{"id":15743,"date":"2021-10-02T12:38:50","date_gmt":"2021-10-02T15:38:50","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=15743"},"modified":"2021-09-29T18:41:25","modified_gmt":"2021-09-29T21:41:25","slug":"como-as-redes-sociais-alteram-a-nossa-nocao-de-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/10\/02\/como-as-redes-sociais-alteram-a-nossa-nocao-de-tempo\/","title":{"rendered":"Como as redes sociais alteram a nossa no\u00e7\u00e3o de tempo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Gama Revista<\/strong> &#8211; Do Facebook ao Instagram, do Twitter ao Tiktok, a presen\u00e7a dos aplicativos em nossas vidas \u00e9 tamanha que vem alterando a maneira como n\u00f3s entendemos e nos relacionamos com o tempo. Se antes as pessoas lidavam com o que estava ao alcance f\u00edsico delas, hoje, com a possibilidade de uma rede que nos conecta instantaneamente a qualquer lugar ou informa\u00e7\u00e3o do mundo, temos que lidar com diversos \u201cagoras\u201d \u2014 a conversa entre amigos no chat de celular, o e-mail do trabalho, o feed da rede social, e o que acontece no espa\u00e7o f\u00edsico em que a pessoa est\u00e1. \u00c0 medida que a nossa no\u00e7\u00e3o de tempo \u00e9 fragmentada, a maneira com que percebemos e reagimos ao que ocorre ao nosso redor \u00e9 alterada.<\/p>\n<p>Para a soci\u00f3loga brit\u00e2nica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gold.ac.uk\/sociology\/staff\/coleman-rebecca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rebecca Coleman<\/a>, da Goldsmiths Universidade de Londres, as redes sociais e o mundo digital passaram a produzir \u201cagoras\u201d diferentes e n\u00e3o um \u00fanico \u201cagora\u201d uniforme e coeso.\u00a0<a href=\"https:\/\/artsandculture.google.com\/exhibit\/how-has-digital-changed-our-perception-of-time\/YQISr8JVAJHwLw\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Em suas pesquisas<\/a>, ela se dedica a entender como esses diferentes presentes s\u00e3o moldados por meio de diversas plataformas e pr\u00e1ticas. Rebecca indica que, com o advento do digital, passamos a lidar com ao menos tr\u00eas \u201cagoras\u201d diferentes \u2014 o agora em tempo real, o agora alongado e o agora eliminado.<\/p>\n<blockquote><p>O mundo digital transformou o \u201cagora\u201d em um elemento com limites el\u00e1sticos que se alongam e contraem<\/p><\/blockquote>\n<p>O agora em tempo real, exemplificado por notifica\u00e7\u00f5es de mensagens e men\u00e7\u00f5es em redes sociais, \u00e9 uma atividade digital que acontece de imediato e que costuma exigir uma resposta, independentemente do hor\u00e1rio. J\u00e1 o agora alongado, exemplificado por quando mexemos nas redes sociais e a atualizamos em busca de conte\u00fado, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o constante, que nunca \u00e9 finalizada. Por fim, o agora eliminado, exemplificado por quando buscamos o digital para matar tempo, \u00e9 um movimento que busca eliminar o tempo o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, geralmente quando estamos esperando algo acontecer no mundo f\u00edsico. De acordo com a pr\u00f3pria Rebecca, as defini\u00e7\u00f5es por vezes se entrela\u00e7am, mas a soci\u00f3loga entende que o mundo digital transformou o \u201cagora\u201d em um elemento com limites el\u00e1sticos que se alongam e contraem, se expandem e condensam.