{"id":11910,"date":"2019-11-05T13:09:29","date_gmt":"2019-11-05T16:09:29","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=11910"},"modified":"2019-11-03T13:11:44","modified_gmt":"2019-11-03T16:11:44","slug":"coringa-e-o-grau-zero-da-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/11\/05\/coringa-e-o-grau-zero-da-revolucao\/","title":{"rendered":"\u201cCoringa\u201d e o grau zero da revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<header class=\"post-header\">\n<p class=\"subheading\"><strong>Slavoj \u017di\u017eek<\/strong> &#8211; A eleg\u00e2ncia do filme novo do Coringa \u00e9 como a passagem crucial do impulso autodestrutivo a um \u201cnovo desejo\u201d por um projeto pol\u00edtico emancipat\u00f3rio se encontra ausente da trama. Assim, n\u00f3s, os espectadores, somos convocados a preencher essa lacuna.<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"entry clearfix\">\n<p>Os cr\u00edticos n\u00e3o souberam muito bem como categorizar o novo filme do Coringa: seria ele uma mera pe\u00e7a de entretenimento (como toda a s\u00e9rie de filmes do Batman), um estudo aprofundado da g\u00eanese da viol\u00eancia patol\u00f3gica, ou um ensaio de cr\u00edtica social? Partindo de uma perspectiva mais radical de esquerda, o cineasta\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mmflint\/posts\/10156278766436857\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Michael Moore leu\u00a0<em>Coringa<\/em><\/a>\u00a0como uma \u201cpe\u00e7a muito oportuna de cr\u00edtica social e uma ilustra\u00e7\u00e3o perfeita das consequ\u00eancias dos atuais males sociais da Am\u00e9rica\u201d: afinal, ao investigar a transforma\u00e7\u00e3o de Arthur Fleck em Coringa, o filme traz \u00e0 tona o papel dos banqueiros, o colapso da sa\u00fade p\u00fablica e o abismo entre os ricos e os pobres. Contudo, para Moore,\u00a0<em>Coringa<\/em>\u00a0n\u00e3o apenas retrata essa Am\u00e9rica, como tamb\u00e9m levanta uma \u201cquest\u00e3o desconcertante\u201d:\u00a0<em>e se um dia os despossu\u00eddos decidirem revidar?<\/em><\/p>\n<p>Antes mesmo do filme ter sido lan\u00e7ado, a m\u00eddia j\u00e1 alertava o p\u00fablico de que ele poderia incitar a viol\u00eancia. O pr\u00f3prio FBI especificamente advertiu que\u00a0<em>Coringa<\/em>\u00a0poderia inspirar atentados por parte de\u00a0<em>clowncels<\/em>, um subgrupo de\u00a0<em>Incels<\/em>\u00a0obcecados por palha\u00e7os como o Pennywise, de\u00a0<em>It<\/em>, e o pr\u00f3prio personagem do Coringa, da DC Comics. At\u00e9 agora, contudo, n\u00e3o houve nenhum relatos de viol\u00eancia inspirada pelo filme. Ainda para Moore, mais do que sentir-se incitado \u00e0 viol\u00eancia, ao final da sess\u00e3o, voc\u00ea, o espectador \u201cagradecer\u00e1 esse filme por t\u00ea-lo conectado a um novo desejo \u2013 n\u00e3o o de fugir \u00e0 sa\u00edda mais pr\u00f3xima para salvar a pr\u00f3pria pele, mas, ao contr\u00e1rio, o de se erguer e lutar, e focar sua aten\u00e7\u00e3o no poder de n\u00e3o-viol\u00eancia que voc\u00ea carrega em suas m\u00e3os todos os dias.\u201d<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que o filme realmente funciona assim? O \u201cnovo desejo\u201d que Moore menciona decerto n\u00e3o \u00e9 o desejo do pr\u00f3prio Coringa \u2013 ao final do filme, o protagonista se encontra inepto, e suas irrup\u00e7\u00f5es violentas n\u00e3o passam de explos\u00f5es impotentes de raiva, exterioriza\u00e7\u00f5es de sua impot\u00eancia b\u00e1sica. \u00c9 preciso ainda uma mudan\u00e7a adicional de postura subjetiva para que se passe das explos\u00f5es do Coringa e se torne capaz de \u201cse erguer e lutar e focar sua aten\u00e7\u00e3o no poder de n\u00e3o viol\u00eancia que voc\u00ea carrega em suas