{"id":15675,"date":"2021-09-10T12:36:27","date_gmt":"2021-09-10T15:36:27","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=15675"},"modified":"2021-09-06T09:39:30","modified_gmt":"2021-09-06T12:39:30","slug":"china-o-porque-das-novas-reformas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/","title":{"rendered":"China: o porqu\u00ea das novas reformas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Michael Roberts &#8211; <\/strong><em>Uma nova onda de reformas na China assombra o Ocidente. No final de 2020, o governo frustrou, de \u00faltima hora, uma iniciativa da Alibaba, gigante das vendas online (duas vezes maior que a Amazon), para captar 37 bilh\u00f5es de d\u00f3lares numa oferta inicial de a\u00e7\u00f5es (IPO). Desde ent\u00e3o, os fatos sucedem-se com rapidez. Corpora\u00e7\u00f5es que manejam aplicativos de entrega de comida (como a Meituan) ou de transporte (como a Didi, que controla no Brasil a 99) foram obrigadas a assumir responsabilidade por seus \u201cparceiros\u201d e aumentar seus rendimentos. As que manejam redes sociais n\u00e3o poder\u00e3o mais transformar em mercadoria os dados dos usu\u00e1rios, nem manter \u201cjardins murados\u201d que os impedem de dialogar com os de outras plataformas (pense no Facebook). Grandes sistemas de pagamento digital agora precisam compartilhar com o Estado, e com empresas menores, os dados sobre seus clientes. A onda de restri\u00e7\u00f5es,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.economist.com\/business\/what-tech-does-china-want\/21803410\">afirma<\/a>\u00a0a revista brit\u00e2nica \u201cEconomist\u201d, parece estar apenas come\u00e7ando. No in\u00edcio desta semana, o presidente do pa\u00eds e l\u00edder do Partido Comunista, Xi Jinping\u00a0<a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/mundo\/noticia\/2021\/08\/19\/xi-defende-distribuicao-de-renda-e-ofensiva-contra-ricos-na-china.ghtml\">frisou<\/a>\u00a0que a China precisa enfrentar a desigualdade e garantir que o acesso Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade seja garantido a todos, independentemente do poder econ\u00f4mico.<\/em><\/p>\n<p><em>O que estar\u00e1 acontecendo em Pequim? Por que a China, vista por tanto tempo como espa\u00e7o de explora\u00e7\u00e3o de trabalho barato, por parte de corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, parece disposta a medidas de enfrentamento aos monop\u00f3lios \u2013 e de defesa dos direitos das maiorias \u2013 que o Ocidente hesita em adotar? O texto a seguir, do economista marxista Michael Roberts, oferece algumas pistas. Tamb\u00e9m ajuda a compreender em mais profundidade um pa\u00eds que parece cada vez mais capaz de influir sobre os rumos do planeta, em meio \u00e0 crise civilizat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><em>A vis\u00e3o de Roberts \u00e9 de longo prazo. Ele tem em vista as reformas pr\u00f3-mercado que a China iniciou no in\u00edcio dos anos 1980, quando a morte de Mao Tse Tung abriu espa\u00e7o para a lideran\u00e7a de Deng Xiapoing. A abertura \u00e0 empresa privada e ao capital externo, estimulada por este, evitou que o pa\u00eds se enrascasse na armadilha do planejamento centralizado burocr\u00e1tico, que tragou o bloco sovi\u00e9tico. Mas deixou feridas.<\/em><\/p>\n<p><em>Roberts refere-se, com profus\u00e3o de dados, \u00e0s \u201ctr\u00eas montanhas\u201d que os chineses precisam superar. Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade e Habita\u00e7\u00e3o, entregues ao mercado h\u00e1 quarenta anos, tornaram-se motores da desigualdade. S\u00e3o escassas, caras, segregadoras. O texto mostra que h\u00e1 caminhos para superar os impasses, mas trilh\u00e1-los exigir\u00e1 coragem e intelig\u00eancia \u2013 pois os interesses estabelecidos s\u00e3o poderosos.