{"id":12112,"date":"2019-11-28T15:01:30","date_gmt":"2019-11-28T18:01:30","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=12112"},"modified":"2019-11-28T15:01:30","modified_gmt":"2019-11-28T18:01:30","slug":"a-formacao-do-ser-neoliberal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/11\/28\/a-formacao-do-ser-neoliberal\/","title":{"rendered":"A forma\u00e7\u00e3o do ser neoliberal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado &#8211;\u00a0<\/strong>Empres\u00e1rio de si mesmo. Iludido pelo consumo. Alienado da natureza. Suscet\u00edvel a seitas que o impedem de desabar. Em novo livro, Pierre Dardot e Christian Laval mostram como a nova racionalidade capitalista criou o sujeito que a reproduz.<\/p>\n<p>Os economistas de direita costumam ridicularizar a ideia de economista neoliberal, assim como o conceito de neoliberalismo. Ser\u00e1 que eles s\u00e3o apenas competentes na formula\u00e7\u00e3o e na aplica\u00e7\u00e3o de teorias econ\u00f4micas ou, ademais, eles s\u00e3o na verdade bons produtores de\u00a0<em>fake-theories\u00a0<\/em>que s\u00e3o funcionais \u2013 isto \u00e9, permitem que as coisas funcionem melhor e de acordo com as conveni\u00eancias do sistema econ\u00f4mico ora existente? \u00c9 preciso examinar isto cuidadosamente.<\/p>\n<p>No livro\u00a0<em>El ser neoliberal<\/em>\u00a0(Gedisa, 2018), publicado na Espanha, os pesquisadores franceses Pierre Dardot e Christian Laval mais uma vez interpretam o neoliberalismo, n\u00e3o como uma ideologia, mas como uma racionalidade e uma mentalidade que se imp\u00f5e. Uma ideologia \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o do mundo \u2013 nele baseada, mas em \u00faltima an\u00e1lise falsa ou apenas aparente. Uma racionalidade \u00e9 algo que constitui o ser social em sua pr\u00e1tica cotidiana, posta historicamente por meio de pr\u00e1ticas de poder que, segundo Foucault, s\u00e3o tamb\u00e9m formas de governar as mentalidades.<\/p>\n<p>O modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista sob a reg\u00eancia do neoliberalismo \u00e9, segundo os autores, insepar\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de uma subjetividade apropriada. No referido livro, Dardot e Laval travam um di\u00e1logo com o psicanalista espanhol Enric Berenguer sobre essa quest\u00e3o. Como pano de fundo, esses tr\u00eas intelectuais encontram-se claramente preocupados n\u00e3o s\u00f3 com os sintomas m\u00f3rbidos que proliferam na sociedade atual, mas tamb\u00e9m, principalmente, com a forte deteriora\u00e7\u00e3o da democracia liberal em quase todos os pa\u00edses do Ocidente. Tomando tudo isso como um sintoma, eles analisam o neoliberalismo como um modo de constitui\u00e7\u00e3o de um novo sujeito. Eis como Berenguer resume a abordagem psicossocial e cr\u00edtica dos dois autores franceses:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>Isto significa que as mudan\u00e7as subjetivas que se pode verificar nos homens e nas mulheres do nosso tempo, altera\u00e7\u00f5es que abarcam a forma de viver, mas tamb\u00e9m de sofrer, n\u00e3o s\u00e3o meras consequ\u00eancias ou efeitos secund\u00e1rios de um sistema. Ao contr\u00e1rio, a produ\u00e7\u00e3o da subjetividade \u00e9 um elemento fundamental em sua reprodu\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o. Para dizer brevemente, um novo sujeito assume em si e por si mesmo os objetivos e os funcionamentos do sistema, converte-se em agente principal de sua expans\u00e3o. Nessa perspectiva, para falar em termos marxistas, n\u00e3o se trata de pensar apenas que h\u00e1 um modo de produ\u00e7\u00e3o que se reflete nas formas de consci\u00eancia, mais ou menos alienadas. Mas sim, de um modo de subjetividade, um modo de vida, que \u00e9 essencial ao pr\u00f3prio modo de produ\u00e7\u00e3o, assim como chave para que ele se imponha em n\u00edvel planet\u00e1rio.