{"id":1227,"date":"2016-07-31T09:47:17","date_gmt":"2016-07-31T12:47:17","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=1227"},"modified":"2016-07-15T10:49:21","modified_gmt":"2016-07-15T13:49:21","slug":"as-greves-escravas-entre-silencios-e-esquecimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/07\/31\/as-greves-escravas-entre-silencios-e-esquecimentos\/","title":{"rendered":"As greves escravas, entre sil\u00eancios e esquecimentos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Antonio Luigi Negro<\/strong> e <strong>Fl\u00e1vio dos Santos Gomes &#8211;\u00a0<\/strong>Grupo de escravos \u201cao ganho\u201d, na Bahia. Eram negros que n\u00e3o moravam com o senhor, nem estavam sujeitos a feitor. Executavam pequenos trabalhos urbanos e ganhavam por isso. Obrigavam-se a pagar f\u00e9ria di\u00e1ria a seus propriet\u00e1rios, sob pena de castigos<\/p>\n<blockquote><p>No Brasil do s\u00e9culo XIX, antes dos imigrantes, negros e trabalhadores livres j\u00e1 faziam \u201cparedes\u201d, paralisa\u00e7\u00f5es por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho<\/p><\/blockquote>\n<p>Dia ensolarado. O italiano Pascoal se aproxima do brasileiro Justino. Apelidado de \u201cmission\u00e1rio\u201d, o italiano usava um desses chapeletes de militante socialista. Com uma p\u00e1 na m\u00e3o, o oper\u00e1rio \u2014 um negro \u2014 fez uma pausa no batente para olhar Pascoal nos olhos, ouvindo-o atento. Gesticulando com as m\u00e3os, compensando o sotaque carregado, o italiano viera atear fogo: criticou sal\u00e1rios, incitou todos a largarem o servi\u00e7o e a fazer a revolu\u00e7\u00e3o. \u201cVoc\u00ea, seu Pascoal\u201d \u2014 argumentou Justino (tamb\u00e9m com seu sotaque pr\u00f3prio) \u2014 \u201cest\u00e1 perdendo seu tempo. Eu n\u00e3o compreendo a l\u00edngua estrangeira\u201d.<\/p>\n<p>Tal como na charge de J. Carlos (publicada na revista Careta em 1917), imprensa, novelas e textos did\u00e1ticos divulgaram para o grande p\u00fablico essa \u2014 fict\u00edcia \u2014 figura do italiano anarquista. Celebravam o mito do imigrante radical, uma fantasia em parte ut\u00f3pica e preconceituosa. Ut\u00f3pica porque os trabalhadores europeus n\u00e3o eram em sua maioria rebeldes nem se sentiam italianos. Ou seja, nem sempre eram anarquistas e tampouco se declaravam italianos. Na verdade, uma grande parte era de origem rural, n\u00e3o era composta de artes\u00e3os radicais ou trabalhadores de f\u00e1brica. Esses imigrantes n\u00e3o traziam consigo, em segundo lugar, uma maci\u00e7a experi\u00eancia de envolvimentos com partidos, greves e sindicatos. Havia, em acr\u00e9scimo, divis\u00f5es \u00e9tnicas entre os imigrantes. Consequentemente, a desconcertante conclus\u00e3o de Michael Hall \u00e9 a de o nascente operariado industrial de S\u00e3o Paulo de origem imigrante ter contribu\u00eddo para manter a classe oper\u00e1ria em situa\u00e7\u00e3o relativamente fraca e desorganizada. Muitos abra\u00e7avam identidades \u00e9tnicas antes de mais nada, pois lhes assegurava um senso imediato de comunidade. Outros eram cat\u00f3licos e conservadores. Tamb\u00e9m aceitaram servi\u00e7os cuja remunera\u00e7\u00e3o os brasileiros recusavam (1).