{"id":11887,"date":"2019-11-02T12:58:30","date_gmt":"2019-11-02T15:58:30","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=11887"},"modified":"2019-11-03T12:28:57","modified_gmt":"2019-11-03T15:28:57","slug":"bens-e-servicos-publicos-sao-os-novos-ativos-financeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/11\/02\/bens-e-servicos-publicos-sao-os-novos-ativos-financeiros\/","title":{"rendered":"Bens e servi\u00e7os p\u00fablicos s\u00e3o os novos ativos financeiros"},"content":{"rendered":"<p><strong>Patricia Fachin <\/strong>&#8211; Entrevista especial com Denise Gentil.<\/p>\n<p>O\u00a0processo de financeiriza\u00e7\u00e3o da economia brasileira, iniciado nos anos 2000, ficou ainda mais intenso a partir de 2014, com o aumento da\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e previd\u00eancia, diz\u00a0Denise Gentil\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line. Segundo ela, a contra\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os sociais por parte do Estado abriu \u201cuma s\u00e9rie de possibilidades para a oferta privada nas \u00e1reas de habita\u00e7\u00e3o, previd\u00eancia, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o\u201d e quem passou a tomar conta das \u00e1reas que o Estado \u201cdeliberadamente\u201d abandonou foram os fundos de previd\u00eancia e os fundos de investimentos, principalmente\u00a0Fundos de Investimento em Participa\u00e7\u00e3o &#8211; FIP. Esses fundos, predominantemente estrangeiros, \u201cingressam no\u00a0Brasil, compram participa\u00e7\u00f5es em empresas brasileiras dos setores de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, injetam recursos e depois abrem o capital na bolsa de valores para quem quiser \u2018investir\u2019\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida pessoalmente \u00e0\u00a0IHU On-Line, quando esteve no\u00a0Instituto Humanitas Unisinos \u2013 IHU\u00a0participando do \u201cCiclo de Debates. Reforma da Previd\u00eancia. Qual a reforma necess\u00e1ria?\u201d,\u00a0Denise\u00a0explica como funciona o\u00a0processo de financeiriza\u00e7\u00e3o. Ele inicia, diz, quando \u201co governo faz uma pol\u00edtica importante de\u00a0transfer\u00eancia de renda para combater a pobreza, mas essa transfer\u00eancia de renda, que se transformou no eixo central da\u00a0pol\u00edtica social\u00a0(e n\u00e3o a oferta de servi\u00e7os sociais universais), acaba por servir de colateral para a tomada de cr\u00e9dito, porque, de um lado, h\u00e1 uma insufici\u00eancia da oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos e, de outro, h\u00e1 a baixa renda de sal\u00e1rios que caracteriza a economia brasileira\u201d.<\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Reforma da Previd\u00eancia e o Brasil dos anos 2000. A financeiriza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica social\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KxQ3XlFjdZc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>A\u00a0educa\u00e7\u00e3o superior privada\u00a0\u00e9 um exemplo do\u00a0sucesso da financeiriza\u00e7\u00e3o no Brasil. Embora programas como o\u00a0Prouni, o\u00a0Reuni\u00a0e o\u00a0Fies\u00a0tenham favorecido o crescimento do n\u00famero de jovens com diploma entre 2002 e 2014, eles tamb\u00e9m impulsionaram uma mudan\u00e7a no modo de opera\u00e7\u00e3o das\u00a0universidades privadas. \u201cAt\u00e9 2006, as faculdades e universidades eram entidades de pessoas f\u00edsicas ou institui\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos. Da\u00ed em diante, os grandes grupos do setor mudam de perfil e abrem seu capital na\u00a0Bovespa, o que ocorreu principalmente ao longo dos anos de 2008 e 2009.\u00a0Private equities\u00a0internacionais passam a comprar participa\u00e7\u00e3o nessas corpora\u00e7\u00f5es, e o\u00a0processo de financeiriza\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o\u00a0se alastra pelo empurr\u00e3o estrat\u00e9gico do\u00a0Fies\u201d, menciona.<\/p>\n<p>De acordo com a economista, \u201ca progress\u00e3o acelerada de alunos de gradua\u00e7\u00e3o financiados pelo\u00a0Fies\u00a0\u00e9 assombrosa. Se tomarmos quatro importantes\u00a0grupos privados de capital aberto\u00a0\u2014\u00a0Kroton,\u00a0Est\u00e1cio,\u00a0Anima,\u00a0Ser Educacional\u00a0\u2014 at\u00e9 2010, a participa\u00e7\u00e3o de benefici\u00e1rios do\u00a0Fies\u00a0era inferior a 11%. Em cinco anos, aumenta exponencialmente, superando, em todos os casos analisados, 40% em 2015. O\u00a0grupo Kroton\u00a0passou a contar com mais de 60% de seus alunos de gradua\u00e7\u00e3o financiados pelo\u00a0Fies\u00a0em 2014. Houve, ao mesmo tempo, uma ascens\u00e3o do pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es dessas mesmas empresas, a partir de 2010, valor que acompanha a oferta crescente de cr\u00e9dito pelo Fies. Entre 2009 e 2017, as\u00a0a\u00e7\u00f5es da Kroton\u00a0valorizaram 769% e as da\u00a0Est\u00e1cio\u00a0238%, enquanto o\u00a0Ibovespa\u00a0variou 28,4% no per\u00edodo\u201d.<\/p>\n<p>Denise\u00a0ressalta ainda que o\u00a0ensino universit\u00e1rio privado\u00a0\u201cfoi sendo financeirizado com o est\u00edmulo de recursos p\u00fablicos\u201d. E informa: \u201cEm 2014, a totalidade do gasto federal com educa\u00e7\u00e3o superior somou R$ 34 bilh\u00f5es, ao passo que outros R$ 14 bilh\u00f5es, ou o equivalente a 41,1%, foram repassados ao\u00a0Fies\u00a0como empr\u00e9stimos aos alunos, entrando diretamente nos cofres dos fundos, mas poderiam ter criado vagas para os estudantes nas\u00a0universidades p\u00fablicas, em vez de gerar endividamento para as fam\u00edlias dos estudantes. Em 2019, 60% ou tr\u00eas em cada cinco devedores do\u00a0Fies\u00a0est\u00e3o com parcelas atrasadas. O atraso no pagamento do Fies chega a R$ 13 bilh\u00f5es\u201d.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2019\/10\/30_10_denise_gentil_foto_cristina_guerini.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Denise Gentil durante entrevista no IHU<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/576783-de-olho-nas-urnas-parlamentares-param-rolo-compressor-do-mercado-e-freiam-reforma-da-previdencia-entrevista-especial-com-denise-gentil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Denise Lobato Gentil<\/a>\u00a0possui bacharelado em Economia pelo Centro de Estudos Superiores do Estado do Par\u00e1, mestrado em Planejamento do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Par\u00e1 &#8211; UFPA e doutorado em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro &#8211; UFRJ, onde atualmente \u00e9 professora. \u00c9 autora de diversos artigos acad\u00eamicos e organizadora do livro\u00a0<strong>Produto Potencial e Investimento<\/strong>\u00a0(Rio de Janeiro: Ipea, 2009).<\/p>\n<h3>Confira a entrevista.