{"id":12306,"date":"2019-12-31T16:56:47","date_gmt":"2019-12-31T19:56:47","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=12306"},"modified":"2019-12-29T17:59:17","modified_gmt":"2019-12-29T20:59:17","slug":"um-pais-que-nao-estuda-historia-e-incapaz-de-entender-a-si-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/12\/31\/um-pais-que-nao-estuda-historia-e-incapaz-de-entender-a-si-mesmo\/","title":{"rendered":"&#8220;Um pa\u00eds que n\u00e3o estuda hist\u00f3ria \u00e9 incapaz de entender a si mesmo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Roger Marzochi<\/strong> &#8211; Durante mais de tr\u00eas s\u00e9culos, o Brasil foi protagonista de uma das maiores atrocidades da hist\u00f3ria: dos 12,5 milh\u00f5es de pessoas que foram transportadas \u00e0 for\u00e7a da \u00c1frica para as Am\u00e9ricas, 4,9 milh\u00f5es desembarcaram em territ\u00f3rio nacional para serem escravizadas em grandes planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e caf\u00e9, nas minas que extra\u00edam metais preciosos ou para servirem \u00e0s casas de seus \u201csenhores\u201d brancos.<\/p>\n<p>Ao menos 2 milh\u00f5es de habitantes de diversos territ\u00f3rios do continente africano nem sequer completaram a travessia pelo Oceano Atl\u00e2ntico e morreram em navios que amontoavam humanos como simples mercadorias. Mais de 130 anos depois da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Brasil, os reflexos desse per\u00edodo hist\u00f3rico n\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis de perceber: dados recentes do IBGE indicam que entre os 10% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o brasileira, 78,5% s\u00e3o negros. De acordo com informa\u00e7\u00f5es do Atlas da Viol\u00eancia divulgado em 2019, 75,5% das v\u00edtimas de homic\u00eddio no pa\u00eds s\u00e3o negras.<\/p>\n<p>Autor das premiadas obras &#8220;1808&#8221;, &#8220;1822&#8221; e &#8220;1889&#8221;, que resgatam detalhes da\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/Historia\/noticia\/plantao.html\">hist\u00f3ria<\/a>\u00a0brasileira, o escritor paranaense Laurentino Gomes se deu conta de que o assunto mais importante do passado nacional n\u00e3o eram os ciclos econ\u00f4micos, as revolu\u00e7\u00f5es, o imp\u00e9rio ou a monarquia. Era a escravid\u00e3o. \u201cTudo o que n\u00f3s j\u00e1 fomos no passado, o que somos hoje e o que seremos no futuro tem a ver com nossas ra\u00edzes africanas e o modo como nos relacionamos com elas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>E foi pensando nisso que ele escreveu &#8220;Escravid\u00e3o: Do Primeiro Leil\u00e3o de Cativos em Portugal at\u00e9 a Morte de Zumbi dos Palmares&#8221;, livro lan\u00e7ado em setembro pela Globo Livros e que \u00e9 o primeiro volume da trilogia que resgata o processo econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social que envolveu os s\u00e9culos de escravid\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Para realizar a obra, Gomes consultou centenas de documentos hist\u00f3ricos e viajou por 12 pa\u00edses em tr\u00eas continentes, passando por locais como a Serra da Barriga, onde se localizava o Quilombo dos Palmares, at\u00e9 fortifica\u00e7\u00f5es nas quais os escravos aguardavam os navios respons\u00e1veis pelo tr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Defensor das cotas preferenciais para afrodescendentes, ele acredita que o preconceito ainda presente em nosso pa\u00eds deve ser combatido por meio do estudo da nossa hist\u00f3ria. \u201cEsse \u00e9 um assunto ainda vivo entre n\u00f3s, como se pode ver nos discursos de campanhas eleitorais, nas discuss\u00f5es di\u00e1rias que aparecem nas redes. \u00c9 uma ferida que continua aberta.\u201d<\/p>\n<p>A seguir, leia a entrevista completa com o escritor.<\/p>\n<p><strong>Como surgiu o interesse de\u00a0escrever sobre a escravid\u00e3o no Brasil?