<br \/>\n<a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/160711_charge_gr%C3%A8ve.jpg\" data-slb-active=\"1\" data-slb-asset=\"506487582\" data-slb-internal=\"0\" data-slb-group=\"396744\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-396747 alignnone\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/160711_charge_gr%C3%A8ve.jpg?resize=428%2C402\" alt=\"160711_charge_gr\u00e8ve\" width=\"428\" height=\"402\" \/><\/a><br \/>\nO mito do imigrante radical \u00e9 tamb\u00e9m um preconceito porque, entre sil\u00eancios e esquecimentos, impede que o trabalhador local (a come\u00e7ar pelo escravo) apare\u00e7a como protagonista das lutas oper\u00e1rias. Figuras como a de Justino, que aparece trabalhando mas \u00e9 pintado como alheio \u00e0 prega\u00e7\u00e3o inflamada do italiano radical, personificaram o anti-her\u00f3i conformista. Enquanto que Pascoal desembarca pronto para lutar, o operariado formado em solo brasileiro deve, nessa \u00f3tica, ou aceitar a lideran\u00e7a do imigrante ou ficar de fora; quase um fura-greve. Deste modo, as imagens do trabalhador estrangeiro, branco, anarquista e rebelde, assim como a do trabalhador brasileiro longe das lutas, n\u00e3o passam de uma representa\u00e7\u00e3o caricata do operariado do in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, de acordo com esse mito do imigrante radical, a paralisa\u00e7\u00e3o coletiva do trabalho seria algo t\u00e3o in\u00e9dito no Brasil que sequer haveria um termo dispon\u00edvel na l\u00edngua portuguesa para nomear o fen\u00f4meno. Na falta dessa palavra, \u00e9ramos obrigados a tomar de empr\u00e9stimo aos franceses a palavra gr\u00e8ve! No entanto, a paralisa\u00e7\u00e3o do trabalho como forma de protesto e barganha foi sempre uma consequ\u00eancia t\u00e3o espont\u00e2nea e l\u00f3gica da experi\u00eancia dos trabalhadores que boa parte das l\u00ednguas europeias possui uma palavra pr\u00f3pria para designar o fen\u00f4meno. Assim, ingleses fazem strike. J\u00e1 os espanh\u00f3is entram em huelga, enquanto que italianos, quando param o servi\u00e7o, est\u00e3o em sciopero. No Brasil do s\u00e9culo XIX, as primeiras formas de suspens\u00e3o coletiva das atividades ficaram conhecidas como paredes. Sem essa, portanto, de um Pascoal rebelde e um Justino que n\u00e3o fala o idioma da luta oper\u00e1ria. Para n\u00f3s, a emerg\u00eancia da classe trabalhadora n\u00e3o pode estar vinculada apenas \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quando afinal surgiram as greves no Brasil?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 quem tenha indicado que a greve dos tip\u00f3grafos de 1858 foi a primeira greve do Rio de Janeiro. Ser\u00e1? Sabemos hoje que, um ano antes, os trabalhadores escravizados pertencentes ao Visconde de Mau\u00e1 pararam o servi\u00e7o da f\u00e1brica da Ponta d\u2019Areia. Esta era um dos maiores estabelecimentos da cidade, com cerca de 10 oficinas e 600 oper\u00e1rios, sendo 150 deles escravos. Contudo, apesar de noticiada na imprensa, n\u00e3o existem maiores informa\u00e7\u00f5es sobre as reivindica\u00e7\u00f5es dos escravos.<\/p>\n<p>Era comum haver cativos e livres no mesmo espa\u00e7o de trabalho. Dos oper\u00e1rios registrados nas manufaturas do Rio de Janeiro entre os anos de 1840 a 1850 \u2014 em particular nas f\u00e1bricas de vidro, papel, sab\u00e3o, couros, chap\u00e9us e t\u00eaxteis \u2014, 45% eram escravos. Al\u00e9m disso, o recenseamento de 1872 apontou que, no Rio de Janeiro, havia mais de 2 mil cativos empregados como trabalhadores em pequenas f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rias as evid\u00eancias de paralisa\u00e7\u00f5es feitas por escravos. No final da d\u00e9cada de 1820, cativos, africanos livres e outros trabalhadores pararam a F\u00e1brica de P\u00f3lvora Ipanema, controlada pela monarquia. Reivindicavam melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, incluindo di\u00e1rias e dieta alimentar. No Rio de Janeiro, em abril de 1833, um levante numa caldeiraria trouxe apreens\u00e3o quando os escravos enfrentaram a for\u00e7a policial, sucedendo tiros e mortes.