{"id":13073,"date":"2020-05-20T09:19:28","date_gmt":"2020-05-20T12:19:28","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=13073"},"modified":"2020-05-19T19:34:55","modified_gmt":"2020-05-19T22:34:55","slug":"o-capitao-colide-com-os-limites-da-necropolitica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/05\/20\/o-capitao-colide-com-os-limites-da-necropolitica\/","title":{"rendered":"O capit\u00e3o colide com os limites da necropol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ruy Braga<\/strong> &#8211;\u00a0Algo crucial \u00e0 narrativa bolsonarista manqueja com a pandemia. Se o v\u00edrus amea\u00e7a a humanidade toda, como negar que estamos no mesmo barco? E se as pol\u00edticas p\u00fablicas tornaram-se indispens\u00e1veis, que sustentar\u00e1 o ultra-individualismo?<\/p>\n<p>A aposta deste artigo \u00e9 que a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/tag\/coronavirus\">atual pandemia<\/a>, ao esgar\u00e7ar o tecido social, fatalmente mudar\u00e1 os rumos da pol\u00edtica brasileira. Resta saber para onde. Ainda que opaca, uma nova agenda econ\u00f4mica e pol\u00edtica est\u00e1 sendo delineada neste exato momento. E, se n\u00e3o estamos diante de uma altera\u00e7\u00e3o passageira da cena pol\u00edtica nacional, quais seriam suas determina\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas mais profundas? Como se deslocar\u00e3o as classes, sobretudo os trabalhadores prec\u00e1rios mais expostos aos riscos sanit\u00e1rios e aos efeitos economicamente delet\u00e9rios da pandemia? Afinal, qual \u00e9 o impacto previs\u00edvel da atual crise sobre o projeto pol\u00edtico bolsonarista?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar \u00e9 necess\u00e1rio lembrar que o governo\u00a0<a href=\"https:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/tag\/jair-bolsonaro\">Bolsonaro<\/a>\u00a0representa um projeto necropol\u00edtico de poder cujo prop\u00f3sito consiste em mobilizar permanentemente parte da sociedade contra um inimigo interno desumanizado e, portanto, pass\u00edvel de elimina\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o advento da Covid-19, o papel desse \u201coutro desumanizado\u201d foi ocupado, com diferentes \u00eanfases e em diferentes contextos, pelos \u201cvagabundos\u201d e \u201cbandidos\u201d, grosseiramente identificados com os militantes dos mais diferentes matizes de esquerda, em especial os sindicalistas e os corruptos ligados por la\u00e7os inconfess\u00e1veis ao\u00a0<em>establishment<\/em>\u00a0pol\u00edtico nacional. A conclus\u00e3o \u00e9 cristalina: para \u201csalvar a Na\u00e7\u00e3o\u201d de seus inimigos internos, \u00e9 necess\u00e1rio p\u00f4r um fim \u00e0 democracia tal como desenhada pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e \u00e0 sua pletora de direitos humanos e sociais, instrumentalizados por vagabundos e bandidos.<\/p>\n<p>O projeto em curso de subvers\u00e3o da democracia brasileira alinhou-se, at\u00e9 o advento do coronav\u00edrus, a um conjunto de outras experi\u00eancias internacionais, principalmente a estadunidense e a h\u00fangara, que pipocaram ap\u00f3s a crise de 2008. Por\u00e9m, com uma not\u00e1vel diferen\u00e7a: ao contr\u00e1rio dos regimes liderados por Donald Trump ou Viktor Orb\u00e1n, o modelo brasileiro adotou uma estrat\u00e9gia econ\u00f4mica ultraneoliberalizante cujos cortes de gastos p\u00fablicos impedem, por parte do bolsonarismo, concess\u00f5es aos subalternos, como s\u00e3o os casos, por exemplo, do pleno emprego nos Estados Unidos e da reserva de mercado aos trabalhadores nacionais na Hungria. Em uma situa\u00e7\u00e3o como essa, o que fazer para assegurar alguma capilaridade popular ao projeto necropol\u00edtico?