{"id":14677,"date":"2020-12-29T19:10:30","date_gmt":"2020-12-29T22:10:30","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=14677"},"modified":"2020-12-25T19:13:39","modified_gmt":"2020-12-25T22:13:39","slug":"origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/12\/29\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/","title":{"rendered":"Origens e atualidade da superexplora\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Roberta Traspadini e Marisa Amaral<\/strong> &#8211;\u00a0Da escravid\u00e3o \u00e0 uberiza\u00e7\u00e3o, o percurso do trabalho em um pa\u00eds na periferia do capitalismo. A urbaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos tornou menos coloniais. Por isso, nos dois \u00faltimos s\u00e9culos, os direitos s\u00f3 vieram ap\u00f3s muita luta \u2014 e, agora, est\u00e3o postos em xeque.<\/p>\n<p>De 1800 a 1850 estima-se a migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada para o Brasil, na condi\u00e7\u00e3o de trabalhadores escravizados foi de 1,5 milh\u00f5es de pessoas.<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote2sym\"><sup>2<\/sup><\/a>\u00a0E, entre 1887 e 1957 o Brasil recebeu mais de 5 milh\u00f5es de migrantes europeus para trabalharem em sistema de colonato, livres, sem assalariamento formal.<\/p>\n<p>Entre a popula\u00e7\u00e3o formalmente alforriada \u2013 mas realmente superexplorada e superoprimida \u2014 e os imigrantes trabalhadores livres, cujo assalariamento formal n\u00e3o necessariamente ocorria na forma de pagamento em dinheiro, formava-se um novo sentido de trabalho, por\u00e9m com velhas ra\u00edzes violentas. Processo este em que a maioria era mantida fora do universo dos\u00a0<em>com direito<\/em>\u00a0\u00e0 vida mercantil ao longo do s\u00e9culo XX, mesmo sendo respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o do capitalismo, \u00e0 luz de um processo de trabalho e de valoriza\u00e7\u00e3o (do valor) baseado na superexplora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3041184\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/201221-exploracao.jpg?w=640&#038;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 644px) 100vw, 644px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/201221-exploracao.jpg 644w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/201221-exploracao-300x159.jpg 300w\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>David Siqueiros, La nueva democracia, 1944<\/em><\/p>\n<p>A formaliza\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica no final do s\u00e9culo XIX gerou a estrutura pol\u00edtica formal que corroboraria a condi\u00e7\u00e3o real de superexplora\u00e7\u00e3o como caracter\u00edstica determinante do capitalismo nascente nos tr\u00f3picos. De tal forma que, o que tivemos ao longo dos primeiros 70 anos do s\u00e9culo XX foi um Brasil rural, que abria passos \u2013 desde um feitio subordinado \u00e0 nova l\u00f3gica imperialista mundial \u2013 ao capitalismo dependente em sua faceta urbano-industrial, sem resolver as mazelas dos mais de 500 anos de escravid\u00f5es dos povos africanos e origin\u00e1rios do continente.<\/p>\n<p>Como veremos, um retrato breve estat\u00edstico das d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX j\u00e1 serve de panorama para nos mostrar que a transi\u00e7\u00e3o do per\u00edodo colonial ao republicano estruturou-se como condi\u00e7\u00e3o dependente sob o jugo do imperialismo dominante em escala mundial.<\/p>\n<p>Na antessala do desenvolvimento urbano industrial do s\u00e9culo XIX, t\u00ednhamos uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 8 milh\u00f5es de pessoas em 1850 e de 14,3 milh\u00f5es em 1890. Sua grande maioria, sem direito \u00e0 terra e aos demais meios de produ\u00e7\u00e3o, foi relegada aos \u201cningu\u00e9ns\u201d, os\u00a0<em>sem direito<\/em>\u00a0no interior da rep\u00fablica.<\/p>\n<p>O nascimento da Na\u00e7\u00e3o atrela-se ao amadurecimento de todo tipo de desigualdade no universo dos direitos. Assim, o desenvolvimento urbano-industrial ser\u00e1 associado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de trabalhadores sem terras, sem teto, sem carteira de trabalho, na luta cont\u00ednua por uma dignidade que s\u00f3 vir\u00e1, ao longo do tempo, a partir das lutas sociais que travam para sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Na transi\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX ao XX, o Brasil da suposta modernidade n\u00e3o resolveria a l\u00f3gica hist\u00f3rica de desigualdades estruturais, em especial na rela\u00e7\u00e3o campo-cidade, consolidando-se como uma pot\u00eancia econ\u00f4mica, cuja n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o das reformas agr\u00e1rias reivindicadas pelos sujeitos na luta por direito, preservou o latif\u00fandio monocultor baseado no trabalho (escravo\/livre) intensificado.