{"id":13700,"date":"2020-06-29T18:35:05","date_gmt":"2020-06-29T21:35:05","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=13700"},"modified":"2020-06-28T18:39:27","modified_gmt":"2020-06-28T21:39:27","slug":"antifascismo-revolucao-e-teologia-em-walter-benjamin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/06\/29\/antifascismo-revolucao-e-teologia-em-walter-benjamin\/","title":{"rendered":"Antifascismo, revolu\u00e7\u00e3o e teologia em Walter Benjamin"},"content":{"rendered":"<p><strong>Michael L\u00f6wy &#8211; <\/strong>Desencantado com a III Internacional ap\u00f3s 1939, fil\u00f3sofo recorreu a suas ra\u00edzes judaico-crist\u00e3s. A curiosa constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica a que chegou enxerga o \u201cesp\u00edrito messi\u00e2nico\u201d, em s\u00edntese com o materialismo, para levar o proletariado \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>O crescimento do fascismo na It\u00e1lia, Alemanha, \u00c1ustria, Espanha, ao longo da primeira metade do s\u00e9culo XX, foi muitas vezes apoiado, legitimado e autorizado por argumentos teol\u00f3gico-crist\u00e3os. Carl Schmidt \u00e9 somente o representante mais erudito desse uso reacion\u00e1rio da heran\u00e7a teol\u00f3gica. No entanto, encontra-se tamb\u00e9m, tanto nos autores crist\u00e3os quanto nos judeus, uma hermen\u00eautica teol\u00f3gica a servi\u00e7o do antifascismo e do socialismo (ut\u00f3pico, libert\u00e1rio ou marxista). Walter Benjamin \u00e9 um dos representantes mais interessantes dessa abordagem; sua reflex\u00e3o se inspira especialmente em refer\u00eancias messi\u00e2nicas judias, mas em seu discurso pol\u00edtico-teol\u00f3gico aparecem tamb\u00e9m figuras e imagens crist\u00e3s.<\/p>\n<p>Benjamin foi um dos primeiros intelectuais da esquerda alem\u00e3 a denunciar a ideologia do fascismo. Em 1930, ele publicou um artigo pol\u00eamico contra o culto m\u00edstico da guerra em Ernst J\u00fcnger, sob o t\u00edtulo \u201cTeorias do fascismo alem\u00e3o\u201d. A conclus\u00e3o desse texto \u00e9 sem ambiguidade: ao discurso \u201cm\u00e1gico\u201d sobre a guerra dos fascistas \u00e9 preciso opor \u201co golpe de prestidigita\u00e7\u00e3o marxista que, sozinho, \u00e9 capaz de combater este obscuro encanto\u201d \u2013 a saber, a metamorfose da guerra em \u201cguerra civil\u201d\u2019.<sup>[i]<\/sup>\u00a0Depois da tomada de poder pelo nazismo e seu ex\u00edlio (1933), o combate ao fascismo n\u00e3o para de alimentar seus escritos. Prova disso \u00e9 a renomada conclus\u00e3o do ensaio sobre \u201cA obra de arte na era da sua reprodutibilidade t\u00e9cnica\u201d (1935): contra a estetiza\u00e7\u00e3o fascista da pol\u00edtica, os marxistas devem responder pela politiza\u00e7\u00e3o da arte. Se, nos seus textos, o fascismo aparece como um am\u00e1lgama estranho de cultura arcaica e modernidade tecnol\u00f3gica, \u00e9 este segundo aspecto que predomina na segunda metade dos anos 1930.<\/p>\n<p>Em seu \u00faltimo texto, as Teses\u00a0<em>Sobre o conceito de hist\u00f3ria<\/em>\u00a0(1940), encontramos uma cr\u00edtica amarga das ilus\u00f5es da esquerda \u2013 prisioneira da ideologia do progresso linear \u2013 a respeito do fascismo, que essa ideologia parece considerar uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 norma do progresso, uma \u201cregress\u00e3o\u201d inexplic\u00e1vel, um par\u00eantese na caminhada para frente da humanidade.<\/p>\n<p>Dois exemplos permitem ilustrar o que quer dizer o autor das Teses:<\/p>\n<p>\u2013 Para a social-democracia, o fascismo era um vest\u00edgio do passado, anacr\u00f4nico e pr\u00e9-moderno. Karl Kautsky, em seus escritos dos anos 1920, explicava que o fascismo s\u00f3 era poss\u00edvel num pa\u00eds semiagr\u00e1rio como a It\u00e1lia, mas nunca poderia instalar-se em uma na\u00e7\u00e3o moderna e industrializada como a Alemanha\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Quanto ao movimento comunista oficial (stalinista), esse estava convencido de que a vit\u00f3ria de Hitler em 1933 seria ef\u00eamera: uma quest\u00e3o de algumas semanas ou alguns meses, at\u00e9 que o regime nazista fosse derrubado pelas for\u00e7as oper\u00e1rias e progressistas, sob a dire\u00e7\u00e3o iluminada do KPD (Partido Comunista Alem\u00e3o).