{"id":11253,"date":"2019-08-14T09:38:16","date_gmt":"2019-08-14T12:38:16","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=11253"},"modified":"2019-08-13T21:20:32","modified_gmt":"2019-08-14T00:20:32","slug":"argentina-os-mercados-cercam-a-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/08\/14\/argentina-os-mercados-cercam-a-democracia\/","title":{"rendered":"Argentina: os mercados cercam a democracia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Antonio Martins<\/strong> &#8211;\u00a0Nas urnas, popula\u00e7\u00e3o goleou pol\u00edtica quase id\u00eantica \u00e0 de Bolsonaro. Um dia depois, oligarquia financeira deflagra crise cambial e sugere: \u201cagora, quem vota somos n\u00f3s\u201d. V\u00eam a\u00ed lances decisivos para o futuro da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<blockquote><p>Ao renunciar \u00e0 candidatura \u00e0 presid\u00eancia, ela qualificou-se como estrategista da vit\u00f3ria sobre a direita \u2013 agora mais poss\u00edvel que nunca. Seu gesto diz muito, a Brasil \u00e0s voltas com Bolsonaro e a uma Europa amea\u00e7ada pelo neofascismo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por que permanecem firmes os governos que, a exemplo do brasileiro, perdem apoio popular, mant\u00eam ou agravam a crise social, devastam o parque produtivo e vomitam por todos os poros incivilidade e patifaria? Qual a rela\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edticas ultracapitalistas, tramadas nos sal\u00f5es elegantes dos bancos e das empresas de consultoria globais, e as falas de latrina de um Bolsonaro, um Trump, um Duterte \u2013 ou, ainda pior, a r\u00e1pida eros\u00e3o das liberdades civis e o avan\u00e7o das mil\u00edcias e esquadr\u00f5es da morte? Pode um pol\u00edtico neoliberal disfar\u00e7ar-se de populista e contar com o apoio expl\u00edcito do FMI? Como vencer este casamento de conveni\u00eancias \u2013 por\u00e9m, de sinistras consequ\u00eancias \u2013 entre defensores extremados da \u201cliberdade\u201d dos mercados e protofascistas?<\/p>\n<p>Nada como a experi\u00eancia, para encontrar as respostas. No \u00faltimo domingo (11\/8), os argentinos \u2013 que em 2001 repudiaram uma d\u00edvida externa avassaladora e produziram o maior<em>\u00a0default<\/em>financeiro de todos os tempos \u2013 protagonizaram outro evento in\u00e9dito. Pela primeira vez, um governo instalado na onda atual de ascenso da ultra-direita foi batido nas urnas. Os peronistas Alberto Fern\u00e1ndez e Cristina Fern\u00e1ndez (Kirchner) arrasaram Maur\u00edcio Macri, vencendo-o por 15 pontos percentuais (47,7% x 32,2%) em prim\u00e1rias gerais. Embora n\u00e3o sejam as elei\u00e7\u00f5es definitivas (marcadas para 27\/10), as prim\u00e1rias atra\u00edram 75% dos eleitores, foram realizadas pela Justi\u00e7a Eleitoral segundo as mesmas normas e procedimentos do pleito e s\u00e3o consideradas por todos como ind\u00edcio de derrota quase certa do candidato neoliberal.<\/p>\n<p>Na segunda-feira, os mercados deflagraram sua resposta. Os grandes aplicadores iniciaram uma fuga cambial em massa, que fez a moeda argentina<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2019\/aug\/12\/argentinian-peso-plunges-as-centre-left-win-election-primary\">\u00a0despencar 30%<\/a>\u00a0em poucas horas. O d\u00f3lar chegou a valer 60 pesos (caindo para 57,30 depois de tr\u00eas interven\u00e7\u00f5es do Banco Central, que torraram mais US$ 106 milh\u00f5es). Na bolsa de Buenos Aires, as a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m desabaram, com o \u00cdndice Merval recuando tamb\u00e9m 30%. A onda de pessimismo repercutiu pelo mundo e<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2019\/aug\/12\/argentinian-peso-plunges-as-centre-left-win-election-primary\">\u00a0derrubou as cota\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0de outras moedas na periferia do sistema: a lira turca, o rand sul-africano, o real brasileiro. Mas a oligarquia financeira, que apoiou Macri durante todo o seu mandato, julgou-se em condi\u00e7\u00f5es de fazer exig\u00eancias\u2026 a Alberto Fern\u00e1ndez. O candidato peronista \u201cprecisa enviar uma mensagem para os mercados, que o enxergam com desconfian\u00e7a\u201d, disse Rodrigo \u00c1lvarez, diretor da consultora Analytica, ao di\u00e1rio portenho\u00a0<em>Clar\u00edn.