{"id":15385,"date":"2021-07-02T12:43:48","date_gmt":"2021-07-02T15:43:48","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=15385"},"modified":"2021-07-01T16:45:44","modified_gmt":"2021-07-01T19:45:44","slug":"sete-potencias-e-um-destino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/07\/02\/sete-potencias-e-um-destino\/","title":{"rendered":"Sete pot\u00eancias e um destino"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/strong> &#8211; O espet\u00e1culo foi montado de forma meticulosa, em cen\u00e1rios magn\u00edficos, e com uma coreografia tecnicamente perfeita. Primeiro foi o encontro bilateral entre Joe Biden e Boris Johnson, os l\u00edderes das duas grandes pot\u00eancias que estiveram no centro do poder mundial nos \u00faltimos 300 anos. A assinatura de uma nova Carta Atl\u00e2ntica foi a forma simb\u00f3lica de reafirmar a prioridade da alian\u00e7a anglo-americana frente aos demais membros do G7 e seus quatro convidados, que se reuniram nos dias 11 e 12 de junho numa praia da Cornu\u00e1lia, sul da Inglaterra, como um ritual de retorno dos Estados Unidos \u00e0 lideran\u00e7a da \u201ccomunidade ocidental\u201d, depois dos anos isolacionistas de Donald Trump. Em seguida, os sete governantes voltaram a se encontrar em Bruxelas, na reuni\u00e3o de c\u00fapula da OTAN encarregada de redefinir a estrat\u00e9gia da organiza\u00e7\u00e3o militar euro-americana para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI. E ali mesmo, na capital da B\u00e9lgica, o presidente americano reuniu-se com os 27 membros da Uni\u00e3o Europeia pela primeira vez desde o Brexit e, portanto, sem a presen\u00e7a da Gr\u00e3-Bretanha. Por fim, para coroar esse verdadeiro\u00a0<em>tour de force<\/em>\u00a0de Joe Biden em territ\u00f3rio europeu, o novo presidente dos Estados Unidos teve um encontro cinematogr\u00e1fico com Vladimir Putin num pal\u00e1cio do s\u00e9culo XVIII, no meio de um bosque de pinheiros, \u00e0s margens do Lago Leman, em Genebra, Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o do G7 discutiu tr\u00eas temas fundamentais: a pandemia, o clima e a retomada da economia mundial. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia, as sete pot\u00eancias anunciaram a doa\u00e7\u00e3o coletiva de um bilh\u00e3o de vacinas para os pa\u00edses mais pobres; com rela\u00e7\u00e3o ao clima, reafirmaram sua decis\u00e3o coletiva de cumprir com os objetivos do Acordo de Paris; e com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reativa\u00e7\u00e3o da economia global, anunciaram um projeto de investimentos em infraestrutura, nos pa\u00edses pobres e emergentes, sobretudo no entorno da China, no valor de 40 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, em clara competi\u00e7\u00e3o com o projeto chin\u00eas do\u00a0<em>Belt and Road<\/em>, lan\u00e7ado em 2013, e que j\u00e1 incorporou mais de 60 pa\u00edses, inclusive na Europa. Na reuni\u00e3o da OTAN, com a presen\u00e7a de Joe Biden, pela primeira vez na sua hist\u00f3ria, a organiza\u00e7\u00e3o militar liderada pelos Estados Unidos declarou que seu novo e grande \u201cdesafio sist\u00eamico\u201d vem da \u00c1sia, e responde pelo nome de China. Este se transformou no estribilho de todos os demais discursos e pronunciamentos do presidente americano: de que o mundo vive uma disputa fundamental entre pa\u00edses democr\u00e1ticos e pa\u00edses autorit\u00e1rios, destacando-se, neste segundo grupo, uma vez mais, a China. Por fim, na reuni\u00e3o de c\u00fapula entre Biden e Putin, que foi sobretudo um espet\u00e1culo, os dois interpretaram pap\u00e9is rigorosamente programados, reafirmando suas diverg\u00eancias e concordando apenas no seu desejo de preservar e administrar em comum seu duop\u00f3lio at\u00f4mico mundial.