{"id":12494,"date":"2020-02-05T10:52:35","date_gmt":"2020-02-05T13:52:35","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=12494"},"modified":"2020-02-05T10:52:35","modified_gmt":"2020-02-05T13:52:35","slug":"os-ultimos-tupiniquim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/02\/05\/os-ultimos-tupiniquim\/","title":{"rendered":"Os \u00faltimos Tupiniquim"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00cdndios do Esp\u00edrito Santo s\u00e3o de etnia que chegou ao litoral h\u00e1 1,2 mil anos e encontrou os colonizadores na \u00e9poca do descobrimento.<\/em><\/p>\n<p>Localizado a 80 quil\u00f4metros ao norte de Vit\u00f3ria, capital do Esp\u00edrito Santo, o munic\u00edpio de Aracruz abriga cerca de 2.500 indiv\u00edduos em tr\u00eas terras ind\u00edgenas distribu\u00eddas por uma \u00e1rea de 18 mil hectares, equivalente a pouco mais de um d\u00e9cimo da cidade de S\u00e3o Paulo. A maior parte deles (cerca de 95%) declara pertencer \u00e0 etnia Tupiniquim, a mesma que recepcionou os navegadores portugueses em 1500 e depois foi dizimada a ponto de desaparecer dos registros hist\u00f3ricos e demogr\u00e1ficos oficiais por quase um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise gen\u00e9tica publicada em janeiro na revista <em>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/em> (<em>PNAS<\/em>) confirma o que o relato desse povo j\u00e1 sugeria: os Tupiniquim, de fato, nunca foram extintos, embora a redu\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o original os tenha levado a se miscigenar com descendentes de europeus e africanos. A valida\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de que esses \u00edndios de Aracruz s\u00e3o Tupiniquim os torna, ao lado dos Tupinamb\u00e1, da Bahia, e dos Potiguara, da Para\u00edba, os \u00fanicos representantes vivos dos povos tupis que habitavam o litoral quando os europeus aportaram nas terras do futuro Brasil. A reafirma\u00e7\u00e3o de que essa etnia do Esp\u00edrito Santo \u00e9 origin\u00e1ria do litoral permitiu que seu DNA fosse usado para reconstituir como os Tupi, descendentes de grupos do sudoeste da Amaz\u00f4nia, teriam chegado ao litoral por volta de 1,2 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/056-059_tupiniquim_288-800-1140.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-328671\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/056-059_tupiniquim_288-800-1140.jpg?w=640&#038;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 1140px) 100vw, 1140px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/056-059_tupiniquim_288-800-1140.jpg 1140w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/056-059_tupiniquim_288-800-1140-250x355.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/056-059_tupiniquim_288-800-1140-700x995.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/056-059_tupiniquim_288-800-1140-120x171.jpg 120w\" alt=\"\" \/><\/a>Os pesquisadores brasileiros chegaram \u00e0s conclus\u00f5es apresentadas no artigo da <em>PNAS <\/em>ao comparar as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas dos Tupiniquim de Aracruz com as de integrantes de outros 14 povos atuais e extintos das Am\u00e9ricas (entre eles, os Guarani-Mby\u00e1, origin\u00e1rios do sul do Brasil, e de etnias da Amaz\u00f4nia, como Waj\u00e3pi, Parakan\u00e3 e Gavi\u00e3o), al\u00e9m de europeus e africanos. O material gen\u00e9tico dos Tupiniquim e dos Guarani-Mby\u00e1 foi obtido pelos m\u00e9dicos Alexandre da Costa Pereira, do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (InCor-USP), e Jos\u00e9 Geraldo Mill, da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes), que h\u00e1 quase 15 anos acompanham a sa\u00fade dos integrantes dessas duas etnias. O geneticista Francisco Salzano (1928-2018), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coletou amostras de sangue dos outros grupos em viagens \u00e0 Amaz\u00f4nia \u2013 ele ainda revisou uma vers\u00e3o preliminar do artigo antes de morrer, em 2018, aos 90 anos.