<\/h3>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 O t\u00edtulo da sua palestra \u00e9 \u201cReforma da Previd\u00eancia e o Brasil dos anos 2000. A financeiriza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica social\u201d. O que caracteriza o Brasil dos anos 2000, como tem se dado a financeiriza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas sociais desde esse per\u00edodo e que rela\u00e7\u00f5es existem entre financeiriza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas e reforma da previd\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0O tema da palestra \u00e9 fruto de tr\u00eas pesquisas que fiz nos \u00faltimos tempos sobre a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/546096-a-financeirizacao-da-politica-social-o-caso-brasileiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">financeiriza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica social<\/a>, sobre a qualidade do modelo atuarial adotado pelo governo e os impactos das\u00a0<strong>reformas da previd\u00eancia<\/strong>\u00a0propostas desde 2017. Essas pesquisas deram origem a duas notas t\u00e9cnicas e a dois artigos, que fazem uma avalia\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros que o governo utiliza para impor uma reforma t\u00e3o cruel para os brasileiros como a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/591395-viuvas-pobres-um-alvo-fragil-da-reforma-da-previdencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reforma da previd\u00eancia<\/a>. Houve em n\u00f3s, pesquisadores, uma curiosidade de saber se os n\u00fameros que o governo estava apresentando como base para justificar a implementa\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as na pol\u00edtica, tais como redu\u00e7\u00e3o do valor de benef\u00edcios, aumento do tempo de contribui\u00e7\u00e3o, idade mais elevada para a aposentadoria e o aumento das al\u00edquotas de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria etc., eram verdadeiros. Ent\u00e3o, fomos atr\u00e1s do\u00a0<strong>modelo atuarial do governo<\/strong>\u00a0e chegamos a conclus\u00f5es devastadoras.<\/p>\n<p>O resultado dessas pesquisas s\u00e3o as duas notas t\u00e9cnicas publicadas pela\u00a0<strong>Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil &#8211; Anfip<\/strong>, em 2017 e 2019. Esses trabalhos foram produzidos por equipes de engenheiros e economistas e tivemos que fazer uma esp\u00e9cie de engenharia reversa nos dados do governo para poder auditar o modelo atuarial e as proje\u00e7\u00f5es. Sobre a quest\u00e3o da\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas sociais<\/strong>, saiu um artigo, de autoria da professora\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/584990-a-garantia-do-estado-de-bem-estar-social-depende-de-elevar-fortemente-a-produtividade-do-trabalho-entrevista-especial-com-lena-lavinas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lena Lavinas<\/a>\u00a0e meu, na revista<strong>\u00a0Novos Estudos Cebrap<\/strong>, de 2018, intitulado \u201c<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/nec\/v37n2\/1980-5403-nec-37-02-191.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Brasil anos 2000: A pol\u00edtica social sob reg\u00eancia da financeiriza\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Nos anos 2000, aconteceu no Brasil algo que estava ocorrendo no mundo e na Am\u00e9rica Latina em geral, que \u00e9 um processo acelerado de financeiriza\u00e7\u00e3o da economia brasileira \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Quais os resultados apresentados por essas pesquisas e o que eles demonstram sobre como e quando iniciou o processo de financeiriza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/492\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">financeiriza\u00e7\u00e3o<\/a>, o que percebemos \u00e9 que, nos anos 2000, aconteceu no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0algo que estava ocorrendo no mundo e na\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>\u00a0em geral, que \u00e9 um processo acelerado de\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o da economia<\/strong>. Como enxergamos esse processo e como ele atinge as pol\u00edticas sociais? Em primeiro lugar, percebemos que na\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>\u00a0houve uma onda em que\u00a0<strong>governos de concilia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/strong>\u00a0foram sendo substitu\u00eddos paulatinamente por governos mais polarizados. No caso brasileiro, isso fica mais vis\u00edvel a partir de 2014. Mas ficou muito claro que a polariza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estava acontecendo na\u00a0<strong>Argentina<\/strong>,\u00a0<strong>Peru<\/strong>,\u00a0<strong>Col\u00f4mbia<\/strong>,\u00a0<strong>Equador<\/strong>,\u00a0<strong>Paraguai<\/strong>,\u00a0<strong>Chile<\/strong>\u00a0e que as pol\u00edticas adotadas nesses pa\u00edses implicavam perda de direitos previdenci\u00e1rios, flexibiliza\u00e7\u00e3o das regras trabalhistas de forma muito dram\u00e1tica, generaliza\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o, est\u00edmulo aos trabalhos tempor\u00e1rios, destitu\u00eddos de prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e trabalhista, e destrui\u00e7\u00e3o dos sindicatos. Al\u00e9m disso, percebemos tamb\u00e9m uma pol\u00edtica na dire\u00e7\u00e3o de cortes de gastos sociais ou de congelamento dos or\u00e7amentos p\u00fablicos. No caso brasileiro, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/581054-por-que-revogar-a-emenda-constitucional-95\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Emenda Constitucional do Teto de Gastos<\/a>\u00a0\u00e9 marcante: de 2014 para c\u00e1 j\u00e1 vinha acontecendo uma redu\u00e7\u00e3o dos gastos, mas o novo\u00a0<strong>regime fiscal do Teto de Gastos<\/strong>\u00a0implantado em 2017, que entrou em vigor para gastos sociais (em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade) em 2018, \u00e9 a vers\u00e3o mais radical do\u00a0<strong>neoliberalismo<\/strong>\u00a0aplicado \u00e0s finan\u00e7as p\u00fablicas, atingindo tamb\u00e9m, de forma dr\u00e1stica, o setor de infraestrutura.<\/p>\n<h3>Privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os<\/h3>\n<p>Outro tra\u00e7o que marca essa pol\u00edtica \u00e9 o fato de que ela empurra a popula\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de planos privados de sa\u00fade, de\u00a0<strong>fundos de capitaliza\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1rios<\/strong>\u00a0e para o\u00a0<strong>ensino privado<\/strong>. Isso acontece porque h\u00e1 uma perda deliberada da capacidade do Estado de ofertar bens e servi\u00e7os p\u00fablicos em fun\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>cortes de gastos<\/strong>. O que resta desse Estado reduzido ao m\u00ednimo \u00e9 a oferta de servi\u00e7os deteriorados. Isso faz com que a popula\u00e7\u00e3o v\u00e1, progressivamente, atender suas necessidades no mercado, pagando pre\u00e7os exorbitantes. Houve tamb\u00e9m uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/588425-bolsonaro-oficializa-proposta-para-acabar-com-valorizacao-real-do-salario-minimo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mudan\u00e7a na regra de corre\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/a>: ele passou a ser corrigido apenas pelo<strong>\u00a0\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor \u2013 INPC<\/strong>\u00a0a partir de 2019, causando uma redu\u00e7\u00e3o no valor e, por consequ\u00eancia, uma redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00e9dio e enfraquecimento financeiro e pol\u00edtico dos sindicatos. Ent\u00e3o, todo esse conjunto de pol\u00edticas provoca a desacelera\u00e7\u00e3o da economia e incremento do desemprego e, consequentemente, uma taxa de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores muito mais violenta, o que faz com que eles se submetam a condi\u00e7\u00f5es cada vez mais degradantes de trabalho e a condi\u00e7\u00f5es cada vez mais decadentes de servi\u00e7os p\u00fablicos. Esse \u00e9 o espectro da\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Mas como de fato ela acontece? \u00c9 mais ou menos assim: quando a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0chega \u00e0s engrenagens do sistema produtivo nacional, ela remodela toda a estrutura da\u00a0<strong>economia brasileira<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>pol\u00edtica social<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Quando a financeiriza\u00e7\u00e3o chega \u00e0s engrenagens do sistema produtivo nacional, ela remodela toda a estrutura da economia brasileira e a pol\u00edtica social tamb\u00e9m \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 A cr\u00edtica \u00e0 financeiriza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas sociais ficou mais forte depois de dois mandatos do governo Lula. Como entende esse fen\u00f4meno e o que o caracteriza?