{"id":11072,"date":"2019-07-29T09:59:00","date_gmt":"2019-07-29T12:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=11072"},"modified":"2019-07-28T18:04:17","modified_gmt":"2019-07-28T21:04:17","slug":"o-velho-capitalismo-e-seu-folego-para-dominacao-do-tempo-e-do-espaco-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/07\/29\/o-velho-capitalismo-e-seu-folego-para-dominacao-do-tempo-e-do-espaco-ii\/","title":{"rendered":"O \u201cvelho capitalismo\u201d e seu f\u00f4lego para domina\u00e7\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o (II)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo\u00e3o Vitor Santos<\/strong> &#8211; Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo. Parte II<\/p>\n<p>Na primeira parte da entrevista\u00a0concedida por e-mail \u00e0\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>, o economista\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/590268-crise-que-machuca-a-economia-e-sobretudo-de-inteligencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Gonzaga Belluzzo<\/a>\u00a0destacou como o capitalismo, ou \u201c<strong>Velho Cap<\/strong>\u201d, como ele diz, ainda se mostra potente, capaz de recuperar sua natureza inquieta e criativa para chamar para si um protagonismo no mundo de hoje. O professor tamb\u00e9m refletiu sobre como a concep\u00e7\u00e3o de uma \u201c<strong>nova economia<\/strong>\u201d tem de, essencialmente, passar por quest\u00f5es que ainda n\u00e3o foram resolvidas do antigo \u2013 que na verdade \u00e9 o atual \u2013 modelo. \u201cPara come\u00e7o de conversa, digo que as quest\u00f5es suscitadas nas origens da vida moderna ainda n\u00e3o obtiveram resposta. Nos tempos de prosperidade, elas hibernam e ai dos que ousam despert\u00e1-las. Mas no fragor das crises elas voltam a assombrar o mundo dos vivos\u2019, observa.<\/p>\n<p><strong>Belluzzo<\/strong>, ainda no trecho da entrevista publicada ontem, analisou as infer\u00eancias do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589076-economia-de-francisco-assis-26-28-de-marco-de-2020-mensagem-do-papa-francisco-para-o-evento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">papa Francisco na economia<\/a>, insistindo para que se adotem outros modelos que levem em conta o equil\u00edbrio das formas de vida do planeta e a necessidade de centrar o olhar nos mais pobres. \u201cEm 2013, o\u00a0<strong>papa Francisco<\/strong>\u00a0ofereceu aos cat\u00f3licos e crist\u00e3os a Primeira Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/526119-um-guia-para-a-evangelii-gaudium\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Evangelii Gaudium<\/a>. Assim como as enc\u00edclicas\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/554372-qa-rerum-novarum-favoreceu-o-renascimento-do-compromisso-politicoq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rerum Novarum<\/a>\u00a0de\u00a0<strong>Le\u00e3o XIII<\/strong>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/43085-mater-et-magistra-50-anos-os-desafios-do-ensino-social-da-igreja-hoje\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mater et Magistra<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/519545-a-enciclica-pacem-in-terris-como-a-dimensao-social-do-reino-de-deus-entrevista-especial-com-frei-carlos-josaphat\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pacem in Terris<\/a>\u00a0 de<strong>\u00a0Jo\u00e3o XXIII<\/strong>, a\u00a0<strong>exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica de Francisco<\/strong>\u00a0abordava as vicissitudes e alegrias da vida crist\u00e3 no mundo contempor\u00e2neo\u201d, aponta. E avalia: \u201cos olhares do nosso tempo perderam de vista a ideia de comunidade crist\u00e3, express\u00e3o tantas vezes repetida no texto do Papa e incrustada nas origens do cristianismo.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530948-os-dois-franciscos-a-ultima-entrevista-de-jacques-le-goff\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jacques Le Goff<\/a>\u00a0diz com raz\u00e3o que no cristianismo primitivo e no\u00a0<strong>juda\u00edsmo<\/strong>\u00a0a eternidade n\u00e3o irrompia no tempo (abstrato) para &#8220;venc\u00ea-lo&#8221;. A eternidade n\u00e3o \u00e9 a &#8220;aus\u00eancia do tempo&#8221;, mas a dilata\u00e7\u00e3o do tempo ao infinito. Depois da encarna\u00e7\u00e3o, o tempo adquire uma dimens\u00e3o hist\u00f3rica. Cristo trouxe a certeza da eventualidade da salva\u00e7\u00e3o, mas cabe \u00e0 hist\u00f3ria coletiva e individual realizar essa possibilidade oferecida aos homens pelo sacrif\u00edcio da cruz e pela ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No trecho da entrevista que publicamos hoje,\u00a0<strong>Belluzzo<\/strong>\u00a0retoma os desafios para compreender esse\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/537\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">capitalismo \u201ctransmutante\u201d do s\u00e9culo XXI<\/a>. \u201cAs tend\u00eancias da<strong>\u00a0din\u00e2mica capitalista<\/strong>\u00a0reafirmam sua \u2018natureza\u2019 como modalidade hist\u00f3rica cujo prop\u00f3sito \u00e9 a\u00a0<strong>acumula\u00e7\u00e3o de riqueza<\/strong>\u00a0abstrata, monet\u00e1ria\u201d, indica. Ainda traz uma an\u00e1lise da dura realidade brasileira diante desse cen\u00e1rio. \u201cNo\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0submetido ao poder dos \u201cmercados\u201d, o desemprego n\u00e3o cede, a extrema pobreza avan\u00e7a, a mortalidade infantil progride. Os candidatos centristas e seus economistas n\u00e3o conseguem escapar da carceragem do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/546407-o-ajuste-fiscal-foi-um-erro-de-diagnostico-entrevista-com-luiz-gonzaga-belluzzo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ajuste fiscal<\/a>\u00a0que lan\u00e7ou o pa\u00eds na depress\u00e3o deflagrada em 2015\u201d, aponta. \u201cNo debate brasileiro, os ditos especialistas dizem e repetem que os desvalidos e os mais pobres, na defesa de seus interesses, est\u00e3o a atacar o or\u00e7amento. J\u00e1 os sabich\u00f5es, esses n\u00e3o, eles encarnam a racionalidade, exercida do alto de seus escrit\u00f3rios almofadados\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Por fim, o professor ainda reflete sobre o campo das\u00a0<strong>Ci\u00eancias Econ\u00f4micas<\/strong>\u00a0e os limites da forma como vem sendo apreendida, especialmente pelas novas gera\u00e7\u00f5es de economistas, atualmente. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m olha para a rela\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/580740-estados-unidos-e-china-meio-seculo-de-guerra-comercial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">China e Estados Unidos<\/a>, nesse mundo que parece se realinhar entre outros polos. \u201cDe uma perspectiva\u00a0<strong>geopol\u00edtica e geoecon\u00f4mica<\/strong>, a inclus\u00e3o da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0no \u00e2mbito dos interesses americanos \u00e9 o ponto de partida para a amplia\u00e7\u00e3o das fronteiras do capitalismo, movimento que iria culminar no colapso da\u00a0<strong>Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/strong>\u201d, adianta.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2019\/07\/09_07_luiz_gonzaga_belluzzo-foto_ricardo_machado4.JPG?w=640\" alt=\"\" \/><em>Belluzzo durante confer\u00eancia no IHU<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/286cadernosihuideias2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Gonzaga Belluzzo<\/a>\u00a0\u00e9 graduado em Direito pela Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP, mestre em Economia Industrial pelo Instituto Latino-Americano e Caribenho de Planejamento Econ\u00f4mico e Social \u2013 Ilpes\/Cepal e doutor em Economia pela Universidade de Campinas &#8211; Unicamp. Foi secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda. \u00c9 um dos fundadores da Faculdades de Campinas &#8211; Facamp, onde \u00e9 professor. Publicou recentemente\u00a0<strong>Manda quem pode, obedece quem tem preju\u00edzo<\/strong>\u00a0(S\u00e3o Paulo: Facamp-Editora Contracorrente, 2017). Tamb\u00e9m \u00e9 autor de\u00a0<strong>Capital e suas metamorfoses<\/strong>\u00a0(S\u00e3o Paulo: Unesp, 2013),\u00a0<strong>Os antecedentes da tormenta: origens da crise global<\/strong>\u00a0(Campinas: Facamp, 2009),\u00a0<strong>Temporalidade da Riqueza &#8211; Teoria da Din\u00e2mica e Financeiriza\u00e7\u00e3o do Capitalismo<\/strong>\u00a0(Campinas: Oficinas Gr\u00e1ficas da Unicamp, 2000), entre outras obras.<\/p>\n<p><em>A \u00edntegra da entrevista pode ser lida tamb\u00e9m em\u00a0<strong>Cadernos IHU ideias<\/strong>, no. 286,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/286cadernosihuideias2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dispon\u00edvel aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<h3>Confira a segunda parte da entrevista.<\/h3>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais os desafios para compreender o capitalismo de nosso tempo? E de que forma as transforma\u00e7\u00f5es pelas quais tem passado, visando a sua adapta\u00e7\u00e3o para que supere crises, pode nos inspirar a concep\u00e7\u00e3o de sa\u00eddas de um sistema econ\u00f4mico que destr\u00f3i o planeta, aumenta as desigualdades e exclui?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0<em>What is Wrong with Capitalism?<\/em>\u00a0[1], indagam os editores do\u00a0<strong>Project Syndicate<\/strong>\u00a0[2], site onde desfilam figuras do andar de cima da opini\u00e3o econ\u00f4mica. Entre os escalados para desvendar os enigmas do\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0\u201cerrado\u201d est\u00e3o, entre outros,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/573947-o-imperio-dos-monopolios-artigo-de-joseph-stiglitz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Joseph Stiglitz<\/a>\u00a0[3],\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584701-assim-se-combate-a-religiao-do-lucro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mariana Mazzucato<\/a>\u00a0[4],\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/564623-um-novo-pacto-para-salvar-a-europa-artigo-do-economista-yanis-varoufakis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Yanis Varoufakis<\/a>\u00a0[5] e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/587564-o-capitalismo-esta-sob-seria-ameaca-adverte-raghuram-rajan-economista-que-previu-a-crise-financeira-global\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Raghuram Rajan<\/a>\u00a0[6].<\/p>\n<p>Diante de turma t\u00e3o ilustre e respeit\u00e1vel, sinto algum constrangimento em divergir, sen\u00e3o das respostas, muitas instigantes, mas, sim, da pergunta: O que est\u00e1 errado com o\u00a0<strong>Capitalismo<\/strong>?<\/p>\n<p>Ao responder que n\u00e3o h\u00e1 nada errado, assumo um risco nada desprez\u00edvel. Essa foi a sensa\u00e7\u00e3o que me perseguiu durante e ap\u00f3s a leitura do best-seller\u00a0<em>The Myth of Capitalism<\/em>\u00a0[7] de\u00a0<strong>Jonathan Tepper<\/strong>[8]. O autor encara a morte da concorr\u00eancia perfeita como o epit\u00e1fio do verdadeiro (sic)\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Em minha modesta opini\u00e3o, depois de libertado das disciplinas e amarras sociais que o domesticaram nos<strong>\u00a0Trinta Anos Gloriosos<\/strong>\u00a0do imediato p\u00f3s-guerra, o\u00a0<strong>velho capitalismo<\/strong>\u00a0reconciliou-se com sua natureza inquieta e criativa. T\u00e3o inquieta e criativa que rapidamente transmutou a concorr\u00eancia perfeita em concorr\u00eancia monopolista. Livre, leve e solto em seu peculiar dinamismo, amparado em suas engrenagens tecnol\u00f3gicas e financeiras, o\u00a0<strong>Velho Cap<\/strong>\u00a0promoveu e promove a acelera\u00e7\u00e3o do tempo e o encolhimento do espa\u00e7o. Esses fen\u00f4menos g\u00eameos podem ser observados na\u00a0<strong>globaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>, na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/468\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">financeiriza\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0e nos processos de produ\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>ind\u00fastria 4.0<\/strong>.