{"id":11068,"date":"2019-07-28T09:30:41","date_gmt":"2019-07-28T12:30:41","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=11068"},"modified":"2019-07-25T17:43:51","modified_gmt":"2019-07-25T20:43:51","slug":"a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/","title":{"rendered":"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiz Marques<\/strong> &#8211; Al\u00e9m dos j\u00e1 conhecidos efeitos dos inc\u00eandios para cria\u00e7\u00e3o de pastos, Amaz\u00f4nia pode n\u00e3o conseguir regenerar ecossistema a curto prazo. Como conter cat\u00e1strofe iminente \u2013 quando estudos apontam causa no gigante consumo de carne brasileiro.<\/p>\n<p>Este artigo \u00e9 o resultado de uma comunica\u00e7\u00e3o feita no F\u00f3rum Permanente \u201cTerras Ind\u00edgenas e Interesses Nacionais\u201d, organizado por Camila Loureiro Dias e Artionka Capiberibe, do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (IFCH) da Unicamp, em 20 de maio de 2019. Para come\u00e7ar, convido o leitor a respirar fundo e assistir ao\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=48eZM5uHkqo\">v\u00eddeo<\/a> de 2 minutos, documentando o desmatamento ilegal na regi\u00e3o de Cachoeira do Aru\u00e3 a cerca de 100 km de Santar\u00e9m, no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a extra\u00e7\u00e3o seletiva de madeira, vem o fogo no que resta da floresta e procede-se, enfim, ao corte raso para o plantio da soja e, sobretudo, para a abertura de pastos. Estes se degradam ao cabo de 10 a 15 anos e s\u00e3o abandonados, o que leva a novos desmatamentos.Os inc\u00eandios se alastram na Amaz\u00f4nia, com gigantescas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, perdas n\u00e3o menos gigantescas de biodiversidade e libera\u00e7\u00e3o na atmosfera de material particulado terrivelmente prejudicial \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. \u201cNa popula\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira, mais de 10 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o diretamente expostas a altos n\u00edveis de poluentes resultantes dos inc\u00eandios provocados pelo desmatamento e pela agropecu\u00e1ria\u201d. Entre os males causados pela inala\u00e7\u00e3o de material particulado (PM10), \u00a0contam-se danos ao DNA, morte de c\u00e9lulas, c\u00e2ncer e preju\u00edzos \u00e0s c\u00e9lulas do pulm\u00e3o etc. [I]\u00a0Os inc\u00eandios florestais s\u00e3o, em geral, o meio mais r\u00e1pido de \u201cse livrar\u201d da floresta. Ocorre que o fogo torna-se muitas vezes incontrol\u00e1vel dada a maior combustibilidade da floresta, v\u00edtima da intera\u00e7\u00e3o entre desmatamento, temperaturas mais elevadas e secas. Os ecossistemas florestais enfrentam crescente dificuldade para se recuperar de secas e inc\u00eandios. Como afirmam Sonia I. Seneviratne e Philippe Ciais, \u201co tempo necess\u00e1rio aos ecossistemas para se recuperar aumentou durante o s\u00e9culo XX. Se a frequ\u00eancia dos eventos de seca aumentar, alguns ecossistemas podem n\u00e3o se recuperar jamais completamente\u201d.[II]\u00a0\u00c9 o caso justamente da Amaz\u00f4nia, onde as secas v\u00eam ganhando intensidade e se tornando mais frequentes: 1998, 2005, 2010, 2015-2016\u2026[III]\u00a0A floresta n\u00e3o tem tempo de se recuperar nem das secas, nem dos inc\u00eandios gigantescos causados por ela, porque a Amaz\u00f4nia, n\u00e3o por acaso chamada\u00a0<em>rainforest<\/em>, n\u00e3o est\u00e1 adaptada como outras florestas a esses dois fen\u00f4menos, de modo que os inc\u00eandios destroem 60% a 90% das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Ora, metade das queimadas no Brasil ocorre agora na Amaz\u00f4nia e nesse bioma o n\u00famero de focos de inc\u00eandio dobrou entre 2012 e 2017, atingindo cumulativamente 536.817 focos, conforme a tabela abaixo.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3014877\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico01_20190710.jpg?resize=640%2C428&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico01_20190710.jpg 980w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico01_20190710-300x201.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico01_20190710-768x513.jpg 768w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico01_20190710-272x182.jpg 272w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"428\" \/><\/p>\n<p><em>Gra\u00e7a Portela (ICICT\/Fiocruz), baseada em dados do Programa Queimadas, Inpe<\/em><\/p>\n<p><strong>O crescimento do rebanho bovino e das pastagens nas regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias Exportadoras de Carne (ABIEC), em 2017 a popula\u00e7\u00e3o de bovinos no Brasil atingiu 221,81 milh\u00f5es de indiv\u00edduos, excedendo a popula\u00e7\u00e3o de humanos.[IV]\u00a0Ela \u00e9 concentrada cada vez mais na regi\u00e3o Norte e no Centro-Oeste, conforme mostra a Figura 1.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3014878\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico02_20190710.jpg?resize=640%2C405&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico02_20190710.jpg 980w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico02_20190710-300x190.