<\/p>\n<p>Em um per\u00edodo em que tudo parece acontecer ao mesmo tempo, \u00e9 natural que a forma com que a humanidade encara o tempo se altere. \u201cA possibilidade de ter uma comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea e constante aliada \u00e0 disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es de maneira veloz afetam a nossa organiza\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o de tempo\u201d, afirma Andre Cravo, professor da UFABC, psic\u00f3logo e pesquisador na \u00e1rea de neurofisiologia e cogni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como em outras revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas ao longo da hist\u00f3ria, a revolu\u00e7\u00e3o digital alterou a maneira com que nossa sociedade lida com o conceito de tempo. Enquanto todos tentam se readaptar e entender qual \u00e9 a nova estrutura temporal a ser seguida, as redes sociais parecem j\u00e1 ter sentido que aten\u00e7\u00e3o e tempo n\u00e3o s\u00f3 andam juntos, como tamb\u00e9m s\u00e3o extremamente lucrativos.<\/p>\n<p><strong>Gama\u00a0<\/strong>conversou com especialistas do comportamento humano e do mundo digital para entender qual o papel do tempo no s\u00e9culo atual, como as redes sociais sabotam nossa percep\u00e7\u00e3o temporal e o que podemos fazer para nos tornarmos senhores do nosso pr\u00f3prio tempo.<\/p>\n<p><strong>Tudo, o tempo todo<\/strong><\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o e tempo est\u00e3o intimamente relacionados, \u00e9 o que afirma Andre Cravo. \u201cQuanto mais aten\u00e7\u00e3o voc\u00ea presta no tempo, mais devagar o tempo passa. Quando alternamos de forma constante o foco de nossa aten\u00e7\u00e3o, o tempo acaba passando mais r\u00e1pido e n\u00f3s sequer percebemos.\u201d Para o psic\u00f3logo, prestar aten\u00e7\u00e3o em mais de uma atividade ao mesmo tempo sempre ser\u00e1 custoso do ponto de vista cognitivo. Enquanto usamos o celular, \u00e9 comum que nossa aten\u00e7\u00e3o esteja fragmentada entre diversas atividades online que estamos realizando ao mesmo tempo. Tamb\u00e9m temos o costume de realizar atividades no mundo f\u00edsico enquanto mexemos na internet, o que s\u00f3 divide ainda mais a nossa aten\u00e7\u00e3o. \u201cHumanos acreditam que s\u00e3o bons em multitarefa, mas a verdade \u00e9 que somos p\u00e9ssimos. Alternar entre tarefas \u00e9 desgastante, esse malabarismo causa fadiga, redu\u00e7\u00e3o do desempenho e o aumento do estresse\u201d, diz Ofir Turel, professor de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia da Decis\u00e3o na Universidade Estadual da Calif\u00f3rnia em Fullerton e pesquisador na \u00e1rea de tecnologia e v\u00edcio.<\/p>\n<div>\n<p>Humanos acreditam que s\u00e3o bons em multitarefa, mas a verdade \u00e9 que somos p\u00e9ssimos. Alternar entre tarefas \u00e9 desgastante<\/p>\n<\/div>\n<p>Se a maneira com que lidamos com a multitarefa no mundo digital impacta a maneira com que percebemos o tempo, outro fator que altera a nossa percep\u00e7\u00e3o s\u00e3o as diferentes rela\u00e7\u00f5es que estabelecemos com o fim de atividades f\u00edsicas e digitais. Enquanto os acontecimentos f\u00edsicos t\u00eam um tempo pr\u00f3prio \u2014 o dia tem come\u00e7o, meio e fim \u2013, o mundo digital foge disso. Reuni\u00f5es, e-mails e mensagens chegam o tempo inteiro e as notifica\u00e7\u00f5es no celular aparecem seja de manh\u00e3, de tarde ou de noite. \u201cA sensa\u00e7\u00e3o de completar uma tarefa \u00e9 algo muito importante. Quando temos uma tarefa constante, que n\u00e3o acaba, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que voc\u00ea nunca terminou o que precisava fazer\u201d, diz Cravo. Ao terminar de cozinhar, voc\u00ea tem \u00e0s m\u00e3os uma refei\u00e7\u00e3o. Ao terminar de limpar a casa, voc\u00ea tem um ambiente limpo. \u201cO fim de uma tarefa te permite ter uma organiza\u00e7\u00e3o melhor do tempo, mas o digital n\u00e3o obedece essas estruturas\u201d, afirma o psic\u00f3logo.