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas a provoca\u00e7\u00e3o principal do texto est\u00e1 no fim \u2013 no \u201cEverest\u201d que, segundo Roberts, os chineses ter\u00e3o de vencer. Trata-se do fato de parte importante de sua economia reger-se, desde as reformas de Deng, pelas l\u00f3gicas do capital \u2013 ou seja, da necessidade de extrair o lucro m\u00e1ximo. Nesta din\u00e2mica, a produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 cresce e se sofistica (e esta \u00e9 a maldi\u00e7\u00e3o vivida pelo Ocidente) produzindo cada vez mais desigualdade.<\/em><\/p>\n<p><em>Persiste na China, em paralelo a esta, uma l\u00f3gica do Comum, diz tamb\u00e9m Roberts. Seu norte \u00e9 outro, a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades sociais. \u00c9 provavelmente para fortalec\u00ea-la que se voltam as reformas recentes \u2013 de sentido distinto, e em certo aspecto oposto, \u00e0s de Deng. Poder\u00e1 esta din\u00e2mica n\u00e3o-capitalista prevalecer, num mundo em que o capital mostra-se cada vez mais voraz (e criou ra\u00edzes na China)? Neste embate, que vale a pena seguir de perto, pode estar uma das chaves que levar\u00e3o a superar a crise civilizat\u00f3ria em que estamos mergulhados \u2013 ou a afundar ainda mais desesperan\u00e7adamente nela.\u00a0<strong>(A.M).<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Uma reuni\u00e3o de dezembro de 2020 do Politburo Partido Comunista Chin\u00eas prometeu acabar com o que chamou de \u201cexpans\u00e3o desordenada do capital\u201d. Os l\u00edderes chineses temiam que o setor capitalista na China tivesse ficado grande demais. Empresas como o Jack Ma\u2019s Ant Group expandiram-se para o financiamento ao consumidor e procuraram levantar fundos estrangeiros para isso. Com efeito, o Ant Group pretendia assumir o cr\u00e9dito \u00e0s fam\u00edlias dos bancos estatais. O Ant iria fazer o que queria e disse isso com muito alarde na imprensa. Ele e outras empresas de tecnologia e m\u00eddia capitalistas chinesas estavam cada vez mais envolvidas em fus\u00f5es tipicamente \u201cocidentais\u201d, contratos secretos e outras irregularidades financeiras.<\/p>\n<p>Os reguladores da China vinham fechando os olhos para tudo isso havia anos. Al\u00e9m disso, a fac\u00e7\u00e3o financeira na lideran\u00e7a da China havia conseguido um acordo para permitir que bancos de investimento estrangeiros criassem empresas de propriedade majorit\u00e1ria na China pela primeira vez, com o objetivo final de \u201clibertar\u201d o setor financeiro do controle estatal e permitir o cruzamento n\u00e3o regulamentado de fluxos de capital entre fronteiras. Em outras palavras, a China deveria se tornar um membro pleno do capital financeiro internacional. As autoridades tamb\u00e9m estavam permitindo opera\u00e7\u00f5es n\u00e3o controladas de criptomoedas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas a pandemia de covid mudou tudo isso. Houve uma crescente raiva p\u00fablica sobre como os ricos na China, como no resto das grandes economias, ganharam enormemente com o<em>\u00a0boom<\/em>\u00a0financeiro e de pre\u00e7os de propriedades durante a quarentena, enquanto a maioria lutou contra os bloqueios e enfrentou custos crescentes em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e habita\u00e7\u00e3o e um s\u00e9rio risco para empregos decentes para graduados e outros. Educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e habita\u00e7\u00e3o s\u00e3o as \u201ctr\u00eas montanhas\u201d que todas as fam\u00edlias chinesas almejam escalar para ter uma vida melhor \u2014 e ainda assim, os custos para a maioria est\u00e3o aumentando enquanto os ricos ganham bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Agora, a lideran\u00e7a chinesa foi for\u00e7ada a ziguezaguear para tr\u00e1s da \u201cexpans\u00e3o desordenada\u201d e responder \u00e0 rea\u00e7\u00e3o p\u00fablica por meio de uma repress\u00e3o aos gigantes da tecnologia e da m\u00eddia de consumo e introduzindo restri\u00e7\u00f5es \u00e0 educa\u00e7\u00e3o privada e ao desenvolvimento de propriedade especulativa. Tamb\u00e9m proibiu as opera\u00e7\u00f5es de criptomoeda.