{"id":12156,"date":"2019-12-09T10:49:28","date_gmt":"2019-12-09T13:49:28","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=12156"},"modified":"2019-12-07T10:52:53","modified_gmt":"2019-12-07T13:52:53","slug":"ha-uma-nova-rebeliao-global-por-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/12\/09\/ha-uma-nova-rebeliao-global-por-que\/","title":{"rendered":"H\u00e1 uma nova rebeli\u00e3o global. Por qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ben Ehrenreich<\/strong> &#8211;\u00a0Do Chile e Haiti \u00e0 Fran\u00e7a; do L\u00edbano ao Sud\u00e3o e Hong Kong: multid\u00f5es inquietam-se. N\u00e3o se movem pela disputa cl\u00e1ssica entre esquerda e direita. Mas pronunciam, em comum, um j\u00e1 basta \u2013 dirigido \u00e0 desigualdade e \u00e0 vida-mercadoria.<\/p>\n<p>Algo \u2013 algu\u00e9m \u2013 continua batendo na porta. Est\u00e1 frio l\u00e1 fora e est\u00e1 ficando mais frio, mas as pessoas do lado de dentro est\u00e3o confort\u00e1veis no sof\u00e1 com a TV ligada e um cobertor no colo. Ent\u00e3o, vem aquela batida de novo: na porta da frente agora, depois na porta lateral e depois atr\u00e1s. Talvez seja o vento. Agora batem nas janelas, no telhado e nas paredes da casa \u2013 quem sabia que eram t\u00e3o finas? \u00c9 dif\u00edcil entender: como tantas pessoas podem bater de uma vez?<\/p>\n<p>Mas eles est\u00e3o, e est\u00e1 ficando mais alto. Na semana passada, as batidas vieram da Col\u00f4mbia \u2013 em Bogot\u00e1, Cali, Cartagena, Barranquilla, Medell\u00edn, um toque de recolher declarado, o ex\u00e9rcito nas ruas \u2013 e na semana anterior no Ir\u00e3, uma batida constante que rapidamente se espalhou por mais de 100 cidades . Cem manifestantes foram mortos, segundo a Anistia Internacional. O governo desligou a Internet no segundo dia dos protestos. Mas mesmo quando h\u00e1 uma conex\u00e3o est\u00e1vel, \u00e9 dif\u00edcil reunir tudo: protestos est\u00e3o acontecendo na Alemanha, Arg\u00e9lia, Bol\u00edvia, Chile, Col\u00f4mbia, Equador, Egito, Espanha, Fran\u00e7a, Guin\u00e9, L\u00edbano, Haiti, Holanda, Honduras, Hong Kong, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Ir\u00e3, Iraque, Reino Unido, Sud\u00e3o e Zimb\u00e1bue \u2013 tenho certeza de que estou deixando um lugar de fora \u2013 e isso apenas desde setembro. Alguns s\u00e3o do tipo fugaz e rotineiro que atrapalha o tr\u00e1fego por um dia. Outros parecem mais revolu\u00e7\u00f5es, grandes o suficiente para derrubar governos, paralisar na\u00e7\u00f5es inteiras.<\/p>\n<p>Algo est\u00e1 acontecendo aqui. Mas o que? E porque agora? Nas \u00faltimas doze semanas, os protestos espalharam-se por cinco continentes \u2013 a maior parte do planeta \u2013 desde as ricas Londres e Hong Kong at\u00e9 as famintas Tegucigalpa e Cartum. As manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o geograficamente d\u00edspares e aparentemente heterog\u00eaneas em causa e composi\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o vi nenhuma tentativa s\u00e9ria de v\u00ea-las como um fen\u00f4meno unificado.<\/p>\n<p>Em face disso, parece haver pouco que os une. No Ir\u00e3, o an\u00fancio de um aumento de 50% nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis desencadeou tudo. Na Alemanha, Holanda e Fran\u00e7a, os agricultores bloquearam estradas para protestar contra as regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais. A indigna\u00e7\u00e3o que tem sacudido Hong Kong desde junho come\u00e7ou com uma proposta de legisla\u00e7\u00e3o que permitiria extradi\u00e7\u00f5es para a China continental. No Chile, a fa\u00edsca foi um aumento nas passagens do transporte p\u00fablico; na Indon\u00e9sia, uma lei de crimes opressivos; no L\u00edbano, o an\u00fancio de novos impostos sobre tudo, desde gasolina a chamadas pelo WhatsApp.