{"id":12374,"date":"2020-01-17T12:22:30","date_gmt":"2020-01-17T15:22:30","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=12374"},"modified":"2020-01-05T12:53:38","modified_gmt":"2020-01-05T15:53:38","slug":"libanoos-bastidores-da-crise-bancaria-do-seculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/01\/17\/libanoos-bastidores-da-crise-bancaria-do-seculo\/","title":{"rendered":"L\u00edbano:os bastidores da crise banc\u00e1ria do s\u00e9culo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Thierry Meyssan<\/strong> &#8211; O colapso do Banco Central do L\u00edbano a seguir a uma vasta escroqueria de Estado mergulhou o pa\u00eds numa crise econ\u00f3mica e financeira sem paralelo. O pa\u00eds paga hoje em dia os seus 76 anos de depend\u00eancia pol\u00edtica e os seus 8 anos de completo vazio pol\u00edtico. A realidade da sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito diferente da percep\u00e7\u00e3o que dela t\u00eam os seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas presidentes. Ao centro o General Michel Aoun, Presidente crist\u00e3o da Rep\u00fablica, \u00e0 esquerda o Presidente xiita do Parlamento, Nabih Berri, \u00e0 direita o Presidente sunita do Governo interino, Saad Hariri. O L\u00edbano n\u00e3o \u00e9 uma democracia fundada no equil\u00edbrio de poderes entre o Executivo, o Legislativo e o Judici\u00e1rio, mas um sistema confessional fundado sobre as 17 comunidades religiosas. A extrema complexidade deste sistema assegura a perenidade dos chefes de guerra e da influ\u00eancia estrangeira. Assim Michel Aoun era o principal chefe Crist\u00e3o durante a guerra civil, Nabih Berri o do Amal, e Saad Hariri sucedeu ao seu pai, Rafic Hariri, o qual reinou, sem partilha, sobre o L\u00edbano em nome da Ar\u00e1bia Saudita e da Fran\u00e7a ap\u00f3s a guerra civil.<\/p>\n<p>O Banco Central do L\u00edbano autorizou de novo os bancos privados a providenciar libras libanesas de forma livre, mas ainda n\u00e3o d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Este controle de c\u00e2mbios \u00e9 ilegal por lei porque n\u00e3o foi validado pelo Parlamento. V\u00e1rias grandes empresas j\u00e1 apresentaram queixa, de forma urgente, nos tribunais. Os setores de importa\u00e7\u00e3o de trigo, de petr\u00f3leo e de medicamentos est\u00e3o paralisados, todos os outros est\u00e3o em recess\u00e3o.<\/p>\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica atinge 154% do PIB. Em tr\u00eas meses, a libra libanesa foi depreciada em metade do seu valor, arrastando na sua queda a libra s\u00edria, j\u00e1 atacada durante a guerra por falsa moeda saudita e catariana.<\/p>\n<p class=\"spip\"><strong>Causas da crise<\/strong><\/p>\n<p>Esta crise financeira levou o Parlamento a adotar um novo imposto, o qual provocou as manifesta\u00e7\u00f5es que paralisam o pa\u00eds desde 17 de Outubro de 2019. Com toda a probabilidade, ele tem a sua origem numa gigantesca fraude criada pelos dirigentes pol\u00edticos do pa\u00eds atrav\u00e9s do Banco Central.<\/p>\n<p>Um recordat\u00f3rio hist\u00f3rico \u00e9 aqui necess\u00e1rio :<\/p>\n<p>Na realidade, o L\u00edbano nunca foi um Estado independente desde a sua cria\u00e7\u00e3o, durante a Segunda Guerra Mundial (1943). A Fran\u00e7a instalou a\u00ed um sistema confessional que lhe permitiu preservar a sua influ\u00eancia ap\u00f3s a descoloniza\u00e7\u00e3o, privando os Libaneses de qualquer vida pol\u00edtica nacional. A tentativa do Secret\u00e1rio de Estado dos EUA, Henry Kissinger, de resolver a quest\u00e3o israelita tornando o L\u00edbano a p\u00e1tria dos \u00c1rabes palestinianos provocou uma guerra civil (1975-1989) e saldou-se por um fracasso. A Paz saudita, imposta pelos Acordos de Taif (1989), restabeleceu o sistema confessional e ampliou as cotas comunit\u00e1rias a todos os empregos da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A presen\u00e7a militar s\u00edria (1989-2005), validada pela comunidade internacional, permitiu a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, mas n\u00e3o resolveu nenhum problema.