<\/p>\n<p>A geneticista T\u00e1bita H\u00fcnemeier e sua equipe no Instituto de Bioci\u00eancias da USP confrontaram o material gen\u00e9tico dos ind\u00edgenas do Espirito Santo com o de outras etnias brasileiras e verificaram que, em m\u00e9dia, 51% do DNA dos Tupiniquim \u00e9 de origem nativa americana (26% s\u00e3o de origem europeia e 23% africana). Entre os Guarani-Mby\u00e1, que nos anos 1960 migraram do Rio Grande do Sul para Aracruz, essa propor\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico ind\u00edgena \u00e9 mais alta. Eles t\u00eam, em m\u00e9dia, 77,3% de DNA nativo americano, 15,6% europeu e 7,1% africano. Outras tr\u00eas etnias estudadas em detalhe (Waj\u00e3pi, Parakan\u00e3 e Gavi\u00e3o) n\u00e3o guardam sinais de miscigena\u00e7\u00e3o com europeus e africanos.<\/p>\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o para o grau maior de miscigena\u00e7\u00e3o dos Tupiniquim \u00e9 o colapso populacional que enfrentaram. Quando Pedro \u00c1lvares Cabral e suas naus chegaram \u00e0 regi\u00e3o de Porto Seguro, no sul do atual estado da Bahia, em abril de 1500, cerca de 3 milh\u00f5es de \u00edndios ocupavam o que hoje \u00e9 o territ\u00f3rio brasileiro, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Por volta de 900 mil, quase a popula\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e0 \u00e9poca, habitavam o litoral. Os Tupiniquim somavam, ent\u00e3o, aproximadamente 90 mil indiv\u00edduos, n\u00famero confirmado agora pelas an\u00e1lises gen\u00e9ticas, e ocupavam um trecho da costa que ia do sul da Bahia a S\u00e3o Paulo. Por volta de 1760, a popula\u00e7\u00e3o Tupiniquim havia diminu\u00eddo para cerca de 3 mil integrantes e em 1876 era de apenas 55 indiv\u00edduos. Hoje h\u00e1 cerca de 2.400 Tupiniquim, situados quase exclusivamente em Aracruz. Eles moram em casas de alvenaria e s\u00f3 falam portugu\u00eas. Sua l\u00edngua original, uma das 41 do tronco lingu\u00edstico tupi, perdeu-se com a redu\u00e7\u00e3o populacional e a miscigena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO grau de ancestralidade ind\u00edgena dos Tupiniquim ainda \u00e9 muito alto, embora haja indiv\u00edduos bastante miscigenados\u201d, conta o geneticista Marcos Ara\u00fajo Castro e Silva, que realiza doutorado sob orienta\u00e7\u00e3o de H\u00fcnemeier na USP e \u00e9 o primeiro autor do artigo publicado na <em>PNAS<\/em>. \u201cMesmo ap\u00f3s terem quase desaparecido, eles conseguiram preservar muito de sua ancestralidade nativa americana\u201d, completa a geneticista. Apenas para ser ter um par\u00e2metro de compara\u00e7\u00e3o, a ancestralidade nativa americana \u00e9, em m\u00e9dia, de 7% na popula\u00e7\u00e3o geral brasileira.<\/p>\n<p>Avaliando como as varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas caracter\u00edsticas de cada povo se modificam com o tempo, Silva e H\u00fcnemeier identificaram tr\u00eas importantes pulsos de miscigena\u00e7\u00e3o dos Tupiniquim. O primeiro, com os europeus, ocorreu h\u00e1 11 gera\u00e7\u00f5es (por volta de 300 anos atr\u00e1s) e coincidiu com o ciclo econ\u00f4mico da minera\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, quando a popula\u00e7\u00e3o de imigrantes europeus no Brasil passou\u00a0 de 300 mil para 3 milh\u00f5es de pessoas e os ind\u00edgenas foram escravizados em massa. A segunda grande miscigena\u00e7\u00e3o teria acontecido quase um s\u00e9culo mais tarde com a intensifica\u00e7\u00e3o da entrada de escravos africanos ap\u00f3s a vinda da fam\u00edlia real para o pa\u00eds, em 1808. O \u00faltimo pulso de miscigena\u00e7\u00e3o, com europeus e africanos, come\u00e7ou h\u00e1 cinco gera\u00e7\u00f5es \u2013 no final do s\u00e9culo XIX, com a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e a chegada de novas levas de imigrantes europeus que substituem a m\u00e3o de obra negra \u2013 e continua at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p>A por\u00e7\u00e3o de DNA nativo americano dos Tupiniquim indica que eles n\u00e3o se misturaram com outros povos ind\u00edgenas atuais. \u201cO perfil gen\u00e9tico deles \u00e9 diferente do de todos os outros grupos\u201d, relata H\u00fcnemeier. Para ela, esse dado confirma que os ind\u00edgenas que se autodeclaram Tupiniquim s\u00e3o de fato desse grupo \u00e9tnico. \u201cMostrar que os Tupiniquim t\u00eam uma identidade gen\u00e9tica distinta da dos demais povos \u00e9 importante para que se identifiquem como grupo\u201d, afirma Mill, da Ufes, coautor do estudo.