<\/p>\n<p>O in\u00edcio do s\u00e9culo XX explicita o salto populacional de 17 milh\u00f5es para mais de 30,5 milh\u00f5es de pessoas entre 1900 e 1920 e a cont\u00ednua transi\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o rural para uma popula\u00e7\u00e3o urbana. Mesmo que \u00e0 custa de um tempo de trabalho intensificado, com jornadas ampliadas como forma de atrelar-se \u00e0 propagada sociedade \u201cmoderna\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tabela 1 \u2013 Popula\u00e7\u00e3o do campo e da cidade, s\u00e9culo XX<\/strong><\/p>\n<table class=\"wp-block-table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>D\u00e9cadas<\/strong><\/td>\n<td><strong>Popula\u00e7\u00e3o no campo<\/strong><\/td>\n<td><strong>Popula\u00e7\u00e3o na cidade<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1940<\/td>\n<td>69%<\/td>\n<td>31%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1950<\/td>\n<td>64%<\/td>\n<td>36%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1960<\/td>\n<td>55%<\/td>\n<td>45%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1970<\/td>\n<td>45%<\/td>\n<td>55%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1980<\/td>\n<td>34%<\/td>\n<td>66%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1990<\/td>\n<td>26%<\/td>\n<td>74%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2000<\/td>\n<td>19%<\/td>\n<td>81%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2010<\/td>\n<td>16%<\/td>\n<td>84%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2017<\/td>\n<td>15%<\/td>\n<td>85%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em IBGE (2020).<\/em><\/p>\n<p>A CLT \u2013 Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas \u2013 \u00e9 de 1943. Antes de a mesma entrar em vig\u00eancia, o Brasil j\u00e1 possu\u00eda mais de 5 milh\u00f5es de assalariados industriais (sem carteira de trabalho). Trabalhadores aut\u00f4nomos e familiares equivaliam a mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, e os trabalhadores dom\u00e9sticos representavam 4,5%, n\u00famero maior do que o d0 funcionalismo p\u00fablico (4,1%).<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote3sym\"><sup>3<\/sup><\/a>\u00a0Interessante destacar que, passadas mais de tr\u00eas d\u00e9cadas da implementa\u00e7\u00e3o da CLT, a realidade concreta do campesinato brasileiro era tr\u00e1gica no que tange ao direito ao trabalho. Isto, somado aos que soerguer\u00e3o as estruturas industriais e conformar\u00e3o as favelas no Brasil, ao mesmo tempo em que estruturam os cimentos do desenvolvimento, os trabalhadores, \u201cpe\u00f5es\u201d, tamb\u00e9m conformar\u00e3o as fileiras dos\u00a0<em>sem direito<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Tabela 2 \u2013 Retrato do mundo do trabalho brasileiro em 1976<\/strong><\/p>\n<table class=\"wp-block-table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Brasil (PEA)<\/strong><\/td>\n<td><strong>Trab. Sem Carteira<\/strong><\/td>\n<td><strong>Trab. Com Carteira<\/strong><\/td>\n<td><strong>N\u00e3o Assalariados<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Total: 38. 200.000 (aprox.)<\/td>\n<td>27,1%<\/td>\n<td>36,9%<\/td>\n<td>36%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Rural: 13.708.000 (aprox.)<\/td>\n<td>23,4%<\/td>\n<td>11.9%<\/td>\n<td>64,7%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Urbano: 24.492.000 (aprox.)<\/td>\n<td>27,3%<\/td>\n<td>52,3%<\/td>\n<td>20,4%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em Barbosa (2016).<\/em><\/p>\n<p>Mas o que esses dados representam em plena era dos desenvolvimentismos capitaneados pelo aparato p\u00fablico estatal vigente no per\u00edodo militar? Representam que o nascimento do trabalho livre no Brasil, e o posterior processo de assalariamento com carteira assinada, definiu o direito ao trabalho para poucos. Nesse sentido, no momento em que a popula\u00e7\u00e3o brasileira transita para a ideia de \u201cmodernidade\u201d, \u201cprosperidade\u201d urbano-industrial entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1970, o faz sem resolver os fossos estruturais que comp\u00f5em o tecido da desigualdade real no interior dos processos de trabalho em geral, e do trabalho no campo em particular.