{"id":13795,"date":"2020-07-18T16:36:51","date_gmt":"2020-07-18T19:36:51","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=13795"},"modified":"2020-07-17T17:40:29","modified_gmt":"2020-07-17T20:40:29","slug":"outra-origem-das-especies","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/07\/18\/outra-origem-das-especies\/","title":{"rendered":"Outra origem das esp\u00e9cies"},"content":{"rendered":"<p><strong>L\u00e9o Ramos Chaves, Miguel Boyayan e Eduardo Cesar<\/strong> &#8211; Varia\u00e7\u00e3o da largura das margens alag\u00e1veis dos rios contribuiu para a diversifica\u00e7\u00e3o de animais e plantas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas a largura dos rios da Amaz\u00f4nia \u2013 que podem chegar a 20 quil\u00f4metros (km) de margem a margem e formam uma barreira respeit\u00e1vel para muitos grupos de animais e plantas \u2013 mas tamb\u00e9m suas margens alag\u00e1veis favoreceram o isolamento de popula\u00e7\u00f5es de animais e plantas e, desse modo, a forma\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies. De acordo com estudos recentes de pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos, da Finl\u00e2ndia e do Reino Unido, a Amaz\u00f4nia emerge como a fonte \u2013 ou, em uma linguagem mais informal, a m\u00e3e \u2013 das esp\u00e9cies de animais e plantas hoje t\u00edpicas dos outros ambientes naturais da Am\u00e9rica do Sul, desde as matas encorpadas do cerrad\u00e3o, na regi\u00e3o central do Brasil, at\u00e9 as terras \u00e1ridas do norte da Argentina.<\/p>\n<p>Um artigo publicado na revista <em>Science Advances<\/em> em mar\u00e7o deste ano apresentou as plan\u00edcies alag\u00e1veis \u00e0s margens dos rios \u2013 as v\u00e1rzeas \u2013 como um mecanismo gerador de biodiversidade na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Formados com sedimentos que vieram dos Andes, do Planalto Central, na regi\u00e3o central do Brasil, e do planalto das Guianas, ao norte, esses tapetes de areia fina coberta por lama ocupam uma \u00e1rea de cerca de 300 mil km<sup>2<\/sup>, com 10 mil km de extens\u00e3o \u2013 boa parte conectada.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00edvel do oceano ficou mais de 100 metros\u00a0abaixo do atual no \u00e1pice da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o, entre 25 mil e 15 mil anos atr\u00e1s, e as chuvas mais intensas durante milhares de anos aumentou a for\u00e7a de drenagem do rio Amazonas, que carregava os sedimentos para o mar em vez de deposit\u00e1-los no vale do rio\u201d, diz o ge\u00f3logo Andr\u00e9 Oliveira Sawakuchi, do Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), coautor do artigo na <em>Science Advances<\/em>. \u201cNessas condi\u00e7\u00f5es as v\u00e1rzeas provavelmente desapareciam de alguns trechos, formando barreiras que isolavam as popula\u00e7\u00f5es de v\u00e1rzeas rio acima e rio abaixo.\u201d<\/p>\n<p>O isolamento geogr\u00e1fico de popula\u00e7\u00f5es de animais ou plantas pode gerar novas esp\u00e9cies por causa do ac\u00famulo de mudan\u00e7as gen\u00e9ticas aleat\u00f3rias \u2013 as muta\u00e7\u00f5es. Com o tempo, elas podem ser eliminadas ou preservadas por meio da sele\u00e7\u00e3o natural, originando organismos diferentes o suficiente para se comportarem como esp\u00e9cies diferentes.<\/p>\n<p><strong>Os efeitos da chuva<\/strong><br \/>\nDurante a esta\u00e7\u00e3o seca, Sawakuchi explica, os sedimentos que formam as v\u00e1rzeas permanecem fora da \u00e1gua e s\u00e3o ocupados pela vegeta\u00e7\u00e3o. Ao crescerem, as plantas podem formar uma floresta alag\u00e1vel, coberta pelo rio durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa. \u201cAs florestas alag\u00e1veis podem se expandir ou encolher, porque os rios podem acumular sedimentos nos vales ou lev\u00e1-los para o oceano\u201d, diz o ge\u00f3logo. \u201cSe a vaz\u00e3o aumenta com a chuva, o rio transporta o sedimento para o oceano e as florestas alag\u00e1veis podem encolher ou at\u00e9 desaparecer de alguns trechos do rio. Elas tamb\u00e9m ficar\u00e3o fragmentadas, impedindo o contato entre popula\u00e7\u00f5es de animais e plantas que ficaram rio acima e as que ficaram rio abaixo do trecho onde a floresta alag\u00e1vel foi destru\u00edda.