{"id":14081,"date":"2020-10-09T15:55:28","date_gmt":"2020-10-09T18:55:28","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=14081"},"modified":"2020-10-06T15:57:58","modified_gmt":"2020-10-06T18:57:58","slug":"por-que-ler-frantz-fannon-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/10\/09\/por-que-ler-frantz-fannon-no-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Por que ler Frantz Fannon no s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p><strong>Immanuel Wallerstein &#8211; D<\/strong>iscute-se a atualidade do pensamento de Frantz Fanon, em torno de tr\u00eas eixos principais que constituem outros tantos dilemas \u2013 o uso da viol\u00eancia, a afirma\u00e7\u00e3o da identidade e a luta de classes \u2013, demonstrando como, no tempo presente, estas quest\u00f5es continuam a ser decisivas na luta por um sistema-mundo mais justo e solid\u00e1rio.<\/p>\n<p>Frantz Fanon nasceu na Martinica, em 1925, e morreu de leucemia, demasiado novo, em 1961. Em 1952, j\u00e1 m\u00e9dico e psiquiatra, publicou o seu primeiro livro,\u00a0<em>Peau noire, masques blancs<\/em>\u00a0[<em>Pele negra m\u00e1scaras brancas<\/em>, EdUFBA]. Trata-se de uma obra not\u00e1vel, que teve algum impacto nos c\u00edrculos intelectuais da Fran\u00e7a da altura. Era um\u00a0<em>cri de coeur<\/em>\u00a0apaixonado a exprimir a sua \u201cexperi\u00eancia de um homem negro mergulhado num mundo branco\u201d, palavras que Francis Jeanson, autor do pref\u00e1cio, usou para sintetizar o tema do livro.<\/p>\n<p>Fanon diz na introdu\u00e7\u00e3o que superar a aliena\u00e7\u00e3o do homem negro exigiria mais do que era proporcionado por Freud. Freud tinha defendido a necessidade de passar de uma explica\u00e7\u00e3o filogen\u00e9tica a uma explica\u00e7\u00e3o ontogen\u00e9tica, mas, de acordo com Fanon, o que era necess\u00e1rio era uma explica\u00e7\u00e3o sociog\u00e9nica, mesmo se reconhecia as limita\u00e7\u00f5es deste tipo de explica\u00e7\u00e3o, recordando ao leitor: \u201cperten\u00e7o irredutivelmente \u00e0 minha \u00e9poca\u201d (Fanon, 1971: 10). A \u00e9poca de Fanon eram os anos 1950.<\/p>\n<p>O livro teve uma segunda vida em ingl\u00eas trinta anos depois, altura em que se transformou num texto central do c\u00e2none p\u00f3s-moderno. Mas ele n\u00e3o era de modo nenhum um apelo a uma pol\u00edtica de identidade. Muito pelo contr\u00e1rio. Na p\u00e1gina final do livro o autor faz uma declara\u00e7\u00e3o muito clara das raz\u00f5es por que n\u00e3o deve seguir-se pol\u00edtica: \u201cA desgra\u00e7a do homem de cor \u00e9 ter sido escravizado. A desgra\u00e7a e a inumanidade do branco s\u00e3o ter morto o ser humano algures. S\u00e3o, ainda hoje, o facto de organizar racionalmente esta desumaniza\u00e7\u00e3o. Mas eu, o homem de cor, na medida em que se me torna imposs\u00edvel existir absolutamente, n\u00e3o tenho o direito de me acantonar num mundo de repara\u00e7\u00f5es retroactivas. Eu, o homem de cor, quero apenas uma coisa: Que jamais o instrumento domine o ser humano. Que cesse para sempre a subjuga\u00e7\u00e3o do homem pelo homem. Quer dizer, de mim por um outro. Que me seja permitido descobrir e querer o ser humano onde quer que ele se encontre. O negro n\u00e3o existe. Tal como o branco n\u00e3o existe\u201d (Fanon, 1971: 187).