<\/strong><br \/>\nEu tinha planos de escrever sobre a escravid\u00e3o desde que comecei a pesquisar meu primeiro livro, 12 anos atr\u00e1s. Ao tentar descrever o que era o Brasil em 1808, ano da chegada da corte de Dom Jo\u00e3o VI ao Rio de Janeiro, me dei conta de que o tr\u00e1fico negreiro e o uso intensivo de cativos africanos tinham sido a principal caracter\u00edstica da col\u00f4nia portuguesa nos tr\u00eas s\u00e9culos anteriores.<\/p>\n<p>Essa mesma percep\u00e7\u00e3o se repetiu ao me debru\u00e7ar sobre as duas datas seguintes, 1822 e 1889. \u00c9 quase imposs\u00edvel explicar o processo de independ\u00eancia, o primeiro e o segundo reinados e, depois, a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica sem estudar a escravid\u00e3o. \u00c9 como se fosse o fio condutor dos nossos principais eventos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p><strong>Era um tema totalmente relacionado com suas obras anteriores&#8230;<\/strong><br \/>\nNo livro &#8220;1822&#8221;, por exemplo, explico que o Brasil se manteve como monarquia depois da independ\u00eancia devido \u00e0 soma de dois medos: o de uma guerra civil republicana que dividisse o pa\u00eds, a exemplo do que estava ocorrendo na Am\u00e9rica Espanhola, e o de uma guerra \u00e9tnica, em que os escravos pegassem em armas contra seus senhores.<\/p>\n<p>Esses dois medos fizeram com que a elite rural escravista brasileira cerrasse fileiras para que o futuro imperador Pedro I rompesse os v\u00ednculos com Portugal, mas mantivesse intacta a estrutura social vigente, sobretudo a escravid\u00e3o e o tr\u00e1fico negreiro.<\/p>\n<p>Para entender como chegamos at\u00e9 aqui \u00e9 preciso ir al\u00e9m da superf\u00edcie, observar o que fizemos aos nossos \u00edndios e negros, entender quem teve acesso a oportunidades e privil\u00e9gios ao longo desses \u00faltimos 500 anos e como a sociedade e a cultura brasileiras foram se moldando desde a chegada de Pedro \u00c1lvares Cabral na Bahia at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Ao fazer esse mergulho profundo, me dei conta de que o assunto mais importante da nossa hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o os ciclos econ\u00f4micos, as revolu\u00e7\u00f5es, o imp\u00e9rio ou a monarquia. \u00c9 a escravid\u00e3o. Tudo o que n\u00f3s j\u00e1 fomos no passado, o que somos hoje e o que seremos no futuro tem a ver com nossas ra\u00edzes africanas e o modo como nos relacionamos com elas.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Para entender como chegamos at\u00e9 aqui \u00e9 preciso ir al\u00e9m da superf\u00edcie, observar o que fizemos aos nossos \u00edndios e negros&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Voc\u00ea trabalhou ao longo de seis anos nesse novo projeto. O que foi mais desafiador durante o processo?<\/strong><br \/>\nNo Brasil, tornou-se uma ideia comum que os documentos da escravid\u00e3o teriam sido destru\u00eddos e estariam malconservados, o que tornaria o estudo do tema dif\u00edcil, quando n\u00e3o imposs\u00edvel. Isso \u00e9 verdade apenas em parte.<\/p>\n<p>De fato, parte da documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, relacionada aos registros de compra e venda de escravos na antiga Alf\u00e2ndega do Rio de Janeiro, foi destru\u00edda por ordem de Rui Barbosa, ent\u00e3o ministro da Fazenda, logo depois da proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Com essa medida, os republicanos queriam, como se dizia na \u00e9poca, \u201capagar uma mancha\u201d na hist\u00f3ria brasileira, o que, obviamente, foi in\u00fatil, porque a \u201cmancha\u201d nunca se apagou.