{"id":14147,"date":"2020-10-28T18:48:51","date_gmt":"2020-10-28T21:48:51","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=14147"},"modified":"2020-10-26T18:51:02","modified_gmt":"2020-10-26T21:51:02","slug":"uma-hipotese-para-renovar-o-projeto-socialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/10\/28\/uma-hipotese-para-renovar-o-projeto-socialista\/","title":{"rendered":"Uma hip\u00f3tese para renovar o projeto socialista"},"content":{"rendered":"<p><strong>John Bellamy Foster<\/strong> &#8211; Uma considera\u00e7\u00e3o s\u00e9ria da renova\u00e7\u00e3o do socialismo, hoje, deve come\u00e7ar pelo enfrentamento \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o criativa, perpetrada pelo capitalismo, das bases de toda exist\u00eancia social. Desde o final dos anos 1980, o mundo tem sido engolfado pelo capitalismo da cat\u00e1strofe, definido como o ac\u00famulo de cat\u00e1strofes iminentes, por todos os lados, devido \u00e0s consequ\u00eancias n\u00e3o intencionais da m\u00e1quina da morte do capital [orig: <em>juggernaut of capital<\/em>].<sup>1<\/sup>\u00a0Assim conceituado, o capitalismo da cat\u00e1strofe manifesta-se hoje na converg\u00eancia entre (1) a crise ecol\u00f3gica planet\u00e1ria, (2) a crise epidemiol\u00f3gica global e (3) a infind\u00e1vel crise econ\u00f4mica mundial.<sup>2<\/sup>\u00a0Somam-se a isso as principais caracter\u00edsticas do atual \u201cimp\u00e9rio do caos\u201d, inclusive: o extremo sistema de explora\u00e7\u00e3o imperialista desencadeado pelas cadeias globais de mercadorias; o ocaso do Estado liberal-democr\u00e1tico, relativamente est\u00e1vel, com a ascens\u00e3o do neoliberalismo e do neofascismo; e a emerg\u00eancia de uma nova era de instabilidade da hegemonia global, acompanhada pelos crescentes perigos de uma guerra ilimitada.<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica representa o que o consenso cient\u00edfico mundial chama de situa\u00e7\u00e3o \u201csem an\u00e1logo\u201d<sup>a<\/sup>, na qual estar\u00e3o amea\u00e7adas, se o saldo das emiss\u00f5es de carbono provenientes da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis n\u00e3o chegar a zero nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, a pr\u00f3pria exist\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o industrial e, em \u00faltima an\u00e1lise, a sobreviv\u00eancia humana.<sup>4<\/sup>\u00a0Essa crise existencial n\u00e3o se limita, por\u00e9m, \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; ela abarca a viola\u00e7\u00e3o de outros limites planet\u00e1rios que, juntos, delineiam a fratura ecol\u00f3gica global no sistema terrestre como um lugar seguro para a humanidade. Eles incluem: (1) a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos; (2) a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies (e perda de diversidade gen\u00e9tica); (3) a destrui\u00e7\u00e3o de ecossistemas florestais; (4) a perda de \u00e1gua doce; (5) a interrup\u00e7\u00e3o dos ciclos de nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo; (6) a r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas (inclusive radionucl\u00eddeos); e (7) a prolifera\u00e7\u00e3o descontrolada de organismos geneticamente modificados.<sup>5<\/sup><\/p>\n<p>Essa ruptura dos limites planet\u00e1rios \u00e9 intr\u00ednseca ao sistema de acumula\u00e7\u00e3o de capital, que n\u00e3o conhece barreiras intranspon\u00edveis ao seu avan\u00e7o quantitativo, exponencial e ilimitado. Sendo assim, n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para a atual destrui\u00e7\u00e3o capitalista do conjunto das condi\u00e7\u00f5es sociais e naturais de exist\u00eancia que n\u00e3o seja uma sa\u00edda do pr\u00f3prio capitalismo. O essencial \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do que Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e1ros chamou, em\u00a0<em>Para al\u00e9m do capital<\/em>, de um novo sistema de \u201creprodu\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica social\u201d.