<\/p>\n<p>O problema desse espet\u00e1culo programado com tamanho esmero \u00e9 que seu enredo e sua coreografia j\u00e1 est\u00e3o ultrapassados. Em certos momentos, inclusive, um observador desatento poderia imaginar que tivesse voltado aos anos 1940-50 do s\u00e9culo passado, quando foi assinada a primeira Carta Atl\u00e2ntica (em 1941), come\u00e7ou a Guerra Fria (em 1946), foi criada a OTAN (em 1949), e a atual Uni\u00e3o Europeia deu seus primeiros passos (em 1957). Para n\u00e3o falar tamb\u00e9m do lan\u00e7amento pelos Estados Unidos \u2013 ainda nos anos 40 \u2013 do seu Plano Marshall de investimentos na reconstru\u00e7\u00e3o da Europa e o Projeto Desenvolvimentista de mobiliza\u00e7\u00e3o de capitais privados para investimento no \u201cTerceiro Mundo\u201d, em competi\u00e7\u00e3o direta com a atra\u00e7\u00e3o exercida pelo modelo econ\u00f4mico sovi\u00e9tico que havia sa\u00eddo vitorioso na sua guerra contra o nazismo.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 que, no\u00a0<em>revival\u00a0<\/em>atual, a promessa de vacinas do G7 est\u00e1 muito aqu\u00e9m dos 11 bilh\u00f5es solicitados pela OMS; da mesma forma, as novas metas clim\u00e1ticas das sete pot\u00eancias n\u00e3o inovaram em praticamente nada com rela\u00e7\u00e3o ao que elas j\u00e1 haviam decidido previamente; e por fim, o novo \u201cprojeto desenvolvimentista\u201d proposto pelos Estados Unidos e apoiado pelo G7 envolve recursos e contribui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o foram definidos, empresas privadas que n\u00e3o foram consultadas, e projetos de investimento que n\u00e3o t\u00eam nenhum tipo de detalhamento. Al\u00e9m disso, a Gr\u00e3-Bretanha e os demais pa\u00edses europeus est\u00e3o divididos e mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es separadas com a R\u00fassia e com a China; s\u00e3o governos fracos em muitos casos, porque est\u00e3o em fins de mandato como na Alemanha e na Fran\u00e7a, ou com elei\u00e7\u00f5es parlamentares marcadas para 2022, como no caso dos Estados Unidos, quando os democratas poder\u00e3o perder sua estreita maioria congressual, paralisando o governo Biden.<\/p>\n<p>Mais importante do que tudo isto, entretanto, \u00e9 que a nova pol\u00edtica externa americana e a estrat\u00e9gia que prop\u00f4s aos seus principais aliados ocidentais est\u00e3o ultrapassadas e s\u00e3o inadequadas para enfrentar o \u201cdesafio sist\u00eamico chin\u00eas\u201d. A elite pol\u00edtica e militar americana e europeia segue prisioneira do seu sucesso e de sua vit\u00f3ria na Guerra Fria, e n\u00e3o consegue perceber as diferen\u00e7as essenciais que distinguem a China da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. N\u00e3o apenas porque a China \u00e9 hoje um sucesso econ\u00f4mico indispens\u00e1vel para a economia capitalista internacional, mas tamb\u00e9m porque a China j\u00e1 foi a economia mais din\u00e2mica do mundo ao longo dos \u00faltimos vinte s\u00e9culos. Basta dizer que em \u201cdezoito dos \u00faltimos vinte s\u00e9culos, a China produziu uma parcela maior do PIB mundial total do que qualquer sociedade ocidental. E ainda, em 1820, ela produzia mais de 30% do PIB mundial \u2013 quantidade que ultrapassava o PIB da Europa Ocidental, da Europa Oriental e dos Estados Unidos combinados\u201d<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=99&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fsete-potencias-e-um-destino%2F#sdendnote1sym\">1<\/a><\/sup>. Al\u00e9m do sucesso econ\u00f4mico, o que realmente distingue a China da antiga URSS, e a situa\u00e7\u00e3o