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/588249-os-enigmas-do-capitalismo-na-era-da-tecnologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nova fase da digitaliza\u00e7\u00e3o da manufatura<\/a>\u00a0\u00e9 conduzida pelo aumento do volume de dados, amplia\u00e7\u00e3o do poder computacional e conectividade, a emerg\u00eancia de capacidades anal\u00edticas aplicadas aos neg\u00f3cios, novas formas de intera\u00e7\u00e3o entre homem e m\u00e1quina, e melhorias na transfer\u00eancia de instru\u00e7\u00f5es digitais para o mundo f\u00edsico, como a rob\u00f3tica avan\u00e7ada e impressoras 3D.<\/p>\n<h3>Novas bases t\u00e9cnicas do capitalismo<\/h3>\n<p>\u00c9 intenso o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/570619-industria-instala-1-5-mil-robos-por-ano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">movimento de automa\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0baseado na utiliza\u00e7\u00e3o de redes de &#8220;m\u00e1quinas inteligentes&#8221;. Nanotecnologia, neuroci\u00eancia, biotecnologia, novas formas de energia e novos materiais formam o bloco de inova\u00e7\u00f5es com enorme potencial de revolucionar outra vez as\u00a0<strong>bases t\u00e9cnicas do capitalismo<\/strong>. Todos os m\u00e9todos que nascem dessa base t\u00e9cnica n\u00e3o podem sen\u00e3o confirmar sua raz\u00e3o interna: s\u00e3o m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o destinados a acelerar a produtividade social do trabalho e intensificar a rivalidade empresarial na busca da ocupa\u00e7\u00e3o dos mercados.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/576432-a-inteligencia-artificial-o-superego-do-seculo-xxi-artigo-de-eric-sadin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">intelig\u00eancia artificial<\/a>, da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/550808-no-limiar-da-internet-das-coisas-as-maquinas-conversam\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">internet das coisas<\/a>\u00a0e da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/560921-um-premio-a-nanotecnologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nanotecnologia<\/a>, das novidades do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589826-por-que-a-tecnologia-5g-representa-um-novo-perigo-para-a-vida\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">5G<\/a>, se associaram ao deslocamento espacial da grande empresa e acentuaram as assimetrias entre pa\u00edses, classes sociais e empresas. A<strong>\u00a0globaliza\u00e7\u00e3o financeira<\/strong>\u00a0e a deslocaliza\u00e7\u00e3o produtiva s\u00e3o filhos diletos da estrat\u00e9gia competitiva da grande empresa comandada pela f\u00faria inovadora e concentradora dos mercados financeiros, em preju\u00edzo da capacidade de regula\u00e7\u00e3o dos Estados Nacionais. Os movimentos competitivos das\u00a0<strong>empresas financeirizadas<\/strong>\u00a0que impulsionam as cadeias globais de valor executam a abstra\u00e7\u00e3o da vida, fragilizando os espa\u00e7os jur\u00eddico-pol\u00edticos nacionais onde se abrigam os mortais cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Os\u00a0<strong>bancos<\/strong>\u00a0e os\u00a0<strong>fundos<\/strong>\u00a0s\u00e3o a cola do sistema ao fazer 95% de toda a movimenta\u00e7\u00e3o financeira: transa\u00e7\u00f5es cambiais,\u00a0<em>hedge<\/em>, pagamentos, transa\u00e7\u00f5es comerciais, investimentos. \u00c9 uma ilus\u00e3o imaginar que rela\u00e7\u00f5es entre a\u00a0<strong>economia real<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>economia monet\u00e1rio-financeira<\/strong>\u00a0s\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o e exterioridade. S\u00e3o rela\u00e7\u00f5es contradit\u00f3rias, mas n\u00e3o opostas, inerentes \u00e0 din\u00e2mica do capitalismo em seu movimento de expans\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e3o inscritas como cl\u00e1usulas p\u00e9treas a\u00a0<strong>concentra\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/565750-o-capital-financeiro-depende-da-divida-publica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">centraliza\u00e7\u00e3o do controle do capital monet\u00e1rio<\/a>\u00a0em institui\u00e7\u00f5es financeiras de grande porte, cada vez mais interdependentes, que submetem a seu dom\u00ednio a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o da renda e da riqueza.<\/p>\n<h3>Gest\u00e3o empresarial apropriada<\/h3>\n<p>As tend\u00eancias da\u00a0<strong>din\u00e2mica capitalista<\/strong>\u00a0reafirmam sua &#8220;natureza&#8221; como modalidade hist\u00f3rica cujo prop\u00f3sito \u00e9 a\u00a0<strong>acumula\u00e7\u00e3o de riqueza abstrata<\/strong>, monet\u00e1ria. No livro\u00a0<em>Darkness by Design<\/em>\u00a0[9], publicado recentemente,\u00a0<strong>Walter Mattli<\/strong>\u00a0[10] desvenda as\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/520058-o-biopoder-exercido-pelos-mercados-financeiros-entrevista-especial-com-andrea-fumagalli\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">rela\u00e7\u00f5es de poder nos mercados financeiros<\/a>: \u201c<em>Elas s\u00e3o centrais para explicar o funcionamento dos mercados, quer no sentido da pol\u00edtica como meio de determinar ganhadores e perdedores, quer na acep\u00e7\u00e3o mais geral dos mercados como institui\u00e7\u00f5es essencialmente pol\u00edticas, nas quais as rela\u00e7\u00f5es de poder s\u00e3o fundamentais<\/em>\u201d.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">As tend\u00eancias da din\u00e2mica capitalista reafirmam sua &#8220;natureza&#8221; como modalidade hist\u00f3rica cujo prop\u00f3sito \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o de riqueza abstrata, monet\u00e1ria &#8211; Luiz Gonzaga Belluzzo<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O\u00a0<strong>capital monet\u00e1rio<\/strong>\u00a0concentrado nas grandes institui\u00e7\u00f5es apoderou-se da gest\u00e3o empresarial, impondo pr\u00e1ticas destinadas a aumentar a participa\u00e7\u00e3o dos ativos financeiros na composi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio, inflar o valor desses ativos e conferir maior poder aos acionistas. A l\u00f3gica da valoriza\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>estoques de riqueza financeira<\/strong>\u00a0passou a comandar o movimento das \u201c<strong>economias reais<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Podemos afirmar que a Ci\u00eancia Econ\u00f4mica tem, na atualidade, se rendido a l\u00f3gicas tecnocr\u00e1ticas? Como compreender a aus\u00eancia das perspectivas da economia pol\u00edtica nos debates mais recentes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0O mal \u00e9 a pol\u00edtica, lamentam os \u201cf\u00edsicos da sociedade\u201d. A pol\u00edtica dos interesses e os interesses da pol\u00edtica, dizem eles, se intrometem frequentemente no jogo da economia, quebrando a harmonia de interesses promovida pela a\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos racionais. Na revista\u00a0<strong>New Yorker<\/strong>,\u00a0<strong>John Lanchester<\/strong>\u00a0[11], autor do livro\u00a0<em>How to Speak Money<\/em>\u00a0[12], escreveu um artigo instigante a respeito das rela\u00e7\u00f5es entre\u00a0<strong>Economia e Humanismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Em 1974, escreve\u00a0<strong>Lanchester<\/strong>, sete pa\u00edses africanos juntaram for\u00e7as para combater a\u00a0<strong>Cegueira dos Rios<\/strong>, doen\u00e7a tropical provocada pela picada de insetos. A\u00a0<strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/strong>supervisionou o programa, um sucesso retumbante que impediu a cegueira de milhares de africanos pobres.<\/p>\n<p>Convidados para avaliar os resultados, economistas do\u00a0<strong>Banco Mundial<\/strong>\u00a0n\u00e3o foram capazes de afirmar se valeu a pena o esfor\u00e7o coletivo. Na opini\u00e3o da turma da ci\u00eancia econ\u00f4mica, a an\u00e1lise de custo-benef\u00edcio foi \u201cinconclusiva\u201d. As pessoas beneficiadas eram t\u00e3o pobres que preservar sua vis\u00e3o tem baixo impacto monet\u00e1rio.<\/p>\n<p>No\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0submetido ao\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589064-e-se-a-tirania-dos-mercados-estiver-chegando-ao-fim\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">poder dos \u201cmercados\u201d<\/a>, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/590154-desemprego-de-longo-prazo-cresce-42-4-entre-2015-e-2019\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">desemprego n\u00e3o cede<\/a>, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/585269-extrema-pobreza-aumenta-e-atinge-15-2-milhoes-de-brasileiros\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">extrema pobreza avan\u00e7a<\/a>, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/581006-com-teto-de-gastos-mortalidade-infantil-deve-se-agravar-diz-chioro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mortalidade infantil<\/a>\u00a0progride. Os candidatos centristas e seus economistas n\u00e3o conseguem escapar da carceragem do<strong>\u00a0ajuste fiscal<\/strong>\u00a0que lan\u00e7ou o pa\u00eds na depress\u00e3o deflagrada em 2015. A vira-latice fiscal ganhou tal for\u00e7a nas manifesta\u00e7\u00f5es que os \u201ccentristas\u201d ousam desrespeitar as recomenda\u00e7\u00f5es do\u00a0<strong>FMI<\/strong>. Outrora famigerado, o organismo de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/555480-o-mundo-precisa-de-um-novo-acordo-de-bretton-woods\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bretton Woods<\/a>\u00a0[13], sem abandonar suas proverbiais prud\u00eancias, exercita suas ousadias.<\/p>\n<p>Em documento publicado em julho de 2017, o\u00a0<strong>Fundo<\/strong>\u00a0refor\u00e7a a recomenda\u00e7\u00e3o j\u00e1 prolatada em outras ocasi\u00f5es: \u201c<em>a composi\u00e7\u00e3o dos planos de consolida\u00e7\u00e3o em termos dos diversos instrumentos fiscais \u00e9 importante. Por exemplo, um corte no investimento tem um impacto mais negativo sobre o crescimento em compara\u00e7\u00e3o a um corte nos gastos prim\u00e1rios. Assim, as autoridades devem procurar preservar o investimento p\u00fablico para apoiar o crescimento e o emprego<\/em>\u201d. O novo texto insiste nas recomenda\u00e7\u00f5es proclamadas na edi\u00e7\u00e3o de outubro de 2014 do\u00a0<strong>World Economic Outlook<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">No debate brasileiro, os ditos especialistas dizem e repetem que os desvalidos e os mais pobres, na defesa de seus interesses, est\u00e3o a atacar o or\u00e7amento &#8211; Luiz Gonzaga Belluzzo<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>No Brasil, debate de repeti\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>No\u00a0<strong>debate brasileiro<\/strong>, os ditos especialistas dizem e repetem que os desvalidos e os mais pobres, na defesa de seus interesses, est\u00e3o a atacar o or\u00e7amento. J\u00e1 os sabich\u00f5es, esses n\u00e3o, eles encarnam a racionalidade, exercida do alto de seus escrit\u00f3rios almofadados.<\/p>\n<p>Devastados pelo\u00a0<strong>desemprego<\/strong>, pela\u00a0<strong>inseguran\u00e7a<\/strong>\u00a0e pela\u00a0<strong>fome<\/strong>, indiv\u00edduos de carne e osso respondem com suas capacidades \u00e0 avalanche de \u201c<strong>fake ideas<\/strong>\u201d disseminadas pelos ditos \u201cespecialistas\u201d. H\u00e1 quem se disponha a atemorizar os brasileiros desgra\u00e7ados com os horrores do\u00a0<strong>calote da d\u00edvida<\/strong>\u00a0ou da\u00a0<strong>hiperinfla\u00e7\u00e3o<\/strong>, caso a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/588411-reforma-tributaria-como-alternativa-a-reforma-da-previdencia-entrevista-especial-com-eduardo-fagnani\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reforma da Previd\u00eancia<\/a>\u00a0n\u00e3o seja aprovada.<\/p>\n<p>As arengas dos especialistas se acovardam ao enfrentar os escandalosos desequil\u00edbrios de poder e riqueza. Diante da rea\u00e7\u00e3o dos perdedores \u00e0s reformas propostas, resta aos intelectuais do establishment prosseguir na tradi\u00e7\u00e3o de empregar palavras sem conceito e gritar \u201c<strong>populismo<\/strong>!!!