<sup>6<\/sup>\u00a0O socialismo surge, assim, como aparente herdeiro do capitalismo do s\u00e9culo XXI, mas concebido de maneiras que desafiam, criticamente, a teoria e a pr\u00e1tica do socialismo \u00e0 maneira do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p><strong>A polariza\u00e7\u00e3o do sistema de classes<\/strong><\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, setores cruciais do capitalismo monopolista-financeiro conseguiram, agora, mobilizar elementos pr\u00f3prios da classe m\u00e9dia baixa, majoritariamente branca, na forma de uma ideologia nacionalista, racista e mis\u00f3gina. O resultado \u00e9 o nascimento de uma classe pol\u00edtica neofascista, que capitaliza a longa hist\u00f3ria de racismo estrutural herdeira da escravid\u00e3o, do colonialismo de ocupa\u00e7\u00e3o e do militarismo\/imperialismo global. A rela\u00e7\u00e3o desse neofascismo em ascens\u00e3o com a conforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica neoliberal j\u00e1 existente \u00e9 a de \u201cirm\u00e3os inimigos\u201d, caracterizada por uma feroz disputa pelo poder associada \u00e0 repress\u00e3o, comum a ambos, da classe trabalhadora.<sup>7<\/sup>\u00a0Foram essas as condi\u00e7\u00f5es que propiciaram a ascens\u00e3o do bilion\u00e1rio Donald Trump, magnata do mercado imobili\u00e1rio de Nova York, como l\u00edder da chamada direita radical, o que levou \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas direitistas e \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de um novo regime autorit\u00e1rio capitalista.<sup>8<\/sup>\u00a0Mesmo que a fac\u00e7\u00e3o neoliberal da classe dominante ven\u00e7a a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o presidencial, derrubando Trump e substituindo-o por Joe Biden, uma alian\u00e7a neoliberal-neofascista, reflexo de necessidades internas da classe capitalista, provavelmente continuar\u00e1 a formar a base de poder estatal sob o capitalismo financeiro-monopolista.<\/p>\n<p>Simultaneamente \u00e0 configura\u00e7\u00e3o dessa nova pol\u00edtica reacion\u00e1ria, ressurge, nos Estados Unidos, um movimento em prol do socialismo, cuja base \u00e9 composta da maioria da classe trabalhadora e de intelectuais dissidentes. O fim da hegemonia dos EUA dentro da economia mundial, acelerado pela globaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, enfraqueceu a antiga aristocracia oper\u00e1ria, de base imperialista, em certos setores privilegiados da classe trabalhadora, o que conduziu ao ressurgimento do socialismo.<sup>9<\/sup>\u00a0Confrontado com o que Michael D. Yates chamou de \u201ca grande desigualdade\u201d, o grosso da popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, especialmente os jovens, tem cada vez menos perspectivas, encontrando-se em um estado de incerteza e, frequentemente, desespero, marcado por um aumento dram\u00e1tico nas \u201cmortes por desespero\u201d.<sup>10<\/sup>\u00a0Eles est\u00e3o cada vez mais alienados de um sistema capitalista que n\u00e3o lhes oferece nenhuma esperan\u00e7a e s\u00e3o atra\u00eddos pelo socialismo como a \u00fanica alternativa genu\u00edna.<sup>11<\/sup>\u00a0Embora a situa\u00e7\u00e3o estadunidense seja \u00fanica, for\u00e7as objetivas semelhantes, que impulsionam o ressurgimento dos movimentos socialistas, est\u00e3o presentes em outras partes do sistema, principalmente nos pa\u00edses do sul, em uma era de cont\u00ednua estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, financeiriza\u00e7\u00e3o e decl\u00ednio ecol\u00f3gico universal.<\/p>\n<p>Se, por\u00e9m, o socialismo parece estar novamente em ascens\u00e3o, no contexto da crise estrutural do capitalismo e do aumento da polariza\u00e7\u00e3o entre classes, fica o questionamento: que tipo de socialismo \u00e9 esse e de que maneiras ele difere do socialismo do s\u00e9culo XX? Boa parte do que est\u00e1 sendo chamado de socialismo nos Estados Unidos e outras partes do globo tende para a social-democracia, na busca de uma alian\u00e7a com os liberais de esquerda e, portanto, com a ordem existente, na v\u00e3 tentativa de fazer o capitalismo funcionar melhor por meio do fomento \u00e0 regula\u00e7\u00e3o e ao bem-estar social, em oposi\u00e7\u00e3o direta ao neoliberalismo, mas em uma \u00e9poca em que o pr\u00f3prio neoliberalismo est\u00e1 dando lugar ao neofascismo.