<\/p>\n<p>Alguns desses movimentos foram organizados por sindicatos ou partidos formais da oposi\u00e7\u00e3o, mas muitos s\u00e3o do tipo horizontal e sem lideran\u00e7a. (\u201cSeja como a \u00e1gua\u201d, como dizem os manifestantes de Hong Kong, repetindo Bruce Lee.) Nenhuma ideologia revolucion\u00e1ria abrangente os une. Nenhum partido de vanguarda est\u00e1 correndo para o fronte. O eixo esquerda-direita no qual o mundo foi dividido durante a maior parte do s\u00e9culo passado nem sempre \u00e9 \u00fatil. Os direitistas e o governo dos Estados Unidos aplaudiram os manifestantes em Hong Kong, Ir\u00e3 e Bol\u00edvia \u2013 antes do golpe que derrubou Evo Morales \u2013 enquanto desprezavam ou ignoravam as manifesta\u00e7\u00f5es mais ou menos em qualquer outro lugar. Os setores mais doutrin\u00e1rios da esquerda farejaram o intervencionismo imperialista por tr\u00e1s dos protestos de Hong Kong e do Ir\u00e3, afirmando a legitimidade de praticamente todos os outros movimentos populares do planeta.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea consegue olhar de soslaio al\u00e9m da fuma\u00e7a das barricadas, os pontos em comum come\u00e7am a se destacar. No Chile, a raiva causada por um aumento de 3% nas tarifas de metr\u00f4 revelou uma popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas irritada com \u201cproblemas de bolso\u201d \u2013 a alta da tarifa elevou os custos de transporte para 21% da renda mensal de um trabalhador que ganha o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u2013 mas t\u00e3o exausta pela austeridade , t\u00e3o espremida pelos baixos sal\u00e1rios, pelas longas horas e pelas d\u00edvidas, t\u00e3o farta da gan\u00e2ncia e cegueira dos poucos ricos que governam o pa\u00eds que estavam prontos para queimar quase tudo. Poucas horas depois de declarar estado de emerg\u00eancia e enviar as for\u00e7as armadas para as ruas, o presidente bilion\u00e1rio Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era foi \u00e0 TV para lembrar aos cidad\u00e3os que a \u201cdemocracia est\u00e1vel\u201d do Chile e a economia crescente o tornam um \u201cverdadeiro o\u00e1sis\u201d em um continente ca\u00f3tico. \u201cAs pr\u00e1ticas que sustentam a prosperidade n\u00e3o s\u00e3o populares\u201d, observou\u00a0<em>The Economist<\/em>\u00a0secamente.<\/p>\n<p>Em outro canto da mesma c\u00e2mara de eco, pouco depois de a pol\u00edcia eg\u00edpcia prender milhares que ousaram se manifestar em setembro, o ministro das Finan\u00e7as do pa\u00eds lamentou que os \u201cfrutos da reforma econ\u00f4mica [do Egito] n\u00e3o fossem capturados pelas pessoas comuns\u201d. Medidas impostas pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional na verdade fizeram com que a infla\u00e7\u00e3o subisse 60% em tr\u00eas anos, jogando milh\u00f5es na pobreza. Isso \u00e9 o que um analista do Morgan Stanley chamou recentemente de \u201cmelhor hist\u00f3ria de reforma no Oriente M\u00e9dio\u201d.<\/p>\n<p>A desconex\u00e3o entre a percep\u00e7\u00e3o da elite e a experi\u00eancia de multid\u00e3o \u00e9 t\u00e3o difundida quanto fundamental: todos os pa\u00edses que v\u00eam enfrentando revoltas populares \u2013 e grande parte do resto do planeta \u2013 s\u00e3o governados h\u00e1 d\u00e9cadas por um \u00fanico modelo econ\u00f4mico, no qual o \u201ccrescimento\u201d comemorado por poucos significa mis\u00e9ria para muitos e o capital flui para contas norte-americanas e europeias com a mesma certeza com a qual o esgoto flui ladeira abaixo. O Chile foi um not\u00f3rio laborat\u00f3rio inicial: os esquadr\u00f5es de assassinato de Pinochet trabalharam em conjunto com economistas formados em Chicago para criar um \u201cmilagre econ\u00f4mico\u201d que apenas os afortunados, inescrupulosos e cegos puderam apreciar. Se as mobiliza\u00e7\u00f5es populares na Bol\u00edvia n\u00e3o conseguirem reverter o golpe de 10 de novembro, elas podem esperar futuro semelhante.<\/p>\n<p>A palavra neoliberalismo \u00e9 usada banalmente hoje, mas refere-se de fatgo a um m\u00e9todo globalmente aplic\u00e1vel para preservar o desequil\u00edbrio esmagador de poder. Ele funciona microcosmicamente nas cidades. Pense em sistemas de transporte p\u00fablico decadentes, com um or\u00e7amento que cai sem parar e tarifas segregadoras, enquanto bilion\u00e1rios v\u00e3o de helic\u00f3ptero de teto em teto. Mas tamb\u00e9m age macrocosmicamente em escala planet\u00e1ria: as elites nacionais conspiram com corpora\u00e7\u00f5es multinacionais e institui\u00e7\u00f5es financeiras para manter a m\u00e3o-de-obra barata e a riqueza e os recursos direcionados aos canais de sempre.