<\/p>\n<p>Ao ignorar o tempo natural em que certas atividades s\u00e3o realizadas, o ambiente digital \u00e9 capaz de alterar a maneira com que encaramos e lidamos com o tempo dispon\u00edvel. Quem nunca, enquanto assistia a um filme,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.huffingtonpost.ca\/entry\/watch-movie-without-phone_ca_5df39d54e4b04bcba183e760\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">se distraiu mexendo no celular<\/a>\u00a0e acabou perdendo um di\u00e1logo importante ou uma revela\u00e7\u00e3o bomb\u00e1stica na trama. Ao tentarmos equilibrar \u201cagoras\u201d diferentes, nos confundimos e perdemos informa\u00e7\u00f5es vitais para as atividades que estamos fazendo. Se a cogni\u00e7\u00e3o humana j\u00e1 apresenta dificuldades para executar a multitarefa e sofre com a\u00e7\u00f5es que nunca s\u00e3o finalizadas, as redes sociais apostam em conte\u00fados sem fim e que demandam nossa constante aten\u00e7\u00e3o para nos seduzir.<\/p>\n<p>\u201cNo mundo digital, vemos uma s\u00e9rie de iniciativas que buscam evitar que as coisas sejam terminadas. Um dos objetivos dos aplicativos das redes sociais \u00e9 fazer com que as pessoas percam a no\u00e7\u00e3o do tempo\u201d, fala Cravo. O prop\u00f3sito \u00e9 fazer com que o usu\u00e1rio gaste o maior tempo poss\u00edvel dentro do aplicativo, utilizando uma s\u00e9rie de estrat\u00e9gias que alteram a percep\u00e7\u00e3o de tempo do usu\u00e1rio. \u201cVoc\u00ea nunca sabe h\u00e1 quanto tempo est\u00e1 l\u00e1, mas as informa\u00e7\u00f5es e as tarefas est\u00e3o sempre chegando\u201d, diz o psic\u00f3logo.<\/p>\n<p>De acordo com o professor de Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o Ofir Turel, o uso dos aplicativos \u00e9 refor\u00e7ado por meio da repeti\u00e7\u00e3o de uso e recompensas, as curtidas, que s\u00e3o recebidas em um par\u00e2metro desconhecido pelo usu\u00e1rio (voc\u00ea nunca sabe quando ou quantas curtidas receber\u00e1). \u201cIsso faz com que nosso c\u00e9rebro aprenda a associar o uso dos aplicativos ao prazer da curtida por meio da libera\u00e7\u00e3o de dopamina no c\u00e9rebro, o que nos faz querer passar mais e mais tempo l\u00e1.\u201d Ao criar um loop infinito e cont\u00ednuo de refor\u00e7o, os aplicativos fazem com que o nosso c\u00e9rebro mantenha-se em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/gamarevista.uol.com.br\/sociedade\/sera-que-voce-e-um-viciado-digital\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">constante busca por mais dopamina<\/a>. \u201cSempre que terminamos de ver um v\u00eddeo ou ler uma p\u00e1gina, elementos novos e desconhecidos s\u00e3o carregados e apresentados na plataforma\u201d, complementa Turel.<\/p>\n<div>\n<p>Quem nunca foi usar uma rede social por um tempinho e, quando se deu conta, estava usando por mais de uma hora?<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cQuem nunca foi usar uma rede social por um tempinho e, quando se deu conta, estava usando por mais de uma hora?\u201d questiona Cravo. Conforme nos afastamos da organiza\u00e7\u00e3o mais natural do tempo, a percep\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o dele torna-se cada vez mais dif\u00edcil. \u201cQuando estamos fazendo algo que gostamos, perdemos a no\u00e7\u00e3o do tempo. Acabamos subestimando a quantidade de tempo que passamos no aplicativo, que parece ser mais curto do que realmente \u00e9, e superestimamos o tempo entre o uso dos aplicativos, que parece ser mais longo do que \u00e9\u201d, afirma o psic\u00f3logo.