atual da antiga Guerra Fria, \u00e9 o fato de a China ser uma \u201cciviliza\u00e7\u00e3o milenar\u201d muito mais do que um Estado nacional. E uma civiliza\u00e7\u00e3o que nasceu e se desenvolveu de forma inteiramente independente da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, com seus pr\u00f3prios valores e objetivos que n\u00e3o foram alterados por seu novo sucesso econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Por isso, soa absurdo aos ouvidos chineses quando os governantes ocidentais falam de uma luta que os separa da China, entre a democracia e o autoritarismo, sem que os ocidentais consigam se dar conta de que esta polaridade \u00e9 inteiramente ocidental. E que, na verdade, trata-se de uma disputa que est\u00e1 sendo travada neste momento dentro das pr\u00f3prias sociedades ocidentais, sobretudo nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m em alguns pa\u00edses europeus, onde a democracia vem sendo amea\u00e7ada pelo avan\u00e7o de for\u00e7as autorit\u00e1rias e fascistas. A civiliza\u00e7\u00e3o chinesa n\u00e3o tem nada a ver com isso, nem pretende se envolver com essa briga interna do Ocidente. Sua hist\u00f3ria e seus princ\u00edpios \u00e9ticos e pol\u00edticos nasceram e se consolidaram h\u00e1 tr\u00eas mil anos, muito antes das civiliza\u00e7\u00f5es greco-romana e crist\u00e3 do Ocidente. At\u00e9 hoje, os chineses n\u00e3o tiveram nenhum tipo de religi\u00e3o oficial, nem jamais compartilharam seu poder imperial com nenhum tipo de institui\u00e7\u00e3o religiosa, nobreza heredit\u00e1ria ou \u201cburguesia\u201d econ\u00f4mica, como aconteceu no Imp\u00e9rio Romano e em todas as sociedades europeias. Durante suas sucessivas dinastias, o imp\u00e9rio chin\u00eas foi governado por um mandarinato meritocr\u00e1tico que pautou sua conduta pelos princ\u00edpios da filosofia moral confuciana, laica e extremamente hier\u00e1rquica e conservadora, que foi adotada como doutrina oficial pelo Imp\u00e9rio Han (206 a.C.-221 d.C.), e depois se manteve como a b\u00fassola \u00e9tica do povo e da elite governante chinesa at\u00e9 os dias de hoje. Uma vis\u00e3o absolutamente rigorosa e hier\u00e1rquica do que seja um \u201cbom governo\u201d, e do que sejam suas obriga\u00e7\u00f5es com o povo e a civiliza\u00e7\u00e3o chinesa.<\/p>\n<p>Foi o Imp\u00e9rio Han que construiu a \u201cRota da Seda\u201d e come\u00e7ou a instituir o sistema de rela\u00e7\u00f5es \u201chier\u00e1rquico-tribut\u00e1rias\u201d da China com seus povos vizinhos. Depois a China dividiu-se v\u00e1rias vezes, mas sempre voltou a reunificar-se, mantendo sua fidelidade \u00e0 sua civiliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 sua moral confuciana. Isto aconteceu no s\u00e9culo IX, com a Dinastia Song (960-1279), e voltou a ocorrer com a Dinastia Ming (1368-1644), que reorganizou o Estado chines e liderou uma nova \u201c\u00e9poca de ouro\u201d da civiliza\u00e7\u00e3o chinesa, de grande criatividade e conquistas territoriais. E o mesmo voltaria a ocorrer, finalmente, durante a Dinastia Qing, entre 1644 e 1912, quando a China duplicou seu territ\u00f3rio. Depois, entretanto, foi derrotada pela Gr\u00e3-Bretanha e pela Fran\u00e7a, nas duas Guerras do \u00d3pio, em 1839-1842 e 1856-1860, e submetida a um s\u00e9culo de ass\u00e9dio e humilha\u00e7\u00e3o por parte das pot\u00eancias ocidentais, at\u00e9 os chineses reassumirem seu pr\u00f3prio comando ap\u00f3s a sua revolu\u00e7\u00e3o republicana de 1911, e a vitoriosa revolu\u00e7\u00e3o comunista de 1949.