{"id":11282,"date":"2019-08-18T14:00:00","date_gmt":"2019-08-18T17:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=11282"},"modified":"2019-08-15T17:30:17","modified_gmt":"2019-08-15T20:30:17","slug":"pos-capitalismo-na-era-do-algoritmo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/08\/18\/pos-capitalismo-na-era-do-algoritmo-2\/","title":{"rendered":"P\u00f3s-capitalismo na era do algoritmo (2)"},"content":{"rendered":"<p><strong>C\u00e9dric <\/strong><strong>Durand<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Razmig\u00a0<\/strong><strong>Keucheyan &#8211;<\/strong> Salvador Allende queria a inform\u00e1tica em favor do planejamento estatal. As corpora\u00e7\u00f5es empregam-na para o lucro e a desigualdade. Um socialismo renovado seria desafiado a utiliz\u00e1-la para superar o mercado e a aliena\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>A informatiza\u00e7\u00e3o da vida econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p>Outro modo de planejamento poderia ter surgido e se consolidado na URSS gra\u00e7as \u00e0 tecnologia da informa\u00e7\u00e3o? Nos anos 1950 e 1960, os economistas e cientistas da computa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9ticos desenvolveram projetos de \u201cgerenciamento econ\u00f4mico autom\u00e1tico\u201d e \u201cplanejamento \u00f3timo\u201d. Estes prometiam reduzir as disfun\u00e7\u00f5es do plano em termos de desperd\u00edcio, desvio de produ\u00e7\u00e3o, redund\u00e2ncias burocr\u00e1ticas, perda de informa\u00e7\u00e3o<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote1sym\"><sup>20<\/sup><\/a>. Infelizmente, esses programas nunca foram experimentados, pois colidiam com os limites da capacidade de computa\u00e7\u00e3o da \u00e9poca e com a hostilidade dos burocratas cujas prerrogativas amea\u00e7avam<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote2sym\"><sup>21<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O mesmo desejo de criar um planejamento cibern\u00e9tico pode ser encontrado no projeto \u201cCybersyn\u201d, lan\u00e7ado no Chile ap\u00f3s a vit\u00f3ria de Salvador Allende, em 1970<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote3sym\"><sup>22<\/sup><\/a>. Os primeiros esbo\u00e7os ent\u00e3o inventados visavam combinar o gerenciamento em tempo real do planejamento centralizado e o envolvimento dos trabalhadores por meio da autogest\u00e3o. O experimento foi interrompido pelo golpe militar de Augusto Pinochet. Em ambos os casos, essas tentativas fracassadas ocorreram em um contexto em que o desenvolvimento de computadores estava ainda engatinhando.<\/p>\n<p>Hoje, a possibilidade de planejamento centralizado assistido por computador \u00e9 muito mais vi\u00e1vel do que cinco ou sete d\u00e9cadas atr\u00e1s. Sistemas de informa\u00e7\u00e3o sofisticados e altamente automatizados trabalham todos os dias para administrar as economias atuais; eles atuam como ferramentas para planejamento industrial e comercial e gest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1990, o Enterprise Resource Planning (ERP), um sistema integrado, tornou-se uma ferramenta indispens\u00e1vel que oferece aos gerentes uma vis\u00e3o pan\u00f3ptica e coerente das atividades da empresa e refor\u00e7a as capacidades de controle em tempo real. Por exemplo, quando uma empresa decide se instalar no exterior, planeja seus objetivos de desenvolvimento ao longo de v\u00e1rios anos e projeta indicadores cuja evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 seguida dia a dia com o fim de descobrir a\u00e7\u00f5es corretivas assim que necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>O conceito de esfera de neg\u00f3cios, implementado na Procter and Gamble desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010, ilustra a centralidade dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o na renova\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de gest\u00e3o topogr\u00e1ficas:<\/p>\n<blockquote><p>Tecnologicamente, trata-se de uma sala esf\u00e9rica equipada com telas gigantes, onde as informa\u00e7\u00f5es gerenciais s\u00e3o exibidas na forma de gr\u00e1ficos para revis\u00e3o, processamento e tomada de decis\u00e3o. [\u2026] As esferas de neg\u00f3cios s\u00e3o gerencialmente similares aos espa\u00e7os de reuni\u00f5es interconectados e interativos ao redor do mundo cujo prop\u00f3sito \u00e9 fornecer uma