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias para sequestrar sua aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As ferramentas utilizadas pelas redes sociais para manter o usu\u00e1rio no aplicativo s\u00e3o das mais variadas \u2014 feed infinito, tempo limitado em que postagens ficam dispon\u00edveis, timelines n\u00e3o cronol\u00f3gicas. Nada disso \u00e9 por acaso, alerta Cravo. Na timeline cronol\u00f3gica, voc\u00ea consegue saber at\u00e9 onde consumiu o conte\u00fado e em que ponto pode encerrar sua visita no aplicativo. Ao quebrar essa ordem cronol\u00f3gica, perde-se a no\u00e7\u00e3o de quanto falta para ele ser finalizado. Quando estamos vendo um streaming, \u00e9 s\u00f3 acabar um epis\u00f3dio que outro come\u00e7a imediatamente. Da mesma forma, quando uma s\u00e9rie ou um filme acabam, outros come\u00e7am.<\/p>\n<p>A ideia, segundo o psic\u00f3logo, \u00e9 criar a sensa\u00e7\u00e3o de que aquela tarefa nunca se completa. J\u00e1 em conte\u00fados que t\u00eam uma data de expira\u00e7\u00e3o, como os Stories do Instagram ou o Snapchat, h\u00e1 uma cobran\u00e7a para que o usu\u00e1rio consuma aquele conte\u00fado o quanto antes. Aqui, o artif\u00edcio \u00e9 o de obrigar o usu\u00e1rio a prestar aten\u00e7\u00e3o no tempo, fazendo com que se visite o aplicativo ao menos uma vez por dia. \u201cRaramente \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o completamente imperd\u00edvel, mas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ntu.ac.uk\/about-us\/news\/news-articles\/2018\/06\/fear-of-missing-out-driving-social-media-addiction,-study-suggests\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">as redes j\u00e1 criam essa sensa\u00e7\u00e3o de que estamos perdendo algo<\/a>. Quando isso \u00e9 potencializado com algo que pode ser perdido, \u00e9 natural que isso nos afete.\u201d De acordo com Cravo, qualquer tipo de manipula\u00e7\u00e3o que afete a rela\u00e7\u00e3o temporal de algu\u00e9m vai afetar tamb\u00e9m a percep\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o temporal.<\/p>\n<p><strong>T\u00e3o antigo quanto o tempo<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 alguns s\u00e9culos atr\u00e1s, cada cidade europeia obedecia um hor\u00e1rio pr\u00f3prio. Com o surgimento do trem, entretanto, as cidades do continente tiveram que rearranjar os seus hor\u00e1rios para acomodar a passagem das locomotivas. Com a revolu\u00e7\u00e3o industrial, algo similar ocorreu. Os rel\u00f3gios das f\u00e1bricas come\u00e7aram a ditar o hor\u00e1rio em que as pessoas come\u00e7avam a trabalhar e, consequentemente, os hor\u00e1rios em que elas acordavam, saiam de casa, chegavam em casa e dormiam. \u201cA organiza\u00e7\u00e3o do tempo sempre foi modulada pela tecnologia, o digital n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Cravo.<\/p>\n<p>Estar 24 horas dispon\u00edvel no trabalho, sem nunca se desligar, pode ser verdade para diversas profiss\u00f5es, mas a realidade \u00e9 que tudo isso \u00e9 muito recente. \u201cNem sempre nos damos conta disso, mas h\u00e1 algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, pouqu\u00edssimas profiss\u00f5es exigiam o pager,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.techtudo.com.br\/noticias\/2018\/12\/pager-fez-sucesso-nos-anos-1990-relembre-o-antecessor-do-sms-e-whatsapp.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tecnologia que permitia o acesso remoto a algu\u00e9m o tempo todo<\/a>. Ter internet em casa ent\u00e3o, era algo muito raro. Nesse contexto, a divis\u00e3o entre trabalho, descanso e lazer era bem mais f\u00e1cil.\u201d Nos dias de hoje, quase todo profissional leva um pouco de trabalho para casa, o que \u00e9 custoso do ponto de vista cognitivo. De acordo com uma pesquisa da Deloitte,\u00a0<a href=\"https:\/\/epocanegocios.globo.com\/Vida\/noticia\/2018\/10\/de-cada-10-brasileiros-9-usam-o-celular-para-trabalhar-fora-do-expediente.