{"id":12924,"date":"2020-04-19T09:37:35","date_gmt":"2020-04-19T12:37:35","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=12924"},"modified":"2020-04-18T18:40:37","modified_gmt":"2020-04-18T21:40:37","slug":"coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/04\/19\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus: quatro cr\u00f4nicas do fim do mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Antonio Martins<\/strong> &#8211;\u00a0Os Estados gastam: desaba um pilar do neoliberalismo. No Brasil, a not\u00edcia tarda a chegar, o que custar\u00e1 muitas vidas. Para salvar os bancos, os EUA fabricam US$ 1,5 trilh\u00e3o. E se este dinheiro alimentasse o Comum? Reflex\u00f5es \u00e0 entrada da pandemia<\/p>\n<p>I.\u00a0<strong>A \u201causteridade\u201d acabou<\/strong><\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Coronav\u00edrus: quatro cr\u00f4nicas do fim do mundo\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oEjMw9sW9H8?start=1&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>\u201cThere is no alternative\u201d:\u00a0<em>n\u00e3o h\u00e1 alternativas<\/em>\u00a0(ao neoliberalismo), cansou-se de dizer, durante seu longo mandato (1979-90), a primeira-ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher. No entanto, foi nesse mesmo pa\u00eds que o mesm\u00edssimo Partido Conservador da \u201cDama de Ferro\u201d apresentou, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (11\/3) uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lemonde.fr\/economie\/article\/2020\/03\/12\/le-royaume-uni-tourne-la-page-de-l-austerite_6032744_3234.html\">proposta de Or\u00e7amento<\/a>\u00a0que rompe um dos pilares do pensamento de Thatcher. Para enfrentar o coronav\u00edrus, tentar reanimar uma economia amea\u00e7ada pela recess\u00e3o e reagir de algum modo \u00e0 mudan\u00e7a de \u00e2nimo da sociedade, o Estado brit\u00e2nico gastar\u00e1 algo como US$ 220 bilh\u00f5es\u00a0<em>a mais<\/em>, nos pr\u00f3ximos cinco anos. Entre outras iniciativas, o primeiro-ministro Boris Johnson quer uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/uk-16473296\">nova linha ferrovi\u00e1ria<\/a>, de alta velocidade, ligando Londres ao Norte. A cren\u00e7a em que os mercados devem animar e regular a si pr\u00f3prios ser\u00e1 deixada de lado, ao menos por enquanto.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas de \u201causteridade\u201d n\u00e3o est\u00e3o sucumbindo apenas na Inglaterra. Na Espanha, dirigida por uma coaliz\u00e3o e centro-esquerda e esquerda, o governo anunciou em 12\/3 um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.publico.es\/politica\/crisis-coronavirus-pymes-podran-aplazar-fraccionar-deudas-tributarias-seis-meses.html\">pacote\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/www.publico.es\/politica\/crisis-coronavirus-pymes-podran-aplazar-fraccionar-deudas-tributarias-seis-meses.html\">de emerg\u00eancia<\/a>, que incluir\u00e1 apoio financeiro \u00e0s pequenas empresas e aos trabalhadores aut\u00f4nomos. Planos semelhantes, lan\u00e7ados (com distintas profundidades) na China, Alemanha, Jap\u00e3o e It\u00e1lia, foram\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/o-posto-ipiranga-nao-tem-mais-combustivel\/\">relatados<\/a>\u00a0por\u00a0<em>Outras Palavras.