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0Esse processo come\u00e7ou nos anos 2000. A\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0j\u00e1 acontecia antes, mas come\u00e7a a ficar mais clara dos anos 2000 para c\u00e1 e ganha ainda maior intensidade a partir de 2014. No caso da\u00a0<strong>pol\u00edtica social<\/strong>, isso fica mais evidente com a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542762-o-que-e-e-o-que-produz-o-ajuste-fiscal-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pol\u00edtica de ajuste fiscal<\/a>, que vai significar uma redu\u00e7\u00e3o de certos gastos na \u00e1rea social e aumento em outros gastos sociais. O\u00a0<strong>or\u00e7amento da pol\u00edtica social<\/strong>\u00a0foi reestruturado, assim h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o relativa da oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais do Estado e um aumento das\u00a0<strong>transfer\u00eancias de renda<\/strong>\u00a0para as fam\u00edlias. Portanto, passa a haver uma precariza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, da sa\u00fade p\u00fablica, da habita\u00e7\u00e3o e do saneamento b\u00e1sico e um fortalecimento das transfer\u00eancias de renda \u2014 via\u00a0<strong>Bolsa Fam\u00edlia<\/strong>,\u00a0<strong>Previd\u00eancia Social<\/strong>,\u00a0<strong>Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada &#8211; BPC<\/strong>\u00a0e, n\u00e3o devemos esquecer, das transfer\u00eancias na forma de pagamento de juros \u00e0s fam\u00edlias de alta renda. Portanto, h\u00e1 uma reestrutura\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento. O paradoxo \u00e9 este: os gastos sociais continuaram crescendo, mas eles s\u00e3o remodelados pela\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>. E, nesse processo, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/576631-juros-altos-protegeram-renda-dos-mais-ricos-na-crise\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">renda financeira<\/a>\u00a0(juros) tamb\u00e9m ganha espa\u00e7o cada vez maior.<\/p>\n<p>Como age a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>? Com a contra\u00e7\u00e3o da oferta dos servi\u00e7os p\u00fablicos, abre-se uma s\u00e9rie de possibilidades para a oferta privada nas \u00e1reas de habita\u00e7\u00e3o, previd\u00eancia, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, e quem vai tomar conta desse espa\u00e7o que o Estado deliberadamente abandona s\u00e3o os grandes fundos de previd\u00eancia e os fundos de investimentos, principalmente\u00a0<strong>Fundos de Investimento em Participa\u00e7\u00e3o \u2013 FIP<\/strong>. Esses fundos s\u00e3o predominantemente estrangeiros que ingressam no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, compram participa\u00e7\u00f5es em empresas brasileiras dos setores de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, injetam recursos e depois abrem o capital na\u00a0<strong>bolsa de valores<\/strong>\u00a0para quem quiser \u201cinvestir\u201d. O valor das a\u00e7\u00f5es em bolsa subiu muito. Com isso, h\u00e1 uma mudan\u00e7a na l\u00f3gica das institui\u00e7\u00f5es: o que importa n\u00e3o \u00e9 mais a qualidade dos hospitais, dos laborat\u00f3rios e dos servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o que s\u00e3o ofertados por essas empresas; a l\u00f3gica passa a ser a da\u00a0<strong>capacidade de gerar ganho de capital<\/strong>\u00a0e, em menor propor\u00e7\u00e3o, lucro para os acionistas. Portanto, \u00e9 uma outra din\u00e2mica, \u00e9 uma din\u00e2mica financeirizada porque tudo vira\u00a0<strong>ativo financeiro<\/strong>; a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade s\u00e3o ativos financeiros. Assim, os\u00a0<strong>FIPs<\/strong>\u00a0compram hospitais, laborat\u00f3rios, redes de sa\u00fade e grandes faculdades privadas e transformam completamente a l\u00f3gica da din\u00e2mica social do pa\u00eds. Por seu turno, a\u00a0<strong>prote\u00e7\u00e3o social aos idosos<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m vira um ativo financeiro em expans\u00e3o com o processo de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, o que levou os fundos abertos de previd\u00eancia a terem seus patrim\u00f4nios multiplicados em mais de cinco vezes entre 2006 e 2018.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Para complementar os sal\u00e1rios, o governo possibilita a oferta de cr\u00e9dito pelos bancos p\u00fablicos, que abriram canais que chamamos de financeiriza\u00e7\u00e3o por endividamento das fam\u00edlias \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Bens e servi\u00e7os p\u00fablicos: novos ativos financeiros<\/h3>\n<p>Se a oferta de servi\u00e7os passa a ser privada, como \u00e9 que ficam os brasileiros que n\u00e3o t\u00eam acesso a esses servi\u00e7os, que agora s\u00e3o predominantemente pagos? Aumentou a oferta p\u00fablica? Aumentou um pouco, mas aumentou muito mais a\u00a0<strong>oferta privada de educa\u00e7\u00e3o superior<\/strong>. O<strong>\u00a0gasto p\u00fablico com sa\u00fade<\/strong>\u00a0n\u00e3o caiu, est\u00e1 congelado, mas em patamares muito baixos frente ao crescimento populacional e, simultaneamente, aumentou muito mais o gasto privado com sa\u00fade. A pesquisa da profa.\u00a0<strong>Lena Lavinas<\/strong>\u00a0mostrou que o\u00a0<strong>processo de financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 feito da seguinte forma: o governo faz uma pol\u00edtica importante de transfer\u00eancia de renda para combater a pobreza, mas essa transfer\u00eancia de renda, que se transformou no eixo central da\u00a0<strong>pol\u00edtica social<\/strong>\u00a0(e n\u00e3o a oferta de servi\u00e7os sociais universais), acaba por servir de colateral para a tomada de cr\u00e9dito, porque, de um lado, h\u00e1 uma insufici\u00eancia da oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos e, de outro, h\u00e1 a baixa renda de sal\u00e1rios que caracteriza a\u00a0<strong>economia brasileira<\/strong>, ainda que o sal\u00e1rio m\u00ednimo tenha se recuperado nos governos petistas.<\/p>\n<p>J\u00e1 que os servi\u00e7os essenciais fornecidos \u00e0s fam\u00edlias foram se privatizando \u2014 mais do que isso, se\u00a0<strong>financeirizando<\/strong>, com a ampla presen\u00e7a de fundos de investimento e\u00a0<strong>fundos abertos e fechados de previd\u00eancia<\/strong>\u00a0\u2014, como a sociedade brasileira iria reagir? Para complementar os sal\u00e1rios, o governo possibilita a oferta de cr\u00e9dito pelos bancos p\u00fablicos, que abriram canais que chamamos de\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o por endividamento das fam\u00edlias<\/strong>. A popula\u00e7\u00e3o que vai receber a aposentadoria, o sal\u00e1rio de servidor p\u00fablico e as transfer\u00eancias sociais \u00e9 quem vai tomar o cr\u00e9dito. Ent\u00e3o, a\u00a0<strong>expans\u00e3o do cr\u00e9dito<\/strong>\u00a0foi muito grande no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, a ponto de passarmos de 22% da rela\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>cr\u00e9dito\/PIB no Brasil<\/strong>, em 2002, para 53,7% em 2015 \u2014 e, assim, o cr\u00e9dito passou a ser um complemento fundamental da renda para aquisi\u00e7\u00e3o de bens industrializados (celulares, televisores, eletrodom\u00e9sticos etc.), mas tamb\u00e9m de servi\u00e7os essenciais que deveriam estar sendo ofertados gratuitamente pelo Estado. Assim, ao mesmo tempo que o cr\u00e9dito complementa a renda e d\u00e1 \u00e0s fam\u00edlias a possibilidade de consumir, gerando uma pol\u00edtica econ\u00f4mica de consumo de massa que se notabilizou nos anos 2000 e que se mostrou relativamente din\u00e2mica por um curto per\u00edodo, esse tipo de pol\u00edtica endivida as fam\u00edlias a\u00a0<strong>taxas de juros<\/strong>\u00a0elevad\u00edssimas e provoca um retrocesso nas fun\u00e7\u00f5es tradicionais do<strong>\u00a0Estado de bem-estar social<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>Portanto, h\u00e1 uma\u00a0<strong>mercantiliza\u00e7\u00e3o na oferta da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade<\/strong>\u00a0e, ao mesmo tempo, um aumento da precariza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, porque elas passam a se transformar em fam\u00edlias endividadas que precisam, repetidamente, entrar num cr\u00e9dito rotativo com taxas de juros cada vez mais altas, criando uma bola de neve de instabilidade econ\u00f4mica e de fragiliza\u00e7\u00e3o social agudas. O n\u00famero de\u00a0<strong>inadimplentes no Brasil<\/strong>\u00a0em julho de 2019 chegou a 63,3 milh\u00f5es de pessoas ou 40,3% da popula\u00e7\u00e3o adulta, segundo dados do\u00a0<strong>Serasa<\/strong>. Isso caracteriza a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>: bens e servi\u00e7os p\u00fablicos se transformam em ativo financeiro e a rela\u00e7\u00e3o credor\/devedor passa a ser uma das rela\u00e7\u00f5es mais importantes dentro dessa\u00a0<strong>engrenagem financeirizante da economia<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">N\u00e3o tem como escapar da express\u00e3o que virou lugar comum: \u201ctudo vira ativo financeiro\u201d, inclusive direitos sociais \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 A financeiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto do pr\u00f3prio funcionamento da economia, ou de decis\u00f5es pol\u00edticas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0A\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 fruto das inger\u00eancias do\u00a0<strong>mercado financeiro<\/strong>, isto \u00e9, das estrat\u00e9gias das elites rentistas e das institui\u00e7\u00f5es financeiras sobre a estrutura econ\u00f4mica do pa\u00eds; mas \u00e9, simultaneamente, decorr\u00eancia do modo de articula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica e da pol\u00edtica social cujos desenhos passam a ser ditados pelo poder e pela racionalidade do capital financeiro. Essas duas coisas s\u00e3o insepar\u00e1veis e penetram as v\u00e1rias dimens\u00f5es da vida social: expandindo a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/559686-o-veiculo-para-o-roubo-de-recursos-publicos-entrevista-especial-com-maria-lucia-fattorelli\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">d\u00edvida p\u00fablica<\/a>, com a remunera\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos p\u00fablicos a juros elevad\u00edssimos; ampliando a rela\u00e7\u00e3o devedor-credor ao estimular o consumo de massa num contexto dos mais elevados \u201c<em>spreads<\/em>\u201d banc\u00e1rios do mundo; impondo a l\u00f3gica dos acionistas nas corpora\u00e7\u00f5es financeiras e produtivas; ampliando as transa\u00e7\u00f5es financeiras associadas \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o antes fornecidos pelo Estado. Enfim, n\u00e3o tem como escapar da express\u00e3o que virou lugar comum: \u201ctudo vira ativo financeiro\u201d, inclusive direitos sociais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Quais s\u00e3o as alternativas \u00e0 financeiriza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica social?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0N\u00e3o consigo enxergar uma sa\u00edda alternativa de curto prazo; \u00e9 a mesma coisa que voc\u00ea me perguntar: \u201cProfessora, como se faz a\u00a0<strong>desfinanceiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>?\u201d \u00c9 uma jornada complexa. Ter\u00edamos que mudar o regime de acumula\u00e7\u00e3o e construir uma sociedade que contrariasse a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Sem essa ruptura n\u00e3o haver\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nem ascens\u00e3o social para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o. Contrariar a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0significa constituir um poder popular que construa uma interven\u00e7\u00e3o alternativa do Estado, em favor da democracia das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, de tal forma que: se valorizasse o\u00a0<strong>combate \u00e0 pobreza<\/strong>\u00a0e \u00e0\u00a0<strong>desigualdade<\/strong>\u00a0a ponto de torn\u00e1-los o objetivo central da interven\u00e7\u00e3o estatal; a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade fossem direitos sociais universais de elevada prioridade, acima dos mercados e em favor das necessidades dos despossu\u00eddos; a pol\u00edtica macroecon\u00f4mica tivesse como meta o pleno emprego, o aumento da massa salarial, o crescimento da produtividade e o avan\u00e7o da ci\u00eancia e da tecnologia. Enfim, a desfinanceiriza\u00e7\u00e3o implica uma nova organiza\u00e7\u00e3o social que, lamentavelmente, n\u00e3o ser\u00e1 conquistada sem que antes ocorram grandes disputas de interesses e acirramento de conflitos. O Chile virou o exemplo cl\u00e1ssico das consequ\u00eancias nefastas da financeiriza\u00e7\u00e3o que \u00e9 produto do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/591162-a-crise-abriu-caminho-para-o-recrudescimento-das-politicas-neoliberais-entrevista-especial-com-adalmir-marquetti\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">neoliberalismo<\/a>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O Chile virou o exemplo cl\u00e1ssico das consequ\u00eancias nefastas da financeiriza\u00e7\u00e3o que \u00e9 produto do neoliberalismo \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 A popula\u00e7\u00e3o que recebe altos sal\u00e1rios apoia e adere \u00e0 financeiriza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0Sem d\u00favida, porque se beneficia da\u00a0<strong>renda financeira<\/strong>. Arquitetou-se um consenso nos segmentos de alta renda de que a estrat\u00e9gia econ\u00f4mica essencial \u00e9 fazer\u00a0<strong>ajuste fiscal<\/strong>\u00a0por meio do corte de gastos sociais para controlar a d\u00edvida p\u00fablica, manter o n\u00edvel de pre\u00e7os em patamares reduzidos, comprimir sal\u00e1rios, desonerar ou eliminar tributos das classes de alta renda e das empresas e retirar qualquer regulamento que supostamente trave a expans\u00e3o econ\u00f4mica. A economia n\u00e3o precisa crescer, gerar empregos e progresso tecnol\u00f3gico, apenas gerar renda financeira elevada. Ent\u00e3o, a l\u00f3gica da busca por pleno emprego, crescimento e desenvolvimento econ\u00f4mico, de busca por\u00a0<strong>pol\u00edticas de combate \u00e0 pobreza e \u00e0 desigualdade<\/strong>, tudo isso \u00e9 negado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e passam a predominar o poder e a l\u00f3gica do\u00a0<strong>capital financeiro<\/strong>. Pol\u00edticas sociais que j\u00e1 foram consideradas o motor da economia s\u00e3o, agora, obst\u00e1culos ao crescimento.