{"id":12915,"date":"2020-04-16T09:41:28","date_gmt":"2020-04-16T12:41:28","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=12915"},"modified":"2020-04-14T20:43:16","modified_gmt":"2020-04-14T23:43:16","slug":"uma-esfinge-na-presidencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/04\/16\/uma-esfinge-na-presidencia\/","title":{"rendered":"UMA ESFINGE NA PRESID\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p><strong>MIGUEL LAGO<\/strong> &#8211; Bolsonaro precisa do impeachment para fazer sua revolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<blockquote>\n<div class=\"post-legenda\">O saldo nas redes: a internet permite falar com um p\u00fablico muito mais diverso, entretanto tamb\u00e9m traz uma dificuldade extra \u2013 a fragilidade e a superficialidade do engajamento<\/div>\n<\/blockquote>\n<div class=\"post-inner\">\n<p><span class=\"capitalize\">E<\/span>m um mito grego, um monstro chamado Esfinge aterroriza a cidade de Tebas com um enigma: \u201cQue criatura pela manh\u00e3 tem quatro p\u00e9s, \u00e0 tarde tem dois e \u00e0 noite tem tr\u00eas?\u201d Ao que adiciona: \u201cDecifra-me ou devoro-te.\u201d O mesmo faz Jair Messias Bolsonaro nos dias que correm: lan\u00e7a um enigma \u00e0s institui\u00e7\u00f5es para ver se elas respondem. Se n\u00e3o o fizerem, ser\u00e3o devoradas.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, o presidente fez acenos aos seus seguidores e os encorajou a participar das manifesta\u00e7\u00f5es de 15 de mar\u00e7o contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Ele pr\u00f3prio compareceu em uma delas e cumprimentou o p\u00fablico. Chegou a compartilhar um v\u00eddeo em que elogiava a iniciativa ao se dirigir a militares, policiais e empres\u00e1rios. N\u00e3o fosse o coronav\u00edrus, ter\u00edamos visto um n\u00famero muito maior de pessoas manifestando-se a favor do presidente e contra as institui\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o de Bolsonaro foi criticada pelo estamento pol\u00edtico. O ministro Celso de Mello, do STF, declarou que o presidente n\u00e3o estava \u00e0 altura do cargo; o governador de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o Doria, criticou aquilo que chamou de \u201cgoverno de \u00f3dio\u201d. No dia da manifesta\u00e7\u00e3o, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Rodrigo Maia, presidente da C\u00e2mara, criticaram a atua\u00e7\u00e3o de Bolsonaro na sa\u00fade p\u00fablica, uma vez que, ao participar dos protestos e saudar os manifestantes, o presidente da Rep\u00fablica desrespeitou os protocolos do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para conter a epidemia de coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 CNN Brasil, foi dado ao presidente um largo tempo de tev\u00ea para que esclarecesse sua atitude. Bolsonaro provocou Alcolumbre e Maia convidando-os a comparecerem nas manifesta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m, dizendo que pol\u00edtica se faz por interm\u00e9dio do povo. Por fim, disse que as negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o poderiam ser feitas nos bastidores e sim publicamente, com a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. O discurso da liga\u00e7\u00e3o direta entre o l\u00edder e o povo, que ignora a intermedia\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es, \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o mais cl\u00e1ssica de populismo.<\/p>\n<p>O fato de o presidente incitar subvers\u00e3o aos poderes institu\u00eddos pela Constitui\u00e7\u00e3o faz parte de um movimento mais antigo, que remonta aos tempos de campanha, quando, repetidas vezes, ele desacreditou os procedimentos, os pesos e contrapesos da Rep\u00fablica. Esse movimento coloca as institui\u00e7\u00f5es diante de um enigma: como evitar que Bolsonaro destrua as institui\u00e7\u00f5es sem estimular, com isso, a ades\u00e3o popular ao presidente?<\/p>\n<p>Repreender exemplarmente Bolsonaro pode aumentar o \u00f3dio da parcela da popula\u00e7\u00e3o que o apoia. Deix\u00e1-lo falar abertamente contra as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas pode levar descr\u00e9dito a essas mesmas institui\u00e7\u00f5es. Mas o enigma de Bolsonaro subiu um degrau quando ele pr\u00f3prio, presidente do pa\u00eds, apoiou manifesta\u00e7\u00f5es que pedem o fechamento do Congresso e do Supremo. \u00c9 um ponto-limite que exige uma resposta firme do Congresso.