<\/p>\n<p><strong>\u201cAfinidades eletivas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 bem recentemente, a solu\u00e7\u00e3o para a quadratura do c\u00edrculo consistia em patrocinar uma agenda ultraconservadora de costumes alinhada aos anseios do fundamentalismo crist\u00e3o, em especial da ascendente direita evang\u00e9lica. Contudo, \u00e9 bastante incerta e tortuosa essa passagem de valores reacion\u00e1rios para concess\u00f5es materiais aos subalternos, ainda mais em um contexto econ\u00f4mico marcado por informaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, aumento do desemprego\/subemprego e subsequente compress\u00e3o dos rendimentos do trabalho derivada da agenda ultraneoliberal do ministro Paulo Guedes.<\/p>\n<p>Nossa hip\u00f3tese \u00e9 de que, at\u00e9 a pandemia, o alinhamento popular ao projeto bolsonarista nascido durante a campanha presidencial de 2018 deveu-se, em larga medida, a uma \u201cafinidade eletiva\u201d entre uma certa teologia neopentecostal e a \u201cvira\u00e7\u00e3o\u201d t\u00edpica do emprego informal tal como observamos nas periferias do pa\u00eds. Aqui, talvez seja conveniente uma r\u00e1pida digress\u00e3o sociol\u00f3gica. Desde que a express\u00e3o \u201cafinidades eletivas\u201d foi al\u00e7ada por\u00a0<a href=\"http:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/a-sociologia-de-max-weber\/\">Max Weber<\/a>\u00a0\u00e0 posi\u00e7\u00e3o de conceito cl\u00e1ssico da sociologia, a rela\u00e7\u00e3o entre doutrinas religiosas e diferentes ethos econ\u00f4micos deixou de ocupar um espa\u00e7o central na atividade investigativa dos soci\u00f3logos.<\/p>\n<p>Ao menos quando pensamos nos v\u00ednculos entre interesses de classe \u2013 sobretudo das classes subalternas, e vis\u00f5es sociais de mundo vertebradas por dogmas transcendentes \u2013, reflex\u00f5es a respeito das tais afinidades deslocaram-se para um plano subsidi\u00e1rio, refugiando-se, quando muito, em \u00e1reas bastante especializadas do campo cient\u00edfico. Em larga mirada, a preocupa\u00e7\u00e3o com o tema deslocou-se para a historiografia, como bem demonstra, por exemplo, A forma\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria inglesa (1963), trabalho mais afamado de E. P. Thompson. No caso brasileiro, se os fundamentos econ\u00f4micos da religiosidade popular deixaram relativamente de figurar entre as preocupa\u00e7\u00f5es centrais de nossas pesquisas, faz falta olharmos para o esp\u00edrito popular em busca de alguma ilumina\u00e7\u00e3o para as cores sombrias que matizam a crise atual.<\/p>\n<p>Assim, algo que sempre chamou minha aten\u00e7\u00e3o na maneira como Weber construiu seu conceito \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o de afinidade eletiva intermediava estruturas sociais \u2013 notoriamente a ascese protestante e a inclina\u00e7\u00e3o para a acumula\u00e7\u00e3o de capital \u2013, sem que isso criasse uma nova subst\u00e2ncia social, uma nova s\u00edntese. Ou seja, mesmo que a intera\u00e7\u00e3o produzisse consequ\u00eancias significativas, n\u00e3o ocorria nenhuma modifica\u00e7\u00e3o not\u00e1vel na constitui\u00e7\u00e3o dos componentes iniciais. O protestantismo, assim como o capitalismo, conservou sua pr\u00f3pria legalidade, evoluindo historicamente de forma mais ou menos aut\u00f4noma um em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Da\u00ed o pr\u00f3prio Weber lembrar-se de nos alertar que a afinidade entre a \u00e9tica protestante e o esp\u00edrito do capitalismo se perdeu nos tempos da acumula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria de capital, restando quase nada nos dias atuais daquele \u201cs\u00f3brio capitalismo\u201d sintetizado nas pr\u00e9dicas de Benjamin Franklin.