<\/p>\n<p>Mas, apesar disso, restaram in\u00fameras outras fontes preciosas, relativamente intactas e pouco exploradas. Isso inclui inqu\u00e9ritos policiais e processos na Justi\u00e7a envolvendo os escravos e seus senhores; testamentos e invent\u00e1rios p\u00f3s-morte; certid\u00f5es de batismo, casamento e \u00f3bito; an\u00fancios de fuga ou de compra e venda de cativos registrados nos jornais da \u00e9poca ou em documenta\u00e7\u00e3o cartorial.<\/p>\n<p>Hoje j\u00e1 se sabe com relativa precis\u00e3o quantos eram e de que regi\u00f5es sa\u00edam os escravos, quantos morreram no caminho e quantos chegaram ao Brasil e aos demais territ\u00f3rios da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p><strong>Houve algum momento de como\u00e7\u00e3o ao realizar o trabalho de pesquisa?<\/strong><br \/>\nFiquei particularmente tocado ao visitar as fortifica\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico de escravos na costa da \u00c1frica. Existem dezenas delas, em especial na atual Rep\u00fablica de Gana. Eram dep\u00f3sitos de seres humanos, onde milhares e milhares de africanos escravizados ficavam \u00e0 espera da chegada dos navios negreiros como se fossem mercadorias prontas para serem distribu\u00eddas aos seus novos donos e compradores.<\/p>\n<p>Um dos maiores e mais antigos \u00e9 o castelo de S\u00e3o Jorge de Elmina. Dali sa\u00edram os antepassados da ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama. Seus por\u00f5es s\u00e3o visitados hoje por turistas afrodescendentes norte-americanos, que ali depositam coroas de flores em mem\u00f3ria aos que partiram ou morreram.<\/p>\n<p>Passei algum tempo sozinho num desses por\u00f5es, um lugar \u00famido, frio, muito escuro, onde ficavam as mulheres. Algumas chegavam ali gr\u00e1vidas e davam \u00e0 luz enquanto aguardavam para ser transferidas para um navio sujo, desconfort\u00e1vel e perigoso. Ali tamb\u00e9m amamentavam seus filhos rec\u00e9m-nascidos. Muitas morriam de fome, de doen\u00e7as ou de desespero.<\/p>\n<p>Foi uma experi\u00eancia que me cortou o cora\u00e7\u00e3o. Tive seguidas noites de ins\u00f4nia e pesadelos depois de passar por l\u00e1. Mas acho tamb\u00e9m que ningu\u00e9m pesquisa e escreve um livro sobre a escravid\u00e3o como se tivesse dando um passeio. Essa \u00e9, basicamente, uma hist\u00f3ria de dor e sofrimento. E para entend\u00ea-la precisamos nos aproximar dessa dor e desse sofrimento.<\/p>\n<p><strong>Como tem sido a recep\u00e7\u00e3o de sua obra pelo p\u00fablico e pela academia?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 fiz lan\u00e7amentos em diversos estados e cidades, incluindo, por exemplo, Blumenau, colonizada por imigrantes alem\u00e3es, e Salvador, a maior cidade africana fora da \u00c1frica. As pessoas t\u00eam demonstrado um interesse muito grande pelo tema.<\/p>\n<p>Acredito que essa obra pode inspirar algum tra\u00e7o de racionalidade numa discuss\u00e3o que, nas redes sociais e nos pronunciamentos pol\u00edticos, muitas vezes se resume a gritaria, polariza\u00e7\u00e3o e intoler\u00e2ncia. Apesar do f\u00f4lego aparente, em tr\u00eas volumes, esta s\u00e9rie de livros n\u00e3o pretende nem poderia ser um estudo exaustivo ou definitivo da escravid\u00e3o. Seria imposs\u00edvel, al\u00e9m de arrogante, qualquer tentativa de esgotar um assunto t\u00e3o vasto, importante e premente, embora numa obra que, no conjunto, ter\u00e1 cerca de 1,5 mil p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Meu prop\u00f3sito \u00e9 destacar e explicar alguns aspectos que julgo importantes na an\u00e1lise do tema seguindo a f\u00f3rmula j\u00e1 utilizada nos livros anteriores, mediante o uso de linguagem jornal\u00edstica, simples e f\u00e1cil de entender. Ou seja, mais uma vez quero ser um \u201cabridor de portas\u201d, especialmente para leitores jovens, mais leigos, ou que nunca se interessaram pelo assunto.<\/p>\n<p><strong>Sua obra explica que foi apenas na Am\u00e9rica que surgiu uma ideologia racista baseada na cor da pele para legitimar a escravid\u00e3o. Como \u00e9 poss\u00edvel superar esse preconceito ainda persistente?