<\/p>\n<p>Do ponto de vista institucional, a resposta mais adequada talvez seja o impeachment, como sugeriu o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel \u2013 ex-aliado do presidente, eleito gra\u00e7as ao poderio cibern\u00e9tico do cl\u00e3 Bolsonaro. O Congresso instauraria um processo de impedimento como resposta para mostrar que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o tolerar\u00e3o qualquer discurso e a\u00e7\u00e3o golpista por parte do Executivo.<\/p>\n<p>Tal medida configuraria uma decis\u00e3o acertada, que reafirmaria o equil\u00edbrio de poderes: impedir que um eleito de perfil totalit\u00e1rio se torne um totalit\u00e1rio de fato. A medida transmitiria em alto e bom som ao pa\u00eds a mensagem de que as institui\u00e7\u00f5es de controle s\u00e3o mais fortes do que os arroubos ditatoriais do Executivo, e por conseguinte as institui\u00e7\u00f5es sairiam mais fortalecidas. Existe, inclusive, embasamento jur\u00eddico para fundamentar o pedido, segundo juristas. No entanto, do ponto de vista pol\u00edtico, aos olhos dos simpatizantes do presidente, um pedido de impedimento confirmaria a tese de que o Congresso e o STF querem inviabilizar o seu governo. Consequentemente, esses seguidores se voltariam contra as institui\u00e7\u00f5es em definitivo, abrindo ainda mais espa\u00e7o para a radicaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma alternativa, que evitaria a radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento anti-Congresso e anti-STF, seria criticar publicamente essas posturas, sem tomar qualquer medida concreta contra as a\u00e7\u00f5es do presidente \u2013 caminho que, aparentemente, os l\u00edderes do Congresso decidiram seguir. Dessa maneira, a bandeira principal do s\u00e9quito bolsonarista n\u00e3o encontraria fundamenta\u00e7\u00e3o, e o discurso que teima na tese da persegui\u00e7\u00e3o ao presidente seria esvaziado. Entretanto, essa medida coloca as institui\u00e7\u00f5es numa postura passiva, contribuindo para a normaliza\u00e7\u00e3o do discurso antidemocr\u00e1tico.<\/p>\n<p>O enigma, portanto, n\u00e3o pode ser esclarecido recorrendo \u00e0s ferramentas cl\u00e1ssicas da ci\u00eancia pol\u00edtica. \u00c9 melhor analis\u00e1-lo \u00e0 luz do ativismo digital.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"capitalize\">A<\/span>hist\u00f3ria pol\u00edtica dir\u00e1 se Bolsonaro prepara um golpe de Estado, um autogolpe, para ser mais preciso. Como qualquer l\u00edder populista, ele cria uma conex\u00e3o direta com a popula\u00e7\u00e3o, visando coloc\u00e1-la contra o Congresso, enquanto busca o apoio das For\u00e7as Armadas para fech\u00e1-lo. O presidente peruano Alberto Fujimori, populista eleito como\u00a0<em>outsider<\/em>\u00a0da pol\u00edtica, deu um autogolpe em 1992 e fechou o Congresso.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o acho que Bolsonaro busque um autogolpe, que \u00e9 um estratagema daqueles que falharam em criar um movimento verdadeiramente popular e precisam recorrer a uma for\u00e7a desproporcionalmente maior que a do regime vigente. Militares d\u00e3o golpes, pois s\u00e3o politicamente med\u00edocres. Empres\u00e1rios d\u00e3o golpes, pois tamb\u00e9m s\u00e3o politicamente med\u00edocres. O udenismo (corrente pol\u00edtica relacionada \u00e0 Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional, legenda de direita que existiu de 1945 a 1965) precisou de golpes para sobreviver, pois sempre foi incapaz de conquistar a maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia pol\u00edtica nos mostrar\u00e1, no entanto, que basta olhar o mundo atual para verificar que golpes de Estado n\u00e3o s\u00e3o mais dispositivos \u00fateis para subverter as democracias liberais. No livro\u00a0<em>Como as Democracias Morrem<\/em>, os professores Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, da Universidade Harvard, tra\u00e7am paralelos entre as t\u00e1ticas hoje utilizadas por lideran\u00e7as iliberais em diferentes partes do