{"id":15808,"date":"2021-10-16T12:50:34","date_gmt":"2021-10-16T15:50:34","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=15808"},"modified":"2021-10-10T13:53:41","modified_gmt":"2021-10-10T16:53:41","slug":"ferida-colonial-do-trabalho-domestico-vem-se-atualizando-por-cinco-seculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/10\/16\/ferida-colonial-do-trabalho-domestico-vem-se-atualizando-por-cinco-seculos\/","title":{"rendered":"\u2018Ferida colonial do trabalho dom\u00e9stico vem se atualizando por cinco s\u00e9culos&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Amauri Arrais<\/strong> &#8211; Doutora em antropologia, <strong>Rosaly de Seixas Brito<\/strong>\u00a0fala sobre como a pandemia exp\u00f4s ainda mais desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe na rotina de empregadas no Brasil<\/p>\n<div>\n<p>Enquanto a apresentadora finaliza a receita, uma outra mulher, quase sempre negra, de uniforme e em sil\u00eancio, recolhe utens\u00edlios sujos e traz o prato j\u00e1 pronto. Foi assim durante d\u00e9cadas e ainda \u00e9. Ao mesmo tempo em que nos orgulhamos de demonstrar habilidades na cozinha ou em outras tarefas de casa, h\u00e1 geralmente algu\u00e9m, a quem nos referimos como \u201cquase da fam\u00edlia\u201d, que arca com parte do trabalho \u2014 em geral a mais pesada. Uma rela\u00e7\u00e3o de subalternidade que se atualiza ao longo do tempo e da qual a televis\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um reflexo.<\/p>\n<p>\u201cGra\u00e7as ao passado colonial, o Brasil se constitui como uma sociedade profundamente racista, fundada no patriarcalismo, na desigualdade de g\u00eanero e de classes e tamb\u00e9m numa vis\u00e3o patrimonialista\u201d, diz a professora Rosaly de Seixas Brito, doutora em antropologia pela Universidade Federal do Par\u00e1. O trabalho dom\u00e9stico, afirma, \u00e9 um sintoma e uma consequ\u00eancia dessa matriz cultural, \u201cpor isso ao longo do tempo nem foi visto como uma rela\u00e7\u00e3o trabalhista, mas quase como uma obriga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Junto com a tamb\u00e9m professora Danila Cal, ela organizou o volume\u00a0<a href=\"https:\/\/ppgcom.ufpa.br\/links\/04pesquisa\/04_livros\/comunicacaodanila.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cComunica\u00e7\u00e3o, G\u00eanero e Trabalho Dom\u00e9stico \u2014 Das reitera\u00e7\u00f5es coloniais \u00e0s inven\u00e7\u00f5es de outros poss\u00edveis\u201d<\/a>\u00a0(Ed. CRV, 2021), que investiga o trabalho de empregadas, bab\u00e1s, cuidadoras e outros servi\u00e7os dom\u00e9sticos no pa\u00eds, historicamente marcados por essas desigualdades de g\u00eanero, classe e ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Entre os 14 cap\u00edtulos, assinados pelas organizadoras e pesquisadores do tema nas \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o e antropologia, h\u00e1 quatro escritos por empregadas dom\u00e9sticas da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, em que relatam uma rotina de trabalhos exaustivos, abusos e pouca ou nenhuma remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gamarevista.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/s-diy-trabalhodomestico-foto1-819x1024.jpg?resize=410%2C512&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"410\" height=\"512\" \/><\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em meio \u00e0 pandemia, o livro \u00e9 dedicado a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/entrevista\/2020\/06\/07\/O-caso-do-menino-Miguel-em-Recife-%E2%80%98Branco-no-Brasil-n%C3%A3o-erra%E2%80%99\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Miguel Ot\u00e1vio de Santana<\/a>, o menino de 5 anos que morreu ao cair do nono andar de um pr\u00e9dio em Recife, e a sua m\u00e3e e av\u00f3, que trabalhavam para a dona do apartamento durante o isolamento. A chegada do v\u00edrus ao Brasil \u2013cuja\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/podcast\/2020\/03\/19\/Coronav%C3%ADrus-a-morte-no-Rio-e-o-trabalho-dom%C3%A9stico-na-pandemia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">primeira morte registrada, n\u00e3o por acaso, foi de uma empregada<\/a>\u00a0que cuidou da patroa contaminada ap\u00f3s uma viagem \u00e0 Europa\u2013 exp\u00f4s ainda mais as rela\u00e7\u00f5es de poder que atravessam o trabalho dom\u00e9stico no Brasil, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>Entre famosos que tentaram justificar a presen\u00e7a de cozinheiras e bab\u00e1s em suas casas durante o isolamento e den\u00fancias de c\u00e1rcere privado, houve a tentativa, no Par\u00e1, de incluir o trabalho dom\u00e9stico entre os servi\u00e7os essenciais no decreto de lockdown do estado \u2014 revogada ap\u00f3s protestos.