<\/p>\n<p>Tome a Educa\u00e7\u00e3o. A grande maioria dos pais chineses paga aulas particulares extracurriculares \u2014 as estimativas da pesquisa variam de 65% das fam\u00edlias com filhos em idade escolar em 2016, at\u00e9 92% este ano. Uma pesquisa de 2019 da empresa de recrutamento 51job Inc mostrou que quase 40% dos pais gastam 20-30% de sua renda na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. As aulas particulares t\u00eam custos espantosos que contribuem para um setor de mais de US$ 150 bilh\u00f5es. A qualidade e os recursos da educa\u00e7\u00e3o variam muito entre as \u00e1reas urbanas e rurais, de prov\u00edncia para prov\u00edncia e entre as cidades de n\u00edvel superior e inferior. H\u00e1 poucas vagas universit\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de alunos e ainda menos em universidades de prest\u00edgio, que se concentram na costa leste e nas grandes cidades. \u00c9 nessas \u00e1reas que o ensino particular explodiu na \u00faltima d\u00e9cada. Agora, o Conselho de Estado da China est\u00e1 impedindo as empresas com fins lucrativos de oferecer aulas em disciplinas b\u00e1sicas do curr\u00edculo e de receber investimento estrangeiro.<\/p>\n<p>Tome a Sa\u00fade. Aproximadamente 95% da popula\u00e7\u00e3o da China \u00e9 coberta por um programa de seguro p\u00fablico financiado principalmente por impostos sobre a folha de pagamento de funcion\u00e1rios e empregadores, com financiamento governamental m\u00ednimo. Isso supostamente financia a sa\u00fade universal, mas \u00e9 muito b\u00e1sico. Portanto, a maioria dos chineses \u00e9 for\u00e7ada a pagar empresas privadas para obter melhores cuidados, assim como em muitas economias capitalistas avan\u00e7adas. E durante a covid, as fam\u00edlias chinesas enfrentaram custos exorbitantes com sa\u00fade.<\/p>\n<p>E tome a habita\u00e7\u00e3o. Os pre\u00e7os dos im\u00f3veis nas cidades costeiras, onde se trabalha e recebe melhor, dobraram nos \u00faltimos dez anos. Em Shenzhen, o pre\u00e7o m\u00e9dio dos apartamentos subiu tanto que alguns est\u00e3o achando mais barato morar na vizinha Hong Kong, um dos mercados imobili\u00e1rios mais caros do mundo. Desde 2015, os pre\u00e7os dos im\u00f3veis residenciais subiram mais de 50% nas maiores cidades da China. Na \u00faltima d\u00e9cada, a oferta m\u00e9dia de terrenos residenciais por novo residente nas 10 principais cidades \u00e9 de apenas 23 metros quadrados \u2014 pouco mais do que o tamanho de um quarto de hotel t\u00edpico \u2014 ou menos de 60% do espa\u00e7o residencial m\u00e9dio per capita na China.<\/p>\n<p>A especula\u00e7\u00e3o tem crescido \u00e0 medida que os governos locais tentam levantar fundos com a venda de terrenos para incorporadores, que ent\u00e3o constroem propriedades por meio de empr\u00e9stimos a juros baixos, muitas vezes do setor n\u00e3o-banc\u00e1rio n\u00e3o regulamentado. \u201cA propriedade \u00e9 a fonte mais importante de risco financeiro e desigualdade de riqueza na China\u201d, disse Larry Hu, chefe de economia da China na Macquarie Securities Ltd. E ele est\u00e1 certo.<\/p>\n<p>Portanto, o governo teve de responder ao desencanto p\u00fablico, ecoando as famosas palavras de Xi Jinping de que \u201cHabita\u00e7\u00e3o \u00e9 para viver e n\u00e3o para especular\u201d. O vice-premi\u00ea Han Zheng acrescentou que o setor n\u00e3o deve ser usado como uma ferramenta de curto prazo para estimular a economia. Os bancos foram instru\u00eddos a aumentar as taxas de hipotecas. Os governos locais est\u00e3o sendo orientados a acelerar o desenvolvimento de moradias para aluguel subsidiadas pelo governo e foram instru\u00eddos a aumentar o escrut\u00ednio sobre tudo, desde o financiamento de incorporadores e os pre\u00e7os das casas rec\u00e9m-oferecidas at\u00e9 as transfer\u00eancias de t\u00edtulos.