mundo. Nas Filipinas, o presidente Rodrigo Duterte persegue jornalistas e prende advers\u00e1rios pol\u00edticos. Na \u00cdndia, o premi\u00ea Narendra Modi, oriundo do grupo nacionalista hindu respons\u00e1vel pelo assassinato de Mahatma Gandhi, aproveitou sua reelei\u00e7\u00e3o para estimular expurgos e limitar os direitos da minoria mu\u00e7ulmana (que \u00e9 do tamanho da popula\u00e7\u00e3o brasileira). Na Turquia, o presidente Recep Erdo\u011fan censura acad\u00eamicos que ousam falar do genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o arm\u00eania realizado pelo governo otomano na segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XX. Na Venezuela, Nicol\u00e1s Maduro mant\u00e9m seus advers\u00e1rios pol\u00edticos na pris\u00e3o. Nos Estados Unidos, Donald Trump avan\u00e7a sobre as regras do bom conv\u00edvio democr\u00e1tico. No Reino Unido, o premi\u00ea Boris Johnson desafia a conven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, colocando em risco a credibilidade da monarquia. Casos semelhantes ocorrem em El Salvador, Egito, Hungria, Pol\u00f4nia e, \u00e9 claro, no Brasil. Nenhum desses governantes precisou recorrer ao golpismo militar, bastando a eles ir erodindo pouco a pouco as institui\u00e7\u00f5es, com m\u00e9todo, rito e calma.<\/p>\n<p>O liberalismo est\u00e1 morrendo em todas as partes, e no Brasil n\u00e3o \u00e9 diferente. Bolsonaro se diferencia, por\u00e9m, dos outros l\u00edderes iliberais por ter se recusado a estabelecer uma alian\u00e7a s\u00f3lida com o estamento pol\u00edtico, ainda que esse fosse o desejo mais \u00edntimo desse estamento. Se tivesse comprado o apoio de parte das pessoas que ocupam posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, por meio da distribui\u00e7\u00e3o de cargos, de emendas ou de doa\u00e7\u00f5es eleitorais, teria certamente conseguido acelerar de maneira mais eficiente a eros\u00e3o democr\u00e1tica. Bolsonaro fez isso apenas com o Ex\u00e9rcito agraciando centenas de militares com cargos comissionados e outros privil\u00e9gios. O caminho da coopta\u00e7\u00e3o do estamento pol\u00edtico foi seguido pelas principais lideran\u00e7as radicais no mundo, menos pela nossa. H\u00e1 quem atribua falta de capacidade de negocia\u00e7\u00e3o a Bolsonaro, mas eu concluo que se trata de uma estrat\u00e9gia extremamente calculada da parte dele.<\/p>\n<p>Bolsonaro n\u00e3o quer que a democracia morra como aspiram outros l\u00edderes, em diferentes pa\u00edses. Ele apenas busca outro formato de democracia. Bolsonaro n\u00e3o precisa dar um golpe porque pode fazer uma revolu\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria. A primeira revolu\u00e7\u00e3o verdadeira da hist\u00f3ria do Brasil. Muito mais profunda do que a ocorrida em 1930, quando, apesar da bagun\u00e7a, no fundo tudo se resumia a uma disputa entre elites estaduais. Muito mais verdadeira que o golpe de 1964, em que as For\u00e7as Armadas apenas cumpriram o papel daquilo que \u00e9 esperado de quase todos os Ex\u00e9rcitos que, como o brasileiro, n\u00e3o lutam guerras: derrubar regimes democr\u00e1ticos e populares. Trata-se de uma revolu\u00e7\u00e3o de fato, e n\u00e3o apenas da transforma\u00e7\u00e3o de um regime democr\u00e1tico em regime autorit\u00e1rio, como ocorre nos pa\u00edses acima citados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"capitalize\">O<\/span>presidente est\u00e1 conectado, mas difere de outros arqu\u00e9tipos de pol\u00edticos autorit\u00e1rios. Em um texto que publiquei no site da piau\u00ed (\u201cBolsonaro traz o futuro prometido\u201d) pouco antes do segundo turno da elei\u00e7\u00e3o de 2018 e quando j\u00e1 se apontava a domin\u00e2ncia eleitoral de Bolsonaro, escrevi o seguinte: \u201cO marco zero do futuro ser\u00e1 o dia 28 de outubro de 2018. Um futuro que se desenha tamb\u00e9m para outras na\u00e7\u00f5es, mas do qual os pioneiros somos n\u00f3s. O Brasil \u00e9 a vanguarda de um novo modo de fazer pol\u00edtica, da concretiza\u00e7\u00e3o de um novo programa de verdade que encerra o ciclo hist\u00f3rico do Iluminismo. A destrui\u00e7\u00e3o do liberalismo global come\u00e7a aqui.