<\/strong><\/p>\n<p>A melhor maneira de enfrentar esses desafios \u00e9 por meio do estudo da hist\u00f3ria. Precisamos entender e refletir sobre o que aconteceu. Uma sociedade ou um pa\u00eds que n\u00e3o estuda hist\u00f3ria \u00e9 incapaz de entender a si mesmo porque desconhece suas ra\u00edzes. Como n\u00e3o sabe de onde veio, provavelmente tamb\u00e9m n\u00e3o saber\u00e1 o que (ou quem) \u00e9 hoje e muito menos o que ser\u00e1 no futuro.<\/p>\n<p>S\u00f3 pelo estudo de hist\u00f3ria ser\u00e1 poss\u00edvel preparar \u2014 ou qualificar \u2014 os cidad\u00e3os brasileiros para a dif\u00edcil tarefa de fazer escolhas e organizar a realiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds dos nossos sonhos. Isso inclui o racismo e o passivo social resultante da escravid\u00e3o. Esse n\u00e3o \u00e9 um assunto acabado, bem resolvido e congelado no passado. Ainda est\u00e1 vivo entre n\u00f3s, como se pode ver nos discursos de campanhas eleitorais, nas discuss\u00f5es di\u00e1rias que aparecem nas redes. \u00c9 uma ferida que continua aberta entre n\u00f3s. E que ainda d\u00f3i muito porque nunca foi devidamente tratada.<\/p>\n<p>Alguns dos grandes abolicionistas do s\u00e9culo 19, como o pernambucano Joaquim Nabuco e o baiano Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, diziam que n\u00e3o bastava acabar com a escravid\u00e3o. Era preciso tamb\u00e9m enfrentar o seu legado, dando terra, trabalho, educa\u00e7\u00e3o e oportunidades aos ex-cativos e seus descendentes. Isso o Brasil jamais fez.<\/p>\n<p><strong>E como todos esses fatores se\u00a0refletem em nosso presente?<\/strong><br \/>\nNossa popula\u00e7\u00e3o afrodescendente foi abandonada \u00e0 pr\u00f3pria sorte. O resultado est\u00e1 hoje nas estat\u00edsticas e nos indicadores sociais, em que a nossa popula\u00e7\u00e3o negra aparece como a parcela da sociedade que tem menos oportunidades e a que mais sofre com a desigualdade social cr\u00f4nica brasileira.<\/p>\n<p>Um segundo legado da escravid\u00e3o \u00e9 o\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/noticia\/2015\/10\/voce-e-racista-so-nao-sabe-disso-ainda.html\">preconceito<\/a>. \u00c9 uma das marcas terr\u00edveis das nossas rela\u00e7\u00f5es sociais, embora sempre procuremos disfar\u00e7\u00e1-la construindo mitos a respeito de n\u00f3s mesmos \u2014 por exemplo, a ilus\u00e3o de que ser\u00edamos uma grande e exemplar democracia racial. O notici\u00e1rio do dia a dia se encarrega de desmentir isso. \u00c9 um tema que incomoda muita gente, porque desmente os nossos mitos mais arraigados.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 sua opini\u00e3o sobre a\u00a0pol\u00edtica de cotas no Brasil?<\/strong><br \/>\nSou a favor dos programas de cotas preferenciais para afrodescendentes por duas raz\u00f5es. A primeira \u00e9 que essa pol\u00edtica vem dando resultados concretos. As estat\u00edsticas mostram um aumento no n\u00famero de negros ou pardos mestres e doutores nas universidades e tamb\u00e9m em cargos mais qualificados da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e da iniciativa privada. Ainda que lentamente, estamos abrindo espa\u00e7os para essa parcela da popula\u00e7\u00e3o que, no passado, sempre esteve sub-representada.<\/p>\n<p>A segunda raz\u00e3o \u00e9 que, mesmo sendo pol\u00eamica, a pol\u00edtica de cotas demonstra que o Brasil da democracia, pela primeira vez, topa o desafio de enfrentar o legado da escravid\u00e3o e corrigi-lo. Isso nunca aconteceu antes.