<\/p>\n<p>Mas as tr\u00eas montanhas n\u00e3o ser\u00e3o escaladas facilmente pelos l\u00edderes chineses, se \u00e9 que ser\u00e3o. Isso porque as autoridades t\u00eam se inclinado cada vez mais para a expans\u00e3o por meio do setor capitalista e, particularmente, em setores improdutivos como propriedade e finan\u00e7as \u2014 \u00e0s custas de setores produtivos como tecnologia de manufatura, habita\u00e7\u00e3o residencial, educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Grande parte da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria consiste em construir cada vez mais empreendimentos comerciais em vez de habita\u00e7\u00f5es. Isso porque a principal prerrogativa dos governos locais \u00e9 acumular receita. Se conseguirem atrair mais empresas para suas jurisdi\u00e7\u00f5es e se essas empresas se tornarem lucrativas, o governo local poder\u00e1 coletar mais impostos corporativos. Ao mesmo tempo, a oferta de terrenos residenciais \u00e9 deliberadamente mantida escassa para que os governos possam ganhar dinheiro com a venda de terrenos residenciais. Com efeito, as vendas de terrenos residenciais servem como um subs\u00eddio cruzado na pol\u00edtica de terrenos pr\u00f3-neg\u00f3cios dos governos locais, que vendem terrenos comerciais baratos.<\/p>\n<p>Pequim est\u00e1 se esfor\u00e7ando para implementar um imposto sobre a propriedade, h\u00e1 muito adiado, que poderia ser uma fonte alternativa de receita para os governos municipais e reduzir sua depend\u00eancia da venda de terras. Mas \u00e9 improv\u00e1vel que um imposto sobre a propriedade chegue perto de compensar a perda de receita que resultaria da venda de menos terras. Dado que as fam\u00edlias m\u00e9dias estar\u00e3o isentas do imposto sobre a propriedade, parece improv\u00e1vel que gere mais receita do que imposto de renda (1% do PIB), enquanto as vendas anuais de terras est\u00e3o atualmente na ordem de mais de 7% do PIB.<\/p>\n<p>O setor imobili\u00e1rio, que equivalia a apenas 5% do PIB em 1995, passou a 13% da economia \u2013 e a cerca de 28% do total de empr\u00e9stimos do pa\u00eds. Dado que os governos locais t\u00eam d\u00edvidas de US $ 10 trilh\u00f5es, a venda de terras \u00e9 a fonte de receita mais crucial e confi\u00e1vel para o pagamento da d\u00edvida. Portanto, qualquer mudan\u00e7a dr\u00e1stica aumentaria seriamente o risco de inadimpl\u00eancia do governo local. Logo, a repress\u00e3o do novo governo aos setores capitalistas da China n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para alterar as enormes desigualdades de renda, riqueza e acesso a empregos, habita\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o na China.<\/p>\n<p>Vamos ser claros, a China tem um alto n\u00edvel de desigualdade de renda pelos padr\u00f5es internacionais, embora ainda seja menor do que muitas outras economias \u201cemergentes\u201d como Brasil, M\u00e9xico ou \u00c1frica do Sul. A taxa de desigualdade de Gini atingiu o pico pouco antes da Grande Recess\u00e3o e j\u00e1 vem caindo desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico001.png?resize=640%2C415&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1010px) 100vw, 1010px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico001.png 1010w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico001-300x195.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico001-768x498.png 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"415\" \/><\/p>\n<figure><figcaption>Fonte: National Bureau of Statistics<\/figcaption><\/figure>\n<p>A principal raz\u00e3o para o alto \u00edndice de desigualdade \u00e9 a disparidade de renda entre trabalhadores urbanos e rurais e entre os sal\u00e1rios nas cidades costeiras e do interior, bem como as qualifica\u00e7\u00f5es educacionais.