\u201d<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Luciano Floridi, da Universidade de Oxford, defende a tese de que sociedades hiperconectadas vivem a transi\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria para a hiper-hist\u00f3ria, uma nova era da humanidade em que as categorias de pensamento e de exerc\u00edcio da pol\u00edtica s\u00e3o refundadas \u00e0 luz das novas tecnologias. De acordo com o pensador, nessa nova era n\u00e3o h\u00e1 mais distin\u00e7\u00e3o entre o real e o virtual, entre o offline e o online, e as pessoas j\u00e1 n\u00e3o confiam tanto nas institui\u00e7\u00f5es, mas confiam nos perfis das redes sociais. Seguindo essa l\u00f3gica, afirmei no texto de 2018 que Bolsonaro seria o primeiro chefe de Estado da hiper-hist\u00f3ria, em todo o mundo.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia pol\u00edtica institucional foi incapaz de prever o fen\u00f4meno Bolsonaro porque ele n\u00e3o se enquadra em nenhuma evid\u00eancia que consta da literatura acad\u00eamica, mas acredito que as ferramentas do ativismo digital s\u00e3o \u00fateis para compreender o fen\u00f4meno. Sua vit\u00f3ria eleitoral se deu exclusivamente gra\u00e7as \u00e0s redes sociais, contradizendo os cinco pontos determinantes para o sucesso eleitoral usualmente apontados pelos polit\u00f3logos. At\u00e9 2018, a empiria demonstrava que, para um candidato sair vencedor, precisaria ter uma boa performance durante seu tempo de televis\u00e3o, firmar-se na mem\u00f3ria dos eleitores, saber lidar com a estrutura partid\u00e1ria, construir alian\u00e7as regionais e obter uma boa estrutura de financiamento da campanha. E de prefer\u00eancia conseguir sair-se bem em todos esses itens.<\/p>\n<p>Bolsonaro tinha muito menos dinheiro, menos tempo de televis\u00e3o e uma estrutura partid\u00e1ria praticamente nula se comparada \u00e0 da maioria dos candidatos. Tampouco dispunha de um hist\u00f3rico de gest\u00e3o memor\u00e1vel que pudesse impulsionar os votos. Dentre os l\u00edderes iliberais do mundo, tanto Erdo\u011fan quanto Modi haviam feito gest\u00f5es de sucesso em governos locais antes de serem eleitos para o Executivo nacional. O h\u00fangaro Viktor Orb\u00e1n tinha uma estrutura partid\u00e1ria formada h\u00e1 d\u00e9cadas e com larga participa\u00e7\u00e3o em governos locais e no Parlamento. Duterte contava com o apoio de uma ampla coaliz\u00e3o, que inclu\u00eda at\u00e9 partidos de esquerda.<\/p>\n<p>Donald Trump ao menos tinha financiamento, exposi\u00e7\u00e3o e alian\u00e7as durante as pr\u00e9vias do Partido Republicano e fez uso extensivo das redes sociais para venc\u00ea-las. Mas a imagem de Trump como empres\u00e1rio bem-sucedido foi constru\u00edda pela televis\u00e3o, sendo ele portanto muito mais um deposit\u00e1rio da videocracia do que da era digital. Uma vez escolhido nas pr\u00e9vias, Trump foi abra\u00e7ado pelos republicanos e teve \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o toda a m\u00e1quina do partido nas elei\u00e7\u00f5es gerais de 2016.<\/p>\n<p>Bolsonaro \u00e9 o primeiro l\u00edder a governar exclusivamente por meio das redes sociais. Sua postura beligerante n\u00e3o tem similar, mesmo entre outros l\u00edderes iliberais, que acabaram por estabelecer alian\u00e7as com o estamento pol\u00edtico para ir corroendo a democracia por dentro. Se o Partido Republicano ofereceu resist\u00eancia a Trump durante a campanha de 2016, isso deixou de ocorrer depois que ele assumiu a Presid\u00eancia. Apesar das barbaridades cometidas por ele, apenas os senadores Mitt Romney e John McCain, este j\u00e1 falecido, foram capazes de enfrent\u00e1-lo. O mesmo se pode dizer do estamento pol\u00edtico em pa\u00edses como a Turquia e a Hungria.