<\/p>\n<p>Ainda assim, exatamente um s\u00e9culo ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o definitiva de seu trabalho mais afamado, outra rela\u00e7\u00e3o de afinidade eletiva, aparentada \u00e0 estudada pelo soci\u00f3logo de Heidelberg, parece ter se enraizado na sociedade brasileira com a for\u00e7a de um preconceito popular: a doutrina neopentecostal da prosperidade e o esp\u00edrito do empreendedorismo popular. Aqui, coloca-se o problema de buscar compreender em que medida a atra\u00e7\u00e3o entre uma cren\u00e7a religiosa e uma \u00e9tica profissional influenciou o desenvolvimento dessa cultura material que, na aus\u00eancia de melhor express\u00e3o, chamaremos de neoliberalismo.<\/p>\n<p>O crescimento do movimento neopentecostal no pa\u00eds \u00e9 largamente estudado pela bibliografia especializada. Ricardo Mariano e Ronaldo de Almeida, por exemplo, s\u00e3o dois incontorn\u00e1veis experts no assunto. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 segredo que o aumento expressivo das hostes evang\u00e9licas ocorreu naquelas regi\u00f5es e grupos abandonados por d\u00e9cadas de elitiza\u00e7\u00e3o do catolicismo. Tamb\u00e9m \u00e9 compreens\u00edvel que a hipertrofia das favelas e das comunidades perif\u00e9ricas em condi\u00e7\u00f5es notoriamente prec\u00e1rias tenha fortalecido entre os subalternos a busca por promessas de seguran\u00e7a material e consolo espiritual. O que permanece ainda um tanto opaco \u00e9 por que uma teologia que advoga o direito ao bem-estar f\u00edsico do crente se aproximou de forma t\u00e3o \u00edntima das formas mais ou menos tradicionais de \u201cvira\u00e7\u00e3o\u201d, isto \u00e9, o empreendedorismo popular muito comumente verificado na economia informal, afastando-se, em contrapartida, da gram\u00e1tica dos direitos sociais.<\/p>\n<p>Uma hip\u00f3tese plaus\u00edvel arriscaria combinar duas ordens de raz\u00f5es: uma de natureza mais objetiva, digamos, isto \u00e9, a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de reprodu\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pobres, com a consequente mitiga\u00e7\u00e3o da promessa dos direitos, e outra um pouco mais subjetiva, ou seja, o pragmatismo popular capaz de reconhecer na doutrina neopentecostal uma poderosa aliada na interpreta\u00e7\u00e3o de como opera o neoliberalismo. Assim, a responsabilidade financeira e o fortalecimento individual enfatizados pela teologia da prosperidade teriam condi\u00e7\u00f5es de aderir a um contexto geral marcado pelo avan\u00e7o da inseguran\u00e7a laboral, da regress\u00e3o dos direitos sociais e da mercantiliza\u00e7\u00e3o das cidades e das comunidades.<\/p>\n<p>Quando a perspectiva do progresso coletivo via fortalecimento de direitos universais desapareceu do horizonte, sobretudo dos trabalhadores jovens, como tive oportunidade de observar em 2019 ao participar de uma pesquisa sobre trabalho e sofrimento ps\u00edquico, e a competi\u00e7\u00e3o por oportunidades de neg\u00f3cio na informalidade aumentou devido ao aumento do desemprego, a f\u00e9 em um Deus que recompensa os esfor\u00e7os individuais transformou-se em aliado poderoso na labuta cotidiana. Se imaginar um futuro mais acolhedor tendo em vista, por exemplo, o acesso \u00e0 aposentadoria tornou-se um desejo praticamente irrealiz\u00e1vel para 40 milh\u00f5es de trabalhadores informais, a mensagem trazida pelas Igrejas neopentecostais parece a \u00fanica esperan\u00e7a: \u201cDeus quer ver seu povo seguro e pr\u00f3spero\u201d.<\/p>\n<p>Para tanto, s\u00e3o necess\u00e1rios o d\u00edzimo e a confiss\u00e3o positiva. Para algu\u00e9m desesperan\u00e7ado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s solu\u00e7\u00f5es coletivas mais tradicionais, como os partidos pol\u00edticos e\/ou os sindicatos, por exemplo, trata-se de um caminho cr\u00edvel para o progresso material. Al\u00e9m de um motivo poderoso de subjetiva\u00e7\u00e3o da disciplina do trabalho. A fim de demonstrar as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus sobre o crente, a \u00eanfase no d\u00edzimo transforma-se em for\u00e7a motriz privilegiada para a prosperidade econ\u00f4mica e consequentemente para a disciplinariza\u00e7\u00e3o do corpo do trabalhador. Quando pesquisamos o trabalho informal, tais pr\u00e1ticas implicam jornadas em geral muito longas, a conviv\u00eancia com a viol\u00eancia social e com a irregularidade de rendimentos, os incont\u00e1veis deslocamentos pela cidade e quadros cr\u00edticos de fadiga cr\u00f4nica. Em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o extremas, s\u00f3 mesmo a f\u00e9 no cumprimento da promessa divina da prosperidade econ\u00f4mica \u00e9 capaz de sustentar a voli\u00e7\u00e3o do trabalhador pobre.