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nove em cada dez brasileiros usam o celular para trabalhar fora do expediente<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea tem que chegar em casa, cuidar do filho, cuidar da casa e estar sempre ligado no trabalho. \u00c9 uma obriga\u00e7\u00e3o que nunca acaba, a todo o tempo dividindo sua aten\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 custoso para a sa\u00fade mental.\u201d Uma pesquisa realizada pelo CMI (Chartered Management Institute) em 2016 aponta que um cidad\u00e3o brit\u00e2nico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.managers.org.uk\/qualityofworkinglife\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">trabalha 29 dias a mais no ano por conta do seu smartphone<\/a>. Com a pandemia e o home office, a situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 era complicada se tornou extrema. Se no come\u00e7o trabalhar de casa foi um para\u00edso para muitos, rapidamente a dificuldade de separar o que \u00e9 casa e trabalho fez com que a organiza\u00e7\u00e3o do tempo fosse confundida ainda mais.<\/p>\n<div>\n<p>Regulamenta\u00e7\u00e3o pode parecer muito negativo, como se fosse a tirar liberdade. Mas ela pode ensinar o uso com responsabilidade<\/p>\n<\/div>\n<p>Assim como no trabalho nas f\u00e1bricas e em outras inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, Cravo enxerga que o futuro do digital ser\u00e1 um futuro de regulamenta\u00e7\u00f5es. Em alguns anos, o pesquisador acredita que veremos restri\u00e7\u00f5es mais r\u00edgidas em rela\u00e7\u00e3o ao uso de celulares e redes sociais. \u201cO termo regulamenta\u00e7\u00e3o pode parecer muito negativo, como se regulamentar fosse igual a tirar liberdade. Mas, a regulamenta\u00e7\u00e3o pode ensinar o uso com responsabilidade.\u201d O pesquisador, entretanto, alerta: essa n\u00e3o ser\u00e1 a realidade de todos. Se o detox digital \u00e9 cada vez mais comum, diferentes rela\u00e7\u00f5es trabalhistas ter\u00e3o diferentes possibilidades de descanso digital. Para muitos, o trabalho exigir\u00e1 que eles estejam dispon\u00edveis vinte e quatro horas por dia e grupos marginalizados tendem a sofrer mais com essa realidade.<\/p>\n<p>Se o futuro promete o desenvolvimento de ferramentas para que nosso tempo seja usado de maneira mais saud\u00e1vel no \u00e2mbito digital, Cravo alerta que as redes sociais continuar\u00e3o a batalhar para que os usu\u00e1rios fiquem o maior tempo poss\u00edvel em seus aplicativos. \u201c\u00c9 importante entender que n\u00e3o somos espectadores passivos da percep\u00e7\u00e3o do tempo. N\u00f3s temos uma ag\u00eancia nisso e \u00e9 importante tomar controle de onde e quando voc\u00ea gasta o seu tempo.\u201d<\/p>\n<p>Se voc\u00ea deseja recuperar parte do controle que o mundo digital tomou,\u00a0<strong>Gama<\/strong>\u00a0indicou\u00a0<a href=\"https:\/\/gamarevista.uol.com.br\/estilo-de-vida\/5-dicas\/saia-da-frente-das-telas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">cinco passos para para reduzir o uso das telas<\/a>\u00a0e tornar a navega\u00e7\u00e3o em redes sociais uma tarefa mais saud\u00e1vel. De um jejum intermitente digital ao uso da pr\u00f3pria tecnologia para combater as telas, as dicas te mostram o caminho para n\u00e3o ter uma overdose digital.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Como as redes sociais alteram a nossa no\u00e7\u00e3o de tempo \u2014 Gama Revista. Link: https:\/\/gamarevista.uol.com.br\/sociedade\/como-as-redes-sociais-alteram-a-nossa-percepcao-de-tempo\/?utm_source=NexoNL&amp;utm_medium=Email&amp;utm_campaign=anexo<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gama Revista &#8211; Do Facebook ao Instagram, do Twitter ao Tiktok, a presen\u00e7a dos aplicativos em nossas vidas \u00e9 tamanha que vem alterando a maneira como n\u00f3s entendemos e nos relacionamos com o tempo. 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