<\/p>\n<p>Benjamin tinha entendido perfeitamente a modernidade do fascismo, sua rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com a sociedade industrial \/capitalista contempor\u00e2nea. Da\u00ed a sua cr\u00edtica, na Tese VIII, aos mesmos que se surpreenderam com o fato de o fascismo \u201cainda\u201d ser poss\u00edvel no s\u00e9culo XX, cegos pela ilus\u00e3o segundo a qual o progresso cient\u00edfico, industrial e t\u00e9cnico \u00e9 incompat\u00edvel com a barb\u00e1rie social e pol\u00edtica. H\u00e1 de haver, observa Benjamin em uma das notas preparat\u00f3rias \u00e0s Teses, uma teoria da hist\u00f3ria a partir da qual o fascismo possa ser desvelado (<em>gesichtet<\/em>).<sup>[ii]<\/sup>\u00a0S\u00f3 uma concep\u00e7\u00e3o sem ilus\u00f5es progressistas pode dar conta de um fen\u00f4meno como o fascismo, profundamente enraizado dentro do \u201cprogresso\u201d industrial e t\u00e9cnico moderno, que era poss\u00edvel, em \u00faltima an\u00e1lise,\u00a0<em>s\u00f3<\/em>\u00a0no s\u00e9culo XX. A compreens\u00e3o de que o fascismo pode triunfar nos pa\u00edses mais \u201ccivilizados\u201d e que o \u201cprogresso\u201d n\u00e3o o far\u00e1 desaparecer automaticamente nos permitir\u00e1 aprimorar nosso posicionamento na luta antifascista, pensa Benjamin. Uma luta cujo objetivo supremo \u00e9 produzir \u201co\u00a0<em>verdadeiro<\/em>\u00a0estado de exce\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, a aboli\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o, a sociedade sem classes.<\/p>\n<p>A partir de 1933, e mais ainda depois do Tratado de Munich de 1938, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica aparece aos olhos de Benjamin, como aos de numerosos intelectuais de esquerda em toda a Europa, como o \u00fanico recurso frente \u00e0 amea\u00e7a fascista, a \u00faltima barreira \u00e0s pretens\u00f5es imperialistas do Terceiro Reich. Em uma carta do dia 3 de agosto de 1938 para Max Horkheimer, ele manifesta, \u201ccom muita reserva\u201d, a esperan\u00e7a, \u201cpelo menos por ora\u201d, que se possa considerar o regime sovi\u00e9tico \u2013 que ele descreve sem adorno como uma \u201cditadura pessoal com todo o seu terror\u201d \u2013 como \u201co agente dos nossos interesses em uma guerra futura\u201d. Benjamin acrescenta que se trata de um agente que \u201ccusta o maior valor imagin\u00e1vel, na medida em que se paga o pre\u00e7o de sacrif\u00edcios, que corroem particularmente os interesses que s\u00e3o pr\u00f3ximos como produtores\u201d \u2013 uma express\u00e3o que sem d\u00favida faz refer\u00eancia \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e ao socialismo.<sup>[iii]<\/sup>\u00a0O Pacto Molotov-Ribbentrop (1939) vai minar fortemente esta \u00faltima ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 provavelmente a este evento que ele se refere na Tese X, ao falar dos \u201cpol\u00edticos nos quais os advers\u00e1rios do fascismo tinham colocado a sua esperan\u00e7a\u201d, que \u201cse estendem quase mortos no ch\u00e3o\u201d e \u201cagravam a sua derrota, traindo a sua pr\u00f3pria causa\u201d. A express\u00e3o procura sem d\u00favida os comunistas (stalinistas), que \u201ctra\u00edram a sua causa\u201d compactuando com Hitler. Mais precisamente, a frase refere-se ao KPD (Partido Comunista Alem\u00e3o), que, ao contr\u00e1rio do PC sovi\u00e9tico, \u201cestendia-se no ch\u00e3o\u201d. Segundo Benjamin, a esperan\u00e7a de um combate consequente contra o fascismo \u00e9 levantada pelo movimento comunista, muito mais do que pela social-democracia. No entanto, o pacto prejudicou essa esperan\u00e7a. A \u201ctrai\u00e7\u00e3o\u201d designa n\u00e3o somente o acordo entre Molotov e Ribbentrop, como tamb\u00e9m a sua legitima\u00e7\u00e3o pelos diferentes partidos comunistas europeus que adotar\u00e3o a \u201clinha\u201d sovi\u00e9tica.<sup>[iv]<\/sup>\u00a0Na verdade, Benjamin partilha a condena\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica do tratado com v\u00e1rios outros comunistas alem\u00e3es dissidentes exilados em Paris, como seu amigo Heinrich Bl\u00fccher (o marido de Hannah Arendt), Willy M\u00fcnzenberg ou Manes Sperber.<sup>[v]<\/sup><\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m a partir de 1938 que uma dimens\u00e3o teol\u00f3gica \u2013 muito presente nos seus escritos de juventude \u2013 vai reaparecer nos seus trabalhos e impregnar de maneira forte sua reflex\u00e3o antifascista \u2013 que n\u00e3o deixa de se referir ao materialismo hist\u00f3rico marxiano.