<\/p>\n<p>Quando se trata de desigualdade de riqueza pessoal, a China n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o desigual quanto muitos de seus pares econ\u00f4micos. A desigualdade de Gini da raz\u00e3o de riqueza \u00e9 muito maior no Brasil, R\u00fassia e \u00cdndia e maior nos Estados Unidos e Alemanha. De acordo com as \u00faltimas estimativas, o 1% dos maiores detentores de riqueza na China leva 31% de toda a riqueza pessoal em compara\u00e7\u00e3o com 58% na R\u00fassia, 50% no Brasil, 41% na \u00cdndia e 35% nos Estados Unidos. Essa \u00e9 uma boa medida do poder econ\u00f4mico da elite e dos oligarcas desses pa\u00edses.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"font-family: Lato, sans-serif;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico2.png?resize=602%2C261&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico2.png 602w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico2-300x130.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"261\" \/><\/p>\n<p>Muito se fala sobre o n\u00famero de bilion\u00e1rios na China, mas dado o tamanho da popula\u00e7\u00e3o e do PIB, a propor\u00e7\u00e3o per capita em compara\u00e7\u00e3o com os EUA e outras economias importantes \u00e9 relativamente baixa. Apesar da grande expans\u00e3o do n\u00famero de milion\u00e1rios, os milion\u00e1rios na China continuam relativamente raros: cerca de um para cada 200 adultos. Os milion\u00e1rios representam 3% dos adultos na It\u00e1lia e na Espanha; Fran\u00e7a, \u00c1ustria ou Alemanha (cerca de 4%), e cerca de 6% na Escandin\u00e1via social-democrata; acima de 8% nos EUA e Austr\u00e1lia e o maior de todos na Su\u00ed\u00e7a (15%).<\/p>\n<p>E a desigualdade de riqueza na China est\u00e1 centrada na propriedade, n\u00e3o nos ativos financeiros (at\u00e9 agora), ao contr\u00e1rio das principais economias capitalistas do G7. E isso porque as finan\u00e7as n\u00e3o foram totalmente abertas ao setor capitalista.<\/p>\n<p>Mas as contradi\u00e7\u00f5es da economia controlada pelo Estado da China ao lado de um grande e crescente setor capitalista se intensificaram durante a pandemia de covid. E isso foi expresso pelas fac\u00e7\u00f5es na lideran\u00e7a chinesa. Autoridades do setor financeiro e banc\u00e1rio querem abrir a economia ao capital estrangeiro e permitir que o renminbi (yuan) se torne uma moeda internacional. Eles argumentam que a economia tende muito ao investimento e \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o ao consumo. Economistas chineses formados nos EUA e na Europa, apoiados por economistas estrangeiros residentes em universidades chinesas e pelo Banco Mundial, pressionam continuamente por uma \u201cmudan\u00e7a do investimento para o consumo\u201d. Mas isso funcionou nas economias capitalistas do G7? Nelas, o consumo n\u00e3o conseguiu impulsionar o crescimento econ\u00f4mico e os sal\u00e1rios estagnaram em termos reais nos \u00faltimos dez anos, enquanto os rendimentos reais dos trabalhadores na China dispararam.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico004.png?resize=640%2C415&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1014px) 100vw, 1014px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico004.png 1014w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico004-300x195.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico004-768x498.png 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"415\" \/><\/p>\n<figure><figcaption>Fonte: Penn World Tables 10.0, c\u00e1lculos do autor<\/figcaption><\/figure>\n<p>De fato, o consumo est\u00e1 crescendo muito mais r\u00e1pido na China do que no G7 porque o investimento \u00e9 maior. Um segue o outro; n\u00e3o \u00e9 um jogo de soma zero. E nem todo consumo tem que ser \u201cpessoal\u201d; mais importante \u00e9 o \u201cconsumo social\u201d, ou seja, servi\u00e7os p\u00fablicos como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, comunica\u00e7\u00f5es, habita\u00e7\u00e3o; n\u00e3o apenas autom\u00f3veis e\u00a0<em>gadgets<\/em>. O aumento do consumo pessoal de servi\u00e7os sociais b\u00e1sicos \u00e9 o que \u00e9 necess\u00e1rio. E \u00e9 aqui que a China precisa agir.