<\/p>\n<p>Mais de cem anos ap\u00f3s a lei de terras de 1850, quando do giro da mercantiliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o da vida, centrada no fetiche da liberdade individual sem espa\u00e7o para viver, produzir e colher os frutos de sua autonomia, o trabalho do campon\u00eas, da camponesa, teria uma dupla determina\u00e7\u00e3o: \u2014 ser o elo fr\u00e1gil da composi\u00e7\u00e3o do assalariamento no Brasil e, com isto, ser for\u00e7ado \u00e0 cont\u00ednua l\u00f3gica da migra\u00e7\u00e3o e do trabalho retirante entre as regi\u00f5es brasileiras; e, \u2014 responder \u00e0 din\u00e2mica geral de produ\u00e7\u00e3o ampliada do capital na esfera mundial.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o agr\u00e1ria, a partir da trajet\u00f3ria hist\u00f3rica de luta dos\/das sem terras, como os\/as sem direitos na hist\u00f3ria recente do desenvolvimento capitalista dependente brasileiro, comp\u00f5e um dos determinantes metab\u00f3licos da superexplora\u00e7\u00e3o, marco pr\u00f3prio do nosso desenvolvimento desigual. De tal forma que a constitui\u00e7\u00e3o da nossa independ\u00eancia formal define o sentido hist\u00f3rico, ao longo dos s\u00e9culos XX e XXI, da nossa depend\u00eancia real, nos termos de Ruy Mauro Marini e V\u00e2nia Bambirra<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote4sym\"><sup>4<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Assim, diferentemente do que ocorre nos centros imperialistas, na Am\u00e9rica Latina dependente, a superexplora\u00e7\u00e3o \u00e9 tecida pelos capitais que aqui atuam\/dominam, como processo de compensa\u00e7\u00e3o de sua atua\u00e7\u00e3o subordinada na l\u00f3gica internacional.<\/p>\n<p>A superexplora\u00e7\u00e3o, nos tristes tr\u00f3picos, determina que a processualidade violenta da extra\u00e7\u00e3o de mais valia, ao longo da hist\u00f3ria, somente ocorre \u00e0s custas de uma intensa viol\u00eancia estrutural contra determinados grupos sociais: negros, ind\u00edgenas e camponeses. E \u00e9 esta viol\u00eancia a que determina que o nascimento do capitalismo dependente ocorra atrelado dando sentido hist\u00f3rico \u00e0 din\u00e2mica estrutural da superexplora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As \u201cformas de ser\u201d da superexplora\u00e7\u00e3o hoje<\/strong><\/p>\n<p>Tudo o que dissemos at\u00e9 aqui sobre o n\u00e3o direito formal ao trabalho\u00a0<em>como caracter\u00edstica hist\u00f3rica do capitalismo dependente<\/em>, sobretudo quando consideramos o campesinato, nos parece longe de d\u00favidas. Mas n\u00e3o podemos e nem devemos desconsiderar que, imersas nessa estrutura\u00e7\u00e3o, vieram uma s\u00e9rie de conquistas da classe trabalhadora em termos de prote\u00e7\u00e3o trabalhista e social ao longo dos anos. N\u00e3o foram concess\u00f5es! Foram conquistas dos nossos pares, sangradas, surradas e devem, por isso, ser sempre exaltadas. \u00c9 certo que foram incapazes de alcan\u00e7ar a massa majorit\u00e1ria dos trabalhadores brasileiros e, com isso, alterar a pr\u00f3pria estrutura social, mas puderam, em conjunturas espec\u00edficas e enquanto duraram, garantir certos m\u00ednimos sem os quais \u00e9 inconceb\u00edvel a vida humana.<\/p>\n<p>O problema est\u00e1 na express\u00e3o \u201cenquanto duraram\u201d. Nossa hist\u00f3ria contempor\u00e2nea vem dando curso a uma verdadeira destrui\u00e7\u00e3o desses mecanismos protetivos, quase que confirmando a leitura cr\u00edtica que James Petras faz das expectativas que Marx e Engels trazem no Manifesto Comunista quanto aos efeitos pol\u00edticos e sociais da expans\u00e3o do capitalismo. \u201cOs processos econ\u00f4micos que eles discutem est\u00e3o apresentando efeitos opostos: rea\u00e7\u00e3o aguda, atomiza\u00e7\u00e3o do trabalho, est\u00edmulo \u00e0 guerra \u00e9tnica [\u2026] o desenvolvimento da for\u00e7a de trabalho na selvageria do Terceiro Mundo, sob a \u00e9gide da internacionaliza\u00e7\u00e3o do capital, n\u00e3o tem levado a maior consci\u00eancia de classe ou a comportamento \u2018civilizado\u2019 \u2013 ao contr\u00e1rio, tem quebrado os la\u00e7os de classes existentes e criado mais diferen\u00e7as e servid\u00e3o\u201d (PETRAS, 2007, p. 245).