<\/p>\n<p>At\u00e9 o surgimento da praga b\u00edblica do coronav\u00edrus, a quadratura do c\u00edrculo encontrada pelo bolsonarismo parecia estar funcionando relativamente bem. Afinal, o apoio daqueles que vivem com renda entre dois e cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos manteve-se firme, mesmo diante do crescimento econ\u00f4mico p\u00edfio colhido pelo governo em 2019. As principais lideran\u00e7as evang\u00e9licas seguem firmes no barco bolsonarista, endossando as mais destrambelhadas atitudes do presidente autorit\u00e1rio. E a contraposi\u00e7\u00e3o estimulada pelas mil\u00edcias virtuais entre o \u201cvagabundo\u201d e o \u201cpai de fam\u00edlia\u201d continuava alimentando ressentimentos no meio de amigos e parentes.<\/p>\n<p><strong>Pressionando o carisma<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, algo estrat\u00e9gico \u00e0 narrativa necropol\u00edtica come\u00e7ou a manquejar com a chegada da pandemia. Ao fim e ao cabo, o projeto autorit\u00e1rio de Bolsonaro depende de uma habilidade importante: a fabrica\u00e7\u00e3o de um inimigo interno (o petista corrupto, o vagabundo da ONG, o favelado bandido, a \u201cfeminazi\u201d etc.) escolhido conforme as conveni\u00eancias do momento para mobilizar suas hostes reacion\u00e1rias. Da\u00ed o verdadeiro curto-circuito que estamos observando no governo. Afinal, o que fazer quando o inimigo interpela a humanidade como um todo, e n\u00e3o apenas parte dela, aquela mais desavisada e suscept\u00edvel \u00e0s\u00a0<em>fake news<\/em>? Como sustentar um projeto necropol\u00edtico quando estamos todos no mesmo barco ou quando o inimigo deixa de ser \u201cdesumaniz\u00e1vel\u201d por j\u00e1 n\u00e3o ser humano?<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, a estrat\u00e9gia bolsonarista tem se agarrado encarni\u00e7adamente ao modelo necropol\u00edtico, ou seja, tem buscado reinventar o inimigo interno. A Covid-19 n\u00e3o passaria de uma \u201cgripezinha\u201d. Na verdade, o perigo seria a alian\u00e7a entre governadores, presidente do Congresso, ju\u00edzes do Supremo e a rede Globo, que conspiram contra o governo federal por apoiarem as medidas de isolamento social. O argumento negacionista pode flutuar um pouco, \u00e0s vezes admitindo certos riscos trazidos pela pandemia para os idosos. Mas o verdadeiro perigo seria a ardilosa conspira\u00e7\u00e3o contra o \u201cmito\u201d.<\/p>\n<p>O que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a estrat\u00e9gia bolsonarista logrou at\u00e9 certo ponto reinventar a polariza\u00e7\u00e3o necropol\u00edtica, levando pessoas \u00e0s ruas em carreatas a fim protestar contra o isolamento social. Por um lado, temos os alinhados ao discurso presidencial, segundo o qual o sistema pol\u00edtico tradicional e a rede Globo semeiam a morte econ\u00f4mica da popula\u00e7\u00e3o pobre ao advogar medidas de isolamento que inviabilizam os pequenos neg\u00f3cios e a economia informal. Por outro lado, temos os perfilados com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), esgrimindo gr\u00e1ficos epidemiol\u00f3gicos em defesa da testagem em massa e do isolamento social como a maneira mais eficiente de evitar milhares de mortes f\u00edsicas. O negacionismo bolsonarista elegeu at\u00e9 seu campe\u00e3o na batalha contra o v\u00edrus: a cloroquina e a hidroxicloroquina. Ou seja, a guerra entre \u201cbolsominions\u201d e \u201cpetralhas\u201d foi substitu\u00edda por uma furiosa batalha paneleira entre \u201ccloroquiners\u201d e \u201cquarenteners\u201d. E a necropol\u00edtica agora alimenta uma escolha de Sofia: o que \u00e9 prefer\u00edvel, a morte econ\u00f4mica ou a morte f\u00edsica?