<sup>12<\/sup>\u00a0Movimentos como esses s\u00e3o canoas furadas no atual contexto hist\u00f3rico, pois \u00e9 inevit\u00e1vel que traiam as esperan\u00e7as suscitadas, j\u00e1 que se concentram na mera democracia eleitoral. Felizmente, tamb\u00e9m estamos vendo hoje o crescimento de um socialismo genu\u00edno, evidente na luta extraeleitoral, na intensifica\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de massas e no apelo a ir al\u00e9m dos par\u00e2metros do sistema vigente, a fim de reconstituir a sociedade como um todo.<\/p>\n<p>A inquieta\u00e7\u00e3o geral latente na base da sociedade dos Estados Unidos veio \u00e0 tona nas revoltas de fins de maio e junho deste ano, que assumiram a forma, praticamente in\u00e9dita na hist\u00f3ria do pa\u00eds desde a Guerra de Secess\u00e3o, de enormes manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade, com milh\u00f5es nas ruas, e com a classe trabalhadora branca, e a juventude branca em particular, desafiando o racismo em resposta ao linchamento de George Floyd, morto pela pol\u00edcia apenas por ser negro.<sup>13<\/sup>\u00a0Esse foi o estopim, em meio \u00e0 pandemia do coronav\u00edrus e \u00e0 depress\u00e3o econ\u00f4mica, dos furiosos dias de junho nos EUA.<\/p>\n<p>Entretanto, embora o movimento em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo, crescente agora at\u00e9 mesmo nos Estados Unidos, \u201ccora\u00e7\u00e3o b\u00e1rbaro\u201d do sistema, avance como resultado de for\u00e7as objetivas, falta-lhe uma base subjetiva adequada.<sup>14<\/sup>\u00a0Um grande obst\u00e1culo \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de objetivos socialistas estrat\u00e9gicos no mundo atual tem a ver com o abandono, por parte do socialismo do s\u00e9culo XX, de seus pr\u00f3prios ideais, originalmente articulados na vis\u00e3o comunista de Karl Marx. Para entender o problema, \u00e9 preciso ir al\u00e9m das recentes tentativas da esquerda de compreender filosoficamente o comunismo, o que levou, na \u00faltima d\u00e9cada, a percep\u00e7\u00f5es abstratas da \u201cideia comunista\u201d, da \u201chip\u00f3tese comunista\u201d e do \u201chorizonte comunista\u201d debatidos por Alain Badiou, entre outros.<sup>15<\/sup>\u00a0Em vez disso, \u00e9 necess\u00e1rio um ponto de partida historicamente mais concreto, que focalize diretamente a teoria de duas fases do desenvolvimento socialista\/comunista que emergiu da\u00a0<em>Cr\u00edtica do programa de Gotha<\/em>, de Marx, e de\u00a0<em>O Estado e a revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, de L\u00eanin. O artigo de Paul M. Sweezy, \u201cCommunism as an Ideal\u201d, publicado h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo na\u00a0<em>Monthly Review<\/em>\u00a0de outubro de 1963, \u00e9 um texto cl\u00e1ssico a esse respeito.<sup>16<\/sup><\/p>\n<p><strong>O comunismo de Marx como ideal socialista<\/strong><\/p>\n<p>Na\u00a0<em>Cr\u00edtica do programa de Gotha<\/em>\u00a0\u2015 escrito em desafio \u00e0s no\u00e7\u00f5es economicistas e trabalhistas do ramo da social-democracia alem\u00e3 influenciado por Ferdinand Lassalle \u2015 Marx designou duas \u201cfases\u201d hist\u00f3ricas na luta para criar uma sociedade de produtores associados. A primeira fase seria iniciada pela \u201cditadura revolucion\u00e1ria do proletariado\u201d, refletindo a experi\u00eancia de guerra entre classes da Comuna de Paris e representando um per\u00edodo de democracia oper\u00e1ria, mas um que ainda teria as \u201cdistor\u00e7\u00f5es\u201d da sociedade de classes capitalista. Nessa fase inicial, haveria n\u00e3o apenas uma ruptura com a propriedade privada capitalista, mas tamb\u00e9m uma ruptura com o Estado capitalista como estrutura de comando pol\u00edtico.<sup>17<\/sup>\u00a0Como reflexo da natureza limitada da transi\u00e7\u00e3o socialista nessa fase, a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o tomariam, inevitavelmente, a forma de \u201ca cada um segundo seu trabalho\u201d, perpetuando as condi\u00e7\u00f5es de desigualdade ao mesmo tempo em que criava as condi\u00e7\u00f5es para transcend\u00ea-las. Em contraste, na fase posterior, o princ\u00edpio norteador da sociedade mudaria para \u201cde cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo suas necessidades\u201d, com a elimina\u00e7\u00e3o do sistema salarial.