{"id":12308,"date":"2020-01-01T10:26:16","date_gmt":"2020-01-01T13:26:16","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=12308"},"modified":"2019-12-30T10:28:46","modified_gmt":"2019-12-30T13:28:46","slug":"a-esquerda-os-militares-o-imperialismo-e-o-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2020\/01\/01\/a-esquerda-os-militares-o-imperialismo-e-o-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"A esquerda, os militares, o imperialismo e o desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori<\/strong> &#8211;<\/p>\n<blockquote><p><em>As grandes pot\u00eancias s\u00e3o aqueles Estados de toda parte da Terra que possuem elevada capacidade militar perante os outros, perseguem interesses continentais ou globais e defendem estes interesses por meio de uma ampla gama de instrumentos, entre eles a for\u00e7a e amea\u00e7as de for\u00e7a, sendo reconhecidos pelos Estados menos poderosos como atores principais que exercem direitos formais excepcionais nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. <\/em><\/p>\n<p>Charles Tilly, <em>Coer\u00e7\u00e3o, Capital e Estados Europeus. <\/em>S\u00e3o Paulo: EDUSP, 1996, p. 247<\/p><\/blockquote>\n<p>Foi depois da Primeira Grande Guerra que o movimento socialista internacional repudiou o colonialismo europeu e transformou o \u201cimperialismo\u201d no inimigo n\u00famero um da esquerda mundial. Assim mesmo, quando os socialistas chegaram pela primeira vez ao poder, na Europa, e foram obrigados a governar economias capitalistas, n\u00e3o conseguiram extrair consequ\u00eancias da sua pr\u00f3pria teoria do imperialismo para o plano concreto das pol\u00edticas p\u00fablicas. E quando foram chamados a comandar diretamente a pol\u00edtica econ\u00f4mica, como no caso de Rudolf Hilferding, entre outros, seguiram o receitu\u00e1rio vitoriano cl\u00e1ssico, do <em>\u201csound money and free markets\u201d <\/em>\u2013 at\u00e9 muito depois da Segunda Guerra, quando aderiram, j\u00e1 nos anos 60 e 70, \u00e0s ideias, propostas e pol\u00edticas keynesianas. Mas na d\u00e9cada de 80, estes mesmos partidos se converteram ao programa ortodoxo da austeridade fiscal e das reformas liberais que levaram \u00e0 desmontagem parcial do Estado de Bem-estar Social.<\/p>\n<p>Esse mesmo problema reapareceu de forma mais dram\u00e1tica quando lhes tocou aos socialistas e \u00e0s for\u00e7as de esquerda governarem pa\u00edses \u201cperif\u00e9ricos\u201d ou \u201csubdesenvolvidos\u201d. Tamb\u00e9m nestes casos, os te\u00f3ricos do imperialismo e da depend\u00eancia tiveram muita dificuldade para decidir qual seria o modelo de pol\u00edtica econ\u00f4mica \u201cideal\u201d para as condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de um pa\u00eds situado no \u201candar de baixo\u201d da hierarquia mundial do poder e da riqueza.<\/p>\n<p>No caso da Am\u00e9rica Latina, a CEPAL formulou nos anos 50 uma teoria \u201cestruturalista\u201d do com\u00e9rcio internacional e da infla\u00e7\u00e3o, e prop\u00f4s um programa de industrializa\u00e7\u00e3o por \u201csubstitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es\u201d que lembrava as teorias e propostas de Friederich List, economista alem\u00e3o do s\u00e9culo XIX, com a diferen\u00e7a de que as ideias cepalinas n\u00e3o tinham nenhum tipo de conota\u00e7\u00e3o nacionalista, ou de colora\u00e7\u00e3o anti-imperialista. Na pr\u00e1tica, entretanto, dentro e fora da Am\u00e9rica Latina, os governos de esquerda dos pa\u00edses perif\u00e9ricos acabaram, quase invariavelmente, derrubados ou estrangulados financeiramente pelas grandes pot\u00eancias do sistema mundial, sem terem conseguido descobrir o caminho do crescimento e da igualdade, dentro de uma economia capitalista subdesenvolvida, e no contexto de um sistema internacional assim\u00e9trico, competitivo e extremamente b\u00e9lico. Apesar de tudo, essas experi\u00eancias deixaram um ensinamento fundamental: que os modelos e as pol\u00edticas econ\u00f4micas que funcionam em um pa\u00eds do \u201candar de cima\u201d n\u00e3o funcionam necessariamente em pa\u00edses situados nos escal\u00f5es inferiores do sistema, e menos ainda, quando estes pa\u00edses do \u201candar de baixo\u201d tiveram a ousadia de querer mudar sua posi\u00e7\u00e3o relativa dentro da hierarquia mundial do poder.