<\/p>\n<p>\u201cPor que a sa\u00fade dessas trabalhadoras e trabalhadores deveria ficar em segundo plano, expostas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus?\u201d, questiona Brito. \u201cIsso mostra como os corpos e a sa\u00fade deles s\u00e3o vistos como inferiores.\u201d Na conversa com\u00a0<strong>Gama<\/strong>, a pesquisadora fala ainda sobre a luta pol\u00edtica das empregadas e se um dia vamos superar o modelo de pa\u00eds que se acostumou a terceirizar as tarefas dom\u00e9sticas pagando muito pouco por isso.<\/p>\n<div>\n<blockquote><p>Est\u00e1 naturalizada a ideia de que o trabalho dom\u00e9stico precisa ser delegado a mulheres e negras socialmente vulnerabilizadas<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div>\n<p>G |Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para n\u00f3s brasileiros assumir as tarefas de casa e superar o h\u00e1bito da terceiriza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Rosaly de Seixas Brito |<\/p>\n<p>No livro \u201cComunica\u00e7\u00e3o, G\u00eanero e Trabalho Dom\u00e9stico\u201d, n\u00f3s nos valemos da met\u00e1fora da \u201cferida colonial\u201d para assinalar um tra\u00e7o fundamental da nossa hist\u00f3ria, que \u00e9 nosso passado escravagista. Trata-se de uma condi\u00e7\u00e3o que nos constitui como sociedade e, portanto, est\u00e1 profundamente arraigada e vem se atualizando ao longo de mais de cinco s\u00e9culos. Gra\u00e7as a esse passado, o Brasil se constitui como uma sociedade profundamente racista, fundada no patriarcalismo, na profunda desigualdade de g\u00eanero e de classes e tamb\u00e9m numa vis\u00e3o patrimonialista, em que o Estado e a coisa p\u00fablica s\u00e3o tomados como propriedade privada das elites. Nesse contexto, o trabalho dom\u00e9stico, tal como ele foi exercido desde a coloniza\u00e7\u00e3o, explorando especialmente a m\u00e3o de obra de mulheres negras escravizadas, \u00e9 indissoci\u00e1vel dessa matriz cultural. Na verdade, ele \u00e9 um sintoma e uma consequ\u00eancia direta dela, por isso ao longo do tempo nem foi visto como uma rela\u00e7\u00e3o trabalhista, mas como algo que, por estar invisibilizado no espa\u00e7o dom\u00e9stico, acabou sendo considerado quase como uma \u201cobriga\u00e7\u00e3o\u201d. A reprodu\u00e7\u00e3o dessa matriz cultural naturalizou, tanto para as elites quanto para as classes m\u00e9dias brasileiras, a ideia de que o trabalho dom\u00e9stico precisa ser delegado a pessoas, especialmente mulheres e negras, que j\u00e1 v\u00eam de uma condi\u00e7\u00e3o social vulnerabilizada.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"font-family: Lato, sans-serif;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gamarevista.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/s-diy-trabalhodomestico-foto3-818x1024.jpg?resize=409%2C512&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"512\" \/><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>G |No Par\u00e1, onde voc\u00ea vive, governantes de dez cidades chegaram a incluir o trabalho dom\u00e9stico entre os servi\u00e7os essenciais durante o lockdown, mas recuaram depois de protestos. O que a pandemia evidenciou sobre a vulnerabilidade desses trabalhadores?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Rosaly de Seixas Brito |<\/p>\n<p>O que aconteceu no Par\u00e1 \u00e9 extremamente revelador do que falamos antes. Em maio do ano passado, o governador Helder Barbalho (MDB) assinou o decreto decreto 729, que dispunha sobre o lockdown, que ocorreu entre 7 e 24 daquele m\u00eas. Dentre as 59 atividades essenciais permitidas no per\u00edodo estavam \u201cservi\u00e7os dom\u00e9sticos\u201d. Al\u00e9m do governador, o decreto foi assinado por dez prefeitos de munic\u00edpios do Par\u00e1, inclusive o de Bel\u00e9m. De t\u00e3o absurda e descabida, a medida enfrentou uma onda de protestos nas redes sociais da internet, com repercuss\u00e3o inclusive em portais noticiosos