m\u00e3os todos os dias\u201d. Quando voc\u00ea se torna consciente desse poder, pode renunciar \u00e0 viol\u00eancia corporal brutal. E o paradoxo \u00e9 que voc\u00ea se torna verdadeiramente violento (no sentido de apresentar uma amea\u00e7a ao sistema existente) somente quando renuncia a viol\u00eancia f\u00edsica. Isso n\u00e3o significa que o ato do Coringa constitui um beco sem sa\u00edda a ser evitado \u2013 a li\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Coringa<\/em>\u00a0\u00e9 que n\u00f3s precisamos atravessar esse grau zero a fim de nos despirmos das ilus\u00f5es que inerentes \u00e0 ordem existente.<\/p>\n<p>Entre outras coisas, nossa imers\u00e3o no mundo sombrio de\u00a0<em>Coringa<\/em>\u00a0nos cura das ilus\u00f5es e simplifica\u00e7\u00f5es do politicamente correto. Nesse universo, n\u00e3o se pode levar a s\u00e9rio a ideia de que o consenso m\u00fatuo a uma rela\u00e7\u00e3o sexual a torna\u00a0<em>verdadeiramente<\/em>\u00a0consensual. O \u201cdiscurso do consenso\u201d \u00e9 em si uma enorme farsa. Trata-se de uma tentativa ing\u00eanua de aplicar uma linguagem arrumadinha, intelig\u00edvel e igualit\u00e1ria de justi\u00e7a social \u00e0 esfera sombria, desconfortante, implacavelmente cruel e traum\u00e1tica da\u00a0<em>sexualidade<\/em>. As pessoas n\u00e3o sabem o que querem, s\u00e3o perturbadas por aquilo que desejam e desejam coisas que elas odeiam: odeiam seus pais mas querem fod\u00ea-los, odeiam suas m\u00e3es mas querem fod\u00ea-las, e assim por diante. Pode-se facilmente imaginar o Coringa reagindo com uma risada exc\u00eantrica \u00e0 alega\u00e7\u00e3o de que \u201cfoi consensual, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 problemas\u201d \u2013 foi assim que sua m\u00e3e arruinou sua vida\u2026<\/p>\n<p>Esse grau zero constitui a vers\u00e3o contempor\u00e2nea daquela que certa vez foi denominada a posi\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria, a experi\u00eancia daqueles que n\u00e3o t\u00eam nada a perder. Para citar nosso protagonista: \u201cEu n\u00e3o tenho mais nada a perder. Nada mais pode me ferir. Minha vida n\u00e3o passa de uma com\u00e9dia.\u201d \u00c9 aqui que a ideia de que Trump seria uma esp\u00e9cie de Coringa no poder ao encontra seu limite evidente. Trump definitivamente n\u00e3o atravessou esse grau zero. Ele pode at\u00e9 ser um palha\u00e7o obsceno \u00e0 sua maneira, mas certamente n\u00e3o \u00e9 uma figura como o Coringa \u2013 chega a ser um insulto ao Coringa compar\u00e1-lo a Trump.<\/p>\n<p>O modo de agir de Trump \u00e9 certamente obsceno, mas ele meramente traz \u00e0 tona a obscenidade que constitui o obverso da pr\u00f3pria lei. N\u00e3o h\u00e1 absolutamente nada de suicida dele se gabar sobre como n\u00e3o respeita as regras do jogo: isso simplesmente refor\u00e7a a narrativa dele como o presidente valent\u00e3o que, em sua miss\u00e3o de alavancar os EUA no exterior, \u00e9 constantemente importunado por elites corruptas; faz parte da l\u00f3gica de legitima\u00e7\u00e3o segundo a qual suas transgress\u00f5es seriam necess\u00e1rias porque somente um sujeito disposto a quebrar as regras \u00e9 capaz de esmagar o poder do p\u00e2ntano de Washington. Ler essa estrat\u00e9gia bem-planejada e bastante racional em termos de uma puls\u00e3o de morte \u00e9 mais um exemplo de como de fato s\u00e3o os pr\u00f3prios liberais de esquerda que se encontram numa miss\u00e3o suicida, ao alimentarem a narrativa de que eles estariam lan\u00e7ados numa enche\u00e7\u00e3o de saco burocr\u00e1tico-jur\u00eddica enquanto o presidente estaria fazendo um bom trabalho para o pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg\" rel=\"prettyPhoto\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-22616\" src=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg?w=620&#038;h=350&#038;fit=620%2C350&#038;resize=620%2C350\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg?w=620&amp;h=350 620w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg?w=150&amp;h=85 150w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg?w=300&amp;h=169 300w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg?w=768&amp;h=433 768w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg?w=1024&amp;h=578 1024w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg 1200w\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"350\" data-attachment-id=\"22616\" data-permalink=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2019\/11\/03\/zizek-coringa-e-o-grau-zero-da-revolucao\/coringa-zizek-mascara\/\" data-orig-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg\" data-orig-size=\"1200,677\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"coringa zizek mascara\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa-zizek-mascara.jpg?w=620\" \/><\/a><\/p>\n<p>No filme\u00a0<em>Batman: o cavaleiro das trevas<\/em>\u00a0(2008), de Christopher Nolan, o Coringa \u00e9 a \u00fanica figura da verdade. Ele deixa claro a finalidade de seus ataques terroristas a Gotham City: eles cessar\u00e3o assim que o Batman tirar sua m\u00e1scara e revelar sua verdadeira identidade. Mas ent\u00e3o quem \u00e9 esse Coringa que quer revelar a verdade por baixo da m\u00e1scara, convencido de que essa revela\u00e7\u00e3o provocar\u00e1 a destrui\u00e7\u00e3o da ordem social? Ele n\u00e3o \u00e9 um homem sem m\u00e1scara, pelo contr\u00e1rio: trata-se de um sujeito plenamente identificado com sua m\u00e1scara,\u00a0<em>um homem que \u00e9 sua m\u00e1scara<\/em>\u00a0\u2013 n\u00e3o h\u00e1 nada atr\u00e1s da fachada, n\u00e3o h\u00e1 um \u201csujeito ordin\u00e1rio\u201d por baixo de sua m\u00e1scara. \u00c9 por isso que o Coringa n\u00e3o possui hist\u00f3ria pregressa e carece de motiva\u00e7\u00e3o precisa: pra cada um ele conta uma hist\u00f3ria diferente sobre a origem de suas cicatrizes, debochando da ideia de que precisaria haver algum trauma profundamente arraigado que justificaria suas motiva\u00e7\u00f5es. Pode parecer que o novo filme do Coringa visa precisamente fornecer uma esp\u00e9cie de g\u00eanese social do personagem, retratando os eventos traum\u00e1ticos que o tornaram a figura que ele \u00e9. O problema \u00e9 que milhares de jovens garotos que cresceram em fam\u00edlias arruinadas e foram v\u00edtimas de\u00a0<em>bullying<\/em>\u00a0sofreram o mesmo destino, mas apenas um deles \u201csintetizou\u201d essas circunst\u00e2ncias na forma da figura singular do Coringa. Em um dos primeiros romances sobre Hannibal Lecter, a alega\u00e7\u00e3o de que a monstruosidade de Hannibal seria o resultado de circunst\u00e2ncias infelizes \u00e9 prontamente rejeitada: \u201cNada aconteceu\u00a0<em>com<\/em>\u00a0ele.\u00a0<em>Ele\u00a0<\/em>aconteceu.\u201d<\/p>\n<p>O Coringa torna-se o Coringa no exato momento do filme em que ele diz: \u201cVoc\u00ea sabe o que realmente me faz rir? Eu costumava pensar que minha vida era uma trag\u00e9dia. Mas agora me dei conta de ela \u00e9 uma porra de uma com\u00e9dia.\u201d Por conta desse ato, o Coringa pode n\u00e3o ser moral, mas ele \u00e9 definitivamente \u00e9tico. \u00c9 importante notar o exato momento em que Arthur diz isso: quando, debru\u00e7ado sobre o lado do leito de sua m\u00e3e no hospital, ele pega seu travesseiro e o usa para sufoca-la at\u00e9 a morte. O que, ent\u00e3o, essa sua m\u00e3e representa? \u201cEla sempre me diz para sorrir e apresentar um rosto feliz. Ela fala que eu fui colocado aqui para espalhar alegria e risadas.