{"id":1524,"date":"2016-08-13T17:00:14","date_gmt":"2016-08-13T20:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=1524"},"modified":"2016-08-03T19:04:17","modified_gmt":"2016-08-03T22:04:17","slug":"um-homem-que-nao-queria-mais-senhores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/08\/13\/um-homem-que-nao-queria-mais-senhores\/","title":{"rendered":"Um homem que n\u00e3o queria mais senhores"},"content":{"rendered":"<p><strong>Breno Altman<\/strong> &#8211;\u00a0Seu nome \u00e9 Sekou Odinga. Pegou em armas porque acreditava que os afro-americanos s\u00e3o escravos modernos e t\u00eam o direito \u00e0 rebeli\u00e3o<\/p>\n<p>A pris\u00e3o de Clinton, integrante da rede penitenci\u00e1ria do estado de Nova York, fica quase na fronteira com o Canad\u00e1. Foi constru\u00edda no vilarejo de Dannemora, em 1845, para abrigar prisioneiros que trabalhavam nas minas locais.<\/p>\n<p>Os muros brancos, cravejados com torres de vigil\u00e2ncia, parecem furar a paisagem apraz\u00edvel de casas simples e bem-cuidadas da vizinhan\u00e7a. At\u00e9 hoje \u00e9 o principal edif\u00edcio da cidade, ladeado por um hospital de tijolos aparentes que pertence ao mesmo complexo prisional.<\/p>\n<p>Do lado de dentro, hist\u00f3rias tensas e dram\u00e1ticas. Pres\u00eddio de seguran\u00e7a m\u00e1xima, exibe uma galeria de presos famosos. Lend\u00e1rios mafiosos ocuparam suas celas, como Charles \u201cLucky\u201d Luciano, um dos chefes mais importantes do crime organizado.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m tornou-se o destino de rebeldes e revolucion\u00e1rios que se chocaram contra o poder.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/breno1%281%29.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><br \/>\n<em>Sekou Odinga:\u00a0\u201cN\u00e3o me arrependo de nada, continuo acreditando nas mesmas ideias e nos mesmos sonhos\u201d<\/em><\/p>\n<p>Um deles \u00e9 Nathaniel Burns. Ali\u00e1s, Sekou Odinga, o nome africano que adotou em 1965, quando se encantou com os discursos de Malcom X e aderiu ao movimento de liberta\u00e7\u00e3o dos negros norte-americanos.<\/p>\n<p>Os guardas \u2013 todos brancos \u2013\u00a0o trazem para uma sala reservada. Ambiente tenso. Ordens s\u00e3o dadas em voz alta. Portas de metal estalam ruidosamente. O protocolo de preven\u00e7\u00e3o \u00e9 rigoroso e cumprido \u00e0 risca.<\/p>\n<p>Sekou Odinga tinha 70 anos quando recebeu a reportagem de <strong>Opera Mundi<\/strong>. Pai, av\u00f4 e bisav\u00f4. Capturado em outubro de 1981, as organiza\u00e7\u00f5es a que pertencia n\u00e3o existem mais. Os exageros com sua suposta periculosidade s\u00e3o quase c\u00f4micos: parecem uma coreografia fora de ritmo.<\/p>\n<p>Passos lentos e cuidadosos, Odinga veste o uniforme verde-musgo das penitenci\u00e1rias nova-iorquinas e cobre sua cabe\u00e7a, grisalha como a barba, com um gorro isl\u00e2mico de croch\u00ea preto.<\/p>\n<p>Com voz pausada, conta um pouco da trajet\u00f3ria que o trouxe at\u00e9 os anos de calabou\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cComecei a participar do movimento negro quando sai do reformat\u00f3rio, em 1963, depois de passar quase tr\u00eas anos preso por pequenos roubos\u201d, relata. \u201cHavia um clima de muita mobiliza\u00e7\u00e3o na comunidade, as palavras de Malcom X tinham enorme repercuss\u00e3o na juventude.\u201d<\/p>\n<p><strong>Origens e milit\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p>Nascido no Queens, um dos cinco distritos de Nova York, Odinga conta que seu pai era dono de uma carvoaria e a m\u00e3e, dona de casa. Classe m\u00e9dia baixa, ambos eram crist\u00e3os e acompanhavam com aten\u00e7\u00e3o a campanha por direitos civis liderada por Martin Luther King.<\/p>\n<p>A radicaliza\u00e7\u00e3o da identidade negra, contudo, o levou para longe do cristianismo herdado dos colonizadores brancos e da orat\u00f3ria pacifista do principal l\u00edder antissegregacionista. Mudou de nome. Filiou-se \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o da Unidade Afro-Americana, fundada por Malcom X.