{"id":11056,"date":"2019-07-25T08:46:20","date_gmt":"2019-07-25T11:46:20","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=11056"},"modified":"2019-07-28T18:07:19","modified_gmt":"2019-07-28T21:07:19","slug":"o-velho-capitalismo-e-seu-folego-para-dominacao-do-tempo-e-do-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/07\/25\/o-velho-capitalismo-e-seu-folego-para-dominacao-do-tempo-e-do-espaco\/","title":{"rendered":"O \u201cvelho capitalismo\u201d e seu f\u00f4lego para domina\u00e7\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o (I)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211;<\/strong> Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo.<\/p>\n<p>A\u00a0plasticidade do capitalismo\u00a0permite que ele assuma o\u00a0esp\u00edrito do tempo\u00a0e, com isso, v\u00e1 se transmutando e se tornando senhor do tempo e do espa\u00e7o. \u201cO\u00a0velho capitalismo\u00a0reconciliou-se com sua natureza inquieta e criativa. T\u00e3o inquieta e criativa que rapidamente transmutou a concorr\u00eancia perfeita em concorr\u00eancia monopolista\u201d, observa o economista\u00a0Luiz Gonzaga Belluzzo. Se antes o\u00a0capitalismo\u00a0era ruim, ao menos gerava recursos para o Estado, podendo se pensar um Estado de bem-estar a partir de suas bases. No entanto, agora se faz ainda mais perverso pela\u00a0perspectiva individualista\u00a0que assume. \u201cLivre, leve e solto em seu peculiar dinamismo, amparado em suas engrenagens tecnol\u00f3gicas e financeiras, o \u2018Velho Cap\u2019 promoveu e promove a acelera\u00e7\u00e3o do tempo e o encolhimento do espa\u00e7o. Esses fen\u00f4menos g\u00eameos podem ser observados na\u00a0globaliza\u00e7\u00e3o, na\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o\u00a0e nos processos de produ\u00e7\u00e3o da\u00a0ind\u00fastria 4.0\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por e-mail \u00e0\u00a0IHU On-Line,\u00a0Belluzzo\u00a0analisa essa \u201cnova fase da\u00a0digitaliza\u00e7\u00e3o da manufatura\u201d, que, na vis\u00e3o dele, \u201c\u00e9 conduzida pelo aumento do volume de dados, amplia\u00e7\u00e3o do poder computacional e conectividade, a emerg\u00eancia de capacidades anal\u00edticas aplicadas aos neg\u00f3cios, novas formas de intera\u00e7\u00e3o entre homem e m\u00e1quina, e melhorias na transfer\u00eancia de instru\u00e7\u00f5es digitais para o mundo f\u00edsico, como a rob\u00f3tica avan\u00e7ada e impressoras 3D\u201d.<\/p>\n<p>Na sua perspectiva, ter consci\u00eancia dessa\u00a0pot\u00eancia do capital\u00a0pode ser um primeiro passo para a tomada de consci\u00eancia da necessidade de transforma\u00e7\u00e3o, de concep\u00e7\u00e3o de outros paradigmas. \u201c\u00c9 preciso intensificar o esfor\u00e7o no trabalho na busca do improv\u00e1vel equil\u00edbrio entre a incessante multiplica\u00e7\u00e3o das necessidades e os meios necess\u00e1rios para satisfaz\u00ea-las, buscar novas emo\u00e7\u00f5es, cultivar a ang\u00fastia porque \u00e9 imposs\u00edvel ganhar a paz\u201d, sugere. E por isso passa, at\u00e9 mesmo, a concep\u00e7\u00e3o de outras matrizes de pensamento econ\u00f4mico, pois, como observa, \u201cos f\u00e2mulos da\u00a0ci\u00eancia econ\u00f4mica\u00a0se entregam \u00e0 farsa pseudocient\u00edfica dos modelos engalanados por matem\u00e1tica de segunda classe\u201d, resignando a ci\u00eancia econ\u00f4mica a uma racionalidade que a engessa e concebe um \u00fanico caminho.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2019\/07\/08_07_luiz_gonzaga_belluzzo-foto_ricardo_machado.JPG?w=640\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>Luiz Gonzaga Belluzzo\u00a0\u00e9 graduado em Direito pela Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP, mestre em Economia Industrial pelo Instituto Latino-Americano e Caribenho de Planejamento Econ\u00f4mico e Social \u2013 Ilpes\/Cepal e doutor em Economia pela Universidade de Campinas &#8211; Unicamp. Foi secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda. \u00c9 um dos fundadores da Faculdades de Campinas &#8211; Facamp, onde \u00e9 professor. Publicou recentemente\u00a0Manda quem pode, obedece quem tem preju\u00edzo\u00a0(S\u00e3o Paulo: Facamp-Editora Contracorrente, 2017). Tamb\u00e9m \u00e9 autor de\u00a0Capital e suas metamorfoses\u00a0(S\u00e3o Paulo: Unesp, 2013),\u00a0Os antecedentes da tormenta: origens da crise global\u00a0(Campinas: Facamp, 2009),\u00a0Temporalidade da Riqueza &#8211; Teoria da Din\u00e2mica e Financeiriza\u00e7\u00e3o do Capitalismo\u00a0(Campinas: Oficinas Gr\u00e1ficas da Unicamp, 2000), entre outras obras.<\/p>\n<p><em>Leia a seguir\u00a0a primeira parte da entrevista. Amanh\u00e3, ser\u00e1 publicada a segunda parte, em que o economista aborda a emerg\u00eancia de se conceber uma outra economia, os limites das formas como as Ci\u00eancias Econ\u00f4micas v\u00eam sendo empregadas na atualidade, os reflexos das transmuta\u00e7\u00f5es do capitalismo na realidade brasileira e as rela\u00e7\u00f5es entre China e Estados Unidos nessa fase mais recente do capitalismo global.