\u201d Ora, n\u00e3o \u00e9 essa a representa\u00e7\u00e3o mais pura do que \u00e9 o superego materno? N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ela o chama de Feliz, e n\u00e3o de Arthur.<\/p>\n<p>Ao transformar-se no Coringa, Arthur se livra das garras de sua m\u00e3e (matando-a) ao mesmo tempo em que se identifica plenamente com o seu comando de rir. Sua propens\u00e3o a irrup\u00e7\u00f5es compulsivas e incontrol\u00e1veis de riso \u00e9 paradoxal: ela \u00e9 muito literalmente uma manifesta\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>extimidade<\/em>\u00a0(para usar o neologismo de Lacan que funde as palavras intimidade e exterioridade). Arthur insiste que ela forma o n\u00facleo mesmo de sua subjetividade: \u201cLembra que voc\u00ea costumava me dizer que minha risada era uma condi\u00e7\u00e3o, de que havia algo de errado comigo? N\u00e3o \u00e9. Esse \u00e9 o meu verdadeiro eu.\u201d Mas, precisamente como tal, ela \u00e9 externa a ele e \u00e0 sua personalidade, passando a ser experimentada como um objeto parcial autonomizado que ele n\u00e3o consegue controlar e com o qual ele acaba se identificando plenamente. O paradoxo aqui \u00e9 que na configura\u00e7\u00e3o ed\u00edpica tradicional \u00e9 o nome-do-pai que permite que um indiv\u00edduo escape das garras do desejo materno; com o Coringa, a fun\u00e7\u00e3o paterna est\u00e1 completamente fora do horizonte, de forma que o sujeito s\u00f3 pode superar a m\u00e3e atrav\u00e9s de uma sobre-identifica\u00e7\u00e3o com seu comando supereg\u00f3ico.<\/p>\n<p>No final do filme, vemos o Coringa como um novo l\u00edder tribal, mas desprovido de qualquer programa pol\u00edtico, uma pura explos\u00e3o de negatividade. Em seu di\u00e1logo com o apresentador de televis\u00e3o Murray Franklin, Arthur insiste duas vezes que sua performance n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica. Referindo-se a sua maquiagem de palha\u00e7o, Murray o pergunta no camarim: \u201cQual \u00e9 a desse rosto? Quer dizer, voc\u00ea \u00e9 parte dos protestos?\u201d A resposta de Arthur: \u201cN\u00e3o, eu n\u00e3o acredito em nada daquilo. Eu n\u00e3o acredito em nada. S\u00f3 pensei que seria bom para o minha performance.\u201d E, de novo, na frente das c\u00e2meras: \u201cEu n\u00e3o sou pol\u00edtico. S\u00f3 estou tentando fazer com que as pessoas riam.\u201d N\u00e3o h\u00e1 esquerda militante no universo do filme, trata-se apenas de um mundo achatado de viol\u00eancia globalizada e corrup\u00e7\u00e3o. Os eventos de caridade s\u00e3o retratados pelo que s\u00e3o: se a Madre Teresa estivesse l\u00e1 ela certamente participaria no evento beneficente organizado por Thomas Wayne, um passatempo humanit\u00e1rio dos ricos privilegiados. Contudo, \u00e9 dif\u00edcil imaginar uma cr\u00edtica mais est\u00fapida de\u00a0<em>Coringa<\/em>\u00a0do que a queixa de que ele n\u00e3o retrata uma alternativa positiva \u00e0 revolta do Coringa. S\u00f3 imagine um filme feito nessa linha: uma hist\u00f3ria edificante sobre como os pobres, desempregados, desprovidos de qualquer rede de apoio de sa\u00fade p\u00fablica, v\u00edtimas de gangues de rua e brutalidade policial etc., organizam greves e protestos n\u00e3o-violentos a fim de mobilizar a opini\u00e3o p\u00fablica \u2013 uma nova vers\u00e3o, n\u00e3o-racial, de Martin Luther King Jr\u2026 Seria um filme extremamente enfadonho, desprovido dos excessos alucinados do Coringa que tornam o filme t\u00e3o atraente para o p\u00fablico.