\u00a0<\/em>Nesse exato instante, o Congresso dos EUA e a Casa Branca\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/03\/12\/business\/economy\/coronavirus-response-wall-street.html\">negociam<\/a>, em regime de urg\u00eancia, medidas que ampliam direitos sociais e tentam estimular a Economia. E at\u00e9 o FMI, conhecido pelo rigor com que trata os pa\u00edses (e pelas press\u00f5es que exerce agora contra a Argentina e o L\u00edbano) acaba de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.imf.org\/pt\/News\/Articles\/2020\/03\/06\/fiscal-policies-to-protect-people-during-the-coronavirus-outbreak?sc_mode=1\">admitir<\/a>, ainda que discretamente: \u00e9 preciso fazer manobras fiscais diante da crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<div id=\"outra-1830637156\" class=\"outra-content\">\n<p><strong>+\u00a0<\/strong>Em meio \u00e0 crise civilizat\u00f3ria e \u00e0 amea\u00e7a da extrema-direita,\u00a0<strong>OUTRAS PALAVRAS<\/strong>\u00a0sustenta que o p\u00f3s-capitalismo \u00e9 poss\u00edvel. Queremos sugerir alternativas ainda mais intensamente. Para isso, precisamos de recursos: a partir de 15 reais por m\u00eas voc\u00ea pode fazer parte de nossa rede.<strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrosquinhentos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Veja como participar &gt;&gt;&gt;<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>Ao comentar o novo or\u00e7amento do Reino Unido, um alto assessor financeiro do governo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lemonde.fr\/economie\/article\/2020\/03\/12\/le-royaume-uni-tourne-la-page-de-l-austerite_6032744_3234.html\">disse ao\u00a0<\/a><em><a href=\"https:\/\/www.lemonde.fr\/economie\/article\/2020\/03\/12\/le-royaume-uni-tourne-la-page-de-l-austerite_6032744_3234.html\">Le Monde<\/a>:\u00a0<\/em><em>h<\/em>aver\u00e1 \u201ca fuckload of money\u201d, \u201cum pacote fodido de dinheiro\u201d. Talvez a baronesa Thatcher se sentisse ofendida.<\/p>\n<p>II.\u00a0<strong>Como no tempo das caravelas<\/strong><\/p>\n<p>Em 1820, quando a chamada \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Liberal\u201d, iniciada no Porto, espalhou-se pelo territ\u00f3rio portugu\u00eas, sacudiu a monarquia absoluta e exigiu a volta do rei D. Jo\u00e3o VI, passaram-se dois meses at\u00e9 que as not\u00edcias chegassem ao Brasil. Vinham em mensagens transportadas pelas caravelas. As tecnologias mudaram, mas a submiss\u00e3o e o pensamento colonial resistem. Quase dois meses transcorreram desde 23 de janeiro, quando o governo chin\u00eas isolou a cidade de Wuhan e exp\u00f4s ao mundo a gravidade de uma doen\u00e7a com taxa de morbidade moderada, mas extraordin\u00e1ria capacidade de cont\u00e1gio e elevado \u00edndice de hospitaliza\u00e7\u00e3o e uso de UTIs.\u00a0<em>Nenhuma\u00a0<\/em>provid\u00eancia relevante foi tomada pelo governo brasileiro para fazer frente a amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Na \u00faltima segunda-feira (9\/3),\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.estadao.com.br\/noticias\/geral,brincando-com-fogo,70003227993\">um artigo<\/a>\u00a0do bi\u00f3logo molecular Fernando Reinach no\u00a0<em>Estado\u00a0<\/em><em>de S.Paulo,<\/em>\u00a0exp\u00f4s o\u00a0<em>q<\/em>uadro. \u00c0quela altura, as autoridades eram incapazes sequer de projetar um cen\u00e1rio de propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a (o que, ess\u00eancia, persiste at\u00e9 hoje). Sem faz\u00ea-lo, n\u00e3o tinham as menores condi\u00e7\u00f5es de tra\u00e7ar uma estrat\u00e9gia de conten\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. E omitiam-se at\u00e9 mesmo das provid\u00eancias b\u00e1sicas, que precisam ser adotadas seja qual for a amea\u00e7a sanit\u00e1ria que acossa o pa\u00eds. O texto apontava-as.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para o\u00a0<em>distanciamento social\u00a0<\/em>dos infectados. Isso \u00e9 especialmente necess\u00e1rio pelas caracter\u00edsticas do coronav\u00edrus. Cerca de 80% dos que contraem o pat\u00f3geno desenvolvem apenas sintomas brandos, semelhantes aos de uma gripe comum. Por\u00e9m, enquanto forem portadores, n\u00e3o podem continuar circulando, porque s\u00e3o agentes de contamina\u00e7\u00e3o muito potentes. Para saberem que devem permanecer em suas casas, \u00e9 indispens\u00e1vel que sejam\u00a0<em>submetidos a testes.