nacionais, levando a um recuo, dois dias depois, com uma retifica\u00e7\u00e3o do decreto, que manteve o servi\u00e7o dom\u00e9stico como essencial, mas desde que destinado ao cuidado de crian\u00e7a, idoso, pessoa enferma ou incapaz, ou no caso do empregador ser a pessoa idosa, enferma ou incapaz. Como o trabalho dom\u00e9stico poderia ser considerado essencial em pleno lockdown, em um momento de pandemia, em que o isolamento social era uma exig\u00eancia fundamental para deter o avan\u00e7o do coronav\u00edrus? Por que a sa\u00fade dessas trabalhadoras e trabalhadores deveria ficar em segundo plano, expostas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus? Isso mostra, como dissemos antes, que os corpos e a sa\u00fade dessas trabalhadoras e trabalhadores s\u00e3o vistos como inferiores e n\u00e3o dignos dos mesmos cuidados e prote\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos demais.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Os corpos e a sa\u00fade dessas trabalhadoras e trabalhadores s\u00e3o vistos como inferiores e n\u00e3o dignos dos mesmos cuidados e prote\u00e7\u00e3o que os demais<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>G |Vimos tamb\u00e9m, durante a pandemia, muitas pessoas descobrindo habilidades na cozinha e outras tarefas de casa \u2014 ao mesmo tempo em que aumentaram as den\u00fancias de abuso e at\u00e9 de c\u00e1rcere privado de empregadas dom\u00e9sticas. Que tipo de trabalho \u00e9 destinado a essas pessoas? O que isso diz sobre nossas rela\u00e7\u00f5es de poder?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>RSB |<\/p>\n<p>\u00c9 importante observar, como diz o ge\u00f3grafo brit\u00e2nico David Harvey, que a pandemia do novo coronav\u00edrus \u00e9 uma pandemia de classe, de g\u00eanero e de ra\u00e7a, cujos efeitos perversos n\u00e3o se distribuem de maneira equilibrada pelo conjunto da popula\u00e7\u00e3o. Muito ao contr\u00e1rio, exp\u00f5em de forma brutal as desigualdades econ\u00f4micas, de g\u00eanero e de classe no Brasil e no mundo. O v\u00edrus chegou ao pa\u00eds de avi\u00e3o. A primeira morte ocorrida no Rio de Janeiro foi justamente de uma trabalhadora dom\u00e9stica, contaminada por sua empregadora, que havia chegado recentemente de uma viagem \u00e0 It\u00e1lia. Da\u00ed em diante, n\u00e3o s\u00f3 no Rio de Janeiro, como em todo pa\u00eds, o coronav\u00edrus se espalhou com uma velocidade incontrolada, especialmente em favelas, bairros de periferia e \u00e1reas de habita\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, em que era imposs\u00edvel praticar o isolamento social. O n\u00famero de pessoas que vivem na linha da pobreza ou abaixo no Brasil triplicou durante a pandemia. H\u00e1 um imenso contingente de brasileiros passando fome e milh\u00f5es desempregados. Perto de 2 milh\u00f5es de vagas de emprego dom\u00e9stico foram perdidas nesse per\u00edodo da pandemia. Ao todo, eram 6,4 milh\u00f5es de pessoas empregadas em servi\u00e7os dom\u00e9sticos no final de 2019 e esse n\u00famero caiu para 4,9 milh\u00f5es no final de 2020. O caso de Miguel Ot\u00e1vio, crian\u00e7a de cinco anos de idade que morreu no Recife ap\u00f3s cair 35 metros de altura do pr\u00e9dio de classe m\u00e9dia alta da patroa de sua m\u00e3e, que havia levado o cachorro da fam\u00edlia para passear, \u00e9 tristemente eloquente para denunciar as rela\u00e7\u00f5es de poder que atravessam o trabalho dom\u00e9stico no Brasil. Por isso dedicamos o livro a Miguel, Mirtes e Marta, sua m\u00e3e e av\u00f3. E tamb\u00e9m a todas as trabalhadoras dom\u00e9sticas do pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>G |O livro tem tr\u00eas cap\u00edtulos com relatos de trabalhadoras dom\u00e9sticas. O que elas revelaram para voc\u00eas pesquisadoras para al\u00e9m das estat\u00edsticas?