<\/p>\n<p>Em Fran\u00e7a, onde o autor vivia na \u00e9poca, os anos 1950 foram dominados pela guerra de independ\u00eancia da Arg\u00e9lia, que come\u00e7ou em 1954 e terminou em 1962, um ano ap\u00f3s a morte de Fanon. Em 1953, ele foi nomeado diretor de servi\u00e7o de psiquiatria no hospital de Blida, na Arg\u00e9lia. N\u00e3o tardou a sentir-se revoltado com as hist\u00f3rias de torturas que os seus doentes argelinos lhe contavam. Sendo j\u00e1 um simpatizante da causa argelina, demitiu-se do seu lugar e foi para a Tun\u00edsia para trabalhar em tempo integral para o\u00a0<em>Gouvernement Provisoire de la R\u00e9volution Alg\u00e9rienne<\/em>\u00a0(GPRA).<\/p>\n<p>Escreveu in\u00fameros textos para\u00a0<em>El Moudjahid<\/em>, o jornal oficial da revolu\u00e7\u00e3o. Em 1960, o GPRA enviou-o como embaixador para o Gana, que, naqueles anos, era o centro efetivo do movimento para a unidade africana. Foi em Accra, no Gana, que me encontrei com ele em 1960 e foi a\u00ed que tivemos longas discuss\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial.<\/p>\n<p>Fanon adoeceu de leucemia e foi primeiro para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e, depois, para os Estados Unidos para se submeter a tratamentos que se revelaram infrut\u00edferos. Pude conversar com ele no hospital, onde tivemos discuss\u00f5es centradas no movimento dos Panteras Negras que estava a nascer nos Estados Unidos e com o qual ele estava fascinado.<\/p>\n<p>No seu \u00faltimo ano de vida, ele dedicou-se principalmente e com toda a f\u00faria a escrever o livro que foi publicado postumamente como\u00a0<em>Les damn\u00e9s de la terre<\/em>\u00a0[<em>Os condenados da Terra<\/em>, Ed. UFJF]. O livro traz um pref\u00e1cio famoso da autoria de Jean-Paul Sartre, que Fanon achava brilhante. O t\u00edtulo, evidentemente, era tirado do primeiro verso da Internacional, o hino do movimento oper\u00e1rio mundial.<\/p>\n<p>Foi este livro, e n\u00e3o o primeiro, que granjeou a Fanon uma reputa\u00e7\u00e3o mundial, incluindo, \u00e9 claro, nos Estados Unidos. O livro tornou-se quase uma b\u00edblia para todos os que estavam envolvidos nos muitos e diversos movimentos que culminaram na revolu\u00e7\u00e3o mundial de 1968. Depois de as labaredas de 1968 se terem extinguido, a obra de Fanon retirou-se para um canto menos turbulento. E, no final dos anos oitenta, os v\u00e1rios movimentos identit\u00e1rios e p\u00f3s-coloniais descobriram o primeiro livro, a que prodigalizaram a sua aten\u00e7\u00e3o, em grande parte sem entenderem o que Fanon queria dizer com ele. Fosse o que fosse que Fanon era, ele n\u00e3o era um p\u00f3s-modernista. Em vez disso, podia ser caracterizado como tendo uma parte de freudiano marxista, uma parte de marxista freudiano e, no fundamental, como estando inteiramente empenhado em movimentos revolucion\u00e1rios de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00faltima frase de\u00a0<em>Peau noire, masques blancs<\/em>\u00a0\u00e9 a seguinte: \u201cA minha \u00faltima prece: \u00f3 meu corpo, faz de mim sempre um homem que interroga!\u201d (Fanon: 1971: 188). \u00c9 neste esp\u00edrito de interroga\u00e7\u00e3o que apresento as minhas reflex\u00f5es sobre a utilidade do pensamento de Fanon para o s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p><strong>Ler Fanon no s\u00e9culo XXI<\/strong><\/p>\n<p>Ao reler os seus livros, h\u00e1 duas coisas que me chamam a aten\u00e7\u00e3o: a primeira \u00e9 a medida em que fazem declara\u00e7\u00f5es muito altissonantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais Fanon parece muito seguro, sobretudo quando est\u00e1 a ser cr\u00edtico no tocante a outros. A segunda \u00e9 que estas declara\u00e7\u00f5es s\u00e3o normalmente seguidas, por vezes muitas p\u00e1ginas adiante, pela formula\u00e7\u00e3o por Fanon das suas incertezas sobre a melhor maneira de continuar, sobre o modo como se pode conseguir o que tem de conseguir-se.