<\/p>\n<blockquote><p>Os Tupiniquim nunca se extinguiram, mas a redu\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o os levou a se miscigenar com descendentes de europeus e de africanos<\/p><\/blockquote>\n<p>A an\u00e1lise da semelhan\u00e7a gen\u00e9tica entre os Tupiniquim e outros povos ind\u00edgenas atuais mostrou que eles s\u00e3o mais pr\u00f3ximos dos Urubu-Kaapor, do Maranh\u00e3o, e dos Parakan\u00e3, do Par\u00e1 e Tocantins, povos que falam l\u00ednguas do tronco tupi do norte do Brasil, do que dos Guarani-Mby\u00e1, tamb\u00e9m falantes de uma l\u00edngua tupi, mas do sul do pa\u00eds \u2013 os Tupiniquim e os Guarani-Mby\u00e1 compartilham ancestrais comuns, que teriam vivido h\u00e1 cerca de 3 mil anos na Amaz\u00f4nia. Essas informa\u00e7\u00f5es permitiram aos pesquisadores recriar, com base nos dados gen\u00e9ticos, as rotas que os povos de l\u00edngua tupi, origin\u00e1rios do sudoeste da Amaz\u00f4nia, teriam percorrido quando iniciaram, por volta de 2 mil anos atr\u00e1s, uma grande dispers\u00e3o populacional: a chamada expans\u00e3o tupi. Como resultado dessa expans\u00e3o, essas popula\u00e7\u00f5es ancestrais teriam se deslocado ao menos 4 mil quil\u00f4metros e alcan\u00e7ado o litoral por volta do ano 800, substituindo os antigos moradores da costa \u2013 \u00edndios ca\u00e7adores e coletores que enterravam seus mortos em sambaquis (montes de conchas) e provavelmente integravam grupos falantes de l\u00ednguas do tronco j\u00ea, como os atuais Xavante \u2013 e originando povos como os Tupinamb\u00e1 e os Tupiniquim.<\/p>\n<p>Antrop\u00f3logos e linguistas discutem h\u00e1 d\u00e9cadas por quais caminhos os povos falantes de l\u00ednguas tupi teriam se espalhado pelo pa\u00eds. De acordo com a hip\u00f3tese mais antiga, apresentada em 1927 pelo antrop\u00f3logo su\u00ed\u00e7o-argentino Alfred M\u00e9traux (1903-1963) e depois reafirmada por outros grupos, os ancestrais dos povos de l\u00edngua tupi teriam sa\u00eddo da Amaz\u00f4nia rumo ao sul e se assentado em terras do atual Paraguai, Bol\u00edvia, Uruguai e Rio Grande do Sul, onde originaram os Guarani. Mais tarde, seguindo o curso dos afluentes do rio Paran\u00e1, teriam chegado ao litoral. M\u00e9traux e, depois, outros antrop\u00f3logos, como o casal norte-americano Betty Meggers (1921-2012) e Clifford Evans (1920-1981), fundamentaram a hip\u00f3tese em achados arqueol\u00f3gicos, informa\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas e dados ambientais de milhares de anos atr\u00e1s. H\u00e1 sinais de que a redu\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de floresta, decorrente de mudan\u00e7as no clima naquela \u00e9poca, teriam for\u00e7ado os ancestrais dos falantes de l\u00ednguas tupi, que viviam da ca\u00e7a, pesca e coleta de frutos, a migrar em busca de alimento.<\/p>\n<div id=\"attachment_323064\" class=\"wp-caption alignright vertical\" style=\"max-width: 810px;\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/SITE_Tupiniquins-0-800.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-323064 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/SITE_Tupiniquins-0-800.jpg?resize=640%2C837&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/SITE_Tupiniquins-0-800.jpg 800w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/SITE_Tupiniquins-0-800-250x327.jpg 250w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/SITE_Tupiniquins-0-800-700x915.jpg 700w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/SITE_Tupiniquins-0-800-120x157.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"837\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/SITE_Tupiniquins-0-800.jpg\"><span class=\"media-credits-inline\">Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868)<\/span><\/a> Mapa das poss\u00edveis rotas de expans\u00e3o Tupi que integra a <em>Contribui\u00e7\u00f5es para os estudos etnogr\u00e1ficos e lingu\u00edsticos da Am\u00e9rica, especialmente do Brasil<\/em>, de 1867 de Carl von Martius<span class=\"media-credits\">Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868)<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>Em meados dos anos 1980, o arque\u00f3logo