<\/p>\n<p>Durante a maior parte do in\u00edcio dos anos 2000, o abundante capital chin\u00eas e os altos pre\u00e7os de commodities como petr\u00f3leo, g\u00e1s, minerais e produtos agr\u00edcolas fizeram com que alguns pa\u00edses pobres tivessem op\u00e7\u00f5es. Por um tempo, eles puderam evitar as armadilhas draconianas de \u201creforma\u201d associadas aos empr\u00e9stimos do FMI: a receita usual de \u201causteridade\u201d, incluindo cortes no setor p\u00fablico, privatiza\u00e7\u00e3o de recursos estatais e destrui\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00f5es trabalhistas em nome de \u201cliberaliza\u00e7\u00e3o\u201d. Na Am\u00e9rica Latina, os governos de esquerda ganharam terreno e a pobreza e a desigualdade despencaram. Mas o boom das commodities acabou, a economia chinesa cresce mais lentamente e, depois de anos daquilo que deve ter sido uma dolorosa constri\u00e7\u00e3o, o FMI voltou com as mesmas velhas e desacreditadas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As elites locais ficaram felizes em jogar junto, atacando suas pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es para manter o dinheiro fluindo. Em mar\u00e7o, o presidente equatoriano Len\u00edn Moreno assinou um acordo com o FMI para um empr\u00e9stimo de 4,2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e, em outubro, conforme acordado, cortou os sal\u00e1rios do setor p\u00fablico e os subs\u00eddios aos combust\u00edveis, fazendo com que o pre\u00e7o do diesel dobrasse \u2013 e levando milhares de equatorianos, principalmente ind\u00edgenas, \u00e0s ruas. (Moreno logo fugiu da capital e concordou em abandonar o pacote de austeridade). No L\u00edbano, o primeiro-ministro Saad al-Hariri anunciou uma s\u00e9rie de novos impostos ao consumidor \u2013 combust\u00edvel, tabaco e telefonemas feitos por meio de servi\u00e7os de mensagens na Internet \u2013 como parte de um pacote de redu\u00e7\u00e3o de d\u00e9ficit exigido por credores estrangeiros para garantir um empr\u00e9stimo de 11 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Ap\u00f3s 12 dias de protestos, nos quais participou cerca de um quarto da popula\u00e7\u00e3o do L\u00edbano, Hariri renunciou. As manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o cessaram.<\/p>\n<p>O mesmo modelo aplica-se mesmo em pa\u00edses onde o FMI e o Banco Mundial est\u00e3o proibidos de fazer neg\u00f3cios: o Ir\u00e3, v\u00edtima por quatro d\u00e9cadas de san\u00e7\u00f5es americanas, adotou h\u00e1 anos a s\u00e9rie usual de medidas de \u201causteridade\u201d. Se fracassaram amplamente em fornecer a panac\u00e9ia econ\u00f4mica que prometeram, elas seguramente amorteceram a elite, transferindo o sofrimento para as classes consideradas dispens\u00e1veis. At\u00e9 que isso n\u00e3o foi mais poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Dignidade \u00e9 uma coisa curiosa: depois de recuper\u00e1-la, fica ainda mais dif\u00edcil desistir. As demandas dos manifestantes expandiram-se em quase todos os lugares, muito al\u00e9m da indigna\u00e7\u00e3o original que as desencadeou. Em Hong Kong, os manifestantes rapidamente determinaram que a retirada do projeto de extradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o era suficiente. Pede-se tamb\u00e9m sufr\u00e1gio universal. (Metade dos assentos no Conselho Legislativo da cidade s\u00e3o eleitos diretamente pelos \u201celeitores funcionais\u201d, como banqueiros, fabricantes e incorporadores; os custos de moradia s\u00e3o mais altos do que em qualquer lugar do mundo). No Chile, as demandas dos manifestantes expandiram-se da revers\u00e3o de tarifas do transporte at\u00e9 o fim da Constitui\u00e7\u00e3o da era Pinochet. (Parece que eles ter\u00e3o os dois \u2013 Pi\u00f1era reverteu o aumento da tarifa e concordou com um referendo para uma nova Constitui\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n<p>No L\u00edbano, os manifestantes est\u00e3o debatendo se seu movimento conta como uma