<\/em><\/p>\n<p><em>* * *<\/em><\/p>\n<p>Ultracapitalistas e protofascistas estiveram em campos muito distintos, durante quase todo o s\u00e9culo XX. O arranjo entre estas duas correntes pol\u00edticas repete-se, em todo o mundo, cada vez mais frequentemente desde a crise de 2008 \u2013 mas assume caracter\u00edsticas distintas em cada pa\u00eds. Na Argentina, foi galvanizada pela elei\u00e7\u00e3o de Maur\u00edcio Macri em 2015 e configurou-se como um neoliberalismo com fortes nuances assistencialistas. O governo do atual presidente tem tr\u00eas fases distintas. As transi\u00e7\u00f5es entre elas revelam que a conex\u00e3o entre as correntes que o apoiam n\u00e3o \u00e9 fortuita, porque se mant\u00e9m, em distintos cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>Na primeira fase, Macri \u00e9, em ess\u00eancia, neoliberal ao extremo e repressivo. No terreno econ\u00f4mico, ele libera a entrada e sa\u00edda de d\u00f3lares (permitindo, inclusive, contas de argentinas na moeda norte-americana). Elimina os impostos de importa\u00e7\u00e3o, que distribu\u00edam parte da imensa riqueza dos propriet\u00e1rios de terra. Entra em acordo com a oligarquia financeira global, desfazendo o\u00a0<em>default\u00a0<\/em>aberto e a renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida (em termos muito mais favor\u00e1veis) realizada por Nestor e Cristina Kirchner. Elimina os subs\u00eddios \u00e0 eletricidade e ao g\u00e1s, fazendo disparar os pre\u00e7os destes itens de consumo popular. Aprova no Congresso uma\u00a0contrarreforma trabalhista\u00a0que limita a possibilidade de os trabalhadores recorrerem \u00e0 Justi\u00e7a contra seus patr\u1e4des. Alinha-se com Donald Trump. No terreno dos direitos humanos, crescem fen\u00f4menos pouco conhecidos at\u00e9 ent\u00e3o pelos argentinos, como o\u00a0encarceramento em massa\u00a0(a pretexto da \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d) e as\u00a0execu\u00e7\u00f5es de \u201csuspeitos\u201d\u00a0pela pol\u00edcia. Mas avan\u00e7ou tamb\u00e9m a repress\u00e3o pol\u00edtica por parte do Estado. Uma aproxima\u00e7\u00e3o oportunista com os militares levou o presidente a\u00a0relativizar, em diversas ocasi\u00f5es, os crimes da ditadura sangrenta p\u00f3s-1976. E novas normas legais facilitaram a\u00a0deten\u00e7\u00e3o maci\u00e7a\u00a0de participantes em manifesta\u00e7\u00f5es de rua.<\/p>\n<p>Para que os ataques a direitos sociais n\u00e3o pintassem um governo claramente antipopular, houve pol\u00edticas assistencialistas. Aten\u00e7\u00e3o nutricional a crian\u00e7as at\u00e9 4 anos. Um pequeno apoio econ\u00f4mico a micro e pequenas empresas (muito insuficiente para compensar a quebradeira provocada pelas pol\u00edticas neoliberais). Uma c\u00f3pia do Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada que, no Brasil, atende aos idosos que n\u00e3o puderam contribuir com a Previd\u00eancia o tempo necess\u00e1rio para obter aposentadoria.<\/p>\n<p>Os mercados globais aplaudiram e financiaram a aventura. Um forte fluxo de aplica\u00e7\u00f5es irrigou a Argentina, por cerca de dois anos e meio. A queda das receitas tribut\u00e1rias foi financiada em d\u00f3lares. O resultado foi um enorme salto da d\u00edvida externa. Entre 2015 e 2018, ela mais do que dobrou, saltando de US$ 63 bilh\u00f5es para US$ 140 bi. Ent\u00e3o, os credores apresentaram a conta, na forma de uma primeira rodada de press\u00f5es intensas sobre o peso.