\u00a0<\/em>Na China e na Coreia do Sul, alguns dos pa\u00edses que est\u00e3o superando mais rapidamente a pandemia, a popula\u00e7\u00e3o teve acesso f\u00e1cil e vast\u00edssimo a eles. Os graus de distanciamento social variaram: na China, foi compuls\u00f3rio, com quarentena coletiva de dezenas de milh\u00f5es; na Coreia, muito efeitvo. Mas os pa\u00edses que tardaram a adotar qualquer isolamento, como a It\u00e1lia, s\u00e3o agora os que mais sofrem.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o criou,\u00a0<em>dois meses depois<\/em>\u00a0de lan\u00e7ado o alarme global, estrutura para testes. A Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, um \u00f3rg\u00e3o de excel\u00eancia perseguido pelo governo federal desde o golpe de 2016, desenvolveu muito rapidamente um kit eficaz para tanto. Mas n\u00e3o houve destina\u00e7\u00e3o de recursos para produzi-lo em massa. Trinta mil kits est\u00e3o prontos; fala-se em fazer apenas mais 20 mil. O minist\u00e9rio da Sa\u00fade anunciou que\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/coronavirus\/entenda-por-que-brasil-resiste-seguir-modelo-chines-contra-coronavirus-24286999\"><em>n\u00e3o\u00a0<\/em><\/a><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/coronavirus\/entenda-por-que-brasil-resiste-seguir-modelo-chines-contra-coronavirus-24286999\">pretende<\/a>\u00a0oferecer o recurso \u00e0 grande maioria da popula\u00e7\u00e3o \u2013 o que \u00e9 um grave erro,\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/coronavirus\/entenda-por-que-brasil-resiste-seguir-modelo-chines-contra-coronavirus-24286999\">segundo o vice-presidente<\/a>\u00a0da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo. Parece ainda mais bizarro porque, h\u00e1 apenas dois dias, a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade decidiu que os clientes dos planos de sa\u00fade\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2020\/03\/ans-obriga-planos-de-saude-a-bancarem-testes-para-coronavirus.shtml\">t\u00eam direito\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2020\/03\/ans-obriga-planos-de-saude-a-bancarem-testes-para-coronavirus.shtml\">de<\/a><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2020\/03\/ans-obriga-planos-de-saude-a-bancarem-testes-para-coronavirus.shtml\">\u00a0exigir<\/a>\u00a0este mesmo teste. Em meio a uma pandemia, o Brasil estar\u00e1 reduzindo a maioria da popula\u00e7\u00e3o, usu\u00e1ria do SUS, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de paciente de segunda categoria?<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>O distanciamento social \u00e9 a primeira linha de defesa, por evitar que um percentual muito alto das popula\u00e7\u00f5es seja infectado (fala-se em at\u00e9 70%, quando n\u00e3o h\u00e1 medidas protetivas). A segunda provid\u00eancia indispens\u00e1vel \u00e9 assegurar leitos aos que deles necessitar\u00e3o. Os exemplos internacionais dispon\u00edveis sugerem que, dos, infectados, 15% requerem hospitaliza\u00e7\u00e3o; e 5%, UTI. Como a doen\u00e7a ataca os pulm\u00f5es, s\u00e3o necess\u00e1rios, nos quadros agudos, medidas de assist\u00eancia respirat\u00f3ria que incluem o bal\u00e3o de oxig\u00eanio, o entubamento e, em alguns casos, a oxigena\u00e7\u00e3o extra-corp\u00f3rea. Por isso, os chineses constru\u00edram, em duas semanas, dois hospitais para 1000 pacientes.