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m me chama a aten\u00e7\u00e3o, como chamou a Sartre, o grau em que estes livros n\u00e3o se dirigem de modo nenhum aos poderosos do mundo, mas antes aos \u201ccondenados da terra\u201d, uma categoria que, para o autor, \u00e9 largamente coincidente com \u201cas pessoas de cor\u201d. Fanon est\u00e1 sempre enfurecido com os poderosos, que s\u00e3o, ao mesmo tempo, cru\u00e9is e condescendentes. Mas est\u00e1 ainda mais enfurecido com as pessoas de cor cujo comportamento e atitudes contribuem para manter o mundo de desigualdades e de humilha\u00e7\u00e3o e que, muitas vezes, se comportam assim apenas para obter umas migalhas para si pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Irei organizar as minhas reflex\u00f5es em torno do que julgo serem tr\u00eas dilemas para Fanon: o uso da viol\u00eancia, a afirma\u00e7\u00e3o da identidade e a luta de classes. O que deu a\u00a0<em>Les damn\u00e9s de la terre<\/em>\u00a0tanta for\u00e7a e atraiu tanta aten\u00e7\u00e3o \u2013 admirativa e condenat\u00f3ria \u2013 foi o primeiro per\u00edodo do ensaio inicial, \u201cDa viol\u00eancia\u201d: \u201cLiberta\u00e7\u00e3o nacional, renascimento nacional, restitui\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o ao povo,\u00a0<em>Commonwealth<\/em>, sejam quais forem as cifras utilizadas ou as f\u00f3rmulas novas que s\u00e3o introduzidas, a descoloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre um fen\u00f4meno violento\u201d. (Fanon, 2002: 39)<\/p>\n<p>Imediatamente, e de modo quase inevit\u00e1vel, o leitor pergunta a si pr\u00f3prio se esta \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica ou uma recomenda\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. E, evidentemente, a resposta pode ser que a ideia \u00e9 que seja ambas as coisas. Talvez o pr\u00f3prio Fanon n\u00e3o esteja certo quanto a qual dos dois sentidos tem prioridade. E talvez isto, para ele, n\u00e3o importe. A rea\u00e7\u00e3o dos leitores a este amb\u00edguo per\u00edodo inicial \u00e9, sem d\u00favida, mais fun\u00e7\u00e3o da psique do leitor do que da do autor.<\/p>\n<p>A ideia de que uma transforma\u00e7\u00e3o social fundamental n\u00e3o ocorre nunca sem viol\u00eancia n\u00e3o era nova. Fazia parte das tradi\u00e7\u00f5es emancipat\u00f3rias radicais do s\u00e9culo XIX. Todas elas acreditavam que os privilegiados nunca cedem poder real de bom grado e\/ou voluntariamente; o poder \u00e9-lhes sempre arrancado. Esta cren\u00e7a constitu\u00eda uma ampla parte daquilo que definia a diferen\u00e7a que se julgava existir entre uma via \u201creformista\u201d e uma via \u201crevolucion\u00e1ria\u201d de transforma\u00e7\u00e3o social. O problema \u00e9 que, justamente no per\u00edodo p\u00f3s-1945, a utilidade da distin\u00e7\u00e3o entre \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d e \u201creforma\u201d estava a diluir-se \u2013 a diluir-se entre os pr\u00f3prios militantes dos movimentos mais impacientes, irados e intransigentes. E, em consequ\u00eancia, o uso da viol\u00eancia, n\u00e3o como an\u00e1lise sociol\u00f3gica, mas como recomenda\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, estava a tornar-se problem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Se os movimentos \u201crevolucion\u00e1rios\u201d, uma vez na posse do poder de Estado, pareciam levar a cabo muito menos transforma\u00e7\u00f5es do que haviam prometido, n\u00e3o