<\/p>\n<p>Se para favorecer o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/570856-estamos-frente-a-um-sistema-de-agiotagem-que-paralisou-o-pais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">rentismo<\/a>\u00a0for preciso provocar\u00a0<strong>desemprego<\/strong>, reduzir sal\u00e1rios, aniquilar sindicatos, destruir a ind\u00fastria nacional e dizimar o Estado de bem-estar social, isso ser\u00e1 feito e est\u00e1 sendo feito. Assim, uma nova ideologia foi se tornando hegem\u00f4nica, pregando o Estado policial, violento e repressor \u2014 \u00e9 um Estado que vai ter que lidar com o descontentamento de uma enorme parcela da popula\u00e7\u00e3o excedente que ser\u00e1 marginalizada e, portanto, descartada. E, de fato, o estabelecimento de um teto de despesas, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/maisnoticias\/noticias-en-espanol\/159-noticias\/entrevistas\/578329-reforma-trabalhista-menor-autonomia-do-trabalhador-sobre-o-tempo-social-maior-concentracao-de-renda-e-desigualdade-social-entrevista-especial-com-ruy-braga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista<\/a>, a\u00a0<strong>privatiza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade<\/strong>,\u00a0<strong>educa\u00e7\u00e3o<\/strong>,\u00a0<strong>infraestrutura<\/strong>,\u00a0<strong>riquezas minerais<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>recursos energ\u00e9ticos<\/strong>\u00a0que o Estado implementa, tem um car\u00e1ter brutalmente excludente: gera um elevad\u00edssimo\u00a0<strong>desemprego de 12,3 milh\u00f5es de pessoas<\/strong>;\u00a0<strong>28 milh\u00f5es de trabalhadores subutilizados<\/strong>\u00a0e<strong>\u00a05 milh\u00f5es de desalentados<\/strong>; 50 milh\u00f5es vivem<strong>\u00a0abaixo da linha de pobreza<\/strong>, o equivalente a 25% da popula\u00e7\u00e3o. Essas pessoas est\u00e3o diante de pol\u00edticas devastadoras e humilhantes. \u00c9 uma popula\u00e7\u00e3o excedente, sup\u00e9rflua, que \u00e9 despachada para o sistema prisional, para a informalidade, para a morte pela viol\u00eancia policial, enfim, para o limbo social e o exterm\u00ednio. Este \u00e9 o\u00a0<strong>Estado da financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>: agigantado para os\u00a0<strong>rentistas<\/strong>\u00a0e m\u00ednimo para os mais pobres.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Este \u00e9 o Estado da financeiriza\u00e7\u00e3o: agigantado para os rentistas e m\u00ednimo para os mais pobres \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Quais s\u00e3o as falhas e acertos no processo de implanta\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar social no Brasil? Alguns te\u00f3ricos avaliam que o Estado de bem-estar social brasileiro \u00e9 m\u00ednimo e outros afirmam que a Constitui\u00e7\u00e3o de 88 prometeu demais nessa \u00e1rea. Qual seu diagn\u00f3stico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0Estou do lado dos que dizem que criamos um\u00a0<strong>mini Welfare State<\/strong>\u00a0em 1988, que tinha um trip\u00e9: sa\u00fade p\u00fablica, assist\u00eancia social e previd\u00eancia social. O sistema de seguridade social foi t\u00e3o bem montado que, at\u00e9 o ano de 2015, gerava enormes super\u00e1vits. Para se ter uma ideia, entre 2007 e 2015, o\u00a0<strong>sistema de seguridade social<\/strong>\u00a0gerou um ac\u00famulo de\u00a0<strong>super\u00e1vits<\/strong>\u00a0de R$ 720 bilh\u00f5es medidos a pre\u00e7os de 2016. Isso nos permite ver a sua pot\u00eancia arrecadat\u00f3ria. N\u00e3o estou dizendo isso para enaltecer o sistema, porque um sistema de seguridade social n\u00e3o deve gerar super\u00e1vit, n\u00e3o \u00e9 esse o seu objetivo, mas o sistema que t\u00ednhamos, gerava, sim, super\u00e1vits ou n\u00e3o haveria nenhuma l\u00f3gica em se criar a<strong>\u00a0Desvincula\u00e7\u00e3o de Receitas da Uni\u00e3o &#8211; DRU<\/strong>\u00a0e outros mecanismos antidemocr\u00e1ticos de desvio de receitas. E quanto mais a economia crescia, mais s\u00f3lido o sistema se mostrava, formando um c\u00edrculo virtuoso nas finan\u00e7as p\u00fablicas em que o aumento do gasto gerava um volume muito maior de receitas. Portanto, \u00e9 uma fal\u00e1cia dizer que esse sistema n\u00e3o tinha suporte financeiro para tantas promessas; \u00e9 exatamente o oposto: tinha uma<strong>\u00a0capacidade arrecadat\u00f3ria<\/strong>\u00a0gigantesca que, em alguns anos, superou o or\u00e7amento da sa\u00fade da esfera federal e, portanto, poderia ter sido criada uma pol\u00edtica social universal, com oferta ampliada de servi\u00e7os p\u00fablicos e pagamento de benef\u00edcios muito melhores para as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Esse sistema foi aniquilado pelos\u00a0<strong>interesses financeiros<\/strong>, porque suas receitas foram desviadas para atender a outras despesas da Uni\u00e3o, que v\u00e3o desde juros da d\u00edvida p\u00fablica at\u00e9 o pagamento de qualquer gasto dos demais setores do or\u00e7amento. Portanto, houve vazamentos de receitas do sistema. Al\u00e9m disso, o governo precisou deteriorar esse sistema para pressionar pelas reformas que o mercado financeiro exigia. Al\u00e9m da eleva\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>DRU<\/strong>\u00a0de 20% para 30%, o governo n\u00e3o cobrava as d\u00edvidas das grandes corpora\u00e7\u00f5es, deixando acumular uma d\u00edvida ativa previdenci\u00e1ria que, em 2018, alcan\u00e7ou R$ 427 bilh\u00f5es; n\u00e3o combatia a sonega\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es sociais, estimada em R$ 500 bilh\u00f5es ao ano; fez desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias em escala gigantesca com recursos da seguridade social que alcan\u00e7ou a cifra de R$ 288 bilh\u00f5es ao ano em 2018.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Entre 2007 e 2015, o sistema de seguridade social gerou um ac\u00famulo de super\u00e1vits de R$ 720 bilh\u00f5es medidos a pre\u00e7os de 2016 \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O\u00a0<strong>d\u00e9ficit<\/strong>\u00a0foi provocado pelo pr\u00f3prio governo, porque os interesses do mercado financeiro impuseram uma\u00a0<strong>pol\u00edtica social<\/strong>\u00a0que, de um lado, destru\u00eda a arrecada\u00e7\u00e3o de tributos e, de outro, provocava a redu\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios e deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade da oferta dos servi\u00e7os. Essa estrat\u00e9gia abria mercado para o setor privado, principalmente para os fundos de previd\u00eancia aberta,\u00a0<strong>fundos private equities<\/strong>\u00a0no<strong>\u00a0setor de sa\u00fade<\/strong>\u00a0e<strong>\u00a0planos de sa\u00fade<\/strong>, como expliquei anteriormente. Enquanto existisse uma previd\u00eancia p\u00fablica s\u00f3lida, tanto para os servidores p\u00fablicos quanto para os trabalhadores do setor privado, e um sistema universal de sa\u00fade, n\u00e3o seria poss\u00edvel ampliar o mercado dos fundos de previd\u00eancia aberta nem privatizar de forma acelerada a sa\u00fade via\u00a0<strong>fundos private equities<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o se elimina um sistema s\u00f3 com pol\u00edticas que deterioram a qualidade dos servi\u00e7os e desfalcam as receitas, mas tamb\u00e9m com propaganda enganosa. A grande m\u00eddia incutiu na mente das pessoas que a\u00a0<strong>Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0criou um\u00a0<strong>Welfare State<\/strong>\u00a0que prometia mais do que podia dar; e que, agora, essa\u00a0<strong>Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0n\u00e3o cabe mais no or\u00e7amento e, pior, est\u00e1 quebrando o pa\u00eds e impedindo o crescimento. Essa \u00e9 a falsifica\u00e7\u00e3o da realidade na qual o mercado financeiro quer que a sociedade acredite para gerar conformismo, resigna\u00e7\u00e3o, ades\u00f5es, sem questionamentos \u00e0s reformas e, assim, imobilizar a rea\u00e7\u00e3o dos descontentes e revoltados.