<\/p>\n<p>Nesse ano, Benjamin publica um artigo sobre o romance da escritora comunista judia-alem\u00e3 exilada, Anna Seghers,\u00a0<em>Dis Rettung<\/em>\u00a0(O resgate), sob o t\u00edtulo \u201cUma cr\u00f4nica dos desempregados alem\u00e3es\u201d (1938). Esse texto surpreendente em v\u00e1rios aspectos pode ser considerado um tipo de sequ\u00eancia do grande ensaio sobre \u201cO Narrador\u201d de 1936: Seghers \u00e9 apresentada n\u00e3o como romancista, mas sim como\u00a0<em>narradora<\/em>\u00a0(<em>Erz\u00e4hkerin<\/em>), e seu livro como uma\u00a0<em>cr\u00f4nica<\/em>\u00a0(<em>Chronik<\/em>), o que lhe confere um alto valor espiritual e pol\u00edtico. Benjamin compara a arte dela \u00e0quela das miniaturas de antes da perspectiva, ou dos cronistas da Idade M\u00e9dia, cujas personagens vivem em uma \u00e9poca que \u201cpercebe o Reino de Deus como uma cat\u00e1strofe\u201d. A cat\u00e1strofe que se abateu sobre os desempregados e os trabalhadores alem\u00e3es, o Terceiro Reich, \u00e9 o exato oposto desse\u00a0<em>Reich Gottes<\/em>: \u201cela \u00e9 algo como a sua imagem invertida (<em>Gegenbild<\/em>), o advento do Anticristo. Como se sabe, este imita a ben\u00e7\u00e3o prometida pela era messi\u00e2nica. De maneira an\u00e1loga, o Terceiro Reich imita o socialismo\u201d.<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/teologia-e-antifascismo-em-walter-benjamin\/#_edn6\"><sup>[vi]<\/sup><\/a>\u00a0O que Benjamin esbo\u00e7a aqui \u2013 sobre a um romance de inspira\u00e7\u00e3o comunista! \u2013 \u00e9 um tipo de cr\u00edtica teol\u00f3gica, judaico-crist\u00e3, do nazismo como falso messias, como anticristo, como manifesta\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica de um esp\u00edrito do mal, enganador e esperto. Como se sabe, o Anticristo \u00e9 uma figura arcaica que aparece pela primeira vez nas ep\u00edstolas de Jo\u00e3o, mas que tira suas origens na no\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>antimessias\u00a0<\/em>j\u00e1 presente no juda\u00edsmo. De natureza escatol\u00f3gica, ela designa um impostor mal\u00e9fico que tenta, pouco antes do fim do mundo, substituir-se a Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O socialismo \u00e9 assim interpretado, teologicamente, por Benjamin como o equivalente da promessa messi\u00e2nica, enquanto o regime de Hitler, esta imensa mistifica\u00e7\u00e3o que se proclama \u201csocialista nacional\u201d, se aparenta com o Anticristo, isto \u00e9, das pot\u00eancias infernais: a express\u00e3o \u201cinferno nazista radiante\u201d (<em>die strahlende Nazih\u00f6lle<\/em>) aparece mais \u00e0 frente no texto. Benjamin tinha provavelmente se inspirado, para esbo\u00e7ar esse paralelo surpreendente, nos escritos do seu amigo e correspondente, o te\u00f3logo protestante \u2013 e socialista revolucion\u00e1rio militante \u2013 su\u00ed\u00e7o Frits Lieb, que, desde 1934, tinha definido o nazismo como Anticristo moderno. \u00c0 ocasi\u00e3o de uma palestra em 1938, Lieb tinha expressado sua esperan\u00e7a de ver a derrota do Anticristo em um \u00faltimo combate contra os Judeus, a apari\u00e7\u00e3o do Messias \u2013 o Cristo \u2013 e o estabelecimento do seu Reino milenar.<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/teologia-e-antifascismo-em-walter-benjamin\/#_edn7\"><sup>[vii]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Depois de ter homenageado Anna Seghers por ter reconhecido, corajosamente e sem ambiguidade, o fracasso da revolu\u00e7\u00e3o na Alemanha, Benjamin conclui seu texto com uma pergunta angustiada: \u201cEsses seres humanos poder\u00e3o\u00a0<em>se liberar<\/em>?\u201d (<em>Werden sich diese Menschen befreien?<\/em>) A \u00fanica esperan\u00e7a seria uma\u00a0<em>Reden\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(<em>Erl\u00f6sung<\/em>) \u2013 mais um conceito messi\u00e2nico \u2013, mas de onde \u00e9 que ela viria? A resposta, dessa vez, \u00e9 profana: a salva\u00e7\u00e3o vir\u00e1 das crian\u00e7as, as crian\u00e7as prolet\u00e1rias das quais o romance fala.