<\/p>\n<p>No momento em que esta nota \u00e9 redigida, as provid\u00eancias adotadas pelas autoridades brasilerais para que os hospitais brasileiros acolham os acometidos graves do coronav\u00edrus s\u00e3o, no m\u00e1ximo, cosm\u00e9ticas. No final de janeiro, o minist\u00e9rio da Sa\u00fade anunciou, com alarde, uma medida muito t\u00edmida: a contrata\u00e7\u00e3o, na rede hospitalar privada, de mil leitos, em todo o pa\u00eds. Um m\u00eas passou-se e, revelou o\u00a0<em>Estado de S.Paulo,\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/saude.estadao.com.br\/noticias\/geral,ministerio-da-saude-so-cria-10-de-novos-leitos-prometidos-para-coronavirus,70003229671\">apenas 10%<\/a>\u00a0foram reservados. Dos 16 mil leitos de UTI existentes no SUS, 15,2 mil (95%) estavam ocupados em 11\/3,\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/em-meio-pandemia-de-coronavirus-brasil-precisaria-de-3200-novos-leitos-de-uti-no-sus-24299306\">calculou<\/a><em>\u00a0O Globo.<\/em>O pa\u00eds corria o risco de se converter numa It\u00e1lia piorada. L\u00e1, devido ao descaso inicial, at\u00e9 os centro cir\u00fargicos precisam agora ser temporariamente desativados, para que sirvam como UTIs com respira\u00e7\u00e3o assistida. M\u00e9dicos e enfermeiros t\u00eam sido frequentemente submetidos \u00e0 situ\u00e7\u00e3o conhecida como \u201c<a href=\"https:\/\/epocanegocios.globo.com\/Mundo\/noticia\/2020\/03\/coronavirus-medicos-na-italia-podem-ter-de-fazer-escolha-de-sofia-por-quem-vai-receber-tratamento.html\">escolha de Sofia<\/a>\u201d: diante de dois ou mais pacientes necessitando de cuidados intensivos, precisam decidir qual ter\u00e1 chances de sobreviver.<\/p>\n<p>A terceira medida indispens\u00e1vel \u00e9 o atendimento domiciliar aos doentes. Para que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o superlote os hospitais, expondo-se a riscos ainda maiores de contamina\u00e7\u00e3o, a rede de Sa\u00fade p\u00fablica precisa estar presente na capilaridade \u2013 atendendo e orientando a popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o necessita de cuidados hospitalares. Mas a eclos\u00e3o do coronav\u00edrus ocorre precisamente sob o impacto do fim do Mais M\u00e9dicos, que atuava nas comunidades mais desassistidas, e do desmonte progressivo do Programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia, cujo papel agora \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Duas raz\u00f5es explicam a paralisia do governo diante de um quadro t\u00e3o grave. Primeiro, a atitude ideol\u00f3gica de nega\u00e7\u00e3o, adotada por Bolsonaro. Exatamente como Donald Trump, ele passou semanas recusando-se a admitir a gravidade da amea\u00e7a, atribuindo-a a uma conspira\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. Omitiu-se, quando o papel do presidente era liderar. Desmobilizou o Estado, no momento em que este era crucial,<\/p>\n<p>O segundo fator relaciona-se a interesses muito mais concretos. Enfrentar a pandemia exige romper dogmas. Mas tanto o governo quanto o poder econ\u00f4mico e a m\u00eddia continuam aferrrados \u00e0 agenda de ataque aos servi\u00e7os p\u00fablicos e direitos sociais. Para equipar os hospitais, recuperar a rede capilar do SUS, restabelecer o Mais M\u00e9dicos, refor\u00e7ar o Sa\u00fade da Fam\u00edlia, s\u00e3o necess\u00e1rios recursos. O governo evita adotar a provid\u00eancia elementar para tanto \u2013 revogar a Emenda Constitucional 95, descongelar o gasto social. Os jornais e TVs silenciam. Temem que a revoga\u00e7\u00e3o abra o debate sobre o desmonte do embri\u00e3o de Estado Social que o Brasil constituiu ap\u00f3s a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Seu projeto \u00e9 desfaz\u00ea-lo. As v\u00edtimas do coronav\u00edrus ser\u00e3o tratadas, nesta l\u00f3gica, como \u201cdanos colaterais\u201d.<\/p>\n<p><strong>III. Onde se joga o grande jogo<\/strong><\/p>\n<p>Comparar as atitudes adotadas do governo brasileiro, diante da crise, com as do Reino Unido, Espanha ou Coreia do Sul pode levar a uma falsa impress\u00e3o. L\u00e1, ao contr\u00e1rio daqui, o capitalismo teria aceito entregar os an\u00e9is, para preservar os dedos.