<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que trata de reinventar sua estrat\u00e9gia em torno da mobiliza\u00e7\u00e3o permanente contra o inimigo interno, o governo federal tenta se livrar do \u00f4nus da crise econ\u00f4mica vindoura, transferindo-o para o colo de prefeitos e governadores que adotaram medidas isolacionistas. Ou seja, busca se livrar da culpa pela crise social que se avizinha, tentando assumir a capa do defensor do emprego e da renda dos trabalhadores prec\u00e1rios. Assim, Bolsonaro imagina localizar-se confortavelmente no hipot\u00e9tico cen\u00e1rio da conten\u00e7\u00e3o do v\u00edrus somada a uma crise econ\u00f4mica branda. Poderia ent\u00e3o surgir como \u00fanico l\u00edder de um pa\u00eds relevante a afirmar que o rem\u00e9dio do isolamento era mais amargo que a cura da pandemia.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguma chance de o ardil pol\u00edtico bolsonarista alcan\u00e7ar \u00eaxito? Grande parte da equa\u00e7\u00e3o montada pelo \u201cgabinete do \u00f3dio\u201d presidencial depende da resili\u00eancia das atuais bases populares do governo. O c\u00e1lculo seria mais ou menos o seguinte: se chegar ao fim da crise contando ainda com o apoio de cerca de 20% do eleitorado, Bolsonaro termina o mandato ainda com chances de figurar em 2022 entre os dois candidatos nas urnas do segundo turno. E o medo do retorno da esquerda ao poder lhe asseguraria um novo mandato. Trata-se de uma aposta altamente arriscada, pois subsumida aos humores populares em um momento de crise social. Aqui, vale lembrar que nos referimos basicamente aos evang\u00e9licos, que em 2018 garantiram ao candidato ultradireitista uma dianteira de mais de 10 milh\u00f5es de votos sobre\u00a0<a href=\"http:\/\/revistacult.uol.com.br\/home\/fernando-haddad-entrevista\/\">Fernando Haddad<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto, como bem nos lembra Max Weber em sua c\u00e9lebre sociologia pol\u00edtica, quando a f\u00e9 no cumprimento da promessa divina que sustenta a ades\u00e3o do crente ao l\u00edder carism\u00e1tico v\u00ea-se abalada pela fragilidade das provas da gra\u00e7a, inicia-se um interregno reflexivo que usualmente progride na dire\u00e7\u00e3o do abandono do chefe. Afinal, a lealdade do crente ao suposto escolhido por Deus nunca \u00e9 incondicional e pode avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o de um div\u00f3rcio litigioso. Se o desemprego aumentar ainda mais e, por consequ\u00eancia, os subempregos explodirem em n\u00famero, deteriorando as condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho dos mais pobres, \u00e9 bem poss\u00edvel que testemunhemos uma reviravolta na rela\u00e7\u00e3o de afinidade eletiva entre a \u00e9tica neopentecostal da prosperidade e o empreendedorismo econ\u00f4mico plebeu que, at\u00e9 o momento, favoreceu a ades\u00e3o de setores populares ao carisma de Jair Messias Bolsonaro.<\/p>\n<p>O presidente ultradireitista apostou em uma crise de sa\u00fade p\u00fablica mais ou menos controlada pelos governos estaduais e municipais, seguida por uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica r\u00e1pida nos pr\u00f3ximos anos como forma de assegurar a popularidade de seu projeto autorit\u00e1rio. Para tanto, conta com alguns trunfos importantes, como o pagamento do aux\u00edlio emergencial de 600 a 1.200 reais aos trabalhadores informais. N\u00e3o resta d\u00favida de que, num primeiro momento, o governo ser\u00e1 beneficiado pelos pagamentos emergenciais. Todavia, n\u00e3o est\u00e1 claro que efeito pol\u00edtico de m\u00e9dio prazo a experi\u00eancia popular em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda cidad\u00e3 teria sobre a massa precarizada de quase 90 milh\u00f5es de pessoas que se inscreveram no programa apenas at\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, no m\u00eas de abril. Afinal, o ultraneoliberalismo de Paulo Guedes preconizou sistematicamente o desmanche de direitos sociais protetivos. E seu \u00eaxito foi percebido por muitos.