{"id":11994,"date":"2019-11-14T12:05:51","date_gmt":"2019-11-14T15:05:51","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=11994"},"modified":"2019-11-11T21:19:06","modified_gmt":"2019-11-12T00:19:06","slug":"os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/","title":{"rendered":"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211;<\/strong> Carlos Gadelha v\u00ea na Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos e cuidado das pessoas, mas alerta para o risco de aumento das desigualdades se o acesso for restrito<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 moral deixar algu\u00e9m morrer de fome na sociedade da quarta revolu\u00e7\u00e3o? \u00c9 moral criar uma iniquidade de conhecimentos, em que h\u00e1 uma grande massa de pessoas ignorantes e conhecimento concentrado em poucos pa\u00edses, em poucas pessoas, em poucas empresas?\u201d, questiona o economista Carlos Gadelha. A provoca\u00e7\u00e3o do pesquisador, que atua na \u00e1rea da sa\u00fade, tensiona os efeitos da chamada Revolu\u00e7\u00e3o 4.0. \u201cO padr\u00e3o tecnol\u00f3gico da quarta revolu\u00e7\u00e3o tem o potencial de aumentar a qualidade de vida, talvez de modo jamais visto, mas, por outro lado, traz o risco imenso da perda de uma vis\u00e3o coletiva da sa\u00fade, da perda de uma vis\u00e3o de solidariedade e de que a sa\u00fade n\u00e3o pode ser tratada como se fosse um voo de avi\u00e3o estratificado em categorias de classe\u201d, observa, em entrevista concedida por telefone \u00e0\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>.<\/p>\n<p>Ele teme que, al\u00e9m do risco de acesso restrito a esses avan\u00e7os no campo da sa\u00fade, todos os avan\u00e7os em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o sejam apropriados pelas l\u00f3gicas do capital que n\u00e3o s\u00f3 restrinjam, mas ainda fa\u00e7am desses avan\u00e7os uma nova forma de expropria\u00e7\u00e3o. \u201cSe n\u00e3o houver cuidado, levaremos uma grande massa da popula\u00e7\u00e3o pobre, exclu\u00edda, a se relacionar com m\u00e1quinas e com o grande risco de vi\u00e9s, parcialidade, j\u00e1 que essas m\u00e1quinas e algoritmos est\u00e3o sendo formatados para atender a interesses econ\u00f4micos\u201d, diz. L\u00f3gicas que, para o pesquisador, est\u00e3o no sentido contr\u00e1rio dos conceitos de sa\u00fade p\u00fablica e coletiva. \u201cCi\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o est\u00e3o a\u00ed para servir as pessoas e n\u00e3o se servir das pessoas e isso \u00e9 muito importante\u201d, chama aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos caminhos poss\u00edveis, para Gadelha, \u00e9 sempre refor\u00e7ar o car\u00e1ter humano. \u201cA ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o t\u00eam que ser subordinadas a um modelo de sociedade que seja humanizado, pautado pela solidariedade e pela equidade. Sen\u00e3o, vamos criar um debate em que intelig\u00eancia artificial, big data e o padr\u00e3o da quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ser\u00e3o entendidos por muito poucos\u201d, indica. Para o pesquisador, \u00e9 fundamental discutir esses dilemas atuais, \u201cmas tamb\u00e9m as estrat\u00e9gias de futuro. Faz parte de uma vida saud\u00e1vel termos projetos de futuro, retomar as energias ut\u00f3picas que est\u00e3o t\u00e3o abaladas no mundo contempor\u00e2neo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como a Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 tem impactado os campos da sa\u00fade p\u00fablica e coletiva?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Gadelha \u2013<\/strong>\u00a0A primeira abordagem que precisamos ter \u00e9 que a vis\u00e3o de sa\u00fade contempor\u00e2nea e da tradi\u00e7\u00e3o da sa\u00fade coletiva no Brasil, que criou o pr\u00f3prio Sistema \u00danico de Sa\u00fade &#8211; SUS, \u00e9 uma vis\u00e3o de sa\u00fade como qualidade de vida e n\u00e3o apenas aus\u00eancia de doen\u00e7a. Isso tamb\u00e9m \u00e9 compat\u00edvel e est\u00e1 na vis\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, mas foi algo muito presente, tanto que, na sa\u00fade como direito, se fala na converg\u00eancia de uma s\u00e9rie de pol\u00edticas econ\u00f4micas e sociais e n\u00e3o apenas as pol\u00edticas voltadas para o tratamento de sa\u00fade, voltando-se tamb\u00e9m para uma vida saud\u00e1vel e uma sociedade saud\u00e1vel. Ent\u00e3o, \u00e9 sa\u00fade como bem-estar e qualidade de vida.<\/p>\n<p>Isso d\u00e1 uma abrang\u00eancia muito maior para o tema da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0. Mas \u00e9 preciso ter sempre em mente que na Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 h\u00e1 uma radicaliza\u00e7\u00e3o, um aprofundamento e uma generaliza\u00e7\u00e3o da digitaliza\u00e7\u00e3o e da interconectividade da vida que permite falarmos de uma quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e industrial. Isso tamb\u00e9m impacta barbaramente as potencialidades e as condi\u00e7\u00f5es de bem-estar da popula\u00e7\u00e3o. Vou dar um exemplo: a ci\u00eancia, a tecnologia e a inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o neutras. A dire\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o \u00e9 dada pela sociedade, pelas mulheres e pelos homens. Ent\u00e3o, n\u00e3o tem em si um mal ou um bem intr\u00ednseco. Ela pode gerar altos benef\u00edcios, mas tamb\u00e9m pode gerar malef\u00edcios de acordo com o padr\u00e3o e a dire\u00e7\u00e3o do progresso t\u00e9cnico e seu uso social.<\/p>\n<p>No campo da sa\u00fade, por exemplo, de um lado se tem a possibilidade \u00fanica e extremamente relevante de fazer preven\u00e7\u00e3o num n\u00edvel jamais imaginado. Estamos vivendo o grave problema do aquecimento global e, a partir da avalia\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a de 1 grau na temperatura, \u00e9 poss\u00edvel dizer em quais munic\u00edpios ou localidades dever\u00e3o emergir endemias ou doen\u00e7as transmiss\u00edveis, como dengue, zika, chikungunya, mal\u00e1ria, febre amarela, e assim se pode atuar preventivamente utilizando big data, grandes bases de dados, a territorializa\u00e7\u00e3o dos dados e das informa\u00e7\u00f5es. Assim, utilizando uma massa de dados e realizando seu processamento, \u00e9 poss\u00edvel fazer a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o que associam mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e emerg\u00eancias de doen\u00e7as transmiss\u00edveis para que as pol\u00edticas p\u00fablicas possam prevenir e evitar que surjam endemias ou epidemias e que pessoas adoe\u00e7am e morram. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel, em outro exemplo, associar o impacto de uma mudan\u00e7a nas pol\u00edticas sociais, como os efeitos que o decl\u00ednio ou n\u00e3o atendimento do Bolsa Fam\u00edlia pode gerar nas quest\u00f5es de mortalidade infantil.<\/p>\n<p>Trago alguns exemplos para mostrar que a quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica permite um tratamento populacional e coletivo da sa\u00fade com a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e uma vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica inteligente, n\u00e3o agindo somente depois que o mosquito pica algu\u00e9m. Com essa vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica \u00e9 poss\u00edvel prevenir a partir das condi\u00e7\u00f5es da organiza\u00e7\u00e3o da sociedade e do pr\u00f3prio planeta e num n\u00edvel jamais imaginado, e se pode utilizar big data e intelig\u00eancia artificial para fazer essas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Envelhecimento e qualidade de vida<\/strong><\/p>\n<p>Um outro exemplo: pode-se fazer monitoramento tamb\u00e9m num n\u00edvel muito elevado do envelhecimento populacional, pois hoje o envelhecimento \u00e9 uma das grandes quest\u00f5es. Mas precisamos ter em perspectiva que o envelhecimento \u00e9 bom, afinal as pessoas est\u00e3o vivendo mais. Acho que todo mundo quer viver mais. Temos que parar de tratar o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, a mudan\u00e7a demogr\u00e1fica, como se fosse um malef\u00edcio. Isso \u00e9 um benef\u00edcio ao qual as pol\u00edticas sociais e pol\u00edticas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas devem servir. As pessoas querem viver mais e melhor com uma qualidade boa.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, essa \u00e9 uma oportunidade de trabalhar a sa\u00fade preventiva como qualidade de vida. N\u00e3o se pode tratar do idoso com uma mega-hospitaliza\u00e7\u00e3o. Primeiro porque isso vai trazer infelicidade para ele; ningu\u00e9m \u00e9 feliz dentro do hospital. Com as novas tecnologias j\u00e1 se consegue fazer um monitoramento na resid\u00eancia do idoso, assim ele pode ter os seus principais indicadores de sa\u00fade monitorados a dist\u00e2ncia. J\u00e1 se sabe que a principal causa de morte de idosos \u00e9 a queda. Ent\u00e3o, se temos uma aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria organizada, pelo tipo de queda do idoso se consegue saber se foi uma queda causada por uma entorse ou por outro motivo, a intensidade da queda, al\u00e9m de se poder fazer contato com o idoso por meio de tecnologias sofisticad\u00edssimas de integra\u00e7\u00e3o de dados, que permitem dar certos padr\u00f5es de queda, com o procedimento de intelig\u00eancia artificial, um algoritmo, que favore\u00e7a a leitura humana, a qual sempre ser\u00e1 imprescind\u00edvel na sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual \u00e9 o limite dessa tecnologia? Nem tudo se resolve com a tecnologia, vai se depender da intera\u00e7\u00e3o humana, correto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Gadelha \u2013<\/strong>\u00a0Vou trazer s\u00f3 um terceiro exemplo que acho muito interessante, dentro dos aspectos positivos, pois, como disse, a tecnologia n\u00e3o traz um bem ou um mal em si. No tratamento da zika, no caso das crian\u00e7as que tiveram microcefalia, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m fazer monitoramento com um chip colocado na crian\u00e7a e pelo qual se pode prever se ela vai ter convuls\u00f5es. E convuls\u00e3o em quem tem microcefalia n\u00e3o \u00e9 somente uma, s\u00e3o v\u00e1rias convuls\u00f5es sucessivas, que destroem os efeitos de um tratamento de fisioterapia e de outras terapias sociais realizadas ao longo de um ano. Assim, prevendo que a crian\u00e7a vai ter convuls\u00f5es, se consegue evitar essa situa\u00e7\u00e3o e com isso n\u00e3o se perde toda uma evolu\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a que j\u00e1 tem o sofrimento associado \u00e0 microcefalia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se tem utilizado, a partir de diversos indicadores populacionais, a associa\u00e7\u00e3o entre tabaco e c\u00e2ncer, al\u00e9m de relacionar certos estilos de vida ao c\u00e2ncer e at\u00e9 mesmo entrando na gen\u00f4mica para projetar a possibilidade de desenvolvimento da doen\u00e7a. Ali\u00e1s, isso \u00e9 totalmente quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e \u00e9 uma fus\u00e3o, uma integra\u00e7\u00e3o digital entre o mundo biol\u00f3gico e o mundo material.<\/p>\n<p>Assim, com as novas tecnologias, \u00e9 poss\u00edvel tratar campos que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s eram incur\u00e1veis e que agora est\u00e3o elevando a qualidade e a expectativa de vida de modo muito importante. N\u00e3o sou ufanista da quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial e das tecnologias, sou um ufanista da vis\u00e3o humana da tecnologia. Se n\u00e3o tivermos isso claro o tempo inteiro, o que pode ser um benef\u00edcio pode se tornar monstruoso para a sociedade.