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg\" rel=\"prettyPhoto\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-22588\" src=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg?w=620&#038;h=467&#038;fit=620%2C467&#038;resize=620%2C467\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg?w=620&amp;h=467 620w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg?w=150&amp;h=113 150w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg?w=300&amp;h=226 300w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg?w=768&amp;h=579 768w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg 1000w\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"467\" data-attachment-id=\"22588\" data-permalink=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2019\/11\/03\/zizek-coringa-e-o-grau-zero-da-revolucao\/coringa_zizek\/\" data-orig-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg\" data-orig-size=\"1000,754\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"coringa_zizek\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/11\/coringa_zizek.jpg?w=620\" \/><\/a><\/p>\n<p>Aqui chegamos ao xis da quest\u00e3o. Como parece evidente a um esquerdista que tais greves e protestos n\u00e3o-violentos constituem a \u00fanica maneira de proceder (isto \u00e9, exercer uma press\u00e3o eficiente sobre aqueles que est\u00e3o no poder), ser\u00e1 que estamos diante de uma simples lacuna entre l\u00f3gica pol\u00edtica e efici\u00eancia narrativa? Isto \u00e9, numa formula\u00e7\u00e3o mais grosseira: ser\u00e1 que apesar de\u00a0<em>politicamente<\/em>\u00a0constituirem um impasse,\u00a0<em>narrativamente\u00a0<\/em>as irrup\u00e7\u00f5es brutais como as do Coringa d\u00e3o uma hist\u00f3ria interessante?\u00a0Ou ser\u00e1 que n\u00e3o haveria tamb\u00e9m uma necessidade pol\u00edtica imanente na postura autodestrutiva encarnada pelo Coringa? Minha hip\u00f3tese \u00e9 de que \u00e9 preciso atravessar o grau zero autodestrutivo representado pelo Coringa \u2013 n\u00e3o literalmente, mas \u00e9 preciso que ela seja experimentada ao menos como uma amea\u00e7a, uma possibilidade. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel romper com as coordenadas do sistema existente e vislumbrar algo realmente novo.<\/p>\n<p>Em sua interpreta\u00e7\u00e3o da derrocada do Comunismo no Leste Europeu, Habermas se provou ser o fukuyamaista de esquerda por excel\u00eancia, silenciosamente aceitando que o horizonte liberal-democr\u00e1tico existente seria o melhor poss\u00edvel, e que, embora devamos buscar torn\u00e1-lo mais justo etc., n\u00e3o devemos desafiar suas premissas b\u00e1sicas. \u00c9 por isso que ele acatou justamente aquilo que muitos esquerdistas viam como a grande falha dos protestos anticomunistas no Leste Europeu: o fato de que eles n\u00e3o eram motivados por quaisquer novas vis\u00f5es de futuro p\u00f3s-comunista. Para Habermas, as revolu\u00e7\u00f5es no centro e leste europeus n\u00e3o passavam daquilo que ele denominava revolu\u00e7\u00f5es \u201cretificadoras\u201d ou \u201crecuperadoras\u201d: o objetivo delas era fazer com que as sociedades do centro e leste europeus atingissem aquilo que as do oeste europeu j\u00e1 possu\u00edam, isto \u00e9, reintegrar a normalidade da Europa Ocidental. No entanto, a onda de protestos em curso em diferentes partes do mundo tende a questionar esse pr\u00f3prio quadro \u2013 e \u00e9 por isso que figuras tipo \u201ccoringa\u201d as acompanham. Quando um movimento questiona os elementos fundamentais da ordem existente, seus fundamentos normativos b\u00e1sicos, \u00e9 quase imposs\u00edvel que se tenha apenas protestos pac\u00edficos desprovidos de excessos violentos.<\/p>\n<p>A eleg\u00e2ncia de\u00a0<em>Coringa<\/em>\u00a0reside em como a passagem crucial do impulso autodestrutivo a um \u201cnovo desejo\u201d por um projeto pol\u00edtico emancipat\u00f3rio se encontra ausente da trama. 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