<sup>18<\/sup>\u00a0Do mesmo modo, enquanto a fase inicial do socialismo\/comunismo exigiria a forma\u00e7\u00e3o de uma nova estrutura de comando pol\u00edtico no per\u00edodo revolucion\u00e1rio, o objetivo na fase superior era encolher o Estado como aparato separado, acima da sociedade e em rela\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica com ela, e substitu\u00ed-lo por uma forma de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que Frederick Engels chamou de \u201ccomunidade\u201d, associada a um modo de produ\u00e7\u00e3o de base comunit\u00e1ria.<sup>19<\/sup><\/p>\n<p>Na \u00faltima fase, superior, da transi\u00e7\u00e3o socialista\/comunista, n\u00e3o apenas a propriedade seria possu\u00edda e controlada coletivamente, mas as c\u00e9lulas constitutivas da sociedade seriam reconstitu\u00eddas sobre um alicerce comunal, e a produ\u00e7\u00e3o estaria nas m\u00e3os dos produtores associados. Nessas condi\u00e7\u00f5es, afirmou Marx, o \u201ctrabalho\u201d ter\u00e1 se tornado n\u00e3o um \u201cmero meio de vida\u201d, mas ele mesmo \u201ca primeira necessidade vital\u201d.<sup>20<\/sup>\u00a0A produ\u00e7\u00e3o seria direcionada para valores de uso e n\u00e3o para valores de troca, em conson\u00e2ncia com uma sociedade em que \u201co livre desenvolvimento de cada um\u201d seria \u201ca condi\u00e7\u00e3o para o livre desenvolvimento de todos\u201d. A aboli\u00e7\u00e3o da sociedade de classes capitalista e a cria\u00e7\u00e3o de uma sociedade de produtores associados levaria ao fim da explora\u00e7\u00e3o de uma classe por outra, al\u00e9m da elimina\u00e7\u00e3o das divis\u00f5es entre trabalho mental e manual e entre cidade e campo. A fam\u00edlia monog\u00e2mica patriarcal baseada na escravid\u00e3o dom\u00e9stica das mulheres tamb\u00e9m seria superada.<sup>21<\/sup>\u00a0Fundamental para a vis\u00e3o de Marx da fase superior da sociedade de produtores associados era um novo metabolismo social da humanidade e da terra. Em sua afirma\u00e7\u00e3o mais geral sobre as condi\u00e7\u00f5es materiais que governariam a nova sociedade, escreveu: \u201cAqui [no reino da necessidade natural], a liberdade n\u00e3o pode ser mais do que fato de que o homem socializado, os produtores associados, regulem racionalmente esse seu metabolismo com a natureza\u2026 com o m\u00ednimo emprego de for\u00e7as poss\u00edvel\u201d no processo de promover condi\u00e7\u00f5es para um desenvolvimento humano sustent\u00e1vel.<sup>22<\/sup><\/p>\n<p>Em\u00a0<em>O Estado e a revolu\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e em outros escritos, L\u00eanin capta habilmente os argumentos de Marx sobre a fase inferior e a superior, descrevendo-as como a primeira e a segunda fase do comunismo. Continuou enfatizando o que chamou de \u201ca distin\u00e7\u00e3o cient\u00edfica entre socialismo e comunismo\u201d, em que \u201co que normalmente \u00e9 chamado de socialismo foi definido por Marx como a \u2018primeira fase\u2019, inferior, da sociedade comunista\u201d, enquanto o termo comunismo, significando \u201ccomunismo completo\u201d, seria mais apropriado para designar a fase superior.<sup>23<\/sup>\u00a0Embora L\u00eanin tenha alinhado estreitamente essa distin\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise de Marx, no marxismo oficial posterior ela se engessou em dois est\u00e1gios totalmente separados, com o chamado est\u00e1gio comunista t\u00e3o afastado do est\u00e1gio socialista que aquele se tornou ut\u00f3pico, n\u00e3o mais visto como parte de uma luta cont\u00ednua ou atual. Com base em uma concep\u00e7\u00e3o artificial do est\u00e1gio socialista e do princ\u00edpio intermedi\u00e1rio de distribui\u00e7\u00e3o \u201ca cada um segundo seu trabalho\u201d, Joseph St\u00e1lin empreendeu uma guerra ideol\u00f3gica contra o ideal de uma igualdade verdadeira, que ele caracterizou como um \u201cabsurdo reacion\u00e1rio pequeno-burgu\u00eas digno de uma seita primitiva de ascetas, mas n\u00e3o de uma sociedade socialista organizada na linha marxista\u201d. Essa mesma postura persistiria na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, de um jeito ou de outro, at\u00e9 Mikhail Gorbachev.