visualiza\u00e7\u00e3o f\u00e1cil de dados massivos. [\u2026] O modelo de esfera de neg\u00f3cios conta com ferramentas de previs\u00e3o particularmente sofisticadas relativas ao mercado (e suas evolu\u00e7\u00f5es) e outros par\u00e2metros-chave do desempenho da empresa nos mercados. Com base nessas previs\u00f5es, a empresa pode ajustar os pre\u00e7os instantaneamente, mas tamb\u00e9m os investimentos em publicidade, na capacidade industrial e log\u00edstica etc., o que permite que ela se adapte rapidamente \u00e0s mudan\u00e7as nos mercados<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote4sym\"><sup>23<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>O design futurista da esfera de neg\u00f3cios lembra a sala de comando imaginada no projeto Cybers. Ambos os sistemas se baseiam na ideia de que a centraliza\u00e7\u00e3o dos dados permite otimizar as previs\u00f5es e, como resultado, ajustar em tempo real o plano econ\u00f4mico \u2013 seja ele privado ou p\u00fablico \u2013 de acordo com os acontecimentos imprevistos.<\/p>\n<p>Esse monitoramento em tempo real da realiza\u00e7\u00e3o dos planos tamb\u00e9m se reflete nos contratos de servi\u00e7os plurianuais das grandes empresas de TI. S\u00e3o estabelecidos objetivos pormenorizados em termos de volume e qualidade dos servi\u00e7os prestados ao longo de todo o per\u00edodo de vig\u00eancia do contrato e por sub-per\u00edodos; a sua monitoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 efetuada em tempo real, dando origem a a\u00e7\u00f5es corretivas e, se necess\u00e1rio, penalidades. O problema cibern\u00e9tico relativo \u00e0s intera\u00e7\u00f5es retrocedentes entre o plano e a sua realiza\u00e7\u00e3o, agora que o imediatismo do monitoramento se tornou regra, tornou-se radicalmente diferente. Assim s\u00e3o melhoradas as possibilidades de otimizar a aloca\u00e7\u00e3o de recursos de acordo com objetivos pr\u00e9-definidos e adaptar o plano a erros, desvios e eventos inesperados \u00e0 medida em que ocorrem.<\/p>\n<p><strong>Conectividade permanente<\/strong><\/p>\n<p>A Procter and Gamble \u00e9 uma empresa entre milh\u00f5es de outras. Seu sistema interno, al\u00e9m disso, \u00e9 hier\u00e1rquico: os funcion\u00e1rios e os clientes n\u00e3o t\u00eam voz nas decis\u00f5es tomadas pela administra\u00e7\u00e3o. Como passar do planejamento de neg\u00f3cios para o de uma economia como um todo, ademais com base em procedimentos democr\u00e1ticos? A quest\u00e3o permanece sem solu\u00e7\u00e3o. No entanto, a explos\u00e3o da capacidade de coleta e de processamento de dados tornou poss\u00edvel a conectividade permanente, o que levanta a quest\u00e3o da transpar\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>O monitoramento digital em tempo real dos processos de produ\u00e7\u00e3o e transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas n\u00e3o est\u00e1 mais confinado ao n\u00edvel corporativo. Estende-se al\u00e9m das cadeias de valor, onde as tarefas executadas em diferentes entidades s\u00e3o combinadas para produzir produtos acabados. Os dados digitais permitem o gerenciamento centralizado de cadeias de valor cada vez mais complexas e demoradas. Esta \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais os dados de propriedade intelectual s\u00e3o uma quest\u00e3o central hoje.<\/p>\n<p>Por exemplo, como parte do programa \u201cInd\u00fastria 4.0\u201d iniciado pelo governo alem\u00e3o, os fabricantes come\u00e7aram a implantar sistemas cibern\u00e9ticos (f\u00edsicos) que combinam sensores conectados (\u201cinternet das coisas\u201d), tecnologias de computa\u00e7\u00e3o em nuvem e algoritmos de computador, processamento de dados, para que \u201cas partes digitais do quebra-cabe\u00e7as da cadeia de suprimentos se unam de uma maneira que permita um gerenciamento mais hol\u00edstico e em tempo real de todo o ecossistema\u201d<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote5sym\"><sup>24<\/sup><\/a>. Esse tipo de integra\u00e7\u00e3o implica uma circula\u00e7\u00e3o muito densa de informa\u00e7\u00f5es com caracter\u00edsticas t\u00e9cnicas, o que dota o sistema de pre\u00e7os de um rico substrato informacional.