto no exterior e abordar o tema sob um vi\u00e9s interdisciplinar\u201d, explica Nor\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno irrevers\u00edvel no mundo contempor\u00e2neo\u201d, aponta a soci\u00f3loga Rosana Baeninger, professora aposentada do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp) e pesquisadora do N\u00facleo de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o (Nepo), da mesma institui\u00e7\u00e3o. Segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur), o n\u00famero de pessoas em deslocamento for\u00e7ado em 2020 atingiu o patamar mais alto j\u00e1 registrado pela institui\u00e7\u00e3o, totalizando 82,4 milh\u00f5es de indiv\u00edduos em todo o planeta. Desses, mais de 26,4 milh\u00f5es buscaram ref\u00fagio em outros pa\u00edses.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/082-085_refugiados_308-1-1140.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-411252\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/082-085_refugiados_308-1-1140.jpg?resize=640%2C287&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/082-085_refugiados_308-1-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/082-085_refugiados_308-1-1140-250x112.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/082-085_refugiados_308-1-1140-700x314.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/082-085_refugiados_308-1-1140-120x54.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"287\" \/><\/a><em>Paulo Chavonga<\/em><\/p>\n<p>Pelo mesmo levantamento, crian\u00e7as e adolescentes correspondem a aproximadamente metade da popula\u00e7\u00e3o refugiada no mundo. No Brasil, entretanto, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. De acordo com o podcast <em>Ref\u00fagio em pauta<\/em>, produzido pelo pr\u00f3prio Acnur em parceria com 23 universidades brasileiras que integram a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello, em 2020, as crian\u00e7as representavam cerca de 10% dos 57 mil refugiados que viviam no pa\u00eds. A maioria delas estava radicada nos estados de Roraima, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro e era oriunda da Venezuela, S\u00edria e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de crian\u00e7as refugiadas aqui \u00e9 bem menor do que a m\u00e9dia global por v\u00e1rias raz\u00f5es. Uma delas \u00e9 a dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica entre o Brasil e pa\u00edses da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio, fator que encarece e inviabiliza a viagem com crian\u00e7as\u201d, observa a soci\u00f3loga Monique Roecker Lazarin, da Casa de Acolhida Dom Luciano Mendes de Almeida, que atende imigrantes e refugiados venezuelanos na cidade de S\u00e3o Paulo. Em disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida em 2019 no Centro de Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (CECH-UFSCar), Lazarin analisou dados do Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (Conare), vinculado ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, para tra\u00e7ar o perfil das crian\u00e7as que chegaram ao Brasil entre o final dos anos 1990 e 2016. \u201cFaltam dados espec\u00edficos sobre a imigra\u00e7\u00e3o infantil no Brasil e isso \u00e9 um entrave para os pesquisadores\u201d, justifica a soci\u00f3loga Anete Abramowicz, da FE-USP, que orientou a pesquisa.<\/p>\n<p>De acordo com Lazarin, a migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada que ingressou no Brasil naquele per\u00edodo era, sobretudo, adulta e masculina. Entre as crian\u00e7as havia uma propor\u00e7\u00e3o mais equ\u00e2nime na quantidade de meninos e meninas. Nesse caso, segundo Abramowicz, \u00e9 fundamental atentar para a quest\u00e3o de g\u00eanero. \u201cAs meninas refugiadas costumam assumir o papel de cuidadoras da casa quando as m\u00e3es v\u00e3o trabalhar fora e n\u00e3o conseguem estudar\u201d, aponta a pesquisadora. \u201cElas precisam de aten\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica para n\u00e3o abandonar a escola e enfrentar ainda mais barreiras ao longo da vida.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA educa\u00e7\u00e3o tem um papel muito importante na inser\u00e7\u00e3o social de crian\u00e7as e fam\u00edlias imigrantes e refugiadas\u201d, destaca Lineu Kohatsu, do Instituto de Psicologia (IP) da USP e um dos organizadores do Semin\u00e1rio Internacional sobre Imigra\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o, realizado recentemente no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA) da mesma universidade. Com ele, concorda Paraguassu. \u201cEm geral as crian\u00e7as aprendem o idioma local antes dos pais e se tornam a ponte da fam\u00edlia com a sociedade. Com isso, acabam assumindo de forma prematura pap\u00e9is de grande responsabilidade, como a leitura de contratos de banco ou aluguel\u201d, relata a pesquisadora, autora do livro infantil <em>A menina que abra\u00e7a o vento: A hist\u00f3ria de uma refugiada congolesa<\/em> (Voo, 2017).