{"id":15685,"date":"2021-09-12T10:48:01","date_gmt":"2021-09-12T13:48:01","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=15685"},"modified":"2021-09-12T10:48:01","modified_gmt":"2021-09-12T13:48:01","slug":"giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/","title":{"rendered":"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Gael Giraud &#8211;\u00a0<\/strong><em>Economista e padre jesu\u00edta, ex-economista chefe da Ag\u00eancia Francesa de Desenvolvimento (AFD), Gael Giraud publicou em abril \u201cL\u2019Economie \u00e0 Venir\u201d (\u201cA Economia do Futuro\u201d) (Les Liens qui lib\u00e8rent, 2021), em parceria com Felwine Sarr. Candidato na Prim\u00e1ria Popular, ele exp\u00f5e, entre outras coisas, sobre sua vis\u00e3o do comum e sua concep\u00e7\u00e3o do liberalismo.<\/em><\/p>\n<p><em>Economista e padre jesu\u00edta, ex-economista-chefe da Ag\u00eancia Francesa de Desenvolvimento (AFD), Gael Giraud \u00e9 diretor de pesquisa no CNRS [Centre National de Recherche Scientifique] e diretor do \u201cGeorgetown Ennvironmental Justice Program\u201d na universidade de Georgetown. Atualmente, tamb\u00e9m \u00e9 candidato na \u201cPrim\u00e1ria Popular\u201d, uma iniciativa lan\u00e7ada no contexto da elei\u00e7\u00e3o presidencial francesa de 2022 para escolher um \u201ccandidato comum de esquerda\u201d (no momento em que escrevemos, ele se situa em terceiro lugar, atr\u00e1s de Christiane Taubira e Fran\u00e7ois Ruffin)<\/em><\/p>\n<p><em>Junto com Felwine Sarr, Gael publicou em abril \u201cL\u2019\u00c9conomie \u00e0 Venir\u201d [A economia do futuro] (les liens qui lib\u00e8rent, 2021), um livro em forma de di\u00e1logo que discute os fundamentos da modernidade, do liberalismo e do capitalismo, ao mesmo tempo em que procura solu\u00e7\u00f5es para os males contempor\u00e2neos.<\/em><\/p>\n<p><strong>O seu livro parte de uma constata\u00e7\u00e3o: n\u00f3s perdemos de vista o projeto inicial da modernidade. Qual era?<\/strong><\/p>\n<p>Em minha opini\u00e3o, poder\u00edamos resumir a promessa da Modernidade com nossa divisa republicana: liberdade, igualdade, fraternidade. A liberdade seria a ren\u00fancia de toda heteronomia, de toda sujei\u00e7\u00e3o ao poder pol\u00edtico de uma entidade exterior como a Igreja, a tradi\u00e7\u00e3o ou a cultura de uma na\u00e7\u00e3o. Colocamos o destino pol\u00edtico de um coletivo numa delibera\u00e7\u00e3o na qual ningu\u00e9m sabe o resultado. A decapita\u00e7\u00e3o do rei em 1793 \u00e9 um gesto fundador. N\u00f3s renunciamos a fetichiza\u00e7\u00e3o do poder descrita pelo historiador Ernst Kantorowitz (1895-1963) em \u201cOs Dois Corpos do Rei\u201d (1957): quando consider\u00e1vamos o rei o representante de Deus na Terra, o seu corpo era ao mesmo tempo a significa\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de Deus para seu povo e o representante do povo em rela\u00e7\u00e3o a Deus. O fim desse jugo \u00e9 o primeiro pilar da Modernidade: cortamos a cabe\u00e7a do rei e deixamos o lugar do poder vazio. Ficamos, portanto, com um enigma angustiante que \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia da democracia.<\/p>\n<p>O segundo pilar \u00e9 a igualdade. Acreditamos no Estado de Direito e na lei como uma inst\u00e2ncia aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o ao poder. N\u00e3o posso me apoderar do direito, nem voc\u00ea nem eu, nem aquele que ser\u00e1 o substituto do rei por um tempo definido de acordo com as regras dadas por um procedimento eleitoral. A lei \u00e9 obrigat\u00f3ria para todos e visa \u00e0 igualdade perante a lei. Ningu\u00e9m pode ignorar isso. Essa igualdade se estabelece como inst\u00e2ncia p\u00fablica para a qual todos devem ser capazes de perceber o significado e perante o qual todos prestam contas da mesma forma. O terceiro pilar \u00e9 a fraternidade, que \u00e9 de fato um conceito crist\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Devemos nos reconectar com o projeto moderno original ou renov\u00e1-lo \u00e0 luz das quest\u00f5es contempor\u00e2neas?