<\/p>\n<p>Muito tamb\u00e9m se fala dos crescentes n\u00edveis de d\u00edvida da China. Economistas tradicionais v\u00eam prevendo h\u00e1 d\u00e9cadas que a China est\u00e1 caminhando para uma quebra da d\u00edvida de mega propor\u00e7\u00f5es. \u00c9 verdade que, de acordo com o Instituto de Finan\u00e7as Internacionais (IFF), a d\u00edvida total da China atingiu 317% do produto interno bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2020. Mas a maior parte da d\u00edvida interna \u00e9 devida por uma entidade estatal a outra; do governo local aos bancos estaduais, dos bancos estaduais ao governo central. Quando tudo isso \u00e9 compensado, a d\u00edvida das fam\u00edlias (54% do PIB) e das empresas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alta, enquanto a d\u00edvida do governo central \u00e9 baixa para os padr\u00f5es globais. Al\u00e9m disso, a d\u00edvida externa em d\u00f3lares em rela\u00e7\u00e3o ao PIB \u00e9 muito baixa (15%) e, de fato, o resto do mundo deve \u00e0 China muito mais: 6% da d\u00edvida global. A China \u00e9 um grande credor do mundo e possui enormes reservas em d\u00f3lares e euros, 50% maiores do que sua d\u00edvida em d\u00f3lares.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"font-family: Lato, sans-serif;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico5.png?resize=598%2C494&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico5.png 598w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico5-300x248.png 300w\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"494\" \/><\/p>\n<div>\n<figure><figcaption>Fonte: IIF<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Uma crise financeira est\u00e1 descartada enquanto o estado controlar o sistema banc\u00e1rio, mas h\u00e1 perigos devido \u00e0s recentes tentativas de afroux\u00e1-lo para institui\u00e7\u00f5es privadas e estrangeiras entrarem na arena (por exemplo, h\u00e1 um n\u00famero crescente de fal\u00eancias no setor financeiro especulativo).<\/p>\n<p>Os l\u00edderes chineses querem reduzir o n\u00edvel de endividamento. O controle do n\u00edvel de endividamento pode ocorrer de duas maneiras; por meio do alto crescimento do investimento no setor produtivo para manter o \u00edndice da d\u00edvida sob controle e\/ou pela redu\u00e7\u00e3o da farra de cr\u00e9dito em \u00e1reas improdutivas, como a propriedade especulativa. A estagna\u00e7\u00e3o secular do Jap\u00e3o foi o resultado da falta de aplica\u00e7\u00e3o desses dois fatores em sua economia capitalista. Mas, dado o poder do controle estatal sobre as alavancas de investimento, a China pode evitar o resultado japon\u00eas.<\/p>\n<p>A contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da economia chinesa n\u00e3o \u00e9 entre investimento e consumo, ou entre crescimento e d\u00edvida; est\u00e1 entre lucratividade e produtividade. O tamanho e a influ\u00eancia crescentes do setor capitalista na China est\u00e3o enfraquecendo o desempenho da economia e ampliando as desigualdades expostas durante a pandemia. Na verdade, foi o setor estatal que ajudou a economia chinesa a sair da crise pand\u00eamica, n\u00e3o seu setor capitalista.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"font-family: Lato, sans-serif;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico6.png?resize=602%2C253&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico6.png 602w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico6-300x126.png 300w\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"253\" \/><\/p>\n<p>Fiz um pequeno teste emp\u00edrico da rela\u00e7\u00e3o entre a lucratividade do capital chin\u00eas e o crescimento real do PIB (com base nos dados do Penn World Tables 10.0 \u2014 detalhes fornecidos mediante solicita\u00e7\u00e3o). O que descobri foi que o investimento dominado pelo Estado e o estoque