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9ramos um grupo de amigos que decidiram se dedicar ao trabalho social\u201d, relembra. \u201cQuer\u00edamos expulsar os traficantes de droga da comunidade, construir escolas e postos de sa\u00fade, conquistar melhorias para a vizinhan\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Naqueles tempos, meados dos anos 60, estava contratado pelo programa contra a pobreza implementado pela Prefeitura de Nova York. Mas logo iria se frustrar com uma atividade que n\u00e3o transpunha os limites impostos pelo racismo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"660\" height=\"371\" frameborder=\"0\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/p3uNDm9eiGw?rel=0\"><\/iframe><br \/>\n<em>Rappers M-1 e Divine gravaram m\u00fasica em apoio a Odinga, enquanto ele ainda estava preso, em 2014<\/em><\/p>\n<p>Corria o ano m\u00e1gico de 1968 e Bob Seale, uma das lideran\u00e7as fundadoras dos Panteras Negras, foi visitar Nova York. Odinga e alguns amigos decidiram assistir suas confer\u00eancias. Empolgados, pediram filia\u00e7\u00e3o \u00e0 combativa organiza\u00e7\u00e3o criada na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Mudou-se para o Bronx e virou um importante organizador partid\u00e1rio. Ao lado de Lumumba Shakur, primeiro marido da m\u00e3e do m\u00edtico rapper Tupac Shakur, virou o dirigente de um dos mais representativos bra\u00e7os da agremia\u00e7\u00e3o, o cap\u00edtulo de Harlem-Bronx.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s combin\u00e1vamos a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria com forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e prepara\u00e7\u00e3o para resistir \u00e0 brutalidade policial e racista\u201d, conta. \u201cN\u00e3o \u00e9ramos uma organiza\u00e7\u00e3o militar, apesar das armas e da disciplina. Mas acredit\u00e1vamos que era direito e dever da popula\u00e7\u00e3o negra reagir contra a viol\u00eancia do Estado.\u201d<\/p>\n<p>Os Panteras Negras rapidamente atra\u00edram milhares de militantes por todo o pa\u00eds e passaram a ser conhecidos no mundo todo. N\u00e3o demorou para o FBI, a pol\u00edcia federal dos Estados Unidos, se lan\u00e7ar na persegui\u00e7\u00e3o aquele grupo de jovens que fazia da rebeli\u00e3o um modo de vida e amea\u00e7ava a ordem.<\/p>\n<p>Praticamente toda a lideran\u00e7a do partido em Nova York acabou presa durante onda repressiva desencadeada em 1969, em um processo que seria selado com a absolvi\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us, depois de dois anos encarcerados.<\/p>\n<p>Odinga escapou por pouco e entrou para a clandestinidade. Logo foi enviado \u00e0 Arg\u00e9lia, para refor\u00e7ar o trabalho internacional sob a responsabilidade de Eldridge Cleaver, outro dos chefes hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Regressou aos Estados Unidos em 1973. Com documentos falsos, se escondendo de estado em estado. Trabalhando como comerciante de artesanato e joalheria africanos.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio tinha mudado. Minguavam os movimentos contra a Guerra do Vietn\u00e3 e pelos direitos civis. Muitos ativistas apodreciam na cadeia e outros tantos tiveram a vida ceifada. O medo e o des\u00e2nimo batiam \u00e0 porta.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/03-09-69-b-ak1-BPP.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Os Panteras Negras estavam esfacelados e divididos. V\u00e1rios dos militantes, somados aos de outras organiza\u00e7\u00f5es, resolveram integrar o Ex\u00e9rcito Negro de Liberta\u00e7\u00e3o. A li\u00e7\u00e3o que haviam tirado sobre a a\u00e7\u00e3o repressiva os empurrava para constituir uma for\u00e7a militar mais preparada e secreta.