<\/p>\n<p><strong>Especifica\u00e7\u00e3o de tratamentos e isolamentos<\/strong><\/p>\n<p>Voltando ao exemplo do tratamento do c\u00e2ncer, com a gen\u00f4mica \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar e dar um tratamento muito mais espec\u00edfico \u2014 ele continua sendo coletivo, pois a sa\u00fade \u00e9 um bem coletivo. Se faz sa\u00fade p\u00fablica, por exemplo, fornecendo um medicamento biol\u00f3gico, que \u00e9 a nova fronteira do tratamento de c\u00e2ncer, para aquela popula\u00e7\u00e3o em que o medicamento vai funcionar. Desse modo, n\u00e3o jogamos recursos fora e n\u00e3o trazemos malef\u00edcios \u2014 efeitos colaterais \u2014 como, por exemplo, para os tratamentos de alguns tipos de c\u00e2ncer de mama, em que algumas mulheres s\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 medica\u00e7\u00e3o e em outras mulheres o medicamento s\u00f3 causa malef\u00edcios. Hoje, com o estudo da gen\u00f4mica, \u00e9 poss\u00edvel dizer para quais grupos populacionais determinado medicamento vai trazer benef\u00edcios e realizar o tratamento de forma mais adequada, elevando a expectativa de vida ou mesmo curando e minimizando efeitos colaterais.<\/p>\n<p>O campo da sa\u00fade, visto como qualidade de vida, \u00e9 um campo que envolve necessariamente o cuidado e a intera\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 muito mais do que, l\u00e1 na ponta, levar uma pessoa doente a entrar num hospital e ser tratada, \u00e9 uma forma de sociabilidade. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante o enfoque da dimens\u00e3o humana, que n\u00e3o se reduz, mas aumenta com a quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Com o mundo hiperdigital, com as pessoas se relacionando por redes ou WhatsApp ou celular, chegamos \u00e0 \u201ccelulariza\u00e7\u00e3o da vida\u201d, pois hoje as pessoas lidam com seu aparelho celular e est\u00e3o perdendo a sociabilidade. H\u00e1 amigos que fazem grupos de WhatsApp e n\u00e3o se veem h\u00e1 anos. Ent\u00e3o, come\u00e7amos a colocar algumas quest\u00f5es de hiperindividualiza\u00e7\u00e3o e solid\u00e3o em uma sociedade em que nunca houve tanta conectividade, mas tamb\u00e9m nunca houve tanta solid\u00e3o. E qual \u00e9 a grande epidemia do s\u00e9culo XXI? A depress\u00e3o. Assim, a quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica pode significar uma fragmenta\u00e7\u00e3o da vida, a perda da vis\u00e3o coletiva da sa\u00fade e a perda da vis\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que na pr\u00f3pria Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz n\u00f3s n\u00e3o utilizamos o conceito e a no\u00e7\u00e3o de medicina racionalizada apenas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer um programa de vacina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o envolva a popula\u00e7\u00e3o, essa \u00e9 a dimens\u00e3o coletiva; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer um programa, por exemplo, para c\u00e2ncer que n\u00e3o envolva mudan\u00e7as de h\u00e1bitos e da cultura da popula\u00e7\u00e3o. Uma sociedade que se pauta por uma vis\u00e3o de comer mais hamb\u00farguer, ter mais c\u00e2ncer e consumir mais produtos biotecnol\u00f3gicos n\u00e3o \u00e9 uma sociedade saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Sociabilidade humana e sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Portanto, a sa\u00fade envolve a sociabilidade humana. Nunca o tratamento do idoso ou da fam\u00edlia poder\u00e1 ser dado por um robozinho, isso seria um empobrecimento da vida. Tem certas quest\u00f5es de que os algoritmos n\u00e3o d\u00e3o conta \u2014 eu at\u00e9 costumo brincar: quem fez as fontes (na minha \u00e9poca cham\u00e1vamos assim)? Quem fez o algoritmo que diz que para determinado problema voc\u00ea deveria tomar determinada decis\u00e3o? A intera\u00e7\u00e3o do cuidador, na qual est\u00e1 o m\u00e9dico \u2014 mas n\u00e3o apenas ele, pois no programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia, por exemplo, existem os agentes comunit\u00e1rios e outros profissionais \u2014, \u00e9 conversar com as pessoas, saber quais s\u00e3o suas profiss\u00f5es etc. Por exemplo, uma pessoa tem que ter a liberdade de dizer se ela vai querer passar por um tratamento ultra-agressivo para ter, talvez, um per\u00edodo muito curto de sobrevida ou se vai preferir usar o tempo de vida que ela tem para estar com a fam\u00edlia e ter tratamentos paliativos que n\u00e3o sejam t\u00e3o agressivos. Ou, ainda, se v\u00e3o jogar a pessoa dentro do hospital para come\u00e7ar a sofrer para viver um pouco mais.<\/p>\n<p>Isso tudo n\u00e3o envolve decis\u00f5es tecnol\u00f3gicas, \u00e9 uma decis\u00e3o humana. Ent\u00e3o, o padr\u00e3o tecnol\u00f3gico da quarta revolu\u00e7\u00e3o tem o potencial de aumentar a qualidade de vida, talvez de modo jamais visto, mas, por outro lado, traz o risco imenso da perda de uma vis\u00e3o coletiva da sa\u00fade, da perda de uma vis\u00e3o de solidariedade e de que a sa\u00fade n\u00e3o pode ser tratada como se fosse um voo de avi\u00e3o estratificado em categorias de classe.<\/p>\n<p>\u00c9 inaceit\u00e1vel, eticamente, o uso da revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para que algumas pessoas tenham acesso a tratamento e preven\u00e7\u00e3o e que tenham, por conta desse acesso, expectativa de vida e qualidade diferentes. Eticamente \u00e9 inaceit\u00e1vel que um pobre tenha sua expectativa de vida baseada em seu n\u00edvel de renda e que, por n\u00e3o ter acesso \u00e0 tecnologia, tenha 10 ou 15 anos a menos de vida se comparado ao rico. Quem nasce na [favela] de Parais\u00f3polis ou no Morumbi [bairro nobre, ao lado da favela], em S\u00e3o Paulo, tem mais de 10 anos de diferen\u00e7a de expectativa de vida. Acredito que no Sul seja assim tamb\u00e9m, pois o mesmo vale para o Rio de Janeiro, para a Rocinha e S\u00e3o Conrado, que s\u00e3o separadas por uma rua. Dependendo do lado do muro em que voc\u00ea nasce, voc\u00ea vai ter carro personalizado, cidade inteligente, internet etc. E, do outro lado, ter\u00e1 uma qualidade de vida p\u00e9ssima e viver\u00e1 muito menos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica traz um risco. Talvez, mais do que nunca, seja necess\u00e1ria uma vis\u00e3o humana, sen\u00e3o teremos o risco de fragmentar o tecido social que define uma sociedade saud\u00e1vel, que no fundo \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Na pr\u00e1tica, como as novas tecnologias em sa\u00fade t\u00eam chegado ao sistema p\u00fablico, o SUS? Quais os desafios do SUS no que diz respeito ao desenvolvimento educacional, cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico a servi\u00e7o da sa\u00fade p\u00fablica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Gadelha \u2014<\/strong>\u00a0Do ponto de vista do sistema educacional em sa\u00fade, est\u00e1 completamente despreparado e insuficiente para tratar dessas quest\u00f5es que mencionei. Por exemplo, na estrutura curricular dos cursos de medicina n\u00e3o h\u00e1 disciplinas mais aprofundadas sobre organiza\u00e7\u00f5es de sistemas de sa\u00fade. O conhecimento especializado est\u00e1 perdendo a vis\u00e3o at\u00e9 de indiv\u00edduo e de coletividade; temos especialistas em \u00f3rg\u00e3os e em partes de pessoas, mas n\u00e3o temos pessoas que s\u00e3o formadas para tratar de pessoas. H\u00e1 uma hiperespecializa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 outro risco da revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u00c9 uma perda completa da dimens\u00e3o educacional, por exemplo, que passa por Paulo Freire &#8211; podemos pegar alguns livros dele, como Direitos Humanos e Educa\u00e7\u00e3o Libertadora e Pedagogia da Toler\u00e2ncia. Como n\u00e3o segmentar, tendo o grupo dos \u201csabidos\u201d, cientistas, e a massa da sociedade sem acesso ao conhecimento e a possibilidade de interagir? Nesse sentido, h\u00e1 uma pobreza muito grande nos cursos de sa\u00fade sobre a dimens\u00e3o humana, a dimens\u00e3o coletiva e a organiza\u00e7\u00e3o dos sistemas sociais de bem-estar.<\/p>\n<p>Essa hipertecnifica\u00e7\u00e3o do ensino quase se esquece de que do outro lado h\u00e1 um ser humano, e isso \u00e9 poss\u00edvel com o enfoque de sa\u00fade completamente desumanizado. Isso coloca um desafio que \u00e9 importante. Por exemplo, a telemedicina. Ela pode ser fant\u00e1stica, pois possibilita um aconselhamento a dist\u00e2ncia ou uma maior agilidade no tratamento em lugares remotos, mas n\u00e3o pode substituir o atendimento presencial. Na China h\u00e1 uma empresa l\u00edder em telemedicina que criou quiosques onde a pessoa entra, uma s\u00e9rie de sensores s\u00e3o instalados por todo o corpo dela e em quatro minutos ela sai com uma receita m\u00e9dica. Quem \u00e9 que disse que aquela receita \u00e9 a correta? Quem \u00e9 que fez o algoritmo? \u00c9 um atendimento sem di\u00e1logo, \u00e9 uma ruptura com Paulo Freire, com uma vis\u00e3o humanista da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o houver cuidado, levaremos uma grande massa da popula\u00e7\u00e3o pobre, exclu\u00edda, a se relacionar com m\u00e1quinas e com o grande risco de vi\u00e9s, parcialidade, j\u00e1 que essas m\u00e1quinas e algoritmos est\u00e3o sendo formatados para atender a interesses econ\u00f4micos. A pessoa pode sair da m\u00e1quina para comprar o medicamento da moda ou o medicamento que \u00e9 a novidade do momento e que n\u00e3o necessariamente vai atender as suas necessidades.<\/p>\n<p><strong>Empobrecimento da vis\u00e3o humanista X Programa Sa\u00fade da Fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma hipertecnifica\u00e7\u00e3o do ensino e da educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade que talvez esteja na raiz de um certo empobrecimento da vis\u00e3o humanista do cuidado, ou seja, a sa\u00fade se torna t\u00e9cnica e n\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o social \u2014 e a sa\u00fade \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o tem nada mais bonito do que um programa de sa\u00fade da fam\u00edlia em que h\u00e1 equipes que conhecem as pessoas pelo nome e que est\u00e3o no n\u00edvel local. Muitas vezes, a pessoa que est\u00e1 precisando de atendimento j\u00e1 se sente muito melhor a partir de um simples di\u00e1logo. A maioria dos problemas de sa\u00fade s\u00e3o resolvidos na ponta, com os Programas de Sa\u00fade da Fam\u00edlia. Muitas vezes o sofrimento de uma pessoa que est\u00e1 em solid\u00e3o, que \u00e9 idosa, que est\u00e1 sozinha, doente, se d\u00e1 tamb\u00e9m porque est\u00e1 triste. N\u00e3o podemos culpabilizar uma pessoa que est\u00e1 triste, pois ela est\u00e1 com um problema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, muitas vezes, o contato humano e uma interven\u00e7\u00e3o pequena, como recomendar que a pessoa se hidrate, fa\u00e7a um exerc\u00edcio, vai aumentar a qualidade de vida dela. E, ao mesmo tempo, tem o arsenal da quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, que poder\u00e1 auxiliar o m\u00e9dico de fam\u00edlia ou agente de sa\u00fade, l\u00e1 na ponta, se necess\u00e1rio. Com o apoio da telemedicina, por exemplo, poder\u00e1 ter acesso \u00e0 intelig\u00eancia artificial para saber quais as alternativas de tratamento que pode oferecer para as pessoas. Agora, n\u00e3o se pode \u00e9 retirar o cora\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, e esse cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o cuidado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 \u00c9 usar essa tecnologia toda como uma esp\u00e9cie de acess\u00f3rio para qualificar a intera\u00e7\u00e3o humana?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Gadelha \u2013<\/strong>\u00a0A ci\u00eancia, a tecnologia e a inova\u00e7\u00e3o est\u00e3o a\u00ed para servir as pessoas, e n\u00e3o se servir das pessoas e isso \u00e9 muito importante. Elas t\u00eam que ser subordinadas a um modelo de sociedade que seja humanizado, pautado pela solidariedade e pela equidade. Sen\u00e3o, vamos criar um debate em que intelig\u00eancia artificial, big data e o padr\u00e3o da quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ser\u00e3o entendidos por muito poucos. Isso ser\u00e1 para uma elite, para uma casta da popula\u00e7\u00e3o mundial, enquanto para os mais pobres damos uma renda m\u00ednima.