<\/p>\n<p>O conceito de \u201cAnticristo\u201d \u00e9 encontrado novamente nas Teses de 1940. Na Tese VI, \u201co messias n\u00e3o vem s\u00f3 como redentor, mas como vencedor do Anticristo\u201d. Ao comentar este trecho, Tiedemann constata um paradoxo inusitado: \u201cEm nenhum outro lugar, Benjamin fala de maneira t\u00e3o diretamente teol\u00f3gica, mas em nenhum outro lugar ele tem uma inten\u00e7\u00e3o t\u00e3o materialista\u201d. \u00c9 preciso reconhecer no Messias a classe prolet\u00e1ria e no Anticristo as classes dominantes.<sup>[viii]<\/sup><\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 pertinente, mas teria de adicionar algumas precis\u00f5es. Benjamin \u00e9 consciente de que as massas prolet\u00e1rias podem ser mistificadas pelo fascismo. Em um artigo redigido para a Confer\u00eancia de Pontigny sobre Baudelaire (1939), Benjamin observava que as multid\u00f5es est\u00e3o hoje \u201cmoldadas pelas m\u00e3os dos ditadores\u201d. Mas ele n\u00e3o perde a esperan\u00e7a de \u201cvislumbrar, nas multid\u00f5es submissas, n\u00facleos de resist\u00eancia \u2013 n\u00facleos que formaram as massas revolucion\u00e1rias de 1848 e os\u00a0<em>communards<\/em>\u201d.<sup>[ix]<\/sup>\u00a0Em outros termos: em um momento de extremo perigo, apresenta-se uma constela\u00e7\u00e3o salvadora ligando o presente ao passado. Um passado onde brilha, apesar de tudo, na sombria noite do fascismo triunfando, a estrela da esperan\u00e7a, a estrela messi\u00e2nica da reden\u00e7\u00e3o \u2013 o\u00a0<em>Stern der Erl\u00f6sung<\/em>\u00a0de Franz Rsenzweig \u2013 a fa\u00edsca da insurrei\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Segundo Benjamin, o equivalente \u2013 o \u201ccorrespondente\u201d, no sentido das\u00a0<em>correspond\u00eancias<\/em>\u00a0de Baudelaire \u2013 profano do Messias s\u00e3o, hoje, os n\u00facleos de resist\u00eancia antifascistas, as futuras massas revolucion\u00e1rias herdeiras da tradi\u00e7\u00e3o de junho de 1848 e de abril e maio 1871. Quanto ao Anticristo \u2013 que ele n\u00e3o hesita a integrar dentro do seu argumento messi\u00e2nico de inspira\u00e7\u00e3o explicitamente judia \u2013, seu hom\u00f3logo secular n\u00e3o s\u00e3o, como vemos acima, as \u201cclasses dominantes no geral\u201d, mas o Terceiro Reich hitleriano.<\/p>\n<p>Como esta teologia messi\u00e2nica pode se articular com o materialismo hist\u00f3rico?<\/p>\n<p>Essa pergunta \u00e9 claramente destrinchada por Benjamin na Tese I. Para dar conta dessa associa\u00e7\u00e3o paradoxal entre o materialismo e a teologia, Benjamin vai criar uma\u00a0<em>alegoria<\/em>\u00a0ir\u00f4nica: um aut\u00f4mato jogador de xadrez \u2013 o materialismo hist\u00f3rico \u2013 que pode ganhar cada jogo gra\u00e7as a um an\u00e3o escondido dentro do aparelho \u2013 a teologia.<\/p>\n<p>Vamos tentar decifrar o significado dos elementos que comp\u00f5em essa alegoria estranha. Primeiro, o\u00a0<em>aut\u00f4mato<\/em>: \u00e9 um boneco ou fantoche \u201cque chamamos \u2018materialismo hist\u00f3rico\u2019\u201d. O uso das aspas e a forma da frase sugerem que este aut\u00f4mato n\u00e3o \u00e9 o \u201cverdadeiro\u201d materialismo hist\u00f3rico, mas o que \u00e9\u00a0<em>comumente<\/em>\u00a0chamado assim. \u201cComumente\u201d por quem? Os principais porta-vozes do marxismo na \u00e9poca, isto \u00e9, os ide\u00f3logos da Segunda e da Terceira Internacional. Segundo Benjamin, o materialismo hist\u00f3rico se torna efetivamente, nas m\u00e3os deles, um m\u00e9todo que enxerga a hist\u00f3ria como um tipo de\u00a0<em>m\u00e1quina<\/em>\u00a0dirigindo\u00a0<em>automaticamente<\/em>\u00a0ao triunfo do socialismo. Para este materialismo\u00a0<em>mec\u00e2nico<\/em>, o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, o progresso econ\u00f4mico, as \u201cleis da hist\u00f3ria\u201d, levam necessariamente, automaticamente, \u00e0 crise final do capitalismo e \u00e0 vit\u00f3ria do proletariado (vers\u00e3o comunista) ou \u00e0s reformas que transformar\u00e3o gradativamente a sociedade (vers\u00e3o social-democrata). No entanto, esse aut\u00f4mato, esse fantoche, esse boneco mec\u00e2nico, n\u00e3o \u00e9 capaz de\u00a0<em>ganhar o jogo<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cGanhar o jogo\u201d tem um duplo sentido aqui:<\/p>\n<p>\u2013 interpretar corretamente a hist\u00f3ria, lutar contra a vis\u00e3o da hist\u00f3ria dos opressores;<\/p>\n<p>\u2013 vencer o inimigo hist\u00f3rico propriamente dito, as classes dominantes \u2013 em 1940:\u00a0<em>o fascismo<\/em>.