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio nos reconciliar com ele e renov\u00e1-lo completamente. O p\u00f3s-liberalismo traiu essa promessa. O sintoma dessa trai\u00e7\u00e3o \u00e9 a explos\u00e3o das desigualdades e da mis\u00e9ria em que mergulhamos alguns povos que hav\u00edamos prometido integrar ao projeto iluminista. Esta \u00e9 a tese do intelectual indiano Pankaj Mishra, autor de \u201cL\u2019Age de la Col\u00e8re\u201d [A Era da C\u00f3lera] (2017): a globaliza\u00e7\u00e3o do mercado gerou o trumpismo nos Estados Unidos, o brexit na Inglaterra, as pessoas que se uniram ao Boko Haram, o nacionalismo hindu, Ou Marine Le Pen na Fran\u00e7a\u2026 N\u00e3o devemos misturar tudo, claro, mas h\u00e1 uma esp\u00e9cie de ressentimento generalizado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o mercantil.<\/p>\n<p>O p\u00f3s-liberalismo devolveu um corpo de rei ao lugar do poder: s\u00e3o os mercados financeiros. Eles ocupam exatamente o lugar que Deus ocupava no Antigo Regime. S\u00e3o eles que decidem se uma pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 leg\u00edtima ou n\u00e3o. Ressacralizamos o poder e reca\u00edmos na heteronomia pol\u00edtica. O direito \u00e9 totalmente distorcido. Veja o que o presidente Macron est\u00e1 fazendo na Fran\u00e7a: o direito \u00e9 sequestrado para proteger os interesses de uma pequena minoria privilegiada, em vez de servir \u00e0 igualdade de todos perante a lei. A evas\u00e3o fiscal tamb\u00e9m \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o radical da igualdade para todos. N\u00f3s tornamos absoluta a propriedade privada embarcando em um programa econ\u00f4mico que implica na privatiza\u00e7\u00e3o do mundo: qualquer coisa pode ser transformada em mercadoria. Macron \u00e9 o arqu\u00e9tipo do rei-crian\u00e7a que implementar\u00e1 este projeto. Devemos tomar consci\u00eancia dessa trai\u00e7\u00e3o e nos reconectar aos dois primeiros pilares. Temos que dessacralizar o poder e regular radicalmente os mercados financeiros. Devemos nos reconciliar com o Estado de Direito. Isso pressup\u00f5e, por exemplo, ter uma prote\u00e7\u00e3o\/vigil\u00e2ncia impec\u00e1vel sobre as quest\u00f5es fiscais. Devemos pensar na propriedade como algo da esfera do Comum e, portanto, como uma renova\u00e7\u00e3o muito profunda da modernidade.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea as virulentas cr\u00edticas \u00e0 modernidade que v\u00eam tanto das ci\u00eancias sociais quanto da filosofia e da literatura?<\/strong><\/p>\n<p>Eu entendo essa cr\u00edtica, mas tamb\u00e9m acho que temos que ser muito vigilantes. \u00c9 um processo fundamental, profundo e construtivo. Certa cr\u00edtica da modernidade, contida numa nostalgia de um mundo que garantiria a unidade de um povo, est\u00e1 disposta a renunciar ao sofrimento da aventura democr\u00e1tica. Essa cr\u00edtica foi expressa em particular no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX no espa\u00e7o que se tornaria [posteriormente] a Alemanha, como uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia dos ex\u00e9rcitos napole\u00f4nicos. A vit\u00f3ria de Iena \u00e9 um grande trauma para as elites de l\u00edngua alem\u00e3. Ocorreu ent\u00e3o uma rea\u00e7\u00e3o antifrancesa que preconizava um retorno \u00e0 terra, \u00e0 natureza e que se expressava em particular no romantismo. Isso \u00e9 algo fundamentalmente reacion\u00e1rio e n\u00e3o \u00e9 de agora. Discordo dessa cr\u00edtica \u201cantimoderna\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, existem outras cr\u00edticas \u00e0 modernidade que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente antimodernas. Estou pensando naquela do soci\u00f3logo alem\u00e3o Hartmut Rosa ou na de seu compatriota, o fil\u00f3sofo J\u00fcrgen Habermas. Este \u00faltimo considera que foi um erro pensar que o terceiro pilar poderia ser assegurado pela propriedade privada. Em minha opini\u00e3o, devemos voltar \u00e0 grande tradi\u00e7\u00e3o do direito romano e da heran\u00e7a crist\u00e3: o Comum \u00e9 a categoria fundamental da rela\u00e7\u00e3o que a humanidade pode ter com as coisas que ela possui. A\u00ed vemos a cr\u00edtica pertinente que devemos fazer \u00e0 Modernidade: substituir o Comum pela propriedade privada como o terceiro pilar. Este \u00e9 o grande projeto de uma modernidade 2.0.