{"id":15286,"date":"2021-06-05T09:49:02","date_gmt":"2021-06-05T12:49:02","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=15286"},"modified":"2021-06-05T09:49:02","modified_gmt":"2021-06-05T12:49:02","slug":"engels-sobre-a-natureza-e-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2021\/06\/05\/engels-sobre-a-natureza-e-a-humanidade\/","title":{"rendered":"Engels sobre a natureza e a humanidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Michael Roberts<\/strong> &#8211; Para Marx e Engels, a possibilidade de acabar com a contradi\u00e7\u00e3o entre homem e natureza s\u00f3 seria poss\u00edvel com a aboli\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Marx e Engels s\u00e3o frequentemente acusados \u200b\u200bdo que tem sido chamado de vis\u00e3o prometeica da organiza\u00e7\u00e3o social humana, ou seja, que os seres humanos, valendo-se de seus c\u00e9rebros superiores, conhecimento e habilidade t\u00e9cnica, podem e devem impor sua vontade ao resto do planeta ou ao que se chama \u201cnatureza\u201d \u2013 para o bem ou para o mal.<\/p>\n<p>A acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que outras esp\u00e9cies vivas s\u00e3o meros brinquedos para o uso de seres humanos. Existem os humanos e existe a natureza \u2013 em contradi\u00e7\u00e3o entre si. Essa acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 dirigida particularmente a Friedrich Engels, que, segundo afirmam, tinha uma vis\u00e3o burguesa \u201cpositivista\u201d da ci\u00eancia: o conhecimento cient\u00edfico sempre foi progressivo e neutro em termos ideol\u00f3gicos; e assim \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o homem e a natureza.<\/p>\n<p>Essa acusa\u00e7\u00e3o contra Marx e Engels foi promovida no per\u00edodo do p\u00f3s-guerra pela chamada<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Frankfurt_School\">\u00a0Escola Marxista de Frankfurt<\/a>, que considerava que tudo havia dado errado com o marxismo ap\u00f3s 1844, quando Marx e Engels supostamente abandonaram o \u201chumanismo\u201d. Mais tarde, os seguidores do marxista franc\u00eas<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Louis_Althusser\">\u00a0Louis Althusser<\/a>\u00a0culparam o pr\u00f3prio Engels. Para eles, tudo tomou um rumo desastroso um pouco mais tarde, quando Engels descartou o \u201cmaterialismo hist\u00f3rico\u201d e o substituiu pelo \u201cmaterialismo dial\u00e9tico\u201d, a fim de promover a sua \u201ccren\u00e7a boba\u201d de que o marxismo e as ci\u00eancias f\u00edsicas tinham alguma rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade, a cr\u00edtica \u201cverde\u201d a Marx e Engels \u00e9 de que eles n\u00e3o tinham consci\u00eancia de que o\u00a0<i>homo sapiens<\/i> estava destruindo o planeta e, portanto, a si pr\u00f3prios. Em vez disso, Marx e Engels teriam uma comovente f\u00e9 prometeica na capacidade do capitalismo de desenvolver as for\u00e7as produtivas e a tecnologia para superar quaisquer riscos para o planeta e a natureza.<\/p>\n<p>A ideia de que Marx e Engels n\u00e3o se atentaram para o impacto da atividade social humana sobre a natureza foi recentemente desmentida, em particular pelo trabalho inovador de autores marxistas como<a href=\"https:\/\/www.amazon.co.uk\/Marx-S-Ecology-Materialism-Nature\/dp\/1583670122\">\u00a0John Bellamy Foster<\/a>\u00a0e<a href=\"https:\/\/www.haymarketbooks.org\/search?q=Marx-and-Nature\">\u00a0Paul Burkett<\/a>. Eles nos lembraram que, no decorrer de todo\u00a0<i>O Capital<\/i>, Marx tinha muita ci\u00eancia do impacto degradante do capitalismo