<\/p>\n<p>Os dois sentidos s\u00e3o para Benjamin intimamente ligados, na unidade indissol\u00favel entre teoria e pr\u00e1tica: sem uma interpreta\u00e7\u00e3o correta da hist\u00f3ria, fica dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel, lutar de maneira eficaz contra o fascismo. A derrota do movimento oper\u00e1rio marxista \u2013 na Alemanha, na \u00c1ustria, na Espanha, na Fran\u00e7a \u2013 frente ao fascismo demostra a incapacidade deste boneco sem alma, deste aut\u00f4mato sem sentido, de \u201cganhar o jogo\u201d \u2013 uma partida onde se joga o futuro da humanidade.<\/p>\n<p>Para vencer, o materialismo hist\u00f3rico precisa da ajuda da teologia: \u00e9 o\u00a0<em>an\u00e3o<\/em>\u00a0escondido dentro da m\u00e1quina. Essa alegoria \u00e9, como se sabe, inspirada em um conto de Edgar Allan Poe \u2013 traduzido por Baudelaire \u2013 que Benjamin conhecida muito bem: \u201cO jogador de xadrez de Maelzel\u201d. Trata-se de um aut\u00f4mato jogador de xadrez apresentado em 1769 na corte de Viena pelo bar\u00e3o Wolfgang von Kempelen e que terminar\u00e1, depois de diversas perip\u00e9cias, nos Estados Unidos, em uma turn\u00ea organizada por um inventor-empreendedor vienense, Johann Nepomuk Maelzel. Poe descreve esse aut\u00f4mato como uma figura \u201cvestida\u00a0<em>\u00e0 la turque<\/em>\u201d, cuja \u201cm\u00e3o esquerda segura um cachimbo\u201d e que, se fosse uma m\u00e1quina \u201csempre deveria ganhar\u201d as partidas de xadrez. Uma das hip\u00f3teses de explica\u00e7\u00e3o de Poe \u00e9 que um an\u00e3o, previamente escondido dentro do aparelho, \u201cfazia a m\u00e1quina se mexer\u201d. A similitude \u2013 quase palavra por palavra \u2013 com a Tese I \u00e9 \u00f3bvia.<a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/teologia-e-antifascismo-em-walter-benjamin\/#_edn10\"><sup>[x]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A meu ver, a liga\u00e7\u00e3o entre o texto de Poe e a Tese de Benjamin n\u00e3o \u00e9 somente aned\u00f3tica. A conclus\u00e3o filos\u00f3fica de \u201cO jogador de xadrez de Maelzel\u201d \u00e9 a seguinte: \u201c\u00c9 certeza que as opera\u00e7\u00f5es do aut\u00f4mato s\u00e3o regidas pelo\u00a0<em>esp\u00edrito<\/em>\u00a0e n\u00e3o por alguma outra coisa\u201d. O\u00a0<em>esp\u00edrito<\/em>\u00a0de Poe torna-se em Benjamin a\u00a0<em>teologia<\/em>, isto \u00e9,\u00a0<em>o esp\u00edrito messi\u00e2nico<\/em>, sem o qual o materialismo hist\u00f3rico n\u00e3o pode \u201cganhar o jogo\u201d, nem a revolu\u00e7\u00e3o triunfar do fascismo.<\/p>\n<p>Parece-me que Ralph Tiedemann est\u00e1 enganado quando, no seu livro sobre as Teses de Benjamin \u2013 ali\u00e1s, muito interessante \u2013 escreve: \u201cO an\u00e3o teol\u00f3gico est\u00e1 morto tamb\u00e9m, pois ele se tornou uma pe\u00e7a de um aparelho morto. O conjunto do aut\u00f4mato est\u00e1 morto, e j\u00e1 representa talvez o campo de morte e as ru\u00ednas da Tese IX.\u201d<sup>[xi]<\/sup>\u00a0Se o conjunto, an\u00e3o inclusive, estivesse morto e fosse arruinado, como ele pode ganhar o jogo contra o advers\u00e1rio? O que a tese sugere \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio: gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o vivificante do an\u00e3o o conjunto se torna vivo e ativo.<\/p>\n<p>A teologia, como o an\u00e3o na alegoria, atualmente n\u00e3o pode agir sen\u00e3o de maneira\u00a0<em>oculta, no interior<\/em>\u00a0do materialismo hist\u00f3rico. Em uma \u00e9poca racionalista e agn\u00f3stica, ela \u00e9 uma \u201cvelha feia e encolhida\u201d (tradu\u00e7\u00e3o de Benjamin) que tem de ser esconder\u2026. Curiosamente, Benjamin n\u00e3o parece se conformar com essa regra, pois nas Teses, a teologia \u00e9 realmente\u00a0<em>vis\u00edvel.<\/em>\u00a0Talvez se trate de um conselho aos leitores do documento: usem a teologia, mas n\u00e3o a mostrem. Ou ent\u00e3o, na medida que o texto n\u00e3o era destinado \u00e0 publica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era necess\u00e1rio esconder o an\u00e3o corcunda dos olhares do p\u00fablico. De qualquer modo, o racioc\u00ednio \u00e9 an\u00e1logo ao de uma nota do\u00a0<em>Livro das Passagens Parisienses<\/em>, que Benjamin tinha integrado aos materiais preparat\u00f3rios das Teses: \u201cMeu pensamento se comporta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia como o mata-borr\u00e3o com tinta. Ele \u00e9 totalmente impregnado dela. Mas se o mata-borr\u00e3o dominasse, nada do que est\u00e1 escrito existiria\u201d.