<\/p>\n<p><strong>Como economista e padre jesu\u00edta, o que voc\u00ea acha da frase de Charles P\u00e9guy de que \u201co dinheiro est\u00e1 s\u00f3 diante de Deus\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>A den\u00fancia do dinheiro em P\u00e9guy \u00e9 bastante crist\u00e3, j\u00e1 se encontra nos Atos dos Ap\u00f3stolos e nos Evangelhos. Nisso ele se assume como um intelectual crist\u00e3o. Sua den\u00fancia \u00e9, ao mesmo tempo, nost\u00e1lgica e l\u00facida. Concordo com P\u00e9guy sobre a segunda parte [sobre sua lucidez], mas prefiro me expressar como o fil\u00f3sofo norte-americano Michael Walzer, que se prop\u00f5e a definir o que \u00e9 uma sociedade com justi\u00e7a complexa. Ele afirma, como bom modernista, que n\u00e3o sabe o que \u00e9 justi\u00e7a. Ent\u00e3o, prop\u00f5e um crit\u00e9rio de justi\u00e7a social: o fato de ser valorizado em uma esfera social nunca deve autorizar-me a s\u00ea-lo em outra. Por exemplo, o fato de ser um l\u00edder empresarial muito bom n\u00e3o me d\u00e1 o direito de possuir todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o em meu pa\u00eds. \u00c9 o dinheiro que permite que se atravesse fronteiras assim. \u00c9 o \u00fanico meio que possui tal poder de abstra\u00e7\u00e3o, que permite que todas as esferas sociais sejam violadas. Walzer v\u00ea o dinheiro como o sintoma fundamental da viola\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a complexa. E, na obra dele, n\u00e3o h\u00e1 nenhum ind\u00edcio de nostalgia do Antigo Regime.<\/p>\n<p><strong>O universalismo iluminista est\u00e1 historicamente ligado ao projeto colonial. Devemos renunciar ao Iluminismo? Ou melhor,\u00a0<\/strong><strong>ex<\/strong><strong>purgar\u00a0<\/strong><strong>d<\/strong><strong>o universalismo sua tend\u00eancia \u00e0\u00a0<\/strong><strong>domina\u00e7\u00e3o<\/strong><strong>?<\/strong><\/p>\n<p>Devemos renunciar a qualquer universalismo abstrato [como projeto, que se sobreponha a outras coisas]. Esta \u00e9 a viol\u00eancia colonial, mas tamb\u00e9m, de forma mais geral, a viol\u00eancia da metaf\u00edsica ocidental. A categoria fundadora, e insisto muito nisso em\u00a0<em>Composer un Monde en Commun<\/em>[\u201cCompor um Mundo em Comum\u201d](a ser publicado em janeiro de 2022 pela \u201c<em>Editions du Seuil\u201d<\/em>)<em>,<\/em>\u00a0\u00e9 a narrativa, n\u00e3o \u00e9 mais a lei. Uma hist\u00f3ria pode ou n\u00e3o gerar outras narrativas. Ela torna-se um Comum hermen\u00eautico, ou seja, uma hist\u00f3ria que \u00e9 deixada \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o dos outros, que podem se apropriar dela e que s\u00e3o livres para escrever uma nova. Os socialistas franceses no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX se basearam fortemente na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e no Livro do \u00caxodo. A seu ver, os homens precisavam de uma nova fuga do Egito, de um novo \u00eaxodo, e foram buscar fontes de inspira\u00e7\u00e3o. Mas eles n\u00e3o tentaram reproduzir um modelo exato.<\/p>\n<p>Quando tentei desmascarar a falsa lei de separa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria em 2013, procurei escrever uma narrativa francesa diferente da que prevalecer\u00e1. Para mim, h\u00e1 duas maneiras de entender o que \u00e9 um Comum. Por um lado, o recurso comum, o recurso compartilhado com regras de governan\u00e7a adequadas. Por outro, a interpreta\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria como comum. Se uma narrativa se apresenta como uma hist\u00f3ria entregue \u00e0 liberdade dos outros e destinada a produzir novas narrativas, ent\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um Comum. E h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o entre esses dois tipos de Comum. O Comum como recurso, aquilo que pensamos junto dos ecologistas, s\u00f3 o \u00e9 se as regras de governan\u00e7a que permitem que ele seja cuidado sejam elas mesmas um Comum hermen\u00eautico, isto \u00e9, aberto \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o e \u00e0 reescrita.