era menos verdade que os movimentos \u201creformistas\u201d, uma vez no poder, n\u00e3o faziam muito melhor. Da\u00ed a ambival\u00eancia a respeito da recomenda\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Os nacionalistas argelinos tinham vivido os seus pr\u00f3prios ciclos biogr\u00e1ficos. Ferhat Abbas, o primeiro presidente do GPRA, tinha passado os primeiros trinta anos da sua vida pol\u00edtica como reformista, acabando por admitir que ele e o seu movimento n\u00e3o tinham chegado a lado nenhum. Chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que a insurrei\u00e7\u00e3o violenta era a \u00fanica t\u00e1ctica que fazia sentido se a Arg\u00e9lia n\u00e3o queria continuar a ser uma col\u00f4nia para sempre, uma col\u00f4nia \u201cescravizada\u201d.<\/p>\n<p>Fanon parece estar a defender essencialmente tr\u00eas teses sobre a viol\u00eancia como t\u00e1ctica pol\u00edtica. Em primeiro lugar, no mundo colonial \u201cmanique\u00edsta\u201d, a fonte original da viol\u00eancia encontra-se nos recorrentes atos violentos do colonizador: \u201cAquele a quem disseram constantemente que ele s\u00f3 compreendia a linguagem da for\u00e7a decide exprimir-se pela for\u00e7a. Na verdade, desde sempre o colono lhe apontou o caminho que deveria ser o seu, se quisesse libertar-se. O argumento escolhido pelo colonizado foi-lhe indicado pelo colono e, numa reviravolta ir\u00f4nica das coisas, \u00e9 o colonizado que, agora, afirma que o colonizador s\u00f3 compreende a for\u00e7a\u201d (Fanon, 2002: 81).<\/p>\n<p>A segunda tese \u00e9 que esta viol\u00eancia transforma a psicologia social, a cultura pol\u00edtica, daqueles que foram colonizados. \u201cMas acontece que, para o povo colonizado, esta viol\u00eancia, pelo fato de constituir o seu \u00fanico trabalho, reveste caracter\u00edsticas positivas, formadoras. Esta pr\u00e1xis violenta \u00e9 totalizante, uma vez que cada um se transforma em elo violento da grande cadeia, do grande organismo violento que surge como rea\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia primeira do colonialista. Os grupos reconhecem-se entre si e a na\u00e7\u00e3o futura \u00e9 j\u00e1 indivisa. A luta armada mobiliza o povo, isto \u00e9, lan\u00e7a-o numa s\u00f3 dire\u00e7\u00e3o de sentido \u00fanico\u201d (Fanon, 2002: 89-90).<\/p>\n<p>A terceira tese, contudo, est\u00e1 no resto da obra e parece contradizer o tom extremamente otimista da segunda tese, o caminho aparentemente irrevers\u00edvel para a liberta\u00e7\u00e3o nacional, a liberta\u00e7\u00e3o humana. Na verdade, o segundo cap\u00edtulo da obra intitula-se \u201cGrandeza e fraqueza da espontaneidade\u201d e o terceiro cap\u00edtulo tem por t\u00edtulo \u201cPercal\u00e7os da consci\u00eancia nacional\u201d. Estes cap\u00edtulos s\u00e3o particularmente fascinantes \u00e0 luz do primeiro cap\u00edtulo sobre a viol\u00eancia, escritos como foram durante a guerra de liberta\u00e7\u00e3o da Arg\u00e9lia que estava a decorrer.<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo dois \u00e9 uma cr\u00edtica generalizada dos movimentos nacionalistas, cujo \u201cv\u00edcio cong\u00eanito\u201d, diz Fanon, \u201c\u00e9 dirigir-se prioritariamente aos elementos mais conscientes: o proletariado das cidades, os artes\u00e3os e os funcion\u00e1rios, quer dizer, uma \u00ednfima parte da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o representa muito mais de um por cento [\u2026] Os partidos nacionalistas nutrem, na imensa maioria, uma grande desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s massas rurais. [\u2026] Os elementos ocidentalizados nutrem, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s massas camponesas, sentimentos que fazem lembrar os que encontramos no seio do proletariado dos pa\u00edses industrializados\u201d (Fanon, 2002: 108\u2011110).