<\/p>\n<p>O antigo Primeiro-ministro Rafiq Hariri (1992-98 e 2000-04) pilhou o L\u00edbano espoliando 55.000 fam\u00edlias, depois confundindo o Tesouro p\u00fablico com a sua fortuna pessoal. Assim, ele apropriou-se de US $ 16 mil milh\u00f5es (bilh\u00f5es-br) de d\u00f3lares no fim da sua vida. Em virtude dos acordos de Taif, Rafiq Hariri, enquanto representante da fam\u00edlia real saudita, foi protegido pela For\u00e7a de Manuten\u00e7\u00e3o de Paz s\u00edria presente no pa\u00eds para por fim \u00e0 guerra civil. Aquando do seu assassinato, descobriu-se que havia corrompido duas personalidades s\u00edrias encarregadas de supervisionar a manuten\u00e7\u00e3o da paz: o Chefe dos Servi\u00e7os de Intelig\u00eancia, Ghazi Kanaan, e o Vice-Presidente, Abdel Halim Khaddam. O primeiro suicidou-se e o segundo fugiu para Fran\u00e7a, onde se aliou com os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos e preparou a deposi\u00e7\u00e3o do Presidente Bachar al-Assad.<\/p>\n<p>Em 2005, a For\u00e7a de Manuten\u00e7\u00e3o de Paz s\u00edria retirou-se abruptamente a pedido da popula\u00e7\u00e3o libanesa que via nela o s\u00edmbolo dos seus pr\u00f3prios crimes durante a guerra civil e a tomou \u2014 erradamente\u2014 por respons\u00e1vel do assass\u00ednio do antigo Primeiro-ministro Rafiq Hariri. De 2006 a 2014, quer dizer, durante o vazio de Poder, depois a presid\u00eancia de Michel Sleiman \u2014primeiro protegido do Catar e secundariamente pela Fran\u00e7a\u2014 , os dirigentes pol\u00edticos libaneses n\u00e3o apresentaram nenhum documento contabil\u00edstico. O L\u00edbano e a Ar\u00e1bia Saudita foram os dois \u00fanicos Estados do mundo a n\u00e3o ter um or\u00e7amento oficial. Hoje em dia \u00e9 materialmente imposs\u00edvel determinar que impostos foram cobrados, nem que ajuda internacional o L\u00edbano encaixou, nem o que gastou. Durante este per\u00edodo, o Diretor do Banco Central, Riad Salam\u00e9, montou um esquema Ponzi compar\u00e1vel ao de Bernard Madoff, mas para benef\u00edcio pessoal dos dirigentes pol\u00edticos. Os dep\u00f3sitos em d\u00f3lares foram remunerados duas vezes mais do que em outros pa\u00edses. Mas os juros desses dep\u00f3sitos eram pagos com o dinheiro dos novos depositantes. Com o acordo dos Estados Unidos, os bancos privados aceitaram branquear o dinheiro sujo dos cart\u00e9is de droga sul-americanos, enquanto um banco dos EUA comprava um ter\u00e7o do capital dos principais bancos libaneses. Assim que um grande depositante sacou o seu dinheiro, o sistema vacilou. Os dirigentes pol\u00edticos tiveram tempo de transferir o seu saque para o estrangeiro antes de ele desabar. Assim, em Outubro passado, o antigo Primeiro-ministro Fouad Siniora bateu todos os recordes evadindo entre 6 e 8 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares il\u00edcitos.