{"id":1136,"date":"2016-07-17T12:23:46","date_gmt":"2016-07-17T15:23:46","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=1136"},"modified":"2016-07-09T11:30:55","modified_gmt":"2016-07-09T14:30:55","slug":"para-ter-chances-em-2018-esquerda-precisa-encarar-a-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/07\/17\/para-ter-chances-em-2018-esquerda-precisa-encarar-a-economia\/","title":{"rendered":"Para ter chances em 2018, esquerda precisa encarar a economia"},"content":{"rendered":"<p><b>CELSO ROCHA DE BARROS &#8211;\u00a0<\/b>Autor defende que a esquerda se livre do pensamento antiecon\u00f4mico. Para ele, o fato de o Partido dos Trabalhadores ter sido fundado em um momento em se fazia a cr\u00edtica do marxismo sovi\u00e9tico levou a uma cren\u00e7a de que a economia n\u00e3o teria especificidades e de que as solu\u00e7\u00f5es seriam sempre exclusivamente pol\u00edticas.<img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/f.i.uol.com.br\/folha\/ilustrissima\/images\/16182465.jpeg?resize=620%2C511\" alt=\"Pintura \u00e2\u20acYour Ghost in Me\u00e2\u20ac (2016) de Janaina Tsch\u00c3\u00a4pe. ***DIREITOS RESERVADOS. N\u00c3O PUBLICAR SEM AUTORIZA\u00c7\u00c3O DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***\" width=\"620\" height=\"511\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um momento bom para a discuss\u00e3o econ\u00f4mica na esquerda brasileira. A nova matriz econ\u00f4mica do primeiro governo Dilma claramente deu errado. Embora seja leg\u00edtimo discutir o quanto da crise atual foi causada pelos erros da matriz, \u00e9 indiscut\u00edvel que se gastou muito por um crescimento que n\u00e3o veio \u2013e quem veio foi a infla\u00e7\u00e3o. Quando Dilma, logo ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de 2014, nomeou Joaquim Levy para a Fazenda, esperava-se uma autocr\u00edtica petista. Quando o desenvolvimentista Nelson Barbosa assumiu no lugar de Levy e prop\u00f4s um ajuste muito parecido, a autocr\u00edtica parecia inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mas a guerra do impeachment tornou secund\u00e1ria toda discuss\u00e3o que n\u00e3o fosse sobre quem, PT\/PMDB ou PMDB\/PSDB, teria o direito de distribuir as verbas e cargos do governo federal (e se meter na Lava Jato). O PT se recolheu em um discurso antiajuste militante que j\u00e1 sinalizava o progn\u00f3stico de que a volta para a oposi\u00e7\u00e3o era inevit\u00e1vel. O quinto congresso do partido em Salvador, no ano passado, prosseguiu em total nega\u00e7\u00e3o da necessidade de ajuste. H\u00e1 muito pouca coisa nos manifestos de esquerda recentes que pare\u00e7a atraente para um estudante de economia, e isso diminui a reserva de potenciais ministros da Fazenda dos futuros governos progressistas.<\/p>\n<p>As circunst\u00e2ncias do impeachment certamente favorecem o instinto de voltar a ser o PT dos anos 1980. A manobra parlamentar que afastou Dilma Rousseff tem mais cara de Brasil pr\u00e9-89 do que qualquer coisa nos manifestos do PT. Mas isso \u00e9 um motivo ruim para n\u00e3o discutir o fracasso da nova matriz econ\u00f4mica. N\u00e3o s\u00f3 porque honestidade intelectual sempre serve para alguma coisa, mas tamb\u00e9m porque o novo governo \u00e9 extremamente impopular e ainda mais exposto \u00e0 Lava Jato do que o anterior. A esquerda precisa estar pronta para chegar em 2018 com um discurso para ganhar a presid\u00eancia, n\u00e3o a elei\u00e7\u00e3o para o centro acad\u00eamico. Por esse motivo, sen\u00e3o por todos os outros, precisa voltar a falar s\u00e9rio sobre economia.