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Como o ser social existente \u00e9 abra\u00e7ado e, assim, tomado at\u00e9 certo ponto por essa racionalidade? Afirmam eles que \u00e9 por meio da constru\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00f5es socialmente plaus\u00edveis e eficazes, as quais funcionam como \u201cmodelos\u201d e\/ou \u201cespelhos\u201d para os seres humanos reais. O velho liberalismo, fundado no utilitarismo, criou o homem econ\u00f4mico racional. A socialdemocracia inventou o homem funcional e o homem administrativo. O neoliberalismo cunhou o homem como empres\u00e1rio de si mesmo. Este \u00faltimo foi capaz de se apropriar de uma tradi\u00e7\u00e3o que se inicia no s\u00e9culo XVII e XVIII e permanece em vigor at\u00e9 agora, modificando-a conforme a necessidade do momento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Essa t\u00e9cnica de forma\u00e7\u00e3o do ser social e, assim, da conforma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria sociedade nasce junto com o capitalismo. Veja-se brevemente como o homem econ\u00f4mico \u00e9 projetado nos\u00a0<em>Princ\u00edpios sobre moral e legisla\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0de Jeremy Bentham (autor que viveu entre 1748 e 1832):<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>\u201cA natureza colocou o g\u00eanero humano sob o dom\u00ednio de dois senhores soberanos: a dor e o prazer\u201d; \u201co princ\u00edpio da utilidade [ou maior felicidade] reconhece essa sujei\u00e7\u00e3o e a coloca como fundamento desse sistema, cujo objetivo consiste em construir o edif\u00edcio da felicidade por meio da raz\u00e3o e da lei\u201d. Ademais, \u201ca comunidade constitui um corpo fict\u00edcio, composto por pessoas individuais que se consideram como seus membros\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Ou seja, a comunidade n\u00e3o \u00e9 comunidade, mas um mero agregado de indiv\u00edduos racionais que buscam o auto-interesse.<\/p>\n<p>Para Dardot e Laval, o pr\u00f3prio homem se inventou na \u00e9poca moderna por meio do discurso da ci\u00eancia. Assim, o utilitarismo, o liberalismo e, depois, o neoliberalismo, s\u00e3o encarados por eles n\u00e3o como meras ideologias ou meras fonte de pol\u00edticas econ\u00f4micas, mas como pr\u00e1ticas hist\u00f3ricas que modificam a sociedade e os pr\u00f3prios seres humanos de acordo com as necessidades do sistema econ\u00f4mico. Eis o que dizem:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>O utilitarismo de Bentham (\u2026) definiu uma nova figura do homem, uma figura antropol\u00f3gica espec\u00edfica: o \u201chomem econ\u00f4mico\u201d. Essa figura nasceu de um discurso que explica como o ser humano trabalha, que concebe o homem como uma pequena m\u00e1quina de prazer e sofrimento, um ser de c\u00e1lculo que \u00e9 governado em todas as coisas pelo seu interesse e que, pela mesma raz\u00e3o, \u00e9 govern\u00e1vel por meio do referido interesse. Essa inven\u00e7\u00e3o da fic\u00e7\u00e3o do homem econ\u00f4mico foi o fundamento e a estrutura para justificar e promover o que mais tarde foi chamado capitalismo.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo Dardot e Laval, o utilitarismo \u00e9 o ber\u00e7o do homem econ\u00f4mico racional, mas n\u00e3o a forma \u00faltima de embal\u00e1-lo. O liberalismo do s\u00e9culo XIX transformou-se no neoliberalismo do s\u00e9culo XX sem que o fundamento utilitarista fosse abandonado. Se o indiv\u00edduo fict\u00edcio como tal sofreu uma certa mudan\u00e7a, o individualismo e egocentrismo n\u00e3o foram abandonados. Na condi\u00e7\u00e3o ainda de calculista inveterado, o otimizador continua sendo a base l\u00f3gica da aloca\u00e7\u00e3o de recursos escassos entre fins alternativos. Proposi\u00e7\u00e3o esta que supostamente resume a tarefa da Economia e dos economistas.