sobre a natureza e os recursos do planeta. Marx escreveu:<\/p>\n<p>\u201cO modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista congrega a popula\u00e7\u00e3o em grandes centros e faz com que a popula\u00e7\u00e3o urbana alcance uma preponder\u00e2ncia cada vez maior. [Ele] perturba a intera\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica entre o homem e a terra, ou seja, impede o retorno ao solo de seus elementos constituintes consumidos pelo homem na forma de alimentos e roupas; impede, portanto, o funcionamento da eterna condi\u00e7\u00e3o natural para a fertilidade duradoura do solo. Assim, destr\u00f3i ao mesmo tempo a sa\u00fade f\u00edsica do trabalhador urbano e a vida intelectual do trabalhador rural\u201d.<\/p>\n<p>Como diz<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/2014\/12\/01\/paul-burketts-marx-and-nature-fifteen-years-after\/\">\u00a0Paul Burkett<\/a>: \u201c\u00e9 dif\u00edcil argumentar que h\u00e1 algo fundamentalmente antiecol\u00f3gico na an\u00e1lise de Marx sobre o capitalismo e suas proje\u00e7\u00f5es sobre o comunismo\u201d. Para sustentar isso, o<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/karl_marxs_ecosocialism\/\">\u00a0livro premiado de Kohei Saito<\/a>\u00a0se baseou em cadernos de \u201cextratos\u201d in\u00e9ditos de Marx do projeto de pesquisa em curso MEGA [<i>Marx-Engels-Gesamtausgabe<\/i>, edi\u00e7\u00e3o da obra completa de Marx e Engels] para revelar o extenso estudo por parte de Marx de trabalhos cient\u00edficos da \u00e9poca sobre agricultura, solo e silvicultura para expandir sua compreens\u00e3o sobre a conex\u00e3o entre o capitalismo e a destrui\u00e7\u00e3o dos recursos naturais (tenho uma resenha pendente sobre o livro de Saito).<\/p>\n<p>Entretanto, Engels tamb\u00e9m deve ser defendido dessa mesma acusa\u00e7\u00e3o. Na verdade, Engels estava muito \u00e0 frente de Marx (mais uma vez) em relacionar a destrui\u00e7\u00e3o e os danos ao meio ambiente que a industrializa\u00e7\u00e3o estava causando. Enquanto ainda morava em sua cidade natal, Barmen (hoje Wuppertal), ele escreveu<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/1839\/03\/telegraph.htm\">\u00a0v\u00e1rias notas em um di\u00e1rio<\/a>\u00a0sobre a desigualdade entre ricos e pobres, a piedosa hipocrisia dos pregadores da igreja e tamb\u00e9m a polui\u00e7\u00e3o dos rios. Com apenas 18 anos, ele escreve:<\/p>\n<p>\u201cAs duas cidades de Elberfeld e Barmen, que se estendem ao longo do vale por uma dist\u00e2ncia de quase tr\u00eas horas de viagem. As ondas roxas do estreito rio fluem \u00e0s vezes rapidamente, \u00e0s vezes vagarosamente entre pr\u00e9dios de f\u00e1bricas enfuma\u00e7ados e p\u00e1tios cobertos de fios. Sua cor vermelha brilhante, todavia, n\u00e3o se deve a alguma batalha sangrenta, pois a luta aqui \u00e9 travada apenas por canetas teol\u00f3gicas e as velhas tagarelas, geralmente por ninharias, nem \u00e0 vergonha pelas a\u00e7\u00f5es dos homens, ainda que haja de fato causa suficiente para isso, mas simples e somente aos numerosos trabalhos de tingimento com vermelho turco. Vindo de D\u00fcsseldorf, entra-se na regi\u00e3o sagrada de Sonnborn; o lamacento rio Wupper flui lentamente e, em compara\u00e7\u00e3o com o Reno, que acabou de ficar para tr\u00e1s, sua apar\u00eancia miser\u00e1vel \u00e9 bem decepcionante.\u201d<\/p>\n<p>Ele continua: \u201cEm primeiro lugar, o trabalho na f\u00e1brica contribui muito para isso. O trabalho em c\u00f4modos pequenos, onde as pessoas respiram mais fuma\u00e7a do carv\u00e3o e poeira do que oxig\u00eanio \u2013 e, na maioria dos casos, a partir dos seis anos de idade \u2013, est\u00e1 fadado a priv\u00e1-las de toda for\u00e7a e alegria na vida.