\u201d. Isso quando n\u00e3o recomendam mais sacrif\u00edcios. Como sentencia a par\u00eamia sertaneja: \u201cos relho \u00e9 que vareia, os lombo \u00e9 sempre os mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Sou tentado a mudar o registro e buscar apoio de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/581499-os-80-anos-da-nausea-de-sartre-e-o-humanitarismo-desencarnado-artigo-de-massimo-recalcati\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jean-Paul Sartre<\/a>\u00a0[14] e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4047&amp;secao=371\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Adam Smith<\/a>\u00a0[15] para entender os desencontros entre, digamos, as elites bem-pensantes e o povar\u00e9u mergulhado nas trevas do populismo!!!. Na\u00a0<strong>Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Dial\u00e9tica<\/strong>\u00a0[16],\u00a0<strong>Sartre<\/strong>\u00a0se recusa a conceber o homem como uma coisa.<\/p>\n<h3>De cidad\u00e3o a servi\u00e7al<\/h3>\n<p>A despeito das armadilhas das estruturas socioecon\u00f4micas que tentam transformar o cidad\u00e3o em um servi\u00e7al da rotina, dos costumes e do conformismo, o homem da raz\u00e3o dial\u00e9tica se caracteriza pelo impulso incontido \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o que o transformou naquilo que pretendem que ele seja. Para desapontamento dos pretensos art\u00edfices da \u201ccoisifica\u00e7\u00e3o\u201d, mulheres e homens est\u00e3o condenados \u00e0 liberdade.<\/p>\n<p>O iluminista e fil\u00f3sofo moral\u00a0<strong>Adam Smith<\/strong>\u00a0define o indiv\u00edduo a partir da liberdade exercida mediante a propens\u00e3o humana natural para a troca. A motiva\u00e7\u00e3o ego\u00edsta do interc\u00e2mbio de mercadorias, no entanto, est\u00e1 ancorada na simpatia m\u00fatua, na sociabilidade enraizada na inclina\u00e7\u00e3o benevolente para o outro.<\/p>\n<p>Nas trevas da\u00a0<strong>economia vulgar<\/strong>, dogm\u00e1tica que nos assola com um ros\u00e1rio de banalidades, a vers\u00e3o smithiana do indiv\u00edduo afetivo e socializado degenerou nas hip\u00f3teses &#8220;cient\u00edficas&#8221; que suprimem as diferen\u00e7as entre os pap\u00e9is sociais dos indiv\u00edduos concretos para aprision\u00e1-los na m\u00e1 abstra\u00e7\u00e3o do homem racional ocupado em maximizar sua escala de utilidades.<\/p>\n<p>Para os iluminados do\u00a0<strong>Anti-Iluminismo<\/strong>, a hist\u00f3ria das sociedades deve culminar na ades\u00e3o incondicional ao c\u00e1lculo utilitarista para extirpar definitivamente os artificialismos da pol\u00edtica. A\u00a0<strong>pol\u00edtica da Polis<\/strong>, essa inven\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os populistas, sempre empenhada em colocar empecilhos \u00e0 a\u00e7\u00e3o racional dos indiv\u00edduos. Formas \u201cnaturais e tamb\u00e9m superiores da sociabilidade \u2013 os nexos monet\u00e1rios e mercantis \u2013 aparecem como as condi\u00e7\u00f5es para se alcan\u00e7ar simultaneamente a\u00a0<strong>Liberdade<\/strong>, a\u00a0<strong>Igualdade<\/strong>\u00a0e a frui\u00e7\u00e3o da m\u00e1xima\u00a0<strong>Utilidade<\/strong>\u00a0para todos. A\u00a0<strong>f\u00f3rmula do mercado<\/strong>n\u00e3o s\u00f3 garante \u2013 diante das restri\u00e7\u00f5es de recursos e da tecnologia \u2013 os melhores resultados do metabolismo econ\u00f4mico, como tamb\u00e9m oferece o modelo ideal para as rela\u00e7\u00f5es entre governantes e governados.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Para os iluminados do Anti-Iluminismo, a hist\u00f3ria das sociedades deve culminar na ades\u00e3o incondicional ao c\u00e1lculo utilitarista para extirpar definitivamente os artificialismos da pol\u00edtica &#8211; Luiz Gonzaga Belluzzo<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Uma \u201cgororoba\u201d glorificada<\/h3>\n<p>Apanhada \u00e0s pressas de alguma interpreta\u00e7\u00e3o da filosofia da hist\u00f3ria de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/482\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hegel<\/a>\u00a0[17], essa gororoba \u00e9 a gl\u00f3ria, mas tamb\u00e9m a mis\u00e9ria do novo pensamento das classes cosmopolitas e dominantes, que espalham a sua descoberta de\u00a0<strong>Nova York<\/strong>\u00a0a\u00a0<strong>Jacarta<\/strong>, de<strong>\u00a0Londres<\/strong>\u00a0a\u00a0<strong>Buenos Aires<\/strong>. Gl\u00f3ria, porque, finalmente, foi poss\u00edvel arrebatar o estandarte do reformismo das m\u00e3os dos advers\u00e1rios que julgavam ter a sua posse definitiva. Mis\u00e9ria porque, sob muitas m\u00e1scaras, o jogo do\u00a0<strong>mercado desregulado<\/strong>amea\u00e7a os fundamentos da ordem estabelecida, ao promover o fracionamento das sociedades, cada vez mais divididas entre os integrados e os exclu\u00eddos, ao mesmo tempo em que fomenta a busca desesperada por formas de identifica\u00e7\u00e3o \u201cprim\u00e1rias\u201d, religiosas, \u00e9tnicas e \u201ctribais\u201d, mutuamente hostis e declaradamente inimigas dos valores republicanos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como a Economia, enquanto ci\u00eancia, campo de saber, pode responder ao chamado estado de crises que se vive no Brasil e no mundo de uma forma que n\u00e3o se restringe \u00e0 l\u00f3gica financeirista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0As\u00a0<strong>teorias novo-cl\u00e1ssicas<\/strong>, com expectativas racionais, levaram ao paroxismo o modelo de equil\u00edbrio geral: afirmam que a estrutura do\u00a0<strong>sistema econ\u00f4mico<\/strong>\u00a0no futuro j\u00e1 est\u00e1 determinada agora. Isto porque a fun\u00e7\u00e3o de probabilidades que governou a economia no passado \u00e9 a mesma distribui\u00e7\u00e3o de probabilidade que a governa no presente e a governar\u00e1 no futuro. Haveria por detr\u00e1s das a\u00e7\u00f5es humanas estruturas naturais capazes de garantir a reprodu\u00e7\u00e3o, quase sem atritos, das rela\u00e7\u00f5es sociais. Tudo o que \u00e9 s\u00f3lido n\u00e3o se desmancha no ar. As<strong>\u00a0teorias econ\u00f4micas dominantes<\/strong>\u00a0e suas pol\u00edticas permanecem espremidas entre a mitologia do equil\u00edbrio e os manuais de instru\u00e7\u00e3o das arrumadeiras de casa ou de alfaiates especializados em ajustar fatiotas. Os f\u00e2mulos da\u00a0<strong>ci\u00eancia econ\u00f4mica<\/strong>\u00a0se entregam \u00e0 farsa pseudocient\u00edfica dos modelos engalanados por matem\u00e1tica de segunda classe.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/172-noticias\/noticias-2012\/505530-os-novos-gurus-da-economia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Thomas Sargent<\/a>\u00a0[18], um dos corifeus das expectativas racionais, nos oferece uma obra-prima da teologia da racionalidade dos agentes e dos mercados perfeitos e competitivos: \u201c<em>As pessoas dentro do modelo t\u00eam muito mais conhecimento sobre o sistema em que est\u00e3o operando do que os economistas ou econometristas que est\u00e3o usando o modelo para entender seu comportamento. Em particular, os econometristas enfrentam problemas de estimar a distribui\u00e7\u00e3o de probabilidades e as leis de movimento que s\u00e3o presumidas de conhecimento dos agentes. As estimativas e t\u00e9cnicas de infer\u00eancia das expectativas racionais presumem que os agentes no modelo conhe\u00e7am o que os econometristas est\u00e3o estimando<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A matriz intelectual dessa ridicularia repousa nos fundamentos do individualismo metodol\u00f3gico que sustentou certezas econ\u00f4micas e pol\u00edticas dos \u00faltimos 40 anos. Aviadas nos gabinetes das universidades e das consultorias, essa cole\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as est\u00e1 apoiada em esquemas conceituais grotescos. A turma das expectativas racionais entregou a chamada\u00a0<strong>ci\u00eancia econ\u00f4mica<\/strong>\u00a0\u00e0s for\u00e7as do pensamento m\u00edtico, em nome da despolitiza\u00e7\u00e3o e da \u201climpeza ideol\u00f3gica\u201d. A consequ\u00eancia dessa empreitada n\u00e3o foi apenas o irrealismo descuidado, mas as sucessivas e persistentes escaramu\u00e7as para esconder o funcionamento concreto das\u00a0<strong>economias capitalistas<\/strong>, um organismo em permanente transforma\u00e7\u00e3o ao longo da hist\u00f3ria, na efetiva\u00e7\u00e3o de suas leis de movimento.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Interessante observar o desenvolvimento da Econof\u00edsica que se utiliza das teorias da complexidade e da \u00e1lgebra relacional para (re)colar as estruturas e os processos econ\u00f4micos na avalanche de dados acumulados pela ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o &#8211; Luiz Gonzaga Belluzzo<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Econof\u00edsica<\/h3>\n<p>S\u00e3o muitas as rea\u00e7\u00f5es ao \u201cdescolamento\u201d da teoria dominante diante do movimento concreto das\u00a0<strong>economias contempor\u00e2neas<\/strong>. Entre tantas, \u00e9 interessante observar o desenvolvimento da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/557902-pesadelos-ludicos-na-economia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Econof\u00edsica<\/a>\u00a0que se utiliza das teorias da complexidade e da \u00e1lgebra relacional para (re)colar as estruturas e os processos econ\u00f4micos na avalanche de dados acumulados pela ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No livro\u00a0<em>Decoding Complexity. Uncovering Patterns of Economic Complexity<\/em>\u00a0[19], o f\u00edsico\u00a0<strong>James Glattfelder<\/strong>\u00a0[20] escreve: \u201c<em>a caracter\u00edstica dos sistemas complexos \u00e9 que o Todo exibe propriedades que n\u00e3o podem ser deduzidas das Partes individuais. Em suma, a teoria da complexidade trata de investigar como o comportamento macro decorre da intera\u00e7\u00e3o entre os elementos do sistema<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>No movimento hist\u00f3rico das\u00a0<strong>economias concretas<\/strong>\u00a0est\u00e3o abrigadas a irreversibilidade e a emerg\u00eancia do novo nas estruturas complexas, pesadelo dos economistas que dormem e sonham com modelos revers\u00edveis e atemporais de equil\u00edbrio geral, s\u00edmiles de joguinhos de lego. Nos modelos macroecon\u00f4micos contempor\u00e2neos, sejam eles novo-cl\u00e1ssicos ou neokeynesianos, todos inspirados pela teoria das expectativas racionais, as flutua\u00e7\u00f5es da economia em torno de sua trajet\u00f3ria de equil\u00edbrio decorrem de \u201c<strong>choques ex\u00f3genos<\/strong>\u201d, como mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas ou na prefer\u00eancia dos consumidores; os mecanismos autom\u00e1ticos de ajuste operar\u00e3o forte e rapidamente.<\/p>\n<h3>Matematicamente perfeito?<\/h3>\n<p>A\u00a0<strong>economia<\/strong>\u00a0tenderia automaticamente a passar de um estado de equil\u00edbrio a outro, gra\u00e7as \u00e0 opera\u00e7\u00e3o das \u201cfor\u00e7as naturais\u201d do mercado. A \u201chip\u00f3tese das expectativas racionais\u201d fundamenta os modelos de equil\u00edbrio geral din\u00e2micos e estoc\u00e1sticos, para reivindicar a estabilidade da economia de mercado. A \u201cotimiza\u00e7\u00e3o\u201d dos indiv\u00edduos racionais foi sintetizada no agente representativo que conhece a estrutura \u201creal\u201d da economia, bem como sua trajet\u00f3ria prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>No artigo \u201c<em>La Preuve dans les Sciences Economiques<\/em>\u201d [21],\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/589785-a-resistencia-do-capitalismo-e-sua-fagocitose-aglietta-e-a-escola-francesa-da-regulacao-e-suas-chaves-de-compreensao-entrevista-especial-com-joao-ildebrando-bocchi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Michel Aglietta<\/a>\u00a0[22] afirma que\u00a0<strong>Leon Walras<\/strong>\u00a0[23] conceituou seu modelo como \u201c<strong>economia pura<\/strong>\u201d.