<\/p>\n<p>Em 2019, quando participei de uma pesquisa sobre trabalho e sofrimento ps\u00edquico, tive a oportunidade de verificar que muitos jovens entrantes no mercado de trabalho informal nem pensavam em se aposentar algum dia. A maior parte nem ao menos mirava um emprego com carteira de trabalho. Esses jovens consideravam a prote\u00e7\u00e3o social excessivamente distante de suas possibilidades, afirmando at\u00e9 com certo orgulho que n\u00e3o precisavam receber \u201cfavores\u201d de governo nenhum. Quando indagados sobre o futuro, esses jovens professavam sua f\u00e9 na provid\u00eancia divina: \u201cDeus prover\u00e1 meu sustento\u201d. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil identificar uma \u00e9tica influenciada pela teologia da prosperidade vertebrando a vis\u00e3o social de mundo desses jovens.<\/p>\n<p>No entanto, como conciliar este ethos laboral com a necessidade de acessar uma pol\u00edtica p\u00fablica emergencial desenhada para enfrentar o achatamento dos rendimentos dos informais causado por medidas de isolamento social? Ou como mitigar os riscos da pandemia quando os trabalhadores prec\u00e1rios est\u00e3o entre os grupos mais expostos \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus? \u00c9 pouco cr\u00edvel o cen\u00e1rio futuro tra\u00e7ado pelo governo ultradireitista, apoiado em uma pandemia controlada seguida por r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Resta saber como as bases populares do projeto autorit\u00e1rio reagir\u00e3o quando perceberem que, ao contr\u00e1rio do que dizem o ministro da Economia e os pastores televangelistas, a a\u00e7\u00e3o do Estado ser\u00e1 cada dia mais importante para assegurar a subsist\u00eancia dos trabalhadores pobres em meio \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>Aparentemente, o apoio das comunidades perif\u00e9ricas \u00e0s medidas de isolamento social esbo\u00e7a os contornos da mudan\u00e7a no humor popular. O bolsonarismo pode estar prestes a descobrir que, mesmo em sua vers\u00e3o neoliberal, a teologia da prosperidade deve ser capaz de agasalhar aqueles que aderirem a ela. E que, ao fim e ao cabo, o projeto necropol\u00edtico levado adiante pela \u201cfamil\u00edcia\u201d, com ou sem distribui\u00e7\u00e3o massiva de cloroquina e hidroxicloroquina, contradiz o amparo espiritual e a prosperidade material que o crente busca nessa religi\u00e3o. Afinal, o bolsonarismo n\u00e3o \u00e9 uma nova subst\u00e2ncia social criada pelas afinidades eletivas existentes entre a teologia da prosperidade e o empreendedorismo popular. Na realidade, trata-se apenas de outro falso \u00eddolo com a cabe\u00e7a de ouro, o peito de prata, as pernas de ferro e os p\u00e9s de barro.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"mgD5wK9ESc\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/o-capitao-colide-com-os-limites-da-necropolitica\/\">O capit\u00e3o colide com os limites da necropol\u00edtica<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;O capit\u00e3o colide com os limites da necropol\u00edtica&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/o-capitao-colide-com-os-limites-da-necropolitica\/embed\/#?secret=TlmDpMhNSF#?secret=mgD5wK9ESc\" data-secret=\"mgD5wK9ESc\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ruy Braga &#8211;\u00a0Algo crucial \u00e0 narrativa bolsonarista manqueja com a pandemia. 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