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>RSB |<\/p>\n<p>Essa foi uma escolha epist\u00eamica que fizemos, ter as trabalhadoras dom\u00e9sticas como autoras no livro. Quando digo isso \u00e9 porque, no \u00e2mbito das ci\u00eancias sociais e humanas, h\u00e1 um longo debate sobre que tipo de rela\u00e7\u00e3o devemos estabelecer com nossos sujeitos de pesquisa, se falar sobre eles e elas ou falar com eles e elas. Evidentemente comungamos dessa segunda postura. \u00c9 preciso entender que n\u00e3o d\u00e1 para falar somente sobre as trabalhadoras dom\u00e9sticas sem amplificar e deixar ecoar a sua pr\u00f3pria voz, trazendo-as ao primeiro plano. Ao fazermos essa escolha, pudemos ter contato com a percep\u00e7\u00e3o de mundo, de si e de seu trabalho a partir delas mesmas. E disso resultou um quadro muito rico, em que elas compartilham mem\u00f3rias muito dolorosas daquilo que viveram ao longo de d\u00e9cadas como trabalhadoras dom\u00e9sticas, como viol\u00eancia sexual no interior das casas em que trabalhavam. Mas tamb\u00e9m, e isso \u00e9 o lado que nos faz ter esperan\u00e7a, hist\u00f3rias de muita luta e de consci\u00eancia de classe, de insurg\u00eancia contra a explora\u00e7\u00e3o de seu trabalho. Gra\u00e7as a isso \u00e9 que elas conquistaram, depois de muito esfor\u00e7o, a regulamenta\u00e7\u00e3o de seu trabalho pela chamada \u201cPEC das Dom\u00e9sticas\u201d, de 2013, e pela lei complementar 150 de 2015.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"font-family: Lato, sans-serif;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gamarevista.uol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/s-diy-trabalhodomestico-foto2-819x1024.jpg?resize=410%2C512&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"410\" height=\"512\" \/><\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>G |No pa\u00eds que tem mais de 6 milh\u00f5es de trabalhadoras dom\u00e9sticas, s\u00f3 a partir de 2013, com a PEC das Dom\u00e9sticas, elas tiveram algum tipo de regulamenta\u00e7\u00e3o \u2013ainda assim, uma parcela menor tem carteira assinada. N\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3rio que um servi\u00e7o por vezes considerado \u201cessencial\u201d n\u00e3o o seja na hora de garantir direitos?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>RSB |<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 contradit\u00f3rio, como \u00e9 inadmiss\u00edvel. Se a gente considerar que a CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas) \u00e9 de 1943, \u00e9 inevit\u00e1vel a pergunta: por que s\u00f3 em 2015, mais de 70 anos depois, \u00e9 que o trabalho dom\u00e9stico foi regulamentado? Esse abismo de tempo \u00e9 por si s\u00f3 revelador do quanto essa forma de trabalho foi vilipendiada ao longo do tempo no pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>O v\u00edrus chegou ao pa\u00eds de avi\u00e3o. A primeira morte foi justamente de uma trabalhadora dom\u00e9stica, contaminada por sua empregadora, que havia chegado de uma viagem \u00e0 It\u00e1lia<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>G |\u00c9 poss\u00edvel tentar melhorar as perspectivas do trabalho dom\u00e9stico remunerado no Brasil sem discutir desigualdades de g\u00eanero, classe e ra\u00e7a?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>RSB |<\/p>\n<p>Creio que por tudo o que foi dito antes, evidentemente que n\u00e3o. Se tomarmos por exemplo a figura recorrente das \u201ccrias de fam\u00edlia\u201d na Amaz\u00f4nia, percebemos claramente como esse tipo de trabalho foi invisibilizado e desconsiderado como tal aqui na regi\u00e3o. Essas \u201ccrias\u201d, que aparecem inclusive na literatura amaz\u00f4nica, eram \u2013 e ainda s\u00e3o \u2013 meninas pobres e quase sempre negras, que v\u00eam dos munic\u00edpios do interior, em grande n\u00famero da regi\u00e3o do Maraj\u00f3, mas n\u00e3o exclusivamente, para viverem sob a guarda das fam\u00edlias da capital que as recebem para \u201cajudar\u201d nas tarefas dom\u00e9sticas, com a promessa, que quase nunca se concretiza, de estudarem. V\u00ea-se claramente que, sob a falsa ideia da ajuda, se esconde um trabalho exaustivo assumido por elas, em que n\u00e3o h\u00e1 jornada estabelecida, j\u00e1 que moram nas casas e, em in\u00fameros casos, n\u00e3o h\u00e1 qualquer forma de remunera\u00e7\u00e3o. \u00c9 o mesmo que dizer que \u00e9 uma forma atualizada de escravid\u00e3o. Falo disso para evidenciar como \u00e9 imposs\u00edvel avan\u00e7ar na discuss\u00e3o sobre condi\u00e7\u00f5es dignas de exerc\u00edcio desse trabalho sem olhar de frente para essas quest\u00f5es estruturais.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>G |O livro tamb\u00e9m analisa as representa\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas das trabalhadoras dom\u00e9sticas em novelas e no notici\u00e1rio no contexto da aprova\u00e7\u00e3o da PEC das Dom\u00e9sticas. O quanto essas representa\u00e7\u00f5es reiteram ainda esse passado colonial?