\u00a0<strong>Kenneth Arrow<\/strong>\u00a0[24] e\u00a0<strong>G\u00e9rard Debreu<\/strong>\u00a0[25], apoiados na matem\u00e1tica dos espa\u00e7os compactos, demonstraram a exist\u00eancia de equil\u00edbrio com o teorema do ponto fixo. Nenhum deles, no entanto, deixou de reconhecer que os resultados eram normativos. \u201c<em>O equil\u00edbrio geral definia um mundo econ\u00f4mico matematicamente perfeito. Ningu\u00e9m foi capaz de mostrar os caminhos que deveriam ser seguidos para se alcan\u00e7ar tal equil\u00edbrio<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que forma o senhor observa a forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es de economistas? Qual o papel das escolas de economia na forma\u00e7\u00e3o desses profissionais e como, de fato, t\u00eam agido na atualidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0Como faz meu amigo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/560589-os-limites-de-um-brasil-contemporaneo-preso-ao-periodo-colonial-entrevista-especial-com-mino-carta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mino Carta<\/a>\u00a0[26], indaguei meus bot\u00f5es a respeito da separa\u00e7\u00e3o entre conhecimento e interesse. Eles resmungaram: as recomenda\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises dos economistas, prestadas em boa-f\u00e9, est\u00e3o eivadas de valora\u00e7\u00f5es e pressupostos n\u00e3o revelados. Os famigerados bot\u00f5es foram adiante: as ostenta\u00e7\u00f5es de rigor e cientificidade s\u00e3o incompat\u00edveis com a natureza do objeto investigado. Esse, digamos, \u201cincidente ontol\u00f3gico\u201d \u00e9 quase sempre ignorado pelos praticantes da \u201c<strong>Ci\u00eancia Triste<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Na segunda metade do s\u00e9culo XIX, a economia empreendeu a peregrina\u00e7\u00e3o em busca do\u00a0<strong>Graal da Ci\u00eancia<\/strong>. Tratava-se de mimetizar os procedimentos da mec\u00e2nica cl\u00e1ssica. Em sua trajet\u00f3ria rumo ao \u201cprogresso\u201d, a economia ignorou as mudan\u00e7as de paradigma promovidas pelas \u201crupturas\u201d da termodin\u00e2mica, da f\u00edsica das part\u00edculas e da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/474\">Teoria da Relatividade<\/a>.\u00a0<strong>Ilya Prigogine<\/strong>\u00a0[27] e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/285cadernosihuideias1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Isabelle Stengers<\/a>\u00a0[28] mostram que a\u00a0<strong>fenomenologia<\/strong>\u00a0descrita pela termodin\u00e2mica, pela f\u00edsica das part\u00edculas e pela\u00a0<strong>Teoria da Relatividade<\/strong>\u00a0\u201c<em>nos conduz a compreender um mundo em evolu\u00e7\u00e3o, um mundo onde a \u201cemerg\u00eancia do novo\u201d reveste um significado irrevers\u00edvel&#8230; O ideal da raz\u00e3o suficiente supunha a possibilidade de definir a causa e o efeito, uma lei que estabelece equival\u00eancias revers\u00edveis<\/em>\u201d.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Em sua trajet\u00f3ria rumo ao \u201cprogresso\u201d, a economia ignorou as mudan\u00e7as de paradigma promovidas pelas \u201crupturas\u201d da termodin\u00e2mica, da f\u00edsica das part\u00edculas e da Teoria da Relatividade &#8211; Luiz Gonzaga Belluzzo<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Na dita ci\u00eancia econ\u00f4mica, essas \u201cequival\u00eancias revers\u00edveis\u201d est\u00e3o contempladas em todas as formula\u00e7\u00f5es do\u00a0<strong>modelo de Equil\u00edbrio Geral<\/strong>\u00a0assentadas na hip\u00f3tese do indiv\u00edduo racional e maximizador. A irreversibilidade n\u00e3o est\u00e1 no dicion\u00e1rio dos\u00a0<strong>modelos Din\u00e2micos Estoc\u00e1sticos de Equil\u00edbrio Geral<\/strong>, o \u00faltimo grito da sabedoria econ\u00f4mica. Por isso n\u00e3o s\u00e3o din\u00e2micos coisa nenhuma.<\/p>\n<h3>Fechados num s\u00f3 paradigma<\/h3>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel reivindicar uma complexidade ainda maior nos processos de conhecimento das ditas\u00a0<strong>Ci\u00eancias Sociais<\/strong>.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/578694-juergen-habermas-nao-pode-haver-intelectuais-se-nao-ha-leitores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Habermas<\/a>\u00a0[29], por exemplo, sugere que, al\u00e9m de estarem submetidas \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o emp\u00edrica (ou \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o), as teorias da sociedade devem estar sujeitas \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o \u201creflexivamente aceit\u00e1veis\u201d. A investiga\u00e7\u00e3o deve compreender n\u00e3o apenas as institui\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas sociais, mas tamb\u00e9m incluir as convic\u00e7\u00f5es que os agentes t\u00eam sobre a sua pr\u00f3pria sociedade \u2013 investigar n\u00e3o apenas a realidade social, mas os saberes que se debru\u00e7am sobre ela. Uma\u00a0<strong>teoria social<\/strong>\u00a0\u00e9 uma teoria a respeito das convic\u00e7\u00f5es dos agentes sobre a sua sociedade, sendo ela mesma uma dessas convic\u00e7\u00f5es. Os assim chamados\u00a0<strong>cientistas sociais<\/strong>, sobretudo os\u00a0<strong>economistas<\/strong>, costumam descuidar dos fundamentos cognitivos impl\u00edcitos em seus procedimentos.<\/p>\n<p>Desde a romaria dos jovens economistas brasileiros para as universidades americanas mais afamadas, a forma\u00e7\u00e3o oferecida os tornou incapazes de absorver outros paradigmas. Na\u00a0<strong>dita Ci\u00eancia Econ\u00f4mica<\/strong>, \u00e9 ominoso o fen\u00f4meno da vacina\u00e7\u00e3o anticartesiana. Essa mezinha imuniza o pensamento humano contra o perigos\u00edssimo v\u00edrus da d\u00favida met\u00f3dica. Digo ominoso, porque \u00e9 necess\u00e1rio esconder as rela\u00e7\u00f5es de poder embutidas nas estruturas de mercado.<\/p>\n<p>Assim o<strong>\u00a0Estado<\/strong>\u00a0dessa turma balan\u00e7a entre os extremos da liberdade total de emiss\u00e3o monet\u00e1ria, apenas submetido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es da capacidade produtiva instalada e os rigores da disciplina fiscal imposta pela equival\u00eancia ricardiana. Os fiscalistas atribuem a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/039cadernosihuideias.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">David Ricardo<\/a>\u00a0[30] a ideia da inefic\u00e1cia das pol\u00edticas fiscais antic\u00edclicas: os agentes racionais, aqueles que conhecem a estrutura da economia e sua evolu\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel, antecipam o aumento de impostos no futuro para cobrir o d\u00e9ficit incorrido agora.<\/p>\n<h3>Teorema da equival\u00eancia ricardiana<\/h3>\n<p>A incerteza que afetava as decis\u00f5es empresariais no capitalismo de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/276\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Keynes<\/a>\u00a0cede lugar \u00e0 \u201cotimiza\u00e7\u00e3o\u201d dos indiv\u00edduos racionais que conhecem a estrutura da economia, bem como sua trajet\u00f3ria prov\u00e1vel. Esse super-homem n\u00e3o se deixa enganar por \u201ctruques nominais\u201d da\u00a0<strong>pol\u00edtica monet\u00e1ria<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>pol\u00edtica fiscal<\/strong>. A\u00a0<strong>pol\u00edtica econ\u00f4mica<\/strong>\u00a0para reduzir o desemprego s\u00f3 resultaria em maiores taxas de infla\u00e7\u00e3o e necessidade de maiores impostos no futuro. Segundo o \u201cteorema da equival\u00eancia ricardiana\u201d, o agente racional sabe que o d\u00e9ficit fiscal de hoje ser\u00e1 corrigido \u201cestruturalmente\u201d por mais impostos amanh\u00e3.<\/p>\n<p>A for\u00e7a e o sucesso dessa teoria repousam em um conjunto de pressupostos simples: os indiv\u00edduos baseiam suas decis\u00f5es em expectativas racionais; os mercados s\u00e3o bem organizados e o sistema de pre\u00e7os, r\u00edgidos ou flex\u00edveis, funciona para alocar eficientemente os recursos; as flutua\u00e7\u00f5es da economia em torno de sua trajet\u00f3ria de equil\u00edbrio decorrem de \u201c<strong>choques ex\u00f3genos<\/strong>\u201d, como mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas ou na prefer\u00eancia dos consumidores; os mecanismos autom\u00e1ticos de ajuste operar\u00e3o forte e rapidamente; a demanda de moeda \u00e9 est\u00e1vel, porque a fun\u00e7\u00e3o reserva de valor que suscita a demanda especulativa sumiu do mapa; por isso, os ativos financeiros e reais s\u00e3o altamente intercambi\u00e1veis; o consumo depende do valor descontado de todas as receitas futuras e n\u00e3o da receita corrente; o tropismo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria quantitativa da moeda arquitetou a\u00a0<strong>Nairu<\/strong>\u00a0(taxa de desemprego n\u00e3o aceleradora da infla\u00e7\u00e3o), concebida para mimetizar o conceito de\u00a0<strong>taxa natural de desemprego<\/strong>, como advert\u00eancia aos perigos de est\u00edmulos \u201cpelo lado da demanda\u201d.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>economia<\/strong>\u00a0tenderia automaticamente ao equil\u00edbrio a longo prazo, gra\u00e7as \u00e0 opera\u00e7\u00e3o das \u201cfor\u00e7as naturais\u201d do\u00a0<strong>mercado<\/strong>. A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/578690-austeridade-a-maquina-estatal-de-produzir-desigualdades-entrevista-especial-com-rober-iturriet-avila\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">austeridade monet\u00e1ria e fiscal<\/a>\u00a0\u00e9 reivindicada como panaceia destinada a restaurar rapidamente as \u201ccondi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas normais\u201d. Isso significa o seguinte: uma vez desvendado o hiato do produto para definir o produto potencial, emerge a \u201crealidade\u201d escondida sob o v\u00e9u dos valores nominais.<\/p>\n<p>A pedra angular das estimativas do hiato do produto \u00e9 a confian\u00e7a na infla\u00e7\u00e3o como indicador principal dos desvios do produto potencial. Em trabalho recente do\u00a0<strong>Bank of International Settlements<\/strong>\u00a0sobre o tema,\u00a0<strong>Borio<\/strong>\u00a0[31],\u00a0<strong>Disyatat\u00a0<\/strong>e<strong>\u00a0Juselius<\/strong>\u00a0mostram a tautologia dos c\u00e1lculos do hiato do produto: se h\u00e1 fortes tens\u00f5es inflacion\u00e1rias, a economia est\u00e1 sendo pressionada a crescer acima do produto potencial. Se h\u00e1 defla\u00e7\u00e3o, est\u00e1 crescendo abaixo.<\/p>\n<p><strong>Borio<\/strong>\u00a0[69] constata que a verifica\u00e7\u00e3o emp\u00edrica dos modelos amparados nessa hip\u00f3tese apresenta um dilema: ou os resultados n\u00e3o s\u00e3o economicamente plaus\u00edveis ou a hip\u00f3tese supracitada da correla\u00e7\u00e3o entre infla\u00e7\u00e3o e desemprego \u00e9 irrelevante para o c\u00e1lculo do produto. Gentilmente,\u00a0<strong>Borio<\/strong>\u00a0et al. est\u00e3o dizendo que o tratamento do hiato do produto est\u00e1 irremediavelmente comprometido com o v\u00edcio da tautologia. Os resultados est\u00e3o contidos nos supostos. Resta \u00e0\u00a0<strong>pol\u00edtica econ\u00f4mica<\/strong>\u00a0satisfazer as expectativas dos agentes racionais, sinalizando que vai tomar as decis\u00f5es necess\u00e1rias para que todos acreditem na recondu\u00e7\u00e3o da economia \u00e0 trilha do \u201cproduto natural de equil\u00edbrio\u201d. E assim estamos de volta ao Nirvana da \u201c<strong>economia da oferta<\/strong>\u201d.<\/p>\n<h3>Keynes<\/h3>\n<p><strong>John Maynard Keynes<\/strong>\u00a0concordaria parcialmente com a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589726-e-se-nos-livrassemos-dos-donos-do-dinheiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Modern Monetary Theory<\/a>\u00a0[32].\u00a0<strong>Maynard<\/strong>sustenta que no \u00e2mbito da \u201ceconomia como um todo\u201d \u00e9 o gasto das empresas, das fam\u00edlias e do Estado que \u201ccria\u201d a renda.<\/p>\n<p><strong>Keynes<\/strong>, no entanto, concebe a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade como uma teia de rela\u00e7\u00f5es hierarquizadas entre propriet\u00e1rios capitalistas e trabalhadores. \u201c<em>Se a firma decide empregar trabalhadores para usar o equipamento de capital e gerar um produto, ela deve ter suficiente comando sobre o dinheiro para pagar os sal\u00e1rios e as mat\u00e9rias-primas que adquire de outras firmas durante o per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o momento em que o produto seja convenientemente vendido por dinheiro<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A ideia de comando sup\u00f5e n\u00e3o apenas a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o controle dos meios monet\u00e1rios capazes de mobiliz\u00e1-los. Aqui surgem os bancos. A cria\u00e7\u00e3o de liquidez decorre da concess\u00e3o de cr\u00e9dito para financiar os gastos de investimento e de consumo, com a consequente acumula\u00e7\u00e3o de ativos e passivos nos balan\u00e7os dos protagonistas j\u00e1 mencionados.