<\/p>\n<p>\u201cFui um combatente deste grupo at\u00e9 cair preso\u201d, reconhece Odinga. \u201cDurante oito anos participei de opera\u00e7\u00f5es armadas que pudessem consolidar o movimento de liberta\u00e7\u00e3o dos afro-americanos. Os povos submetidos ao colonialismo t\u00eam o direito de se rebelar contra seus senhores.\u201d<\/p>\n<section class=\"noticias-relevantes cf\">\n<h4 class=\"subtitle\"><\/h4>\n<\/section>\n<div><strong>Deten\u00e7\u00e3o e julgamento<\/strong><\/div>\n<p>Sua caminhada foi interrompida em outubro de 1981, quando um comando do BLA (a sigla em ingl\u00eas para Ex\u00e9rcito Negro de Liberta\u00e7\u00e3o), apoiado por outros combatentes, roubou um carro-forte da Brink, empresa dedicada a transporte de valores. Tr\u00eas policiais tombaram mortos em tiroteio.<\/p>\n<p>Odinga n\u00e3o participou da a\u00e7\u00e3o. As buscas por fugitivos e c\u00famplices, por\u00e9m, tragaram-no para o meio da tempestade. Um dos foragidos, Mtayari Sundiata, procurou-o e pediu ajuda para escapar, mas a pol\u00edcia j\u00e1 o tinha detectado.<\/p>\n<p>O carro no qual estavam, no Queens, foi cercado, com o refor\u00e7o de uma equipe do FBI. Sob fogo cerrado, tentaram fugir, atirando. Os policiais, em maior n\u00famero e melhores ve\u00edculos, os alcan\u00e7aram. Seu companheiro tomou um bala\u00e7o com o rosto colado no asfalto. Odinga sobreviveu, mas tinha sido capturado depois de doze anos.<\/p>\n<p>\u201cDurante seis horas fui brutalmente torturado, ao ser identificado\u201d, afirma. \u201cQueriam saber onde estavam Assata Shakur e Abdul Majid.\u201d<\/p>\n<p>Assata, nascida Joanne Deborah Byron, tinha sido dirigente do BLA e foi libertada da pris\u00e3o por seus pr\u00f3prios companheiros, em 1979, asilando-se em Cuba. Os federais estavam convencidos que Odinga fora um dos que participaram da fuga espetacular.<\/p>\n<p>O FBI classificou-a, em 2005, como \u201cterrorista dom\u00e9stica\u201d, incluiu seu nome na lista dos dez mais procurados e ofereceu dois milh\u00f5es de d\u00f3lares para quem ajudasse a localiz\u00e1-la. O estado de Nova Jersey, local dos crimes a ela atribu\u00eddos, aproveitando-se do reatamento diplom\u00e1tico entre Washington e Havana, voltou a pressionar por sua extradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Majid, nome de batismo Anthony Lacombe, foi apontado como um dos respons\u00e1veis diretos pela morte de policiais durante o assalto ao carro pagador. Aprisionado em 1982, cumpria senten\u00e7a de pris\u00e3o perp\u00e9tua at\u00e9 sua morte, em 3 de abril de 2016.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/prisaoclinton.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><br \/>\n<em>Pris\u00e3o de Clinton, onde Sekou Odinga ficou detido<\/em><\/p>\n<p>O sil\u00eancio de Odinga, em resposta \u00e0 tortura por informa\u00e7\u00f5es, custou-lhe tr\u00eas meses no hospital, com a coluna vertebral avariada. N\u00e3o demoraria para ser julgado, por crimes estaduais e nacionais.<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a federal aplicou-lhe quarenta anos de pena, vinte pela fuga de Assata e outro tanto por participa\u00e7\u00e3o em conspira\u00e7\u00e3o armada, no \u00e2mbito de uma lei criada para frear o crime organizado.<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a de Nova York condenou-lhe \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua, por tentativa de homic\u00eddio contra seis policiais que o perseguiam quando foi detido. Mas recebeu direito \u00e0 liberdade condicional depois de 25 anos.<\/p>\n<p><strong>As d\u00e9cadas atr\u00e1s das grades<\/strong><\/p>\n<p>Passou 28 anos em penitenci\u00e1rias de seguran\u00e7a m\u00e1xima da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Favorecido por um benef\u00edcio vigente \u00e0 \u00e9poca, concluiu essa pena depois de cumprir dois ter\u00e7os do tempo consignado. Transferido para a jurisdi\u00e7\u00e3o nova-iorquina em 2009, come\u00e7ou sua puni\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n<p>Transformou-se em mu\u00e7ulmano praticante.