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico02_20190710-768x486.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"405\" \/><\/p>\n<p>O gr\u00e1fico acima mostra que o Centro-Oeste, o mais populoso de bovinos j\u00e1 em 1985 (mais de 40 milh\u00f5es), quase dobra essa popula\u00e7\u00e3o em 2016. Crescimento ainda mais espetacular ocorre na Amaz\u00f4nia, onde o rebanho quase decuplica, passando de cerca de 5 milh\u00f5es em 1985 para quase 50 milh\u00f5es em 2016. Juntas, as regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste, isto \u00e9, o Pantanal, o Cerrado e a Amaz\u00f4nia, concentram hoje cerca de 58% do rebanho bovino brasileiro, sendo as \u00fanicas regi\u00f5es que mostram uma tend\u00eancia a ainda maior crescimento, com crescente substitui\u00e7\u00e3o das florestas e das forma\u00e7\u00f5es de savana por pastagens, como mostra a Figura 2.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3014879\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico03_20190710_0.jpg?resize=640%2C441&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico03_20190710_0.jpg 980w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico03_20190710_0-300x207.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico03_20190710_0-768x529.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"441\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 2 \u2013\u00a0Mapas da cobertura vegetal do Brasil em 1985 e em 2017, mostrando as florestas em verde escuro, as forma\u00e7\u00f5es de savana em verde claro, as pastagens em amarelo e a agricultura perene em rosa<\/em><strong><em>.\u00a0<\/em><\/strong><em>Fonte: Mapbiomas.org (2019)\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Segundo o Mapbiomas, a perda florestal na Amaz\u00f4nia no per\u00edodo foi de 555,4 mil km2 (de 4.812.286 km2 em 1985 para 4.256.883 km2 em 2017), sendo que o aumento das \u00e1reas de pastagens nesse mesmo per\u00edodo foi de 462,7 mil km2 (de 973.3 mil km2 em 1985 para 1,43 milh\u00e3o de km2 em 2017).<\/p>\n<p><strong>A quase totalidade do desmatamento na Amaz\u00f4nia e no Cerrado deve-se ao crescimento da dieta carn\u00edvora no Brasil e no mundo<\/strong><\/p>\n<p>Cerca de 80% do desmatamento da Amaz\u00f4nia brasileira deve-se \u00e0 convers\u00e3o da floresta em pastagens. A destrui\u00e7\u00e3o do Cerrado, cuja cobertura original caminha hoje para um estado terminal, deve-se tamb\u00e9m preponderantemente \u00e0 expans\u00e3o da pecu\u00e1ria. Segundo estimativas do WWF, \u201c60% da \u00e1rea total do Cerrado \u00e9 destinada \u00e0 pecu\u00e1ria e 6% aos gr\u00e3os, principalmente soja. De fato, cerca de 80% do Cerrado j\u00e1 foi modificado pelo homem por causa da expans\u00e3o agropecu\u00e1ria, urbana e constru\u00e7\u00e3o de estradas \u2013 aproximadamente 40% conserva parcialmente suas caracter\u00edsticas iniciais e outros 40% j\u00e1 as perderam totalmente. Somente 19,15% corresponde a \u00e1reas nas quais a vegeta\u00e7\u00e3o original ainda est\u00e1 em bom estado\u201d.[V] Em 2015, Veronique De Sy e colegas discriminaram as porcentagens em que se distribuem os diversos fatores de desmatamento em sete pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. A Figura 3 sintetiza esses resultados.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3014881\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico05_20190710.jpg?resize=640%2C392&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico05_20190710.jpg 980w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico05_20190710-300x184.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico05_20190710-768x470.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"392\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 1 \u2013\u00a0<\/em><em>Porcentagens em que se distribuem os diversos fatores de desmatamento em sete pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul entre 1990 e 2005. Fonte: Veronique De Sy\u00a0et al., \u201cLand use patterns and related carbon losses following deforestation in South America\u201d.\u00a0Environmental Research Letters, 10, 2015<\/em><\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo (1990-2005), a pecu\u00e1ria foi a causa de cerca de 81% do desmatamento no chamado \u201carco do desmatamento\u201d brasileiro, incluindo a Amaz\u00f4nia, o Cerrado e o Pantanal. Pouco mais de 10% do desmatamento deve-se \u00e0 agricultura, fundamentalmente \u00e0 soja, a qual destina-se a nutrir, no Brasil e no exterior, sobretudo porcos, frangos e peixes. Portanto, algo pr\u00f3ximo de 90% da destrui\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal prim\u00e1ria da Amaz\u00f4nia, do Cerrado e do Pantanal deve-se \u00e0 dieta carn\u00edvora.<\/p>\n<p><strong>O gado bovino brasileiro destina-se sobretudo ao consumo interno<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a ABIEC, em 2017 os frigor\u00edficos brasileiros faturaram com a venda de carne R$ 102,6 bilh\u00f5es, dos quais nada menos que R$ 83,24 bilh\u00f5es provieram do mercado interno e apenas R$ 19,39 bilh\u00f5es foram obtidos pela exporta\u00e7\u00e3o. Esses valores correspondem aproximadamente \u00e0 quantidade da carne vendida: \u201cDo total de carne produzida\u201d, afirma o relat\u00f3rio da ABIEC, \u201c20% foi exportada e 80% abasteceu o mercado interno, garantindo um consumo de cerca de 37,5 quilos de carne bovina por habitante em 2017\u201d.