[xii] Mais uma vez, a imagem de uma presen\u00e7a determinante \u2013 por\u00e9m invis\u00edvel \u2013 da teologia no cora\u00e7\u00e3o do pensamento \u201cprofano\u201d. Ali\u00e1s, a imagem \u00e9 bastante curiosa: na verdade, como sabem os que praticaram este instrumento agora em desuso, rastros do escrito com tinta sempre ficam na superf\u00edcie do mata-borr\u00e3o, por\u00e9m espelhadas!<\/p>\n<p>O que significa \u201cteologia\u201d para Benjamin? O termo remete a dois conceitos fundamentais: a\u00a0<em>rememora\u00e7\u00e3o (Eingedanken)\u00a0<\/em>e a\u00a0<em>reden\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica (Erl\u00f6sung).\u00a0<\/em>Os dois s\u00e3o componentes essenciais do novo \u201cconceito de hist\u00f3ria\u201d que as Teses constroem.<\/p>\n<p>Como, ent\u00e3o, interpretar a rela\u00e7\u00e3o entre a teologia e o materialismo? Essa quest\u00e3o est\u00e1 apresentada de maneira eminentemente paradoxal na alegoria: primeiro o an\u00e3o teol\u00f3gico aparece como sendo o mestre do aut\u00f4mato, do qual ele se serve como um instrumento; no entanto, no fim, est\u00e1 escrito que o an\u00e3o est\u00e1 \u201cao servi\u00e7o\u201d do aut\u00f4mato. O que significa esta invers\u00e3o? Uma hip\u00f3tese seria que Benjamin quer mostrar a\u00a0<em>complementaridade dial\u00e9tica\u00a0<\/em>entre os dois: a teologia e o materialismo hist\u00f3rico s\u00e3o \u00e0s vezes mestre, \u00e0s vezes servo, eles s\u00e3o ao mesmo tempo o mestre e o servo um do outro, eles precisam um do outro.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se levar a s\u00e9rio a ideia segundo a qual a teologia est\u00e1 \u201ca servi\u00e7o\u201d do materialismo \u2013 f\u00f3rmula que inverte a tradicional defini\u00e7\u00e3o escol\u00e1stica da filosofia como\u00a0<em>ancila theologiae<\/em>, \u201cservidora da teologia\u201d. A teologia para Benjamin n\u00e3o \u00e9 um objetivo em si, ela n\u00e3o pretende a contempla\u00e7\u00e3o inef\u00e1vel das verdades eternas, e ainda menos, como indica a sua etimologia, a reflex\u00e3o sobre a natureza do Ser divino: ela est\u00e1\u00a0<em>a servi\u00e7o<\/em>\u00a0da luta dos oprimidos. Mais precisamente, ela deve servir para reestabelecer a for\u00e7a explosiva, messi\u00e2nica, revolucion\u00e1ria, do materialismo hist\u00f3rico \u2013 reduzido a um miser\u00e1vel aut\u00f4mato por seus ep\u00edgonos. O materialismo hist\u00f3rico do qual Benjamin trata nas teses seguintes \u00e9 o que resulta dessa vivifica\u00e7\u00e3o, dessa ativa\u00e7\u00e3o espiritual pela teologia.<\/p>\n<p>Segundo Gerhard Kaiser, nas Teses, Benjamin \u201cteologiza o marxismo. O verdadeiro materialismo hist\u00f3rico \u00e9 a verdadeira teologia [\u2026]. Sua filosofia da hist\u00f3ria \u00e9 uma teologia da hist\u00f3ria\u201d. Esse tipo de interpreta\u00e7\u00e3o destr\u00f3i o equil\u00edbrio delicado entre as duas componentes, reduzindo uma \u00e0 outra. Qualquer reducionismo unilateral \u2013 num sentido como no outro \u2013 \u00e9 incapaz de dar conta da dial\u00e9tica entre teologia e materialismo e sua necessidade rec\u00edproca.<\/p>\n<p>No sentido invertido, Krista Greffrath acha que \u201ca teologia das Teses \u00e9 uma\u00a0<em>constru\u00e7\u00e3o auxiliar<\/em>\u00a0[\u2026] necess\u00e1ria para arrancar a tradi\u00e7\u00e3o do passado das m\u00e3os dos seus gestores atuais\u201d. Essa interpreta\u00e7\u00e3o corre o risco de dar uma vis\u00e3o exageradamente contingente e\u00a0<em>instrumental<\/em>\u00a0da teologia, quando se trata na verdade de uma dimens\u00e3o essencial do pensamento de Benjamin desde seus primeiros escritos de 1913.<\/p>\n<p>Por fim, Heinz-Dieter Kittsteiner acredita perceber uma esp\u00e9cie de distin\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es entre o boneco e o an\u00e3o: \u201cO materialismo hist\u00f3rico enfrenta o presente como marxista, o passado como te\u00f3logo da rememora\u00e7\u00e3o.\u201d Por\u00e9m, essa divis\u00e3o do trabalho n\u00e3o condiz com as ideias de Benjamin: segundo ele, o marxismo \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio para a compreens\u00e3o do passado quanto a teologia para a a\u00e7\u00e3o presente e futura.