<\/em><\/p>\n<p><em>A \u00edntegra da entrevista pode ser lida tamb\u00e9m em\u00a0<strong>Cadernos IHU ideias<\/strong>, no. 286 dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/286cadernosihuideias2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<h3>Confira a entrevista.<\/h3>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Vivemos o \u00e1pice de um liberalismo econ\u00f4mico no Brasil e no mundo? E quais os riscos dessa perspectiva econ\u00f4mica que p\u00f5e o financeiro no centro da vida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0Na assim chamada\u00a0<strong>Era Dourada<\/strong>\u00a0\u2013 entre o fim da\u00a0<strong>Segunda Guerra<\/strong>\u00a0e o in\u00edcio dos anos de 1970 do s\u00e9culo passado \u2013 conviveram em harmonia o crescimento r\u00e1pido, a baixa infla\u00e7\u00e3o, reduzidas taxas de desemprego, aumento dos sal\u00e1rios reais e integra\u00e7\u00e3o das massas aos padr\u00f5es modernos de consumo e de conviv\u00eancia. Na d\u00e9cada dos 1970, o jogo virou. Entrou em campo a funesta combina\u00e7\u00e3o entre infla\u00e7\u00e3o e baixo crescimento. O bloco ideol\u00f3gico que se opunha \u00e0s\u00a0<strong>pol\u00edticas \u201cintervencionistas\u201d<\/strong>\u00a0e ao\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584750-estao-tentando-romper-o-contrato-social-do-estado-de-bem-estar-entrevista-com-daniel-garcia-delgado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estado do Bem-Estar<\/a>\u00a0tratou de atribuir o desarranjo \u00e0 decrepitude das pol\u00edticas e das pr\u00e1ticas que buscavam controlar a instabilidade do capitalismo e impedir que o destino dos cidad\u00e3os ficasse \u00e0 merc\u00ea das incertezas do mercado. Depois de 30 anos de desempenho brilhante, as\u00a0<strong>economias capitalistas<\/strong>\u00a0emitiam sinais de fadiga estrutural. A\u00a0<em>Golden Age<\/em>\u00a0agonizava.<\/p>\n<p>No limiar dos anos 1980, a elei\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/172-noticias\/noticias-2012\/506126-ascensao-e-queda-de-thatcher-a-mulher-mais-temida-da-inglaterra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Thatcher<\/a>\u00a0[1] e\u00a0<strong>Reagan<\/strong>\u00a0[2] refletiu o desconforto das classes abastadas e m\u00e9dias com a estagfla\u00e7\u00e3o. As cargas tribut\u00e1rias elevadas, o excesso de regulamenta\u00e7\u00e3o e o poder dos sindicatos eram, sem d\u00favida, os respons\u00e1veis pelo mau desempenho das economias.<\/p>\n<p>A famosa\u00a0<strong>curva de Laffer<\/strong>\u00a0[3] garantia que a sobrecarga de impostos sufocava os mais ricos e desestimulava a poupan\u00e7a, o que comprometia o investimento e, portanto, reduzia a oferta de empregos e a renda dos mais pobres. As pr\u00e1ticas neocorporativistas, diziam os ide\u00f3logos do\u00a0<strong>neoliberalismo<\/strong>, criavam s\u00e9rias deforma\u00e7\u00f5es \u201cmicroecon\u00f4micas\u201d, ao promover, deliberadamente, interven\u00e7\u00f5es no sistema de pre\u00e7os \u2013 nas taxas de c\u00e2mbio, nos juros e nas tarifas. Com o objetivo de induzir a expans\u00e3o de setores escolhidos ou de proteger segmentos empresariais amea\u00e7ados pela concorr\u00eancia, os governos distorciam o sistema de pre\u00e7os e, assim, bloqueavam os mercados em sua nobre e insubstitu\u00edvel fun\u00e7\u00e3o de produzir informa\u00e7\u00f5es para os agentes econ\u00f4micos. Tal viola\u00e7\u00e3o das regras de ouro dos mercados competitivos culminava na dissemina\u00e7\u00e3o da inefici\u00eancia e na multiplica\u00e7\u00e3o dos grupos \u201c<strong>predadores de renda<\/strong>\u201d, que se encastelavam nos espa\u00e7os criados pela prodigalidade financeira do\u00a0<strong>Estado<\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda nos anos de 1950, tempo de esplendor e gl\u00f3ria das\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/276\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pol\u00edticas keynesianas<\/a>\u00a0e do\u00a0<strong>Estado do Bem-Estar<\/strong>, o libertarianismo de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/570979-neoliberalismo-a-grande-ideia-que-engoliu-o-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Friedrich Hayek<\/a>\u00a0[4] e o monetarismo de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/104cadernosihuideias.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Milton Friedman<\/a>\u00a0[5] formaram a comiss\u00e3o de frente da ofensiva contra \u201cos inimigos da liberdade econ\u00f4mica\u201d. Para\u00a0<strong>Hayek<\/strong>, o mercado \u00e9 um processo de troca e de acumula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o um ambiente est\u00e1tico dotado de for\u00e7as que o reconduzem ao equil\u00edbrio. As interven\u00e7\u00f5es do Estado s\u00e3o nefastas, pois s\u00f3 o processo de mercado torna poss\u00edvel a inova\u00e7\u00e3o nos m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o e de organiza\u00e7\u00e3o, a partir do continuado fluxo de informa\u00e7\u00f5es que surge da intera\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos livres.