<\/p>\n<p>H\u00e1 debates interessant\u00edssimos e intelectualmente instigantes a serem feitos sobre a economia brasileira, mas este aqui n\u00e3o ser\u00e1 um deles. A autocr\u00edtica necess\u00e1ria \u00e9 s\u00f3 o reconhecimento de alguns fatos b\u00e1sicos, como a necessidade de controle das contas p\u00fablicas e conten\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 a mesma autocr\u00edtica que o PT fez quando Lula ganhou a presid\u00eancia. Para al\u00e9m disso (e se tivermos apenas isso j\u00e1 ficarei bastante satisfeito), seria bom se inici\u00e1ssemos negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sobre a reforma da Previd\u00eancia ou do sistema tribut\u00e1rio com a esquerda na mesa. Da\u00ed em diante, no mundo de debates sofisticados sobre c\u00e2mbio e poupan\u00e7a, inova\u00e7\u00e3o e abertura comercial, h\u00e1 gente muito melhor do que eu para ser lida, \u00e0 esquerda e \u00e0 direita.<\/p>\n<p>E este n\u00e3o \u00e9 um texto voltado para economistas. Se voc\u00ea \u00e9 economista e precisa ouvir o que vou dizer, repense suas escolhas de vida. \u00c9 uma discuss\u00e3o com os intelectuais petistas, em geral oriundos de outras ci\u00eancias sociais e das humanidades \u2013assim como eu\u2013, e com a esquerda universit\u00e1ria em geral. Pois estou convencido de que o problema somos n\u00f3s.<\/p>\n<p><b>LADO BOM<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel que a esquerda seja ruim de economia. Nos Estados Unidos, economistas progressistas como Paul Krugman ou Joseph Stiglitz t\u00eam ganhado a maior parte dos debates contra seus equivalentes republicanos. A esquerda europeia claramente tinha raz\u00e3o contra quem prop\u00f4s austeridade logo ap\u00f3s a crise de 2008. Durante os trinta anos gloriosos do p\u00f3s-guerra, a esquerda no mundo desenvolvido geriu o capitalismo mais ou menos t\u00e3o bem (ou t\u00e3o mal, dependendo do pa\u00eds) quanto a direita. Foi um governo trabalhista que concedeu autonomia ao Banco Central brit\u00e2nico. Aqui na Am\u00e9rica Latina, as esquerdas chilena e uruguaia administram bem economia, como, ali\u00e1s, tamb\u00e9m o faz o governo do bolivariano Evo Morales (ao menos segundo opini\u00e3o recente do FMI). A gest\u00e3o econ\u00f4mica foi adequada durante os dois governos de Lula.<\/p>\n<p>Note-se que, nos exemplos acima, os economistas de esquerda n\u00e3o acertaram apenas quando o que precisava ser feito era aumentar a interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia (como no dia seguinte ao da crise de 2008), mas tamb\u00e9m quando era necess\u00e1rio conter gastos ou tornar a gest\u00e3o econ\u00f4mica mais previs\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 nada intr\u00ednseco ao esquerdismo que exija que seus defensores desequilibrem o or\u00e7amento p\u00fablico ou deixem a infla\u00e7\u00e3o sair de controle.<\/p>\n<p>No que se refere a temas como equil\u00edbrio fiscal, ali\u00e1s, a esquerda deveria ser mais atenta do que a direita: quem depende de um Estado forte para atingir seus objetivos s\u00e3o os progressistas. Um Estado falido serve tanto \u00e0 esquerda quanto um mercado inteiramente montado em cima de hipotecas &#8220;subprime&#8221; (segunda linha) e de produtos financeiros correspondentes serviu ao liberalismo.<\/p>\n<p>Esquerda e direita discordar\u00e3o sobre o quanto deve ser taxado, sobre como o dinheiro arrecadado deve ser gasto, mas n\u00e3o sobre o fato de que o quanto voc\u00ea consegue arrecadar imp\u00f5e algum limite sobre o quanto voc\u00ea pode gastar.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de discutir ortodoxia contra heterodoxia. As escolas de economia t\u00eam vis\u00f5es diferentes sobre o papel do c\u00e2mbio desvalorizado como indutor do desenvolvimento, ou sobre o quanto do investimento deve ser direcionado pelo Estado. Esses debates s\u00e3o leg\u00edtimos, intelectualmente instigantes, e de enorme import\u00e2ncia pr\u00e1tica, mas defendo que a esquerda seja agn\u00f3stica sobre todos eles. O que funcionar, funcionou, e o crucial \u00e9 manter o foco sobre a redistribui\u00e7\u00e3o de renda e oportunidades.