ga\u00facho Jos\u00e9 Proenza Brochado apresentou uma hip\u00f3tese diferente. Havia evid\u00eancias de que os ancestrais dos povos de l\u00edngua tupi j\u00e1 produziam objetos de cer\u00e2mica e praticavam uma forma inicial de agricultura. Com base na evolu\u00e7\u00e3o da cer\u00e2mica de povos atuais, como os Tupinamb\u00e1, do litoral, e os Guarani, do sul do pa\u00eds, ambos de ascend\u00eancia tupi, Brochado prop\u00f4s que popula\u00e7\u00f5es ancestrais teriam partido de uma \u00e1rea mais central da Amaz\u00f4nia rumo a noroeste, seguindo o rio Amazonas, e, depois, para o litoral, chegando at\u00e9 o atual estado de S\u00e3o Paulo. Mais tarde, eles teriam deixado a costa e se dirigido para o Sul. Outra leva teria sa\u00eddo da Amaz\u00f4nia central direto para o Sul, onde originaram os Guarani. De acordo com essa hip\u00f3tese, o motivo da migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria o clima, mas o aumento cont\u00ednuo da popula\u00e7\u00e3o e a necessidade de novas terras para produzir alimento. Mais tarde teria havido uma migra\u00e7\u00e3o dos Guarani do sul do Brasil para o litoral, onde alcan\u00e7aram o Esp\u00edrito Santo nos anos 1960.<\/p>\n<p>O estudo da <em>PNAS<\/em> refor\u00e7a a segunda hip\u00f3tese. Os dados gen\u00e9ticos sugerem a ocorr\u00eancia de duas ondas migrat\u00f3rias com origem na mesma regi\u00e3o e quase simult\u00e2neas. \u201cS\u00e3o informa\u00e7\u00f5es da biologia corroborando a hip\u00f3tese de Brochado quase 50 anos mais tarde\u201d, lembra o arque\u00f3logo Eduardo G\u00f3es Neves, da USP, que realiza escava\u00e7\u00f5es na Amaz\u00f4nia com o objetivo de compreender a expans\u00e3o tupi. \u201cDados arqueol\u00f3gicos que obtivemos nos \u00faltimos 10 anos favorecem uma explica\u00e7\u00e3o mista: o centro de dispers\u00e3o estaria no sudoeste da Amaz\u00f4nia, como primeiro sugeriu M\u00e9traux, mas a separa\u00e7\u00e3o dos ancestrais dos Tupi da costa e dos Tupi do sul teria ocorrido ainda na Amaz\u00f4nia, como prop\u00f4s Brochado.\u201d<\/p>\n<p>Para Eduardo Tarazona, geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que tamb\u00e9m estuda a ancestralidade dos brasileiros, uma contribui\u00e7\u00e3o importante do estudo atual \u00e9 mostrar que a expans\u00e3o tupi n\u00e3o foi apenas um fen\u00f4meno cultural, em que povos de ancestralidade distinta, por exemplo, falantes de l\u00ednguas do tronco j\u00ea, poderiam ter adotado tra\u00e7os culturais tupis. \u201cCom base nos dados desse trabalho\u201d, conta Tarazona, \u201c\u00e9 poss\u00edvel afirmar que tamb\u00e9m foi um fen\u00f4meno biol\u00f3gico, provavelmente causado pelo aumento da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p class=\"bibliografia separador-bibliografia\"><strong>Projeto<\/strong><br \/>\nDiversidade gen\u00f4mica dos nativos americanos (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/96746\/diversidade-genomica-dos-nativos-americanos\/?q=15\/26875-9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n\u00ba 15\/26875-9<\/a>); <strong>Modalidade<\/strong> Jovem Pesquisador; <strong>Pesquisadora respons\u00e1vel<\/strong> T\u00e1bita H\u00fcnemeier (USP); <strong>Investimento<\/strong> R$ 925.257,17.<\/p>\n<p class=\"bibliografia\"><strong>Artigo cient\u00edfico<\/strong><br \/>\nSILVA, M. A. C. <em>et al<\/em>. <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/cgi\/doi\/10.1073\/pnas.1909075117\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Genomic insight into the origins and dispersal of the Brazilian coastal natives<\/a>. <strong>PNAS<\/strong>. 13 jan. 2020.<\/p>\n<p><a class=\"cc-republish\" href=\"#cc-republish\" rel=\"prettyPhoto\">Republicar<\/a><\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/\">Pesquisa FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\"> licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2020\/01\/13\/os-ultimos-tupiniquim\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">original aqui<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdndios do Esp\u00edrito Santo s\u00e3o de etnia que chegou ao litoral h\u00e1 1,2 mil anos e encontrou os colonizadores na \u00e9poca do descobrimento. 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