<\/p>\n<p>No \u00faltimo quartel do s\u00e9culo XIX, a teoria neocl\u00e1ssica substituiu a economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica no discurso econ\u00f4mico dominante; com ela, a linguagem da matem\u00e1tica, que se orgulha de sua exatid\u00e3o formal, invadiu os textos na constru\u00e7\u00e3o das teorias. Assim, o homem econ\u00f4mico passou a ter racionalidade perfeita. Ora, essa fic\u00e7\u00e3o de um ser individual que maximiza utilidade continua presente na teoria econ\u00f4mica atual \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 nos livros de economia. Eis que ele se imp\u00f5e at\u00e9 certo ponto como forma de comportamento tamb\u00e9m \u00e1 sociedade. Ademais, os economistas, com base nele, se apresentam como os profissionais que, mais do que nunca, fornecem a racionalidade decis\u00f3ria que determina os meios e os fins leg\u00edtimos da a\u00e7\u00e3o governamental.<\/p>\n<p>Mesmo se o homem econ\u00f4mico permanece como fundamento do discurso dominante, no curso da segunda metade do s\u00e9culo XX apareceu em paralelo uma nova figura de ser racional, o homem econ\u00f4mico transfigurado em homem-empresa, naquele que se v\u00ea como capital humano e que, tal como o capital industrial, precisa se valorizar constantemente. Trata-se, \u00e9 certo, de uma nova fic\u00e7\u00e3o que vem para revalorizar a concorr\u00eancia capitalista real, j\u00e1 que a teoria neocl\u00e1ssica a havia suprimido por meio da no\u00e7\u00e3o de concorr\u00eancia perfeita. J\u00e1 n\u00e3o se trata de \u201cuma maquininha homeost\u00e1tica que tende, tal como o pr\u00f3prio mercado, ao equil\u00edbrio\u201d. Ao inv\u00e9s, o que se tem agora \u00e9 o empreendedor que tem como tarefa \u201cproduzir o desequil\u00edbrio, romper sempre a rotina, gerar inova\u00e7\u00e3o, mantendo sempre a capacidade de se adaptar ao movimento perp\u00e9tuo do capital.\u201d<\/p>\n<p>Esse novo homem econ\u00f4mico, portanto, \u00e9 aquele que, subjetivamente, v\u00ea-se como uma empresa. Essa nova fic\u00e7\u00e3o abandona a racionalidade perfeita para adotar uma racionalidade constrangida pela incapacidade de obter informa\u00e7\u00e3o completa sobre as condi\u00e7\u00f5es em que supostamente acontece a a\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. De qualquer modo, ele continua sendo o homem que busca sempre mais, mais utilidade, mais consumo, mais dinheiro, mais capital de modo insaci\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ao lado do homem-empresa ascendeu, no capitalismo da segunda metade do s\u00e9culo XX, o consumidor voraz que assim se comporta na vida cotidiana segundo a pr\u00f3pria l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o de capital \u2013 uma l\u00f3gica que, como se sabe, tem-se por ilimitada. O pr\u00f3prio capitalismo constr\u00f3i o indiv\u00edduo consumidor que precisa para o seu pr\u00f3prio movimento acumulativo. E ele aproveita, para tanto, a puls\u00e3o que mora no ser humano real. \u201cComo todo trabalho \u00e9 uma ren\u00fancia ao gozo, no consumo, no mercado de bens, h\u00e1 uma busca v\u00e3 de recuperar o gozo perdido, o qual pode ser qualificado como um \u2018mais-gozar\u2019\u201d. Assim, \u201cpara o prolet\u00e1rio\u201d \u2013 dizem eles \u2013, \u201ctrata-se finalmente de consumir cada vez mais com o objetivo de se converter, imaginariamente, em um capitalista\u201d.<\/p>\n<p>Assim como a l\u00f3gica do capital acaba sendo cada vez mais destrutiva do mundo natural e do mundo social, a l\u00f3gica do consumismo, do mais-consumo, termina destruindo a individualidade real e mesmo, eventualmente, o ser vivo como tal. Ora, o homem-consumidor, como se sabe, \u00e9 um produto da governamentalidade posta pela propaganda e pelo\u00a0<em>marketing<\/em>\u00a0que a imprensa corporativa, a qual se esmera em gritar \u201cliberdade\u201d e \u201cdemocracia\u201d a todo momento, n\u00e3o para nunca de propagar. Assim, \u00e9 claro, ela sabota a verdadeira liberdade e a verdadeira democracia porque estas pressup\u00f5em uma certa autonomia das pessoas e uma forma\u00e7\u00e3o da vontade que emerge das intera\u00e7\u00f5es comunicativas delas mesmas.