<\/p>\n<p>Isso significaria n\u00e3o ter uma posi\u00e7\u00e3o &#8220;oficial&#8221; da esquerda sobre toda uma gama de assuntos. N\u00e3o h\u00e1 por que esperar que todos os que defendem a redistribui\u00e7\u00e3o de renda tenham a mesma opini\u00e3o sobre o n\u00edvel ideal da taxa de c\u00e2mbio, por exemplo. Da mesma forma, a rela\u00e7\u00e3o entre investimento estatal direto e privatiza\u00e7\u00e3o\/concess\u00f5es \u00e9 um debate sobre fronteiras muitas vezes fluidas. Deixem de lado no momento (e, no que depender de mim, para sempre) os que prop\u00f5em a estatiza\u00e7\u00e3o completa ou a privatiza\u00e7\u00e3o completa da economia (quase ningu\u00e9m pertence a esses extremos). Os defensores de mais interven\u00e7\u00e3o estatal direta est\u00e3o falando sobre empreendimentos estatais que incluir\u00e3o diversas camadas de subcontrata\u00e7\u00e3o, financiamento privado e permanente risco de captura regulat\u00f3ria; os defensores da privatiza\u00e7\u00e3o discutem empresas privadas atuando sob diversas camadas de regula\u00e7\u00e3o estatal em mercados com competi\u00e7\u00e3o ridiculamente imperfeita, e, novamente, permanente risco de captura regulat\u00f3ria. A diferen\u00e7a \u00e9 muito menos radical do que parece.<\/p>\n<p>A escolha entre as alternativas n\u00e3o parece diretamente relacionada a convic\u00e7\u00f5es sobre igualdade, e, ali\u00e1s, \u00e9 inteiramente dentro do reino do poss\u00edvel que situa\u00e7\u00f5es diferentes sejam mais bem resolvidas com arranjos diferentes. N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel marcar a diferen\u00e7a entre esquerda e direita primariamente pela tomada de posi\u00e7\u00e3o em nenhum desses debates econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>A prioridade da esquerda deve ser redistribuir renda e construir um Estado de bem-estar social, duas discuss\u00f5es em que os economistas (enquanto tais) s\u00f3 t\u00eam direito de aparecer para dizer como fazer melhor o que a pol\u00edtica e a moral j\u00e1 tiverem decidido fazer.<\/p>\n<p>Uma vez estabelecido esse princ\u00edpio geral, \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio reconhecer que, historicamente, houve uma afinidade eletiva entre a esquerda e escolas de economia mais propensas a recomendar a interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia. A esquerda, afinal, j\u00e1 defende a interven\u00e7\u00e3o do Estado na redistribui\u00e7\u00e3o de bens e oportunidades. H\u00e1 um grau de ceticismo comum em rela\u00e7\u00e3o aos resultados do funcionamento do livre-mercado que aproxima os defensores da redistribui\u00e7\u00e3o aos defensores da interven\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n<p><b>CASAMENTO<\/b><\/p>\n<p>Defendo, contudo, que esse seja um casamento aberto: os keynesianos e heterodoxos devem se sentir livres para recomendar, por exemplo, cortes em programas sociais, ou menores aumentos para o sal\u00e1rio m\u00ednimo, quando essa for a recomenda\u00e7\u00e3o de seus modelos. E a esquerda deve ser livre para recusar propostas heterodoxas que, por algum motivo (digamos, por aumentar a infla\u00e7\u00e3o, ou comprometer a capacidade fiscal do Estado) prejudiquem os mais pobres ou levem a aumentos da desigualdade de renda.<\/p>\n<p>Eu, por exemplo, preferia que o governo Dilma tivesse sido um governo de ajuste econ\u00f4mico que enfrentasse a quest\u00e3o tribut\u00e1ria que Lula n\u00e3o enfrentou. Teria sido melhor fazer o ajuste e, partindo de uma posi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, comprar as brigas por redistribui\u00e7\u00e3o no Congresso. Isto \u00e9, eu preferia que o governo do PT tivesse sido mais \u00e0 esquerda na quest\u00e3o tribut\u00e1ria e mais ortodoxo em economia.