\u00a0Em 2018, o document\u00e1rio de Marcio Isensee e S\u00e1, \u201cSob a pata do boi. Como a Amaz\u00f4nia vira pasto\u201d, vencedor do pr\u00eamio\u00a0<em>One Hour<\/em>\u00a0do Minist\u00e9rio da Cultura da Fran\u00e7a, atualiza o dado mais relevante sobre as consequ\u00eancias do carnivorismo brasileiro:\u00a040% da carne bovina que consumimos no Brasil prov\u00e9m da Amaz\u00f4nia, isto \u00e9, foi produzida em sua esmagadora maioria com a destrui\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>De h\u00e1 muito se sabe que a Amaz\u00f4nia e o Cerrado desaparecem um pouco a cada naco de carne que ingerimos. J\u00e1 em 2003, S\u00e9rgio\u00a0Margulis publicou um estudo para o Banco Mundial, \u201cCausas do Desmatamento da Amaz\u00f4nia Brasileira\u201d no qual se evidencia a responsabilidade maior da pecu\u00e1ria. Em janeiro de 2006, Jo\u00e3o Meirelles Filho, diretor do Instituto Peabir\u00fa, publicou um artigo de imenso impacto: \u201cVoc\u00ea j\u00e1 comeu a Amaz\u00f4nia hoje?\u201d. Passados mais de 13 anos, vale sempre a pena l\u00ea-lo e rel\u00ea-lo. H\u00e1 cinco anos, Meirelles voltou \u00e0 carga num artigo igualmente certeiro, publicado no Boletim do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi (Jan.\/Abril 2014): \u201c\u00c9 poss\u00edvel superar a heran\u00e7a da ditadura brasileira (1964-1985) e controlar o desmatamento na Amaz\u00f4nia? N\u00e3o, enquanto a pecu\u00e1ria bovina prosseguir como principal vetor de desmatamento\u201d. Logo na abertura do artigo de 2006, Meirelles advertia: \u201cN\u00e3o podemos nos dar ao luxo de esperar que as pessoas se conven\u00e7am sobre a gravidade da situa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Ser\u00e1 tarde demais quando fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, representantes do poder p\u00fablico e a popula\u00e7\u00e3o em geral, despertarem para o fato.\u00a0 Teremos perdido a maior parte da Amaz\u00f4nia\u201d. Exato. Caberia apenas acrescentar: \u201cTeremos perdido a maior parte da Amaz\u00f4nia e do Cerrado\u201d. No que se refere ao Cerrado, de resto, essa perda n\u00e3o \u00e9 mais um pesadelo futuro.<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia do Greenpeace<\/strong><\/p>\n<p>O Greenpeace alerta h\u00e1 pelo menos 10 anos sobre a rela\u00e7\u00e3o de causalidade entre carnivorismo e destrui\u00e7\u00e3o das florestas. Em\u00a02009, a ONG analisou esse processo no relat\u00f3rio \u201cA farra do boi na Amaz\u00f4nia\u201d e no estudo \u201cO rastro da pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia. Mato Grosso, o estado da destrui\u00e7\u00e3o\u201d. Em 2015, o Greenpeace lan\u00e7ou o relat\u00f3rio \u201cCarne ao Molho Madeira\u201d, mostrando que a carne que chega aos pratos do brasileiro tem o gosto amargo da floresta destru\u00edda. Em junho de 2017, o Greenpeace denunciou a indiferen\u00e7a dos frigor\u00edficos e supermercados a essa destrui\u00e7\u00e3o e abandonou, enfim, o Compromisso P\u00fablico da Pecu\u00e1ria, um compromisso assumido pelos tr\u00eas maiores frigor\u00edficos do pa\u00eds (JBS, Marfrig e Minerva) de controlar a origem da carne, compromisso que praticamente n\u00e3o saiu do papel. Um dos gr\u00e1ficos propostos pelo Greenpeace em 2009 a partir de dados do Imazon, j\u00e1 foi por mim repercutido nesta mesma coluna em 2017,[VI]\u00a0e vale ser relembrado aqui.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3014882\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico06_20190710.jpg?resize=640%2C385&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico06_20190710.jpg 980w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico06_20190710-300x181.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico06_20190710-768x462.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"385\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 4 \u2013\u00a0<\/em><em>Perda florestal na Amaz\u00f4nia ~1960 \u2013 2004 (esquerda) e aumento das cabe\u00e7as de gado amaz\u00f4nico entre 1990 e 2003 (direita). Fonte: Greenpeace, \u201cO rastro da pecu\u00e1ria na Amaz\u00f4nia\u201d, 2009, a partir de dados do Imazon.<\/em><\/p>\n<p>Entre 1960 e 1988, mais especificamente entre 1969 e 1988, a ditadura militar e o governo de Jos\u00e9 Sarney j\u00e1 haviam destru\u00eddo cerca de 360 mil km2 da floresta amaz\u00f4nica. Apenas em 1988, sob o governo Sarney (1985-1990), foram perdidos 21.050 km2 dessa floresta, convertida em geral em pastagens, pois a Amaz\u00f4nia j\u00e1 contava 22 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado em 1987. A partir de 1990, quando a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria estoura na Amaz\u00f4nia e quando as duas linhas do gr\u00e1fico acima come\u00e7am a subir em paralelo, a quase triplica\u00e7\u00e3o das cabe\u00e7as de gado amaz\u00f4nico entre 1987 e 2003 (de 22 para 64,1 milh\u00f5es de unidades) implicou a perda de cerca de 250 mil