\u201d<\/p>\n<p>Ele relacionou a degrada\u00e7\u00e3o social das fam\u00edlias trabalhadoras com a degrada\u00e7\u00e3o da natureza, enquanto denunciava a piedade hip\u00f3crita dos donos das f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>\u201cA pobreza terr\u00edvel prevalece entre as classes mais baixas, especialmente os oper\u00e1rios de f\u00e1brica em Wuppertal; a s\u00edfilis e as doen\u00e7as pulmonares se propagam de forma inacredit\u00e1vel; somente em Elberfeld, das 2.500 crian\u00e7as em idade escolar, 1.200 s\u00e3o privadas de educa\u00e7\u00e3o e crescem nas f\u00e1bricas \u2013 apenas para que o dono da f\u00e1brica n\u00e3o tenha que pagar aos adultos, cuja vaga ocupam, o dobro do sal\u00e1rio que paga a uma crian\u00e7a. Por\u00e9m, os ricos donos das f\u00e1bricas t\u00eam uma consci\u00eancia tranquila e causar a morte de uma crian\u00e7a n\u00e3o levar\u00e1 sua alma pietista ao inferno, especialmente se ele vai \u00e0 igreja duas vezes todos os domingos. Pois \u00e9 um fato que, entre os donos de f\u00e1bricas, os pietistas s\u00e3o os piores no trato de seus trabalhadores; eles usam todos os meios poss\u00edveis para reduzir os sal\u00e1rios dos trabalhadores sob o pretexto de priv\u00e1-los da oportunidade de se embriagarem, mas s\u00e3o sempre os primeiros a subornar seu povo na elei\u00e7\u00e3o dos pregadores.\u201d<\/p>\n<p>Claro, essas observa\u00e7\u00f5es de Engels s\u00e3o apenas isso \u2013 observa\u00e7\u00f5es, sem nenhum desenvolvimento te\u00f3rico \u2013, mas mostram a sensibilidade que ele j\u00e1 tinha acerca da rela\u00e7\u00e3o entre a industrializa\u00e7\u00e3o, os propriet\u00e1rios e os trabalhadores, sua pobreza e o impacto ambiental da produ\u00e7\u00e3o fabril.<\/p>\n<p>Em sua primeira grande obra,<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/1844\/df-jahrbucher\/outlines.htm\">\u00a0<i>Esbo\u00e7o para uma cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/i><\/a>, novamente muito antes de Marx olhar para a economia pol\u00edtica, Engels observa como a propriedade privada da terra, a busca pelo lucro e a degrada\u00e7\u00e3o da natureza andam de m\u00e3os dadas:<\/p>\n<p>\u201cFazer da terra um objeto de barganha \u2013 a terra que \u00e9 nosso todo, a primeira condi\u00e7\u00e3o de nossa exist\u00eancia \u2013 foi o \u00faltimo passo para nos tornarmos objetos de barganha. Foi e \u00e9 at\u00e9 hoje uma imoralidade superada apenas pela imoralidade da autoaliena\u00e7\u00e3o. E a apropria\u00e7\u00e3o original \u2013 a monopoliza\u00e7\u00e3o da terra por uns poucos, a exclus\u00e3o do resto daquilo que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para suas vidas \u2013 n\u00e3o perde em nada em imoralidade para a subsequente venda da terra por um pre\u00e7o vil.\u201d<\/p>\n<p>Uma vez que a terra se torna mercantilizada pelo capital, ela est\u00e1 sujeita a tanta explora\u00e7\u00e3o quanto o trabalho.<\/p>\n<p>A principal obra de Engels (escrita com ajuda de Marx),<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/1883\/don\/index.htm\">\u00a0<i>A Dial\u00e9tica da Natureza<\/i><\/a>, escrita at\u00e9 1883, logo ap\u00f3s a morte de Marx, \u00e9 frequentemente submetida a ataques por estender \u2013 de uma forma n\u00e3o-marxista \u2013 \u00e0 natureza a concep\u00e7\u00e3o materialista de hist\u00f3ria que Marx aplicou aos humanos. E ainda assim, em seu livro, Engels n\u00e3o poderia ser mais claro sobre a rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre os humanos e a natureza.