<\/p>\n<p>Em 1854, Joaquim da Rocha Paiva foi testemunha e v\u00edtima da a\u00e7\u00e3o coletiva dos seus escravos. Tudo aconteceu na ter\u00e7a-feira, 5 de setembro. Foi na F\u00e1brica de Velas e Sab\u00e3o, sua propriedade na Gamboa. Um grupo de escravos \u201carmados de achas de lenhas e facas\u201d paralisou as atividades e reivindicou sua imediata venda para outro senhor. A decis\u00e3o deles \u2014 ao que parece \u2014 n\u00e3o tinha motivo declarado. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de que Rocha Paiva tentou negociar, propondo discutir o assunto no dia seguinte, enquanto alegava ser tarde da noite. Crioulos e africanos, na sua resposta, dirigiram-se ao propriet\u00e1rio \u201cem tom alto\u201d. Esclareceram \u201cque n\u00e3o queriam esperar por que aquilo era neg\u00f3cio de ser decidido logo\u201d. A decis\u00e3o final do propriet\u00e1rio apareceu n\u00e3o num acordo, mas sim na r\u00e1pida repress\u00e3o policial de quase cem homens, que assustou os moradores da Corte, e chamou a aten\u00e7\u00e3o da imprensa. Chegando a for\u00e7a policial \u00e0 f\u00e1brica, os escravos se entregaram \u00e0s autoridades sem opor resist\u00eancia. Talvez julgassem que, sendo presos, ficariam todos juntos, afastados daquela f\u00e1brica por algum tempo e depois poderiam ser vendidos, como desejavam.<\/p>\n<p>Em 1858, na rua da Sa\u00fade, um outro grupo de escravos que trabalhava num armaz\u00e9m de caf\u00e9 se insurgiu contra seu propriet\u00e1rio, Manuel Ferreira Guimar\u00e3es. Igualmente, paralisaram o trabalho e se fizeram ouvir: neste caso, n\u00e3o queriam ser vendidos. Sabedores das dificuldades financeiras de seu senhor com o armaz\u00e9m, os escravos n\u00e3o concordavam em ser vendidos, talvez prevendo que seu destino poderia ser as fazendas de caf\u00e9 no interior da prov\u00edncia. Experientes no trabalho urbano, rejeitavam a venda para as \u00e1reas rurais. Permanecer na cidade poderia significar n\u00e3o simplesmente ficar longe dos cafezais, mas manter arranjos familiares e la\u00e7os de amizade. Queriam permanecer juntos. Por causa disso o armaz\u00e9m parou. Como resultado, os escravos sofreram repres\u00e1lia imediata: foram levados para a Casa de Deten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando deixamos de lado a gr\u00e8ve e mito do imigrante radical e nos dedicamos, em seguida, \u00e0 pesquisa, encontramos paredes feitas por trabalhadores escravos ou trabalhadores livres nascidos e crescido em solo nativo. Desse modo alargamos nossa vis\u00e3o e percebemos outras formas de protesto dos trabalhadores. Antes da gr\u00e8ve, a parede dos escravos conseguia pressionar por melhores condi\u00e7\u00f5es enquanto suspendia, temporariamente, os servi\u00e7os; negociando tamb\u00e9m o retorno ao trabalho. Por isso mesmo, algumas fugas \u2014 inclusive as escapulidas curtas e individuais \u2014 eram eficazes como forma de negocia\u00e7\u00e3o entre senhores e escravos. Aqui e ali, sumindo pelas falhas do sistema, mas deixando suas pistas em an\u00fancios de jornal pagos por senhores que reclamavam o seu retorno, os cativos fugiam. Em tais an\u00fancios havia informa\u00e7\u00f5es, que eram fornecidas pelos senhores, sobre a identidade e os costumes dos escravos em fuga (sinais e marcas espec\u00edficas, os seus h\u00e1bitos, poss\u00edveis paradeiros). Revela-se, assim, a m\u00fatua percep\u00e7\u00e3o de poderes, deveres e estrat\u00e9gias, senhoriais e escravas, de controle e protesto. Quando calculavam que era hora de parar de trabalhar, os escravos fugiam.