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Pode nos dar exemplos de financeiriza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica social hoje no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0Em nosso artigo publicado pela<strong>\u00a0Novos Estudos Cebrap<\/strong>, avaliamos tr\u00eas setores \u2014\u00a0<strong>previd\u00eancia<\/strong>,\u00a0<strong>sa\u00fade<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Vamos exemplificar em um dos\u00a0<em>fronts<\/em>\u00a0mais importantes da\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>, que \u00e9 a\u00a0<strong>educa\u00e7\u00e3o superior<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Private equities internacionais passam a comprar participa\u00e7\u00e3o nessas corpora\u00e7\u00f5es, e o processo de financeiriza\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o se alastra pelo empurr\u00e3o estrat\u00e9gico do Fies \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Financeiriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior<\/h3>\n<p>O percentual de brasileiros com 25 anos ou mais com diploma universit\u00e1rio praticamente dobrou entre 2002 e 2014, passando de 7,6% para 13,3%, segundo dados da\u00a0<strong>Pnad<\/strong>. O n\u00famero de estudantes universit\u00e1rios, nesse mesmo per\u00edodo, subiu de 3 milh\u00f5es para 6,48 milh\u00f5es. Nesse processo, o\u00a0<strong>Prouni<\/strong>, o\u00a0<strong>Reuni<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>Fies<\/strong>\u00a0tiveram inquestion\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o. O Fies, o programa de cr\u00e9dito estudantil, se torna o vetor priorit\u00e1rio no apoio \u00e0 expans\u00e3o da oferta na rede privada. At\u00e9 2006, as faculdades e universidades eram entidades de pessoas f\u00edsicas ou institui\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos. Da\u00ed em diante, os grandes grupos do setor mudam de perfil e abrem seu capital na Bovespa, o que ocorreu principalmente ao longo dos anos de 2008 e 2009.\u00a0<strong>Private equities internacionais<\/strong>\u00a0passam a comprar participa\u00e7\u00e3o nessas corpora\u00e7\u00f5es, e o\u00a0<strong>processo de financeiriza\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0se alastra pelo empurr\u00e3o estrat\u00e9gico do\u00a0<strong>Fies<\/strong>.<\/p>\n<p>A progress\u00e3o acelerada de alunos de gradua\u00e7\u00e3o financiados pelo\u00a0<strong>Fies<\/strong>\u00a0\u00e9 assombrosa. Se tomarmos quatro importantes grupos privados de capital aberto \u2014\u00a0<strong>Kroton<\/strong>,\u00a0<strong>Est\u00e1cio<\/strong>,\u00a0<strong>Anima<\/strong>,\u00a0<strong>Ser Educacional<\/strong>\u00a0\u2014 at\u00e9 2010, a participa\u00e7\u00e3o de<strong>\u00a0benefici\u00e1rios do Fies<\/strong>\u00a0era inferior a 11%. Em cinco anos, aumentou exponencialmente, superando, em todos os casos analisados, 40% em 2015. O\u00a0<strong>grupo Kroton<\/strong>\u00a0passou a contar com mais de 60% de seus alunos de gradua\u00e7\u00e3o financiados pelo Fies em 2014. Houve, ao mesmo tempo, uma ascens\u00e3o do pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es dessas mesmas empresas, a partir de 2010, valor que acompanha a oferta crescente de cr\u00e9dito pelo Fies. Entre 2009 e 2017, as\u00a0<strong>a\u00e7\u00f5es da Kroton valorizaram<\/strong>\u00a0769% e as da Est\u00e1cio 238%, enquanto o\u00a0<strong>Ibovespa<\/strong>\u00a0variou 28,4% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Esse movimento combinou lan\u00e7amentos de\u00a0<strong>IPOs<\/strong>, gerando receitas que, por sua vez, alimentaram aquisi\u00e7\u00f5es a partir de 2011, numa velocidade impressionante, criando\u00a0<strong>processos de concentra\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Qual \u00e9 a quest\u00e3o? \u00c9 que um setor, antes pensado como um direito de cidadania, foi se transformando por completo, fazendo com que um servi\u00e7o essencial fosse progressivamente sendo\u00a0<strong>financeirizado<\/strong>\u00a0com o est\u00edmulo de recursos p\u00fablicos. Em 2014, a totalidade do\u00a0<strong>gasto federal com educa\u00e7\u00e3o superior<\/strong>\u00a0somou R$ 34 bilh\u00f5es, ao passo que outros R$ 14 bilh\u00f5es, ou o equivalente a 41,1%, foram repassados ao Fies como empr\u00e9stimos aos alunos, entrando diretamente nos cofres dos fundos \u2014 mas poderiam ter criado vagas para os estudantes nas universidades p\u00fablicas, em vez de gerar endividamento para as fam\u00edlias dos estudantes. Em 2019, 60% ou tr\u00eas em cada cinco devedores do Fies est\u00e3o com parcelas atrasadas. O atraso no pagamento do\u00a0<strong>Fies<\/strong>\u00a0chega a R$ 13 bilh\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2019\/10\/30_10_tabela_denise_gentil.png?w=640\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Tabela elaborada pela entrevistada<\/em><\/p>\n<\/div>\n<h3>Financeiriza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade<\/h3>\n<p>No\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/541\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">setor de sa\u00fade<\/a>, a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 bem semelhante ao que ocorreu no setor de educa\u00e7\u00e3o. Apesar de termos um sistema gratuito e universal, o gasto p\u00fablico, em 2014, correspondia a 46% de todo o disp\u00eandio com sa\u00fade e atendimento m\u00e9dico no Brasil. A m\u00e9dia mundial \u00e9 mais alta, equivalendo a 60,1% do disp\u00eandio total com sa\u00fade. Segundo a\u00a0<strong>Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar &#8211; ANS<\/strong>, ao final de 2014, 50,4 milh\u00f5es de pessoas possu\u00edam um plano privado de sa\u00fade e 20,3 milh\u00f5es possu\u00edam exclusivamente planos odontol\u00f3gicos, contra, respectivamente, 31,5 milh\u00f5es e 3,6 milh\u00f5es em dezembro de 2002. Portanto, 28% da popula\u00e7\u00e3o brasileira estava coberta por algum tipo de seguro privado. O valor de mercado das empresas de planos de sa\u00fade e das seguradoras somava, em 2015, R$ 40,4 bilh\u00f5es contra R$ 12,2 bilh\u00f5es em 2002 (a pre\u00e7os de 2015), tendo triplicado em treze anos.<\/p>\n<p>Esse processo recebeu fartos est\u00edmulos do governo federal por meio de v\u00e1rias medidas de incentivo \u00e0\u00a0<strong>medicina privada<\/strong>. Como, por exemplo, as\u00a0<strong>desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias em sa\u00fade<\/strong>, que haviam se tornado ilimitadas no imposto de renda de pessoa f\u00edsica e jur\u00eddica; os novos crit\u00e9rios mais vantajosos para a concess\u00e3o de certificados de filantropia privada na \u00e1rea m\u00e9dico\u2011laboratorial hospitalar; a corre\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os dos planos de sa\u00fade acima da infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do setor e da economia como ocorreu entre 2007 e 2016, quando a\u00a0<strong>ANS<\/strong>\u00a0autorizou um reajuste acumulado de 127,8% para os planos de sa\u00fade, contra um\u00a0<strong>IPCA<\/strong>\u00a0m\u00e9dio de 82,63%, sendo que o\u00a0<strong>IPCA<\/strong>-sa\u00fade foi de 91,13%. As empresas privadas (hospitais e redes de laborat\u00f3rios) se capitalizaram rapidamente, atrav\u00e9s da aquisi\u00e7\u00e3o e inje\u00e7\u00e3o de recursos por\u00a0<strong>Fundos de Investimento em Participa\u00e7\u00f5es &#8211; FIP<\/strong>\u00a0e da posterior abertura de capital na bolsa de valores. A isso somou\u2011se uma onda de aquisi\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es que tem elevado a concentra\u00e7\u00e3o no