km2 de floresta amaz\u00f4nica, uma \u00e1rea equivalente \u00e0 do estado de S\u00e3o Paulo! Em apenas 14 anos (1990-2003). Repito, em apenas 14 anos\u2026<\/p>\n<p>Enquanto isso, os exterminadores do futuro e seus representantes civis e militares t\u00eam o cinismo de afirmar que t\u00eam muito a ensinar ao mundo em mat\u00e9ria de florestas\u2026 T\u00eam de fato: nenhuma sociedade em toda a hist\u00f3ria da humanidade conseguiu destruir tanto do patrim\u00f4nio natural de seu povo em t\u00e3o pouco tempo, para o enriquecimento de t\u00e3o poucos. Nunca t\u00e3o poucos infligiram tantas perdas \u00e0 biodiversidade, tanto sofrimento a tantos e roubaram o futuro de todos, inclusive deles mesmos. \u00c9 preciso repisar\u00a0<em>ad nauseam\u00a0<\/em>o que todos sabem: no espa\u00e7o de apenas duas gera\u00e7\u00f5es (1969-2019), o agroneg\u00f3cio destruiu completamente, por corte raso, 800 mil km2 da floresta amaz\u00f4nica (20% de sua \u00e1rea original) e mais de 1 milh\u00e3o de km2 de Cerrado. Esses dois biomas imensos, milagres \u00fanicos de deslumbramento e de biodiversidade, e com os quais os homens conviveram de modo produtivo e n\u00e3o destrutivo durante todo o Holoceno (11.700 anos AP \u2013 1950), est\u00e3o sendo sistematicamente destru\u00eddos, sobretudo pela pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Carne ou esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Nenhuma quest\u00e3o hoje \u00e9 t\u00e3o importante para o Brasil, para cada um de n\u00f3s, quanto esta: h\u00e1 ainda esperan\u00e7a de reverter a trajet\u00f3ria atual de destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e do Cerrado? A mesma pergunta pode ser formulada com outras palavras: h\u00e1 ainda esperan\u00e7a de evitar a ru\u00edna final de nossas sociedades, causada pelas consequ\u00eancias dessa destrui\u00e7\u00e3o: temperaturas mais altas, epidemias, secas, inunda\u00e7\u00f5es, eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, quebras de safra crescentes e cada vez maior inseguran\u00e7a alimentar e h\u00eddrica? A resposta categ\u00f3rica \u00e9 N\u00c3O, se n\u00e3o assumirmos, entre outros compromissos pol\u00edticos, a responsabilidade de reduzir drasticamente ou mesmo abandonar o consumo de carne.<\/p>\n<p>Essa responsabilidade deve ser assumida por n\u00f3s. N\u00e3o cabe culpar apenas o mercado internacional pela destrui\u00e7\u00e3o da manta florestal brasileira, como se f\u00f4ssemos t\u00e3o somente espectadores e v\u00edtimas indefesas da trag\u00e9dia. Sim, sem d\u00favida, o problema \u00e9 sist\u00eamico e global. E, como tal, requer uma muta\u00e7\u00e3o de paradigma civilizacional, n\u00e3o vislumbr\u00e1vel nos limites dos Estados-Na\u00e7\u00e3o e, de modo geral, nos marcos do capitalismo em sua fase final de extrema globaliza\u00e7\u00e3o. Sim, sem d\u00favida tamb\u00e9m, o crescente consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis e a convers\u00e3o da agricultura tropical em m\u00e1quina excretora de\u00a0<em>soft<\/em>\u00a0<em>commodities\u00a0<\/em>para o mercado externo (carne e soja, sobretudo para ra\u00e7\u00e3o animal: porcos, frangos e peixes) s\u00e3o os dois motores principais do colapso em curso das florestas.<\/p>\n<p>Mas no que se refere \u00e0 Amaz\u00f4nia e ao Cerrado, n\u00f3s, brasileiros somos os verdadeiros respons\u00e1veis por essa destrui\u00e7\u00e3o, pois a carne produzida em detrimento desses biomas \u00e9 preponderantemente consumida por n\u00f3s. Uma precis\u00e3o: \u201cn\u00f3s\u201d, aqui, refere-se \u00e0 pequena parcela de 10% de brasileiros, que concentramos em nossos bolsos\u00a043,4% da renda nacional,\u00a0[VII]\u00a0e temos, portanto, os meios para comer carne frequentemente.\u00a0Nada \u00e9 mais incoerente que ambientalistas da classe m\u00e9dia, comendo carne entre juras de amor aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e, em particular, \u00e0s florestas brasileiras.\u00a0Como afirma a nutricionista Alessandra Luglio, coordenadora do Departamento de Medicina e Nutri\u00e7\u00e3o da Sociedade Vegetariana Brasileira: \u201cO seu bife \u00e9 o principal devastador da floresta, principalmente pelo fato de que se precisa abrir campos para o gado e plantar alimentos como soja e milho para a pecu\u00e1ria, n\u00e3o s\u00f3 o gado, mas tamb\u00e9m para o frango, o porco e o peixe, animais de consumo que s\u00e3o criados de uma forma intensiva. Al\u00e9m disso, a produ\u00e7\u00e3o de carne produz gases de efeito estufa, que est\u00e3o gerando secas e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, alteradoras do ecossistema\u201d.\u00a0[VIII]<\/p>\n<p><strong>O esfor\u00e7o internacional<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil, pa\u00eds profundamente conservador e imobilista, sempre evoluiu \u201cde fora para dentro\u201d, isto \u00e9, por press\u00e3o internacional, e o presente caso n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Em maio de 2017, o Cardeal Cl\u00e1udio Hummes, Presidente da Repam, Rede Eclesial Pan-amaz\u00f4nica, ressaltou a import\u00e2ncia da floresta Amaz\u00f4nica e \u201ca amea\u00e7a que ela est\u00e1 sofrendo de destrui\u00e7\u00e3o, de degrada\u00e7\u00e3o, de desmatamento, etc.