<\/p>\n<p>O importante nesta concep\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00eanfase na capacidade do mercado, livre de empecilhos, de mobilizar e fluidificar os recursos individuais. O corpo de propostas &#8220;reformistas&#8221; rotuladas de\u00a0<strong>neoliberais<\/strong>\u00a0est\u00e1, portanto, comprometido com a ideia de que \u00e9 preciso liberar as for\u00e7as criativas do mercado. A\u00a0<strong>renova\u00e7\u00e3o do capitalismo<\/strong>, em gesta\u00e7\u00e3o desde o crep\u00fasculo da era keynesiana, tinha o prop\u00f3sito de abrir caminho para a preemin\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es entre indiv\u00edduos livres, dispostos aos objetivos do ganho monet\u00e1rio. Essa \u00e9 a\u00a0<strong>sociedade dos neoliberais<\/strong>.<\/p>\n<h3>Estado muda de agenda<\/h3>\n<p>Mas, na verdade, as\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/588655-as-reformas-sao-a-falsa-promessa-de-modernizacao-e-crescimento-entrevista-especial-com-jose-dari-krein\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reformas liberalizantes<\/a>, empreendidas desde o crep\u00fasculo dos anos 70 do s\u00e9culo passado, trataram de mobilizar os recursos pol\u00edticos e financeiros dos\u00a0<strong>Estados Nacionais<\/strong>\u00a0para fortalecer os respectivos sistemas empresariais envolvidos na concorr\u00eancia global. O Estado n\u00e3o saiu da cena, apenas mudou de agenda. Em sua obra maior,\u00a0<strong>Civiliza\u00e7\u00e3o Material e Capitalismo<\/strong>[6] , o historiador\u00a0<strong>Fernand Braudel<\/strong>\u00a0[7] escreveu: \u201c<em>o erro mais grave (dos economistas ) \u00e9 sustentar que o capitalismo \u00e9 um sistema econ\u00f4mico&#8230; N\u00e3o devemos nos enganar, o Estado e o Capital s\u00e3o companheiros insepar\u00e1veis, ontem como hoje.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Na esteira do apoio decisivo do Estado, as\u00a0<strong>corpora\u00e7\u00f5es globais<\/strong>\u00a0passaram a adotar padr\u00f5es de governan\u00e7a agressivamente competitivos. Entre outros procedimentos, as empresas subordinaram seu desempenho econ\u00f4mico \u00e0 \u201ccria\u00e7\u00e3o de valor\u201d na esfera financeira, repercutindo a amplia\u00e7\u00e3o dos poderes dos acionistas. Aliados aos administradores, agora remunerados com b\u00f4nus generosos e comprometidos com o exerc\u00edcio de op\u00e7\u00f5es de compra das a\u00e7\u00f5es da empresa, os acionistas exercitaram um individualismo agressivo e exigiram surtos intensos e recorrentes de reengenharia administrativa, de flexibiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e de redu\u00e7\u00e3o de custos.<\/p>\n<h3>Muta\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es organizacionais<\/h3>\n<p>As estrat\u00e9gias de localiza\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>corpora\u00e7\u00e3o globalizada<\/strong>\u00a0introduziram importantes muta\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es organizacionais: constitui\u00e7\u00e3o de empresas-rede, com centraliza\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es de decis\u00e3o e de inova\u00e7\u00e3o e terceiriza\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es comerciais, industriais e de servi\u00e7os em geral. A individualiza\u00e7\u00e3o das\u00a0<strong>rela\u00e7\u00f5es trabalhistas<\/strong>\u00a0promoveu a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/562224-a-uberizacao-leva-a-intensificacao-do-trabalho-e-da-competicao-entre-os-trabalhadores-entrevista-com-marcio-pochmann\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">intensifica\u00e7\u00e3o do ritmo de trabalho<\/a>, conforme estudo recente da\u00a0<strong>OIT<\/strong>\u00a0e de outras institui\u00e7\u00f5es que lidam com o assunto. O trabalho se intensificou, sobretudo, entre os que se tornaram independentes das rela\u00e7\u00f5es formais, os que negociam diariamente a venda de sua capacidade de trabalho nos mercados livres.