<\/p>\n<p>Eu sou a favor da renda m\u00ednima, n\u00e3o podemos deixar ningu\u00e9m passar fome. Agora, n\u00e3o se pode criar desigualdade de conhecimento na quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, n\u00e3o se pode ter uma massa de pessoas totalmente desinformadas, sujeitas \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o t\u00eam nenhum tipo de informa\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade, como organizam sua vida, bombardeadas por lixo informacional e sem capacidade de formula\u00e7\u00e3o, de compreens\u00e3o para fazer perguntas. \u00c9 inaceit\u00e1vel termos de novo um apartheid, que \u00e9 o apartheid do conhecimento e da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 uma coisa muito grave, porque a sa\u00fade, intrinsecamente, j\u00e1 tem uma diferencia\u00e7\u00e3o muito grande entre as pessoas. Quando entramos no consult\u00f3rio, sentimos a falta de paci\u00eancia do m\u00e9dico para explicar o problema, trocar ideia. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 muitos m\u00e9dicos que t\u00eam uma vis\u00e3o human\u00edstica que \u00e9 fant\u00e1stica, que faz uma primeira consulta de uma hora, que conversa, que troca ideia. Se a sociedade n\u00e3o tomar cuidado com essa hipertecnifica\u00e7\u00e3o, vamos ter linhas de montagem de tratamentos em que a capacidade do di\u00e1logo, base da pedagogia da toler\u00e2ncia, desaparecer\u00e1.<\/p>\n<p>A base dessa pedagogia \u00e9 justamente esse di\u00e1logo, essa intera\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o posso fazer um tratamento sem ouvir a pessoa. Por exemplo, posso chegar com uma an\u00e1lise hipersofisticada de que uma pessoa vai ter problema \u00f3sseo e ter\u00e1 que colocar uma pr\u00f3tese que vai lhe permitir caminhar adequadamente. S\u00f3 que aquilo envolve riscos, envolve uma cirurgia. Mas qual a idade dessa pessoa? Isso precisa ser considerado, pois essa n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o t\u00e9cnica, \u00e9 uma decis\u00e3o na intera\u00e7\u00e3o com o paciente. Eu mesmo j\u00e1 tive um problema no joelho e, na intera\u00e7\u00e3o com o m\u00e9dico, depois de ter feito resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, de ter usado toda a tecnologia, ele me perguntou: \u201cvoc\u00ea \u00e9 um atleta? Voc\u00ea quer correr? Voc\u00ea s\u00f3 caminha? Vamos aguardar um pouco, porque talvez voc\u00ea n\u00e3o precise de cirurgia\u201d. E at\u00e9 hoje meu joelho est\u00e1 \u00f3timo. Isto nenhuma m\u00e1quina vai dizer.<\/p>\n<p><strong>Ampliando desigualdades e substituindo o humano<\/strong><\/p>\n<p>Na quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, \u00e9 muito grande o risco de se criar uma enorme dist\u00e2ncia de conhecimentos entre aquela pequena elite que sabe e os que n\u00e3o sabem. Os pr\u00f3prios m\u00e9dicos v\u00e3o ser fantoches de quem faz os algoritmos. Se n\u00e3o tomarmos cuidado, ca\u00edmos no fetiche de que a tecnologia vai substituir o ser humano. A quest\u00e3o das humanidades, da organiza\u00e7\u00e3o da vida em coletividade, de entender a sociedade, como a Sociologia, Antropologia e outras disciplinas fazem, \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Economia, que \u00e9 tratada de modo t\u00e3o cruel, precisa ser vista como uma ci\u00eancia moral. O primeiro livro de economia pol\u00edtica foi de Adam Smith , um liberal, chamado Teoria dos Sentimentos Morais. Ou seja, \u00e9 moral deixar algu\u00e9m morrer de fome na sociedade da quarta revolu\u00e7\u00e3o? \u00c9 moral criar uma iniquidade de conhecimentos, em que h\u00e1 uma grande massa de pessoas ignorantes e conhecimento concentrado em poucos pa\u00edses, em poucas pessoas, em poucas empresas? Isso \u00e9 imoral.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais s\u00e3o os riscos de que esse desenvolvimento tecnol\u00f3gico se converta numa pot\u00eancia exclusivamente a servi\u00e7o do capitalismo? Afinal, o senhor mesmo tem estudos que revelam que a pr\u00f3pria ind\u00fastria farmac\u00eautica se usa de uma grande tecnologia, mas que pode aumentar as desigualdades e permitir o acesso a novos produtos somente para uma parcela da popula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Gadelha \u2013<\/strong>\u00a0N\u00f3s lutamos contra dois moinhos no campo da ci\u00eancia, da tecnologia e da inova\u00e7\u00e3o, e existe uma dial\u00e9tica no tratamento destes dois grandes desafios. O primeiro desafio \u00e9 que hoje h\u00e1 um movimento no Brasil, e at\u00e9 mesmo global, de nega\u00e7\u00e3o do valor da ci\u00eancia. Temos que radicalizar a perspectiva de que somente a ci\u00eancia pode transformar dados em informa\u00e7\u00e3o e conhecimento. H\u00e1 o risco de termos uma imensa massa de pa\u00edses que fornecem dados, mas poucos pa\u00edses, poucas institui\u00e7\u00f5es que conseguem transformar esses dados em informa\u00e7\u00e3o. A mat\u00e9ria-prima do futuro n\u00e3o \u00e9 apenas o min\u00e9rio e a soja, tamb\u00e9m \u00e9 o dado. A informa\u00e7\u00e3o e o conhecimento s\u00e3o a fonte da riqueza e o poder do futuro, por isso temos que radicalizar o apoio \u00e0 ci\u00eancia. \u00c9 a ci\u00eancia se contrapondo \u00e0s fake news, a ci\u00eancia se contrapondo ao lixo informacional.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia b\u00e1sica tem um valor imenso. N\u00e3o tenho uma vis\u00e3o utilitarista de que a ci\u00eancia tem que gerar valor com seus processos, mas, ao mesmo tempo, o cientista, como ser humano, tem que sair da torre de marfim e ajudar a qualificar o conhecimento da sociedade. Ele pode fazer a ci\u00eancia mais b\u00e1sica, entender o mecanismo fisiol\u00f3gico de determinada esp\u00e9cie, mas tem que dialogar, popularizar e ter a capacidade de tornar as pessoas mais esclarecidas no di\u00e1logo, e n\u00e3o apenas na l\u00f3gica de que ele ensina e o outro aprende.<\/p>\n<p>Hoje mais do que nunca, porque h\u00e1 um ataque \u00e0 ci\u00eancia, precisamos defender a ci\u00eancia para evitar que haja uma redu\u00e7\u00e3o de 70 ou 80% dos recursos de financiamento. \u00c9 inaceit\u00e1vel corrermos o risco de quebrar os sistemas cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico montados a tanto custo no Brasil. \u00c9 inaceit\u00e1vel uma vis\u00e3o antivacina. \u00c9 inaceit\u00e1vel uma vis\u00e3o em que se coloque a pr\u00f3pria perspectiva evolucionista, biol\u00f3gica em xeque n\u00e3o com argumentos cient\u00edficos, mas com ideologias. Nessa sociedade da quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, aumenta a import\u00e2ncia social do cientista de todas as \u00e1reas: biom\u00e9dica, exatas, humanas; o cientista tem a miss\u00e3o social de aumentar o esclarecimento da sociedade. Isso tem a ver com democracia. E democracia n\u00e3o \u00e9 colocar o voto na urna, e sim o fato de as pessoas terem conhecimento suficiente para saberem em que projeto est\u00e3o votando. Se uma sociedade est\u00e1 exclu\u00edda do conhecimento, h\u00e1 um empobrecimento da democracia.