<\/p>\n<p>Em um famoso cap\u00edtulo, \u201cO papel do trabalho na transforma\u00e7\u00e3o do macaco em homem\u201d, ele escreve:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vamos, entretanto, nos gabar demais por causa de nossa conquista humana sobre a natureza. Pois cada uma dessas conquistas se vinga de n\u00f3s. \u00c9 verdade que prevemos as primeiras consequ\u00eancias dessas vit\u00f3rias, mas em segundo e em terceiro lugar aparecem feitos muito diversos e imprevistos que, muitas vezes, anulam as primeiras consequ\u00eancias. Os povos que, na Mesopot\u00e2mia, Gr\u00e9cia, \u00c1sia Menor e em outros lugares, destru\u00edram as florestas para obter terras cultiv\u00e1veis sequer poderiam imaginar que estavam lan\u00e7ando as bases para a atual condi\u00e7\u00e3o devastada desses pa\u00edses, eliminando junto com as florestas os centros de coleta e reservat\u00f3rios de umidade. Quando, nas encostas do sul das montanhas, os italianos dos Alpes destru\u00edram as florestas de pinheiros t\u00e3o cuidadosamente preservadas nas encostas do norte, eles n\u00e3o tinham ideia de que, ao fazer isso, estavam [\u2026] privando de \u00e1gua os mananciais das suas montanhas durante a maior parte do ano, e que isso produziria inunda\u00e7\u00f5es ainda mais furiosas durante as esta\u00e7\u00f5es chuvosas. Aqueles que difundiram o cultivo de batata na Europa n\u00e3o sabiam que estavam ao mesmo tempo espalhando a escrofulose.\u00a0<i>Assim, a cada passo somos lembrados de que, de forma alguma, governamos a natureza como um conquistador sobre um povo estrangeiro, como algu\u00e9m fora da natureza \u2013 mas que n\u00f3s, com carne, sangue e c\u00e9rebro, pertencemos \u00e0 natureza e existimos em seu meio, e que todo o nosso dom\u00ednio sobre ela consiste no fato de que temos a vantagem sobre todos os outros seres de sermos capazes de conhecer e aplicar corretamente suas leis<\/i>\u201d (\u00eanfase minha).<\/p>\n<p>Continua Engels: \u201cNa verdade, a cada dia que passa, estamos aprendendo a entender mais corretamente essas leis e conhecendo as consequ\u00eancias mais imediatas e mais remotas de nossa interfer\u00eancia no curso tradicional da natureza. [\u2026] Mas quanto mais isso ocorrer,\u00a0<i>mais os homens voltar\u00e3o a sentir e a saber que s\u00e3o um s\u00f3 com a natureza<\/i>, e, portanto, mais imposs\u00edvel se tornar\u00e1 a ideia sem sentido e antinatural de uma contradi\u00e7\u00e3o entre mente e mat\u00e9ria, homem e natureza, alma e corpo.\u201d<\/p>\n<p>Engels explica as consequ\u00eancias sociais do impulso para a expans\u00e3o das for\u00e7as produtivas. \u201cMas se j\u00e1 foi necess\u00e1rio o trabalho de milhares de anos para que aprend\u00eassemos, at\u00e9 certo ponto, a calcular as consequ\u00eancias naturais mais distantes de nossas a\u00e7\u00f5es produtivas, tem sido ainda mais dif\u00edcil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s consequ\u00eancias sociais mais remotas dessas a\u00e7\u00f5es. [\u2026] Quando, posteriormente, Colombo descobriu a Am\u00e9rica, ele n\u00e3o sabia que, ao faz\u00ea-lo, estava dando nova vida \u00e0 escravid\u00e3o, que na Europa havia sido h\u00e1 muito abolida, e lan\u00e7ando as bases para o tr\u00e1fico de negros escravizados.