\u201d Segundo ele, se permanecerem isoladas durante dezenas a centenas de milhares de anos, as popula\u00e7\u00f5es isoladas poder\u00e3o evoluir para novas esp\u00e9cies, que entrar\u00e3o em contato quando a floresta alag\u00e1vel se expandir novamente, aumentado a diversidade biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>As florestas alag\u00e1veis tamb\u00e9m podem originar\u00a0esp\u00e9cies nas florestas de terra firme, que n\u00e3o s\u00e3o inundadas durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa. Nesse caso, de acordo com o pesquisador, rios com \u00e1reas alag\u00e1veis muito largas podem ser barreiras para popula\u00e7\u00f5es de animais que vivem em margens opostas e favorecer a forma\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies. Quando as florestas alag\u00e1veis diminuem, o rio deixa de ser uma barreira e as esp\u00e9cies de um lado do rio podem se misturar com as do outro lado, aumentando a diversidade do ambiente de terra firme.<\/p>\n<p>\u201cTanto a expans\u00e3o quanto a retra\u00e7\u00e3o das florestas alag\u00e1veis podem gerar novas esp\u00e9cies, adaptadas a florestas alag\u00e1veis\u00a0ou de terra firme\u201d, comenta Sawakuchi. \u201cNo tempo milenar, o grande motor da expans\u00e3o ou diminui\u00e7\u00e3o das florestas alag\u00e1veis \u00e9 a chuva, que escoa e carrega sedimentos para os vales dos rios, principalmente a que cai em \u00e1reas montanhosas como os Andes, onde a produ\u00e7\u00e3o de sedimento \u00e9 maior.\u201d<\/p>\n<p>O desaparecimento e posterior reaparecimento das v\u00e1rzeas sustenta as descobertas do ornit\u00f3logo brasileiro Gregory Thom e Silva, pesquisador do Museu de Hist\u00f3ria Natural de Nova York e principal autor do artigo. \u201cAs popula\u00e7\u00f5es atuais de choca-selada [<em>Thamnophilus cryptoleucus<\/em>], um p\u00e1ssaro com 18 cent\u00edmetros e plumagem negra, e outras aves apresentam um padr\u00e3o gen\u00e9tico distinto, como se ainda houvesse uma barreira geogr\u00e1fica separando as popula\u00e7\u00f5es dos rios Solim\u00f5es, Madeira, Tapaj\u00f3s, Negro e Amazonas.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_344574\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"max-width: 1150px;\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-2-1140.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-344574 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-2-1140.jpg?resize=640%2C428&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-2-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-2-1140-250x167.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-2-1140-700x469.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-2-1140-120x80.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"428\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-2-1140.jpg\"><span class=\"media-credits-inline\">L\u00e9o Ramos Chaves<\/span><\/a> A expans\u00e3o e a retra\u00e7\u00e3o das florestas alag\u00e1veis, em consequ\u00eancia das chuvas, podem gerar novas esp\u00e9cies de plantas e animais<span class=\"media-credits\">L\u00e9o Ramos Chaves<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>Nas \u00faltimas centenas de milhares de anos essa barreira teria se formado e se desfeito diversas vezes, fazendo com que surgissem popula\u00e7\u00f5es diferenciadas geneticamente, que seguiram caminhos evolutivos pr\u00f3prios. \u201cAs popula\u00e7\u00f5es do rio Solim\u00f5es ficaram isoladas e se diferenciaram das outras em tr\u00eas momentos diferentes: h\u00e1 108 mil, 190 mil e 226 mil anos\u201d, comenta Silva. O isolamento geogr\u00e1fico originou a choca-selada, que habita as ilhas fluviais do rio Solim\u00f5es, e sua esp\u00e9cie irm\u00e3 no rio Negro, a choca-preta-e-cinza (<em>T. nigrocinereus<\/em>).