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m acho inteiramente poss\u00edvel que um governo heterodoxo menos comprometido com a esquerda \u2013digamos, o de Jos\u00e9 Serra, rival de Dilma em 2010\u2013 tivesse obtido resultados melhores do que esses que os heterodoxos de esquerda obtiveram. H\u00e1 economistas razo\u00e1veis, que n\u00e3o podem ser rotulados como pessoas ruins ou antipobres, e que acham que os sal\u00e1rios subiram r\u00e1pido demais durante o governo Dilma. Talvez a mesma coisa n\u00e3o tivesse acontecido em um governo heterodoxo de Serra. O mesmo pode ser dito sobre a quest\u00e3o fiscal: quando Nelson Barbosa deixou o governo Dilma por discordar (corretamente) da pol\u00edtica fiscal, o heterodoxo Jos\u00e9 Luis Oreiro, ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Keynesiana Brasileira, escreveu em seu blog que isso era um sinal de que ele tinha acertado ao votar em Jos\u00e9 Serra em 2010.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de discutir keynesianismo ou &#8220;austeric\u00eddio&#8221;. Quando a crise brasileira se agravou, o economista liberal norte-americano Tyler Cowen escreveu em seu blog (o Marginal Revolution, um dos melhores do mundo) que gostaria de saber o que os cr\u00edticos da austeridade teriam a dizer sobre isso. Afinal, o Brasil foi um pa\u00eds que se saiu excepcionalmente bem nos anos da crise em fun\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de interven\u00e7\u00e3o estatal. O fracasso brasileiro n\u00e3o seria prova de que os austeros estavam certos? Essa cr\u00edtica \u00e9 o exato reflexo da vis\u00e3o, muito comum na esquerda brasileira, de que o ajuste promovido por Joaquim Levy e Nelson Barbosa (ou agora, imagino, por Henrique Meirelles) seria a vers\u00e3o local do austeric\u00eddio europeu.<\/p>\n<p>As duas vis\u00f5es s\u00e3o falsas. As respostas \u00e0 crise aqui foram diametralmente opostas \u00e0s europeias, e, de fato, nos sa\u00edmos melhor nos anos seguintes \u00e0 crise do que os europeus. Mas as pol\u00edticas de est\u00edmulo deveriam ter sido progressivamente desarmadas. O problema n\u00e3o foi ter sido Paul Krugman em 2009-10, foi n\u00e3o ter sido Tyler Cowen em 2011-12. A prop\u00f3sito, conv\u00e9m suspeitar da turma que defende pol\u00edtica antic\u00edclica, mas at\u00e9 hoje n\u00e3o foi vista defendendo ajuste em momento algum. Estamos sempre no mesmo momento do ciclo?<\/p>\n<p><b>GASTO<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de heterodoxia, n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de keynesianismo: \u00e9 muito mais b\u00e1sico. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma escola de economia que defenda que voc\u00ea pode gastar o quanto quiser. E esse parece ter sido o pressuposto indiscut\u00edvel de tudo que a esquerda brasileira disse sobre economia desde que Joaquim Levy virou ministro da Fazenda. Quando um economista heterodoxo como Nelson Barbosa criticou a pol\u00edtica fiscal em 2013, ou quando prop\u00f4s a reforma da Previd\u00eancia em 2015, a esquerda fingiu que n\u00e3o ouviu. Economistas heterodoxos como Bresser-Pereira e Jos\u00e9 Luis Oreiro foram citados pela esquerda sempre que se tratava de criticar juros altos, mas muito raramente quando defendiam ajuste nas contas p\u00fablicas. Os economistas heterodoxos subiram ou desceram na bolsa de valores intelectual da esquerda conforme disseram o que ela queria ouvir.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa submiss\u00e3o da discuss\u00e3o econ\u00f4mica \u00e0 pol\u00edtica que devemos procurar a raiz do problema. E a forma\u00e7\u00e3o intelectual do PT \u2013que foi a minha\u2013 favoreceu esse erro.<\/p>\n<p>O PT foi formado quando o ambiente intelectual na esquerda mundial era marcado por uma forte rea\u00e7\u00e3o ao marxismo sovi\u00e9tico. A simples presen\u00e7a de trotskistas e cat\u00f3licos em posi\u00e7\u00f5es de influ\u00eancia dentro do partido garantia o distanciamento do marxismo can\u00f4nico, j\u00e1 em franca decad\u00eancia no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1980. Os intelectuais petistas da \u00e9poca liam com entusiasmo autores que criticavam o marxismo ortodoxo, de Gramsci e Foucault a Lefort e Castoriadis, passando por Negri e Deleuze. Grande parte desses autores, a prop\u00f3sito, criticavam o marxismo pela esquerda, de pontos de vista que talvez despertassem mais entusiasmo nos anarquistas e em outras esquerdas dissidentes do que nos comunistas.