<\/p>\n<p><strong>Com Felwine Sarr, voc\u00ea parece postular que uma renova\u00e7\u00e3o da modernidade deve vir de fora do Ocidente. De que forma a \u00c1frica tem os recursos filos\u00f3ficos necess\u00e1rios para tal desafio?<\/strong><\/p>\n<p>Muitas culturas e tradi\u00e7\u00f5es africanas compartilham alguma forma de\u00a0<em>U<\/em><em>buntu<\/em>, ou seja, uma antropologia relacional que postula que o ser humano n\u00e3o \u00e9 um \u00e1tomo isolado, mas um n\u00f3 de rela\u00e7\u00f5es. \u00c9 o oposto da monadologia leibniziana. O que define um homem s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es que ele mant\u00e9m com as coisas e com as outras pessoas. Sem isso, o homem n\u00e3o \u00e9 nada. Eu sou apenas essas rela\u00e7\u00f5es. O Ubuntu inclui neste n\u00f3 relacional tanto o homem quanto a natureza, bem como ancestrais e descendentes. Essa antropologia relacional poderia inspirar os ocidentais porque possibilitaria implementar e compreender o que \u00e9 comum. Se eu tento cuidar de algum recurso como um Comum, \u00e9 porque acredito que essa rela\u00e7\u00e3o tem preced\u00eancia sobre todo o resto. Se eu acredito no primeiro pilar da liberdade e aceito entrar no desconforto da delibera\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, acredito que algo novo, profundo e feliz possa surgir.<\/p>\n<p><strong>Os ocidentais deveriam relativizar a oposi\u00e7\u00e3o entre o individual e o coletivo?<\/strong><\/p>\n<p>Para o antrop\u00f3logo Philippe Descola, a Europa crist\u00e3 \u00e9 essencialmente analogista. Na Idade M\u00e9dia, acreditava-se que tudo era rela\u00e7\u00e3o. Diz-se que a Europa se tornou naturalista por volta dos s\u00e9culos XVI e XVII. Come\u00e7amos a acreditar em uma ruptura radical entre o mundo humano e o mundo n\u00e3o humano. O homem se distinguiria no reino animal por sua interioridade, quer se chame de alma, esp\u00edrito ou\u00a0<em>\u2018res cogitans\u2019<\/em>. Essa premissa nos separa da natureza e nos isola. Um forte s\u00edmbolo desse estado de esp\u00edrito \u00e9 o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci. Os ocidentais referem-se a este desenho como uma representa\u00e7\u00e3o da humanidade. No entanto, ele \u00e9 um homem isolado, que n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com nada, nem com a natureza, nem com os outros humanos: n\u00e3o h\u00e1 mulheres, nem crian\u00e7as, nem idosos. Ele \u00e9 um homem branco maduro e saud\u00e1vel que est\u00e1 em uma rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o no mundo por meio da t\u00e9cnica. Ele n\u00e3o precisa de nada al\u00e9m de si mesmo. Isso \u00e9 t\u00edpico do imagin\u00e1rio antropol\u00f3gico ocidental.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o seria esse, finalmente, o grande erro da modernidade?<\/strong><\/p>\n<p>Parte da imagina\u00e7\u00e3o moderna est\u00e1 imbu\u00edda dessa ideia. No entanto, isso esgota a antropologia dos modernos? Espero que n\u00e3o, caso contr\u00e1rio, significaria que n\u00e3o h\u00e1 nada para salvar. Algu\u00e9m como Rousseau, ao contr\u00e1rio de Voltaire, n\u00e3o participa de jeito nenhum dessa antropologia. Devemos preservar na modernidade o que n\u00e3o \u00e9 sol\u00favel na antropologia do Homem Vitruviano.<\/p>\n<p><strong>Hoje em dia, notamos que muitas doen\u00e7as mentais (<\/strong><em><strong>burnout<\/strong><\/em><strong>, t\u00e9dio) adaptam-<\/strong><strong>se<\/strong><strong>\u00a0muito bem ao conforto material. Como a interpreta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do mundo que continua a predominar nas elites, \u00e9 insatisfat\u00f3ria [para interpret\u00e1-lo]?