<\/p>\n<p>A inter-rela\u00e7\u00e3o entre os balan\u00e7os \u2013 ativos e passivos \u2013 dos agentes relevantes exige o exerc\u00edcio cuidadoso da pol\u00edtica monet\u00e1ria soberana, sempre dilacerada entre o est\u00edmulo \u00e0s decis\u00f5es de gasto e a preserva\u00e7\u00e3o do valor dos estoques de ativos \u2013<strong>\u00a0t\u00edtulos de d\u00edvida e direitos de propriedade<\/strong>(a\u00e7\u00f5es) denominados na unidade de conta garantida pelo Estado.<\/p>\n<p>Os governos n\u00e3o escapam das imposi\u00e7\u00f5es dos mercados que negociam direitos sobre a renda e a riqueza. Participam emitindo\u00a0<strong>t\u00edtulos p\u00fablicos<\/strong>\u00a0\u2013 riqueza privada de alta qualidade, seguran\u00e7a e liquidez \u2013 para regular as condi\u00e7\u00f5es do\u00a0<strong>mercado monet\u00e1rio<\/strong>, sem comprometer a reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de propriedade.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Os governos n\u00e3o escapam das imposi\u00e7\u00f5es dos mercados que negociam direitos sobre a renda e a riqueza &#8211; Luiz Gonzaga Belluzzo<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como as disputas entre EUA e China podem nos levar a pensar sobre os limites do capitalismo ou na concep\u00e7\u00e3o de outro capitalismo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/maisnoticias\/noticias\/558890-e-kissinger-disse-a-videla-facam-tudo-depressa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Henry Kissinger<\/a>\u00a0[33], em seu livro\u00a0<strong>Sobre a China<\/strong>\u00a0[34], descreve o processo de aproxima\u00e7\u00e3o entre\u00a0<strong>EUA e China<\/strong>\u00a0durante a gest\u00e3o\u00a0<strong>Nixon<\/strong>\u00a0(1968-1974) [35], da qual foi assessor de Seguran\u00e7a Nacional, como resultado de interesses comuns em frear a \u201camea\u00e7a do projeto de hegemonia sovi\u00e9tica\u201d. Narra que quando\u00a0<strong>Zhou Enlai<\/strong>\u00a0(ou Chou En-Lai) [36], premi\u00ea chin\u00eas no per\u00edodo, escreveu sobre o restabelecimento da amizade entre os povos chin\u00eas e americano, descreveu como uma atitude necess\u00e1ria para promover um novo equil\u00edbrio internacional, n\u00e3o um estado final de relacionamento entre os povos.<\/p>\n<p>De uma perspectiva geopol\u00edtica e geoecon\u00f4mica, a inclus\u00e3o da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0no \u00e2mbito dos interesses americanos \u00e9 o ponto de partida para a\u00a0<strong>amplia\u00e7\u00e3o das fronteiras do capitalismo<\/strong>, movimento que iria culminar no colapso da\u00a0<strong>Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/strong>.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/188-noticias\/noticias-2018\/582059-competicao-geopolitica-a-china-joga-no-ataque-e-os-eua-na-defesa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sino-americana<\/a>\u00a0promoveu o fluxo de investimento dos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>\u00a0para a\u00a0<strong>China<\/strong>, a exporta\u00e7\u00e3o de manufaturas com ganhos de escala refletidos em baixos pre\u00e7os da China para os EUA, o endividamento para sustentar o consumo das fam\u00edlias americanas submetidas \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o ou queda dos rendimentos. Foi na for\u00e7a do d\u00f3lar e na resili\u00eancia de seu mercado financeiro que a grande empresa americana sustentou a migra\u00e7\u00e3o de suas f\u00e1bricas para regi\u00f5es de menor custo relativo.<\/p>\n<p>As empresas deslocaram sua produ\u00e7\u00e3o manufatureira para as regi\u00f5es em que prevalecem rela\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis c\u00e2mbio\/sal\u00e1rios, economias de escala, absor\u00e7\u00e3o de tecnologia e alta produtividade do trabalho. As entradas de \u201cinvestimento de portf\u00f3lio\u201d no\u00a0<strong>mercado americano<\/strong>\u00a0financiaram a sa\u00edda l\u00edquida de capital produtivo. Nesse jogo da grande finan\u00e7a com a grande empresa, conforma-se uma mancha manufatureira que pulsa em torno da\u00a0<strong>China<\/strong>.<\/p>\n<p>Avaliado pela\u00a0<strong>Paridade do Poder de Compra<\/strong>, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/588888-a-maior-transformacao-economica-dos-ultimos-250-anos-china-tende-a-assumir-a-hegemonia-mundial-e-a-lideranca-do-comercio-de-tecnologia-entrevista-especial-com-jose-eustaquio-alves\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PIB da China<\/a>\u00a0em 2018 chegou a mais de 23,313 trilh\u00f5es de d\u00f3lares contra 19,495 trilh\u00f5es dos Estados Unidos e 3,3 trilh\u00f5es do Brasil. A\u00a0<strong>Paridade do Poder de Compra<\/strong>\u00a0busca medir o valor da produ\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em um d\u00f3lar \u201ccomum\u201d, levando em conta os pre\u00e7os internos de cada pa\u00eds.<\/p>\n<h3>Dimens\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>O livro\u00a0<em>China versus West<\/em>\u00a0[37] de\u00a0<strong>Ivan Tselichtchev<\/strong>\u00a0d\u00e1 a dimens\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o ocorrida. Nos anos 1980 a economia chinesa detinha os mesmos 1% do\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0de participa\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio mundial; em 2010 sua participa\u00e7\u00e3o saltou para 10,4%, contra 8,4% dos\u00a0<strong>EUA<\/strong>, 8,3% da\u00a0<strong>Alemanha<\/strong>. Durante a primeira d\u00e9cada do novo mil\u00eanio a taxa de crescimento m\u00e9dia anual da economia chinesa foi de 10,5%, contra 1,7% dos EUA e 0,9% da Alemanha. Ao final da d\u00e9cada a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0respondia por 42% da produ\u00e7\u00e3o mundial de televisores a cores, 67% dos produtos de v\u00eddeo, 53% dos telefones m\u00f3veis, 97% dos\u00a0<strong>PCs<\/strong>\u00a0e 62% das c\u00e2meras digitais.<\/p>\n<p>Os\u00a0<strong>chineses<\/strong>\u00a0usam das\u00a0<strong>pol\u00edticas industriais<\/strong>, de normas destinadas a favorecer as empresas nacionais em detrimento das estrangeiras. Apoiam abertamente a concentra\u00e7\u00e3o e fus\u00e3o, usando as grandes estatais como n\u00facleos destinados a coordenar este processo de constitui\u00e7\u00e3o de conglomerados, que, no futuro pr\u00f3ximo, devem emular os\u00a0<em>keiretsu<\/em>\u00a0<em>japoneses<\/em>\u00a0[38] ou os\u00a0<em>chaebols<\/em>\u00a0da\u00a0<strong>Coreia do Sul<\/strong>\u00a0[39].<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Os chineses usam das pol\u00edticas industriais, de normas destinadas a favorecer as empresas nacionais em detrimento das estrangeiras &#8211; Luiz Gonzaga Belluzzo<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A estrat\u00e9gia da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0combina, at\u00e9 agora com sucesso, a atra\u00e7\u00e3o do investimento direto estrangeiro em parceria com as empresas locais, privadas e p\u00fablicas, a absor\u00e7\u00e3o de tecnologia e a fixa\u00e7\u00e3o de metas de exporta\u00e7\u00e3o e de gera\u00e7\u00e3o de saldos positivos na balan\u00e7a comercial.<\/p>\n<h3>Desafios da integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/h3>\n<p>Integrar a\u00a0<strong>economia<\/strong>\u00a0significa conquistar mercados, ampliar o super\u00e1vit comercial e manter rigoroso controle sobre o movimento de capitais. A determina\u00e7\u00e3o da<strong>\u00a0taxa de c\u00e2mbio<\/strong>\u00a0n\u00e3o pode ser deixada aos mercados, mas \u00e9 um instrumento de competitividade. Isto, obviamente, \u00e9 motivo de esc\u00e2ndalo para os\u00a0<strong>economistas liberais<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel resistir \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/528\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">China<\/a>\u00a0enfrenta os desafios da globaliza\u00e7\u00e3o com concep\u00e7\u00f5es e objetivos que desmentem a propalada perda de import\u00e2ncia das pol\u00edticas nacionais e internacionais de industrializa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Em 2013, o presidente\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>\u00a0[40] lan\u00e7ou o projeto a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/579645-belt-and-road-pesquisador-adverte-que-programa-de-infra-estrutura-da-china-e-o-projeto-ambientalmente-mais-arriscado-na-historia-da-humanidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nova Rota da Seda<\/a>\u00a0[41], um programa de longo prazo para promover investimentos e conex\u00f5es com todas as regi\u00f5es do mundo. A<strong>\u00a0Belt and Road Initiative<\/strong>\u00a0busca n\u00e3o s\u00f3 aprofundar as rela\u00e7\u00f5es da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0com seus vizinhos asi\u00e1ticos, mas, sobretudo, visa \u00e0 disputa da\u00a0<strong>hegemonia<\/strong>\u00a0da\u00a0<strong>Nova Ordem Mundial<\/strong>, constru\u00edda a partir de sua espetacular expans\u00e3o.<\/p>\n<p>Em discurso de abertura do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/572921-ao-congresso-xi-reitera-sinizar-as-religioes-sob-o-partido-comunista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">19\u00ba Congresso do Partido Comunista da China<\/a>\u00a0[42], o presidente\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>\u00a0discorreu a respeito da\u00a0<strong>economia de mercado<\/strong>\u00a0com caracter\u00edsticas chinesas. A formula\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica \u00e9 do\u00a0<strong>Partido Comunista da China<\/strong>\u00a0povoado de 80 milh\u00f5es de membros. O sistema de consultas da base para a c\u00fapula e vice-versa \u00e9 marcado por v\u00e1rias inst\u00e2ncias de avalia\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o. Uma vez tomada a decis\u00e3o, as burocracias de Estado, os gestores das empresas estatais, os governos provinciais, o\u00a0<strong>People\u2019s Bank of China<\/strong>, todos cuidam de implementar as diretrizes. Obedecem \u00e0s m\u00e1ximas de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/188-noticias\/noticias-2018\/585404-quarenta-anos-das-reformas-de-deng-xiaoping-e-o-renascimento-da-china-como-potencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Deng Xiao Ping<\/a>: \u201cn\u00e3o importa a cor do gato, se o bicho ca\u00e7a ratos\u201d ou \u201catravessar o rio das reformas saltando as pedras\u201d. Devagar e sempre \u00e9 o lema da economia \u00e0 moda chinesa.<\/p>\n<p>O presidente<strong>\u00a0XI Jinping<\/strong>\u00a0anunciou as pol\u00edticas de \u201camplia\u00e7\u00e3o do papel do mercado\u201d e de refor\u00e7o \u00e0s empresas estatais. O prop\u00f3sito \u00e9 alentar o empreendedorismo e a inova\u00e7\u00e3o. Em sua edi\u00e7\u00e3o de 22 de julho de 2017, a revista\u00a0<strong>The Economist<\/strong>\u00a0publicou um artigo com o t\u00edtulo de \u201c<strong>Sele\u00e7\u00e3o Antinatural<\/strong>. \u201d A mat\u00e9ria trata do \u201cmodo chin\u00eas\u201d de articula\u00e7\u00e3o entre o p\u00fablico e o privado. A revista lamenta o programa em curso de fus\u00f5es das empresas estatais (SOEs): \u201c<em>a ag\u00eancia do governo organizou a fus\u00e3o de portos, ferrovias, produtores de equipamentos e empresas de navega\u00e7\u00e3o&#8230; Essas a\u00e7\u00f5es parecem destinadas a promover campe\u00f5es nacionais<\/em>\u201d.<\/p>\n<h3>Simbiose entre o Estado e o privado<\/h3>\n<p>O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/588888-a-maior-transformacao-economica-dos-ultimos-250-anos-china-tende-a-assumir-a-hegemonia-mundial-e-a-lideranca-do-comercio-de-tecnologia-entrevista-especial-com-jose-eustaquio-alves\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">desenvolvimento econ\u00f4mico chin\u00eas<\/a>\u00a0\u00e9 um caso expl\u00edcito de simbiose entre o\u00a0<strong>Estado<\/strong>\u00a0e a iniciativa privada. Desde os anos 1980, e sobretudo a partir dos anos 1990, h\u00e1 uma clara rela\u00e7\u00e3o entre um Estado que rege um amplo processo de regula\u00e7\u00e3o do investimento.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Estado<\/strong>\u00a0planeja, financia em condi\u00e7\u00f5es adequadas, produz insumos b\u00e1sicos com pre\u00e7os baix\u00edssimos e exerce invej\u00e1vel poder de compra. Na coordena\u00e7\u00e3o entre o Estado e o setor privado est\u00e1 inclu\u00edda a \u201cdestrui\u00e7\u00e3o criativa\u201d da capacidade excedente e obsoleta mediante reorganiza\u00e7\u00f5es e consolida\u00e7\u00f5es empresariais, com o prop\u00f3sito de incrementar a \u201cprodutividade\u201d do\u00a0<strong>capital<\/strong>. A iniciativa privada d\u00e1 vaz\u00e3o a uma voraz sede de\u00a0<strong>acumula\u00e7\u00e3o de capital<\/strong>\u00a0atrav\u00e9s de investimentos em ativos tecnol\u00f3gicos, produtivos e comerciais.