<\/p>\n<p>Outras tecnologias, tal como o\u00a0<em>blockchain<\/em>, est\u00e3o mudando a maneira como a confian\u00e7a e a seguran\u00e7a podem ser implantadas em um sistema econ\u00f4mico. Elas garantem a integridade de um sistema de transa\u00e7\u00f5es entre indiv\u00edduos ou entidades dispersas sem a necessidade de passar por um controle hier\u00e1rquico. Usada inicialmente para o desenvolvimento de moedas eletr\u00f4nicas, essa tecnologia agora tamb\u00e9m suporta o desenvolvimento de sistemas de contabilidade. Segundo a Deloitte, essa inova\u00e7\u00e3o poderia favorecer a amplia\u00e7\u00e3o das redes das trocas mercantis<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote6sym\"><sup>25<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua natureza descentralizada, essa tecnologia tamb\u00e9m \u00e9 implantada por v\u00e1rios atores p\u00fablicos e privados para garantir a transpar\u00eancia do com\u00e9rcio mar\u00edtimo, para rastrear a origem dos diamantes ou para garantir a proveni\u00eancia dos produtos da pesca, ademais, para manter a integridade da cadeias mar\u00edtimas refrigeradas para produtos farmac\u00eauticos<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote7sym\"><sup>26<\/sup><\/a>. Torna-se, assim, poss\u00edvel destacar o que as trocas de mercado n\u00e3o revelam por si mesmas, algo que ecoa a aspira\u00e7\u00e3o por uma transpar\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es sociais e que foi buscado pelos primeiros te\u00f3ricos da planifica\u00e7\u00e3o. De imediato, essas tecnologias s\u00e3o usadas para automatizar certas tarefas, como procedimentos alfandeg\u00e1rios no caso do com\u00e9rcio mar\u00edtimo ou a destrui\u00e7\u00e3o de produtos em caso de quebra da cadeia de refrigera\u00e7\u00e3o. No que diz respeito ao objeto deste artigo, ilustra a possibilidade de uma coordena\u00e7\u00e3o descentralizada n\u00e3o mercantil, baseada em princ\u00edpios preestabelecidos. As decis\u00f5es econ\u00f4micas n\u00e3o s\u00e3o tomadas de acordo com as caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas e observ\u00e1veis dos produtos, mas com a hist\u00f3ria sociot\u00e9cnica das mercadorias em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Os instrumentos da ind\u00fastria 4.0 e do blockchain de produtos n\u00e3o financeiros mostram que os sistemas de informa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neos desenvolvem capacidades para coordenar as intera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre pessoas dispersas sem o emprego do liame monet\u00e1rio. Eles contornam, portanto, certamente de maneira localizada, o fetichismo das mercadorias.<\/p>\n<p><strong>Rastreando o futuro nos tra\u00e7os digitais<\/strong><\/p>\n<p>Outro desenvolvimento recente consiste nos sistemas de informa\u00e7\u00e3o que cont\u00eam capacidades antecipat\u00f3rias. Esse \u00e9, por exemplo, o caso da \u201cmanuten\u00e7\u00e3o preditiva\u201d, em que se mobilizam grandes dados sobre ocorr\u00eancias anteriores. Por meio de sensores colocados nos equipamentos industriais que d\u00e3o sinais de desgastes, \u00e9 poss\u00edvel desencadear interven\u00e7\u00f5es preventivas antes que as pe\u00e7as enfraquecidas causem falhas. Da mesma forma, os tra\u00e7os digitais deixados por nossas atividades on- line permitem que as plataformas antecipem nossas expectativas com base em nosso comportamento passado. Por exemplo, se voc\u00ea comprou um livro de Marc L\u00e9vy na Amazon, durante a sua pr\u00f3xima visita ao site, o algoritmo oferecer\u00e1 um Guillaume Musso similar mas n\u00e3o Marcel Proust. Isso d\u00e1 ao indiv\u00edduo comprador um apoio \u00e0 sua decis\u00e3o, permitindo, no n\u00edvel agregado, uma otimiza\u00e7\u00e3o dos processos log\u00edsticos. Eis que reduz drasticamente a necessidade de armazenamentos e, consequentemente, os riscos de m\u00e1 aloca\u00e7\u00e3o de recursos<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote8sym\"><sup>27<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Dominique Cardon chama esses tipos de usos dos algoritmos de \u201cbehaviorismo radical\u201d: eles reenviam permanentemente ao consumidor a imagem de seu consumo passado<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote9sym\"><sup>28<\/sup><\/a>\u00a0e retornam aos equipamentos industriais as regularidades anteriormente observadas. A priori, n\u00e3o se v\u00ea como a centraliza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es passadas por tais plataformas poderia fomentar a inova\u00e7\u00e3o ou antecipar as necessidades futuras; pois, os consumidores e usu\u00e1rios n\u00e3o t\u00eam muitas vezes ideia do precisam mais a frente. A inova\u00e7\u00e3o \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, orientada para o futuro, tendo assim, tamb\u00e9m, uma natureza dial\u00f3gica e estoc\u00e1stica.