<\/p>\n<p>Assim, compreendo que o primeiro grande desafio \u00e9 valorizarmos a ci\u00eancia e o conhecimento cient\u00edfico. Esse \u00e9 um fator decisivo para uma sociedade ter informa\u00e7\u00e3o e conhecimento qualificado de forma acess\u00edvel, para que as pessoas possam tomar decis\u00f5es conscientes, e n\u00e3o decis\u00f5es por efeito manada por conta do lixo informacional que chega pelas redes sociais.<\/p>\n<p><strong>For\u00e7a a servi\u00e7o do capital<\/strong><\/p>\n<p>Existe uma tend\u00eancia global da pr\u00f3pria ci\u00eancia e tecnologia de se tornarem for\u00e7a produtiva do capital. Ou seja, \u00e9 a tend\u00eancia da mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida. Essa l\u00f3gica de tudo ser mercadoria invadiu a ci\u00eancia. E vamos a um exemplo: quem \u00e9 que define as revistas cient\u00edficas mais importantes? Hoje, h\u00e1 um mercado de revistas cient\u00edficas muito concentrado tamb\u00e9m. Quem define o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia a partir de revistas cient\u00edficas? Existe um mercado competitivo, capitalista, inclusive nas publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, na organiza\u00e7\u00e3o dessas publica\u00e7\u00f5es. \u00c9 pensar tamb\u00e9m em quem define o financiamento da pesquisa.<\/p>\n<p>Sou entusiasta da inova\u00e7\u00e3o, porque a inova\u00e7\u00e3o est\u00e1 na raiz do desenvolvimento como transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 a vis\u00e3o de Celso Furtado , o desenvolvimento \u00e9 determinado pela transforma\u00e7\u00e3o associada \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. S\u00f3 que Celso Furtado enfatiza: desenvolvendo transforma\u00e7\u00e3o social para atender necessidade humana. Muita gente esquece dessa parte. A inova\u00e7\u00e3o pela inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o leva ao desenvolvimento; ela leva ao desenvolvimento se est\u00e1 associada, por exemplo, a um programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia. Esse programa hoje atende mais de 90% dos munic\u00edpios brasileiros, cerca de 60% da popula\u00e7\u00e3o, e \u00e9 a maior inova\u00e7\u00e3o institucional e t\u00e9cnica da \u00e1rea da sa\u00fade no per\u00edodo recente.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica mercantil invade todas as esferas da vida, e na sa\u00fade hoje, at\u00e9 a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e a \u00e1rea de vacinas s\u00e3o contaminadas. S\u00f3 a \u00e1rea de vacinas, por exemplo, \u00e9 dominada por quatro empresas. H\u00e1 um perfil de pesquisa na \u00e1rea de vacinas em que est\u00e3o sendo priorizadas as pesquisas de doen\u00e7as com preval\u00eancia em pa\u00edses ricos. Se perguntarmos qual bem da sa\u00fade \u00e9 mais p\u00fablico, com certeza vai se responder que \u00e9 a vacina. Vacina e sa\u00fade da fam\u00edlia, um \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o e outro um produto. Ent\u00e3o, produtos que na sua origem eram essencialmente p\u00fablicos, feitos por Pasteur , pelas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, hoje est\u00e3o dominados por quatro empresas farmac\u00eauticas. \u00c9 preciso colocar como situa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica da maior relev\u00e2ncia o fortalecimento da produ\u00e7\u00e3o de vacinas, que hoje \u00e9 liderada pela Fiocruz e pelo Butantan. Sen\u00e3o, o nosso pr\u00f3prio portf\u00f3lio de vacinas vai ficar na depend\u00eancia estrat\u00e9gica e competitiva de quatro empresas.<\/p>\n<p>Se analisarmos toda biotecnologia em sa\u00fade, 15 empresas det\u00eam 60% das patentes. E a biotecnologia \u00e9 fronteira para o tratamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas como c\u00e2ncer, artrites, entre outras. Ent\u00e3o se a estrat\u00e9gia competitiva dessas empresas \u00e9 atender outros mercados e ter pre\u00e7os inacess\u00edveis, n\u00e3o se tem op\u00e7\u00e3o. Precisamos desconcentrar o poder de monop\u00f3lio. Isso \u00e9 uma vis\u00e3o liberal de economia desenvolvimentista. Afinal, competi\u00e7\u00e3o faz bem \u00e0 sa\u00fade. Ter mais pa\u00edses fazendo produtos, ter mais empresas fazendo produtos e ter menos monop\u00f3lio \u00e9 a sa\u00edda. O monop\u00f3lio faz mal \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>Voc\u00ea tem toda raz\u00e3o quando diz que hoje o padr\u00e3o cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico \u00e9 um padr\u00e3o pautado pelo valor de troca, ou seja, pela l\u00f3gica mercantil. Isso parece ser somente uma frase de efeito, mas n\u00e3o \u00e9. Posso, por exemplo, ter um padr\u00e3o tecnol\u00f3gico que tenha produtos muito caros e que est\u00e3o quebrando os sistemas de sa\u00fade de todo mundo. Veja que hoje mesmo a Su\u00e9cia est\u00e1 com problemas em sa\u00fade, a Inglaterra est\u00e1 com problemas tamb\u00e9m, os Estados Unidos n\u00e3o d\u00e3o assist\u00eancia a sua popula\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 um problema brasileiro, \u00e9 um problema global que gera um padr\u00e3o tecnol\u00f3gico em que se perde a dimens\u00e3o humana e a dimens\u00e3o de que eticamente \u00e9 preciso garantir o acesso universal. \u00c9 inaceit\u00e1vel que se uma pessoa que tem uma doen\u00e7a rara for rica, ela vive e, se for pobre, ela morre. Ent\u00e3o, temos que ter um padr\u00e3o tecnol\u00f3gico que busque produtos com pre\u00e7os acess\u00edveis, que busque formas de tratamento que priorizem a preven\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Sen\u00e3o, a besta fica solta e a sa\u00fade vira um mercado, como aquele avi\u00e3o que est\u00e1 estratificado em categorias de classe; se estratifica a popula\u00e7\u00e3o em categorias em que um vai viver 100 anos, outro vai viver 80 e o que estiver mais embaixo vai viver 40 anos.