<\/p>\n<p>Para compreender como esta ideia \u00e9 ilus\u00f3ria, basta analisar um fato. Na quinta-feira (12\/3), as principais bolsas de valores do mundo sofreram o pior rev\u00e9s, em muitos anos. As perdas acumuladas, ap\u00f3s tr\u00eas semanas de coronav\u00edrus, superaram as da crise de 2008. Imediatamente, Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano),\u00a0<a href=\"https:\/\/markets.businessinsider.com\/news\/stocks\/fed-repo-trillions-added-to-fight-coronavirus-economic-risk-recession-2020-3-1028991278\">anunciou um mega-pacote<\/a>\u00a0de resgate, de 1,5\u00a0<em>trilh\u00e3o de d\u00f3lares.\u00a0<\/em>Vale comparar: em segundos, liberou-se um volume de recursos\u00a0<em>6,8<\/em><em>\u00a0vezes\u00a0<\/em><em>maior que\u00a0<\/em>\u201cfuckload of money\u201d destinado aos gastos adicionais do Estado brit\u00e2nico, nos pr\u00f3ximos cinco anos. Na sexta-feira pela manh\u00e3, outros bancos centrais anunciaram movimentos semelhantes. A baronesa Thatcher ficaria orgulhosa.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o de salvamento demonstra como s\u00e3o grandes os riscos de uma crise financeira e econ\u00f4mica global. O mecanismo deflagrador foi\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/por-que-os-mercados-globais-estao-em-panico\/\">descrito em detalhes<\/a>\u00a0por\u00a0<em>Outras Palavras\u00a0<\/em>h\u00e1 uma semana. Os bancos, inundados de dinheiro pelos Estados desde 2008 e em busca de lucros cada vez maiores, emprestaram montanhas de dinheiro a grandes corpora\u00e7\u00f5es. Grande parte dos cr\u00e9ditos foi oferecida de modo irrespons\u00e1vel, a empresas que n\u00e3o poder\u00e3o saldar as d\u00edvidas, se a engrenagem do endividamento permanente parar de circular. O coronav\u00edrus exerceu o papel do gr\u00e3o de areia. A paralisa\u00e7\u00e3o de diversos setores \u2013 avia\u00e7\u00e3o, hotelaria, automobil\u00edstico, eletr\u00f4nico, entre outros \u2013 reduziu a receita de muitas destas empresas e exp\u00f4s sua poss\u00edvel insolv\u00eancia. Se ela se concretizar, os pr\u00f3prios bancos ser\u00e3o o elo a seguir, na linha de cont\u00e1gio. Cada sinal de debilidade das economias provocar\u00e1 um novo abalo nos mercados financeiros. O desta semana foi a interrup\u00e7\u00e3o dos voos entre Europa e Estados Unidos, decretada por Trump para mostrar \u201ccomportamento macho\u201d diante da crise, depois de semanas de negacionismo.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o de resgate dos bancos centrais provavelmente n\u00e3o apagar\u00e1 o inc\u00eandio. Mas vale a pena debater, em particular, dois de seus aspectos. Foi, em primeiro lugar, um ato em favor da economia-cassino. \u00c9 como se o Fed e seus correlatos avisassem, aos mega-especuladors globais, que podem continuar apostando, indefinidamente e sem medo, porque seus eventuais preju\u00edzos ser\u00e3o bancados\u2026 pelos Estados.<\/p>\n<p>Segundo, e ainda mais espantoso: US$ 1,5 trilh\u00e3o foi\u00a0<em>criado do nada,\u00a0<\/em>por ato exclusivo de tecnocratas cujas decis\u00f5es jamais s\u00e3o submetidos \u00e0s sociedades. N\u00e3o houve um minuto de debate, no Congresso ou na imprensa. Nenhum centavo do or\u00e7amento norte-americano precisou ser deslocado. N\u00e3o faltar\u00e1 um saco de cimento ao muro que Donald Trump quer construir contra o M\u00e9xico, ou um naco de\u00a0<em>nugget\u00a0<\/em>\u00e0s refei\u00e7\u00f5es que 165 mil soldados norte-americanos, espalhados por 150 pa\u00edses, recebem por dia.