setor e a internacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, percebe-se que um dos tent\u00e1culos da din\u00e2mica da<strong>\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica social no Brasil<\/strong>\u00a0pode ser revelado pelos dados de compra de empresas dos setores de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o por fundos de investimentos e por investidores estrangeiros que atuam no mercado de capitais. As\u00a0<strong>a\u00e7\u00f5es em bolsa<\/strong>\u00a0foram massivamente adquiridas por capital externo (mais de 70% das emiss\u00f5es entre 2007 e 2011, e 55% no per\u00edodo de 2013 a 2016) e por fundos de investimentos (entre 15% e 41% no per\u00edodo 2007 e 2016). Significa dizer que aproximadamente 85% das a\u00e7\u00f5es foram compradas por institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o implicadas com a qualidade da provis\u00e3o desses servi\u00e7os. O interesse est\u00e1 concentrado nos\u00a0<strong>dividendos das empresas<\/strong>\u00a0(caso minorit\u00e1rio) e na revenda das a\u00e7\u00f5es no mercado secund\u00e1rio. Falar de privatiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 conta de explicar esse processo de transfer\u00eancia de compet\u00eancias, que antes estavam nas m\u00e3os do\u00a0<strong>Estado<\/strong>, para empresas voltadas para o lucro e para\u00a0<strong>ganhos de capital de grandes grupos financeiros internacionais<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O estabelecimento do teto de aposentadorias em R$ 5.839,45 \u00e9, sem d\u00favida, o mecanismo mais efetivo de est\u00edmulo \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o financeira nos fundos privados de previd\u00eancia complementar aberta \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Financeiriza\u00e7\u00e3o da previd\u00eancia<\/h3>\n<p>Outro caso bem cl\u00e1ssico de\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0est\u00e1 no setor de\u00a0<strong>previd\u00eancia<\/strong>. Temos uma situa\u00e7\u00e3o em que v\u00e1rias reformas foram feitas desde os anos 1990 at\u00e9 esta \u00faltima do governo\u00a0<strong>Bolsonaro<\/strong>, uma ap\u00f3s a outra, com o objetivo de reduzir a capacidade e o alcance desse sistema, abrindo espa\u00e7o para os planos de previd\u00eancia complementar. Em 1998, na era\u00a0<strong>FHC<\/strong>, a reforma da previd\u00eancia previu a possibilidade de limita\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios do\u00a0<strong>Regime Pr\u00f3prio dos Servidores P\u00fablicos &#8211; RPPS<\/strong>\u00a0ao teto do\u00a0<strong>Regime Geral de Previd\u00eancia Social &#8211; RGPS<\/strong>\u00a0dos trabalhadores do setor privado, cujo valor \u00e9 de R$ 5.839,45, desde que fosse oferecido um plano de previd\u00eancia complementar aos servidores. O alvo principal do mercado financeiro era a uniformiza\u00e7\u00e3o desse teto dos dois regimes p\u00fablicos (dos servidores e dos trabalhadores da iniciativa privada), o que passou a entrar em vigor ap\u00f3s 2013. A partir desse ano, o servidor que ganha acima do teto do RGPS poderia vincular\u2011se ao fundo de pens\u00e3o fechado do funcionalismo, com contrapartida parit\u00e1ria do governo. O novo regime de capitaliza\u00e7\u00e3o dos servidores p\u00fablicos foi denominado\u00a0<strong>Funpresp-Exe<\/strong>. Ser\u00e1 o maior fundo de pens\u00e3o da\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>.<\/p>\n<p>O estabelecimento do\u00a0<strong>teto de aposentadorias<\/strong>\u00a0em R$ 5.839,45 \u00e9, sem d\u00favida, o mecanismo mais efetivo de est\u00edmulo \u00e0\u00a0<strong>acumula\u00e7\u00e3o financeira nos fundos privados de previd\u00eancia<\/strong>\u00a0complementar aberta, j\u00e1 que a renda de algumas camadas de servidores p\u00fablicos e da classe m\u00e9dia e alta supera em muito esse limite v\u00e1lido para ambos os regimes. Enquanto existissem dois regimes p\u00fablicos de reparti\u00e7\u00e3o simples, solid\u00e1rios e financeiramente s\u00f3lidos, se restringiria o potencial de expans\u00e3o dos\u00a0<strong>fundos privados de previd\u00eancia<\/strong>. Essa amarra pode ser destravada pelo estabelecimento de um teto de benef\u00edcio num patamar baixo, insuficiente para atender a demanda da classe m\u00e9dia e alta por prote\u00e7\u00e3o na idade avan\u00e7ada, fazendo com que ocorresse uma drenagem da maior parte da renda das fam\u00edlias mais abastadas para os\u00a0<strong>fundos de capitaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0que se revelam de baixa rentabilidade e elevada volatilidade. Somente entre 2007 e 2017, o saldo de capta\u00e7\u00e3o l\u00edquida dos fundos de previd\u00eancia aberta saltou de R$ 14,8 bilh\u00f5es para R$ 49,7 bilh\u00f5es em valores constantes. O patrim\u00f4nio l\u00edquido dos fundos de previd\u00eancia aberta passou de R$ 145,4 bilh\u00f5es, em 2006, para R$ 873,7 em 2019 (Anbima, dados de 2019).<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Por que o Estado n\u00e3o reverteu as desonera\u00e7\u00f5es no momento em que o sistema entrou em d\u00e9ficit? \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 a<strong>\u00a0previd\u00eancia p\u00fablica<\/strong>\u00a0encolher, perdendo atratividade. Agora, com a\u00a0<strong>nova reforma<\/strong>\u00a0rec\u00e9m-aprovada em outubro de 2019, esse fundo, o\u00a0<strong>Funpresp-Exe<\/strong>, que hoje \u00e9 fechado e gerido por servidores p\u00fablicos, poder\u00e1 se transformar em um fundo aberto de capitaliza\u00e7\u00e3o privada, ou seja, em um fundo gerido pelos bancos. Sua abertura significa a conquista pelo mercado financeiro de uma fatia da classe m\u00e9dia que tem um sal\u00e1rio est\u00e1vel, relativamente alto em rela\u00e7\u00e3o ao mercado, que ainda n\u00e3o tinha sido capturada \u2014 os servidores p\u00fablicos. Onde s\u00e3o aplicados os recursos dos fundos de previd\u00eancia complementar? Em t\u00edtulos p\u00fablicos: 92% das aplica\u00e7\u00f5es dos fundos de previd\u00eancia aberta est\u00e3o em t\u00edtulos p\u00fablicos. \u00c9 uma estrat\u00e9gia muito poderosa, de captura da estrutura p\u00fablica pelos interesses privados.<\/p>\n<p>O governo n\u00e3o comenta, no debate, o valor de quase um bilh\u00e3o de\u00a0<strong>desonera\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0que ele concedeu desde 2003 at\u00e9 2018. Por que o\u00a0<strong>Estado<\/strong>\u00a0n\u00e3o reverte as desonera\u00e7\u00f5es no momento em que o\u00a0<strong>sistema entrou em d\u00e9ficit<\/strong>? Por que o governo n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o os R$ 720 bilh\u00f5es de super\u00e1vits desviados do sistema de seguridade social entre 2005 e 2015? Para onde foram esses recursos? Por que agora o governo simplesmente prop\u00f5e uma reforma que implicar\u00e1 um corte brutal na renda de aposentadorias e pens\u00f5es num momento de crise econ\u00f4mica em que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 desempregada, precisando do seguro desemprego, de escolas gratuitas, de sa\u00fade p\u00fablica, pois est\u00e1 adoecendo mais em fun\u00e7\u00e3o da pobreza e dos baixos sal\u00e1rios etc.?