<\/p>\n<p>\u201cA religi\u00e3o me deu calma e concentra\u00e7\u00e3o para suportar um tempo que n\u00e3o termina\u201d, ressalta. \u201cFicou mais f\u00e1cil atravessar os sofrimentos e as perdas.\u201d<\/p>\n<p>A maior de suas dores, confessa com a voz embargada, foi o falecimento de um de seus nove filhos, frutos de cinco casamentos. Yafeu Akiyele Fula, apelidado Yaki Kadafi, era um rapper famoso e morreu baleado em 1996, quando tinha 30 anos. O autor do disparo nunca foi descoberto.<\/p>\n<div class=\"image-vertical\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" title=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/Sekou%20Odinga%20V.jpg?w=640\" alt=\"\u201cDurante seis horas fui brutalmente torturado, ao ser identificado\u201d, diz Odinga\" \/><\/p>\n<div class=\"img-vertical-descript\"><em>\u201cDurante seis horas fui brutalmente torturado, ao ser identificado\u201d, diz Odinga<\/em><\/div>\n<\/div>\n<p>Odinga tamb\u00e9m lembra alguns poucos, mas bons momentos. \u201cA melhor coisa foi ter conhecido Dequi, minha atual mulher\u201d, conta.Dequi Kiori Sadiki, de 56 anos, nasceu Lorraine Woods. Quando se divorciou do primeiro marido, com dois filhos e mais de 30 anos, cursou uma faculdade comunit\u00e1ria no Brooklin, chamada Medgar Evers, onde teve contato com a atividade pol\u00edtica pela primeira vez.<\/p>\n<p>Juntou-se a um grupo que reivindicava a hist\u00f3ria dos Panteras Negras e passou a visitar presos pol\u00edticos, al\u00e9m de organizar redes de apoio e arrecada\u00e7\u00e3o financeira para os honor\u00e1rios de defesa.<\/p>\n<p>Professora no ensino secund\u00e1rio do sistema p\u00fablico, encantou-se pelo guerrilheiro.<\/p>\n<p>\u201cApesar de tanto tempo em cativeiro, ele n\u00e3o se deixou brutalizar\u201d, relata com os olhos quase \u00e0s l\u00e1grimas. \u201c\u00c9 um homem gentil, bem-humorado, espirituoso. Acima de tudo, um sobrevivente.\u201d<\/p>\n<p><strong>O presente e o futuro em liberdade<\/strong><\/p>\n<p>Talvez sobreviv\u00eancia seja o maior orgulho de Sekou Odinga, pelas grades n\u00e3o terem sufocado suas cren\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o me arrependo de nada, continuo acreditando nas mesmas ideias e nos mesmos sonhos\u201d, declara. \u201cN\u00e3o pode haver justi\u00e7a e democracia em um pa\u00eds no qual 1% das pessoas controlam mais de 70% das riquezas. \u00c9ramos muito jovens, cometemos diversos erros, mas faria tudo de novo, s\u00f3 que de outra forma. N\u00e3o funcionou enfrentar de peito aberto o Estado.\u201d<\/p>\n<p>A entrevista acaba. Sekou Odinga se despede e caminha de volta \u00e0 cela.<\/p>\n<p>Tempos depois, a surpresa.<\/p>\n<p>Uma decis\u00e3o judicial resolve considerar sua pena em pres\u00eddios federais como parte da condena\u00e7\u00e3o estadual e o torna apto \u00e0 liberdade condicional.<\/p>\n<p>A junta de avalia\u00e7\u00e3o, por bom comportamento e inexist\u00eancia de homic\u00eddios em seu prontu\u00e1rio, decide pelo fim de um mart\u00edrio que se arrastava h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Sekou Odinga retornou \u00e0 fam\u00edlia no dia 25 de novembro de 2014. As ruas de Nova York e outras 170 cidades do pa\u00eds enchiam-se com a raiva e a indigna\u00e7\u00e3o dos que protestavam pelo n\u00e3o-indiciamento do policial Darren Wilson, acusado de ter desferido os seis disparos que mataram, no dia 9 de agosto, o garoto negro Michael Brown.<\/p>\n<p>O velho rebelde estava de volta ao mundo que sempre conheceu.<\/p>\n<p>http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/reportagens\/42478\/um+homem+que+nao+queria+mais+senhores.shtml<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Breno Altman &#8211;\u00a0Seu nome \u00e9 Sekou Odinga. Pegou em armas porque acreditava que os afro-americanos s\u00e3o escravos modernos e t\u00eam o direito \u00e0 rebeli\u00e3o A pris\u00e3o de Clinton, integrante da rede penitenci\u00e1ria do estado de Nova York, fica quase na fronteira com o Canad\u00e1. 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