\u201d<\/p>\n<p>Os povos das Am\u00e9ricas foram levados \u00e0 escravid\u00e3o, mas tamb\u00e9m a natureza foi escravizada. Como disse Engels: \u201cO que preocupava os fazendeiros espanh\u00f3is em Cuba, que queimavam florestas nas encostas das montanhas e obtinham das cinzas fertilizante suficiente para uma gera\u00e7\u00e3o de cafezais altamente lucrativos? \u2013 Eles se preocupavam que as fortes chuvas tropicais posteriormente inundariam e causariam a eros\u00e3o do solo, agora indefeso, deixando apenas rocha nua?\u201d.<\/p>\n<p>Agora sabemos que<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Genocide_of_indigenous_peoples\">\u00a0n\u00e3o foi s\u00f3 a escravid\u00e3o que os europeus trouxeram para as Am\u00e9ricas, mas tamb\u00e9m as doen\u00e7as<\/a>, que, em suas formas diversas, exterminaram 90% dos nativos americanos e foram a principal raz\u00e3o de sua subjuga\u00e7\u00e3o pelo colonialismo.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que experimentamos outra pandemia, sabemos que foi o impulso do capitalismo para a industrializa\u00e7\u00e3o da agricultura e usurpa\u00e7\u00e3o das terras virgens remanescentes que<a href=\"https:\/\/thenextrecession.wordpress.com\/2020\/01\/31\/corinavirus-nature-fights-back\/\">\u00a0levou a natureza a \u201ccontra-atacar\u201d<\/a>, \u00e0 medida que os humanos entram em contato com mais pat\u00f3genos aos quais n\u00e3o t\u00eam imunidade, assim como os nativos americanos no s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p>Engels atacou a vis\u00e3o de que a \u201cnatureza humana\u201d \u00e9 inerentemente ego\u00edsta e apenas destruir\u00e1 a natureza. Em seu\u00a0<i>Esbo\u00e7o<\/i>, Engels descreveu esse argumento como uma \u201cblasf\u00eamia repulsiva contra o homem e a natureza\u201d. Os humanos podem trabalhar em harmonia com a natureza e como parte dela. Requer um maior conhecimento das consequ\u00eancias da a\u00e7\u00e3o humana. Engels disse em sua\u00a0<i>Dial\u00e9tica<\/i>: \u201cMas mesmo nessa esfera, por uma longa e muitas vezes dif\u00edcil experi\u00eancia e por coletar e analisar materiais hist\u00f3ricos, estamos gradualmente aprendendo a ter uma vis\u00e3o n\u00edtida dos efeitos sociais indiretos e mais distantes de nossa atividade produtiva, e, desse modo, tamb\u00e9m nos \u00e9 dada a possibilidade de regular e controlar esses efeitos\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, um melhor conhecimento e progresso cient\u00edfico n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Para Marx e Engels, a possibilidade de acabar com a contradi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre o homem e a natureza e alcan\u00e7ar algum n\u00edvel de harmonia e equil\u00edbrio ecol\u00f3gico s\u00f3 seria poss\u00edvel com a aboli\u00e7\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Como afirmou Engels: \u201cPara realizar esse controle, \u00e9 necess\u00e1rio algo mais do que mero conhecimento\u201d. A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u201c\u00c9 preciso uma revolu\u00e7\u00e3o completa do nosso modo de produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o existente e, com ela, de toda a nossa ordem social contempor\u00e2nea\u201d. O \u201cpositivista\u201d Engels, ao que parece, apoiou a concep\u00e7\u00e3o materialista de Marx sobre a hist\u00f3ria, afinal.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: https:\/\/revistaopera.com.br\/2021\/05\/24\/engels-sobre-a-natureza-e-a-humanidade\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michael Roberts &#8211; Para Marx e Engels, a possibilidade de acabar com a contradi\u00e7\u00e3o entre homem e natureza s\u00f3 seria poss\u00edvel com a aboli\u00e7\u00e3o do capitalismo. 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