<\/strong><\/p>\n<p>A economia neocl\u00e1ssica, que tentou copiar a f\u00edsica da \u00e9poca, reduziu os relacionamentos humanos \u00e0s rela\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas. Esta economia \u00e9 incapaz de compreender o que se passa nas rela\u00e7\u00f5es sociais. A empresa \u00e9, ent\u00e3o, uma caixa preta que produz dividendos para seus acionistas. Se voc\u00ea acredita nisso, n\u00e3o h\u00e1 mais relacional e coletivo: voc\u00ea destr\u00f3i os seres humanos que est\u00e3o envolvidos. Da mesma forma, a economia neocl\u00e1ssica \u00e9 incapaz de compreender as institui\u00e7\u00f5es sociais, sejam elas o mercado ou o Estado. E,\u00a0<em>a fortiori<\/em>, as institui\u00e7\u00f5es h\u00edbridas que devem ser inventadas hoje para dar conta do Comum.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo norte-americano David Graeber (1961\u20132020) denunciou os \u201ctrabalhos de merda\u201d [bullshit jobs] que levam ao \u201cbrown-out\u201d (literalmente, [queda de energia]), ou seja, a consci\u00eancia de estar envolvido em um trabalho que n\u00e3o faz mais sentido para mim e que eu sei que \u00e9 in\u00fatil, ou at\u00e9 prejudicial. Mas estou nele porque preciso alimentar minha fam\u00edlia. De acordo com David Graeber, um ter\u00e7o dos executivos\/funcion\u00e1rios no Ocidente est\u00e1 convencido de que est\u00e1 fazendo um trabalho in\u00fatil. Em minha opini\u00e3o, devemos reintegrar a Economia como disciplina acad\u00eamica no campo das humanidades e tamb\u00e9m em um di\u00e1logo mais estreito com as ci\u00eancias f\u00edsicas que ela abandonou por completo. Al\u00e9m disso, no in\u00edcio, o ensino de Economia n\u00e3o estava separado do ensino de Direito. S\u00f3 depois da Segunda Guerra Mundial \u00e9 que aconteceu a coloniza\u00e7\u00e3o da Economia pelos engenheiros. A economia hoje se tornou uma t\u00e9cnica de engenharia.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea\u00a0<\/strong><strong>afirma que nossas sociedades est\u00e3o presas \u00e0 esterilidade cient\u00edfica desde a \u201cvirada p\u00f3s-liberal\u201d dos anos 1980. Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias de tal colapso te\u00f3rico na economia?<\/strong><\/p>\n<p>As consequ\u00eancias s\u00e3o enormes. No encontro das gera\u00e7\u00f5es de tr\u00eas grandes matem\u00e1ticos e f\u00edsicos te\u00f3ricos h\u00e1 um impasse, com o conhecimento da f\u00edsica das supercordas, a f\u00edsica das part\u00edculas e a tentativa de unificar a teoria da gravita\u00e7\u00e3o com a da mec\u00e2nica. Estamos h\u00e1 quarenta anos estagnados neste programa de pesquisa para onde enviamos os melhores entre n\u00f3s, e eles n\u00e3o produzem nada. Como resultado, ficamos muito para tr\u00e1s em uma s\u00e9rie de assuntos como termodin\u00e2mica, que \u00e9 fundamental para a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, a f\u00edsica dos plasmas ou fus\u00e3o nuclear. Destaco que a fus\u00e3o nuclear, diferente da fiss\u00e3o cl\u00e1ssica, \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para produzir um tipo de energia totalmente limpa. Entretanto investimos t\u00e3o pouco nessa \u00e1rea que n\u00e3o teremos uso industrial da fus\u00e3o nuclear antes de 2080.<\/p>\n<p>Isso tem, portanto, grandes consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas, econ\u00f4micas e pol\u00edticas. Existe uma liga\u00e7\u00e3o entre a esterilidade da pesquisa em f\u00edsica e a economia neocl\u00e1ssica. S\u00e3o duas \u00e1reas que fascinam as mentes sutis, mas n\u00e3o t\u00eam nenhuma conex\u00e3o com a realidade. Grande parte da teoria das cordas n\u00e3o \u00e9 apoiada pela experi\u00eancia emp\u00edrica. S\u00e3o teorias poderosas (como a escol\u00e1stica, o hegelianismo ou o marxismo no passado) que funcionam como liquidificadores. Se voc\u00ea souber como us\u00e1-lo corretamente, ser\u00e1 capaz de produzir qualquer tipo de resposta abstrata que fa\u00e7a sentido.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que os \u201cp\u00f3s-liberais atuais\u201d (de Margaret Thatcher a Emmanuel Macron) s\u00e3o os \u201ccoveiros do liberalismo\u201d. Qual \u00e9 a sua defini\u00e7\u00e3o de liberalismo e como podemos dizer que Macron n\u00e3o \u00e9 um liberal?