\u201d[IX] O papa Francisco convocou para outubro de 2019 uma\u00a0Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos para a regi\u00e3o Pan-amaz\u00f4nica (nove pa\u00edses), cujo t\u00edtulo ser\u00e1\u00a0\u201cAmaz\u00f4nia: Novos Caminhos para a Igreja e por uma Ecologia Integral\u201d.\u00a0H\u00e1 poucos dias, declarou\u00a0que o que predomina na regi\u00e3o \u00e9 \u201cuma mentalidade cega e destruidora que privilegia o lucro sobre a justi\u00e7a\u201d e que a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ter\u00e1 impactos planet\u00e1rios. De seu lado, os cientistas est\u00e3o se mobilizando. Em 26 de abril de 2019, 602 cientistas europeus, ao lado de dois coletivos ind\u00edgenas, a Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (COIAB) e a Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB), publicaram na revista\u00a0<em>Science\u00a0<\/em>um artigo-manifesto, intitulado \u201cTornar sustent\u00e1vel o com\u00e9rcio da Uni\u00e3o Europeia com o Brasil\u201d.<\/p>\n<p>O artigo mostra que, somente em 2011, a UE importou carne bovina e ra\u00e7\u00e3o animal associada a mais de 1.000 km2 de desmatamento. E exorta a Uni\u00e3o Europeia a condicionar as negocia\u00e7\u00f5es comerciais com o Brasil a tr\u00eas pontos:<\/p>\n<p>(I) defender a Declara\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas;<\/p>\n<p>(II) aperfei\u00e7oar os procedimentos para rastrear\u00a0<em>commodities<\/em>associadas ao desmatamento e a conflitos em rela\u00e7\u00e3o aos direitos ind\u00edgenas; e<\/p>\n<p>(III) consultar e obter o consentimento dos Povos Ind\u00edgenas e das comunidades locais para definir crit\u00e9rios estritamente sociais e ambientais para as\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0negociadas.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, ningu\u00e9m no mundo, de uma sumidade religiosa como o papa Francisco ao mais ateu dos cientistas, pode ver na obra de destrui\u00e7\u00e3o perpetrada sobretudo pela pecu\u00e1ria algo diferente de uma asquerosa monstruosidade.<\/p>\n<p><strong>E n\u00f3s?<\/strong><\/p>\n<p>O artigo-manifesto publicado na\u00a0<em>Science\u00a0<\/em>em abril suscitou o apoio dos cientistas brasileiros que publicaram uma\u00a0<em>E-letter<\/em>\u00a0na mesma\u00a0<em>Science<\/em>, em 25 de junho de 2019, assinada por 56 pesquisadores de grande renome, entre os quais os colegas da Unicamp: Carlos A. Joly, Cristiana Seixas, Gustavo Romero e Thomas Lewinson. O texto afirma, em resumo:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>\u201cContra toda raz\u00e3o, as evid\u00eancias cient\u00edficas est\u00e3o sendo sistematicamente desconsideradas pelo grupo hegem\u00f4nico no poder no Brasil, com prov\u00e1veis impactos de longo alcance sobre a biodiversidade e a sociedade. \u00c9 urgentemente necess\u00e1ria, para o bem da seguran\u00e7a ambiental, uma maior intera\u00e7\u00e3o entre cientistas e pol\u00edticos, de modo a demonstrar a fun\u00e7\u00e3o das Reservas Legais na manuten\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais, que beneficiam fazendeiros, a sociedade e a economia do Brasil a longo prazo\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 uma resposta exemplar, que pode e deve orientar uma rea\u00e7\u00e3o muito mais ampla da sociedade \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o em curso de nossas florestas. \u00c9 claro que o Acordo UE \u2013 Mercosul representa mais um rev\u00e9s para a esperan\u00e7a de deter o desmatamento brasileiro e sul-americano, mas eis uma raz\u00e3o a mais para nos associar \u00e0 luta dos ind\u00edgenas e dos cientistas europeus e brasileiros contra a ratifica\u00e7\u00e3o desse Acordo.\u00a0Quando, em 2006, Jo\u00e3o Meirelles escreveu \u201cVoc\u00ea j\u00e1 comeu a Amaz\u00f4nia hoje?\u201d, o desmatamento da Amaz\u00f4nia j\u00e1 havia come\u00e7ado a cair a taxas muito significativas: de 27.772 km2 no per\u00edodo agosto de 2003 \u2013 julho de 2004 para 14.296 km2 no per\u00edodo agosto 2005 \u2013 julho 2006. E o desmatamento continuaria a cair at\u00e9 2012, para em seguida voltar a crescer, refletindo a alian\u00e7a esp\u00faria de Dilma e do PCdoB com o agroneg\u00f3cio, consubstanciado no novo C\u00f3digo Florestal (Lei 12.651 de 25\/V\/2012), como mostra a Figura 5.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3014883\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico08_20190710.jpg?resize=640%2C314&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico08_20190710.jpg 980w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico08_20190710-300x147.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico08_20190710-768x376.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"314\" \/><\/p>\n<p><em><\/em><em>Figura 5 \u2013\u00a0<\/em><em>Desmatamento da Floresta Amaz\u00f4nica de 1989 a 2016<\/em><\/p>\n<p>O desmatamento atingiu 7.900 km2 entre agosto de 2017 e julho de 2018, 13,7% a mais que nos dozes meses anteriores (6.947 km2). Isso significa que a Amaz\u00f4nia perdeu, entre a promulga\u00e7\u00e3o do novo C\u00f3digo Florestal em 2012 e julho de 2018, 40 mil km2. O desmatamento amaz\u00f4nico que ter\u00e1 ocorrido entre agosto de 2018 e julho de 2019 ser\u00e1 com toda a probabilidade maior que o dos 12 meses anteriores, de modo que at\u00e9 31 de julho de 2019 teremos perdido, em apenas sete anos, uma \u00e1rea de floresta pelo menos equivalente \u00e0 soma das \u00e1reas dos estados de Alagoas e Sergipe (49,6 mil km2).