<\/p>\n<p>Um dos tra\u00e7os distintivos desse pensamento era seu antieconomicismo. O marxismo sovi\u00e9tico era baseado na ideia de que o desenvolvimento econ\u00f4mico determina a evolu\u00e7\u00e3o das estruturas pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas. A rea\u00e7\u00e3o a esse dogma, seja por p\u00f3s-marxistas, seja por marxistas &#8220;ocidentais&#8221;, tomou a forma de diversas reafirma\u00e7\u00f5es da import\u00e2ncia do pol\u00edtico, da cultura e do imagin\u00e1rio, do corpo, enfim, de tudo que havia sido exclu\u00eddo da estreita vis\u00e3o de mundo dos manuais de marxismo.<\/p>\n<p>Entre os intelectuais de esquerda, essa rea\u00e7\u00e3o foi indiscutivelmente saud\u00e1vel, produzindo toda uma leva de trabalhos historiogr\u00e1ficos sobre escravid\u00e3o no Brasil que fugia dos determinismos economicistas. A reflex\u00e3o sobre g\u00eanero foi decisivamente impulsionada pela incorpora\u00e7\u00e3o de demandas n\u00e3o econ\u00f4micas ao programa de esquerda em p\u00e9 de igualdade com as reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas usuais. Experi\u00eancias como o or\u00e7amento participativo de Porto Alegre colocavam em quest\u00e3o os limites da gest\u00e3o tecnocr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mas essa trajet\u00f3ria intelectual criou na esquerda p\u00f3s-marxista um ser\u00edssimo deficit econ\u00f4mico. Confrontados com um racioc\u00ednio econ\u00f4mico, o reflexo de nossa esquerda (o meu, inclusive) \u00e9 procurar uma forma de reduzi-lo a um problema pol\u00edtico, pois o arsenal te\u00f3rico da esquerda p\u00f3s-marxista \u00e9 muito melhor na discuss\u00e3o de quest\u00f5es de poder do que nas relativas \u00e0s regularidades caracter\u00edsticas das institui\u00e7\u00f5es de mercado.<\/p>\n<p>Uma inje\u00e7\u00e3o de ceticismo sobre o qu\u00e3o cient\u00edficas s\u00e3o as discuss\u00f5es econ\u00f4micas, ali\u00e1s, pode ser bastante saud\u00e1vel para os economistas: isto \u00e9, para quem j\u00e1 parte do princ\u00edpio de que existem regularidades econ\u00f4micas identific\u00e1veis e est\u00e1 familiarizado com seus padr\u00f5es b\u00e1sicos. Meu objetivo aqui \u00e9 criticar quem usa a obje\u00e7\u00e3o &#8220;a economia tamb\u00e9m \u00e9 um campo de luta&#8221; para se dispensar de conhecer essas regularidades, ou para evitar lev\u00e1-las a s\u00e9rio como condicionantes da a\u00e7\u00e3o governamental.<\/p>\n<p>Para citar um exemplo escolhido por ser mais sofisticado que os outros, tomemos a discuss\u00e3o de Andr\u00e9 Singer sobre o fracasso da nova matriz econ\u00f4mica, publicado em 2015 na edi\u00e7\u00e3o 102 da revista &#8220;Novos Estudos&#8221;, do Cebrap. Singer l\u00ea o epis\u00f3dio inteiro como uma luta pol\u00edtica entre uma coaliz\u00e3o produtivista (trabalhadores e empres\u00e1rios) e uma coaliz\u00e3o rentista liderada pelo mercado financeiro. O experimento desenvolvimentista de Dilma teria sido uma ofensiva da coaliz\u00e3o produtivista, que, entretanto, sob forte press\u00e3o pol\u00edtica e de m\u00eddia, foi derrotada quando o Banco Central, em 2013, capitulou e voltou a subir os juros.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de negar que existam conflitos pol\u00edticos envolvidos na confec\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, e, ali\u00e1s, os melhores economistas n\u00e3o o negam. Nenhum economista s\u00e9rio negar\u00e1 que existam grupos de press\u00e3o, captura regulat\u00f3ria, &#8220;rent-seeking&#8221;, diferen\u00e7as evidentes de poder entre os v\u00e1rios agentes etc.<\/p>\n<p>Mas a economia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel analisar o abandono da nova matriz econ\u00f4mica sem levar em conta que seus resultados foram muito ruins: apesar de tudo que foi gasto com subs\u00eddios e isen\u00e7\u00f5es no primeiro mandato de Dilma, o crescimento econ\u00f4mico se desacelerou, e a infla\u00e7\u00e3o subiu. Quando o BC sobe os juros em 2013, j\u00e1 se sabia que os resultados de 2012 haviam sido p\u00e9ssimos. E 2012 foi, segundo Singer, o ano-chave do &#8220;experimento desenvolvimentista&#8221;.