<\/p>\n<p>Esse trabalho complementa o de outro coautor, o ornit\u00f3logo brasileiro Alexandre Aleixo, da Universidade de Helsinki, na Finl\u00e2ndia. Uma das esp\u00e9cies que ele estudou, o cantador-estriado (<em>Hypocnemis striata<\/em>)<em>, <\/em>com 12 cent\u00edmetros e cabe\u00e7a preta com estrias brancas ou beges, habita a terra firme das regi\u00f5es sul e sudeste da Amaz\u00f4nia, nos estados do Amazonas, Mato Grosso e Par\u00e1. Essa esp\u00e9cie deve ter se originado de um ancestral por volta de 2 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s cerca de 2 mil km dali, no lado norte da bacia amaz\u00f4nica, no planalto das Guianas ou na serra do Imeri, na fronteira do Brasil com a Venezuela.<\/p>\n<p>\u201cOs ancestrais de <em>H. striata<\/em> se originaram primeiro no oeste, na regi\u00e3o delimitada pelos rios Madeira e Negro, atravessaram o rio Tapaj\u00f3s e ocuparam o sul e o sudeste da Amaz\u00f4nia, dando origem \u00e0 esp\u00e9cie atual h\u00e1 cerca de 500 mil anos\u201d, diz Aleixo, um dos autores de um artigo na <em>Science Advances<\/em> de julho de 2019 que detalha esses resultados.<\/p>\n<p>Os ancestrais dessas aves aos poucos colonizaram ambientes diversos e contornaram as cabeceiras dos grandes afluentes da margem sul do rio Amazonas. Nesse processo, deixaram popula\u00e7\u00f5es pelo caminho. De acordo com os pesquisadores, a marcha da diversifica\u00e7\u00e3o acompanhou a expans\u00e3o da floresta tropical \u00famida rumo ao sul e sudeste, que come\u00e7ou a vicejar com o clima quente e o aumento da umidade. Nessa floresta, os rios serpenteavam no terreno geologicamente inst\u00e1vel e formavam <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/diversificacao-das-aves-amazonicas-dependeu-dos-rios-e-do-clima\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma barreira m\u00f3vel que promovia o surgimento de novas esp\u00e9cies<\/a>. Ao norte, assentados sobre terrenos geologicamente mais est\u00e1veis, os rios se moviam pouco, o que pode explicar por que nessa regi\u00e3o as esp\u00e9cies de plantas e animais n\u00e3o se diversificaram tanto quanto no sul.<\/p>\n<p>As plantas viveram hist\u00f3rias de separa\u00e7\u00e3o semelhantes. Durante um est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado na USP, o engenheiro florestal Alison Nazareno identificou popula\u00e7\u00f5es altamente diferenciadas do arbusto\u00a0<em>Amphirrhox longifolia<\/em>\u00a0e da \u00e1rvore\u00a0<em>Buchenavia oxycarpa\u00a0<\/em>em margens opostas de grandes rios da Amaz\u00f4nia, como detalhado em um artigo de dezembro de 2019 na\u00a0<em>Scientific Reports<\/em>.<\/p>\n<p><strong>A floresta-m\u00e3e<\/strong><br \/>\n\u201cEssas hist\u00f3rias evolutivas fizeram da Amaz\u00f4nia uma grande exportadora de esp\u00e9cies e um palco de grandes inova\u00e7\u00f5es, <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/um-imenso-pomar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">como plantas comest\u00edveis<\/a> e medicinais e grupos de animais totalmente novos\u201d, diz o bot\u00e2nico brasileiro <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/alexandre-antonelli-a-frente-da-ciencia-dos-jardins-reais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alexandre Antonelli, diretor cient\u00edfico do Kew Gardens<\/a>, em Londres. Sob sua coordena\u00e7\u00e3o, uma an\u00e1lise evolutiva de 4.450 esp\u00e9cies de plantas e animais, publicada na revista <em>PNAS<\/em> em junho de 2018, identificou 2.855 que sa\u00edram da Amaz\u00f4nia para outros biomas e 494 que foram para l\u00e1 (<a href=\"#SITE24jun2020_Amazonia\"><em>ver infogr\u00e1fico<\/em><\/a>).