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio desses exemplos externos, Bolsonaro n\u00e3o fez essa alian\u00e7a. E isso ocorreu n\u00e3o por resist\u00eancia do Congresso ou dos partidos pol\u00edticos, mas por decis\u00e3o deliberada dele pr\u00f3prio. O presidente n\u00e3o apenas nunca teve um partido e uma base legislativa s\u00f3lidos, como atualmente nem sequer est\u00e1 filiado a um partido. Como se elegeu gra\u00e7as ao fen\u00f4meno digital, \u00e9 neste que ele constr\u00f3i seu modo de governar. Se for bem-sucedido, o Brasil definitivamente ser\u00e1 o primeiro pa\u00eds a ter sua vida pol\u00edtica determinada pelos par\u00e2metros da hiper-hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"capitalize\">B<\/span>olsonaro provou haver uma nova forma de ser eleito, e agora tateia na busca de uma nova forma de governabilidade pr\u00f3pria \u00e0 era digital. Sua estrat\u00e9gia \u2013 t\u00edpica do ativismo \u2013 \u00e9 tentar converter o apoio que tem nas redes online em mobiliza\u00e7\u00e3o offline e constante. Existem tr\u00eas grandes desafios para quem pratica o ativismo em tempos de m\u00eddias sociais: primeiro, a forma\u00e7\u00e3o de uma base de apoio que chamaremos de\u00a0<em>constituency<\/em>; segundo, de canal; e terceiro, de continuidade e profundidade do engajamento.<\/p>\n<p>No tempo da tev\u00ea e da comunica\u00e7\u00e3o de massa, o importante era falar para o maior n\u00famero de pessoas, seguindo a l\u00f3gica do\u00a0<em>broadcasting<\/em>\u00a0\u2013 de um para muitos. As redes sociais funcionam a partir da l\u00f3gica do\u00a0<em>multicasting<\/em>\u00a0\u2013 de muitos para um.\u00a0Ou seja, o que importa \u00e9 conseguir falar com\u00a0<em>constituencies<\/em>\u00a0espec\u00edficas. \u00c9 complexo chegar nelas, pois as redes sociais replicam a atomiza\u00e7\u00e3o da sociedade em uma plataforma. Cada pessoa \u00e9 um perfil que se relaciona a dist\u00e2ncia e transacionalmente com outro perfil \u2013 um e outro refletindo os seus gostos particulares, sua personalidade e sobretudo sua opini\u00e3o. A arquitetura de redes sociais est\u00e1 desenhada de tal modo que elas estimulam a hiperindividualiza\u00e7\u00e3o: por um lado, o perfil (a pessoa) \u00e9 estimulado a revelar constantemente suas prefer\u00eancias, por outro tende a apenas se comunicar com aqueles que pensam de forma parecida com ele \u2013 fen\u00f4meno chamado pelo empres\u00e1rio e ativista Eli Pariser de\u00a0<em>filter bubble<\/em>\u00a0(bolha de filtro).<\/p>\n<p>Do ponto de vista do ativista que quer formar um movimento, as redes sociais s\u00e3o dif\u00edceis de penetrar. Mas existem duas estrat\u00e9gias para romper a\u00a0<em>filter\u00a0<\/em><em>bubble<\/em>\u00a0e alinhar audi\u00eancias diferentes. A primeira \u00e9 conquistar seguidores a partir de suas opini\u00f5es. Sabe-se que algumas plataformas de redes sociais privilegiam o conte\u00fado que gera mais intera\u00e7\u00e3o logo depois de sua postagem. Isso favorece postagens que chamem muito a aten\u00e7\u00e3o, entre outros motivos por serem sensacionalistas ou contrariarem o \u201csenso comum\u201d e o \u201cpoliticamente correto\u201d. Quanto mais absurdo o conte\u00fado da mensagem, mais intera\u00e7\u00f5es ela gera. Quanto mais intera\u00e7\u00f5es, maior o seu alcance. Quanto mais numerosa a audi\u00eancia, maior a capacidade de reunir seguidores.<\/p>\n<p>A segunda estrat\u00e9gia \u00e9 fidelizar esses seguidores, criando proximidade com ele. A partir do momento em que obt\u00e9m muitos seguidores, o perfil se torna um\u00a0<em>influencer<\/em>, isto \u00e9, um perfil seguido por muitos perfis. Manter esses seguidores ativos e sempre em intera\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. De modo que o melhor a fazer \u00e9 compartilhar tudo que se pode, o tempo todo, trazendo o seguidor para mais perto, quase como se ele assistisse a um reality show do qual o\u00a0<em>influencer\u00a0<\/em>\u00e9 a estrela, capaz de dar opini\u00f5es instant\u00e2neas sobre tudo que est\u00e1 sendo debatido, de compartilhar momentos \u00edntimos de sua vida e aproximar os seguidores cada vez mais de seu dia a dia.<\/p>\n<p>Bolsonaro se constituiu como um brilhante\u00a0<em>influencer<\/em>, e foi assim que se elegeu. Para fidelizar o p\u00fablico e mant\u00ea-lo constantemente engajado foi necess\u00e1rio criar uma trajet\u00f3ria de her\u00f3i que as pessoas pudessem acompanhar: com advers\u00e1rios, obst\u00e1culos, prova\u00e7\u00f5es e grandes emo\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o basta ser apenas um\u00a0<em>influencer<\/em>\u00a0extraordinariamente ativo: o segredo \u00e9 fundir diversas\u00a0<em>filter bubbles<\/em>\u00a0em uma s\u00f3, cujo \u00fanico denominador comum \u00e9 o\u00a0<em>influencer<\/em>. Assim, este se transforma em canal de comunica\u00e7\u00e3o e principal fonte de informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se fosse um mundo paralelo, um simulacro de realidade, em torno do qual giram uma mir\u00edade de blogs, perfis e\u00a0<em>influencers<\/em>. Durante as elei\u00e7\u00f5es, Bolsonaro se constituiu como um canal assim e soube habilmente fundir bolhas diferentes: dos neoudenistas da luta contra a corrup\u00e7\u00e3o aos neopentecostais e aos fascistas.