<\/p>\n<p>Desta perspectiva, para poder avan\u00e7ar neste debate, \u00e9 \u00fatil distinguir pelo menos quatro tipos ou grupos de pa\u00edses,<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> do ponto de vista de sua estrat\u00e9gia de desenvolvimento e de sua posi\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pot\u00eancia dominante em cada um dos grandes tabuleiros geopol\u00edticos e econ\u00f4micos do sistema mundial. No primeiro grupo, encontram-se os pa\u00edses que lideram ou lideraram a expans\u00e3o do sistema mundial, em distintos n\u00edveis e momentos hist\u00f3ricos, as chamadas \u201cgrandes pot\u00eancias\u201d, do presente e do passado, desde a origem do sistema interestatal capitalista; no segundo grupo, est\u00e3o os pa\u00edses que foram derrotados e submetidos pelas grandes pot\u00eancias, ou que adotaram voluntariamente estrat\u00e9gias de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com as pot\u00eancias vitoriosas, transformando-se em seus <em>dominiums<\/em> econ\u00f4micos e protetorados militares; no terceiro grupo devem ser situados os pa\u00edses que lograram se desenvolver questionando a hierarquia internacional estabelecida e adotando estrat\u00e9gias econ\u00f4micas nacionais que priorizaram a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds dentro do poder e da riqueza mundiais; e por fim, no quarto grupo, podemos situar todos os demais pa\u00edses e economias nacionais situadas na periferia do sistema e que n\u00e3o puderam ou n\u00e3o se propuseram sair dessa condi\u00e7\u00e3o, ou mesmo sofreram um processo de deteriora\u00e7\u00e3o ou decad\u00eancia depois de terem alcan\u00e7ado n\u00edveis mais altos de desenvolvimento, como no caso de alguns pa\u00edses africanos e latino-americanos.<\/p>\n<p>No caso da Am\u00e9rica Latina, a pot\u00eancia dominante sempre foram os Estados Unidos. E desde a Segunda Guerra Mundial, at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 70 pelo menos, os Estados Unidos defenderam e patrocinaram na sua \u201czona de influ\u00eancia\u201d um projeto de tipo \u201cdesenvolvimentista\u201d que prometia r\u00e1pido crescimento econ\u00f4mico e moderniza\u00e7\u00e3o social, como caminho de supera\u00e7\u00e3o do subdesenvolvimento latino-americano. Mas depois da sua crise dos anos 70, e em particular na d\u00e9cada de 80, os norte-americanos mudaram sua estrat\u00e9gia econ\u00f4mica internacional e abandonaram definitivamente seu projeto e patroc\u00ednio desenvolvimentista. Desde ent\u00e3o, passaram a defender, <em>urbe et orbi,<\/em> um novo programa econ\u00f4mico de reformas e pol\u00edticas neoliberais que ficou conhecido pelo nome de \u201cConsenso de Washington\u201d, que se transformou no n\u00facleo central de sua ret\u00f3rica vitoriosa depois do fim da Guerra Fria. Combinavam a defesa dos mercados livres e desregulados com a defesa da democracia e da desestatiza\u00e7\u00e3o das economias que haviam seguido seu ide\u00e1rio anterior, que propunha um crescimento econ\u00f4mico r\u00e1pido e induzido pelo Estado. Foi o momento em que o neoliberalismo se transformou no pensamento hegem\u00f4nico de quase todos os partidos e governos da Am\u00e9rica Latina, incluindo os partidos socialistas e social-democratas. Na segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, entretanto, os Estados Unidos voltaram a redefinir e mudar radicalmente seu projeto econ\u00f4mico para a periferia latina e mundial, defendendo um ultraliberalismo radical e com forte vi\u00e9s autorit\u00e1rio, sem nenhum tipo de preocupa\u00e7\u00e3o social ou promessa para o futuro, seja de maior justi\u00e7a ou de maior igualdade.