<\/p>\n<p>O desmatamento atingiu 7.900 km2 entre agosto de 2017 e julho de 2018, 13,7% a mais que nos dozes meses anteriores (6.947 km2). Isso significa que a Amaz\u00f4nia perdeu, entre a promulga\u00e7\u00e3o do novo C\u00f3digo Florestal em 2012 e julho de 2018, 40 mil km2. O desmatamento amaz\u00f4nico que ter\u00e1 ocorrido entre agosto de 2018 e julho de 2019 ser\u00e1 com toda a probabilidade maior que o dos 12 meses anteriores, de modo que at\u00e9 31 de julho de 2019 teremos perdido, em apenas sete anos, uma \u00e1rea de floresta pelo menos equivalente \u00e0 soma das \u00e1reas dos estados de Alagoas e Sergipe (49,6 mil km2).<\/p>\n<p>Evidentemente, esse \u00e9 o caminho mais curto e mais r\u00e1pido para o colapso ambiental, e n\u00e3o apenas porque n\u00e3o podemos viver sem florestas, mas tamb\u00e9m porque os ruminantes s\u00e3o a mais forte fonte de libera\u00e7\u00e3o de metano na atmosfera, um g\u00e1s de efeito estufa com um potencial de aquecimento global (GWP) 86 vezes maior que o do CO2 num horizonte de tempo de 20 anos, segundo os c\u00e1lculos do IPCC (AR5 2013, p. 737). Ora, as emiss\u00f5es de metano por fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica do gado bovino no Brasil aumentaram por um fator de 2,5 entre 1970 e 2013, como mostra a Figura 6.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.unicamp.br\/unicamp\/sites\/default\/files\/inline-images\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico09_20190710.jpg?resize=640%2C353&#038;ssl=1\" alt=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"640\" height=\"353\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 6 \u2013<\/em><em>\u00a0Emiss\u00f5es de metano no Brasil por cultivo de arroz, fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica, manejo de dejetos animais, queima de res\u00edduos agr\u00edcolas e solos agr\u00edcolas entre 1970 e 2014 (kg).\u00a01970 = 4.446.659 kg\u00a0 \/\u00a0 2000 = 9.349.498\u00a0 \/\u00a0 2014 = 11.292.333\u00a0 (x 2,5 em rela\u00e7\u00e3o a 1970)\u00a0Fonte: SEEG<\/em><\/p>\n<p>De modo mais geral, a insustentabilidade da dieta carn\u00edvora foi bem demonstrada por um grupo de pesquisadores coordenados por Alice Rosa. Eles avaliaram o impacto ambiental em termos de emiss\u00f5es de carbono, de consumo de \u00e1gua e de pegada ecol\u00f3gica de 153 italianos adultos (51 on\u00edvoros, 51 ovo-lacto-vegetarianos e 51 veganos), considerando a variabilidade interindividual no interior de cada grupo ao longo de sete dias num contexto de vida cotidiana. O resultado \u00e9 impressionante: o simples fato de incluir a carne em uma dieta on\u00edvora potencia imensamente o impacto ambiental de nossa alimenta\u00e7\u00e3o, como mostra a Figura 7<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3014884\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico10_20190710.jpg?resize=640%2C300&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico10_20190710.jpg 980w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico10_20190710-300x141.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.net\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/img_ART_LM_abandonar-carne_grafico10_20190710-768x360.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p><em>Figura 7 \u2013\u00a0<\/em><em>Compara\u00e7\u00e3o entre as dietas omn\u00edvora (O), ovo-lacto-vegetariana (VG) e vegana (V), em termos de: (1) emiss\u00f5es de gramas de gases de efeito estufa por dia (CO2-eq); (2) consumo de \u00e1gua por dia e (3) m2 de terra global (pegada ecol\u00f3gica) usados por dia. Os valores s\u00e3o m\u00e9dias +\/- o desvio-padr\u00e3o de 51 medidas independentes para cada grupo diet\u00e9tico<\/em><strong><em>.\u00a0\u00a0<\/em><\/strong><em>Fonte:\u00a0Alice Rosi\u00a0et al., \u201cEnvironmental impact of omnivorous, ovo-lacto-vegetarian, and vegan diet\u201d.\u00a0Scientific Reports, 7, 21\/VII\/2017<\/em><\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Se todos os presidentes do Brasil foram complacentes com o desmatamento, com Bolsonaro a guerra \u00e0 floresta tornou-se uma promessa de campanha e uma prioridade em sua pol\u00edtica de governo.<\/p>\n<p>Encorajado por essa pol\u00edtica, o agroneg\u00f3cio est\u00e1 destruindo agora a uma velocidade sem precedentes o patrim\u00f4nio natural do pa\u00eds. O INPE\u00a0detectou aumento de 88% no desmatamento da Amaz\u00f4nia comparando junho de 2019 a junho de 2018, e mais de dois mil alertas ou focos de desmatamento entre janeiro e junho de 2019. Ainda segundo o INPE, mais de 95% foram desmatamentos ilegais. Mas agora est\u00e1 l\u00e1 o Ricardo Salles, garoto de ouro dos fazendeiros, garantindo, depois de errar em uma continha de crian\u00e7a, que a \u201cAmaz\u00f4nia j\u00e1 tem desmatamento relativo zero\u201d.