<\/p>\n<p>Face ao desastre, o Presidente do governo interino, Saad Hariri (filho legal de Rafik), exigiu o pagamento antecipado de mil milh\u00f5es de d\u00f3lares pela Uni\u00e3o Europeia. Depois, escreveu \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita, \u00e0 China, ao Egipto, aos Estados Unidos, \u00e0 Fran\u00e7a, \u00e0 It\u00e1lia, \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 Turquia, para lhes pedir que fossem garantes das somas n\u00e3o pagas a fim de poder importar bens de primeira necessidade ; devendo esse dinheiro ser reembolsado assim que o controle cambial for levantado. Como resposta, os principais Estados envolvidos no resgate econ\u00f4mico do L\u00edbano reuniram-se, a 11 de Dezembro, em Paris. De manh\u00e3, eles avaliaram, \u00e0 porta fechada, o seu interesse pol\u00edtico em salvar o L\u00edbano ou deix\u00e1-lo afundar; depois, \u00e0 tarde, receberam uma delega\u00e7\u00e3o libanesa. Colocaram como condi\u00e7\u00e3o para qualquer ajuda a nomea\u00e7\u00e3o de um novo governo pr\u00f3-Ocidental e o estabelecimento de um controle eficaz sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de todo o dinheiro.<\/p>\n<p>Indignadas com a ideia de uma nova tutela sobre o pa\u00eds, peti\u00e7\u00f5es libanesas foram dirigidas aos doadores estrangeiros para os dissuadir de fornecer dinheiro ao Banco Central enquanto a origem da crise n\u00e3o fosse estabelecida.<\/p>\n<p>O Presidente sunita do governo, Saad Hariri, dirigiu-se ao FMI e ao Banco Mundial, mas estes questionaram imediatamente a autenticidade do balan\u00e7o do Banco Central e a probidade do seu director, Riad Salam\u00e9, at\u00e9 aqui considerado um banqueiro exemplar.<\/p>\n<p>Esse recordat\u00f3rio hist\u00f3rico destaca a aus\u00eancia de responsabilidade do Hezbolla na crise, muito embora a imprensa ocidental afirme o contr\u00e1rio. Da mesma forma, \u00e9 importante sublinhar que, embora o Hezbolla recolha o zakat (doa\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana) de traficantes de droga do vale de B\u00e9kaa e da di\u00e1spora xiita na Am\u00e9rica Latina, ele sempre se op\u00f4s \u00e0 cultura das drogas. Quando chegou ao governo, prop\u00f4s e implementou programas de assist\u00eancia social para que os agricultores pudessem evoluir e mudar as suas culturas. Por fim, deve-se tamb\u00e9m enfatizar que a maior parte do dinheiro sujo liban\u00eas n\u00e3o prov\u00e9m de drogas locais, mas do branqueamento de receitas dos cart\u00e9is sul-americanos; o branqueamento de dinheiro institu\u00eddo pelos Estados Unidos e beneficiando os banqueiros libaneses, principalmente crist\u00e3os e sunitas.<\/p>\n<p>Identicamente, este recordat\u00f3rio p\u00f5e em evid\u00eancia a aparente estabilidade do pa\u00eds desde a elei\u00e7\u00e3o do Presidente crist\u00e3o da Rep\u00fablica, Michel Aoun. O L\u00edbano nunca tinha sido capaz de preencher simultaneamente as fun\u00e7\u00f5es de Presidente crist\u00e3o da Rep\u00fablica, de Presidente sunita do Governo, da Assembleia monocamaral (unicameral-br) e do Conselho Constitucional de 2005 a 2016.<\/p>\n<p class=\"spip\"><strong>Impacto da crise<\/strong><\/p>\n<p>As medidas de controle de c\u00e2mbios, que visavam interromper a fuga de capitais, provocaram o colapso da economia. Pelo menos 10% das empresas do pa\u00eds faliram no decorrer dos \u00faltimos 3 meses. A maior parte das outras reduziram o hor\u00e1rio de trabalho de maneira a diminuir, proporcionalmente, os sal\u00e1rios pagos sem ter que despedir os seus empregados. As primeiras empresas afectadas foram as funda\u00e7\u00f5es caritativas de modo que todo o sector de ajuda aos pobres foi devastado. Os trabalhadores estrangeiros \u2014 nomeadamente os empregados dom\u00e9sticos asi\u00e1ticos\u2014 que s\u00e3o pagos em libras libanesas, perderam metade do que transferiam mensalmente em d\u00f3lares para as suas fam\u00edlias. Milhares deixaram j\u00e1 o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Todos ter\u00e3o notado que as manifesta\u00e7\u00f5es que ocorrem, desde 