<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote5sym\"><sup>5<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A pauta neoliberal no Brasil, executada a fundo e a termo a partir da aprova\u00e7\u00e3o da Reforma Trabalhista de 2017, instrumentalizou o maior ataque da hist\u00f3ria contra a CLT: foram alterados mais de cem pontos nas leis trabalhistas, batutando, entre outras viol\u00eancias, o trabalho intermitente, o trabalho parcial, as terceiriza\u00e7\u00f5es (j\u00e1 em curso h\u00e1 mais tempo), a exposi\u00e7\u00e3o de trabalhadoras gr\u00e1vidas a ambientes insalubres de trabalho, o\u00a0<em>home office<\/em>, al\u00e9m da predomin\u00e2ncia dos acordos diretos entre trabalhadores e patr\u00f5es sobre a legisla\u00e7\u00e3o. Esse cen\u00e1rio abriu as portas para uma generaliza\u00e7\u00e3o de formas de trabalho cada vez mais prec\u00e1rias, apartadas quase por completo de qualquer garantia de direitos. Entre elas est\u00e1 o conhecido processo de\u00a0<em>uberiza\u00e7\u00e3o<\/em>, que ser\u00e1 objeto de nossa an\u00e1lise em outro momento.<\/p>\n<p><strong>Por ora, o que nos interessa \u00e9 pensar: como considerar essas novas formas de trabalho nos marcos da superexplora\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3041186 alignnone\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/201221-exploracao2.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><figcaption><em>David Siqueiros, Cain nos EUA, 1947<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em sua famosa \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o [de 1847]\u201d, Marx (2011, p. 59),<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote6sym\"><sup>6<\/sup><\/a>\u00a0em um dos poucos escritos em que se dedica a tratar explicitamente a quest\u00e3o do m\u00e9todo, afirma que \u201c[\u2026] as categorias expressam formas de ser, determina\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia\u201d de determinada realidade social. Nesse sentido, explicam, portanto, esta realidade social a qualquer tempo.<\/p>\n<p>Marini, por sua vez, discute a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho que entendemos como categoria pr\u00f3pria do capitalismo dependente latino-americano. Trata-se, segundo nossa interpreta\u00e7\u00e3o, de uma intensifica\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho como compensa\u00e7\u00e3o \u00e0s perdas internacionais de valor resultantes das transfer\u00eancias de valor. Disso j\u00e1 tratamos em texto anterior.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9 que, ao tratar da superexplora\u00e7\u00e3o, Marini resgata tr\u00eas formas a partir das quais ela se manifesta: prolongamento da jornada de trabalho, intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho e viola\u00e7\u00e3o do valor da for\u00e7a de trabalho. Por que, neste momento, esta se coloca como uma grande quest\u00e3o?<\/p>\n<p>Muito do que se discute hoje quanto \u00e0s novas formas de trabalho que o neoliberalismo inaugura d\u00e1 conta de uma forma que o sistema encontra de ocultar a precariza\u00e7\u00e3o \u00e0 qual os trabalhadores s\u00e3o submetidos ao longo do tempo, na forma\u00e7\u00e3o do capitalismo dependente. O trabalho aut\u00f4nomo, informal, uberizado, desdobramentos e consequ\u00eancias da l\u00f3gica atual, chegam ao plano da apar\u00eancia como \u201cempreendedorismo\u201d, como \u201cser chefe de si pr\u00f3prio\u201d, como \u201cfa\u00e7o meu hor\u00e1rio de trabalho como bem entendo\u201d. Tudo isso carrega a percep\u00e7\u00e3o de que a rela\u00e7\u00e3o direta capital-trabalho se esgotou. E mesmo quando n\u00e3o \u00e9 esse o caso, a perda de direitos em si j\u00e1 nos exige um repensar frente \u00e0 categoria superexplora\u00e7\u00e3o, num sentido de entender qu\u00e3o flex\u00edvel ela \u00e9 para incorporar essas novas formas de trabalho sem que se comprometa seu pr\u00f3prio sentido categorial.