revolu\u00e7\u00e3o. (N\u00e3o deveria surpreender que tais protestos ferozes tenham surgido em Beirute, Hong Kong e Chile, alguns dos lugares mais privatizados do planeta). No Sud\u00e3o, um levante que come\u00e7ou quando o governo de Omar al-Bashir cortou os subs\u00eddios ao trigo e aos combust\u00edveis \u2013 \u201cpor sugest\u00e3o de parceiros finaneceiros internacionais\u201d, segundo o jornal\u00a0<em>New York Times<\/em>\u00a0\u2013 acababou derrubando seu regime de 30 anos e ainda n\u00e3o cessou. Tamb\u00e9m no Haiti, os protestos come\u00e7aram mais de um ano atr\u00e1s, quando o presidente Jovenel Mo\u00efse elevou vertiginosamente os pre\u00e7os dos combust\u00edveis para agradar o FMI. Os manifestantes logo exigiram a ren\u00fancia do Mo\u00efse, apoiado pelos EUA, e seguem com essa reinvindica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o notar que n\u00e3o apenas no Haiti, mas em pelo menos meia d\u00fazia de pa\u00edses, do Equador ao Zimb\u00e1bue, os protestos foram desencadeados por aumentos no pre\u00e7o da gasolina. N\u00e3o \u00e9 segredo que temos que come\u00e7ar a nos retirar imediatamente dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, se quisermos ter alguma esperan\u00e7a de preservar alguma vers\u00e3o suport\u00e1vel da vida humana na Terra, mas embora quase todos esses pa\u00edses tenham sido afetados pela crise clim\u00e1tica \u2013 e seus os cidad\u00e3os mais vulner\u00e1veis \u200b\u200bs\u00e3o os que mais sofrem \u2013 esses aumentos de pre\u00e7os n\u00e3o eram para reduzir emiss\u00f5es. O FMI freq\u00fcentemente vincula empr\u00e9stimos a cortes nos subs\u00eddios \u00e0 energia, e os impostos sobre combust\u00edveis s\u00e3o uma maneira f\u00e1cil, embora regressiva, de custear a d\u00edvida p\u00fablica. S\u00e3o duas t\u00e1ticas para tirar dos pobres e de todos aqueles que n\u00e3o se beneficiaram dos favores do Estado, para socorrer os que tiraram proveito.<\/p>\n<p>Do outro lado do espectro global, os pa\u00edses ricos da Europa tiveram protestos diretamente ligados \u00e0 pol\u00edtica clim\u00e1tica \u2013 ou porque os governos est\u00e3o fazendo muito pouco, como no Reino Unido, ou porque as medidas que est\u00e3o adotando distribuem desigualmente a dor, como na Holanda e a Alemanha. L\u00e1, os agricultores reagiram \u00e0s restri\u00e7\u00f5es \u00e0s emiss\u00f5es de pesticidas e nitrog\u00eanio, bloqueando as rodovias com milhares de tratores. J\u00e1 na Fran\u00e7a, um imposto sobre combust\u00edveis com motiva\u00e7\u00e3o ambiental, associado a cortes nos impostos para os ricos, produziu mais de um ano de confitos nas ruas.<\/p>\n<p>De ambos os lados, as li\u00e7\u00f5es aqui s\u00e3o muito claras. Primeiro, qualquer tentativa de enfrentar a crise clim\u00e1tica que tamb\u00e9m n\u00e3o atenda \u00e0s necessidades b\u00e1sicas da esmagadora maioria dos habitantes do planeta fracassar\u00e1 catastroficamente. E segundo, essas necessidades b\u00e1sicas incluem n\u00e3o apenas comida, sa\u00fade e moradia, mas tamb\u00e9m dignidade e formas de solidariedade que o sistema atual faz de tudo para destruir.<\/p>\n<p>\u00c9 de se admirar que tantas revoltas, simult\u00e2neas, mal mere\u00e7am uma men\u00e7\u00e3o nos notici\u00e1rios da TV? No in\u00edcio deste m\u00eas, a romancista Dominique Edd\u00e9 escreveu sobre os levantes populares no L\u00edbano que \u00e9 \u201ccomo se centenas de milhares de pessoas solit\u00e1rias tivessem descoberto ao mesmo tempo, ap\u00f3s uma hiberna\u00e7\u00e3o sem fim, que n\u00e3o estavam sozinhas\u201d. Se examinarmos bem, a mesma coisa est\u00e1 acontecendo em todo o mundo. As pessoas despertam juntas. Olham em volta. E descobrem que todo mundo est\u00e1, aos poucos, saindo de um longo sono.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"XjzXM17fUf\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/movimentoserebeldias\/ha-uma-nova-rebeliao-global-por-que\/\">H\u00e1 uma nova rebeli\u00e3o global. Por qu\u00ea?<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;H\u00e1 uma nova rebeli\u00e3o global. 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