{"id":11128,"date":"2019-07-30T18:20:23","date_gmt":"2019-07-30T21:20:23","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=11128"},"modified":"2019-07-30T18:12:50","modified_gmt":"2019-07-30T21:12:50","slug":"a-vida-nao-pode-ser-trabalhar-a-semana-inteira-e-ir-ao-supermercado-no-sabado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/07\/30\/a-vida-nao-pode-ser-trabalhar-a-semana-inteira-e-ir-ao-supermercado-no-sabado\/","title":{"rendered":"\u201cA vida n\u00e3o pode ser trabalhar a semana inteira e ir ao supermercado no s\u00e1bado\u201d"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<p class=\"font_secondary color_gray_dark \"><strong>ADELINE MARCOS<\/strong> &#8211; Paleoantrop\u00f3logo Juan Luis Arsuaga, que acaba de publicar um livro, tenta desvendar o sentido da vida: \u201cDeve haver algo mais&#8230; E essa outra coisa se chama cultura. \u00c9 a m\u00fasica, a poesia, a natureza, a beleza&#8230;\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">As escava\u00e7\u00f5es na jazida arqueol\u00f3gica de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/atapuerca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Atapuerca<\/a>\u00a0em Burgos come\u00e7aram no final dos anos setenta. Em 1982 se juntou ao trabalho o paleoantrop\u00f3logo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/juan_luis_arsuaga\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Juan Luis Arsuaga<\/a>\u00a0(Madri, 1954), um dos diretores da Funda\u00e7\u00e3o Atapuerca com Eudald Carbonell e Jos\u00e9 Mar\u00eda Berm\u00fadez de Castro, al\u00e9m de diretor cient\u00edfico do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/evolucion_humana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Museu da Evolu\u00e7\u00e3o Humana<\/a>\u00a0em Burgos. Pouco depois, come\u00e7ariam a ser descobertos restos de f\u00f3sseis humanos que iluminariam a hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p class=\"\">Atualmente centenas de milhares de pessoas visitam todos os anos a escava\u00e7\u00e3o e o museu, que de acordo com Arsuaga proporciona modernidade e identidade \u201cda boa\u201d. \u201cO\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/museos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">museu<\/a>\u00a0\u00e9 um bom exemplo de como fazer as coisas\u201d, diz.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>\u201cMinha participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o do Parque Nacional de Guadarrama \u00e9 a coisa mais importante que j\u00e1 fiz em minha vida, mais at\u00e9 do que descobrir f\u00f3sseis\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\">Al\u00e9m da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/paleontologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">descoberta de f\u00f3sseis<\/a>, o cientista se sente especialmente orgulhoso de sua participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o do parque nacional da Serra de Guadarrama em Madri em 2013. \u201c\u00c9 a coisa mais importante que fiz em toda minha vida, mais at\u00e9 do que descobrir f\u00f3sseis\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"\">Junto com a publica\u00e7\u00e3o de seu \u00faltimo livro\u00a0<em>Vida, la gran historia<\/em>\u00a0(Vida, a Grande Hist\u00f3ria), o pesquisador foi recentemente nomeado presidente da Funda\u00e7\u00e3o Gadea Ciencia com um objetivo: \u201cQue a funda\u00e7\u00e3o se transforme em algo \u00fatil \u00e0 sociedade\u201d. Mas para o paleoantrop\u00f3logo, seu cargo mais importante \u00e9 o de professor na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ucm_universidad_complutense\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Universidade Complutense de Madri.<\/a><\/p>\n<p class=\"\"><strong>Pergunta.<\/strong>\u00a0Imaginou em algum momento quais descobertas poderiam ocorrer em Atapuerca?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0N\u00e3o poderia imaginar e, de fato, todos os anos ocorrem surpresas. A melhor coisa que pode acontecer em um projeto cient\u00edfico \u00e9 que ele te surpreenda. Se n\u00e3o o faz significa que seus potenciais j\u00e1 se esgotaram.