<\/p>\n<p>Este v\u00edcio cong\u00eanito \u00e9, precisamente, o que os impede de serem movimentos revolucion\u00e1rios, que n\u00e3o podem basear-se no proletariado ocidentalizado, mas sim no campesinato rec\u00e9m-urbanizado e desenraizado: \u201c\u00c9 nesta massa, \u00e9 neste povo dos bairros de lata, no seio do lumpenproletariado, que a insurrei\u00e7\u00e3o vai encontrar a sua ponta de lan\u00e7a urbana. O lumpenproletariado, esta legi\u00e3o de esfomeados destribalizados, afastados do seu cl\u00e3, constitui uma das for\u00e7as mais espont\u00e2nea e radicalmente revolucion\u00e1rias de um povo colonizado\u201d (Fanon, 2002: 125).<\/p>\n<p>Fanon estava aqui obviamente influenciado pela batalha de Argel e pelo papel que esta desempenhou na revolu\u00e7\u00e3o argelina. Ele passa deste hino ao lumpenproletariado destribalizado a uma an\u00e1lise da natureza dos movimentos nacionalistas uma vez chegados ao poder. \u00c9 ferino e implac\u00e1vel e denuncia esses movimentos numa das mais famosas frases do seu livro: \u201cO partido \u00fanico \u00e9 a forma moderna da ditadura burguesa sem m\u00e1scara, sem disfarce, sem escr\u00fapulos, c\u00ednica\u201d (Fanon, 2002: 159). E diz o seguinte destes movimentos nacionalistas no poder em Estados de partido \u00fanico: \u201cAs raz\u00f5es para combater a burguesia dos pa\u00edses subdesenvolvidos n\u00e3o consistem no risco de ela travar o desenvolvimento global e harmonioso da na\u00e7\u00e3o. H\u00e1 que lhe fazer uma oposi\u00e7\u00e3o resoluta porque, literalmente, ela n\u00e3o serve para nada\u201d (Fanon, 2002: 168-169).<\/p>\n<p>E, partindo daqui, Fanon passa para uma den\u00fancia pura e simples do nacionalismo: \u201cO nacionalismo n\u00e3o \u00e9 uma doutrina pol\u00edtica, n\u00e3o \u00e9 um programa. Se se quer verdadeiramente evitar ao seu pa\u00eds estes retrocessos, estas paragens, estas falhas, \u00e9 preciso passar rapidamente da consci\u00eancia nacional \u00e0 consci\u00eancia pol\u00edtica e social. [\u2026] Uma burguesia que d\u00e1 \u00e0s massas o \u00fanico alimento do nacionalismo fracassa na sua miss\u00e3o e sujeita\u2011se necessariamente a uma s\u00e9rie de percal\u00e7os\u201d (Fanon, 2002: 192-193).<\/p>\n<p>O movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional da Arg\u00e9lia, a\u00a0<em>Front de Lib\u00e9ration Nationale<\/em>\u00a0(FLN), ainda n\u00e3o estava no poder. Fanon n\u00e3o estava ainda a critic\u00e1-la. Nunca saberemos o que poderia ter escrito dois anos depois, dez anos depois, podemos quando muito deduzi-lo.<\/p>\n<p><strong>A afirma\u00e7\u00e3o da identidade<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 chegado a este ponto que Fanon se vira para quest\u00f5es de identidade, o meu segundo tema. Ele inicia a discuss\u00e3o dizendo que, como \u00e9 evidente, gabar antigas civiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o d\u00e1 de comer a ningu\u00e9m nos dias de hoje. Mas isso serve o prop\u00f3sito leg\u00edtimo de tomar dist\u00e2ncias relativamente \u00e0 cultura ocidental. A racializa\u00e7\u00e3o da cultura foi, inicialmente, da responsabilidade dos colonizadores brancos: \u201c\u00c9 bem verdade que os grandes respons\u00e1veis por esta racializa\u00e7\u00e3o do pensamento [\u2026] s\u00e3o e continuam a ser os europeus, que nunca cessaram de opor a cultura branca \u00e0s outras inculturas [\u2026]. O conceito de negritude, por exemplo, era a ant\u00edtese afetiva, ou mesmo l\u00f3gica, deste insulto que o homem branco lan\u00e7ava \u00e0 humanidade\u201d (Fanon, 2002: 202-203).