17 de Outubro, s\u00e3o muito coordenadas. Os agitadores est\u00e3o ligados, em perman\u00eancia, por telefone a um misterioso QG. Os slogans (eslogans-br) s\u00e3o exactamente os mesmos em todo o pa\u00eds e em todas as comunidades, o que d\u00e1 aos manifestantes uma sensa\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de fim do sistema confessional. A designa\u00e7\u00e3o como alvo principal da Corrente Patri\u00f3tica Livre (CPL) do Presidente crist\u00e3o da Rep\u00fablica, Michel Aoun, sugere que o movimento \u00e9 organizado contra ele.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos \u00e9 amb\u00edgua. Por um lado, a administra\u00e7\u00e3o da USAID bloqueou a transfer\u00eancia de uma subven\u00e7\u00e3o de 115 milh\u00f5es de d\u00f3lares para o Ex\u00e9rcito liban\u00eas, a fim de que pudesse adquirir equipamento, enquanto, por outro lado, o Secret\u00e1rio de Estado, Mike Pompeo, deu luz verde (liberou-br) esta subven\u00e7\u00e3o. O antigo embaixador dos EUA no L\u00edbano, Jeffrey Feltman, testemunhou perante o Congresso afirmando o que havia escrito. Ou seja, que, segundo ele, todo \u00abAmericano\u00bb deve combater a alian\u00e7a Ir\u00e3-Hezbollah-Corrente Patri\u00f3tica L\u00edvre-Casa Branca.<\/p>\n<p>A proposta de nomear como presidente sunita do governo o empres\u00e1rio Samir Khatib foi recusada pelo grande Mufti. Com efeito, no L\u00edbano, o presidente crist\u00e3o da Rep\u00fablica \u00e9 designado pelo Patriarca maronita, o presidente sunita do Governo pelo Mufti e o presidente xiita do Parlamento pelos Mul\u00e1s, depois s\u00e3o confirmados pela c\u00e2mara \u00fanica. \u00c9 o \u00fanico pa\u00eds do mundo com uma tal confus\u00e3o de Poderes religiosos e pol\u00edticos. Por seu lado, os Kat\u00ebb (falangistas maronitas) propuseram o diplomata e magistrado Nawaf Salam para fazer boa figura. Seja como for, o Mufti \u00e9 favor\u00e1vel a uma recondu\u00e7\u00e3o de Saad Hariri, mas desta vez \u00e0 frente de um governo de tecnocratas que, seja como for, ser\u00e3o escolhidos pelos tr\u00eas presidentes.<\/p>\n<p>Acusada de prevarica\u00e7\u00e3o, a Corrente Patri\u00f3tica Livre (CPL) do Presidente crist\u00e3o da Rep\u00fablica, Michel Aoun, j\u00e1 fez saber que n\u00e3o dever\u00e1 participar no pr\u00f3ximo governo. Ele n\u00e3o quer ser tomado como respons\u00e1vel pelos problemas futuros, sob pretexto de ter dado cobertura aos desvios de fundos de que o acusam e que ele desmente.<\/p>\n<p>Os confrontos, sobrevindos em 14 de Dezembro em Beirute, ilustram o vacuidade da agita\u00e7\u00e3o. Ao in\u00edcio da tarde, jovens xiitas, membros do Hezbolla e do Amal, atacaram grupos ligados a George Soros, que haviam montado tendas no centro da cidade. Enquanto \u00e0 noite, outros jovens, oriundos de grupos que haviam sido atacados pouco antes, tentavam invadir o Parlamento e a\u00ed proclamar \u00aba revolu\u00e7\u00e3o colorida\u00bb, como fizeram na S\u00e9rvia, na Ge\u00f3rgia e em muitos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Para os libaneses, assombrados pela mem\u00f3ria da guerra civil, as cem pessoas feridas \u2014for\u00e7as da ordem inclu\u00eddas\u2014 provocam uma ang\u00fastia insuport\u00e1vel. O facto de que a imprensa fale sobre feridos Libaneses, mas n\u00e3o diga uma palavra sobre os mortos ap\u00e1tridas palestinos ou nacionais s\u00edrios diz muito sobre a viol\u00eancia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Avan\u00e7a-se, entretanto, de novo para um sistema defeituoso j\u00e1 que faz 76 anos que as grandes pot\u00eancias jogam com o L\u00edbano e os Libaneses se submetem.<\/p>\n<p class=\"spip\"><strong>Como sair da crise ?