<\/p>\n<p><strong>O cientista, um vision\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>E a\u00ed eu confio no cientista. Normalmente, o cientista \u00e9 um vision\u00e1rio, a sua op\u00e7\u00e3o de vida \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o dos fatos, \u00e9 o conhecimento, n\u00e3o est\u00e1 pautado pelo interesse econ\u00f4mico. Isso est\u00e1 na origem do cientista. O problema \u00e9 que na sua forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 uma vis\u00e3o acr\u00edtica da sociedade, em que se acabam deturpando os valores. Muitas vezes, um jovem cientista, quando entra na academia, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo quando termina seu doutorado, a sua cabe\u00e7a j\u00e1 virou, porque a norma de valores, as revistas que aceitam publica\u00e7\u00f5es, tudo isso empurra aquele jovem vision\u00e1rio a se tornar um mercador.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que as universidades pensem em como colocar contrapesos nesses valores. Por exemplo, fazer uma cr\u00edtica pesada na avalia\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Mas precisa ser avaliada pelo m\u00e9rito e pela relev\u00e2ncia social, avaliar as revistas que nos avaliam. Eu, como cientista, falo isso: as revistas que nos avaliam precisam ser avaliadas. Quantos artigos que s\u00e3o publicados e t\u00eam financiamento e interesses? Quantos artigos e dados, que s\u00e3o negativos para os neg\u00f3cios, s\u00e3o omitidos? Parece que h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o nisso, mas \u00e9 isso mesmo. A vida \u00e9 dial\u00e9tica, e n\u00e3o linear. De um lado temos a defesa pela radicalidade do conhecimento para enfrentarmos o lixo informacional \u2013 e isso na sa\u00fade \u00e9 decisivo, a decis\u00e3o bem formada, a decis\u00e3o qualificada das pessoas, de quem cuida e de quem \u00e9 cuidado \u2013 e de outro lado discutir criticamente e estabelecer mecanismos de incentivo e de est\u00edmulo para que a ci\u00eancia n\u00e3o perca sua natureza de bem p\u00fablico, que n\u00e3o seja apenas um bem privado.<\/p>\n<p>Assim, chegamos ao segundo desafio que proponho. O campo da sa\u00fade \u00e9 todo um campo humano e essa humanidade da sa\u00fade est\u00e1 em risco de ser perdida se n\u00e3o tivermos uma vis\u00e3o cr\u00edtica e uma a\u00e7\u00e3o social frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quanto da realidade de sa\u00fade p\u00fablica e coletiva do Brasil est\u00e1 para a Revolu\u00e7\u00e3o 4.0? Todos esses avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos est\u00e3o mais pr\u00f3ximos ou distantes da pr\u00e1tica cotidiana no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carlos Gadelha \u2013<\/strong>\u00a0A sa\u00fade lidera a quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, junto com poucas \u00e1reas, como a defesa, mas n\u00e3o com a mesma centralidade. Se falar em cidade inteligente, por exemplo, vai envolver a qualidade de vida e sa\u00fade. Se falar em intelig\u00eancia artificial, a \u00e1rea l\u00edder \u00e9 a sa\u00fade. Se pensar em uso de big data, uma das \u00e1reas mais impactadas \u00e9 a da sa\u00fade. Se falar em internet das coisas e em nanotecnologia, a sa\u00fade est\u00e1 presente. Se falar em gen\u00f4mica, \u00e9 uma \u00e1rea tamb\u00e9m liderada pela sa\u00fade. De outro lado, precisamos entender que o SUS \u00e9 o maior sistema universal do mundo, n\u00e3o h\u00e1 nenhum sistema universal com 200 milh\u00f5es de pessoas, embora tenhamos problemas graves de financiamento e quest\u00f5es que precisam ser aperfei\u00e7oadas em termos de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Como a sa\u00fade lidera a quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e o Brasil tem um sistema universal mais abrangente do mundo, a sa\u00fade, por termos o SUS, pode representar a porta de entrada do Brasil na quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Como estou dizendo, essa revolu\u00e7\u00e3o tem um risco imenso de segmentar a sociedade e os pa\u00edses numa nova geopol\u00edtica do poder, em que os pa\u00edses s\u00e3o exclu\u00eddos do conhecimento. E a sa\u00fade pode ser uma porta de entrada para que o Brasil n\u00e3o seja exclu\u00eddo da quarta revolu\u00e7\u00e3o. Ele ficou para tr\u00e1s na terceira revolu\u00e7\u00e3o e est\u00e1 se abrindo uma janela de oportunidade e \u00e9 a\u00ed que precisamos ver como oportunidade o que costumamos ver como problema.<\/p>\n<p>A sa\u00fade mobiliza 9% do PIB, mobiliza o trabalho direto e indireto de 20 milh\u00f5es de pessoas. O Brasil est\u00e1 hoje com 32 milh\u00f5es de desempregados e desalentados, e s\u00f3 na \u00e1rea da sa\u00fade da fam\u00edlia h\u00e1 tr\u00eas milh\u00f5es de empregos. Ent\u00e3o, quando se cria o Programa de Sa\u00fade da Fam\u00edlia \u2013 at\u00e9 para tirar essa vis\u00e3o m\u00edope \u2013, est\u00e1 se mobilizando pessoas, dando cuidados ao idoso, gerando emprego e renda, e se pode estar usando big data, intelig\u00eancia artificial, telemedicina para fazer uma sa\u00fade qualificada. Esse programa foi criado no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2008 e adotou um conceito, desenvolvido no in\u00edcio dos anos 2000, do complexo econ\u00f4mico da sa\u00fade, o qual coloca que se tem um sistema produtivo potente e que \u00e9 preciso usar o poder de compra do Estado para nortear o padr\u00e3o tecnol\u00f3gico e desenvolver a produ\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>O Brasil entrou no mundo da moderna biotecnologia por causa dessas parcerias, em que se tem uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica de ci\u00eancia e tecnologia, como Fiocruz, Butantan &#8211; mas poderia ser a Unisinos -, uma institui\u00e7\u00e3o empresarial e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade comprando os produtos. Olha que interessante, com esse tipo de modelo se est\u00e1 gerando renda, emprego, dando est\u00edmulo para o setor produtivo, mas tamb\u00e9m pautando o tema da tecnologia pela demanda do SUS. Ent\u00e3o, estou aproximando a ci\u00eancia e tecnologia da demanda social. Isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sonho, n\u00e3o estamos falando em utopia no sentido pr\u00e9-iluminista, mas no sentido iluminista, de transforma\u00e7\u00e3o da realidade, e n\u00e3o como algo inating\u00edvel. Estamos falando de algo concreto, temos o SUS, temos compras p\u00fablicas, temos o sistema de ci\u00eancia e tecnologia, temos a base produtiva de servi\u00e7o industrial e precisamos colocar esse sistema para funcionar.