<\/p>\n<p>Mas, diz Fanon: \u201cEsta obriga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de racializar as suas reivindica\u00e7\u00f5es em que se encontraram os homens de cultura africanos [\u2026] vai conduzi-los a um impasse\u201d (Fanon, 2002: 204).<\/p>\n<p>Na sua comunica\u00e7\u00e3o de 1959 ao II Congresso dos Escritores e Artistas Negros, reproduzido como cap\u00edtulo 4, \u201cSobre a cultura nacional\u201d, Fanon \u00e9 muito critico de qualquer tentativa de afirmar uma identidade cultural que seja independente da luta pol\u00edtica pela liberta\u00e7\u00e3o nacional ou n\u00e3o esteja inserida nela. \u201cImaginar que se ir\u00e1 fazer cultura negra \u00e9 esquecer estranhamente que os negros est\u00e3o em vias de desaparecer [\u2026]. N\u00e3o haver\u00e1 cultura negra, porque a nenhum homem pol\u00edtico passa pela cabe\u00e7a ter a voca\u00e7\u00e3o de fazer nascer rep\u00fablicas negras. O problema \u00e9 saber o lugar que estes homens t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de reservar ao seu povo, o tipo de rela\u00e7\u00f5es sociais que decidem instaurar, a concep\u00e7\u00e3o que t\u00eam do futuro da humanidade. \u00c9 isso que conta. Tudo o resto \u00e9 literatura e mistifica\u00e7\u00e3o\u201d (Fanon, 2002: 222-223).<\/p>\n<p>A sua tirada final est\u00e1 nos ant\u00edpodas de uma pol\u00edtica de identidade. \u201cSe o homem \u00e9 aquilo que faz, ent\u00e3o diremos que a coisa hoje mais urgente para o intelectual africano \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da sua na\u00e7\u00e3o. Se esta constru\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira, quer dizer, se ela traduz o querer manifesto do povo, se ela revela os povos africanos na sua impaci\u00eancia, ent\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 necessariamente acompanhada pela descoberta e a promo\u00e7\u00e3o de valores universalizantes. Longe, portanto, de se afastar das outras na\u00e7\u00f5es, \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o nacional que faz com que a na\u00e7\u00e3o esteja presente na cena hist\u00f3rica. \u00c9 no cerne da consci\u00eancia nacional que a consci\u00eancia internacional se eleva e se vivifica. E este duplo emergir n\u00e3o \u00e9, em definitivo, sen\u00e3o a ess\u00eancia de toda a cultura\u201d (Fanon, 2002: 235).<\/p>\n<p>Mas depois, na sua Conclus\u00e3o, como se tivesse exagerado na insuficiente afirma\u00e7\u00e3o dos m\u00e9ritos de uma via diferente para a \u00c1frica, uma via n\u00e3o-europeia, Fanon aponta o exemplo dos Estados Unidos, que tinham tomado por objetivo porem-se a par da Europa e tinham sido t\u00e3o bem sucedidos que \u201cse transformaram num monstro em que as taras, as doen\u00e7as e a inumanidade da Europa atingiram dimens\u00f5es aterradoras\u201d (Fanon, 2002: 302).