<sup>24<\/sup><\/p>\n<p>Portanto, como explica Michael Lebowitz em\u00a0<em>The Socialist Imperative<\/em>, \u201cao inv\u00e9s de uma luta cont\u00ednua para ir al\u00e9m do que Marx chamou de \u2018distor\u00e7\u00f5es\u2019 herdadas da sociedade capitalista, a interpreta\u00e7\u00e3o padr\u00e3o\u201d do marxismo no per\u00edodo do final dos anos 1930 ao final dos anos 1980 \u201cintroduziu uma divis\u00e3o da sociedade p\u00f3s-capitalista em dois \u2018est\u00e1gios\u2019 distintos\u201d, determinados economicamente pelo n\u00edvel de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. Mudan\u00e7as fundamentais nas rela\u00e7\u00f5es sociais, enfatizadas por Marx como essenciais \u00e0 trajet\u00f3ria socialista, foram abandonadas no processo de conviv\u00eancia e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s distor\u00e7\u00f5es herdadas da sociedade capitalista. Em vez disso, Marx insistiu em um projeto que visava construir a comunidade de produtores associados \u201cdesde o in\u00edcio\u201d como parte de um processo cont\u00ednuo, embora necessariamente desigual, de constru\u00e7\u00e3o socialista.<sup>25<\/sup><\/p>\n<p>Este abandono do ideal socialista associado \u00e0 fase superior do comunismo de Marx foi conclu\u00eddo, de maneira complexa, pela mudan\u00e7a das condi\u00e7\u00f5es materiais (e de classe) e, por fim, pelo desaparecimento das sociedades de tipo sovi\u00e9tico, que tendiam a estagnar assim que deixassem de ser revolucion\u00e1rias e at\u00e9 mesmo ressuscitavam formas de classe, colapsando por fim quando a nova classe ou\u00a0<em>nomen<\/em><em>k<\/em><em>latura<\/em>\u00a0abandonava o sistema. Como defendeu Sweezy em 1971, \u201ca propriedade estatal e o planejamento n\u00e3o s\u00e3o suficientes para definir um socialismo vi\u00e1vel, imune \u00e0 amea\u00e7a de retrocesso e capaz de avan\u00e7ar na segunda etapa do movimento para o comunismo\u201d. Era preciso algo mais: a luta cont\u00ednua para criar uma sociedade de iguais.<sup>26<\/sup><\/p>\n<p>Para Marx, o movimento em dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade de produtores associados era a pr\u00f3pria ess\u00eancia do caminho socialista embutido na \u201cconsci\u00eancia comunista\u201d.<sup>27<\/sup>\u00a0No entanto, uma vez que o socialismo passou a ser definido em termos mais restritivos e economicistas, particularmente na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica a partir do final dos anos 1930, onde se defendeu a desigualdade substancial, a sociedade p\u00f3s-revolucion\u00e1ria perdeu a conex\u00e3o vital com a luta d\u00faplice por liberdade e necessidade, desconectando-se, assim, dos objetivos de longo prazo do socialismo, dos quais antes havia tirado seu significado e coer\u00eancia.<\/p>\n<p>Com base nessa experi\u00eancia, \u00e9 evidente que a \u00fanica maneira de construir o socialismo no s\u00e9culo XXI \u00e9 abra\u00e7ar precisamente os aspectos do ideal socialista\/comunista que permitam uma teoria e pr\u00e1tica radicais o bastante para atender \u00e0s necessidades urgentes do presente, sem perder de vista as necessidades do futuro. Se a crise ecol\u00f3gica planet\u00e1ria nos ensinou alguma coisa, foi que precisamos de um novo metabolismo social com a Terra, uma sociedade de sustentabilidade ecol\u00f3gica e igualdade substantiva. Isso pode ser visto nas realiza\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias da ecologia cubana, como recentemente demonstrado por Mauricio Betancourt em \u201cThe Effect of Cuban Agroecology in Mitigating the Metabolic Rift\u201d, atigo publicado no peri\u00f3dico\u00a0<em>Global Environmental Change<\/em>.<sup>28<\/sup>\u00a0Isso est\u00e1 de acordo com o que Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs chamou de \u201cdupla transforma\u00e7\u00e3o\u201d necess\u00e1ria das rela\u00e7\u00f5es sociais humanas e das rela\u00e7\u00f5es humanas com a natureza.<sup>29<\/sup>\u00a0Tal projeto emancipat\u00f3rio deve necessariamente passar por diversas fases revolucion\u00e1rias, que n\u00e3o podem ser previstas com anteced\u00eancia. No entanto, para ter sucesso, uma revolu\u00e7\u00e3o deve procurar tornar-se irrevers\u00edvel por meio da promo\u00e7\u00e3o de um sistema org\u00e2nico voltado para as verdadeiras necessidades humanas, enraizado na igualdade substantiva e na regula\u00e7\u00e3o racional do metabolismo social humano com a natureza.