<\/p>\n<p>\u00c9 como se houvesse, no capitalismo financeirizado, dois estoques paralelos de dinheiro. Um circula entre milh\u00f5es de pessoas que trabalham, consomem, trocam, pagam impostos, usufruem dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Outro volume de dinheiro \u00e9\u00a0<em>criado do nada\u00a0<\/em>pelos bancos centrais e comerciais. Os dois estoques, por\u00e9m, circulam igualmente \u2013 v\u00e3o \u00e0s compras juntos. As c\u00e9dulas t\u00eam as mesmas ef\u00edgies; os sinais magn\u00e9ticos que movimentam as contas banc\u00e1rias s\u00e3o id\u00eanticos. As montanhas de dinheiro transferidas aos bancos desde 2008 \u2013 cerca de US$ 40 trilh\u00f5es \u2013 s\u00e3o as que inflacionam os mercados imobili\u00e1rios das metr\u00f3poles em todo o mundo e aceleram a desnacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas na periferia do sistema.<\/p>\n<p>Fa\u00e7a, agora, um c\u00e1lculo simples. Imagine que, ao inv\u00e9s de socorrer os bancos, o Fed distribu\u00edsse US$ 1,5 trilh\u00e3o entre os 300 milh\u00f5es de habitantes dos EUA. Seriam US$ 5 mil para cada um. Pergunte a si mesmo: se\u00a0<em>criar dinheiro do nada<\/em>\u00a0para um punhado de bancos, corpora\u00e7\u00f5es e bilion\u00e1rios \u00e9 poss\u00edvel \u2013 por que seria invi\u00e1vel usar a moeda como ferramenta para a igualdade e a garantia de vida digna para todos?<\/p>\n<p><strong>IV. Nada ser\u00e1 como antes<\/strong><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Comum, a moeda tem duplo car\u00e1ter. Como equivalente geral de todos os bens e servi\u00e7os, \u00e9 um facilitador das rela\u00e7\u00f5es humanas. Por meio dela, produtores e consumidores de uma infinidade de itens podem faz\u00ea-los circular com facilidade. Sem dinheiro, cada troca exigiria um duplo interesse. Eu posso desejar o arroz que voc\u00ea produz. Mas para t\u00ea-lo, \u00e9 preciso que voc\u00ea queira, simultaneamente, meus servi\u00e7os de produtor de semin\u00e1rios sobre Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia. Basta que um dos interesses n\u00e3o se concretize para frustrar a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a moeda \u00e9 tamb\u00e9m, ao contr\u00e1rio,\u00a0<em>reserva de valor,\u00a0<\/em>instrumento de acumula\u00e7\u00e3o infinita de riquezas e, nesta condi\u00e7\u00e3o, de desigualdade e competi\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria \u2013 portanto, um contra-Comum. Se ambos plantamos laranjas, ou produzimos v\u00eddeos, e eu pude enriquecer muito mais que voc\u00ea, posso fazer contatos com um n\u00famero muito maior de clientes ou fornecedores; enfrentar situa\u00e7\u00f5es de incerteza sem perecer; oferecer condi\u00e7\u00f5es de pagamento mais favor\u00e1veis; promover o que produzo por meio de publicidade intensa; contratar advogados e \u201cinfluenciar\u201d pol\u00edticos a meu favor. Ao final, acabarei arruinando voc\u00ea e, quem sabe, obrigando-o a trabalhar para mim. Quanto maior a concentra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mais o dinheiro serve para\u00a0<em>bloquear\u00a0<\/em>o Comum. Experimente produzir uma cerveja nos quintais da Ambev, ou montar uma equipe de engenheiros para criar um motor de buscas na internet alternativo ao Google.<\/p>\n<p>Sob o capitalismo financeirizado, a situa\u00e7\u00e3o chega ao extremo: o dinheiro \u00e9 quase exclusivamente contra-Comum. Converte-se no combust\u00edvel de um imenso cassino financeiro global que n\u00e3o p\u00e1ra nunca, e onde o volume de opera\u00e7\u00f5es especulativas \u00e9 ao menos\u00a0<em>vinte vezes\u00a0<\/em>superior ao de todo o com\u00e9rcio global. Por meio dos juros da d\u00edvida p\u00fablica, este cassino extrai dinheiro das sociedades e Estados, e sucateia os servi\u00e7os p\u00fablicos. Por meio dos mercados de a\u00e7\u00f5es, imp\u00f5e \u00e0s empresas a l\u00f3gica do lucro m\u00e1ximo, obtido gra\u00e7as \u00e0 competi\u00e7\u00e3o for\u00e7ada entre os trabalhadores, redu\u00e7\u00e3o de direitos, devasta\u00e7\u00e3o da natureza. O movimento incessante do cassino produz uma sociedade em que os seis maiores bilion\u00e1rios possuem tanta riqueza quando a metade mais empobrecida dos habitantes do planeta. E quando um gr\u00e3o de areia, como o coronav\u00edrus, bloqueia a engrenagem, os Estados\u00a0<em>criam do nada<\/em>, num piscar de olhos, trilh\u00f5es de d\u00f3lares para tentar reengrax\u00e1-la.