<\/p>\n<p>Para Fanon, assim, \u201ca \u00c1frica n\u00e3o deve tentar \u201cp\u00f4r-se a par\u201d da Europa, tornar-se uma terceira Europa. Muito pelo contr\u00e1rio: A humanidade espera de n\u00f3s uma coisa diferente desta imita\u00e7\u00e3o caricatural e, no conjunto, obscena. Se queremos transformar a \u00c1frica numa nova Europa, a Am\u00e9rica numa nova Europa, ent\u00e3o confiemos aos Europeus os destinos dos nossos pa\u00edses. Eles saber\u00e3o fazer melhor do que os mais dotados de n\u00f3s. Mas se queremos que a humanidade suba mais um elo, se queremos lev\u00e1-la a atingir um n\u00edvel diferente daquele em que a Europa a deu ao manifesto, ent\u00e3o \u00e9 preciso inventar, \u00e9 preciso descobrir. [\u2026] Pela Europa, por n\u00f3s pr\u00f3prios e pela humanidade, \u00e9 preciso mudar de procedimentos, desenvolver um pensamento novo, tentar p\u00f4r de p\u00e9 um homem novo\u201d (Fanon, 2002: 304\u2011305).<\/p>\n<p>No percurso sinuoso de Fanon, em ambas as obras, em torno da quest\u00e3o da identidade cultural, da identidade nacional, encontramos o dilema fundamental que assolou todo o pensamento antissist\u00e9mico no \u00faltimo meio s\u00e9culo e, provavelmente, assolar\u00e1 tamb\u00e9m o meio s\u00e9culo seguinte. A rejei\u00e7\u00e3o do universalismo europeu \u00e9 fundamental para a rejei\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio paneuropeu e da sua ret\u00f3rica do poder na estrutura do sistema-mundo moderno, aquilo que An\u00edbal Quijano designou por \u201ccolonialidade do poder\u201d. Mas, ao mesm\u00edssimo tempo, todos aqueles que se comprometeram na luta por um mundo igualit\u00e1rio, naquilo a que pode chamar-se a aspira\u00e7\u00e3o socialista hist\u00f3rica, est\u00e3o muito conscientes do que Fanon designou por os \u201cpercal\u00e7os da consci\u00eancia nacional\u201d. Por isso, o seu percurso \u00e9 sinuoso. O percurso de todos n\u00f3s \u00e9 sinuoso. E continuar\u00e1 a s\u00ea-lo. Porque fazer um percurso sinuoso \u00e9 a \u00fanica forma de permanecer mais ou menos no caminho para um futuro em que, nas palavras de Fanon, \u201ca humanidade sobe mais um elo\u201d.<\/p>\n<p><strong>A luta de classes<\/strong><\/p>\n<p>E isto traz-nos ent\u00e3o ao terceiro tema, a luta de classes. A luta de classes nunca \u00e9 discutida de modo central enquanto tal em nenhum lugar das obras de Fanon. E, contudo, ela \u00e9 central para a sua vis\u00e3o do mundo e as suas an\u00e1lises. \u00c9 que, evidentemente, Fanon foi educado numa cultura marxista \u2013 na Martinica, em Fran\u00e7a, na Arg\u00e9lia. A linguagem que ele conhecia e a de todos com que trabalhava estava impregnada de premissas e de um vocabul\u00e1rio marxistas. Mas, ao mesmo tempo, Fanon e aqueles com quem trabalhava tinham-se rebelado, vigorosamente, contra o marxismo fossilizado dos movimentos comunistas da sua \u00e9poca. O livro de Aim\u00e9 C\u00e9saire,\u00a0<em>Discours sur le colonialisme<\/em>, ficou como a express\u00e3o cl\u00e1ssica das raz\u00f5es pelas quais os intelectuais do mundo colonial (e, evidentemente, n\u00e3o apenas eles) abandonaram o seu engajamento nos partidos comunistas e afirmaram uma vers\u00e3o revista da luta de classes.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o chave dos debates sobre a luta de classes \u00e9 a quest\u00e3o de saber quais s\u00e3o as classes que est\u00e3o em luta. Durante muito tempo, o debate foi dominado pelas categorias do marxismo dos partidos \u2013 o Partido Socialdemocr\u00e1tico Alem\u00e3o e o Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. A tese basilar era que, no mundo capitalista moderno, as duas classes que estavam empenhadas numa luta fundamental e dominavam a cena eram a burguesia industrial urbana e o proletariado industrial urbano. Todos os outros agrupamentos eram res\u00edduos de estruturas mortas ou moribundas e estavam destinados a desaparecer, \u00e0 medida que todos se iam fundindo, se iam definindo como burgueses e prolet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Na