<\/p>\n<p>Isso aconteceu no mesmo per\u00edodo em que as novas formas financeiras contribu\u00edram para aumentar o poder das\u00a0<strong>grandes corpora\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0em suas rela\u00e7\u00f5es com os empregados e terceirizados. As fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es suscitaram um maior controle dos mercados e promoveram campanhas contra os direitos sociais e econ\u00f4micos, considerados um obst\u00e1culo \u00e0 opera\u00e7\u00e3o das leis de concorr\u00eancia. A abertura dos mercados e o acirramento da concorr\u00eancia coexistiram com a tend\u00eancia ao monop\u00f3lio e, assim, impediram que os cidad\u00e3os, no exerc\u00edcio da pol\u00edtica democr\u00e1tica, exercitassem o direito de decidir sobre a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Os neorreformistas, na realidade, cuidaram de transferir os riscos para os indiv\u00edduos dispersos, ao mesmo tempo em que buscaram o Estado e sua for\u00e7a coletiva para limitar as perdas provocadas pelos epis\u00f3dios de desvaloriza\u00e7\u00e3o da riqueza. A intensifica\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia entre as empresas no espa\u00e7o global n\u00e3o s\u00f3 acelerou o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/492\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">processo de financeiriza\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/574627-brasil-tem-maior-concentracao-de-renda-do-mundo-entre-1-mais-rico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e da renda<\/a>\u00a0como submeteu os cidad\u00e3os \u00e0s ang\u00fastias da inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Na era do\u00a0<strong>capitalismo \u201cturbinado\u201d e financeirizado<\/strong>, os frutos do crescimento se concentraram nas m\u00e3os dos detentores de carteiras de t\u00edtulos que representam direitos \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o da renda e da riqueza. Para os demais, perduram a amea\u00e7a do desemprego, a crescente inseguran\u00e7a e precariedade das novas ocupa\u00e7\u00f5es, a exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como conceber uma outra economia, descentrada do mundo do mercado financeiro e que leve em conta as necessidades humanas e a preserva\u00e7\u00e3o do planeta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0Para come\u00e7o de conversa, digo que as quest\u00f5es suscitadas nas origens da vida moderna ainda n\u00e3o obtiveram resposta. Nos tempos de prosperidade, elas hibernam e ai dos que ousam despert\u00e1-las. Mas no fragor das crises elas voltam a assombrar o mundo dos vivos. Nesses tempos, a inc\u00f4moda pergunta n\u00e3o quer calar: em que momento homens e mulheres \u2013 sob o manto da liberdade e de igualdade \u2013 v\u00e3o desfrutar da abund\u00e2ncia e dos confortos que o\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0oferece em seu desatinado desenvolvimento?<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0da grande ind\u00fastria, da finan\u00e7a e da constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o global, entre crises e recupera\u00e7\u00f5es, exercitou os poderes de transformar e dominar a natureza \u2013 at\u00e9 mesmo de reinvent\u00e1-la \u2013 suscitando desejos, ambi\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7as. A vers\u00e3o panglossiana desses prod\u00edgios nos ensina que a admir\u00e1vel inclina\u00e7\u00e3o para revolucionar as for\u00e7as produtivas h\u00e1 de aproximar homens e mulheres do momento em que as penas do trabalho subjugado pelo mando de outrem seriam substitu\u00eddas pelas del\u00edcias e liberdades do \u00f3cio com dignidade.<\/p>\n<p>Para muitos, estaria prestes a se realizar a utopia de trabalhar menos para viver mais. Os avan\u00e7os da microeletr\u00f4nica, da inform\u00e1tica, da automa\u00e7\u00e3o dos processos industriais j\u00e1 permitem vislumbrar, dizem os otimistas, a liberta\u00e7\u00e3o das fadigas que padecemos em nome de uma\u00a0<strong>\u00e9tica do trabalho<\/strong>\u00a0que s\u00f3 engorda os cabedais dos que nos dominam. Alguns cidad\u00e3os j\u00e1 podem trabalhar em casa, longe dos constrangimentos da hierarquia da grande empresa e assim escolher \u00e0 vontade entre o tempo livre e as fadigas do labor.<\/p>\n<p>Esses enredos foram contados nos bons tempos da<strong>\u00a0globaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e das\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/568840-nos-eua-uma-nova-bolha-imobiliaria-ameaca-criar-outra-crise\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bolhas financeiras<\/a>\u00a0e de\u00a0<strong>consumo<\/strong>: a economia da inova\u00e7\u00e3o e da intelig\u00eancia estaria prestes a substituir a\u00a0<strong>economia da f\u00e1brica<\/strong>, dos ru\u00eddos atormentadores e dos gases t\u00f3xicos. As\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/588212-revolucao-4-0-nao-encontraremos-na-historia-momentos-de-forte-correlacao-com-o-que-viveremos-entrevista-especial-com-joao-roncati\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas<\/a>\u00a0e suas consequ\u00eancias sociais ensejariam a proeza de realizar o projeto da autonomia do indiv\u00edduo, aquele inscrito nos p\u00f3rticos da modernidade. A autonomia do indiv\u00edduo significa a sua autorrealiza\u00e7\u00e3o dentro das regras das liberdades republicanas e do respeito ao outro. O\u00a0<strong>projeto da autonomia do sujeito<\/strong>\u00a0\u00e9 