<\/p>\n<p>Desde sua elei\u00e7\u00e3o, Bolsonaro tem como meta se constituir como canal dominante de uma parcela importante da popula\u00e7\u00e3o. Cada ato seu na Presid\u00eancia \u00e9 pensado como um modo de consolidar e expandir uma gigantesca\u00a0<em>filter bubble<\/em>\u00a0que dele dependa. Para isso foi necess\u00e1rio abrir uma guerra contra a imprensa e contra as institui\u00e7\u00f5es, transformando qualquer cr\u00edtica ou den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o a ele dirigida em mensagem inv\u00e1lida para seu p\u00fablico. O objetivo da Presid\u00eancia com suas \u201cpautas-bomba\u201d n\u00e3o \u00e9 aprov\u00e1-las, mas apenas gerar disc\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Todas seguem sempre o mesmo fio l\u00f3gico: quanto mais propostas absurdas s\u00e3o apresentadas, mais a imprensa e as demais institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o obrigadas a criticar e tentar impedir os atos do presidente. Dessa maneira, a narrativa de Bolsonaro de que \u00e9 perseguido pela m\u00eddia e as institui\u00e7\u00f5es se confirma o tempo todo para o p\u00fablico de seus canais na internet. Dentre todas as pautas-bomba, talvez a mais reveladora tenha sido a tentativa de nomear Eduardo Bolsonaro embaixador dos Estados Unidos. N\u00e3o acredito, sinceramente, que Bolsonaro quisesse nomear o filho embaixador: queria apenas for\u00e7ar uma enxurrada de cr\u00edticas de seus previs\u00edveis opositores. Fato \u00e9 que nenhuma das \u201cpautas-bomba\u201d foi aprovada pelo Congresso, o que leva a nossa elite intelectual e a imprensa a elogiarem a resist\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span class=\"capitalize\">A<\/span>lguns analistas pol\u00edticos dizem que as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o resistindo, dado que Bolsonaro n\u00e3o conseguiu emplacar nada al\u00e9m de parte da agenda econ\u00f4mica \u2013 e isso \u00e9 verdade. Outros afirmam que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o aumentando o custo do golpismo de Bolsonaro: as declara\u00e7\u00f5es do presidente e de seus ministros n\u00e3o costumam surtir nenhum efeito pr\u00e1tico \u2013 e estes tamb\u00e9m t\u00eam raz\u00e3o. As institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o bloqueando as a\u00e7\u00f5es concretas, mas deixando passar declara\u00e7\u00f5es totalmente absurdas. Ou seja, exercem o contrapoder de um lado, e deixam de exerc\u00ea-lo de outro.<\/p>\n<p>O ano de 2019 foi marcado por esse estranho equil\u00edbrio geral. Detr\u00e1s das aparentes batalhas se justapuseram confortavelmente dois conceitos diferentes de comunica\u00e7\u00e3o e dois conceitos diferentes de poder. As institui\u00e7\u00f5es sa\u00edram ganhando nesse conflito, mas Bolsonaro tamb\u00e9m foi vencedor. O importante para Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 aprovar pol\u00edticas p\u00fablicas, apenas autorizar um horizonte aspiracional \u00e0s suas bases pol\u00edticas. Bolsonaro ganha apenas propondo. O Congresso ganha apenas impedindo que seja aprovado. Todos ganham.<\/p>\n<p>No ativismo digital, trabalha-se com a no\u00e7\u00e3o de \u201ccurva de engajamento\u201d: sabe-se que para manter as pessoas engajadas e a audi\u00eancia atenta \u00e9 necess\u00e1rio oferecer a\u00e7\u00f5es sempre mais profundas para seus seguidores. Se no in\u00edcio um seguidor curtiu os posts de Bolsonaro, ele rapidamente passou a assistir todos os v\u00eddeos de Bolsonaro, para em seguida se informar unicamente por meio de blogs bolsonaristas, e por fim ir \u00e0s ruas no dia 15 de mar\u00e7o defender o presidente. Essa foi a curva tra\u00e7ada por Bolsonaro: come\u00e7ar como\u00a0<em>influencer<\/em>, que em