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recente \u00e9 mais conhecida de todos: nos \u00faltimos 30 anos, a economia chinesa foi a que mais cresceu, e hoje \u00e9 a segunda maior economia do mundo, devendo superar a norte-americana at\u00e9 o final da terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI. Nos \u00faltimos cinco anos, a China logrou erradicar de seu territ\u00f3rio a pobreza absoluta, venceu a luta contra a pandemia, vacinou mais de um bilh\u00e3o de chineses e j\u00e1 exportou ou doou cerca de 600 milh\u00f5es de vacinas para os pa\u00edses mais pobres do sistema mundial. Ao mesmo tempo, nos primeiros meses de 2021, a China pousou o seu rob\u00f4 Zhu Ronc na superf\u00edcie do planeta Marte; iniciou a montagem e colocou em funcionamento sua pr\u00f3pria esta\u00e7\u00e3o espacial ao redor da Terra \u2013 Tiangong; enviou com sucesso a nave Shezhou 12, com tr\u00eas taikonautas para permanecerem tr\u00eas meses na nova esta\u00e7\u00e3o; anunciou para 2024 a coloca\u00e7\u00e3o em \u00f3rbita de um telesc\u00f3pio 300 vezes mais potente do que o Hubble, dos norte-americanos<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=99&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fsete-potencias-e-um-destino%2F#sdendnote2sym\">2<\/a><\/sup>; tornou p\u00fablico o\u00a0<em>roadmap<\/em>\u00a0feito junto com os russos para a cria\u00e7\u00e3o de um laborat\u00f3rio e experimenta\u00e7\u00e3o lunar, com instala\u00e7\u00f5es colocadas na superf\u00edcie e na \u00f3rbita da Lua; concluiu a constru\u00e7\u00e3o do prot\u00f3tipo de computador qu\u00e2ntico \u2013 batizado como Jihuzang \u2013 capaz de executar certos tipos de c\u00e1lculo 100 trilh\u00f5es de vezes mais r\u00e1pido que o atual supercomputador mais potente do mundo; avan\u00e7ou na constru\u00e7\u00e3o do seu reator de fus\u00e3o nuclear (o\u00a0<em>Toka Mak Experimental Super Conductor<\/em>), o \u201csol artificial\u201d que j\u00e1 atingiu uma temperatura de 160 milh\u00f5es de graus cent\u00edgrados. Por outro lado, com os p\u00e9s na terra, a China j\u00e1 \u00e9 hoje, depois de apenas vinte anos do come\u00e7o do seu programa de trens de alta velocidade, o pa\u00eds com a maior rede de trens-bala, e acabou de apresentar o prot\u00f3tipo de seu novo trem com levita\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica que poder\u00e1 alcan\u00e7ar at\u00e9 800 km por hora.<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=99&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fsete-potencias-e-um-destino%2F#sdendnote3sym\">3<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Apesar de todo o estrondoso sucesso social, econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico, a China n\u00e3o est\u00e1 se propondo ao mundo como um modelo de validade universal, nem est\u00e1 se propondo substituir os Estados Unidos como centro articulador do \u201cpoder global\u201d. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que seu sucesso j\u00e1 a transformou numa vitrine extremamente atrativa para o mundo. Mesmo assim, o que mais aflige os governantes ocidentais \u00e9 o sucesso de uma civiliza\u00e7\u00e3o diferente da sua e que n\u00e3o mostra o menor interesse em disputar ou substituir a t\u00e1bua de valores da Cornu\u00e1lia. O que parece que as pot\u00eancias ocidentais n\u00e3o conseguem perceber inteiramente \u00e9 que est\u00e1 instalada no mundo uma nova esp\u00e9cie de \u201cequipot\u00eancia civilizat\u00f3ria\u201d que j\u00e1 rompeu com o monop\u00f3lio \u00e9tico do Ocidente, tornando p\u00fablico um dos segredos mais bem guardados pelas grandes pot\u00eancias vitoriosas de todos os tempos: o fato de que s\u00f3 elas definem os valores e a regras do sistema mundial, porque s\u00f3 elas fazem parte do que o historiador e te\u00f3rico ingl\u00eas Edward Carr chamou de \u201cc\u00edrculo privilegiado dos criadores da moral internacional\u201d.