<\/p>\n<p>Embora tenha havido trocas de esp\u00e9cies entre os ambientes, \u201ca Amaz\u00f4nia foi a mais generosa doadora de esp\u00e9cies desde a extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros\u201d, avalia Antonelli. \u201cOs biomas brasileiros seriam menos ricos em biodiversidade sem a floresta amaz\u00f4nica\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>Bi\u00f3logos da USP e do Museu de Hist\u00f3ria Natural do Instituto Smithsonian chegaram \u00e0 mesma conclus\u00e3o examinando outros seres alados, as vespas. Com base na an\u00e1lise comparativa de trechos de DNA de 109 das 249 esp\u00e9cies desse grupo, conclu\u00edram que a Amaz\u00f4nia foi a maior fonte de diversidade de vespas \u2013 um processo iniciado h\u00e1 44,9 milh\u00f5es de anos, como detalhado em um artigo publicado este m\u00eas na revista <em>Proceedings of the Royal Society B<\/em>.<\/p>\n<div id=\"attachment_344549\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"max-width: 1150px;\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-0-1140.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-344549 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-0-1140.jpg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-0-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-0-1140-250x141.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-0-1140-700x394.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-0-1140-120x67.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/SITE_AmazoniaBiodiversidade-0-1140.jpg\"><span class=\"media-credits-inline\">Pablo Cerqueira<\/span><\/a> <em>Hypocnemis striata<\/em>, origin\u00e1rio do norte da bacia Amaz\u00f4nica, habita atualmente o sul e sudeste da Amaz\u00f4nia<span class=\"media-credits\">Pablo Cerqueira<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Conex\u00f5es entre a Mata Atl\u00e2ntica e a Amaz\u00f4nia<\/strong><br \/>\nA hist\u00f3ria evolutiva dos cip\u00f3s do g\u00eanero <em>Amphilophium <\/em>exemplifica o fluxo de esp\u00e9cies entre biomas. \u201cHoje, as esp\u00e9cies do g\u00eanero se dividem entre a Amaz\u00f4nia e a Mata Atl\u00e2ntica, mas a genealogia mostra que a popula\u00e7\u00e3o ancestral provavelmente ocupava ambos os biomas e deve ter sido separada por florestas secas do Brasil Central, formando uma barreira natural\u201d, diz a bot\u00e2nica L\u00facia Garcez Lohmann, do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP).<\/p>\n<p>Na Mata Atl\u00e2ntica, esses cip\u00f3s come\u00e7aram a se diversificar 2 milh\u00f5es de anos depois da separa\u00e7\u00e3o, impelidos pela geografia montanhosa que recortava as popula\u00e7\u00f5es originais e promovia a origem de novas esp\u00e9cies, levando \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de 27 esp\u00e9cies de <em>Amphilophium<\/em>. Como detalhado em um trabalho coordenado pelo grupo da USP e publicado na <em>Molecular Phylogenetics and Evolution<\/em> em dezembro de 2018, algumas esp\u00e9cies sa\u00edram da Mata Atl\u00e2ntica e colonizaram o Cerrado, os Andes, a Am\u00e9rica Central, o Caribe e a pr\u00f3pria Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, a prolifera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies foi mais recente. Na regi\u00e3o, o g\u00eanero <em>Amphilophium <\/em>n\u00e3o se diversificou durante 20 milh\u00f5es de anos, per\u00edodo no qual a rede de drenagens era diferente da atual: havia uma \u00e1rea mais alta \u2013 um divisor de \u00e1guas \u2013 na regi\u00e3o central da Amaz\u00f4nia brasileira e os rios corriam do leste para o oeste, no sentido contr\u00e1rio ao rio Solim\u00f5es de hoje.