uma cr\u00edtica permanente e inescap\u00e1vel da submiss\u00e3o aos poderes \u2013 p\u00fablicos e privados \u2013 que o cidad\u00e3o n\u00e3o controla. At\u00e9 mesmo os cr\u00edticos mais impiedosos reconhecem que a\u00a0<strong>economia capitalista<\/strong>\u00a0engendrou formas de sociabilidade que descortinaram a possibilidade de libertar a vida humana e suas necessidades das limita\u00e7\u00f5es impostas pela natureza e pela submiss\u00e3o pessoal. A\u00a0<strong>ind\u00fastria moderna<\/strong>, essa formid\u00e1vel m\u00e1quina de elimina\u00e7\u00e3o da escassez, oferece aos homens e mulheres a \u201crealidade poss\u00edvel\u201d da satisfa\u00e7\u00e3o dos carecimentos e da liberta\u00e7\u00e3o de todas as opress\u00f5es pelo outro.<\/p>\n<h3>Da realiza\u00e7\u00e3o pessoal a estruturas t\u00e9cnico-econ\u00f4micas<\/h3>\n<p>Mas qual \u00e9 a realidade que se esconde sob os pretextos dessa fantasia? Na marcha de sua realidade real, o\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0incitou os anseios de realiza\u00e7\u00e3o pessoal, mas tamb\u00e9m fez emergir estruturas t\u00e9cnico-econ\u00f4micas e formas de depend\u00eancia que agem sobre o destino dos protagonistas da vida social como for\u00e7as naturais que frequentemente destroem a natureza, colocando em s\u00e9rio risco a sobreviv\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Em\u00a0<strong>Eros e Civiliza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0[8],\u00a0<strong>Marcuse<\/strong>\u00a0[9] falou da m\u00fatua e estranha fecunda\u00e7\u00e3o entre\u00a0<strong>liberdade e domina\u00e7\u00e3o<\/strong>na sociedade contempor\u00e2nea. Para ele, a produ\u00e7\u00e3o e o consumo reproduzem e justificam a domina\u00e7\u00e3o. Mas isso n\u00e3o altera o fato de que seus benef\u00edcios s\u00e3o reais: amplia as perspectivas da cultura material, facilita a obten\u00e7\u00e3o das necessidades da vida, torna o conforto e o luxo mais baratos, atrai \u00e1reas cada vez mais vastas para a \u00f3rbita da ind\u00fastria. Mas, ao mesmo tempo, o indiv\u00edduo paga com o sacrif\u00edcio de seu tempo, de sua consci\u00eancia e de seus sonhos nunca realizados. A\u00a0<strong>concorr\u00eancia generalizada<\/strong>\u00a0se imp\u00f5e aos indiv\u00edduos como uma for\u00e7a externa, irresist\u00edvel. Por isso \u00e9 preciso intensificar o esfor\u00e7o no trabalho na busca do improv\u00e1vel equil\u00edbrio entre a incessante multiplica\u00e7\u00e3o das necessidades e os meios necess\u00e1rios para satisfaz\u00ea-las, buscar novas emo\u00e7\u00f5es, cultivar a ang\u00fastia porque \u00e9 imposs\u00edvel ganhar a paz.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que perspectivas e vertentes te\u00f3ricas podem nos inspirar a pensar uma outra economia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0Na\u00a0<strong>Inglaterra<\/strong>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/568578-jeremy-corbyn-revela-outra-esquerda-e-possivel\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jeremy Corbyn<\/a>\u00a0[10] ganhou a lideran\u00e7a do\u00a0<strong>Partido Trabalhista<\/strong>. Em sua campanha, ele ofereceu ao partido um programa econ\u00f4mico que causou urtic\u00e1ria n\u00e3o somente nos conservadores, mas tamb\u00e9m na turma do\u00a0<strong>Novo Trabalhismo de Tony Blair<\/strong>\u00a0[11].<\/p>\n<p><strong>Corbyn<\/strong>\u00a0criticou duramente a\u00a0<strong>austeridade expansionista<\/strong>: \u201c<em>A Inglaterra clama por um programa de investimento p\u00fablico em novas moradias, ferrovias, energia e infraestrutura digital e, por isso, sugerimos os meios para que isso aconte\u00e7a. Uma das op\u00e7\u00f5es, conhecida como a Facilita\u00e7\u00e3o Quantitativa do Povo, foi prontamente acolhida por Sir\u00a0<strong>Robert Skidelsky<\/strong>\u00a0[12],\u00a0<strong>Ann Pettifor<\/strong>\u00a0[13] e outros renomados economistas<\/em>\u201d. O programa foi apoiado por 41\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/575393-33-teses-para-reformar-a-economia-ensinada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">economistas de prest\u00edgio<\/a>, entre eles o ex-membro do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco da Inglaterra,<strong>\u00a0David Blanchflower<\/strong>\u00a0[14], al\u00e9m de\u00a0<strong>Mariana Mazzucato<\/strong>\u00a0[15],\u00a0<strong>Steve Keen<\/strong>\u00a0[16] e\u00a0<strong>Victoria Chick<\/strong>\u00a0[17].