<\/p>\n<p><em>[continua]<\/em><\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Karl Marx,\u00a0<em>Capital,<\/em>\u00a0vol. 1 (Londres: Penguin, 1976), 799. O capitalismo da cat\u00e1strofe, nesse sentido, \u00e9 diferente do\u00a0<em>capitalismo do desastre<\/em>\u00a0de Naomi Klein. Naomi Klein,\u00a0<em>The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism<\/em>\u00a0(New York: Henry Holt, 2007). A no\u00e7\u00e3o de Klein concentra-se em como o neoliberalismo, como um projeto pol\u00edtico-econ\u00f4mico do capitalismo, tem buscado explorar sistematicamente desastres de todos os tipos, muitos deles pr\u00f3prios do capitalismo, para impor como solu\u00e7\u00e3o uma \u201cdoutrina de choque\u201d, projetada de modo a aumentar ainda mais o poder capitalista. A no\u00e7\u00e3o de capitalismo de cat\u00e1strofe empregada aqui trata, por outro lado, do crescimento cumulativo do potencial catastr\u00f3fico como uma caracter\u00edstica inerente a um modo de produ\u00e7\u00e3o que coloca a acumula\u00e7\u00e3o de capital acima de todos os outros fins sociais (e ecol\u00f3gicos), o que resulta na universaliza\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia para cat\u00e1strofes. Ver John Bellamy Foster, \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.14452\/MR-063-07-2011-11_1\">Capitalism and the Accumulation of Catastrophe<\/a>\u201d,\u00a0<em>Monthly Review<\/em>\u00a063, no. 7 (dezembro de 2011): 1\u201317.<\/li>\n<li>Para descri\u00e7\u00f5es concretas dessas cat\u00e1strofes iminentes convergentes, consulte John Bellamy Foster e Robert W. McChesney,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/endless_crisis\/\"><em>The Endless Crisis<\/em><\/a>\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 2012); John Bellamy Foster e Brett Clark,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/the-robbery-of-nature\/\"><em>The Robbery of Nature<\/em><\/a>\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 2020): 238\u201387; John Bellamy Foster e Intan Suwandi, \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.14452\/MR-072-02-2020-06_1\">COVID-19 and Catastrophe Capitalism<\/a>\u201d,\u00a0<em>Monthly Review<\/em>\u00a072, no. 2 (junho de 2020): 1\u201320; e Mike Davis,\u00a0<em>The Monster Enters<\/em>\u00a0(Nova York: OR, 2020).<\/li>\n<li>Samir Amin,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/empire_of_chaos\/\"><em>Empire of Chaos<\/em><\/a>\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 1992).<\/li>\n<li>Ver Ian Angus,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/facing_the_anthropocene\/\"><em>Fa<\/em><\/a><a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/facing_the_anthropocene\/\"><em>cing the Anthropocene<\/em><\/a>\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 2016), 25: James Hansen,\u00a0<em>Storms of My Grandchildren<\/em>\u00a0(New York: Bloomsbury, 2009). Mesmo o esfor\u00e7o para zerar o valor l\u00edquido das emiss\u00f5es at\u00e9 2050, embora incorporado aos Acordos de Paris, n\u00e3o \u00e9 suficiente e se baseia em suposi\u00e7\u00f5es irrealistas sobre tecnologias que hoje n\u00e3o existem em grande escala e podem nunca ser vi\u00e1veis. A realidade \u00e9 que o or\u00e7amento de carbono, determinado pelas emiss\u00f5es restantes poss\u00edveis (com 67% de chance de manter a temperatura m\u00e9dia global abaixo de 1,5 \u00b0C), ser\u00e1 estourado em apenas oito anos, se tudo continuar como est\u00e1. Ver Greta Thunberg,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/agenda\/2020\/01\/greta-thunberg-davos-message-climate-change\/\"><em>Speech at the World Economy Forum<\/em><\/a>, Davos, 21 de janeiro de 2020.<\/li>\n<li>Johan Rockstr\u00f6m et al., \u201cA Safe Operating Space for Humanity,\u201d Nature 461, no. 24 (2009): 472\u201375; William Steffen et al., \u201cPlanetary Boundaries\u201d, Science 347, no. 6223 (2015): 745\u201346; Michael Friedman, \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.14452\/MR-066-10-2015-03_2\">GMOs: Capitalism\u2019s Distortion of Biological Processes<\/a>\u201d, Monthly Review 66, no. 10 (mar\u00e7o de 2015): 19\u201334.