<\/strong><\/p>\n<p>Contrariamente \u00e0s exig\u00eancias dos manifestantes, n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtico liban\u00eas limpo. E n\u00e3o pode haver com um tal sistema. Na melhor das hip\u00f3teses, roubaram dinheiro para servir a sua comunidade, na pior para se enriquecerem. O L\u00edbano \u00e9 um dos raros pa\u00edses do mundo onde bilion\u00e1rios surgem bruscamente sem que ningu\u00e9m saiba de onde vem a sua fortuna. Por conseguinte, n\u00e3o \u00e9 preciso, no entanto, ca\u00e7\u00e1-los todos, mas apoiar-se nos primeiros encorajando-os a servir a Na\u00e7\u00e3o em vez da sua comunidade exclusivamente, e meter na pris\u00e3o os segundos.<\/p>\n<p>Os infort\u00fanios do L\u00edbano s\u00e3o directamente imput\u00e1veis aos pr\u00f3prios Libaneses que aceitam, desde h\u00e1 76 anos, um sistema constitucional obtuso e lutam pela sua comunidade mais do que pelo seu pa\u00eds. Ainda n\u00e3o ultrapassaram o traumatismo da guerra civil e continuam a ver os seus senhores de guerra confessionais como os \u00fanicos baluartes face \u00e0 hipot\u00e9tica agress\u00e3o de outras comunidades.<\/p>\n<p>Esses infort\u00fanios s\u00f3 terminar\u00e3o com uma mudan\u00e7a de Constitui\u00e7\u00e3o e a ado\u00e7\u00e3o de um sistema verdadeiramente democr\u00e1tico; o que implica o reconhecimento da personalidade mais leg\u00edtima para conduzir os destinos do pa\u00eds. Pouco importa a sua religi\u00e3o. E, neste caso, \u00e9 obviamente Sayyed Hassan Nasrallah. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria da sua rede de Resist\u00eancia face ao invasor israelita \u00e9 ele incontestavelmente essa personalidade. Restar\u00e1 aos libaneses esperar que n\u00e3o se aproveite da sua confian\u00e7a para os trair em proveito dos Iranianos.<\/p>\n<p>De momento, \u00e9 imposs\u00edvel mudar a Constitui\u00e7\u00e3o. Os parlamentares que seriam maci\u00e7amente varridos est\u00e3o muito apegados aos seus lugares e n\u00e3o o far\u00e3o. Um referendo n\u00e3o o far\u00e1, de modo nenhum, j\u00e1 que a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 generalizada, inclusive entre os eleitores: 45% deles admitem ter sido solicitados a vender o seu voto.<\/p>\n<p>No L\u00edbano, os partidos pol\u00edticos s\u00e3o confessionais. Eles n\u00e3o t\u00eam alcance nacional, antes defendem a sua comunidade e distribuem-lhe prebendas. \u00c9, portanto, necess\u00e1rio proceder gradualmente criando uma administra\u00e7\u00e3o forte, decapitando, em curto prazo, os principais agentes corruptos; o que o Presidente sunita do governo, Saad Hariri, havia proposto e que lhe foi recusado pelos manifestantes. Depois ser\u00e1 preciso tratar dos senhores de guerra sa\u00eddos da guerra civil, os quais hoje devem dar provas da sua utilidade ou abandonar a vida p\u00fablica.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"l3riE1ebjF\"><p><a href=\"https:\/\/www.orientemidia.org\/libano-os-bastidores-da-crise-bancaria-do-seculo\/\">L\u00edbano : os bastidores da crise banc\u00e1ria do s\u00e9culo<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;L\u00edbano : os bastidores da crise banc\u00e1ria do s\u00e9culo&#8221; &#8212; ORIENTE m\u00eddia\" src=\"https:\/\/www.orientemidia.org\/libano-os-bastidores-da-crise-bancaria-do-seculo\/embed\/#?secret=l3riE1ebjF\" data-secret=\"l3riE1ebjF\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Thierry Meyssan &#8211; O colapso do Banco Central do L\u00edbano a seguir a uma vasta escroqueria de Estado mergulhou o pa\u00eds numa crise econ\u00f3mica e financeira sem paralelo. 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