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>RSB |<\/p>\n<p>Todos os dias, ao ligarmos a TV, temos a reprodu\u00e7\u00e3o dos estigmas sociais que cercam o trabalho dom\u00e9stico. Como somos pesquisadoras da \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poder\u00edamos deixar de abordar esse aspecto. Como essas trabalhadoras s\u00e3o representadas nessa esfera simb\u00f3lico-discursiva alargada dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, que faz circular massivamente imagens e preconceitos sobre diferentes segmentos sociais? No g\u00eanero de maior \u00eaxito da TV brasileira que s\u00e3o as telenovelas, por exemplo, as trabalhadoras dom\u00e9sticas s\u00e3o vistas como absolutamente coadjuvantes na cena, como objeto de desejo er\u00f3tico dos patr\u00f5es, como seres servis, geralmente usando uniformes para serem diferenciadas do restante dos personagens da trama. Desse modo, as novelas criam, reiteradamente, um repert\u00f3rio comum de imagens que, mais uma vez, naturaliza a condi\u00e7\u00e3o inferiorizada dessas trabalhadoras.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>G |Acredita que algum dia o Brasil possa ser um pa\u00eds do \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d ou as trabalhadoras dom\u00e9sticas sempre existir\u00e3o dessa maneira massificada?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>RSB |<\/p>\n<p>A terceiriza\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico, em que essas trabalhadoras assumem os cuidados com a casa e os filhos das fam\u00edlias mais abastadas ou mesmo da classe m\u00e9dia, \u00e9 uma das marcas do patriarcalismo, um dos tra\u00e7os fundamentais da sociedade brasileira. Essa terceiriza\u00e7\u00e3o permite que as mulheres empregadoras possam sair de casa para trabalhar, enquanto os homens seguem sendo liberados do trabalho dom\u00e9stico, como ocorreu desde nosso passado remoto. Trata-se de uma solu\u00e7\u00e3o privada para um problema p\u00fablico, como por exemplo a aus\u00eancia de creches mantidas pelo Estado que pudesses acolher as crian\u00e7as. Por ser um tra\u00e7o estrutural da nossa sociedade, eu arriscaria dizer que ainda estamos muito longe de chegar a esse cen\u00e1rio, pois isso exigiria mudan\u00e7as tamb\u00e9m estruturais no Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>A terceiriza\u00e7\u00e3o permite que as mulheres empregadoras possam sair de casa para trabalhar, enquanto os homens seguem sendo liberados do trabalho dom\u00e9stico<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>G |Como poderia ser uma rela\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel entre empregadores e as trabalhadoras dom\u00e9sticas?<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>RSB |<\/p>\n<p>Dif\u00edcil responder essa pergunta, j\u00e1 que sabemos que h\u00e1 um grande abismo entre um cen\u00e1rio idealizado e aquele que acontece na pr\u00e1tica. Poder\u00edamos dizer que o m\u00ednimo seria o cumprimento das leis trabalhistas que passaram a reger o trabalho dom\u00e9stico h\u00e1 menos de uma d\u00e9cada. O m\u00ednimo seria assegurar os direitos trabalhistas a essas trabalhadoras e trabalhadores, tratando-os com respeito e zelo pela sua dignidade, o que deveria ser a t\u00f4nica das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas em geral. Mas se pensarmos no n\u00edvel mais macro, infelizmente, ainda estamos bem longe de alcan\u00e7ar esse patamar.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: O trabalho dom\u00e9stico na pandemia escancara desigualdades \u2014 Gama Revista. Link: https:\/\/gamarevista.uol.com.br\/semana\/voce-mesmo-que-fez\/trabalho-domestico-na-pandemia-e-desigualdades\/?utm_source=NexoNL&amp;utm_medium=Email&amp;utm_campaign=OQEL<\/p>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amauri Arrais &#8211; Doutora em antropologia, Rosaly de Seixas Brito\u00a0fala sobre como a pandemia exp\u00f4s ainda mais desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe na rotina de empregadas no Brasil Enquanto a apresentadora finaliza a receita, uma outra mulher, quase sempre negra, de uniforme e em sil\u00eancio, recolhe utens\u00edlios sujos e traz o prato j\u00e1 pronto. 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