<\/p>\n<p>De qualquer modo, as capacidades de inova\u00e7\u00e3o est\u00e3o cada vez mais associadas ao controle e ao gerenciamento de dados. O CEO da Siemens, Joe Kaiser, disse que se est\u00e1 na presen\u00e7a do \u201csanto graal da inova\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote10sym\"><sup>29<\/sup><\/a>. Com os avan\u00e7os no aprendizado de m\u00e1quina, o ac\u00famulo de dados \u00e9 cada vez mais visto como um pr\u00e9-requisito para o processo de inova\u00e7\u00e3o. O Big Data abre a possibilidade de resolver problemas que v\u00e3o al\u00e9m das quest\u00f5es simples de otimiza\u00e7\u00e3o. Ao identificar padr\u00f5es, eles sugerem rela\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o identificadas que, embora n\u00e3o sejam inova\u00e7\u00f5es enquanto tais, ajudam a orientar a pesquisa e o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Assim, para promover a inova\u00e7\u00e3o, o Wal-Mart usa um software chamado HANA que, segundo o escrit\u00f3rio de informa\u00e7\u00e3o dessa empresa, \u201cflutua acima de seu sistema de gest\u00e3o integral\u201d. Dados fornecidos pelos 245 milh\u00f5es de clientes, fluentes \u00e0 taxa de 1 milh\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es por hora, dados fornecidos pelos 17.500 fornecedores da empresa, dados gerados pela atividade interna do empreendimento relativos a um n\u00famero enorme de transa\u00e7\u00f5es, dados externos (sobre clima, redes sociais, indicadores econ\u00f4micos, etc.) constituem uma enorme mina em que analistas pesquisam para enfrentar problemas que os diversos demandantes lhes prop\u00f5e para resolver. Essa montanha de dados revela solu\u00e7\u00f5es das quais os analistas n\u00e3o tinham qualquer intui\u00e7\u00e3o pr\u00e9via<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote11sym\"><sup>30<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>At\u00e9 que ponto esses dispositivos s\u00e3o ferramentas eficazes para a inova\u00e7\u00e3o? Dif\u00edcil responder na aus\u00eancia de estudos sobre o assunto. A suposi\u00e7\u00e3o de que o big data ajuda a identificar os principais problemas e, portanto, contribui para ter uma vantagem competitiva em termos de inova\u00e7\u00e3o, est\u00e1 no centro das pr\u00e1ticas de neg\u00f3cios e das preocupa\u00e7\u00f5es dos reguladores. \u00c9 o que diz Margarete Vestager, comiss\u00e1ria europeia para a promo\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia, para explicar por que abriu uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a Amazon no outono de 2018:<\/p>\n<blockquote><p>A Sra. Vestager informa que a sua pergunta diz respeito aos dados: voc\u00eas \u2013 ela questiona \u2013 tamb\u00e9m usam esses dados para fazer as suas pr\u00f3prias previs\u00f5es, para estimar qual ser\u00e1 a pr\u00f3ximo evento importante, o que as pessoas querem, que tipos de ofertas eles querem receber, o que os leva a comprar mercadorias?<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote12sym\"><sup>31<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>A quest\u00e3o visava saber se a Amazon se beneficiava do ac\u00famulo de dados de vendas de terceiros em sua plataforma. Mas a suposi\u00e7\u00e3o mais ampla era de que o controle desses dados alimentava a inova\u00e7\u00e3o. No caso das empresas capitalistas, o crit\u00e9rio decisivo imposto aos algoritmos \u00e9 sempre a obten\u00e7\u00e3o de lucros; por\u00e9m, se neles fossem incrustados outros par\u00e2metros sociais relevantes, eles poderiam facilitar o funcionamento de uma economia planejada.<\/p>\n<p><strong>Planificar por meio dos algoritmos<\/strong><\/p>\n<p>Otimiza\u00e7\u00e3o, intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o monet\u00e1rias, antecipa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o: os sistemas de informa\u00e7\u00e3o tocam cada uma dessas dimens\u00f5es-chaves da coordena\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias dessa nova ferramenta informacional para a constru\u00e7\u00e3o de projetos de planejamento? Em que medida mudaram os termos do debate cl\u00e1ssico sobre o c\u00e1lculo econ\u00f4mico socialista?