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto hemisf\u00e9rico que se deve ler, interpretar e discutir a trajet\u00f3ria econ\u00f4mica brasileira da Segunda Guerra Mundial at\u00e9 hoje, come\u00e7ando pelo sucesso econ\u00f4mico do seu \u201cdesenvolvimentismo conservador\u201d, que foi sempre tutelado pelos militares e apoiado pelos Estados Unidos. Em troca, durante todo esse per\u00edodo, os militares brasileiros submeteram-se \u00e0 estrat\u00e9gia militar dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, transformando-se no \u00fanico caso de sucesso no continente latino-americano daquilo que alguns historiadores econ\u00f4micos costumam chamar de \u201cdesenvolvimento a convite\u201d, que se encaixa diretamente no segundo tipo de estrat\u00e9gia e de desenvolvimento da nossa classifica\u00e7\u00e3o anterior. Ressalva deve ser feita ao governo Geisel, que se manteve fiel ao anticomunismo americano, mas ensaiou uma estrat\u00e9gia de centraliza\u00e7\u00e3o e estatiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e de conquista de maior autonomia internacional, que foi vetada e derrotada pelos Estados Unidos e pelo pr\u00f3prio empresariado brasileiro.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 exatamente o per\u00edodo \u201cgeiselista\u201d do regime militar brasileiro que deixa muitos analistas confundidos quando o comparam com o ultraliberalismo do atual governo \u201cparamilitar\u201d instalado no Brasil em 2018. Na verdade \u2013 exclu\u00edda a \u201cexcrec\u00eancia bolsonarista\u201d \u2013 os militares brasileiros seguem no mesmo lugar, ocupando a mesma posi\u00e7\u00e3o que ocuparam nos golpes de 1954 e de 1964: aliados com as mesmas for\u00e7as conservadoras e com a extrema-direita religiosa, e alinhados de forma incondicional e subalterna com os Estados Unidos. E \u00e9 por isto exatamente que n\u00e3o representa nenhum constrangimento para eles o fato de terem sido \u201cnacional-desenvolvimentistas\u201d na segunda metade do s\u00e9culo XX, e serem agora \u201cnacional-ultraliberalistas\u201d neste in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Acreditam que, uma vez mais, seu alinhamento autom\u00e1tico com os Estados Unidos lhes garantir\u00e1 o mesmo sucesso econ\u00f4mico que tiveram durante a Guerra Fria, s\u00f3 que agora atrav\u00e9s de mercados desregulados, desestatizados e desnacionalizados.<\/p>\n<p>O que os atuais militares brasileiros ainda n\u00e3o perceberam, entretanto, \u00e9 que a estrat\u00e9gia de desenvolvimento ultraliberal esgotou-se em todo mundo, e em particular no caso dos Estados e economias nacionais de maior extens\u00e3o e complexidade, como o Brasil. E que os Estados Unidos j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es nem querem assumir a responsabilidade pela cria\u00e7\u00e3o de um novo tipo de \u201c<em>dominium canadense<\/em>\u201d ao sul do continente americano. Al\u00e9m disso, nesta nova fase os Estados Unidos est\u00e3o inteiramente dedicados \u00e0 competi\u00e7\u00e3o entre as tr\u00eas grandes pot\u00eancias que restaram no mundo;<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> n\u00e3o t\u00eam mais nenhum tipo de aliado permanente ou incondicional, com exce\u00e7\u00e3o de Israel e Ar\u00e1bia Saudita; e consideram que seus interesses econ\u00f4micos e estrat\u00e9gicos nacionais est\u00e3o por cima de qualquer acordo ou alian\u00e7a com qualquer tipo de pa\u00eds, que por defini\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sempre passageira. Por sua pr\u00f3pria conta, a agenda ultraliberal pode garantir um aumento da margem de lucro dos capitais privados, sobretudo depois da destrui\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, e durante o per\u00edodo das grandes privatiza\u00e7\u00f5es. Mas, definitivamente, a agenda ultraliberal n\u00e3o conseguir\u00e1 dar conta do desafio simult\u00e2neo do crescimento econ\u00f4mico e da diminui\u00e7\u00e3o da desigualdade social brasileira.