[X]<\/p>\n<p>Precisamos combater o ecoc\u00eddio em curso de todas as formas legais poss\u00edveis. Mas a forma mais simples e direta de luta \u00e9 simplesmente parar de comer carne ou reduzir drasticamente seu consumo. Recapitulo: dado que quase 90% do desmatamento da Amaz\u00f4nia e uma porcentagem similar do desmatamento do Cerrado deve-se \u00e0 pecu\u00e1ria bovina e \u00e0 soja usada em grande parte para ra\u00e7\u00e3o animal, e dado que 80% da carne bovina produzida no Brasil \u00e9 consumida em nossos pratos, segue-se que somos os principais respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio natural, do clima e da biodiversidade de nosso pa\u00eds. Podemos manter a floresta e tudo o que ela proporciona ou podemos manter a dieta carn\u00edvora. Mas n\u00e3o podemos manter os dois. \u00c9 simples assim.\u00a0A boa not\u00edcia \u00e9 que somos ainda os protagonistas do drama. Onde n\u00e3o h\u00e1 demanda, n\u00e3o h\u00e1 oferta: n\u00e3o \u00e9 justamente esse o lado bom de uma economia de mercado? O esfor\u00e7o internacional nesse sentido \u00e9 crescente. Temos que fazer a nossa parte. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil \u201cdesmamar\u201d da carne, bem sei. Dietas adquiridas na inf\u00e2ncia enra\u00edzam-se em n\u00f3s.\u00a0 Mas ajuda bastante saber que a carne que consumimos hoje \u00e9 cheia de horm\u00f4nios, antibi\u00f3ticos, conservantes e, sobretudo, \u00e9 o resultado de inaceit\u00e1vel sofrimento animal. Al\u00e9m disso,\u00a0segundo a OMS, h\u00e1 evid\u00eancia limitada de que carne vermelha \u00e9 cancer\u00edgena (grupo 2A) e evid\u00eancia suficiente (grupo 1) de que carne processada o seja. [XI] Em suma, carne \u00e9 uma droga pesada. O simples ato de renunciar ao bife nosso de cada dia criar\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de estarmos fazendo a coisa certa para nossa sa\u00fade, para a conserva\u00e7\u00e3o das florestas e para criaturas capazes de sofrer como n\u00f3s, al\u00e9m de uma expectativa muito mais positiva em rela\u00e7\u00e3o ao nosso futuro e ao de nossos filhos. O\u00a0tempo para isso \u00e9 agora. Se adiarmos mais, perderemos de vez as florestas e, ent\u00e3o, n\u00e3o haver\u00e1 dieta alguma, nem mesmo a vegetariana, para nos alimentar.<\/p>\n<p>[I] Cf. N. de Oliveira Alves\u00a0<em>et al.<\/em>,\u00a0\u201cBiomass burning in the Amazon region causes DNA damage and cell death in human lung cells\u201d.\u00a0<em>Scientific Reports<\/em>,7, 7\/IX\/2017.<\/p>\n<p>[II] Cf. Sonia I Seneviratne e Philippe Ciais, \u201cEnvironmental science: Trends in ecosystem recovery from drought\u201d.\u00a0<em>Nature<\/em>, 548, 10\/VIII\/2017, pp. 164-165: \u201cthe time taken for ecosystems to recover from drought increased during the 20th century. If the frequency of drought events rises, some ecosystems might never have the chance to fully recover\u201d. Veja-se tamb\u00e9m Christopher R. Schwalm\u00a0<em>et al.<\/em>, \u201cGlobal Patterns of drought recovery\u201d.\u00a0<em>Nature,\u00a0<\/em>548,\u00a0 10\/VIII\/2017\u00a0, pp. 202-205.<\/p>\n<p>[III] Cf. A. Erfanian, G. Wang, L. Fomenko, \u201cUnprecedented drought over tropical South America in 2016: significantly under-predicted by tropical SST\u201d.\u00a0<em>Scientific Reports,\u00a0<\/em>19\/VII\/2017. Veja-se tamb\u00e9m C. Nobre, J. Marengo, W. R. Soares,\u00a0<em>Climate Change Risk in Brazil<\/em>, Springer, 2019, Introdu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>[IV]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.beefpoint.com.br\/abiec-perfil-da-pecuaria-no-brasil\/\">Cf. Equipe BeefPoint, \u201cPerfil da Pecu\u00e1ria no Brasil\u201d, ABIEC, 26\/VII\/2018.<\/a><\/p>\n<p>[V]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wwf.org.br\/natureza_brasileira\/questoes_ambientais\/biomas\/bioma_cerrado\/bioma_cerrado_ameacas\/\">Cf. \u201cAmea\u00e7as ao Cerrado\u201d. WWF<\/a><\/p>\n<p>[VI]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-ultimo-seculo-das-florestas-tropicais\">Cf.\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/artigos\/luiz-marques\/o-ultimo-seculo-das-florestas-tropicais\">\u201c\u00daltimo s\u00e9culo das florestas tropicais?\u201d, Jornal da Unicamp, 7\/VIII\/2017.<\/a><\/p>\n<p>[VII] Os dados do IBGE de 2017 s\u00e3o claros: 50% dos trabalhadores brasileiros recebiam ent\u00e3o por m\u00eas, em m\u00e9dia, 15% menos que o sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 880,00 naquele momento). Cf. Daniel Silveira, \u201cMetade dos trabalhadores brasileiros tem renda menor que o sal\u00e1rio m\u00ednimo, aponta IBGE\u201d.\u00a0<em>G1<\/em>, 29\/XI\/2017.<\/p>\n<p>[VIII] Cf. Vladimir Platonow, \u201cProdu\u00e7\u00e3o de carne afeta desmatamento na Amaz\u00f4nia, dizem especialistas\u201d. Ag\u00eancia Brasil, 1\/VIII\/2018.<\/p>\n<p>[IX]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pom.org.br\/papa-anuncia-o-sinodo-para-a-pan-amazonia\/\">Cf. CNBB, \u201c<\/a><a href=\"http:\/\/www.pom.org.br\/papa-anuncia-o-sinodo-para-a-pan-amazonia\/\">Papa anuncia um S\u00ednodo para a Pan-amaz\u00f4nia\u201d. POM, 15\/X\/2017<\/a>.<\/p>\n<p>[X] Cf. Philippe Watanabe, \u201cRicardo Salles afirma que Amaz\u00f4nia j\u00e1 tem \u2018desmatamento relativo zero\u2019\u201d. Folha de S\u00e3o Paulo, 4\/VII\/2019.