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0E o que mais o surpreendeu ao longo desses anos?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A descoberta de tantos f\u00f3sseis humanos \u00e9 obviamente o mais importante em meu trabalho, mas nesses anos ocorreram coisas em Atapuerca e na ci\u00eancia, como as an\u00e1lises gen\u00e9ticas, com as quais ningu\u00e9m contava e sequer imaginava. Agora temos estudos de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">DNA<\/a>\u00a0de 400.000 anos. Foi uma surpresa para todo mundo. Em Atapuerca o mais importante foi o grande n\u00famero de descobertas de restos humanos, que aparecem mais do que em qualquer outro lugar, mais do que no restante das outras jazidas arqueol\u00f3gicas juntas.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Por que escolheu a jazida arqueol\u00f3gica de Atapuerca?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 uma hist\u00f3ria que se parece com qualquer outra no mundo da ci\u00eancia. Diferentes possibilidades s\u00e3o investigadas, linhas s\u00e3o exploradas, algumas parecem mais interessantes e l\u00e1 se coloca mais esfor\u00e7o, se progride e os resultados aparecem. Ent\u00e3o se investe mais. A hist\u00f3ria de Atapuerca n\u00e3o \u00e9 o resultado de uma intui\u00e7\u00e3o genial. Na verdade, Atapuerca s\u00f3 come\u00e7ou a dar resultados em 1992, quando foi feita a primeira grande descoberta. Mas o come\u00e7o foi muito duro, como o \u00e9 para um astr\u00f4nomo, um bi\u00f3logo molecular e um bot\u00e2nico. No come\u00e7o \u00e9 uma roda que gira muito devagar. A ci\u00eancia tem um m\u00e9todo comum. N\u00e3o h\u00e1 tanta diferen\u00e7a entre estudar terremotos e procurar f\u00f3sseis. Consiste em explorar o desconhecido e ningu\u00e9m sabe como faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Apesar de trabalhar com o desconhecido, pensam no que pode ser descoberto?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o, mas escavamos onde j\u00e1 sabemos que h\u00e1 f\u00f3sseis. Essas jazidas arqueol\u00f3gicas s\u00e3o para obter mais do mesmo. E depois surge o desconhecido. H\u00e1 mundos novos que s\u00e3o os fascinantes e os conhecidos dos quais podemos saber mais. Em Atapuerca temos isso, os mundos j\u00e1 conhecidos e outros que n\u00e3o conhecemos bem.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Mas depois surgem descobertas, como a de uma mand\u00edbula em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/israel\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Israel<\/a>, que reescrevem o que j\u00e1 sab\u00edamos\u2026<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Bom, n\u00e3o se deve dar tanta import\u00e2ncia aos autores. \u00c9 preciso matizar. \u00c0s vezes fico preocupado quando se diz que uma descoberta obriga a reescrever a evolu\u00e7\u00e3o humana. Seria um desastre. \u00c9 como se antes n\u00e3o soub\u00e9ssemos nada. Se descobr\u00edssemos uma nova cidade romana, mudaria tudo o que sabemos sobre os romanos? Claro que n\u00e3o! Ganhamos mais conhecimento sobre certas \u00e9pocas e momentos da evolu\u00e7\u00e3o humana, mas sem exagerar.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_left\">\n<div>\u201cAo contr\u00e1rio do que se pensa, a ci\u00eancia \u00e9 sumamente cautelosa e conservadora. As publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas s\u00e3o muito s\u00f3brias\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Ainda que algumas vezes tenha sido esse o caso\u2026<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, \u00e9 verdade que \u00e0s vezes se produzem conhecimentos que n\u00e3o mudam o que j\u00e1 se sabia, mas que ampliam o conhecimento. Por exemplo, em 1994 se pensava que a Europa teria sido povoada h\u00e1 quinhentos mil anos, mas nesse mesmo ano encontramos f\u00f3sseis humanos em grande abund\u00e2ncia de 900.000 anos atr\u00e1s. Ou seja, 400.000 anos mais antigos. Isso \u00e9 como chegar a um continente desconhecido, mas o descobrimento da Am\u00e9rica n\u00e3o mudou a \u00c1sia e a Europa, simplesmente acrescentou algo. A ci\u00eancia cresce.