<\/p>\n<p>Duas posi\u00e7\u00f5es se confrontam a esse respeito. Alguns, na esteira da escola austr\u00edaca de von Mises e Hayek, colocam \u00eanfase na persist\u00eancia de problemas decorrentes da natureza t\u00e1cita e dispersa do conhecimento. Se assim for, seria imposs\u00edvel que um processo de planejamento centralizado pudesse a criar uma din\u00e2mica de aprendizagem coletiva dotada, ademais, de satisfat\u00f3ria criatividade<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote13sym\"><sup>32<\/sup><\/a>. Para outros, pelo contr\u00e1rio, as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas mudaram os termos do debate, uma vez que derrubaram uma das principais obje\u00e7\u00f5es ao planejamento. E esta dizia respeito \u00e0 impossibilidade de realizar os c\u00e1lculos necess\u00e1rios para a opera\u00e7\u00e3o do plano centralizado.<\/p>\n<p>O debate, agora, centra-se em tr\u00eas quest\u00f5es principais. A primeira diz respeito \u00e0 coleta de informa\u00e7\u00f5es relevantes, a segunda se refere \u00e0 otimiza\u00e7\u00e3o, ou seja, ao processamento das informa\u00e7\u00f5es e \u00e0 capacidade de arbitrar de modo consistente levando em conta o custo de oportunidade, dado um conjunto de restri\u00e7\u00f5es e de prefer\u00eancias. A terceira aponta para a inova\u00e7\u00e3o, para a incerteza e para a transforma\u00e7\u00e3o qualitativa da sociedade \u00e0 medida que as for\u00e7as produtivas e as mudan\u00e7as culturais, sociais e pol\u00edticas se desenvolvem.<\/p>\n<p>Se as informa\u00e7\u00f5es relevantes puderem ser reunidas, as tecnologias de inform\u00e1tica dispon\u00edveis permitir\u00e3o otimizar a aloca\u00e7\u00e3o de recursos em um dado momento e, em particular, ajustar o plano inicial em tempo real, dependendo dos desenvolvimentos observados. Esse \u00e9 um ponto importante se lembrarmos, por exemplo, que Lionel Robbins considerou, nos anos 1930, que uma solu\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica para o problema da aloca\u00e7\u00e3o racional de recursos era conceb\u00edvel no papel, mas que, na pr\u00e1tica, essa solu\u00e7\u00e3o era inating\u00edvel: Isso exigiria a escrita de milh\u00f5es de equa\u00e7\u00f5es baseadas em milh\u00f5es de dados estat\u00edsticos baseados em ainda mais milh\u00f5es de c\u00e1lculos individuais. No momento em que as equa\u00e7\u00f5es forem resolvidas, as informa\u00e7\u00f5es nas quais elas se baseiam se tornar\u00e3o obsoletas e precisar\u00e3o ser calculadas novamente<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote14sym\"><sup>33<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O mesmo argumento concernente aos limites das capacidades de c\u00e1lculo foi decisivo nos anos 1960, pois foi usado contra o projeto do economista ucraniano Glushkov que previa uma planifica\u00e7\u00e3o integral da economia sovi\u00e9tica, a qual, portanto, dispensava o uso do dinheiro. O tempo de c\u00e1lculo foi avaliado em muitas centenas de milh\u00f5es de anos<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote15sym\"><sup>34<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Atualmente, entretanto, mesmo considerando que a complexifica\u00e7\u00e3o das economias implique numa multiplica\u00e7\u00e3o dos dados a serem levados em conta e mesmo que se saiba que mobilizar o poder computacional tem um custo energ\u00e9tico e que este \u00e9 ecologicamente significativo, julga-se que os avan\u00e7os feitos na computa\u00e7\u00e3o permitem obter de forma centralizada uma poss\u00edvel aloca\u00e7\u00e3o \u00f3tima de recursos . Essa hip\u00f3tese foi j\u00e1 considerada por Alin Cottrell e Paul Cockshott; eles imaginaram um sistema de planejamento baseado na contabilidade no tempo de trabalho e guiado pela informa\u00e7\u00e3o revelada pelas escolhas dos consumidores ao usarem os seus certificados de tempo de trabalho n\u00e3o transfer\u00edveis para a compra de bens de consumo<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote16sym\"><sup>35<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Os argumentos contra este modelo n\u00e3o dizem respeito a dificuldades de c\u00e1lculo. Eles se concentram na disponibilidade de dados relevantes para desenvolver o plano e possibilitar a inova\u00e7\u00e3o<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote17sym\"><sup>36<\/sup><\/a>. A quest\u00e3o fundamental, levantada por Hayek, diz respeito ao conhecimento necess\u00e1rio ao funcionamento do sistema: este \u00e9 sempre disperso, t\u00e1cito e inacess\u00edvel. Assim, o saber mobilizado pelos agentes econ\u00f4micos em suas decis\u00f5es econ\u00f4micas, seja como produtores seja como consumidores, n\u00e3o se encontra incorporado em dados. O ajuste do pre\u00e7o de mercado tanto expressa como produz esse conhecimento, o qual \u00e9 irredut\u00edvel a qualquer forma de codifica\u00e7\u00e3o. Ora isto, ao mesmo tempo, implica na impossibilidade de um planejamento racional.