<\/p>\n<p>Os economistas assinaram um manifesto em defesa do programa, acusado pela m\u00eddia de extremista de esquerda. Retrucam os signat\u00e1rios: \u201c<em>A despeito do fogo de barragem disparado pela cobertura da m\u00eddia, extremistas s\u00e3o as pol\u00edticas e objetivos da pol\u00edtica econ\u00f4mica atual. J\u00e1 falhou no \u00faltimo mandato a tentativa de produzir um reequil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio mediante cortes nos gastos. \u00c9 injustific\u00e1vel o aumento da pobreza infantil e a redu\u00e7\u00e3o do apoio aos mais vulner\u00e1veis. Cortar o investimento p\u00fablico em nome da prud\u00eancia \u00e9 errado porque afeta negativamente o crescimento, a inova\u00e7\u00e3o e o aumento da produtividade, al\u00e9m de elevar a d\u00edvida do governo, por causa da queda das receitas fiscais<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Corbyn<\/strong>\u00a0defende duas medidas azedas para o paladar conservador:<\/p>\n<p>1. A\u00a0<strong>reestatiza\u00e7\u00e3o das empresas de utilidade p\u00fablica e das ferrovias privatizadas<\/strong>\u00a0nos governos conservadores de\u00a0<strong>Thatcher<\/strong>\u00a0&amp; Cia. e nas administra\u00e7\u00f5es do\u00a0<strong>Novo Trabalhismo<\/strong>\u00a0de\u00a0<strong>Tony Blair<\/strong>.<\/p>\n<p>2. A cria\u00e7\u00e3o de um\u00a0<strong>banco nacional de desenvolvimento<\/strong>\u00a0incumbido de financiar a reconstru\u00e7\u00e3o da infraestrutura degradada e apoiar a\u00a0<strong>reindustrializa\u00e7\u00e3o da Velha Albion<\/strong>, hoje um pigmeu manufatureiro.<\/p>\n<h3>Estado do Bem-Estar brit\u00e2nico<\/h3>\n<p><strong>Corbyn<\/strong>\u00a0n\u00e3o esconde: seu programa econ\u00f4mico \u00e9 descendente da\u00a0<strong>experi\u00eancia trabalhista do p\u00f3s-Guerra<\/strong>. Na primeira elei\u00e7\u00e3o realizada depois de 1945, o conservador\u00a0<strong>Winston Churchill<\/strong>\u00a0foi derrotado pelo trabalhista\u00a0<strong>Clement Attlee<\/strong>\u00a0[19]. Acompanhado por\u00a0<strong>Aneurin Bevan<\/strong>\u00a0[20], seu ministro da Sa\u00fade, pai do\u00a0<strong>National Health Service<\/strong>\u00a0[21], Attlee desenhou a arquitetura do\u00a0<strong>Estado do Bem-Estar brit\u00e2nico<\/strong>, inspirado no relat\u00f3rio preparado pelo liberal\u00a0<strong>William Beveridge<\/strong>\u00a0[22] e por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/172-noticias\/noticias-2012\/505447-keynes-estava-certo-artigo-de-paul-krugman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">John Maynard Keynes<\/a>\u00a0[23], tamb\u00e9m liberal.<\/p>\n<p>Em 1942, na Inglaterra ainda maltratada pela guerra, pelo racionamento e pela debilidade econ\u00f4mica, o liberal Sir\u00a0<strong>William Beveridge<\/strong>, em seu lend\u00e1rio Relat\u00f3rio, fincou as estacas que iriam sustentar as pol\u00edticas do\u00a0<strong>Estado do Bem-Estar<\/strong>. O Relat\u00f3rio Beveridge recebeu a colabora\u00e7\u00e3o das concep\u00e7\u00f5es da\u00a0<strong>Teoria Geral do Juro, do Emprego e da Moeda<\/strong>\u00a0\u2013 obra magna do liberal, por\u00e9m iconoclasta,\u00a0<strong>John Maynard Keynes<\/strong>.<\/p>\n<p>O liberal\u00a0<strong>Beveridge<\/strong>\u00a0apontou os \u201c<em>Dem\u00f4nios gigantes da vida moderna<\/em>\u201d que os governos estavam obrigados a enfrentar: car\u00eancia, doen\u00e7a, ignor\u00e2ncia, mis\u00e9ria e inatividade. Em seu Relat\u00f3rio,\u00a0<strong>Beveridge<\/strong>\u00a0proclamou que a ignor\u00e2ncia \u00e9 uma erva daninha que os ditadores cultivam entre seus seguidores, mas que a democracia n\u00e3o pode tolerar entre seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<h3>Socializa\u00e7\u00e3o do investimento<\/h3>\n<p>As\u00a0<strong>pol\u00edticas econ\u00f4micas da Teoria Geral<\/strong>\u00a0est\u00e3o ancoradas profundamente nas convic\u00e7\u00f5es de\u00a0<strong>Keynes<\/strong>\u00a0a respeito da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/587564-o-capitalismo-esta-sob-seria-ameaca-adverte-raghuram-rajan-economista-que-previu-a-crise-financeira-global\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">instabilidade intr\u00ednseca do capitalismo<\/a>.\u00a0<strong>Maynard<\/strong>\u00a0chamou de \u201coportunistas e danosas\u201d as pol\u00edticas fiscais e monet\u00e1rias de curto prazo, \u201cformas grosseiras\u201d de enfrentar as flutua\u00e7\u00f5es do investimento e seus efeitos sobre a renda e o emprego.<\/p>\n<p><strong>Keynes<\/strong>\u00a0advogou a \u201c<strong>socializa\u00e7\u00e3o do investimento<\/strong>\u201d, entendida como a coordena\u00e7\u00e3o pelo Estado das rela\u00e7\u00f5es entre o investimento p\u00fablico e privado. Ela envolve n\u00e3o somente a defini\u00e7\u00e3o de um \u201cor\u00e7amento de capital\u201d de longo prazo, mas a a\u00e7\u00e3o das empresas semip\u00fablicas. Tanto o or\u00e7amento de capital quanto as empresas deveriam ser administradas e avaliadas por comit\u00eas p\u00fablico-privados.