seguida se torna canal dominante para, ao final, galvanizar esse canal em uma infraestrutura de mobiliza\u00e7\u00e3o constante. \u201cInfraestrutura de mobiliza\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 aquilo que permite conformar maiorias pol\u00edticas. Na revolu\u00e7\u00e3o bolsonariana, as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o servem para conformar maiorias, apenas para legitimar institucionalmente a capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dessas infraestruturas armadas na internet. \u00c9 por meio delas que pretendem viabilizar uma nova forma de governo que n\u00e3o passe pelas institui\u00e7\u00f5es, mas apenas pela vontade de minorias politicamente organizadas. Governar para aqueles que gritam mais alto.<\/p>\n<p>As bases \u00e0s quais Bolsonaro acena s\u00e3o sempre as compostas por pessoas em posi\u00e7\u00e3o de poder: brancos, homens, heterossexuais e gente armada, como militares e policiais. O denominador comum desses grupos \u00e9 o poder que exercem sobre a sociedade.<\/p>\n<p>De um lado, Bolsonaro se aliou aos pequenos poderes; de outro, aos grandes, como o empresariado e o mercado financeiro. Ele teve a intelig\u00eancia de entender que seria necess\u00e1rio deixar os grandes poderes agirem livremente, de modo que n\u00e3o impedissem a sua revolu\u00e7\u00e3o. Apesar de nacionalista e intervencionista, Bolsonaro entregou as chaves da economia a esses grandes poderes como jamais nenhum governo liberal e conservador foi capaz de fazer. A alian\u00e7a dos pequenos poderosos da sociedade com os grandes poderosos do capital, numa s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o de maioria pol\u00edtica conectada e engajada 24 horas por dia, tornou-se um movimento imposs\u00edvel de ser detido.<\/p>\n<p>A crise do coronav\u00edrus abriu uma possibilidade extraordin\u00e1ria para o presidente expandir a sua bolha para camadas mais populares. Consciente de que a \u00fanica chance de o pa\u00eds n\u00e3o viver um colapso na sa\u00fade p\u00fablica s\u00e3o as medidas de distanciamento social implementadas por governos locais, Bolsonaro faz uma aposta arriscada por\u00e9m certeira: criticar essas medidas para tomar a frente da revolta popular que, na aus\u00eancia de uma pol\u00edtica assistencial para compensar as perdas de renda provocadas pelas medidas de conten\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus, inevitavelmente emergir\u00e1. Bolsonaro joga com essa convuls\u00e3o e, quando ela ocorrer, poder\u00e1 dizer que ele sempre alertou para os perigos da \u201chisteria\u201d dos governadores e da imprensa, canalizando a onda de revolta em favor de sua figura. Os vil\u00f5es que causaram a crise econ\u00f4mica ser\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es e a imprensa que exageraram e agiram com paranoia.<\/p>\n<p>O equil\u00edbrio geral de 2019 n\u00e3o pode se sustentar em 2020, pois todo engajamento de rede social \u00e9 superficial e ef\u00eamero. Se a internet permite falar com um p\u00fablico muito mais diverso, tamb\u00e9m traz uma dificuldade extra: a fragilidade e a superficialidade do engajamento. Como manter as pessoas engajadas ao longo do tempo? Para engajar seus seguidores de maneira concreta e profunda, Bolsonaro precisa subir mais um degrau.<\/p>\n<p>Uma li\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de todo ativismo digital \u00e9 que, para converter uma audi\u00eancia passiva em um movimento ativo, \u00e9 necess\u00e1rio que exista um ponto de tomada de decis\u00e3o real. Esse ponto imprime urg\u00eancia e gera no p\u00fablico o que os ativistas chamam de \u201cmedo de perder\u201d, isto \u00e9, o medo que as pessoas t\u00eam de ver uma situa\u00e7\u00e3o se deteriorar, seja por uma perda de direito, de status ou ainda de poder. No ativismo, as pessoas se cansam quando s\u00e3o instadas a se mobilizar em cima de suposi\u00e7\u00f5es e teorias conspirat\u00f3rias. Para fazer o caldo entornar, \u00e9 preciso uma amea\u00e7a concreta e urgente. Bolsonaro perder\u00e1 tra\u00e7\u00e3o sobre sua\u00a0<em>filter bubble<\/em>\u00a0se ficar repetindo o mesmo discurso em que se faz v\u00edtima da persegui\u00e7\u00e3o do Congresso, do STF e da m\u00eddia sem ter nenhuma fundamenta\u00e7\u00e3o concreta. \u00c9 necess\u00e1rio que um fato novo emerja e gere urg\u00eancia nas bases do bolsonarismo.