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o ao peda\u00e7o de maxilar encontrado em Israel, sua descoberta foi suficiente para determinar que o\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>\u00a0saiu antes da \u00c1frica. Como \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 como encontrar um rel\u00f3gio em um templo asteca. O que voc\u00ea diria? Isso \u00e9 muito importante. Somente um rel\u00f3gio muda tudo. Como podem saber que faziam tecnologia avan\u00e7ada? Se faziam rel\u00f3gios&#8230; H\u00e1 casos que s\u00e3o \u00f3bvios. Existem not\u00edcias que obrigam a revisar muitas coisas. Na verdade, n\u00e3o aparecem rel\u00f3gios, e sim aperfei\u00e7oamentos e amplifica\u00e7\u00f5es do que sabemos. Ao contr\u00e1rio do que se pensa, a ci\u00eancia \u00e9 sumamente cautelosa e conservadora. As publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas s\u00e3o muito s\u00f3brias.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Por que a antropologia nos atrai tanto?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Porque nossas origens nos interessam. S\u00f3 h\u00e1 duas explica\u00e7\u00f5es: a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/religion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">religi\u00e3o<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/seccion\/ciencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">ci\u00eancia<\/a>. As pessoas querem saber de onde v\u00eam e por que estamos aqui. Costumamos dizer que as tr\u00eas perguntas da filosofia basca refletem o ser humano: quem somos? De onde viemos? E onde vamos comer? Mas al\u00e9m disso temos preocupa\u00e7\u00f5es intelectuais: o que fazemos aqui? O que nos criou? H\u00e1 quem procure uma explica\u00e7\u00e3o religiosa, m\u00edstica ou extraterrestre, mas todo mundo precisa saber por que est\u00e1 aqui. Essa pergunta, inerente ao humano, \u00e9 a mais importante que pode ser feita. Assim que voc\u00ea solucionar a quest\u00e3o da comida, a pr\u00f3xima \u00e9 essa [risos]. As crian\u00e7as que nascerem nos pr\u00f3ximos mil\u00eanios ir\u00e3o se fazer a mesma pergunta.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0E na verdade nunca ser\u00e1 totalmente respondida&#8230; ou ser\u00e1?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A religi\u00e3o d\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o falsa e os cientistas explicam. Cada um procura sua felicidade pessoal. Mas se voc\u00ea quer saber de onde viemos, eu te explico. Se quer saber por que estamos aqui, eu te explico&#8230;<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>\u201cH\u00e1 quem procure uma explica\u00e7\u00e3o religiosa, m\u00edstica ou extraterrestre, mas todo mundo precisa saber por que est\u00e1 aqui\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0N\u00e3o sei se vou perguntar ao senhor [risos]&#8230; Por que estamos aqui?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Meu novo livro \u00e9 justamente sobre isso. A evolu\u00e7\u00e3o, da origem do cosmos \u00e0 origem da vida, passa por diferentes etapas: o surgimento da Terra, a vida nela, as c\u00e9lulas complexas, a consci\u00eancia, a mente simb\u00f3lica, o pensamento abstrato, etc. Cada um desses passos poderia ou n\u00e3o ter acontecido. Provavelmente n\u00e3o era preciso que acontecessem ou talvez fossem inevit\u00e1veis. A pergunta \u00e9 se a hist\u00f3ria da vida e a hist\u00f3ria humana t\u00eam uma dire\u00e7\u00e3o, um sentido. O pr\u00f3prio leitor, com a informa\u00e7\u00e3o que lhe dou, decide se cada passo \u00e9 algo que tinha que acontecer ou poderia nunca ter ocorrido.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0De modo que o leitor responde a si mesmo?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, deixo que decida por si mesmo. O leitor \u00e9 t\u00e3o inteligente que pode chegar \u00e0s suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es. De modo que n\u00e3o sou respons\u00e1vel pela filosofia dos outros. Dou todas as informa\u00e7\u00f5es sobre o que pensaram os diversos g\u00eanios. Eu conto o que existe, dou minha opini\u00e3o, e o que os mais inteligentes disseram sobre os diferentes passos que nos fizeram chegar at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O senhor poderia me dizer, hoje, por que estamos aqui?