<\/p>\n<p>No entanto, esse \u201cfracasso anunciado\u201d traz de volta o grande desafio e a grande inc\u00f3gnita da esquerda e das for\u00e7as progressistas, at\u00e9 porque o antigo desenvolvimentismo brasileiro n\u00e3o foi uma obra de esquerda, como j\u00e1 dissemos, mas sobretudo uma obra conservadora e militar que n\u00e3o teria tido grande sucesso se n\u00e3o tivesse contado com o \u201cconvite\u201d norte-americano. E exatamente por isso fica muito dif\u00edcil querer reinvent\u00e1-lo utilizando apenas novas f\u00f3rmulas e equa\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas. Talvez por isto mesmo \u00e0s vezes se tem a impress\u00e3o, hoje, de que a esquerda econ\u00f4mica vive prisioneira de um debate circular e inconclusivo, sempre em busca da f\u00f3rmula m\u00e1gica ou ideal que sup\u00f5e ser capaz de responder por si s\u00f3 triplo desafio do crescimento, da igualdade e da soberania.<\/p>\n<p>Nesses momentos de grandes \u201cbifurca\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas\u201d, \u00e9 preciso ter coragem de mudar a forma de pensar, \u00e9 preciso \u201crebobinar\u201d as ideias, mudar o \u00e2ngulo e trocar o paradigma. Isto \u00e9 muito dif\u00edcil de esperar dos militares porque eles foram educados para pensar sempre da mesma maneira, e foram treinados para fazer a mesma coisa todo dia, em ordem unida. O problema maior, entretanto, vem da resist\u00eancia dos economistas progressistas que, quando ouvem falar em \u201cimperialismo\u201d, \u201cdepend\u00eancia\u201d ou em \u201cassimetria do poder internacional\u201d, preferem se esconder atr\u00e1s do argumento velho e pregui\u00e7oso de que se trata de uma \u201cvis\u00e3o conspirat\u00f3ria\u201d da Hist\u00f3ria, sem querer enfrentar a dura realidade revelada por Max Weber, quando nos ensinou que \u201cos processos de desenvolvimento econ\u00f4mico s\u00e3o lutas de poder e domina\u00e7\u00e3o [e por isto] a ci\u00eancia da pol\u00edtica econ\u00f4mica \u00e9 uma ci\u00eancia pol\u00edtica, e como tal n\u00e3o se conserva virgem com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica quotidiana, a pol\u00edtica dos governos e das classes no poder, e pelo contr\u00e1rio, depende dos interesses permanentes da pol\u00edtica de pot\u00eancia das na\u00e7\u00f5es\u201d.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Fiori, J.L., \u201cHist\u00f3ria, estrat\u00e9gia e desenvolvimento\u201d, Editora Vozes, Petr\u00f3polis, 2015, p: 43 e 44<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u201cO governo Geisel tentou impor um novo movimento de centraliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mas j\u00e1 n\u00e3o encontrou o apoio social e pol\u00edtico \u2013 nacional e internacional \u2013 de in\u00edcio do regime militar. Por isso fracassou, e apesar da apar\u00eancia em contr\u00e1rio, seu intento acelerou a divis\u00e3o interna dos militares, que cresceu ainda mais nos anos seguintes e acabou levando-os \u00e0 impot\u00eancia final\u201d. FIORI, J.L. <em>Conjuntura e ciclo na din\u00e2mica de um Estado perif\u00e9rico.<\/em> Tese de Doutoramento, mimeo, USP, 1985, p. 214.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> COLBY, E.A. e MITCHELL, A.W. The Age of Great-Power Competition. How the Trump Administration Refashioned American Strategy. <em>Forerign Affairs This Week<\/em>. December 27, 2019.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Weber, M. \u201cEscritos Pol\u00edticos\u201d, Folio Ediciones S.A., M\u00e9xico, 1982, p: 18<\/p>\n<p>Enviado pelo autor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori &#8211; As grandes pot\u00eancias s\u00e3o aqueles Estados de toda parte da Terra que possuem elevada capacidade militar perante os outros, perseguem interesses continentais ou globais e defendem estes interesses por meio de uma ampla gama de instrumentos, entre eles a for\u00e7a e amea\u00e7as de for\u00e7a, sendo reconhecidos pelos Estados menos poderosos como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7784,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1,3],"tags":[71,36],"class_list":["post-12308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geografia","category-internacional","tag-geopolitica","tag-imperialismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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