<\/li>\n<li>Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e1ros,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/beyond_capital\/\"><em>Beyond Capital<\/em><\/a>\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 1995), 39\u201371.<\/li>\n<li>Karl Marx,\u00a0<em>Capital<\/em>, vol. 3 (Londres: Penguin, 1981), 362.<\/li>\n<li>Ver John Bellamy Foster,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/trump_in_the_white_house\/\">Trump in the White House<\/a>\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 2017).<\/li>\n<li>Foi Engels quem primeiro defendeu, em um artigo de 1885 para o\u00a0<em>Commonweal<\/em>, editado por William Morris (uma an\u00e1lise que mais tarde foi incorporada ao pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o inglesa de 1892 de\u00a0<em>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra<\/em>), que o desenvolvimento de um movimento trabalhista de cunho socialista foi poss\u00edvel na Gr\u00e3-Bretanha pela primeira vez em meados da d\u00e9cada de 1880 devido ao decl\u00ednio da aristocracia oper\u00e1ria (consistindo principalmente de homens adultos e excluindo mulheres, crian\u00e7as e imigrantes) ocasionado pelo decl\u00ednio da hegemonia imperial da Gr\u00e3-Bretanha. Karl Marx e Frederick Engels,\u00a0<em>Collected Works<\/em>, vol 26 (New York: International Publishers, 1975), 295\u2013301. A famosa an\u00e1lise de L\u00eanin sobre a aristocracia oper\u00e1ria foi constru\u00edda com base nessa concep\u00e7\u00e3o de Engels. Ver tamb\u00e9m Martin Nicolaus, \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.14452\/MR-021-11-1970-04_7\">The Theory of the Labour Aristocracy<\/a>\u201d,\u00a0<em>Monthly Review<\/em>\u00a021, no. 11 (abril de 1970): 91\u2013101; Eric Hobsbawm, \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.14452\/MR-021-11-1970-04_4\">Lenin and the \u2018Aristocracy of Labour\u2019<\/a>\u201d,\u00a0<em>Monthly Review<\/em>\u00a021, no. 11 (abril de 1970): 47\u201356.<\/li>\n<li>Anne Case e Angus Deaton,\u00a0<em>Deaths of Despair and the Future of Capitalism<\/em>\u00a0(Princeton: Princeton University Press, 2020).<\/li>\n<li>Michael D. Yates, \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.14452\/MR-063-10-2012-03_1\">The Great Inequality<\/a>\u201d,\u00a0<em>Monthly Review<\/em>\u00a063, no. 10 (mar\u00e7o de 2012): 1\u201318.<\/li>\n<li>Em seu\u00a0<em>The Socialist Manifesto<\/em>, Bhaskar Sunkara apresenta uma imagem de Marx, divorciada da\u00a0<em>Cr\u00edtica do Programa de Gotha<\/em>, segundo a qual Marx e Engels imaginaram um futuro, no Manifesto Comunista e outros escritos, em que \u201cum estado democr\u00e1tico radicalmente transformado possu\u00edsse a propriedade anteriormente privasa e a usasse racionalmente, sob a dire\u00e7\u00e3o e para o benef\u00edcio do povo\u201d. Em vez de uma tentativa de uma descri\u00e7\u00e3o precisa dos pontos de vista de Marx, tal an\u00e1lise visa simplesmente apoiar sua pr\u00f3pria vers\u00e3o de uma \u201csocial-democracia com luta de classes\u201d. Bhaskar Sunkara,\u00a0<em>The Socialist Manifesto<\/em>\u00a0(Nova York: Basic, 2019), 48, 216-17.<\/li>\n<li>Ver \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.14452\/MR-072-03-2020-07_0\">Not<\/a><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.14452\/MR-072-03-2020-07_0\">es from the Editors<\/a>\u201d,\u00a0<em>Monthly Review<\/em>\u00a072, no. 3 (julho a agosto de 2020).<\/li>\n<li>Curtis White,\u00a0<em>The Barbaric Heart<\/em>\u00a0(Sausalito: PoliPoint, 2009).<\/li>\n<li>Alain Badiou, \u201cThe Communist Hypothesis,\u201d\u00a0<em>New Left Review<\/em>\u00a049 (2008): 29-42; Alain Badiou, \u201cThe Idea of Communism\u201d, em\u00a0<em>The Idea of Communism<\/em>, ed. Costas Douzinas e Slavoj \u017di\u017eek (Londres: Verso, 2010): 1\u201314; Alain Badiou,\u00a0<em>The Communist Hypothesis<\/em>\u00a0(Londres: Verso, 2015); Jodi Dean,\u00a0<em>The Communist Horizon<\/em>\u00a0(Londres: Verso, 2018).<\/li>\n<li>Paul M. Sweezy, \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.14452\/MR-015-06-1963-10_5\">Communism as an Ideal<\/a>\u201d,\u00a0<em>Monthly Review<\/em>\u00a015, no. 6 (outubro de 1963): 329\u201340.