<\/p>\n<p>At\u00e9 o final do governo de Cristina Kirchner, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar mantinha-se relativamente est\u00e1vel, em torno de 20 pesos. Em 2018, em menos de seis meses, a taxa pulou para 40. Como ocorreria tamb\u00e9m no Brasil, o resultado foi uma forte alta na infla\u00e7\u00e3o. Em junho, a barreira dos 30% ao ano foi rompida. Para um presidente que, como candidato, prometera infla\u00e7\u00e3o zero, era um desastre pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Come\u00e7a ent\u00e3o, simultaneamente uma segunda etapa do governo e da parceria entre ultracapitalistas e protofascistas. O marco emblem\u00e1tico \u00e9 o acordo com o FMI, firmado neste mesmo m\u00eas. Suas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o especial\u00edssimas, como mostra um<a href=\"https:\/\/centrocepa.com.ar\/informes\/222-los-fmi-y-la-campana-electoral-analisis-del-cumplimiento-de-los-criterios-tecnicos-del-organismo-para-el-caso-argentino.html\">\u00a0estudo detalhado<\/a>\u00a0do Centro de Economia Pol\u00edtica Argentina (<a href=\"https:\/\/centrocepa.com.ar\/\">CEPA<\/a>). Nunca o Fundo havia emprestado tanto a um pa\u00eds: US$ 50 bilh\u00f5es, que depois subir\u00e3o para US$ 57 bi. Mas o que chama mais aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a extrema coincid\u00eancia entre os desembolsos e\u2026 o calend\u00e1rio eleitoral. Como mostra o CEPA, 88% das transfer\u00eancias bilion\u00e1rias do FMI v\u00e3o se dar at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es de outubro pr\u00f3ximo \u2013 e deste montante, os volumes mais gordos correspondem exatamente aos meses finais da campanha. Tudo parece claro: n\u00e3o se trata do \u201cresgate\u201d de um pa\u00eds, mas da tentativa, por parte da aristocracia financeira global, de salvar seu aliado local e bloquear a elei\u00e7\u00e3o de um governo de esquerda. Em novembro, quase todo o empr\u00e9stimo estar\u00e1 esgotado. Se Macri for reeleito, pagar\u00e1 a conta. Se os eleitores preferirem os peronistas, o pa\u00eds estar\u00e1 quebrado.<\/p>\n<p>Como \u00e9 comum nestes casos, contudo, o feiti\u00e7o fracassa. O FMI imp\u00f5e aos argentinos a \u201causteridade\u201d, com tentativa de redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do d\u00e9ficit fiscal \u2013 salvo, \u00e9 claro, para pagar juros aos grandes credores do Estado. Emerge uma crise social descrita, em detalhes, por<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2019\/05\/10\/business\/argentina-economy-macri-populism.html\">\u00a0vasta mat\u00e9ria<\/a>\u00a0do\u00a0<em>New York Times.\u00a0<\/em>No segundo semestre, o percentual da popula\u00e7\u00e3o abaixo da linha de pobreza<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/28\/internacional\/1553792656_629543.html\">\u00a0chega a 32%<\/a>. O pa\u00eds passa a conviver com favelas, enorme aumento da popula\u00e7\u00e3o obrigada a viver nas ruas, gente obrigada a buscar nos lix\u00f5es algo com que sobreviver.<\/p>\n<p>E vem, em abril de 2019, a \u00faltima viragem, quase uma confirma\u00e7\u00e3o do desespero. O Fundo Monet\u00e1rio Internacional n\u00e3o se limita a elevar em 7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares um \u201cresgate\u201d que j\u00e1 era recorde. Agora permite explicitamente, e contrariando suas normas internas, que o dinheiro seja utilizado para sustentar, de modo provis\u00f3rio e prec\u00e1rio, a cota\u00e7\u00e3o do peso frente ao d\u00f3lar. Abastecido \u2013 e sem vergonha alguma de contrariar a si pr\u00f3prio \u2013 o governo Macri adotar\u00e1 alguma das medidas que mais criticava no per\u00edodo peronista, e que o FMI mais critica nos governos que deseja sabotar. Controle pre\u00e7os, mediante \u201cacordo\u201d com as grandes redes de varejo. Subs\u00eddio de tarifas p\u00fablicas \u2013 com revers\u00e3o de aumentos que j\u00e1 haviam sido anunciados. Volta de alguns dos impostos sobre exporta\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>commodities<\/em>.