<\/p>\n<p>Eram, \u00e0s vezes, escapadas que duravam dias, ou um final de semana. Mesmo provis\u00f3rias, eram cheias de tens\u00f5es, castigos, concess\u00f5es e riscos (para senhores e escravos). Era comum propriet\u00e1rios esperarem alguns dias para anunciar fugidos ou contratar capit\u00e3es do mato. Tempo suficiente para que alguns fuj\u00f5es voltassem apadrinhados por senhores influentes e vizinhos de seus sinh\u00f4s. A um padrinho cabia interceder invocando generosidade e toler\u00e2ncia. Se poss\u00edvel, o escravo ganhava o que desejava: uma melhoria nas condi\u00e7\u00f5es do cativeiro. No m\u00ednimo, o escravo que regressava queria evitar castigos ou vingan\u00e7as. Pol\u00edticas dos senhores e pol\u00edticas dos escravos acabam assim redefinidas: uma rela\u00e7\u00e3o at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s bem pouco conhecida.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dios aparentemente sem maior express\u00e3o como fugas tempor\u00e1rias, bebedeiras, desordens, ofensas f\u00edsicas talvez escondam aspectos decisivos da cultura escrava, guardando expectativas relacionadas ao ritmo do trabalho, ao controle senhorial, \u00e0 disciplina e ao lazer. Em \u00e9pocas que antecediam as festas religiosas, aumentava a incid\u00eancia das fugas. No emaranhado da pol\u00eamica defini\u00e7\u00e3o sobre a criminalidade escrava, podemos ver a gesta\u00e7\u00e3o de uma identidade grupal coletiva. Numa amostra de cativos recolhidos na Casa de Deten\u00e7\u00e3o em 1863, podemos verificar, entre suas motiva\u00e7\u00f5es, a pris\u00e3o tanto \u201ca pedido\u201d quanto por \u201cinsubordinar-se\u201d, ou mesmo \u201cqueixar-se\u201d. Estamos, talvez, diante da forma\u00e7\u00e3o de uma cultura de classe urbana entre os escravos, haja vista o alto n\u00famero de cativos dom\u00e9sticos, cozinheiros, lavadeiras etc. Podiam ser cativos que se insurgiam, no \u00e2mbito dom\u00e9stico, contra seus senhores (e assim eram remetidos \u00e0 Deten\u00e7\u00e3o). Mas tamb\u00e9m podiam ser cativos que procuravam as autoridades policiais para defender o costume de alguma rela\u00e7\u00e3o de trabalho, que consideravam desrespeitado. A lavadeira crioula Ludovina, por exemplo, procurou as autoridades policiais tr\u00eas vezes no mesmo ano. No registro prisional feito, est\u00e1 marcado seu crime: \u201cqueixar-se\u201d.<\/p>\n<p>Reclamar, no caso de Ludovina, poderia ser a tentativa de protestar contra o seu senhor ou seus clientes. Isto era crucial, em particular no caso de escravos urbanos, muitos dos quais \u201cao ganho\u201d, isto \u00e9, aqueles que, por si mesmos, alocavam os seus servi\u00e7os no mercado. E recebiam por isso, transferindo uma parte de seu ganho ao senhor, que nada fazia. Eram os carregadores, as quitandeiras e os vendedores ambulantes. Depois de trabalhar, tinham de dar ao seu senhor uma parte de seus ganhos. Entre aqueles presos por \u201cqueixar-se\u201d (certamente acusados de insolentes), temos um grande n\u00famero de mulheres lavadeiras.