<\/p>\n<p>Admitamos, para facilitar a discuss\u00e3o, que houve o choque de coaliz\u00f5es descrito por Singer. Se o PIB em 2012 tivesse crescido 6% (e n\u00e3o 1,8%), \u00e9 certo que o governo Dilma teria dobrado a aposta na nova matriz. N\u00e3o haveria campanha de m\u00eddia capaz de derrubar a popularidade de um governo que atingisse essa taxa de crescimento. Um crescimento nesse ritmo traria inclusive apoio de parte importante do empresariado ao governo. E todos sabemos como os aliados pol\u00edticos v\u00e3o e v\u00eam conforme a popularidade desce ou sobe. Perguntem a Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>De modo que, mesmo admitindo a narrativa de Singer, \u00e9 preciso admitir que a coaliz\u00e3o apoiada pela esquerda apresentou um programa ruim, que produziu resultados ruins. O motivo pelo qual esses resultados foram ruins devem ser buscados em mecanismos internos \u00e0 economia. O aumento de juros de 2013, por exemplo, n\u00e3o teve nada a ver com a acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><b>PRAIA<\/b><\/p>\n<p>Diga-se o que quiser de Karl Marx, dessa vez a culpa n\u00e3o \u00e9 dele. O estudo das rela\u00e7\u00f5es entre as categorias da economia de mercado, seja em &#8220;O Capital&#8221;, seja nos manuais usados no departamento de economia de Chicago, claramente sup\u00f5e que algumas coisas (certamente n\u00e3o todas) acontecem por motivos estritamente econ\u00f4micos. Toda a an\u00e1lise da esquerda sobre o capitalismo sup\u00f5e justamente que as institui\u00e7\u00f5es de mercado geram certos incentivos e agregam as a\u00e7\u00f5es tomadas sob estes incentivos de uma certa forma. Se voc\u00ea convencesse o velho Karl de que os economistas petistas descobriram que sempre \u00e9 poss\u00edvel, em uma economia capitalista, sob a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica certa, crescer aceleradamente, distribuir renda, garantir pleno emprego e evitar inteiramente as oscila\u00e7\u00f5es de mercado, tudo isso sem nunca sacrificar a classe trabalhadora, ele largaria a biblioteca do museu brit\u00e2nico e iria para a praia.<\/p>\n<p>Os economistas continuar\u00e3o discutindo as melhores maneiras de aumentar a taxa de poupan\u00e7a ou de promover a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, e cada um de n\u00f3s concordar\u00e1 com uma das partes no debate, mas tudo que este texto pede aos intelectuais da esquerda brasileira \u00e9 que n\u00e3o criem dentro dos partidos e movimentos progressistas um ambiente em que as ideias econ\u00f4micas sejam julgadas apenas pela conformidade com a postura pol\u00edtica geral do movimento. Foi assim que o partido republicano norte-americano morreu.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso defender a autonomia do econ\u00f4mico diante das correntes intelectuais hegem\u00f4nicas na esquerda desde 1968, como antes foi necess\u00e1rio defender a autonomia do pol\u00edtico diante do marxismo ortodoxo. \u00c9 preciso reconhecer a soberania do pensamento econ\u00f4mico sobre o territ\u00f3rio intelectual que lhe \u00e9 de direito, ainda que continue sendo leg\u00edtimo e necess\u00e1rio combat\u00ea-lo em seus momentos imperialistas. Quando perceberem em seus alunos o reflexo de chamar todo ajuste fiscal de &#8220;fiscalismo&#8221; ou todo aumento de juros de &#8220;rendi\u00e7\u00e3o ao rentismo&#8221;, matem essas ideias no ber\u00e7o.<\/p>\n<p>http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2016\/07\/1787618-a-esquerda-e-a-economia.shtml<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CELSO ROCHA DE BARROS &#8211;\u00a0Autor defende que a esquerda se livre do pensamento antiecon\u00f4mico. 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