<\/li>\n<li>Karl Marx,\u00a0<em>Critique of the Gotha Program<\/em>\u00a0(Nova York: International Publishers, 1938), 9\u201310, 18. Aqui Marx usou a terminologia de \u201ca primeira fase da sociedade comunista\u201d e \u201ca fase superior da sociedade comunista\u201d. Esta edi\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>Cr\u00edtica do Programa de Gotha<\/em>\u00a0inclui cartas e anota\u00e7\u00f5es de Marx, Engels e L\u00eanin, al\u00e9m de passagens de\u00a0<em>O Estado e a revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, de L\u00eanin. Sobre a Comuna de Paris, ver Karl Marx e Friedrich Engels,\u00a0<em>Writings on the Paris Commune<\/em>, ed. Hal Draper (Nova York: Monthly Review Press, 1971); Badiou,\u00a0<em>The Communist Hypothesis<\/em>, 127-71.<\/li>\n<li>Marx,\u00a0<em>Critique of the Gotha Program<\/em>, 6\u201310, 14; Karl Marx, \u201cValue, Price, and Profit\u201d, em\u00a0<em>Wage Labor and Capital\/Value, Price and Profit<\/em>\u00a0(Nova York: International Publishers, 1935), 62.<\/li>\n<li>Marx,\u00a0<em>Critique of the Gotha Program<\/em>, 10, 17 (Marx), 31 (Engels), 47-56 (L\u00eanin); Marx e Engels,\u00a0<em>Collected Works<\/em>, vol. 25, 247, 267\u201368. Para o significado, ainda relevante, da ideia de decad\u00eancia do Estado, ver M\u00e9sz\u00e1ros,\u00a0<em>Beyond Capital<\/em>, 460-95; Henri Lefebvre,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/explosion\/\"><em>The Explosion<\/em><\/a>\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 1969), 127-28.<\/li>\n<li>Marx,\u00a0<em>Critique of the Gotha Program<\/em>, 10; Sweezy, \u201cCommunism as an Ideal\u201d, 337-38.<\/li>\n<li>Karl Marx e Frederick Engels,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/communist_manifesto\/\"><em>The Communist Manifesto<\/em><\/a>\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 1964), 34-35, 41.<\/li>\n<li>Marx,\u00a0<em>Capital<\/em>, vol. 3, 959.<\/li>\n<li>I. L\u00eanin,\u00a0<em>Selected Works: One-Volume Edition<\/em>\u00a0(Nova York: International Publishers, 1976), 334.<\/li>\n<li>Isaac Deutscher,\u00a0<em>Stalin: A Political Biography<\/em>\u00a0(Oxford: Oxford University Press, 1967), 338; Sweezy, em Paul M. Sweezy e Charles Bettelheim, On the Transition to Socialism (Nova York: Monthly Review Press, 1971), 127.<\/li>\n<li>Michael Lebowitz,\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/product\/socialist_imperative\/\"><em>The Socialist Imperative<\/em><\/a>\u00a0(Nova York: Monthly Review Press, 2015). 71; Karl Marx,\u00a0<em>Grundrisse<\/em>\u00a0(Londres: Penguin, 1973), 171-72. Ver tamb\u00e9m Peter Hudis,\u00a0<em>Marx\u2019s Concept of the Alternative to Capitalism<\/em>\u00a0(Boston: Brill, 2012), 190.<\/li>\n<li>Sweezy, em Sweezy and Bettelheim,\u00a0<em>On the Transition to Socialism<\/em>, 131.<\/li>\n<li>Marx e Engels,\u00a0<em>Collected Works<\/em>, vol. 5, 52.<\/li>\n<li>Mauricio Betancourt, \u201cThe Effect of Cuban Agroecology in Mitigating the Metabolic Rift: A Quantitative Approach to Latin American Food Production,\u201d\u00a0<em>Global Environmental Change<\/em>\u00a063 (2020): 1\u20139.<\/li>\n<li>Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs,\u00a0<em>The Ontology of Social Being<\/em>, vol. 2,\u00a0<em>Marx\u2019s Basic Ontological Principles<\/em>\u00a0(Londres: Merlin, 1978), 6.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Notas da tradu\u00e7\u00e3oFonte da mat\u00e9ria:<br \/>\n(https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/hipotese-para-renovar-o-projeto-socialista-1\/)<\/strong><\/p>\n<p>a. Do original \u201cno analogue\u201d, um termo da ecologia que designa ecossistemas, passados e futuros, de composi\u00e7\u00e3o diferente dos padr\u00f5es atuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>John Bellamy Foster &#8211; Uma considera\u00e7\u00e3o s\u00e9ria da renova\u00e7\u00e3o do socialismo, hoje, deve come\u00e7ar pelo enfrentamento \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o criativa, perpetrada pelo capitalismo, das bases de toda exist\u00eancia social. 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