<\/p>\n<p>Incluindo africanos, \u00edndios, brasileiros e imigrantes, juntar as experi\u00eancias de trabalhadores livres e escravos \u00e9 o melhor caminho para contornar preconceitos. Podemos cham\u00e1-las de inven\u00e7\u00e3o da liberdade, num mundo marcado pela escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Greve negra<\/strong><br \/>\nCom certeza, os motivos das queixas, protesto e negocia\u00e7\u00e3o dos escravos iam al\u00e9m do ambiente e da lida dom\u00e9sticos. Estudando revoltas e movimentos sociais em Salvador, Jo\u00e3o Reis revelou uma greve de carregadores em 1857. Em resposta a mudan\u00e7as legais que interferiram nas rela\u00e7\u00f5es entre senhor e escravo e na forma de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, o que estava em jogo era uma intensa disputa com o poder p\u00fablico: o controle das pr\u00e1ticas e costumes do trabalho urbano de escravos e libertos ao longo do s\u00e9culo XIX pela administra\u00e7\u00e3o municipal. N\u00e3o por acaso, Jo\u00e3o Reis a chamou de \u201cgreve negra\u201d. Centenas de africanos \u201cao ganho\u201d \u2014 a maior parte africanos ocidentais: os \u201cnag\u00f4s\u201d \u2014 paralisaram por duas semanas o porto e o setor de abastecimento e transporte. Lutavam n\u00e3o por sal\u00e1rios nem pelo fim de castigos.<\/p>\n<p>Opunham-se a uma legisla\u00e7\u00e3o que visava controlar sua lida, com dispositivos que interferiam na organiza\u00e7\u00e3o de seus espa\u00e7os de trabalho \u2014 os cantos. Os grevistas se opunham \u00e0 determina\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal que exigia o uso de chapas de identifica\u00e7\u00e3o individual. Estas, com certeza, foram vistas como mais uma estrat\u00e9gia de controle sobre seus costumes, seus valores, suas vidas, seu trabalho. Foram duas semanas de tens\u00f5es e expectativas, com os senhores inclusive divididos. Amplamente acompanhada pela imprensa, a parede foi marcada pelo recuo das autoridades (2).<\/p>\n<p><strong>Protagonistas na luta de trabalhadores<\/strong><br \/>\nSe havia greves antes da chegada dos imigrantes, tamb\u00e9m n\u00e3o foram um fen\u00f4meno urbano apenas. Na verdade, n\u00e3o s\u00f3 houve paralisa\u00e7\u00f5es na \u00e1rea rural como tamb\u00e9m podiam dar continuidade a lutas anteriores, que prosseguiam sob novas formas \u2014 e em novas condi\u00e7\u00f5es \u2014 sem para isso depender da milit\u00e2ncia de imigrantes europeus.<\/p>\n<p>Em Pernambuco (em 1919), mesmo submetidos \u00e0 mais aguda explora\u00e7\u00e3o, os trabalhadores da zona a\u00e7ucareira sustentaram uma greve maci\u00e7a. Ainda que n\u00e3o existam refer\u00eancias \u00e0s suas identidades, eram descendentes de escravos e libertos, mesti\u00e7os e negros. Sobre essa corajosa iniciativa, o jornal <em>Clart\u00e9<\/em> publicou a not\u00edcia \u201cO trabalhador agr\u00edcola em Pernambuco\u201d. Nesta, afirmou que, embora detratado como indolente e est\u00fapido, o trabalhador rural era \u201co primeiro fator das fortunas dos usineiros\u201d. A greve mostrou a for\u00e7a desses trabalhadores sofridos e humilhados. Trabalhavam em farrapos, tinham d\u00edvidas com o armaz\u00e9m dos engenhos, sua dieta alimentar era pobre e praticamente n\u00e3o recebiam assist\u00eancia dos poderes p\u00fablicos. Queriam jornada de oito horas de trabalho, aumento salarial, reconhecimento sindical e fim de puni\u00e7\u00f5es. Os usineiros fecharam suas associa\u00e7\u00f5es \u00e0 m\u00e3o armada (3).