<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o haja no Brasil legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para garantir o acesso de crian\u00e7as refugiadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, essa quest\u00e3o vem evoluindo desde a d\u00e9cada de 1990 com a cria\u00e7\u00e3o de ferramentas como o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA). \u00c9 o que apontam as pesquisadoras Maria Luiza Posser Tonetto e Jos\u00e9li Fiorin Gomes no artigo \u201c\u2018Um filho no mundo e um mundo virado\u2019: Uma an\u00e1lise sobre obst\u00e1culos \u00e0 efetividade do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as refugiadas no Brasil\u201d, publicado no dossi\u00ea da <em>Zero-a-Seis<\/em>. \u201cTemos leis muito boas, mas que precisam ser mais bem aplicadas, interpretadas com maior sensibilidade\u201d, defende Gomes, professora do curso de direito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na opini\u00e3o de Tonetto, n\u00e3o basta dar acesso \u00e0 escola. \u201c\u00c9 preciso que a escola esteja de fato preparada para receber esses imigrantes\u201d, constata. Segundo ela, um dos entraves est\u00e1 na documenta\u00e7\u00e3o na hora da matr\u00edcula. \u201cNo andamento do processo de ref\u00fagio, o Conare emite um termo de declara\u00e7\u00e3o que, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o atual, garante o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Entretanto, por falta de informa\u00e7\u00e3o ou preciosismo, muitas vezes as secretarias das escolas n\u00e3o aceitam o documento ou exigem certificados que a fam\u00edlia n\u00e3o possui, como hist\u00f3rico escolar\u201d, completa a pesquisadora, que investiga a quest\u00e3o em seu mestrado em educa\u00e7\u00e3o na UFSM.<\/p>\n<p>Em pesquisa de p\u00f3s-doutorado desenvolvida na Universidade do Porto, em Portugal, Kohatsu, do IP-USP, analisou a experi\u00eancia de acolhimento em uma escola municipal de ensino fundamental de S\u00e3o Paulo, onde 20% dos 490 matriculados eram procedentes de outros pa\u00edses ou filhos de imigrantes, sobretudo da Bol\u00edvia. \u201cHavia muita discrimina\u00e7\u00e3o e bullying contra esses alunos at\u00e9 2011, quando um novo diretor assumiu a escola e iniciou a\u00e7\u00f5es de di\u00e1logo com os pais e os alunos. Gradativamente outros professores passaram a assumir a coordena\u00e7\u00e3o de projetos que valorizavam a cultura do imigrante\u201d, conta. \u201cSegundo a equipe da escola e as fam\u00edlias imigrantes ouvidas pela pesquisa, essas a\u00e7\u00f5es reduziram de forma significativa as manifesta\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ter possibilitado maior intera\u00e7\u00e3o entre os alunos.\u201d<\/p>\n<p>Conforme Baeninger, a percep\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira em rela\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as imigrantes e refugiadas vem mudando ao longo do tempo \u2013 n\u00e3o necessariamente para melhor. \u201cSe as crian\u00e7as brancas, de origem europeia, que vieram com suas fam\u00edlias dentro da pol\u00edtica migrat\u00f3ria do governo brasileiro, na virada do s\u00e9culo XIX ou ent\u00e3o ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, eram aceitas mais facilmente, infelizmente o mesmo n\u00e3o acontece com as crian\u00e7as que chegaram nos \u00faltimos anos, muitas delas negras ou de origem ind\u00edgena, mais suscet\u00edveis ao racismo e \u00e0 xenofobia\u201d, lamenta. A especialista lembra que no s\u00e9culo XXI, com o fechamento das fronteiras do Norte global por quest\u00f5es econ\u00f4micas, a migra\u00e7\u00e3o se d\u00e1, sobretudo, entre os pa\u00edses do Sul do planeta. \u201c\u00c9 preciso que a sociedade brasileira esteja preparada para receber esses novos fluxos migrat\u00f3rios, em particular no contexto de crises, como o caso das crian\u00e7as afeg\u00e3s, e entenda que nosso futuro \u00e9 multicultural\u201d, conclui.<\/p>\n<p class=\"bibliografia separador-bibliografia\"><strong>Artigos cient\u00edficos<\/strong><br \/>\nKOHATSU, L. N. <em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/pee\/a\/MRJCDFcLGqrvjV9N6GHdGhn\/abstract\/?lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Educa\u00e7\u00e3o de alunos imigrantes: A experi\u00eancia de uma escola p\u00fablica em S\u00e3o Paulo<\/a>. <strong>Psicologia Escolar e Educacional<\/strong>. v. 24, p. 1-9. 2020.<br \/>\nNOR\u00d5ES, K. C. e SANTIAGO, F. (org.). <a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/zeroseis\/article\/view\/77869\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dossi\u00ea: Migra\u00e7\u00f5es internacionais e inf\u00e2ncias<\/a>. <strong>Revista Zero-a-Seis<\/strong>. v. 23, n. 43. mar. 2021.<\/p>\n<p class=\"bibliografia\"><strong>Livro<\/strong><br \/>\nPARAGUASSU, F. <strong>A menina que abra\u00e7a o vento: A hist\u00f3ria de uma refugiada congolesa<\/strong>. Curitiba, Belo Horizonte: Voo, 2017.<\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Pesquisa FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\"> licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/sujeitos-invisiveis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">original aqui<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Chavonga &#8211;\u00a0Pesquisadores investigam desafios enfrentados por crian\u00e7as e adolescentes imigrantes e refugiados, tema ainda pouco discutido nas universidades brasileiras. \u201cUma menina venezuelana atravessa o port\u00e3o da aduana brasileira. Com duas tran\u00e7as e la\u00e7o de fita rosa no cabelo, veste casaco tamb\u00e9m rosa e leva uma mochila aparentemente pesada nas costas um pouco curvadas. 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