<\/p>\n<p>Com a \u00e1gua dos rios correndo para uma depress\u00e3o no oeste da Amaz\u00f4nia, paralela aos Andes, formou-se uma imensa \u00e1rea alagada chamada Pebas. Segundo Sawakuchi, quando os sedimentos ocuparam a depress\u00e3o e a eros\u00e3o corroeu o divisor de \u00e1guas na Amaz\u00f4nia central, a plan\u00edcie alagada se transformou em terra firme e formou a atual rede de rios que correm do oeste para o leste, conectando os Andes com o Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia dessas mudan\u00e7as na paisagem, o n\u00famero de esp\u00e9cies amaz\u00f4nicas de <em>Amphilophium<\/em> saltou de uma para 20, a maioria das quais permanece na regi\u00e3o. Uma \u00fanica esp\u00e9cie vive nos Andes, originada de um ancestral comum cujas sementes foram levadas pelo vento e l\u00e1 encontraram esp\u00e9cies aparentadas que vieram da Mata Atl\u00e2ntica. Ao longo do tempo, o clima da Amaz\u00f4nia variou, mas se manteve com umidade suficiente para sustentar florestas, mesmo em per\u00edodos glaciais. \u201cA continuidade dos climas mais \u00famidos e a extens\u00e3o da \u00e1rea favoreceram a biodiversidade, assim como as perturba\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas, que formaram ref\u00fagios ou barreiras que isolaram as popula\u00e7\u00f5es, originando novas esp\u00e9cies\u201d, explica Lohmann.<\/p>\n<p><strong>Na Mata Atl\u00e2ntica<\/strong><br \/>\nSete esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros montanos adaptados ao frio, como a catraca (<em>Hemitriccus obsoletus<\/em>), com 11 cent\u00edmetros e cor marrom oliva, viveram na Mata Atl\u00e2ntica um processo semelhante ao das esp\u00e9cies de cip\u00f3s. A maior parte das catracas habita hoje as regi\u00f5es elevadas, acima de 800 metros, da serra Geral, que vai do estado de Santa Catarina at\u00e9 o Uruguai, e a por\u00e7\u00e3o sul da serra do Mar, de S\u00e3o Paulo at\u00e9 o norte do Rio Grande do Norte. Elas n\u00e3o s\u00e3o encontradas nas regi\u00f5es mais baixas na cidade de S\u00e3o Paulo e em seus arredores, mas h\u00e1 uma popula\u00e7\u00e3o reduzida na por\u00e7\u00e3o norte da serra do Mar e na serra da Mantiqueira, nos estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.<\/p>\n<p><a name=\"SITE24jun2020_Amazonia\"><\/a>\u201cAs popula\u00e7\u00f5es do norte e do sul de tr\u00eas das esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros que estudamos t\u00eam identidades gen\u00e9ticas pr\u00f3prias, indicando que est\u00e3o divergindo e talvez sejam ou se tornem novas esp\u00e9cies\u201d, diz o bi\u00f3logo Fabio Raposo do Amaral, do <em>campus<\/em> de Diadema da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e coordenador do estudo, publicado na revista <em>Molecular Phylogenetics and Evolution<\/em> em abril de 2020. \u201cAs outras s\u00e3o dois pares de esp\u00e9cies irm\u00e3s, j\u00e1 bem diferenciadas.\u201d Durante as glacia\u00e7\u00f5es, as aves ocuparam as altitudes mais baixas, formando uma popula\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. \u201cEsse hist\u00f3rico de encontros e separa\u00e7\u00f5es pode gerar novas esp\u00e9cies\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Pesquisa FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\"> licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/outra-origem-das-especies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">original aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e9o Ramos Chaves, Miguel Boyayan e Eduardo Cesar &#8211; Varia\u00e7\u00e3o da largura das margens alag\u00e1veis dos rios contribuiu para a diversifica\u00e7\u00e3o de animais e plantas na Amaz\u00f4nia. 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