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o\u00a0<strong>rentista<\/strong>, devidamente desestimulado a canalizar sua sede de lucros para investimentos socialmente est\u00e9reis. Na\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0o\u00a0<em>rentier<\/em>\u00a0n\u00e3o precisa de eutan\u00e1sia. T\u00edtulos p\u00fablicos t\u00eam remunera\u00e7\u00e3o discreta. Os mercados de capitais s\u00e3o regulados para evitar supervaloriza\u00e7\u00f5es (e superdeprecia\u00e7\u00f5es) de ativos. O\u00a0<strong>controle do fluxo de capitais<\/strong>\u00a0especulativos garante a independ\u00eancia da pol\u00edtica monet\u00e1ria e a estabilidade do\u00a0<strong>yuan<\/strong>. As verdadeiras oportunidades de lucros extraordin\u00e1rios est\u00e3o nos investimentos que geram inova\u00e7\u00f5es, que adensam a cadeia produtiva, que criam empregos. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para investimentos socialmente est\u00e9reis.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O presidente XI Jinping anunciou as pol\u00edticas de \u201camplia\u00e7\u00e3o do papel do mercado\u201d e de refor\u00e7o \u00e0s empresas estatais. O prop\u00f3sito \u00e9 alentar o empreendedorismo e a inova\u00e7\u00e3o &#8211; Luiz Gonzaga Belluzzo<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o de sexta-feira, 11 de maio de 2018, o jornal\u00a0<strong>Valor Econ\u00f4mico<\/strong>\u00a0publicou um artigo do economista de Harvard,\u00a0<strong>Dani Rodrik<\/strong>\u00a0[43]. Instigante para as d\u00favidas de uns, contestador \u00e0s certezas de outros, o texto avalia o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/188-noticias\/noticias-2018\/582059-competicao-geopolitica-a-china-joga-no-ataque-e-os-eua-na-defesa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">conflito comercial Estados Unidos-China<\/a>. Sabem todos e mais alguns, que o conflito foi deflagrado pelo idiossincr\u00e1tico neoprotecionismo de\u00a0<strong>Donald Trump<\/strong>.<\/p>\n<p>Deixemos\u00a0<strong>Trump<\/strong>\u00a0entregue a seus twiters e vamos acompanhar\u00a0<strong>Rodrik<\/strong>\u00a0em suas medita\u00e7\u00f5es sobre a\u00a0<strong>China<\/strong>. Diz ele: \u201cO sucesso fenomenal da globaliza\u00e7\u00e3o da China se deve tanto \u00e0s pol\u00edticas industriais n\u00e3o ortodoxas e criativas quanto \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do regime. A prote\u00e7\u00e3o seletiva, os subs\u00eddios ao cr\u00e9dito, as empresas estatais, as normas de conte\u00fado nacional e os requisitos de transfer\u00eancia de tecnologia tiveram um papel em transformar a China na pot\u00eancia industrial que \u00e9.\u201d<\/p>\n<p><strong>Dani Rodrik<\/strong>\u00a0prossegue em suas elucubra\u00e7\u00f5es: \u201c<em>A atual estrat\u00e9gia da China, a &#8216;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/578718-o-ambicioso-plano-made-in-china-2025-com-que-pequim-quer-conquistar-o-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Made in China 2025&#8242;<\/a>, pretende ampliar essas conquistas a fim de catapultar o pa\u00eds para o status de economia avan\u00e7ada. A China participa da globaliza\u00e7\u00e3o com o que poder\u00edamos chamar de regras de Bretton Woods, pelos ditames do regime muito mais permissivo que regulou a economia mundial no in\u00edcio do per\u00edodo do p\u00f3s-guerra. Como me explicou uma autoridade chinesa, a estrat\u00e9gia \u00e9 abrir a janela, mas instalar uma tela sobre ela. A China recebe ar fresco (investimento externo e tecnologia) ao mesmo tempo em que mant\u00e9m os elementos prejudiciais (fluxos de capital vol\u00e1teis e importa\u00e7\u00f5es instabilizadoras) do lado de fora<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0apostou no controle de capitais para administrar uma taxa de c\u00e2mbio real competitiva, sustentou a domin\u00e2ncia dos bancos estatais na oferta de cr\u00e9dito, manteve os<strong>\u00a0juros baixos<\/strong>\u00a0para \u201ccarregar\u201d as reservas trilion\u00e1rias e empreender um gigantesco programa de investimento em infraestrutura, incentivando a absor\u00e7\u00e3o de tecnologia, com excepcionais ganhos de escala e de escopo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual sua leitura quanto \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica que vem sendo empregada pelo governo de Jair Bolsonaro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0No semin\u00e1rio<strong>\u00a0A Nova Economia Liberal<\/strong>\u00a0patrocinado pela\u00a0<strong>Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Rio de Janeiro<\/strong>, o liberalismo da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584184-escola-de-chicago-floresce-no-autoritarismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Escola de Chicago<\/a>\u00a0prometeu vestir fatiota nova em carca\u00e7a velha. Entre esgares de sapi\u00eancia e olhos esbugalhados,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589235-paulo-guedes-nos-levara-ao-fundo-do-poco-artigo-de-ivo-lesbaupin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guedes<\/a>\u00a0repetiu as promessas de limpar a \u00e1rea dos p\u00eanaltis roubados pelo time do Estado intervencionista e ineficiente em preju\u00edzo do mercado l\u00e9pido e criativo. A limpeza come\u00e7a com a\u00a0<strong>reforma da Previd\u00eancia<\/strong>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/587704-o-sus-a-coca-cola-e-a-desvinculacao-de-receitas-como-retirar-r-2-trilhoes-da-saude\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">desvincula\u00e7\u00e3o das despesas or\u00e7ament\u00e1rias<\/a>, continua nas\u00a0<strong>privatiza\u00e7\u00f5es radicais<\/strong>\u00a0e avan\u00e7a para a abertura comercial unilateral da economia.<\/p>\n<p>Prop\u00f3sitos t\u00e3o louv\u00e1veis quanto a consigna\u00a0<em>Deus Acima de Tudo<\/em>: a\u00a0<strong>reforma da Previd\u00eancia<\/strong>\u00a0e a desvincula\u00e7\u00e3o das despesas ensejariam o equil\u00edbrio fiscal a longo prazo, a grana das privatiza\u00e7\u00f5es seria utilizada para reduzir a d\u00edvida p\u00fablica e a abertura comercial da economia favoreceria a competitividade das empresas brasileiras submetidas aos confortos do protecionismo.<\/p>\n<p>O economista austr\u00edaco\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/570979-neoliberalismo-a-grande-ideia-que-engoliu-o-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Friedrich Hayek<\/a>, ilustre libert\u00e1rio, escreveu em 1973 o artigo \u201c<em>Economic Freedom and Representative Government<\/em>\u201d: \u201c<em>H\u00e1 um conflito irreconcili\u00e1vel entre democracia e capitalismo \u2013 n\u00e3o se trata da democracia como tal, mas de determinadas formas de organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica&#8230; Agora, tornou-se indiscut\u00edvel que os poderes da maioria s\u00e3o ilimitados e que governos com poderes ilimitados devem servir \u00e0s maiorias e aos interesses especiais de grupos econ\u00f4micos<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>O economista portugu\u00eas\u00a0<strong>Francisco Lou\u00e7\u00e3<\/strong>\u00a0[44] lembra:\u00a0<strong>Friedrich Hayek<\/strong>\u00a0escreveu em 1962 uma carta ao ditador\u00a0<strong>Salazar<\/strong>\u00a0[45], explicando a motiva\u00e7\u00e3o para o envio do seu livro<em>\u00a0The Constitution of Liberty<\/em>, que o devia ajudar \u201c<em>na tarefa de desenhar uma Constitui\u00e7\u00e3o que previna os abusos da democracia<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Lou\u00e7\u00e3<\/strong>\u00a0ainda registra: tendo visitado o\u00a0<strong>Chile<\/strong>\u00a0quando a ditadura estava bem estabelecida \u2013 e os seus desmandos estavam demonstrados e eram p\u00fablicos e not\u00f3rios \u2013,\u00a0<strong>Hayek<\/strong>\u00a0expressou a sua ades\u00e3o \u00e0 nova ordem numa entrevista ao principal jornal do regime, o\u00a0<strong>El Mercurio<\/strong>, em 19 de abril de 1981. Nela declarava sem ambiguidades que \u201c<em>a democracia precisa de uma boa limpeza por um governo forte\u201d. Uma boa limpeza. As palavras foram cuidadosamente escolhidas: \u201cComo compreender\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel a um ditador governar de modo liberal. E tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel a uma democracia governar com total falta de liberalismo. Pessoalmente, eu prefiro um ditador liberal a um governo democr\u00e1tico a que falte liberalismo<\/em>\u201d.<\/p>\n<h3>A \u00e2nsia para libera\u00e7\u00e3o das \u201cfor\u00e7as criativas\u201d<\/h3>\n<p>O importante nessa concep\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00eanfase na capacidade do\u00a0<strong>mercado livre<\/strong>\u00a0de empecilhos de mobilizar e fluidificar os recursos individuais. O corpo de propostas &#8220;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/588743-as-tres-irmas-do-apocalipse-social-contra-o-estado-de-bem-estar-entrevista-especial-com-pedro-rossi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reformistas<\/a>&#8221; rotuladas de\u00a0<strong>liberais<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>neoliberais<\/strong>\u00a0est\u00e1 comprometido com a ideia de que \u00e9 preciso liberar as for\u00e7as criativas do mercado. Na esteira do apoio decisivo do Estado, as corpora\u00e7\u00f5es globais passaram a adotar padr\u00f5es de governan\u00e7a agressivamente amparadas nos procedimentos da concorr\u00eancia monopolista. As empresas subordinaram seu desempenho econ\u00f4mico \u00e0 &#8220;<strong>cria\u00e7\u00e3o de valor<\/strong>&#8221; na esfera financeira, repercutindo a amplia\u00e7\u00e3o dos poderes dos acionistas.<\/p>\n<p>As estrat\u00e9gias de localiza\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>corpora\u00e7\u00e3o globalizada<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/strong>\u00a0promoveram transtorno nas vidas das Comunidades. Isso aconteceu no mesmo per\u00edodo em que as novas formas financeiras contribu\u00edram para aumentar o poder das grandes corpora\u00e7\u00f5es em suas rela\u00e7\u00f5es com os empregados e terceirizados. As fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es suscitaram um maior controle dos mercados e promoveram campanhas contra os direitos sociais e econ\u00f4micos, considerados um obst\u00e1culo \u00e0 opera\u00e7\u00e3o das leis de concorr\u00eancia. A\u00a0<strong>abertura dos mercados<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>acirramento da concorr\u00eancia<\/strong>coexistiram com a tend\u00eancia ao\u00a0<strong>monop\u00f3lio<\/strong> e, assim, impediram que os cidad\u00e3os, no exerc\u00edcio da pol\u00edtica democr\u00e1tica, exercitassem o direito de decidir sobre a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<h3>Notas:<\/h3>\n<p>[1] \u201cO que est\u00e1 errado com o capitalismo?\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[2]\u00a0<strong>Project Syndicate<\/strong>: \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o internacional de m\u00eddia que publica e distribui coment\u00e1rios e an\u00e1lises sobre diversos t\u00f3picos globais importantes. Todos os artigos de opini\u00e3o s\u00e3o publicados no site do Project Syndicate, mas tamb\u00e9m s\u00e3o distribu\u00eddos para uma ampla rede de publica\u00e7\u00f5es de parceiros para impress\u00e3o. A partir de 2016, possui uma rede de 459 meios de comunica\u00e7\u00e3o em 155 pa\u00edses. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[3]\u00a0<strong>Joseph Stiglitz<\/strong>: ex-vice-presidente do Banco Mundial &#8211; Bird, foi chefe dos economistas no governo Clinton, Estados Unidos, e pr\u00eamio Nobel de Economia 2001. Ele \u00e9 autor, entre outros, dos seguintes livros, traduzidos para o portugu\u00eas: A globaliza\u00e7\u00e3o e seus malef\u00edcios (S\u00e3o Paulo: Futura, 2003) e Os Exuberantes anos 90 (S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2003). (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[4]\u00a0<strong>Mariana Mazzucato<\/strong>\u00a0(1968): economista italiana. \u00c9 professora da c\u00e1tedra RM Phillips de Ci\u00eancia e Tecnologia da Universidade de Sussex. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[5]\u00a0<strong>Yanis Varoufakis<\/strong>\u00a0(Atenas, 1961): economista, blogger e pol\u00edtico grego membro do partido Syriza. \u00c9 o atual ministro das Finan\u00e7as do Governo Tsipras desde 2015 e um ac\u00e9rrimo opositor da austeridade. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[6]\u00a0<strong>Raghuram Govind Rajan<\/strong>\u00a0(1963): economista indiano e acad\u00eamico internacional. Foi o 23\u00ba governador do Reserve Bank of India entre setembro de 2013 e setembro de 2016. Entre 2003 e 2006, Rajan foi economista-chefe e diretor de pesquisa do Fundo Monet\u00e1rio Internacional. Em 2015, durante seu mandato no Banco da Reserva da \u00cdndia, ele tamb\u00e9m se tornou vice-presidente do Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[7] John Wiley &amp; Sons, 2018. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[8]\u00a0<strong>Jonathan Tepper<\/strong>: um dos fundadores da Variant Perception, grupo de pesquisa macroecon\u00f4mica que atende gerentes de ativos. Em parceria com Turi Munthe, fundou o Demotix, um site de jornalismo cidad\u00e3o e ag\u00eancia de fotografia que recebeu fotografias de jornalistas freelancers e amadores e os divulgou para a grande m\u00eddia. Tamb\u00e9m trabalhou como analista de a\u00e7\u00f5es na SAC Capital e como vice-presidente de negocia\u00e7\u00e3o propriet\u00e1ria no Bank of America. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[9] Princeton University Press, 2019. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[10]\u00a0<strong>Walter Mattli<\/strong>: professor de Economia Pol\u00edtica Internacional no Departamento de Pol\u00edtica e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de Oxford. Tamb\u00e9m foi membro s\u00eanior da sociedade de rela\u00e7\u00f5es internacionais de Oxford. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[11]\u00a0<strong>John Henry Lanchester<\/strong>\u00a0(1962): jornalista e romancista brit\u00e2nico. Nasceu em Hamburgo, educado em Hong Kong e na Inglaterra; entre 1972 e 1980 na Gresham&#8217;s School em Holt, Norfolk, depois no St John&#8217;s College, em Oxford. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[12] W. W. Norton &amp; Company, 2017. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[13]\u00a0<strong>Confer\u00eancia de Bretton Woods<\/strong>: nome com que ficou conhecida a Confer\u00eancia Monet\u00e1ria Internacional, realizada em Bretton Woods, no estado de New Hampshire, nos EUA, em julho de 1944. Representantes de 44 pa\u00edses participaram da confer\u00eancia. Nela foi planejada a recupera\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional depois da Segunda Guerra Mundial e a expans\u00e3o do com\u00e9rcio atrav\u00e9s da concess\u00e3o de empr\u00e9stimos e utiliza\u00e7\u00e3o de fundos. Os representantes dos pa\u00edses participantes concordaram em simplificar a transfer\u00eancia de dinheiro entre as na\u00e7\u00f5es, de forma a reparar os preju\u00edzos da guerra e prevenir as depress\u00f5es e o desemprego. Concordaram tamb\u00e9m em estabilizar as moedas nacionais, de forma que um pa\u00eds sempre soubesse o pre\u00e7o dos bens importados. A Confer\u00eancia de Bretton Woods tra\u00e7ou os planos de dois organismos das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Mundial. O fundo ajuda a manter constantes as taxas de c\u00e2mbio, al\u00e9m de socorrer pa\u00edses com crises nas suas reservas cambiais, como no caso do Brasil e da R\u00fassia, em 1998. O banco realiza empr\u00e9stimos internacionais a longo prazo e d\u00e1 garantia aos empr\u00e9stimos feitos atrav\u00e9s de outros bancos. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[14]\u00a0<strong>Jean-Paul Sartre<\/strong>\u00a0(1905-1980): fil\u00f3sofo existencialista franc\u00eas. Escreveu obras te\u00f3ricas, romances, pe\u00e7as teatrais e contos. Seu primeiro romance foi A n\u00e1usea (1938), e seu principal trabalho filos\u00f3fico \u00e9 O ser e o nada (1943). Sartre define o existencialismo em seu ensaio O existencialismo \u00e9 um humanismo como a doutrina na qual, para o homem, \u201ca exist\u00eancia precede a ess\u00eancia\u201d. Na Cr\u00edtica da raz\u00e3o dial\u00e9tica (1964), Sartre apresenta suas teorias pol\u00edticas e sociol\u00f3gicas. Aplicou suas teorias psicanal\u00edticas nas biografias Baudelaire (1947) e Saint Genet (1953). As palavras (1963) \u00e9 a primeira parte de sua autobiografia. Em 1964, foi escolhido para o pr\u00eamio Nobel de literatura, que recusou. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[15]\u00a0<strong>Adam Smith<\/strong>\u00a0(1723-1790): considerado o fundador da ci\u00eancia econ\u00f4mica tradicional. A Riqueza das Na\u00e7\u00f5es, sua obra principal, de 1776, lan\u00e7ou as bases para o entendimento das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da sociedade sob a perspectiva liberal, superando os paradigmas do mercantilismo. Sobre Adam Smith, veja a\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/ihuon133\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entrevista<\/a>\u00a0concedida pela professora Ana Maria Bianchi, da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP, \u00e0 IHU On-Line n. 133, de 21-3-2005, e a edi\u00e7\u00e3o 35 dos Cadernos IHU ideias, de 21-7-2005, intitulada\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/ihuid35\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Adam Smith: fil\u00f3sofo e economista<\/a>, escrita por Ana Maria Bianchi e Ant\u00f4nio Tiago Loureiro Ara\u00fajo dos Santos. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[16] Lamparina, 2002. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[17]\u00a0<strong>Georg Wilhelm Friedrich Hegel<\/strong>\u00a0(1770-1831): fil\u00f3sofo alem\u00e3o idealista. Como Arist\u00f3teles e Santo Tom\u00e1s de Aquino, desenvolveu um sistema filos\u00f3fico no qual estivessem integradas todas as contribui\u00e7\u00f5es de seus principais predecessores. Sobre Hegel, confira a edi\u00e7\u00e3o 217 da IHU On-Line, de 30-4-2007, intitulada\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/m0FJnp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fenomenologia do esp\u00edrito, de\u00a0Georg Wilhelm Friedrich Hegel 1807-2007<\/a>, em comemora\u00e7\u00e3o aos 200 anos de lan\u00e7amento dessa obra. Veja ainda a edi\u00e7\u00e3o 261, de 9-6-2008,\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/D94swr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Carlos Roberto Velho Cirne-Lima.\u00a0Um novo modo de ler Hegel<\/a>;\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/62UATd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hegel. A tradu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria pela raz\u00e3o<\/a>, edi\u00e7\u00e3o 430, dispon\u00edvel em\u00a0 e\u00a0<a href=\"https:\/\/goo.gl\/lldAkv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hegel. L\u00f3gica e Metaf\u00edsica<\/a>, edi\u00e7\u00e3o 482. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[18]\u00a0<strong>Thomas &#8220;Tom&#8221; John Sargent<\/strong>\u00a0(1943): economista norte-americano, especialista nas \u00e1reas da macroeconomia, economia monet\u00e1ria e s\u00e9ries temporais em econometria. \u00c9 tido por &#8220;um dos l\u00edderes da revolu\u00e7\u00e3o das expectativas racionais&#8221; e \u00e9 autor de muitos artigos seminais. Em conjunto com Neil Wallace, Sargent desenvolveu trabalho na \u00e1rea do equil\u00edbrio das expectativas racionais. \u00c9 considerado um dos mais influentes economistas do mundo. Presentemente \u00e9 professor na Universidade de Nova Iorque. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[19] Springer, 2012. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[20]\u00a0<strong>James B. Glattfelder<\/strong>: f\u00edsico, autointitulado cientista da complexidade, trabalha com temas como filosofia e a hist\u00f3ria da ci\u00eancia, as fronteiras do conhecimento, os fundamentos da realidade, os limites da percep\u00e7\u00e3o e da cogni\u00e7\u00e3o, a emerg\u00eancia da auto-organiza\u00e7\u00e3o e processamento de informa\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia coletiva, sustentabilidade, quest\u00f5es ambientais, defeitos do sistema financeiro e Tecnologia. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[21] Material dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2IjChXU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[22]\u00a0<strong>Michel Aglietta<\/strong>\u00a0(1938): economista marxista franc\u00eas, atualmente professor de Economia da Universidade Paris X (Nanterre). \u00c9 consultor cient\u00edfico do Centre d&#8217;Etudes Prospectives et d&#8217;Informations Internationales (CEPII) e foi membro do Institut Universitaire de France, de 2000 a 2005. Sua tese de doutorado, R\u00e9gulation du mode de production capitaliste dans la longue p\u00e9riode &#8211; Prenant exemple des \u00c9tats-Unis (1870-1970), apresentada \u00e0 Universidade Paris I (Panth\u00e9on-Sorbonne) em 1974, lan\u00e7ou os fundamentos da escola da regula\u00e7\u00e3o. Com Robert Boyer, Aglietta \u00e9 considerado um dos fundadores da escola. Aglietta \u00e9 especialista em economia monet\u00e1ria internacional e conhecido por sua contribui\u00e7\u00e3o ao estudo das fun\u00e7\u00f5es do mercado financeiro. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[23]\u00a0<strong>L\u00e9on Walras<\/strong>\u00a0(1834-1910): economista e engenheiro, fundador da Escola de Lausanne, base do neoliberalismo. Criou as teorias do equil\u00edbrio econ\u00f4mico. Fundou a economia pura, refletindo sobre um modelo ideal, matematicamente determinado, estabelecendo conceitos como os de monop\u00f3lio, oligop\u00f3lio e concorr\u00eancia perfeita. O equil\u00edbrio geral consegue-se por meio de uma concorr\u00eancia sem restri\u00e7\u00f5es, obtendo-se uma esp\u00e9cie de regresso \u00e0 ordem imut\u00e1vel. Substituiu a no\u00e7\u00e3o de causa pela de fun\u00e7\u00e3o. Escreveu \u00c9l\u00e9ments d\u2019\u00c9conomie Politique Pure (1874) e Th\u00e9orie Math\u00e9matique de la Rich\u00easse Social (1883). (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[24]\u00a0<strong>Kenneth Joseph Arrow<\/strong>\u00a0(1921-2017): foi um economista e matem\u00e1tico estadunidense, conhecido sobretudo pela sua disserta\u00e7\u00e3o de doutoramento (no qual se baseia a sua obra Social Choice and Individual Values), em que demonstra o seu famoso &#8220;teorema da impossibilidade&#8221;. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[25]\u00a0<strong>G\u00e9rard Debreu<\/strong>\u00a0(1921-2004): foi um economista estadunidense (naturalizado em 1974) de origem francesa. Foi laureado com o Pr\u00e9mio de Ci\u00eancias Econ\u00f3micas em Mem\u00f3ria de Alfred Nobel de 1983. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[26]\u00a0<strong>Demetrio Carta<\/strong>\u00a0(1933): conhecido como Mino Carta, \u00e9 um jornalista, editor, escritor e empres\u00e1rio \u00edtalo-brasileiro. Mino concedeu \u00e0 IHU On-Line a entrevista\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2H5HFeP\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Os limites de um Brasil contempor\u00e2neo preso ao per\u00edodo colonial<\/a>. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[27]\u00a0<strong>Ilya Prigogine<\/strong>\u00a0(1917-2003): cientista de origem russa, que recebeu o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica em 1977. Na 62\u00aa edi\u00e7\u00e3o, de 2-6-2003, a IHU On-Line dedicou-lhe a editoria\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/ihuon62\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mem\u00f3ria<\/a>.\u00a0Tamb\u00e9m foi publicado o artigo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/media\/pdf\/IHUOnlineEdicao64.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A dimens\u00e3o \u201dnarrativa\u201d do universo<\/a>, na 64\u00aa edi\u00e7\u00e3o, em 16-6-2003. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[28]\u00a0<strong>Isabelle Stengers<\/strong>\u00a0(1949): fil\u00f3sofa belga, formou-se em qu\u00edmica na Universidade Livre de Bruxelas. Ela \u00e9 autora de livros sobre Teoria do Caos, em parceria com Ilya Prigogine, o f\u00edsico-qu\u00edmico russo-belga e Pr\u00eamio Nobel, conhecido por seu trabalho com estruturas dissipativas, sistemas complexos e irreversibilidade, especialmente &#8220;O Fim das Certezas: tempo, caos e as leis da Natureza&#8221; e &#8220;Entre o Tempo e a Eternidade&#8221;. Stengers e Prigogine se inspiram no trabalho de Deleuze, tratando-o como uma fonte filos\u00f3fica importante para pensar em quest\u00f5es relativas \u00e0 irreversibilidade e o universo como um sistema aberto. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[29]\u00a0<strong>J\u00fcrgen Habermas<\/strong>\u00a0(1929): fil\u00f3sofo alem\u00e3o, principal estudioso da segunda gera\u00e7\u00e3o da Escola de Frankfurt. Herdando as discuss\u00f5es da Escola de Frankfurt, Habermas aponta a a\u00e7\u00e3o comunicativa como supera\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o iluminista transformada num novo mito, o qual encobre a domina\u00e7\u00e3o burguesa (raz\u00e3o instrumental). Para ele, o logos deve se construir pela troca de ideias, opini\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es entre os sujeitos hist\u00f3ricos, estabelecendo-se o di\u00e1logo. Seus estudos voltam-se para o conhecimento e a \u00e9tica. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[30]\u00a0<strong>David Ricardo<\/strong>\u00a0(1772-1823): economista ingl\u00eas, considerado um dos principais representantes da economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica. Exerceu uma grande influ\u00eancia tanto sobre os economistas neocl\u00e1ssicos, como sobre os economistas marxistas, o que revela sua import\u00e2ncia para o desenvolvimento da ci\u00eancia econ\u00f4mica. Os temas presentes em suas obras incluem a teoria do valor-trabalho, a teoria da distribui\u00e7\u00e3o (as rela\u00e7\u00f5es entre o lucro e os sal\u00e1rios), o com\u00e9rcio internacional, temas monet\u00e1rios. A sua teoria das vantagens comparativas constitui a base essencial da teoria do com\u00e9rcio internacional. Demonstrou que duas na\u00e7\u00f5es podem beneficiar-se do com\u00e9rcio livre, mesmo que uma na\u00e7\u00e3o seja menos eficiente na produ\u00e7\u00e3o de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial. Ao apresentar esta teoria, usou o com\u00e9rcio entre Portugal e Inglaterra como exemplo demonstrativo. O Ciclo de Estudos em EAD \u2013 Repensando os Cl\u00e1ssicos da Economia &#8211; Edi\u00e7\u00e3o 2010, em seu segundo m\u00f3dulo, fala sobre Malthus e Ricardo: duas vis\u00f5es de economia pol\u00edtica e de capitalismo. Confira a\u00a0<a href=\"http:\/\/migre.me\/xQsg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">programa\u00e7\u00e3o do evento<\/a>. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[31]\u00a0<strong>Claudio Borio<\/strong>: chefe do Departamento Monet\u00e1rio e Econ\u00f4mico do Bank for International Sttlements (Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais, tradu\u00e7\u00e3o livre), organismo que visa promover estabilidade monet\u00e1ria e financeira global atrav\u00e9s de coopera\u00e7\u00e3o internacional. De 1985 a 1987, ele foi economista da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico \u2013 OCDE, trabalhando na filial de estudos de pa\u00eds do Departamento de Economia e Estat\u00edstica. Antes disso, ele foi professor e pesquisador no Brasenose College, Universidade de Oxford. Ele possui um DPhil e um MPhil em Economia e um BA em Pol\u00edtica, Filosofia e Economia da mesma universidade. Claudio \u00e9 autor de in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas de pol\u00edtica monet\u00e1ria, banc\u00e1ria, financeira e quest\u00f5es relacionadas \u00e0 estabilidade financeira. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[32]\u00a0<strong>Modern Monetary Theory<\/strong>\u00a0ou Modern Money Theory (MMT): [Teoria Monet\u00e1ria Moderna ou Teoria do Dinheiro Moderno, em tradu\u00e7\u00e3o livre] \u00e9 uma teoria macroecon\u00f4mica heterodoxa que descreve a moeda como um monop\u00f3lio p\u00fablico para um governo e desemprego como a evid\u00eancia de que um monopolista monet\u00e1rio est\u00e1 restringindo a oferta dos ativos financeiros necess\u00e1rios para pagar impostos e satisfazer desejos de poupan\u00e7a. O MMT \u00e9 visto como uma evolu\u00e7\u00e3o do chartalism e \u00e9 referido \u00e0s vezes como neo-chartalism. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[33]\u00a0<strong>Henry Kissinger<\/strong>\u00a0(Henry Alfred Kissinger, 1923): nascido na Alemanha, de origem judaica, foi diplomata dos Estados Unidos e teve um papel importante na pol\u00edtica estrangeira deste pa\u00eds entre 1968 e 1976. Migrou com os pais para os EUA em 1938, devido ao nazismo. Serviu na Segunda Guerra Mundial. Obteve o doutorado na Universidade de Harvard em 1954. Kissinger foi conselheiro para pol\u00edtica internacional de todos os presidentes dos EUA de Eisenhower a Gerald Ford, sendo o secret\u00e1rio de Estado, conselheiro pol\u00edtico e confidente de Richard Nixon. Em 1973 ganhou, com Le Duc Tho, o Pr\u00eamio Nobel da Paz, pelo seu papel na obten\u00e7\u00e3o do acordo de cessar-fogo na Guerra do Vietn\u00e3. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[34] S\u00e3o Paulo: Objetiva, 2013. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[35]\u00a0<strong>Richard Milhous Nixon<\/strong>\u00a0(1913-1994): 37\u00ba presidente dos Estados Unidos (1969-1974) e o \u00fanico presidente norte-americano a renunciar ao mandato. Ele foi tamb\u00e9m representante e senador pelo estado da Calif\u00f3rnia e 36\u00ba vice-presidente de seu pa\u00eds, durante o governo de Dwight Eisenhower. Renunciou em 9 de agosto de 1974, em virtude do esc\u00e2ndalo Watergate, pouco antes da vota\u00e7\u00e3o pelo Congresso da cassa\u00e7\u00e3o de seu mandato &#8211; o impeachment. O trauma pol\u00edtico causado pelo epis\u00f3dio foi grande (tanto que os americanos acabariam por escolher na elei\u00e7\u00e3o seguinte Jimmy Carter, um candidato religioso e apegado a valores morais). Nixon s\u00f3 retornaria \u00e0 vida p\u00fablica americana 20 anos depois do fiasco de Watergate. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[36]\u00a0<strong>Zhou Enlai<\/strong>\u00a0(1898-1976): foi o primeiro primeiro-ministro da China, atuando como chefe de governo entre outubro de 1949 e janeiro de 1976, quando veio a falecer. Foi um proeminente l\u00edder do Partido Comunista Chin\u00eas, sendo uma das figuras mais pr\u00f3ximas do Presidente Mao Zedong e personagem crucial na ascens\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do Partido Comunista no poder. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[37] Wiley, 2011. (Nota da IHU On-Line)<\/p>\n<p>[38]\u00a0<strong>Keiretsu<\/strong>\u00a0\u00e9 um termo japon\u00eas que descreve a estrutura atual de grandes empresas no Jap\u00e3o, que muitas vezes resulta em um grupo de empresas que assumem participa\u00e7\u00f5es de capital e, \u00e0s vezes, colaboram e compartilham projetos. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[39]\u00a0<strong>Chaebol<\/strong>\u00a0\u00e9 o termo coreano que define um conglomerado de empresas em torno de uma empresa-m\u00e3e, normalmente controladas por fam\u00edlias, tais como Samsung, Hyundai e LG. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[40]\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>\u00a0(1953): nascido em Pequim, atual presidente da Rep\u00fablica Popular da China e secret\u00e1rio-geral do Partido Comunista da China. Tem doutorado em Engenharia Qu\u00edmica e Ci\u00eancia Pol\u00edtica. \u00c9 atualmente o principal membro do Secretariado do Partido Comunista Chin\u00eas, o presidente da China, o diretor da Escola Central do Partido e o mais importante membro do Comit\u00ea Permanente do Politburo, que \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o que controla o pa\u00eds. Filho do pol\u00edtico comunista Xi Zhongxun, Xi Jinping come\u00e7ou sua carreira pol\u00edtica na prov\u00edncia de Fujian e foi posteriormente escolhido como chefe do partido na prov\u00edncia vizinha de Zhejiang, depois promovido a chefe do partido de Xangai ap\u00f3s a demiss\u00e3o de Chen Liangyu. Conhecido por suas posturas liberais, duro combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e uma franqueza e abertura quanto a reformas pol\u00edticas e econ\u00f4micas, \u00e9 o destacado l\u00edder emergente da quinta gera\u00e7\u00e3o de l\u00edderes da Rep\u00fablica Popular da China. Assumiu o cargo de presidente da China no dia 15 de mar\u00e7o de 2013, sucedendo Hu Jintao. Foi nomeado como uma das pessoas mais influentes do mundo em 2009, 2011 e 2012 pela revista Time. Em 2017, foi eleito pelo The Economist o homem mais poderoso do mundo. Em 2018, o parlamento chin\u00eas aprovou o mandato vital\u00edcio a Xi Jinping. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[41]\u00a0<strong>Nova Rota da Seda<\/strong>: no dia 14 maio de 2017, o presidente da China, Xi Jinping, discursou no F\u00f3rum de abertura sobre a &#8220;Nova Rota da Seda&#8221;, por meio do qual anunciou o investimento de 70 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no projeto. A ideia \u00e9 reeditar a antiga rota formada ainda no Mundo Antigo, que interligavam rotas comerciais atrav\u00e9s da \u00c1sia do Sul, usadas no com\u00e9rcio da seda entre o Oriente e a Europa. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[42]\u00a0<strong>Partido Comunista da China<\/strong>: \u00e9 o partido que governa a China desde 1948. O partido foi fundado em julho de 1921 em Xangai. O PC da China passou por momentos de dificuldades. Seus primeiros passos foram orientados pelo Komintern (Internacional Comunista sediada em Moscou que orientava os Partidos Comunistas do mundo inteiro). No final da Segunda Guerra Mundial o PC da China derrotou o KMT. Mao Tse Tung implantou a sua interpreta\u00e7\u00e3o ortodoxa do marxismo-leninismo, durante as quase 3 d\u00e9cadas em que esteve no poder. Empreendeu a chamada &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Cultural&#8221;, com que tentou laicizar todo o estado e popula\u00e7\u00e3o chinesa. Hoje o Partido Comunista da China \u00e9 composto de mais de 87 milh\u00f5es de militantes. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[43]\u00a0<strong>Dani Rodrik<\/strong>\u00a0(1957): economista e professor universit\u00e1rio turco. Nascido em Istambul, formou-se no Robert College de sua cidade natal. \u00c9 professor no Rafiq Hariri de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica Internacional na Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade de Harvard, onde leciona no programa de Master de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (MPA). De acordo com o IDEAS\/RePEc, Rodrik \u00e9 considerado um dos 100 economistas mais influentes do mundo. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[44]\u00a0<strong>Francisco Anacleto Lou\u00e7\u00e3<\/strong>\u00a0(1956): economista e pol\u00edtico portugu\u00eas. Foi coordenador do Bloco de Esquerda de 2005 a 11 de novembro de 2012, tendo sido sucedido no cargo por Catarina Martins e Jo\u00e3o Semedo. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[45]\u00a0<strong>Ant\u00f3nio de Oliveira Salazar<\/strong>, Oliveira Salazar ou simplesmente Salazar (1889-1970): foi um ditador nacionalista portugu\u00eas que, al\u00e9m de chefiar diversos minist\u00e9rios, foi presidente do Conselho de Ministros e professor catedr\u00e1tico de Economia Pol\u00edtica, Ci\u00eancia das Finan\u00e7as e Economia Social da Universidade de Coimbra. Doutor Honoris causa, em 1940, pela Universidade de Oxford. Figura de destaque e promotor do Estado Novo (1933-1974) e da sua organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a Uni\u00e3o Nacional, Salazar dirigiu os destinos de Portugal como presidente do Minist\u00e9rio de forma ditatorial entre 1932 e 1933 e como Presidente do Conselho de Ministros entre 1933 e 1968. Os autoritarismos e nacionalismos que surgiam na Europa foram uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o para Salazar em duas frentes complementares: a da propaganda e a da repress\u00e3o. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>Parte I: <a href=\"http:\/\/controversia.com.br\/o-velho-capitalismo-e-seu-folego-para-dominacao-do-tempo-e-do-espaco\/\">clique<\/a><\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/590682-o-velho-capitalismo-e-seu-folego-para-dominacao-do-tempo-e-do-espaco-entrevista-especial-com-luiz-gonzaga-belluzzo-parte-ii<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211; Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo. 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