<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">H\u00e1 um profundo conflito entre dois interesses contradit\u00f3rios \u2013 direitos sociais e juros \u2013, indicando que uma concilia\u00e7\u00e3o entre a estabilidade social e econ\u00f4mica na democracia \u00e9 um projeto ut\u00f3pico \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 O governo ainda disp\u00f5e desses valores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0Disp\u00f5e, sim, mas s\u00f3 os utilizar\u00e1 se reverter a\u00a0<strong>pol\u00edtica fiscal<\/strong>\u00a0atual, o que obviamente n\u00e3o far\u00e1. O governo tem em caixa, hoje, na conta \u00fanica do\u00a0<strong>Tesouro Nacional<\/strong>\u00a0no<strong>\u00a0Banco Central<\/strong>, R$ 1,2 trilh\u00e3o, que, em parte, \u00e9 o<strong>\u00a0ac\u00famulo de super\u00e1vits<\/strong>\u00a0de anos anteriores da\u00a0<strong>Seguridade Social<\/strong>. Esses recursos est\u00e3o l\u00edquidos no caixa do Banco Central, mas inutiliz\u00e1veis em fun\u00e7\u00e3o da meta fiscal de resultado prim\u00e1rio e do teto dos gastos. Agora que a\u00a0<strong>economia<\/strong>\u00a0est\u00e1 em crise, com altas taxas de desemprego e pobreza profunda, o governo deveria\u00a0<strong>transferir renda para a popula\u00e7\u00e3o<\/strong>,\u00a0<strong>ampliar a oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos<\/strong>, criar frentes de trabalho, mas a proposta \u00e9 outra: \u00e9 reformar para cortar gastos, por\u00e9m, sem limitar o gasto financeiro com juros e amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida. No acumulado dos \u00faltimos 12 meses at\u00e9 agosto de 2019, o governo pagou R$ 349 bilh\u00f5es de<strong>\u00a0juros da d\u00edvida p\u00fablica<\/strong>, o correspondente a 5% do PIB, e at\u00e9 dezembro ser\u00e1 muito mais. Os interesses dos rentistas s\u00e3o sagrados, inquestion\u00e1veis, inating\u00edveis pelo ajuste fiscal. Para os pobres, \u00e9\u00a0<strong>opress\u00e3o fiscal<\/strong>; para os ricos, s\u00e3o os privil\u00e9gios financeiros da pol\u00edtica fiscal.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a estrat\u00e9gia \u00e9 esta: provocar o\u00a0<strong>desemprego<\/strong>, retirar a capacidade de luta dos sindicatos e dos movimentos sociais, baixar os sal\u00e1rios para intimidar e oprimir a popula\u00e7\u00e3o, retirando sua capacidade de rea\u00e7\u00e3o, porque, do contr\u00e1rio, n\u00e3o seria poss\u00edvel fazer as reformas previdenci\u00e1ria e trabalhista que implicar\u00e3o em aposentadorias miser\u00e1veis, sal\u00e1rios aviltantes e condi\u00e7\u00f5es de trabalho degradantes. O governo prefere dizer para a popula\u00e7\u00e3o que essa \u00e9 uma l\u00f3gica das finan\u00e7as p\u00fablicas saud\u00e1veis, que o mercado \u00e9 mais eficiente e que privatizar gerar\u00e1 mais recursos para o investimento p\u00fablico, que \u00e9 necess\u00e1rio cortar na carte para reverter a trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica, e toda uma ladainha neoliberal retr\u00f3grada. Mas a\u00a0<strong>d\u00edvida p\u00fablica<\/strong>\u00a0\u00e9 um passivo para o Estado que, ao mesmo tempo, \u00e9 ativo do setor privado, \u00e9 riqueza do sistema financeiro. Logo, a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 reduzir a d\u00edvida p\u00fablica, mas fazer a\u00a0<strong>austeridade fiscal<\/strong>\u00a0sobre os ombros dos mais pobres e assim abrir espa\u00e7o para elevar o gasto financeiro com a compress\u00e3o dos demais gastos prim\u00e1rios, em busca da tranquilidade para a especula\u00e7\u00e3o com t\u00edtulos p\u00fablicos. A\u00a0<strong>austeridade<\/strong>\u00a0coloca a democracia em risco. H\u00e1 um profundo conflito entre dois interesses contradit\u00f3rios \u2014 direitos sociais e juros \u2014, indicando que uma concilia\u00e7\u00e3o entre a estabilidade social e econ\u00f4mica na democracia \u00e9 um projeto ut\u00f3pico e, que, portanto, o\u00a0<strong>capitalismo financeirizado<\/strong>\u00a0n\u00e3o comporta a democracia, nem pol\u00edticas sociais universais.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Por que o governo n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o os R$ 720 bilh\u00f5es de super\u00e1vits desviados do sistema de seguridade social entre 2005 e 2015? Para onde foram esses recursos? \u2013 Denise Gentil<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Que tipo de reforma da previd\u00eancia o Brasil precisaria na atual conjuntura, considerando as mudan\u00e7as no mundo do trabalho e a expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Gentil \u2014<\/strong>\u00a0A\u00a0<strong>Reforma<\/strong>\u00a0de que o pa\u00eds precisa n\u00e3o pode ter corte de gastos, porque estamos diante de uma recess\u00e3o que j\u00e1 vem se estendendo h\u00e1 cinco anos. Se a reforma n\u00e3o pode vir pelo gasto, tem que vir pelo lado da receita. Ent\u00e3o, h\u00e1 duas sa\u00eddas fundamentais para o problema previdenci\u00e1rio. A primeira \u00e9 a busca pelo crescimento, usando de pol\u00edticas macroecon\u00f4micas n\u00e3o recessivas, que gerem o pleno emprego da for\u00e7a de trabalho. O\u00a0<strong>aumento da receita previdenci\u00e1ria<\/strong>\u00a0ser\u00e1 consequ\u00eancia da retomada sustent\u00e1vel do crescimento. Isso significa lidar com uma\u00a0<strong>pol\u00edtica monet\u00e1ria de juros<\/strong>\u00a0muito menores e uma pol\u00edtica fiscal de aumento de gastos que tenham um elevado multiplicador, de forma a gerar mais PIB e mais renda. H\u00e1 estudos mostrando quais s\u00e3o os gastos com alto impacto multiplicador: investimento p\u00fablico, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, Bolsa Fam\u00edlia, BPC, previd\u00eancia, s\u00e3o gastos com alto impacto multiplicador na economia. O<strong>\u00a0equil\u00edbrio fiscal<\/strong>\u00a0decorrer\u00e1 do crescimento; ele n\u00e3o precede o crescimento, porque a recess\u00e3o n\u00e3o leva ao equil\u00edbrio fiscal; ao contr\u00e1rio, ela o aprofunda.<\/p>\n<p>A segunda sa\u00edda do lado das receitas \u00e9 uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/eventos\/159-noticias\/entrevistas\/593778-a-unica-saida-para-o-brasil-e-repensar-o-sistema-tributario-como-um-todo-entrevista-especial-com-guilherme-mello\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reforma tribut\u00e1ria<\/a>, porque o\u00a0<strong>mercado de trabalho<\/strong>\u00a0est\u00e1 mudando substancialmente com a\u00a0<strong>automa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>substitui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho por rob\u00f4s<\/strong>, por computadores. O fato de que agora estamos enfrentando a elimina\u00e7\u00e3o de determinadas profiss\u00f5es e a substitui\u00e7\u00e3o por m\u00e1quinas significa que enfrentaremos um desemprego estrutural no futuro; haver\u00e1 uma grande quantidade de pessoas que estar\u00e3o aptas e desejosas e n\u00e3o conseguir\u00e3o um posto de trabalho. Ent\u00e3o, qual \u00e9 o futuro de um\u00a0<strong>sistema de prote\u00e7\u00e3o social<\/strong>? Ser\u00e1 necess\u00e1ria a substitui\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>tributa\u00e7\u00e3o sobre a folha de sal\u00e1rios<\/strong>\u00a0por outras formas de\u00a0<strong>tributa\u00e7\u00e3o sobre lucros elevados<\/strong>,\u00a0<strong>dividendos<\/strong>,\u00a0<strong>grandes fortuna<\/strong>s,\u00a0<strong>heran\u00e7as<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>ativos financeiros<\/strong>. Ser\u00e1 tamb\u00e9m necess\u00e1rio gerar empregos no setor de servi\u00e7os, porque \u00e9 ali que vai estar a fonte de empregos, no cuidado com crian\u00e7as e idosos, na educa\u00e7\u00e3o e no turismo. A\u00a0<strong>recupera\u00e7\u00e3o do meio ambiente<\/strong>\u00a0\u00e9 decisiva para gerar emprego e renda. Os empregos n\u00e3o estar\u00e3o na agricultura nem na ind\u00fastria, que v\u00e3o se hipermecanizar.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/593902-bens-e-servicos-publicos-sao-os-novos-ativos-financeiros-entrevista-especial-com-denise-gentil<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Fachin &#8211; Entrevista especial com Denise Gentil. 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