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>\u201cUm tsunami passou pelo quarto escuro. \u00c0s vezes, os cidad\u00e3os pronunciam-se como se tivessem conjurado\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pagina12.com.ar\/211727-primeras-impresiones-despues-de-la-goleada\">escreveu<\/a>, em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pagina12.com.ar\/\"><em>P\u00e1gina 12<\/em><\/a><em>,\u00a0<\/em>o analista pol\u00edtico M\u00e1rio Wainfeld. A aut\u00eantica revolta popular expressa nas urnas em 11\/8 revela \u201cfastio e esperan\u00e7a\u201d, disse ele. H\u00e1 limites para a demagogia, as\u00a0<em>fake news<\/em>, a troca da pol\u00edtica pelo emprego maci\u00e7o de\u00a0<em>Big Data,\u00a0<\/em>a provoca\u00e7\u00e3o ininterrupta, o xingamento dos advers\u00e1rios, a polariza\u00e7\u00e3o que tolhe o debate, o desrespeito aos ritos da democracia e at\u00e9 aos bons modos. Tamb\u00e9m os bolsonaros encontram seu dia.<\/p>\n<p>O ataque detonado na segunda-feira pela oligarquia financeira \u00e9 um desafio claro a Alberto Fern\u00e1ndez e Cristina. Como reagir\u00e1 o candidato \u00e0 Presid\u00eancia, conhecido por uma postura mais moderada que a de sua companheira de chapa? Assinar\u00e1 algo como uma \u201cCarta aos Argentinos\u201d, 17 anos depois de Lula e numa conjuntura em que os banqueiros j\u00e1 n\u00e3o buscam acordos no \u00e2mbito da democracia \u2014 e sim romp\u00ea-la, para proteger seus pr\u00f3prios privil\u00e9gios?<\/p>\n<p>Em grande medida, a goleada imposta por Fern\u00e1ndez parece dever-se ao fato de ter adotado outra postura, ao longo dos primeiros meses de campanha. Embora evitando cair em armadilhas e fazer declara\u00e7\u00f5es que pudessem ser transformadas em armas contra si pela m\u00eddia hegem\u00f4nica, ele deixou claro em uma de suas pe\u00e7as de propaganda na TV: \u201cn\u00e3o podemos pagar nossas d\u00edvidas at\u00e9 que voltemos a crescer\u201d.<\/p>\n<p>Significa que ele \u201cpoderia, se eleito, dar calote nos pap\u00e9is do governo e renegociar o empr\u00e9stimo com o FMI\u201d, lamentou\u00a0<em>The Economist,\u00a0<\/em>em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.economist.com\/the-americas\/2019\/08\/10\/might-mauricio-macri-be-reelected-in-argentina\">coment\u00e1rio<\/a>\u00a0que n\u00e3o esconde a torcida por Macri. Os eleitores mostraram que pensam diferente; que \u00e9 poss\u00edvel contar com eles para uma virada que sacuda a alian\u00e7a entre as duas direitas e coloque a Argentina em rumo oposto ao atual. As onze semanas que faltam para a elei\u00e7\u00e3o ser\u00e3o dram\u00e1ticas. Mas se as inspira\u00e7\u00f5es da coragem pol\u00edtica animarem Alberto e Cristina, o cen\u00e1rio pol\u00edtico da Am\u00e9rica do Sul ir\u00e1 se tornar, a partir de 27 de outubro, muito mais interessante, rico em alternativas, menos sombrio e cinzento.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"hV1izgKPhm\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/estadoemdisputa\/argentina-os-mercados-cercam-a-democracia\/\">Argentina: os mercados cercam a democracia<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Argentina: os mercados cercam a democracia&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/estadoemdisputa\/argentina-os-mercados-cercam-a-democracia\/embed\/#?secret=IQi494QwHC#?secret=hV1izgKPhm\" data-secret=\"hV1izgKPhm\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Martins &#8211;\u00a0Nas urnas, popula\u00e7\u00e3o goleou pol\u00edtica quase id\u00eantica \u00e0 de Bolsonaro. 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