<\/p>\n<p>Sem entrar nos detalhes dessa discuss\u00e3o essencial, mas complexa demais para ser detalhada aqui, vamos primeiro notar que a cr\u00edtica marxista do fetichismo da mercadoria lida precisamente com a incapacidade do sistema de pre\u00e7os de dar conta de informa\u00e7\u00f5es relevantes, as quais se referem tanto \u00e0s necessidades que precisam ser satisfeitas quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o que as atendem. Qualquer discuss\u00e3o sobre as dificuldades cognitivas do plano deve, portanto, espelhar de algum modo esse problema do fetichismo. Note-se que h\u00e1 reminisc\u00eancias dele no contexto da economia padr\u00e3o por meio das no\u00e7\u00f5es de externalidades e de falhas de mercado.<\/p>\n<p>Deste ponto de vista, a possibilidade de conceber e de integrar uma pluralidade de indicadores no quadro do c\u00e1lculo econ\u00f4mico que alimenta o plano de produ\u00e7\u00e3o, estabelecendo depois uma hierarquia de restri\u00e7\u00f5es, pode aparecer como uma vantagem vis-\u00e0-vis o car\u00e1ter unidimensional da informa\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria veiculada pelo mercado. \u00c9 precisamente isso que os \u201ccen\u00e1rios\u201d de transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica tentam fazer; eis que usam indicadores desse tipo para representar e planejar o atendimento das necessidades reais.<\/p>\n<p>Uma segunda obje\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 ideia de que os agentes n\u00e3o sabem as suas prefer\u00eancias antes de interagir no mercado. Atendo-se \u00e0 big data e ao desenvolvimento do poder preditivo que ela permite, essa hip\u00f3tese deve ser matizada. A maioria das decis\u00f5es econ\u00f4micas individuais de consumo ou investimento \u00e9 previs\u00edvel, pelo menos redut\u00edvel a uma variedade limitada de op\u00e7\u00f5es com regularidade facilmente sintetiz\u00e1veis em um n\u00edvel de agrega\u00e7\u00e3o mais alto. A incerteza radical est\u00e1, portanto, confinada a um dom\u00ednio decisivo, mas limitado, correspondendo ao investimento e \u00e0 difus\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O \u00faltimo elemento diz respeito ao que a cr\u00edtica do plano ignora. Ele \u00e9 cego para o tipo de conhecimento dial\u00f3gico que pode emergir do pr\u00f3prio processo de planejamento. Ao estabelecer prioridades coletivas, ele cria um contexto para a express\u00e3o de prefer\u00eancias econ\u00f4micas. Como as prefer\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o independentes do contexto<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote18sym\"><sup>37<\/sup><\/a>, esse quadro de express\u00e3o traz \u00e0 tona um tipo de conhecimento inacess\u00edvel aos processos de mercado, que pode ser associado \u00e0 ideia de uma forma mais elevada de consci\u00eancia da sociedade em quest\u00e3o \u00e0 si mesma \u2013 a qual, ali\u00e1s, Marx previu a vinda. O grande n\u00famero \u00e9 mais inteligente do que o pequeno n\u00famero: esse princ\u00edpio \u00e9 geralmente aceito em quest\u00f5es pol\u00edticas, para justificar a superioridade epist\u00eamica da democracia sobre outros regimes pol\u00edticos<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote19sym\"><sup>38<\/sup><\/a>. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para que n\u00e3o seja assim no campo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Contra todas as expectativas, os algoritmos podem ser socialistas. Assim como Engels afirma no Anti-D\u00fchring (1878) que, com os trustes do final do s\u00e9culo XIX, o mercado j\u00e1 dera lugar ao planejamento, agora \u00e9 necess\u00e1rio levar a s\u00e9rio a suposi\u00e7\u00e3o de que o Google, SAP ou Alibaba prefiguram uma organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica p\u00f3s-capitalista. Em todo caso, \u00e9 isso o que sugere Jack Ma, CEO da \u00faltima empresa acima mencionada:<\/p>\n<blockquote><p>No \u00faltimo s\u00e9culo, passamos a acreditar que a economia de mercado \u00e9 o melhor sistema. Mas, na minha opini\u00e3o, vamos testemunhar uma mudan\u00e7a significativa nas pr\u00f3ximas tr\u00eas d\u00e9cadas. Eis que a economia planejada se tornar\u00e1 cada vez mais importante. Por qu\u00ea? Porque por meio do acesso a v\u00e1rios tipos de dados, provavelmente seremos capazes de substituir a m\u00e3o invis\u00edvel do mercado<a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote20sym\"><sup>39<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Sem prejulgar a profundidade de tal poss\u00edvel modo de planejamento, deve-se pelo menos enfocar uma pluralidade de indicadores ecol\u00f3gicos e sociais capazes de delinear os constrangimentos livremente escolhidos, dentro dos quais a atividade econ\u00f4mica deve se movimentar, o que coloca em termos in\u00e9ditos a quest\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es entre plano e democracia.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote1anc\">20<\/a>\u00a0Ver Francis, Spufford \u2013 Red plenty. Inside the fifties\u2019 soviet dream, Londres, Faber and Faber, 2010.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote2anc\">21<\/a>\u00a0Slava, Gerovitch \u2013 From newspeak to cyberspeak : a history of Soviet cybernetics, Cambridge MA, MIT Press, 2002, chap. 6.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote3anc\">22<\/a>\u00a0Eden, Medina \u2013 Le Projet Cybersyn : la cybern\u00e9tique socialiste dans le Chili de Salvador Allende, Paris, Editions B2, 2017.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote4anc\">23<\/a>\u00a0Pache Gilles et al., \u201cLogistique et technologies disruptives dans les r\u00e9seaux globalises de production: le role-cl\u00e9 des donn\u00e9es massives\u201d, Revue d\u2019\u00e9conomie industrielle, 2019.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote5anc\">24<\/a>\u00a0Mario, Hermann; Tobias, Pentek; Boris, Otto \u2013 \u201cDesign principles for industries 4.0 scenarios\u201d, 49th Hawaii International Conference on System Sciences, IEEE, 2016, pp. 3928-3937; Stan, Aronow; Ennis Kimberly, Jim, Romano \u2013 \u201cThe Gartner Supply Chain Top 25 for 2017\u201d, Gartner Consulting, 24 de maio de 2017.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote6anc\">25<\/a>\u00a0Tyler, Welmans \u2013 \u201cBlockchain and Crypto-Assets: leading toward a global barter economy?\u201d, Financial Times, 19 de junho de 2018.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote7anc\">26<\/a>\u00a0Thomas, Bocek et al. \u2013 \u201cBlockchains everywhere: a use-case of blockchains in the pharma supply-chain\u201d, IFIP\/IEEE Symposium on Integrated Network and Service Management, IEEE, 2017, pp. 772-777; Kirstoffer, Francisco; David, Swanson \u2013 \u201cThe supply chain has no clothes: technology adoption of blockchain for supply chain transparency\u201d, Logistics,, 2018\/2, n\u00b0 1 ; Nir, Kshetri \u2013 \u201cBlockchain\u2019s roles in meeting key supply chain management objectives\u201d, International Journal of Information Management, 2018, n\u00b0 38, pp. 80-89. Com agradecimentos a Emberton, Alex e a Befrage, Claes da Universidade de Liverpool por nos terem fornecidos essas refer\u00eancias.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote8anc\">27<\/a>\u00a0Binbin, Wang; Xiaoyan Li \u2013 \u201cBig Data, Platform Economy and Market Competition. A Preliminary Construction of Plan-Oriented Market Economy System in the Information Era\u201d, World Review of Political Economy, vol. 8, n\u00b0 2, 2017.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote9anc\">28<\/a>\u00a0Ver Dominique, Cardon \u2013 \u00c0 quoi r\u00eavent les algorithmes ? Nos vies \u00e0 l\u2019heure des big data, Paris, Seuil, 2015, pp. 66-71.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote10anc\">29<\/a>\u00a0Joseph, Kaeser; Gross Daniel \u2013 \u201cSiemens CEO Joe Kaeser on the next industrial revolution\u201d, Strategy and Business, 9 de fevereiro de 2016, URL:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.strategy-business.com\/article\/Siemens-CEO-Joe-Kaeser-on-the-Next-Industrial-Revolution?gko=efd41\">https:\/\/www.strategy-business.com\/article\/Siemens-CEO-Joe-Kaeser-on-the-Next-Industrial-Revolution?gko=efd41<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote11anc\">30<\/a>\u00a0Wilson, Marianne \u2013 \u201cWal-Mart Focuses on Speed, Innovation with SPA\u2019s HANA Technology\u201d, Chain Store Age, 6 mai 2015 ; Marr, B. \u2013 \u201cReally Big Data At Walmart : Real-Time Insights From Their 40 + Petabyte Data Cloud\u201d, Forbes, 23 de janeiro de 2017.