altura em que Fanon estava a escrever, havia relativamente pouca gente a considerar isto uma s\u00edntese adequada ou mesmo fidedigna da situa\u00e7\u00e3o real. Por um lado, o proletariado industrial urbano n\u00e3o apenas n\u00e3o estava sequer perto de se tornar a maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial como, em geral, n\u00e3o parecia ser um grupo que n\u00e3o tivesse nada a perder a n\u00e3o ser as suas cadeias. Em resultado, a maioria dos movimentos e dos intelectuais estava \u00e0 procura de um enquadramento diferente da luta de classes, um enquadramento mais bem ajustado enquanto an\u00e1lise sociol\u00f3gica e mais \u00fatil enquanto base de uma pol\u00edtica radical. Havia muitas propostas de novos candidatos a sujeito hist\u00f3rico capaz de ser a ponta de lan\u00e7a da atividade revolucion\u00e1ria. Fanon julgava t\u00ea-lo localizado no lumpen proletariado destribalizado e urbanizado. Mas admitiu as suas d\u00favidas quando delineou as \u201cfraquezas da espontaneidade\u201d.<\/p>\n<p>No fim e ao cabo, o que nos resta de Fanon \u00e9 mais do que paix\u00e3o e mais do que um projeto de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Temos um retrato brilhante dos nossos dilemas coletivos. Sem viol\u00eancia, n\u00e3o podemos conseguir nada. Mas a viol\u00eancia, por mais terap\u00eautica e eficaz que seja, n\u00e3o resolve nada. Sem rompermos com a domina\u00e7\u00e3o pela cultura paneuropeia, n\u00e3o seremos capazes de ir em frente. Mas a afirma\u00e7\u00e3o pertinaz da nossa particularidade \u00e9 absurda e conduz inevitavelmente a \u201cpercal\u00e7os\u201d. A luta de classes \u00e9 central, desde que saibamos quais s\u00e3o as classes que est\u00e3o realmente em luta. Mas as classes lumpen, por si s\u00f3s, sem uma estrutura organizativa, exaurem-se.<\/p>\n<p>Encontramo-nos, como Fanon esperava, na longa transi\u00e7\u00e3o do nosso sistema-mundo capitalista existente para outra coisa. Trata-se de uma luta cujo desfecho \u00e9 completamente incerto. Fanon poder\u00e1 n\u00e3o ter dito isso, mas as suas obras d\u00e3o testemunho de que ele o pressentiu. A possibilidade de sairmos coletivamente desta luta e acabarmos num sistema-mundo melhor do que o que temos agora depende em larga medida da nossa capacidade para enfrentar os tr\u00eas dilemas discutidos por Fanon. Enfrentar estes dilemas e lidar com eles de um modo que seja, ao mesmo tempo, inteligente no plano anal\u00edtico, moralmente empenhado na \u201c<em>d\u00e9sali\u00e9nation<\/em>\u201d por que Fanon lutou e politicamente adequado \u00e0s realidades com que temos de confrontar-nos.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria:<br \/>\n(https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/por-que-ler-frantz-fannon-no-seculo-xxi\/)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Immanuel Wallerstein &#8211; Discute-se a atualidade do pensamento de Frantz Fanon, em torno de tr\u00eas eixos principais que constituem outros tantos dilemas \u2013 o uso da viol\u00eancia, a afirma\u00e7\u00e3o da identidade e a luta de classes \u2013, demonstrando como, no tempo presente, estas quest\u00f5es continuam a ser decisivas na luta por um sistema-mundo mais justo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14082,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[23],"class_list":["post-14081","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teoria","tag-personalidade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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