<sup>[xiii]<\/sup><\/p>\n<p>A fim de entender melhor a significa\u00e7\u00e3o do messianismo em Benjamin, \u00e9 \u00fatil analisar uma passagem importante da Tese II: \u201cExiste um encontro secreto marcado entre as gera\u00e7\u00f5es precedentes e a nossa. Ent\u00e3o, algu\u00e9m na Terra esteve \u00e0 nossa espera. Se assim \u00e9, foi-nos concedida, como a cada gera\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 nossa, uma fr\u00e1gil for\u00e7a messi\u00e2nica para a qual o passado dirige um apelo\u201d. Em outros termos, a reden\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica\/revolucion\u00e1ria \u00e9 uma tarefa que nos \u00e9 atribu\u00edda pelas gera\u00e7\u00f5es passadas. N\u00e3o tem Messias mandado do c\u00e9u: n\u00f3s somos o messias, cada gera\u00e7\u00e3o det\u00e9m uma parcela do poder messi\u00e2nico que ela tem que exercitar.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese her\u00e9tica, do ponto de vista do juda\u00edsmo ortodoxo, de uma \u201cfor\u00e7a messi\u00e2nica\u201d (<em>messianische Kraft)<\/em>\u00a0atribu\u00edda aos humanos est\u00e1 apresentada igualmente em outros pensadores judeus de Europa central, como Martin Buber.<sup>[xiv]<\/sup>\u00a0Por\u00e9m, enquanto, para ele, trata-se de uma for\u00e7a auxiliar, que nos permite cooperar com Deus na obra da reden\u00e7\u00e3o, em Benjamin essa dualidade parece apagada \u2013 no sentido de\u00a0<em>aufgehoben.\u00a0<\/em>Deus \u00e9 ausente e a tarefa messi\u00e2nica \u00e9 inteiramente entrega \u00e0s gera\u00e7\u00f5es humanas. O \u00fanico messias poss\u00edvel \u00e9 coletivo: a humanidade mesma \u2013 e mais precisamente, como veremos mais \u00e0 frente, a humanidade oprimida. N\u00e3o se trata de esperar o Messias, ou de calcular o dia da sua chegada \u2013 como nos cabalistas e outros m\u00edsticos judeus praticantes da\u00a0<em>gu\u00e9matria<\/em>\u00a0\u2013, mas de agir coletivamente. A reden\u00e7\u00e3o \u00e9 uma autorreden\u00e7\u00e3o, da qual podemos encontrar o equivalente profano em Marx: os homens fazem a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, a emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ser\u00e1 a obra dos trabalhadores mesmos.<\/p>\n<p>Por que este poder messi\u00e2nico \u00e9<em>\u00a0fraco (schwache<\/em>)? Essa \u00e9 talvez a conclus\u00e3o melanc\u00f3lica que tira Benjamin dos fracassos passados e presentes do combate emancipador. A reden\u00e7\u00e3o \u00e9 tudo menos certa; \u00e9 somente uma pequena possibilidade que se deve saber agarrar.<\/p>\n<p>Segundo J\u00fcrgen Habermas, o direito que o passado exerce sobre o nosso poder messi\u00e2nico \u201cs\u00f3 pode ser respeitado se renovar constantemente o esfor\u00e7o cr\u00edtico do olhar que enxerga um passado hist\u00f3rico reclamando sua libera\u00e7\u00e3o\u201d.<sup>[xv]<\/sup>\u00a0Essa observa\u00e7\u00e3o \u00e9 leg\u00edtima, no entanto demasiada restritiva. O poder messi\u00e2nico n\u00e3o \u00e9 unicamente\u00a0<em>contemplativo<\/em>\u00a0\u2013 \u201co olhar sobre o passado\u201d. Ele tamb\u00e9m \u00e9\u00a0<em>ativo<\/em>: a reden\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tarefa revolucion\u00e1ria que se realiza no presente. N\u00e3o se trata s\u00f3 de mem\u00f3ria, mas, como lembra a Tese I, trata-se de\u00a0<em>ganhar o jogo\u00a0<\/em>contra um advers\u00e1rio potente e perigoso: o fascismo. Se o profetismo judeu \u00e9 ao mesmo tempo a lembran\u00e7a de uma promessa e o chamado para uma transforma\u00e7\u00e3o radical, em Benjamin a pot\u00eancia da tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica e a radicalidade da cr\u00edtica marxista se unem na exig\u00eancia de uma salva\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 a simples restitui\u00e7\u00e3o do passado, mas a transforma\u00e7\u00e3o ativa do presente. Em setembro de 1940, Benjamin foi detido pela pol\u00edcia espanhola em Port-Bou, na fronteira entre a Fran\u00e7a de Vichy e a Espanha de Franco. Amea\u00e7ado de ser entregue \u00e0 Gestapo, ele escolhe o suic\u00eddio: este foi seu \u00faltimo ato de resist\u00eancia ao fascismo.<\/p>\n<p>[i] W. Benjamin, \u201cTh\u00e9ories du fascisme allemande\u201d, 1930, in\u00a0<em>Oeuvres II<\/em>, Gallimard, \u201cFolio-essais\u201d, 2000, p. 215.<\/p>\n<p>[ii] W. Benjamin,\u00a0<em>Gesammelte Schriften (GS)<\/em>, Francfort\/Main: Suhrkamp, 1980, Bd. I, 3, p. 1244.