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 ainda muita rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria&#8230;<\/strong><br \/>\nUm dos argumentos contr\u00e1rios \u00e0 pol\u00edtica de cotas, presente at\u00e9 em discursos de altas autoridades da Rep\u00fablica, tenta culpar os escravos pela pr\u00f3pria escravid\u00e3o. Muita gente afirma que, se os africanos participaram da escravid\u00e3o e lucraram com ela, n\u00e3o haveria raz\u00e3o para manter no Brasil, por exemplo, um sistema de cotas de inclus\u00e3o dos afrodescendentes em escolas ou postos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A chamada \u201cd\u00edvida social\u201d brasileira em rela\u00e7\u00e3o aos descendentes de escravos estaria anulada pelo fato de os africanos serem correspons\u00e1veis pelo regime escravista. Desse modo, n\u00e3o haveria por que indeniz\u00e1-los ou compens\u00e1-los pelos preju\u00edzos sociais e hist\u00f3ricos decorrentes disso.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 muito injusto porque, obviamente, n\u00e3o se pode culpar os escravos pela pr\u00f3pria escravid\u00e3o. O fato de chefes africanos terem participado do tr\u00e1fico nada tem a ver com a enorme d\u00edvida social e real que o Brasil tem com seus afrodescendentes. Basta ver as estat\u00edsticas. Precisamos corrigir isso urgentemente. E n\u00e3o podemos nos esconder atr\u00e1s de falsas e incorretas discuss\u00f5es a respeito de fatos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 sua rotina de trabalho e onde voc\u00ea busca inspira\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAntes eu fazia reportagens para jornais e revistas, agora fa\u00e7o livros-reportagem. Mas a ess\u00eancia do meu trabalho continua a mesma, o jornalismo. Convivia com muitos colegas nas reda\u00e7\u00f5es. Era um ambiente mais animado e barulhento. Hoje, meu trabalho \u00e9 mais solit\u00e1rio. Mas prefiro assim.<\/p>\n<p>Gosto de pesquisar e pensar sozinho a respeito do que pretendo fazer. E gosto mais de ler do que escrever. \u00c9 na poesia e nos romances que encontro a verdadeira inspira\u00e7\u00e3o para escrever. A literatura de fic\u00e7\u00e3o permite um mergulho mais profundo na alma humana do que os livros de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, que, em geral, s\u00e3o obras de natureza t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Leio e releio muito\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Vestibular-e-Enem\/noticia\/2019\/10\/vida-e-obra-de-carlos-drummond-de-andrade-um-dos-maiores-poetas-do-brasil.html\">Carlos Drummond de Andrade<\/a>, Manuel Bandeira e Pablo Neruda. Meus romances preferidos s\u00e3o &#8220;Sagarana&#8221;, de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa, e\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Cultura\/noticia\/2017\/05\/cem-anos-de-solidao-livro-de-gabriel-garcia-marquez-faz-50-anos.html\">&#8220;Cem Anos de Solid\u00e3o&#8221;<\/a>, de Gabriel Garcia M\u00e1rquez.<\/p>\n<p>https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/Historia\/noticia\/2019\/12\/laurentino-gomes-um-pais-que-nao-estuda-historia-e-incapaz-de-entender-si-mesmo.html?fbclid=IwAR3fjuZEzHRngBeVlHRhq2bqJbHx3TRa4jl7owS7qyJkuuf1ECYBhx4lW2A<\/p>\n<figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roger Marzochi &#8211; Durante mais de tr\u00eas s\u00e9culos, o Brasil foi protagonista de uma das maiores atrocidades da hist\u00f3ria: dos 12,5 milh\u00f5es de pessoas que foram transportadas \u00e0 for\u00e7a da \u00c1frica para as Am\u00e9ricas, 4,9 milh\u00f5es desembarcaram em territ\u00f3rio nacional para serem escravizadas em grandes planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar e caf\u00e9, nas minas que extra\u00edam metais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11341,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[72],"class_list":["post-12306","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-historia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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