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Voc\u00ea est\u00e1 aqui porque seu pai e sua m\u00e3e tiveram rela\u00e7\u00f5es uma noite. Mas \u00e9 preciso procurar a explica\u00e7\u00e3o. E isso est\u00e1 no livro.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Mas quanto mais informa\u00e7\u00e3o temos, mais o mundo nos parece complexo\u2026<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 que \u00e9 muito complexo e contradit\u00f3rio&#8230; Os que tentam simplificar o complexo s\u00e3o muito perigosos. Se pegarmos, por exemplo, o c\u00f3digo gen\u00e9tico que temos, o DNA, \u00e9 o \u00fanico poss\u00edvel? Podem existir outros c\u00f3digos gen\u00e9ticos? Por que temos esse e n\u00e3o outro que poderia ser melhor? Por que n\u00e3o?<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_left\">\n<div>\u201cEm meu livro, o leitor decide por si mesmo se cada passo da hist\u00f3ria humana \u00e9 algo que precisava acontecer ou poderia nunca ter ocorrido\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Falando de DNA, me vem a cabe\u00e7a a descoberta de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/22\/ciencia\/1534955666_091393.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Denny, a filha de uma neandertal<\/a>\u00a0e um denisovano. Com essas descobertas sempre vem \u00e0 discuss\u00e3o uma pergunta recorrente:\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>, neandertais e denisovanos poderiam ser a mesma esp\u00e9cie?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o, n\u00e3o somos. Nesse instante, voc\u00ea est\u00e1 falando em espanhol ou em \u00e1rabe?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Espanhol, que eu saiba.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Voc\u00ea sabia que a palavra\u00a0<em>alcalde<\/em>\u00a0(prefeito, em portugu\u00eas, que tamb\u00e9m tem a palavra alcaide, de significado semelhante) vem de \u2018al-qadi\u2019, de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/idiomas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">origem \u00e1rabe<\/a>? Mas n\u00e3o \u00e9 por isso que falamos \u00e1rabe. Termos palavras de origem \u00e1rabe n\u00e3o transforma o espanhol em \u00e1rabe. Ter 2% de genes neandertais n\u00e3o transforma voc\u00ea em neandertal. Em biologia, como nas l\u00ednguas, todas as popula\u00e7\u00f5es t\u00eam alguns genes de outras esp\u00e9cies. Como n\u00e3o foi um deus que nos criou, se espera que as esp\u00e9cies absorvam genes umas das outras. Somente um criacionista poderia pensar que as esp\u00e9cies s\u00e3o puras, separadas e que n\u00e3o t\u00eam contato com outras.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Essas tr\u00eas esp\u00e9cies viveram ao mesmo tempo, mas s\u00f3 compartilhamos uma pequena porcentagem de genes. \u00c9 isso o que nos diferencia?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Temos genes de todas as partes. Veja os espanh\u00f3is. Temos um monte de genes africanos e das estepes. Veja os ursos da Cant\u00e1bria. T\u00eam 2% de genes de ursos das cavernas. \u00c9 como se voc\u00ea dissesse que o espanhol foi criado por Deus como uma l\u00edngua diferente do franc\u00eas. Nesse caso sim seria surpreendente que tiv\u00e9ssemos uma palavra em comum. Deus n\u00e3o se repete. Mas os idiomas s\u00e3o um produto da evolu\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica e, levando em considera\u00e7\u00e3o que somos vizinhos, n\u00e3o me surpreende que digamos\u00a0<em>cruas\u00e1n<\/em>(varia\u00e7\u00e3o em espanhol da palavra francesa croissant) mesmo n\u00e3o sendo franceses, e sim espanh\u00f3is. Aplico esse mesmo racioc\u00ednio \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/biologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">biologia<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O que acha das an\u00e1lises gen\u00e9ticas vendidas hoje para conhecer nossa origem? Eu, por exemplo, que sou francesa, n\u00e3o tenho nada de franc\u00eas. Isso deve ter acontecido com muita gente. Como se explicaria isso a essas pessoas?