<\/p>\n<p>[iii] Carta citada por T. Tiedemann,\u00a0<em>Dialektik im Stillstand. Versuche zum Sp\u00e4twerk Walter Benjamins<\/em>, Francfort\/Main: Suhrkamp, 1983, p. 122.<\/p>\n<p>[iv] Um exemplo do que Benjamin sentia como trai\u00e7\u00e3o ao combate antifascista: o Conselho Central do KPD adota em julho de 1939 uma resolu\u00e7\u00e3o que, reafirmando sua oposi\u00e7\u00e3o a Hitler, \u201clouva o tratado de n\u00e3o agress\u00e3o entre a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a Alemanha\u201d e pede \u201co desenvolvimento de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas com a URSS dentro do espirito de uma amizade sincera e sem reserva entre os dois pa\u00edses\u201d! (Cf. Theo Pirker (\u00e9d.),\u00a0<em>Utopie und Mythos der Welt-revolution. Zur Geschichte der Komintern 1920-1940<\/em>, Munich: DTV, 1964, p. 286).<\/p>\n<p>[v] Sem falar de L\u00e9on Trotsky, que, desde o seu exilo no M\u00e9xico, tinha denunciado o tratado como uma verdadeira \u201ctrai\u00e7\u00e3o\u201d que tinha feito de Stalin \u201co novo amigo de Hitler\u201d, e seu \u201cmordomo\u201d (fornecedor de mat\u00e9rias-primas). Cf. Seus artigos do dia 2 at\u00e9 o dia 4 de setembro de 1939 em L\u00e9on Trotski,\u00a0<em>Sur la Deuxi\u00e8me Guerre mondiale<\/em>, textos compilados e com pref\u00e1cio de Daniel Gu\u00e9rin, Bruxelles: \u00c9ditions La Taupe, 1970, p. 85-102.<\/p>\n<p>[vi] W. Benjamin, \u201cEine Chronik der deutschen Arbteitlosen\u201d,\u00a0<em>GS<\/em>, III, p. 534-535.<\/p>\n<p>[vii] Cf. Chrissoula Kambas, \u201cWider den \u2018Geist der Zeit\u2019. Die anti-faschitische Politik Frits Liebs und Walter Benjamin\u201d, in J. Taubes (\u00e9d.),\u00a0<em>Der F\u00fcrst disser Welt. Carl Schmitt und die Folgen<\/em>, Munich, Fink, 1983, p. 582-583. Lieb e Benjamin partilhavam a convic\u00e7\u00e3o de que havia de resistir ao fascismo com armas na m\u00e3o.<\/p>\n<p>[viii] R. Tiedmann, \u201cHistorischer Materialismus oder politischer Messianismus? Politische Gehalte in der Geschichtsphilosophie Walter Benjamins\u201d, in P. Bulthaup (\u00e9d.),\u00a0<em>Materialen zu Benjamins Thesen<\/em>, Francfort\/Main: Suhrkamp taschenbuch, 1975, p. 93-94.<\/p>\n<p>[ix] Walter Benjamin, \u201cNotes sur les Tableaux parisiens de Baudelaire\u201d, 1939,\u00a0<em>GS<\/em>, I, 2, p. 748.<\/p>\n<p>[x] Edgar Allan Poe, \u201cLe Joueur d\u2019\u00e9chec de Maelzel\u201d, in\u00a0<em>Histoires grotesques et s\u00e9rieuses<\/em>, trad. de Charles Baudelaire, Paris: Folio, 1978, p. 100-128.<\/p>\n<p>[xi] R. Tiedemann,\u00a0<em>Dialektik im Stillstand.Versuche zum Sp\u00e4twerk Walter Benjamins<\/em>, p.118.<\/p>\n<p>[xii]\u00a0<em>GS I<\/em>, 3, p. 1235.<\/p>\n<p>[xiii] Os artigos de G. Kaiser, K. Greffrath e H-D Kittsteiner encontram-se em Peter Bulthaup (\u00e9d.),\u00a0<em>Material zu Benamins Thesen \u2018\u00dcber den Begriff der Geschiste\u2019<\/em>, Francfort\/Main: Suhrkamp, 1975.<\/p>\n<p>[xiv] Segundo Buber, para o juda\u00edsmo hass\u00eddico, Deus n\u00e3o quer a reden\u00e7\u00e3o sem a participa\u00e7\u00e3o dos seres humanos: foi acordada \u00e0s gera\u00e7\u00f5es humanas uma \u201cfor\u00e7a cooperadora\u201d (<em>mitwirkende Kraft<\/em>), uma for\u00e7a messi\u00e2nica (<em>messianische Kraft<\/em>) atuante. M. Buber,\u00a0<em>Die Chassidische B\u00fccher<\/em>, Berlin: Schoken, 1927, p. XXIII, XXVI, XXVII.<\/p>\n<p>[xv] J. Habermas, \u201cL\u2019actualit\u00e9 de W. Benjamin\u201d,\u00a0<em>Revue d\u2019\u00c9sth\u00e9tique<\/em>, n.1, 1981, p. 112.<\/p>\n<p>Fonte da mat\u00e9ria:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"M86p8oWBgV\"><p><a href=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/teologia-e-antifascismo-em-walter-benjamin\/\">Teologia e antifascismo em Walter Benjamin<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Teologia e antifascismo em Walter Benjamin&#8221; &#8212; A Terra \u00e9 Redonda\" src=\"https:\/\/aterraeredonda.com.br\/teologia-e-antifascismo-em-walter-benjamin\/embed\/#?secret=4e4zqCVqhd#?secret=M86p8oWBgV\" data-secret=\"M86p8oWBgV\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michael L\u00f6wy &#8211; Desencantado com a III Internacional ap\u00f3s 1939, fil\u00f3sofo recorreu a suas ra\u00edzes judaico-crist\u00e3s. 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