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o travada por Dardot e Laval enfrenta tamb\u00e9m a quest\u00e3o do crescimento dos fundamentalismos, em particular, da expans\u00e3o das seitas evang\u00e9licas e pentecostais. Para eles, essa difus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com o capitalismo neoliberal \u2013 ao contr\u00e1rio, \u00e9-lhe necess\u00e1ria e funcional. Formam um mercado da f\u00e9 que acaba cumprindo uma fun\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria num mundo em que h\u00e1 poucos vitoriosos e muitos perdedores. Essas seitas espalham-se e competem entre si, procurando mais-suplantar e mais-remediar os males engendrados incansavelmente pelo pr\u00f3prio capitalismo neoliberal. Elas se esfor\u00e7am na tarefa de recondicionar ilimitadamente os indiv\u00edduos que sofrem com toda sorte de dificuldades, assim como de falta de solidariedade e de comunidade, readequando-os mais do que os consolando, para que continuem capazes de competir nos mercados, sem colapsar como ser humanos.<\/p>\n<p>Mas a constru\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00f5es que passam a fundamentar a governamentalidade na sociedade atual n\u00e3o descansa sob os \u201clouros\u201d do passado. A discuss\u00e3o dos tr\u00eas autores no livro resenhado vai tamb\u00e9m do presente para o futuro. Examinam em adi\u00e7\u00e3o como os novos saberes cient\u00edficos, em particular, as neuroci\u00eancias, ensaiam atualmente a cria\u00e7\u00e3o de novas fic\u00e7\u00f5es. Eis que se fala agora no transumano e no p\u00f3s-humano, ou seja, no ciborgue, um ser que \u00e9 meio humano e meio m\u00e1quina. \u00c9 desse modo que se pretende ir n\u00e3o s\u00f3 al\u00e9m do homem econ\u00f4mico racional, mas tamb\u00e9m da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana; eis que se ousa pensar assim na possibilidade de superar a natalidade, a mortalidade, a pluralidade, o aperfei\u00e7oamento de si mesmo, a simpatia pelos outros etc. Entra-se assim no campo da neuropol\u00edtica: \u201ca utopia transumanista \u00e9 uma utopia\u201d \u2013 dizem eles \u2013 \u201cque opera levando ao limite o que considera potencialidade ilimitadas do mercado\u201d.<\/p>\n<p>Para eles, enfim, para resumir e para terminar, \u201co neoliberalismo pode ser definido como a racionalidade pol\u00edtica cujo efeito \u00e9 levar o mais longe poss\u00edvel a amplia\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do valor, isto \u00e9, do \u2018mais de\u2026\u2019, do \u2018valor a mais\u2019, do mais-valor\u201d. O que implica tamb\u00e9m no transbordamento da l\u00f3gica do ilimitado para todos os \u00e2mbitos da vida social. N\u00e3o parece, portanto, haver para ele barreiras intranspon\u00edveis sejam estas ps\u00edquicas, sociais e ecol\u00f3gicas\u2026<\/p>\n<p>Como os economistas de direita encarnam essa l\u00f3gica do ilimitado, eles continuar\u00e3o a ridicularizar aqueles que falam em neoliberalismo \u2013 sem deixar, \u00e9 claro, de p\u00f4-lo em pr\u00e1tica. Diferentemente deles, aqui se pergunta mais uma vez: essa l\u00f3gica cada vez mais sem freios n\u00e3o produz o niilismo e, depois, o neofascismo, tal como foi mencionado no artigo anterior? (<em>Ruinas do neoliberalismo: Chile, caso precursor<\/em>, em 14\/11\/2019).<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"484RaIAfbR\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/a-formacao-do-ser-neoliberal\/\">A forma\u00e7\u00e3o do ser neoliberal<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;A forma\u00e7\u00e3o do ser neoliberal&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/mercadovsdemocracia\/a-formacao-do-ser-neoliberal\/embed\/#?secret=jJr513pwqz#?secret=484RaIAfbR\" data-secret=\"484RaIAfbR\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eleut\u00e9rio F. S. Prado &#8211;\u00a0Empres\u00e1rio de si mesmo. Iludido pelo consumo. 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