<\/strong><\/p>\n<p>Irei assimilar o liberalismo aos pilares da modernidade de que falei acima: autonomia pol\u00edtica, Estado de direito e propriedade privada, mas uma propriedade que n\u00e3o \u00e9 [absolutizada] e que se coloca ao servi\u00e7o do Estado de Direito. Thatcher e Macron n\u00e3o s\u00e3o liberais nesse sentido. Eles distorcem o Estado de Direito para defender os interesses privados de uma minoria. Para eles, a propriedade privada n\u00e3o est\u00e1 mais embutida nos outros dois pilares. Ela foi absolutizada e se tornou o motor da hist\u00f3ria. No entanto, a privatiza\u00e7\u00e3o do mundo destr\u00f3i o la\u00e7o social. Isso \u00e9 o que o economista h\u00fangaro Karl Polanyi (1886-1964), autor de\u00a0<em>A Grande Transforma\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(1944), entendeu: a privatiza\u00e7\u00e3o excessiva do mundo leva ao fascismo.<\/p>\n<p><strong>Podemos falar tamb\u00e9m de \u201cliberalismo autorit\u00e1rio\u201d, isto \u00e9, de um Estado forte que se deteria \u00e0\u00a0<\/strong><strong>porta dos patr\u00f5es<\/strong><strong>, como queria o advogado do Terceiro Reich Carl Schmitt (1888-1985)<\/strong><em><strong>?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Prefiro falar em \u201cp\u00f3s-liberalismo autorit\u00e1rio\u201d. O destino do p\u00f3s-liberalismo \u00e9 se tornar autorit\u00e1rio. Ao destruir a delibera\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, a igualdade de todos perante a lei e ao tornar absoluta a propriedade privada, o v\u00ednculo social \u00e9 destru\u00eddo. O sofrimento das v\u00edtimas \u00e9 tal que elas acabam se entregando a qualquer palha\u00e7o, seja ele Salvini, Trump ou Marine Le Pen. E o desastre ecol\u00f3gico adiciona uma nova dimens\u00e3o a tudo isso.<\/p>\n<p>Para construir uma sociedade de baixo carbono e com baixa pegada material, temos duas grandes op\u00e7\u00f5es extremas. Primeira op\u00e7\u00e3o, aquela que muitos ativistas ambientais t\u00eam em mente: estabelecer uma sociedade totalmente descentralizada, idealmente sem Estado, onde todos se tornem aut\u00f4nomos ao produzir eletricidade em seus jardins. Segunda op\u00e7\u00e3o: um Estado autorit\u00e1rio, centralizado, que mant\u00e9m uma alian\u00e7a estreita com o capital privado, que distorce as liberdades e que, dessa forma, opera uma transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, mas fazendo com que os pobres paguem a conta. Este \u00e9 o modelo chin\u00eas.<\/p>\n<p>Nossas sociedades est\u00e3o nessa encruzilhada. Cada um dos pa\u00edses inventar\u00e1 sua pr\u00f3pria combina\u00e7\u00e3o. Pessoalmente, defendo a solu\u00e7\u00e3o de um Estado que possibilite as condi\u00e7\u00f5es para a emerg\u00eancia do Comum e, portanto, a possibilidade de uma sociedade civil suficientemente rica e descentralizada para a constitui\u00e7\u00e3o de cooperativas e produ\u00e7\u00e3o local de energia el\u00e9trica. O Estado tamb\u00e9m garantiria a perfeita continuidade do servi\u00e7o p\u00fablico, em harmonia com as cooperativas de produ\u00e7\u00e3o de energia, para que cada cidad\u00e3o seja abastecido decentemente onde quer que more. Macron escolheu a op\u00e7\u00e3o chinesa. Parte do alto escal\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico \u00e9 fascinado pela China. O p\u00f3s-liberalismo est\u00e1 se movendo para a segunda op\u00e7\u00e3o. E as classes populares, cujo sofrimento \u00e9 crescente, v\u00e3o acabar pedindo por essa segunda op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade &#8211; Outras Palavras. Link: https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gael Giraud &#8211;\u00a0Economista e padre jesu\u00edta, ex-economista chefe da Ag\u00eancia Francesa de Desenvolvimento (AFD), Gael Giraud publicou em abril \u201cL\u2019Economie \u00e0 Venir\u201d (\u201cA Economia do Futuro\u201d) (Les Liens qui lib\u00e8rent, 2021), em parceria com Felwine Sarr. Candidato na Prim\u00e1ria Popular, ele exp\u00f5e, entre outras coisas, sobre sua vis\u00e3o do comum e sua concep\u00e7\u00e3o do liberalismo. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15374,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[70],"class_list":["post-15685","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica","tag-neoliberalismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Gael Giraud &#8211;\u00a0Economista e padre jesu\u00edta, ex-economista chefe da Ag\u00eancia Francesa de Desenvolvimento (AFD), Gael Giraud publicou em abril \u201cL\u2019Economie \u00e0 Venir\u201d (\u201cA Economia do Futuro\u201d) (Les Liens qui lib\u00e8rent, 2021), em parceria com Felwine Sarr. Candidato na Prim\u00e1ria Popular, ele exp\u00f5e, entre outras coisas, sobre sua vis\u00e3o do comum e sua concep\u00e7\u00e3o do liberalismo. [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-09-12T13:48:01+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/comum-sociedade.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"850\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"470\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"13 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade\",\"datePublished\":\"2021-09-12T13:48:01+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/\"},\"wordCount\":3273,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/comum-sociedade.jpg?fit=850%2C470&ssl=1\",\"keywords\":[\"Neoliberalismo\"],\"articleSection\":[\"Pol\u00edtica\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/\",\"name\":\"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/comum-sociedade.jpg?fit=850%2C470&ssl=1\",\"datePublished\":\"2021-09-12T13:48:01+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/comum-sociedade.jpg?fit=850%2C470&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/06\\\/comum-sociedade.jpg?fit=850%2C470&ssl=1\",\"width\":850,\"height\":470},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/12\\\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade - Controversia","og_description":"Gael Giraud &#8211;\u00a0Economista e padre jesu\u00edta, ex-economista chefe da Ag\u00eancia Francesa de Desenvolvimento (AFD), Gael Giraud publicou em abril \u201cL\u2019Economie \u00e0 Venir\u201d (\u201cA Economia do Futuro\u201d) (Les Liens qui lib\u00e8rent, 2021), em parceria com Felwine Sarr. Candidato na Prim\u00e1ria Popular, ele exp\u00f5e, entre outras coisas, sobre sua vis\u00e3o do comum e sua concep\u00e7\u00e3o do liberalismo. [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2021-09-12T13:48:01+00:00","og_image":[{"width":850,"height":470,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/comum-sociedade.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"13 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade","datePublished":"2021-09-12T13:48:01+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/"},"wordCount":3273,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/comum-sociedade.jpg?fit=850%2C470&ssl=1","keywords":["Neoliberalismo"],"articleSection":["Pol\u00edtica"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/","name":"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/comum-sociedade.jpg?fit=850%2C470&ssl=1","datePublished":"2021-09-12T13:48:01+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/comum-sociedade.jpg?fit=850%2C470&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/comum-sociedade.jpg?fit=850%2C470&ssl=1","width":850,"height":470},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/12\/giraud-so-o-comum-salva-a-modernidade\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Giraud: s\u00f3 o Comum salva a modernidade"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/comum-sociedade.jpg?fit=850%2C470&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15685"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15685\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15686,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15685\/revisions\/15686"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}