<\/p>\n<p>Mas se o dinheiro transformou-se t\u00e3o completamente numa\u00a0<em>rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica,\u00a0<\/em>ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dar-lhe outro sentido. \u00c9 poss\u00edvel propor a\u00a0<em>Moeda Social.<\/em><\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica em que o mundo est\u00e1 ingressando transformar\u00e1 as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u2013 para pior ou melhor. Nas condi\u00e7\u00f5es atuais, setores-chave ser\u00e3o atingidos: da avia\u00e7\u00e3o, turismo e ind\u00fastria automobil\u00edstica ao com\u00e9rcio e servi\u00e7os locais, nas cidades cada vez mais numerosas que adotarem restri\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o. Milhares de empresas ser\u00e3o incapazes de suportar a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica de atividades e quebrar\u00e3o. Haver\u00e1 milh\u00f5es de novos desocupados. Para escapar, muitos \u2013 pessoas e empresas \u2013 recorrer\u00e3o ao cr\u00e9dito comercial e se submeter\u00e3o aos juros e regras dos bancos.<\/p>\n<p>Mas e se as condi\u00e7\u00f5es mudarem, por meio da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das maiorias? Imagine uma situa\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica. Num outro Brasil, cria-se a Renda Cidad\u00e3 de Emerg\u00eancia. Decide-se que cada pessoa receber\u00e1, para fazer frente \u00e0s agruras da crise sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica, cem Reais Sociais (S$ 100) di\u00e1rios, enquanto durar a pandemia. Esta moeda ter\u00e1\u00a0<em>curso for\u00e7ado\u00a0<\/em>\u2013 ou seja, ser\u00e1 aceita nas mesmas condi\u00e7\u00f5es que os reais comuns. Os Reais Sociais ser\u00e3o\u00a0<em>criad<\/em><em>os<\/em><em>\u00a0do nada\u00a0<\/em>e depositados em contas individuais, abertas diretamente pelo Banco Central e movimentadas por meio de aplicativos. Esta a\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica transformaria a vida econ\u00f4mica e social de 200 milh\u00f5es de pessoas. As fam\u00edlias n\u00e3o se angustiariam por permanecer com os filhos em casa, no fechamento das escolas. Nenhum uberizado precisaria continuar trabalhando, apesar de sentir os sintomas do doen\u00e7a. O dono de um pequeno restaurante n\u00e3o iria \u00e0 fal\u00eancia, por passar tr\u00eas meses com clientela em queda abrupta. Mas este tipo de transforma\u00e7\u00e3o, que parece surreal, \u00e9\u00a0<em>exatamente o mesmo\u00a0<\/em>que j\u00e1 ocorre \u2013 obviamente, em sentido oposto \u2013 quando o Banco Central transfere para o 0,1% mais rico, sob a forma de juros da d\u00edvida, os recursos que nega ao SUS.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese acima \u00e9 rudimentar. A cria\u00e7\u00e3o de moeda pol\u00edtica em favor das maiorias pode ter muitos outros fins, al\u00e9m da Renda Cidad\u00e3. Transformar as escolas p\u00fablicas nas Escolas de Excel\u00eancia. Estender as redes de saneamento a todos os brasileiros. Despoluir os rios. Engendrar uma Economia de Conhecimento da Natureza na Amaz\u00f4nia. Estabelecer uma rede de ferrovias, num pa\u00eds continental. Financiar uma revolu\u00e7\u00e3o urban\u00edstica das periferias. Estimular as ind\u00fastrias que produzir\u00e3o os bens necess\u00e1rios para concretizar todos estes objetivos.