de capital na China significava que n\u00e3o havia nenhuma correla\u00e7\u00e3o entre a lucratividade do capital chin\u00eas e o crescimento real do PIB desde a forma\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular \u2014 na verdade, a rela\u00e7\u00e3o era negativa. A lucratividade do capital n\u00e3o determinava o n\u00edvel de investimento em ativos produtivos e o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico7.png?resize=640%2C414&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1012px) 100vw, 1012px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico7.png 1012w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico7-300x194.png 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/210819-grafico7-768x497.png 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"414\" \/><\/p>\n<figure><figcaption>Fonte: Penn World Tables 10.0; S\u00e9rie IRR para lucratividade; c\u00e1lculos de crescimento do PIB real<\/figcaption><\/figure>\n<p>No entanto, ap\u00f3s as reformas de Deng na d\u00e9cada de 1980, a correla\u00e7\u00e3o tornou-se positiva, embora menos positivamente correlacionada do que no resto das economias do G20 ou do G7. E desde que a China entrou na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio e privatizou se\u00e7\u00f5es de seu setor estatal, no final dos anos 1990 e no in\u00edcio dos anos 2000, tem havido uma correla\u00e7\u00e3o significativa entre a lucratividade do capital chin\u00eas e o crescimento real do PIB. Portanto, a economia chinesa tornou-se cada vez mais vulner\u00e1vel ao seu setor capitalista e ao capital internacional e sua lucratividade.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o Everest que a China enfrenta: como aumentar a produtividade para atender \u00e0s necessidades sociais de seus 1,4 bilh\u00e3o de habitantes, em face dos caprichos da lucratividade de seu setor capitalista. A for\u00e7a de trabalho da China est\u00e1 caindo. O crescimento da produtividade est\u00e1 desacelerando e a China enfrenta uma guerra tecnol\u00f3gica e comercial com os EUA e seus aliados imperialistas. As tr\u00eas montanhas n\u00e3o ser\u00e3o escaladas a menos que o Everest tamb\u00e9m seja conquistado.<\/p>\n<p>Como parte do seu plano nacional 2021-25 para reduzir as desigualdades, v\u00e1rias prov\u00edncias est\u00e3o empenhadas na constru\u00e7\u00e3o de \u201cuma zona comum de demonstra\u00e7\u00e3o de prosperidade\u201d. De acordo com o plano, na prov\u00edncia de Zhejiang, a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho ser\u00e1 elevada para mais de 50% do PIB at\u00e9 2025; a taxa de matr\u00edcula no ensino superior para mais de 70%; e a propor\u00e7\u00e3o dos gastos pessoais com sa\u00fade em rela\u00e7\u00e3o ao total dos gastos com sa\u00fade ser\u00e1 administrada para ficar abaixo de 26 por cento. Isso funcionar\u00e1 e ser\u00e1 aplicado a outras prov\u00edncias? Veremos.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: China: o porqu\u00ea das novas reformas &#8211; Outras Palavras. Link: https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/china-porque-das-novas-reformas\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michael Roberts &#8211; Uma nova onda de reformas na China assombra o Ocidente. No final de 2020, o governo frustrou, de \u00faltima hora, uma iniciativa da Alibaba, gigante das vendas online (duas vezes maior que a Amazon), para captar 37 bilh\u00f5es de d\u00f3lares numa oferta inicial de a\u00e7\u00f5es (IPO). Desde ent\u00e3o, os fatos sucedem-se com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5782,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[3],"tags":[83],"class_list":["post-15675","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional","tag-reformas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>China: o porqu\u00ea das novas reformas - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"China: o porqu\u00ea das novas reformas - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Michael Roberts &#8211; Uma nova onda de reformas na China assombra o Ocidente. No final de 2020, o governo frustrou, de \u00faltima hora, uma iniciativa da Alibaba, gigante das vendas online (duas vezes maior que a Amazon), para captar 37 bilh\u00f5es de d\u00f3lares numa oferta inicial de a\u00e7\u00f5es (IPO). Desde ent\u00e3o, os fatos sucedem-se com [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-09-10T15:36:27+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/china.