<\/p>\n<p>Assim, se a superexplora\u00e7\u00e3o define a particularidade do capitalismo dependente, o escravismo, o colonialismo e as lutas sociais abertas pela quest\u00e3o agr\u00e1ria, deflagram as condicionantes estruturais que d\u00e3o sentido a essa din\u00e2mica violenta estrutural. Ao longo dos s\u00e9culos XX e XXI pesar\u00e1 sobre determinados corpos e povos (camponeses, ind\u00edgenas e negros), uma composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de capital concreta paralela \u00e0 tend\u00eancia cont\u00ednua \u00e0 exclus\u00e3o de um grande n\u00famero de pessoas, que deflagrar\u00e1 a superexplora\u00e7\u00e3o como a subst\u00e2ncia explicativa dos sentidos do trabalho na Am\u00e9rica Latina. Ou seja, a superexplora\u00e7\u00e3o entendida como a subst\u00e2ncia das formas particulares que o capital assume ao longo do tempo para contrarrestar, no continente, uma din\u00e2mica desigual que precisa ser burlada como pol\u00edtica cont\u00ednua de manter-se dominante no tempo.<\/p>\n<p><em>O escravismo colonial\u00a0<\/em>de Jacob Gorender,\u00a0<em>Dial\u00e9tica radical do negro no Brasil<\/em>, de Clovis Moura e outros importantes, mas ainda invis\u00edveis, cl\u00e1ssicos da forma\u00e7\u00e3o social brasileira e latino-americana, definem o encontro reflexivo do s\u00e9culo XX, que d\u00e3o as bases materiais concretas para repensarmos os dilemas do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o agr\u00e1ria traz, ao debate contempor\u00e2neo da uberiza\u00e7\u00e3o, perguntas que precisam ser respondidas \u00e0 luz da forma\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica das economias da Am\u00e9rica Latina, a saber: que rela\u00e7\u00e3o h\u00e1 entre a condi\u00e7\u00e3o de superexplora\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica os mecanismos reais que a constituem e os atuais processos de precariza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho? Em que medida a uberiza\u00e7\u00e3o e as demais formas de trabalho atuais s\u00e3o apenas express\u00f5es concretas de um fen\u00f4meno substantivo inerente ao capitalismo dependente, a superexplora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Estas reflex\u00f5es n\u00e3o encerram o debate, nem entre as que escrevemos, menos ainda entre n\u00f3s e outros, outras, interlocutores. Ao contr\u00e1rio, acendem a chama daquilo que sempre representou a hist\u00f3ria do bom combate dentro do campo cr\u00edtico latino-americano: a cr\u00edtica dentro do campo cr\u00edtico. Pensamentos e provoca\u00e7\u00f5es que, conformados na rica batalha das ideias, permitem que saiamos do sentido comum e, \u00e0 luz do sentido cr\u00edtico, nos desafiemos a responder caminhos poss\u00edveis para romper a estrutura violenta da depend\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote1anc\">1<\/a>\u00a0A presente s\u00e9rie de textos sobre a superexplora\u00e7\u00e3o escrita em 4 m\u00e3os apresenta um desejo real de amadurecimento coletivo nas reflex\u00f5es acerca do mundo do trabalho na Am\u00e9rica Latina \u00e0 luz de nossa forma\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica em rela\u00e7\u00e3o direta com a din\u00e2mica internacional. Refletir, concordar, divergir, repensar o pensado, disso se trata essa constru\u00e7\u00e3o: de dialogar. Vale para o di\u00e1logo entre as autoras, e tamb\u00e9m para o p\u00fablico que tope refletir conosco a partir dos elementos colocados.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote2anc\">2<\/a>\u00a0Ver IBGE (2003, Estat\u00edsticas do S\u00e9culo XX).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote3anc\">3<\/a>\u00a0Ver BARBOSA, A. F. O Mercado de Trabalho: uma perspectiva de longa dura\u00e7\u00e3o. Estudos Avan\u00e7ados,\u00a0vol. 30,\u00a0n. 87, mai.-ago. S\u00e3o Paulo, 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-40142016000200007&gt;.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote4anc\">4<\/a>\u00a0Ver: Ruy Mauro Marini, Dial\u00e9tica da depend\u00eancia, 1973. V\u00e2nia Bambirra, Depend\u00eancia, uma anticr\u00edtica, 1978.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote5anc\">5<\/a>\u00a0PETRAS, James. O Manifesto Comunista: qual sua relev\u00e2ncia hoje?. In: MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2007.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/#sdfootnote6anc\">6<\/a>\u00a0MARX, Karl. Grundrisse. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria: https:\/\/outraspalavras.net\/trabalhoeprecariado\/origens-e-atualidade-da-superexploracao-no-brasil\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberta Traspadini e Marisa Amaral &#8211;\u00a0Da escravid\u00e3o \u00e0 uberiza\u00e7\u00e3o, o percurso do trabalho em um pa\u00eds na periferia do capitalismo. A urbaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos tornou menos coloniais. 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