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>O que hoje parece imposs\u00edvel n\u00e3o o ser\u00e1, ap\u00f3s a pandemia. Enquanto a crise se desenvolver, e quando a onda finalmente tiver passado, a humanidade estar\u00e1, como ao t\u00e9rmino das guerras, diante de duas quest\u00f5es. Como foi poss\u00edvel? Como evitar que se repita?<\/p>\n<p>N\u00e3o faltar\u00e3o teorias conspirat\u00f3rias, explica\u00e7\u00f5es sobrenaturais, respostas xenof\u00f3bicas. Mas vai se abrir espa\u00e7o, tamb\u00e9m, a um feixe argumentos de sentido p\u00f3s-capitalista. Bens como Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Habita\u00e7\u00e3o e Transportes \u2013 que garantem o acesso \u00e0s comodidades essenciais da vida contempor\u00e2nea \u2013 precisam ser oferecidos a todos, sem contrapartida financeira ou a pre\u00e7os muito m\u00f3dicos. Para faz\u00ea-lo, \u00e9 preciso garantir Servi\u00e7os P\u00fablicas geridos segundo a l\u00f3gica da excel\u00eancia e do acesso universal \u2013 n\u00e3o do lucro.<\/p>\n<p>O choque do coronav\u00edrus pode jogar foco, entre outras, em pol\u00edticas como a Renda B\u00e1sica da Cidadania, o Emprego Digno Garantido, o Green New Deal \u2013 e em concep\u00e7\u00f5es como a Teoria Monet\u00e1ria Moderana. O mundo que emergir\u00e1 ao fim da pandemia continuar\u00e1 conflituoso e incerto \u2013 mas as disputas estar\u00e3o colocadas em outros termos. Nada ser\u00e1 como antes. \u00c9 preciso nos preparar.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"OVjdoWgrQP\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/\">Coronav\u00edrus: quatro cr\u00f4nicas do fim do mundo<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Coronav\u00edrus: quatro cr\u00f4nicas do fim do mundo&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/embed\/#?secret=gLYCNQsCoE#?secret=OVjdoWgrQP\" data-secret=\"OVjdoWgrQP\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>1<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Martins &#8211;\u00a0Os Estados gastam: desaba um pilar do neoliberalismo. 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Reflex\u00f5es \u00e0 entrada da pandemia I.\u00a0A \u201causteridade\u201d acabou \u201cThere is no alternative\u201d:\u00a0n\u00e3o h\u00e1 alternativas\u00a0(ao neoliberalismo), cansou-se [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/04\/19\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2020-04-19T12:37:35+00:00","og_image":[{"width":750,"height":410,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/neoliberalismo-exploracao.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"16 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2020\/04\/19\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2020\/04\/19\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"Coronav\u00edrus: quatro cr\u00f4nicas do fim do mundo","datePublished":"2020-04-19T12:37:35+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2020\/04\/19\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/"},"wordCount":3300,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2020\/04\/19\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/neoliberalismo-exploracao.jpg?fit=750%2C410&ssl=1","keywords":["Coronav\u00edrus","Neoliberalismo"],"articleSection":["Economia"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2020\/04\/19\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2020\/04\/19\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2020\/04\/19\/coronavirus-quatro-cronicas-do-fim-do-mundo\/","name":"Coronav\u00edrus: quatro cr\u00f4nicas do fim do mundo - 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