<\/p>\n<p>[XI] Cf. \u201cQ&amp;A on the carcinogenicity of the consumption of red meat and processed meat\u201d. OMS, outubro de 2015 (carne processada = presunto, embutidos, enlatados, molhos \u00e0 base de carne etc).<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ESNuXFsaVk\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/\">A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/embed\/#?secret=nU3qwNczsY#?secret=ESNuXFsaVk\" data-secret=\"ESNuXFsaVk\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Marques &#8211; Al\u00e9m dos j\u00e1 conhecidos efeitos dos inc\u00eandios para cria\u00e7\u00e3o de pastos, Amaz\u00f4nia pode n\u00e3o conseguir regenerar ecossistema a curto prazo. Como conter cat\u00e1strofe iminente \u2013 quando estudos apontam causa no gigante consumo de carne brasileiro. Este artigo \u00e9 o resultado de uma comunica\u00e7\u00e3o feita no F\u00f3rum Permanente \u201cTerras Ind\u00edgenas e Interesses Nacionais\u201d, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6891,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[10],"tags":[47],"class_list":["post-11068","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente","tag-qualidade-de-vida"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Luiz Marques &#8211; Al\u00e9m dos j\u00e1 conhecidos efeitos dos inc\u00eandios para cria\u00e7\u00e3o de pastos, Amaz\u00f4nia pode n\u00e3o conseguir regenerar ecossistema a curto prazo. Como conter cat\u00e1strofe iminente \u2013 quando estudos apontam causa no gigante consumo de carne brasileiro. Este artigo \u00e9 o resultado de uma comunica\u00e7\u00e3o feita no F\u00f3rum Permanente \u201cTerras Ind\u00edgenas e Interesses Nacionais\u201d, [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2019-07-28T12:30:41+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/alimentos-supermercado.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1023\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"673\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"22 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos\",\"datePublished\":\"2019-07-28T12:30:41+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/\"},\"wordCount\":4363,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/alimentos-supermercado.jpg?fit=1023%2C673&ssl=1\",\"keywords\":[\"Qualidade de vida\"],\"articleSection\":[\"Meio ambiente\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/\",\"name\":\"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/alimentos-supermercado.jpg?fit=1023%2C673&ssl=1\",\"datePublished\":\"2019-07-28T12:30:41+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/alimentos-supermercado.jpg?fit=1023%2C673&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/alimentos-supermercado.jpg?fit=1023%2C673&ssl=1\",\"width\":1023,\"height\":673},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2019\\\/07\\\/28\\\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos - Controversia","og_description":"Luiz Marques &#8211; Al\u00e9m dos j\u00e1 conhecidos efeitos dos inc\u00eandios para cria\u00e7\u00e3o de pastos, Amaz\u00f4nia pode n\u00e3o conseguir regenerar ecossistema a curto prazo. Como conter cat\u00e1strofe iminente \u2013 quando estudos apontam causa no gigante consumo de carne brasileiro. Este artigo \u00e9 o resultado de uma comunica\u00e7\u00e3o feita no F\u00f3rum Permanente \u201cTerras Ind\u00edgenas e Interesses Nacionais\u201d, [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2019-07-28T12:30:41+00:00","og_image":[{"width":1023,"height":673,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/alimentos-supermercado.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"22 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos","datePublished":"2019-07-28T12:30:41+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/"},"wordCount":4363,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/alimentos-supermercado.jpg?fit=1023%2C673&ssl=1","keywords":["Qualidade de vida"],"articleSection":["Meio ambiente"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/","name":"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/alimentos-supermercado.jpg?fit=1023%2C673&ssl=1","datePublished":"2019-07-28T12:30:41+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/alimentos-supermercado.jpg?fit=1023%2C673&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/alimentos-supermercado.jpg?fit=1023%2C673&ssl=1","width":1023,"height":673},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2019\/07\/28\/a-relacao-entre-o-fogo-criminoso-e-o-que-comemos\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A rela\u00e7\u00e3o entre o fogo criminoso e o que comemos"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/alimentos-supermercado.jpg?fit=1023%2C673&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11068"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11068\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11069,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11068\/revisions\/11069"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}