<\/p>\n<p>Fica claro assim que nem s\u00f3 de italianos viveram as primeiras lutas oper\u00e1rias do Brasil. Os negros vieram, antes de mais nada, para trabalhar e podiam possuir ou adquirir of\u00edcio. Eram vitais em seu local de trabalho, no campo ou na cidade. Sua rebeldia, igualmente, era crucial para mobiliza\u00e7\u00f5es e protestos da classe trabalhadora. Al\u00e9m das manifesta\u00e7\u00f5es culturais pelas quais s\u00e3o conhecidos (como a arte e a religiosidade), os trabalhadores negros e seus descendentes protagonizaram experi\u00eancias de greve que, felizmente, s\u00e3o cada vez mais reveladas pela pesquisa hist\u00f3rica.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><br \/>\n1. Hall, M. \u201cImmigration and the early S\u00e3o Paulo working class\u201d. In:<em>Jahrbuch f\u00fcr geschichte von staat, wirtschaft und gesellschaft Lateinamerikas<\/em>, 12, 1975.<br \/>\n2. Reis, J. \u201cA greve negra de 1857 na Bahia\u201d. In: <em>Revista USP<\/em>, 18, 1993.<br \/>\n3. Arquivo Edgard Leuenroth. \u201cO trabalhador agr\u00edcola em Pernambuco\u201d. In: <em>Clart\u00e9<\/em>, 1, 1921, p. 21-23. Esta mat\u00e9ria encontra-se transcrita no livro de Michael Hall e Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, <em>A classe oper\u00e1ria no Brasil<\/em>. Vol. 2. S\u00e3o Paulo, Brasiliense, 1981.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia consultada<\/strong><br \/>\nCastellucci, A. <em>Industriais e oper\u00e1rios baianos numa conjuntura de crise (1914-1921)<\/em>. Salvador, Fieb, 2004.<br \/>\nGomes, F. dos S. <em>Hist\u00f3rias de quilombolas. Mocambos e comunidades de senzalas no Rio de Janeiro, s\u00e9culo XIX<\/em>. Rio de Janeiro, Arquivo Nacional, 1995.<br \/>\nMattos, M. B. <em>Escravizados e livres: experi\u00eancias comuns na forma\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora carioca<\/em>. Rio de Janeiro, Bom Texto, 2008.<br \/>\nNegro, A. L.; Gomes, F. dos S. \u201cAl\u00e9m de senzalas e f\u00e1bricas: uma hist\u00f3ria social do trabalho\u201d. In: <em>Tempo Social. Revista de Sociologia da USP<\/em>, 18, 1, 2006.<br \/>\nNegro, A. L. \u201cRodando a baiana e interrogando um princ\u00edpio b\u00e1sico do comunismo e da hist\u00f3ria social: o sentido marxista tradicional de classe oper\u00e1ria\u201d. In: <em>Revista Cr\u00edtica Hist\u00f3rica<\/em>, 5, 2012.<br \/>\nHall, M. \u201cEntre a etnicidade e a classe em S\u00e3o Paulo\u201d. In: Carneiro, M. L. T.; Croci, F. (Org.). <em>Hist\u00f3ria do trabalho e hist\u00f3rias da imigra\u00e7\u00e3o. Trabalhadores italianos e sindicatos no Brasil (s\u00e9culos XIX e XX)<\/em>. S\u00e3o Paulo, Edusp, 2010.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"5e2uJAJm4C\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/sem-categoria\/entre-silencios-e-esquecimentos-as-greves-dos-trabalhadores-negros\/\">As greves escravas, entre sil\u00eancios e esquecimentos<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;As greves escravas, entre sil\u00eancios e esquecimentos&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/sem-categoria\/entre-silencios-e-esquecimentos-as-greves-dos-trabalhadores-negros\/embed\/#?secret=qkMQc41VAM#?secret=5e2uJAJm4C\" data-secret=\"5e2uJAJm4C\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Luigi Negro e Fl\u00e1vio dos Santos Gomes &#8211;\u00a0Grupo de escravos \u201cao ganho\u201d, na Bahia. 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