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1960\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1107\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"17 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"China: o porqu\u00ea das novas reformas\",\"datePublished\":\"2021-09-10T15:36:27+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/\"},\"wordCount\":3407,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/10\\\/china.jpg?fit=1960%2C1107&ssl=1\",\"keywords\":[\"Reformas\"],\"articleSection\":[\"Internacional\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/\",\"name\":\"China: o porqu\u00ea das novas reformas - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/10\\\/china.jpg?fit=1960%2C1107&ssl=1\",\"datePublished\":\"2021-09-10T15:36:27+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/10\\\/china.jpg?fit=1960%2C1107&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/10\\\/china.jpg?fit=1960%2C1107&ssl=1\",\"width\":1960,\"height\":1107},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2021\\\/09\\\/10\\\/china-o-porque-das-novas-reformas\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"China: o porqu\u00ea das novas reformas\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"China: o porqu\u00ea das novas reformas - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"China: o porqu\u00ea das novas reformas - Controversia","og_description":"Michael Roberts &#8211; Uma nova onda de reformas na China assombra o Ocidente. No final de 2020, o governo frustrou, de \u00faltima hora, uma iniciativa da Alibaba, gigante das vendas online (duas vezes maior que a Amazon), para captar 37 bilh\u00f5es de d\u00f3lares numa oferta inicial de a\u00e7\u00f5es (IPO). Desde ent\u00e3o, os fatos sucedem-se com [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2021-09-10T15:36:27+00:00","og_image":[{"width":1960,"height":1107,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/china.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"17 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"China: o porqu\u00ea das novas reformas","datePublished":"2021-09-10T15:36:27+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/"},"wordCount":3407,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/china.jpg?fit=1960%2C1107&ssl=1","keywords":["Reformas"],"articleSection":["Internacional"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/","name":"China: o porqu\u00ea das novas reformas - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/china.jpg?fit=1960%2C1107&ssl=1","datePublished":"2021-09-10T15:36:27+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/china.jpg?fit=1960%2C1107&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/china.jpg?fit=1960%2C1107&ssl=1","width":1960,"height":1107},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2021\/09\/10\/china-o-porque-das-novas-reformas\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"China: o porqu\u00ea das novas reformas"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/china.jpg?fit=1960%2C1107&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15675"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15675\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15676,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15675\/revisions\/15676"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}