<sup><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=99&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fsete-potencias-e-um-destino%2F#sdendnote4sym\">4<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Hoje parece rigorosamente imposs\u00edvel reverter a expans\u00e3o social, econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica chinesa. E seria uma \u201ctemeridade global\u201d tentar bloque\u00e1-la atrav\u00e9s da guerra convencional. Assim mesmo, se prevalecerem a onipot\u00eancia e a insensatez das\u00a0<strong>\u201cpot\u00eancias catequ\u00e9ticas<\/strong>\u201d, o \u201cacerto de contas\u201d do Ocidente com a China j\u00e1 est\u00e1 agendado e tem lugar e hora marcados: ser\u00e1 na Ilha de Taiwan. Mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel imaginar um futuro em que o hiperpoder econ\u00f4mico e militar dessas grandes civiliza\u00e7\u00f5es que dominar\u00e3o o mundo no s\u00e9culo XXI impe\u00e7a uma guerra frontal e possibilite um longo per\u00edodo de \u201carmist\u00edcio imperial\u201d em que se possa testar a proposta chinesa de um mundo em que todos ganhem, como vem defendendo o presidente chin\u00eas Xi Jinping, ou mesmo a proposta alem\u00e3 de uma \u201cparceria competitiva\u201d com a China, como prop\u00f5e Armin Laschet, prov\u00e1vel sucessor de Angela Merkel. O problema \u00e9 que um \u201carmist\u00edcio imperial\u201d desse tipo requer que as \u201csete pot\u00eancias da Cornu\u00e1lia\u201d abram m\u00e3o de sua \u201ccompuls\u00e3o catequ\u00e9tica\u201d e do seu desejo de converter o resto do mundo aos seus pr\u00f3prios valores civilizat\u00f3rios.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=99&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fsete-potencias-e-um-destino%2F#sdendnote1anc\">1<\/a>Kissinger, Henry.\u00a0<em>Sobre a China<\/em>. Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2011, p. 28. p:29<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=99&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fsete-potencias-e-um-destino%2F#sdendnote2anc\">2<\/a>Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o Programa Espacial Chines foi criado em 1991, tr\u00eas anos apenas antes da cria\u00e7\u00e3o da Agencia Espacial Brasileira, em 1994.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=99&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fsete-potencias-e-um-destino%2F#sdendnote3anc\">3<\/a>Ainda para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o Brasil havia planejado h\u00e1 uma d\u00e9cada atr\u00e1s, inaugurar seu primeiro trem-bala importado no dia 30 de junho de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=99&amp;url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fgeopoliticaeguerra%2Fsete-potencias-e-um-destino%2F#sdendnote4anc\">4<\/a>Carr, E. H.,\u00a0<em>The Twenty Years\u2019 Crisis, 1919-1939.<\/em>\u00a0New York: Perennial, 2001, p. 80.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: Sete pot\u00eancias e um destino &#8211; Outras Palavras. Link: https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/sete-potencias-e-um-destino\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori &#8211; O espet\u00e1culo foi montado de forma meticulosa, em cen\u00e1rios magn\u00edficos, e com uma coreografia tecnicamente perfeita. Primeiro foi o encontro bilateral entre Joe Biden e Boris Johnson, os l\u00edderes das duas grandes pot\u00eancias que estiveram no centro do poder mundial nos \u00faltimos 300 anos. 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