<\/p>\n<p><strong>Otimismo<\/strong><\/p>\n<p>Estou dando uma vis\u00e3o otimista, t\u00e3o rara nesses temas. Mas temos que ter, pois a sa\u00fade pode representar a entrada do Brasil na quarta revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, pode representar a supera\u00e7\u00e3o do novo colonialismo do conhecimento e pode ajudar, inclusive, na democracia, jogando fora o lixo informacional e come\u00e7ando a ter pessoas, cidad\u00e3s e cidad\u00e3os, que s\u00e3o mais bem informados, qualificados e sabem qual \u00e9 o papel da ci\u00eancia. Hoje 35% da ci\u00eancia brasileira est\u00e1 na sa\u00fade. Olhe o impacto disso, estamos falando de 10% do PIB, 1\/3 da pesquisa nacional, da lideran\u00e7a de todas as tecnologias da quarta revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Espero discutir os dilemas da sociedade contempor\u00e2nea, mas tamb\u00e9m as estrat\u00e9gias de futuro. Se n\u00e3o temos estrat\u00e9gia de futuro, n\u00e3o temos presente, n\u00e3o fazemos nada do presente, ficamos paralisados. Faz parte de uma vida saud\u00e1vel termos projetos de futuro, retomarmos as energias ut\u00f3picas que est\u00e3o t\u00e3o abaladas no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/7701-os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211; Carlos Gadelha v\u00ea na Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos e cuidado das pessoas, mas alerta para o risco de aumento das desigualdades se o acesso for restrito \u201c\u00c9 moral deixar algu\u00e9m morrer de fome na sociedade da quarta revolu\u00e7\u00e3o? \u00c9 moral criar uma iniquidade de conhecimentos, em que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6755,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[68],"class_list":["post-11994","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-tecnologia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211; Carlos Gadelha v\u00ea na Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos e cuidado das pessoas, mas alerta para o risco de aumento das desigualdades se o acesso for restrito \u201c\u00c9 moral deixar algu\u00e9m morrer de fome na sociedade da quarta revolu\u00e7\u00e3o? \u00c9 moral criar uma iniquidade de conhecimentos, em que [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2019-11-14T15:05:51+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eleicoes-tecnologia.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"467\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"32 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano\",\"datePublished\":\"2019-11-14T15:05:51+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/\"},\"wordCount\":6450,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/eleicoes-tecnologia.jpg?fit=1024%2C467&ssl=1\",\"keywords\":[\"Tecnologia\"],\"articleSection\":[\"Sociedade\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/\",\"name\":\"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/eleicoes-tecnologia.jpg?fit=1024%2C467&ssl=1\",\"datePublished\":\"2019-11-14T15:05:51+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/eleicoes-tecnologia.jpg?fit=1024%2C467&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/eleicoes-tecnologia.jpg?fit=1024%2C467&ssl=1\",\"width\":1024,\"height\":467},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/11\\\/14\\\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano - Controversia","og_description":"Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211; Carlos Gadelha v\u00ea na Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos e cuidado das pessoas, mas alerta para o risco de aumento das desigualdades se o acesso for restrito \u201c\u00c9 moral deixar algu\u00e9m morrer de fome na sociedade da quarta revolu\u00e7\u00e3o? \u00c9 moral criar uma iniquidade de conhecimentos, em que [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2019-11-14T15:05:51+00:00","og_image":[{"width":1024,"height":467,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eleicoes-tecnologia.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"32 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano","datePublished":"2019-11-14T15:05:51+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/"},"wordCount":6450,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eleicoes-tecnologia.jpg?fit=1024%2C467&ssl=1","keywords":["Tecnologia"],"articleSection":["Sociedade"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/","name":"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eleicoes-tecnologia.jpg?fit=1024%2C467&ssl=1","datePublished":"2019-11-14T15:05:51+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eleicoes-tecnologia.jpg?fit=1024%2C467&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eleicoes-tecnologia.jpg?fit=1024%2C467&ssl=1","width":1024,"height":467},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/11\/14\/os-desafios-de-uma-tecnologia-que-sirva-ao-humano-e-nao-que-se-sirva-do-humano\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Os desafios de uma tecnologia que sirva ao humano e n\u00e3o que se sirva do humano"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/eleicoes-tecnologia.jpg?fit=1024%2C467&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11994","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11994"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11994\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11996,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11994\/revisions\/11996"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}