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 que o franc\u00eas n\u00e3o existe, \u00e9 um conceito pol\u00edtico. Realmente n\u00e3o existem o gene franc\u00eas e o basco. S\u00e3o na realidade diferentes propor\u00e7\u00f5es e misturas.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Se as pessoas soubessem disso, acha que afetaria os nacionalismos?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Em princ\u00edpio, n\u00e3o. O fato de termos genes diferentes n\u00e3o deveria mudar nada. O nacionalismo atual \u00e9 mais cultural. Sabia que o sobrenome mais comum da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cataluna\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Catalunha<\/a>\u00a0\u00e9 Fern\u00e1ndez, por exemplo? O nacionalismo renunciou h\u00e1 tempos ao componente biol\u00f3gico e agora \u00e9 baseado na cultura. Utilizam outros elementos para definir a identidade. Dito isso, eu n\u00e3o sou nacionalista e minha fam\u00edlia \u00e9 basca e fala o idioma basco.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>\u201cComo n\u00e3o foi um deus que nos criou, se espera que as esp\u00e9cies absorvam genes umas das outras\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Focando na Espanha, que obst\u00e1culos enfrentam a antropologia, a arqueologia e a paleontologia?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Como dizia Groucho Marx, comparado com que? Se compararmos com a Arg\u00e9lia, estamos muito bem. Se compararmos com a Fran\u00e7a e a It\u00e1lia, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa. Mas houve progressos. Temos um patrim\u00f4nio imenso e precisamos saber contar. \u00c9 preciso investir. As institui\u00e7\u00f5es devem saber que isso \u00e9 uma ind\u00fastria e um recurso econ\u00f4mico, em todo caso. Essa \u00e9 a nossa luta. H\u00e1 trabalho a ser feito.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_left\">\n<div>\u201cO nacionalismo renunciou h\u00e1 tempos ao componente biol\u00f3gico e agora se baseia na cultura para definir a identidade\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Em parte, conhecer nosso passado nos faz entender e valorizar mais nosso presente, n\u00e3o acha?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, e nos faz mais felizes, espero. Aprendemos, aproveitamos, vivemos outras vidas. Eu sempre digo que a vida n\u00e3o pode ser trabalhar a semana inteira e ir ao supermercado no s\u00e1bado. N\u00e3o pode ser assim. Essa vida n\u00e3o \u00e9 humana. Deve haver algo mais, mas aqui, nessa vida. E essa outra coisa se chama cultura. \u00c9 a m\u00fasica, a poesia, a natureza, a beleza&#8230; \u00c9 o que se deve apreciar e aproveitar porque, caso contr\u00e1rio, isso \u00e9 uma merda.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Nossos antepassados seguramente sabiam apreciar melhor a vida&#8230;<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sem d\u00favida. N\u00e3o trabalhavam a semana inteira e n\u00e3o iam ao supermercado no s\u00e1bado.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Ent\u00e3o o que n\u00f3s fizemos de errado?<\/p>\n<p class=\"\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Alguma coisa fizemos errado, mas ainda temos tempo. Temos Mozart. N\u00e3o \u00e9 pouco. Apreciar a beleza \u00e9 uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e sensibilidade. Procure o que \u00e9 belo na vida. H\u00e1 muita beleza.<\/p>\n<p>https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/31\/cultura\/1559293697_965411.html<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ADELINE MARCOS &#8211; Paleoantrop\u00f3logo Juan Luis Arsuaga, que acaba de publicar um livro, tenta desvendar o sentido da vida: \u201cDeve haver algo mais&#8230; E essa outra coisa se chama cultura. \u00c9 a m\u00fasica, a poesia, a natureza, a beleza&#8230;\u201d As escava\u00e7\u00f5es na jazida arqueol\u00f3gica de\u00a0Atapuerca\u00a0em Burgos come\u00e7aram no final dos anos setenta. 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