<\/p>\n<p>A instaura\u00e7\u00e3o de um processo de impeachment \u00e9 o ponto de decis\u00e3o urgente que Bolsonaro precisa para conseguir mobilizar de maneira profunda e constante a integralidade de seus apoiadores. Com isso, ele ganhar\u00e1 seis meses de intensa mobiliza\u00e7\u00e3o de suas bases, com engajamento cada vez mais profundo dos seguidores. Ter\u00e1 vil\u00f5es perfeitos que estar\u00e3o explicitamente engajados em derrub\u00e1-lo. Com o impeachment, Bolsonaro coloca as institui\u00e7\u00f5es contra a parede e p\u00f5e em marcha a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim deve ser lido o pronunciamento de Bolsonaro da noite do dia 24 de mar\u00e7o: como um apelo desesperado \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o do processo de impeachment contra ele. A sua atua\u00e7\u00e3o na crise do coronav\u00edrus, contrariando as recomenda\u00e7\u00f5es das autoridades sanit\u00e1rias e cient\u00edficas, segue o mesmo vetor estrat\u00e9gico das pautas-bomba, das suas declara\u00e7\u00f5es anti-democr\u00e1ticas, da convoca\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es contra as institui\u00e7\u00f5es. A cada nova pol\u00eamica, ele elege um novo advers\u00e1rio e o instiga a uma atua\u00e7\u00e3o mais en\u00e9rgica. Se suas amea\u00e7as contra as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas ou nosso patrim\u00f4nio ambiental n\u00e3o foram motivos suficientes para o impedimento, Bolsonaro dobra a aposta agora e se apresenta como uma amea\u00e7a sanit\u00e1ria. Desse modo, obriga os advers\u00e1rios que ele mesmo escolhe \u2013 o Congresso, o Supremo, a imprensa, e agora tamb\u00e9m os governadores \u2013 a tomarem uma medida mais dr\u00e1stica contra a sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O enigma colocado ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal \u00e9 ingrato. Se estes promoverem o impedimento de Bolsonaro, fortalecer\u00e3o o movimento revolucion\u00e1rio do presidente, levando o pa\u00eds ao caos geral. Se n\u00e3o instaurarem logo um processo de impeachment, terminar\u00e3o por normalizar mais uma medida autorit\u00e1ria de Bolsonaro, deteriorando a credibilidade das institui\u00e7\u00f5es e pavimentando o solo para a constru\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 outro desfecho poss\u00edvel do bolsonarismo que n\u00e3o a guerra. Se for derrotado em 2022, Bolsonaro n\u00e3o aceitar\u00e1 o resultado das urnas. Qualquer que seja a resposta dada pelas institui\u00e7\u00f5es, o presidente-esfinge as devorar\u00e1.<\/p>\n<p>O ano de 2020 parece um remake do 1938 europeu, com atores de qualidade inferior. A ambi\u00e7\u00e3o colonial de Hitler e Mussolini na Europa j\u00e1 estava clara quando o primeiro-ministro ingl\u00eas Neville Chamberlain concedeu \u00e0 Alemanha nazista a anexa\u00e7\u00e3o da Tchecoslov\u00e1quia em troca da paz no continente. Naquele momento, o ent\u00e3o parlamentar Winston Churchill fez uma afirma\u00e7\u00e3o que se confirmaria: \u201cEntre a desonra e a guerra, eles [<em>os ingleses<\/em>] escolheram a desonra e ter\u00e3o a guerra.\u201d\u00a0Resta saber se Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre est\u00e3o mais para Chamberlain ou Churchill.<\/p>\n<p>https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/uma-esfinge-na-presidencia\/<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MIGUEL LAGO &#8211; Bolsonaro precisa do impeachment para fazer sua revolu\u00e7\u00e3o O saldo nas redes: a internet permite falar com um p\u00fablico muito mais diverso, entretanto tamb\u00e9m traz uma dificuldade extra \u2013 a fragilidade e a superficialidade do engajamento Em um mito grego, um monstro chamado Esfinge aterroriza a cidade de Tebas com um enigma: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9860,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[75],"class_list":["post-12915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica","tag-bolsonarismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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