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote12anc\">31<\/a>\u00a0Shannon, Bond \u2013 \u201cAmazon\u2019s ever-increasing power unnerves vendors\u201d, in Financial Times, 20 de setembro de 2018.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote13anc\">32<\/a>\u00a0Joseph, Kane \u2013 \u201cMises Meets the Internet: Revisiting the Calculation Debate in Light of Recent Technology\u201d, Social Science Research Network, 27 de fevereiro de 2016.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote14anc\">33<\/a>\u00a0Robbins, Lionel, The Great Depression (1934), Book for Libraries Press, Freeport, New York, 1971, p. 151.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote15anc\">34<\/a>Vsevolod Pugachev, \u201cVoprosy optimal\u2019nogo planirovaniia narodnogo khoziaistvas pomoshch\u2019iu edinoi gosudarstvennoi seti vychistel\u2019 nykh tsentrov \u226b, Voprosy Ekonomiki, n\u00b0 7, 1964, pp. 93-103.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote16anc\">35<\/a>\u00a0Cottrell, Allin; Paul, Cockshott W. \u2013 \u201cCalculation, complexity and planning: the socialist calculation debate one again\u201d, Review of Political Economy 5, n\u00b0 1, janeiro de 1993, pp. 73-112.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote17anc\">36<\/a>\u00a0Hodgson, Geoffrey \u2013 \u201cSocialism against markets? A critique of two recent proposals 1998\u201d, Economy and Society, vol. 27, n\u00b0 4, 998, pp. 407-433; Joseph, Kane \u2013 \u201cMises Meets the Internet: Revisiting the Calculation Debate in Light of Recent Technology\u201d, op. cit.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote18anc\">37<\/a>Amos, Tversky ; Itamar, Simonson \u2013 \u201cContext-dependent preferences\u201d, Management Science, vol. 39, n\u00b0 10, octobre 1993, pp. 1179-1189.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote19anc\">38<\/a>\u00a0Ver Helene, Landemore \u2013 Democratic Reason. Politics, Collective Intelligence, and the Rule of the Many, Princeton, Princeton University Press, 2017.<\/p>\n<p><a href=\"chrome-extension:\/\/ecabifbgmdmgdllomnfinbmaellmclnh\/data\/reader\/index.html?id=57#sdendnote20anc\">39<\/a>Citado em \u201cCan big data help to resurrect the planned economy?\u201d, Global Times, 14 de junho de 2017. Com agradecimento a Nathan Sperber por haver indicado esta cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"4kcZEumR8V\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/pos-capitalismo-na-era-do-algoritimo-2\/\">P\u00f3s-capitalismo na era do algoritmo (2)<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;P\u00f3s-capitalismo na era do algoritmo (2)&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/pos-capitalismo-na-era-do-algoritimo-2\/embed\/#?secret=RZqbfeBtA7#?secret=4kcZEumR8V\" data-secret=\"4kcZEumR8V\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e9dric Durand\u00a0e\u00a0Razmig\u00a0Keucheyan &#8211; Salvador Allende queria a inform\u00e1tica em favor do planejamento estatal. As corpora\u00e7\u00f5es empregam-na para o lucro e a desigualdade. Um socialismo renovado seria desafiado a utiliz\u00e1-la para superar o mercado e a aliena\u00e7\u00e3o A informatiza\u00e7\u00e3o da vida econ\u00f4mica Outro modo de planejamento poderia ter surgido e se consolidado na URSS gra\u00e7as \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7737,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[68],"class_list":["post-11282","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teoria","tag-tecnologia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>P\u00f3s-capitalismo na era do algoritmo (2) - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/08\/18\/pos-capitalismo-na-era-do-algoritmo-2\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"P\u00f3s-capitalismo na era do algoritmo (2) - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"C\u00e9dric Durand\u00a0e\u00a0Razmig\u00a0Keucheyan &#8211; Salvador Allende queria a inform\u00e1tica em favor do planejamento estatal. 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