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas de longo prazo preconizadas por\u00a0<strong>Keynes<\/strong>\u00a0jamais foram executadas, sequer compreendidas por quem se autoproclama keynesiano. N\u00e3o vale a pena comentar os que se julgam antikeynesianos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O papa Francisco tem insistido na necessidade de se conceber \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589076-economia-de-francisco-assis-26-28-de-marco-de-2020-mensagem-do-papa-francisco-para-o-evento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma economia que n\u00e3o mate<\/a>\u201d e, agora, chama economistas para juntos pensarem em alternativas. Como o senhor compreende esse desafio proposto? Como compreender as quest\u00f5es de fundo por tr\u00e1s dessas assertivas de Bergoglio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Gonzaga Belluzzo \u2013<\/strong>\u00a0Em 2015, durante uma\u00a0<strong>audi\u00eancia no Vaticano<\/strong>, o\u00a0<strong>papa Francisco<\/strong>\u00a0disse que &#8220;<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias\/noticias-2015\/540333-caras-cooperativas-usem-bem-o-esterco-do-diabo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o dinheiro \u00e9 esterco do diabo<\/a>&#8220;, acrescentando que, quando o capital se torna um \u00eddolo, ele &#8220;comanda as escolhas do homem&#8221;. O documento\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/579307-a-economia-se-deslocou-da-vida-das-pessoas-uma-analise-do-documento-oeconomicae-et-pecuniariae-questione-entrevista-especial-com-luiz-gonzaga-belluzzo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Oeconomicae et pecuniariae quaestiones<\/a>\u00a0[24] elaborado pela\u00a0<strong>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9<\/strong>\u00a0[25], cont\u00e9m \u00ab<em>considera\u00e7\u00f5es para um discernimento \u00e9tico acerca de alguns aspectos do atual sistema econ\u00f4mico-financeiro<\/em>\u00bb. Aprovado pelo papa\u00a0<strong>Francisco<\/strong>, que ordenou a sua publica\u00e7\u00e3o, o documento foi apresentado na Sala de Imprensa pelo arcebispo<strong>\u00a0Luis Francisco Ladaria Ferrer<\/strong>\u00a0[26] e pelo cardeal\u00a0<strong>Peter Kodwo Appiah Turkson<\/strong>\u00a0[27].<\/p>\n<p>J\u00e1 na introdu\u00e7\u00e3o, o texto revela seu prop\u00f3sito de avaliar a<strong>\u00a0supremacia dos mercados financeiros<\/strong>\u00a0e suas consequ\u00eancias sobre a vida de homens e mulheres que habitam o mundo dos vivos. \u201c<em>A recente crise financeira poderia ter sido uma ocasi\u00e3o para desenvolver uma nova economia mais atenta aos princ\u00edpios \u00e9ticos e para uma nova regulamenta\u00e7\u00e3o da atividade financeira, neutralizando os aspectos predat\u00f3rios e especulativos, e valorizando o servi\u00e7o \u00e0 economia real. Embora muitos esfor\u00e7os positivos tenham sido realizados em v\u00e1rios n\u00edveis, sendo os mesmos reconhecidos e apreciados, n\u00e3o consta, por\u00e9m, uma rea\u00e7\u00e3o que tenha levado a repensar aqueles crit\u00e9rios obsoletos que continuam a governar o mundo. Antes, parece \u00e0s vezes retornar ao auge um ego\u00edsmo m\u00edope e limitado a curto prazo que, prescindindo do bem comum, exclui dos seus horizontes a preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de criar, mas tamb\u00e9m de distribuir a riqueza e de eliminar as desigualdades, hoje t\u00e3o evidentes. Est\u00e1 em jogo o aut\u00eantico bem-estar da maior parte dos homens e das mulheres do nosso planeta, os quais correm o risco de serem confinados de maneira crescente sempre mais \u00e0s margens, se n\u00e3o de serem \u00abexclu\u00eddos e descartados\u00bb do progresso&#8230; se queremos o bem real para os homens, o dinheiro deve servir e n\u00e3o governar!<\/em>\u201d<\/p>\n<h3>Destrui\u00e7\u00e3o de realidades<\/h3>\n<p>A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589135-papa-francisco-e-joseph-stiglitz-querem-estimular-uma-economia-social-de-mercado-que-de-voz-aos-jovens\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nova economia<\/a>\u00a0comandada pela finan\u00e7a excita as esperan\u00e7as e destr\u00f3i as realidades. As novas formas financeiras contribu\u00edram para aumentar o poder das corpora\u00e7\u00f5es internacionalizadas sobre grandes massas de trabalhadores, permitindo a \u201carbitragem\u201d entre as regi\u00f5es e nivelando por baixo a taxa de sal\u00e1rios. As fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es acompanharam o deslocamento das empresas que operam em m\u00faltiplos mercados. Esse movimento n\u00e3o s\u00f3 garantiu um maior controle dos mercados, mas tamb\u00e9m ampliou o fosso entre o desempenho dos sistemas empresariais \u201cglobalizados\u201d e as economias territoriais submetidas a regras jur\u00eddico-pol\u00edticas dos Estados Nacionais. A abertura dos mercados e o acirramento da concorr\u00eancia coexistem com a tend\u00eancia ao monop\u00f3lio e debilitam a for\u00e7a dos sindicatos e dos trabalhadores \u201caut\u00f4nomos\u201d, fazendo periclitar a sobreviv\u00eancia dos direitos sociais e econ\u00f4micos, considerados um obst\u00e1culo \u00e0 opera\u00e7\u00e3o das leis de concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>A liberaliza\u00e7\u00e3o da finan\u00e7a e a domin\u00e2ncia do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/569536-estamos-rumo-a-um-sistema-onde-trabalho-duro-e-o-talento-nao-sao-premiados-afirma-guy-standing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">rentismo<\/a>\u00a0tamb\u00e9m produziram efeitos negativos nas finan\u00e7as p\u00fablicas. Primeiro, estimularam a multiplica\u00e7\u00e3o dos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/581950-os-paraisos-fiscais-e-sua-secreta-relacao-com-a-degradacao-ambiental\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">para\u00edsos fiscais<\/a>. A fuga sistem\u00e1tica das obriga\u00e7\u00f5es fiscais foi acompanhada da crescente\u00a0<strong>regressividade dos sistemas de tributa\u00e7\u00e3o<\/strong>. A predomin\u00e2ncia dos impostos indiretos conferiu maior sensibilidade das receitas fiscais \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es da economia. Os sistemas fiscais tornaram-se desagradavelmente pr\u00f3-c\u00edclicos: quando a economia desacelera, os pobres aprisionados em seus territ\u00f3rios consomem pouco e pagam menos impostos. Enquanto isso, os enriquecidos globalizados aceleram as remessas para os\u00a0<strong>para\u00edsos fiscais<\/strong>.<\/p>\n<h3>Revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e financeiriza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>No livro\u00a0<em>Phenomenology of The End<\/em>\u00a0[28],\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/589636-franco-berardi-provoca-e-depois-do-futuro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Franco Bifo Berardi<\/a>\u00a0[29] cuida das rela\u00e7\u00f5es entre a nov\u00edssima revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>: \u201c<em>Em suas etapas mais recentes, a produ\u00e7\u00e3o capitalista reduziu a import\u00e2ncia da transforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica da mat\u00e9ria e a manufatura f\u00edsica de bens industriais, ao propiciar a acumula\u00e7\u00e3o de capital mediante a combina\u00e7\u00e3o entre as tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e a manipula\u00e7\u00e3o das abstra\u00e7\u00f5es da riqueza financeira. A inform\u00e1tica e a manipula\u00e7\u00e3o da abstra\u00e7\u00e3o financeira na esfera da produ\u00e7\u00e3o capitalista tornam a visibilidade f\u00edsica dos valores de uso (bens materiais) apenas uma introdu\u00e7\u00e3o na sagrada esfera abstrata do valor de troca<\/em>\u201d.<\/p>\n<h3>Cristianismo<\/h3>\n<p>Em 2013, o\u00a0<strong>papa Francisco<\/strong>\u00a0ofereceu aos cat\u00f3licos e crist\u00e3os a Primeira Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/526119-um-guia-para-a-evangelii-gaudium\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Evangelii Gaudium<\/a>[30]. Assim como as enc\u00edclicas\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/554372-qa-rerum-novarum-favoreceu-o-renascimento-do-compromisso-politicoq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rerum Novarum<\/a>\u00a0[31] de\u00a0<strong>Le\u00e3o XIII<\/strong>\u00a0[32],\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/43085-mater-et-magistra-50-anos-os-desafios-do-ensino-social-da-igreja-hoje\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mater et Magistra<\/a>\u00a0[33] e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/519545-a-enciclica-pacem-in-terris-como-a-dimensao-social-do-reino-de-deus-entrevista-especial-com-frei-carlos-josaphat\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pacem in Terris<\/a>[34] de<strong>\u00a0Jo\u00e3o XXIII<\/strong>\u00a0[35], a\u00a0<strong>exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica de Francisco<\/strong>\u00a0abordava as vicissitudes e alegrias da vida crist\u00e3 no mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Os olhares do nosso tempo perderam de vista a ideia de comunidade crist\u00e3, express\u00e3o tantas vezes repetida no texto do\u00a0<strong>Papa<\/strong>\u00a0e incrustada nas origens do\u00a0<strong>cristianismo<\/strong>.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530948-os-dois-franciscos-a-ultima-entrevista-de-jacques-le-goff\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jacques Le Goff<\/a>\u00a0[36] diz com raz\u00e3o que no cristianismo primitivo e no juda\u00edsmo a eternidade n\u00e3o irrompia no tempo (abstrato) para &#8220;venc\u00ea-lo&#8221;. A eternidade n\u00e3o \u00e9 a &#8220;aus\u00eancia do tempo&#8221;, mas a dilata\u00e7\u00e3o do tempo ao infinito.<\/p>\n<p>Depois da encarna\u00e7\u00e3o, o tempo adquire uma dimens\u00e3o hist\u00f3rica. Cristo trouxe a certeza da eventualidade da salva\u00e7\u00e3o, mas cabe \u00e0 hist\u00f3ria coletiva e individual realizar essa possibilidade oferecida aos homens pelo sacrif\u00edcio da cruz e pela ressurrei\u00e7\u00e3o. &#8220;<em>N\u00e3o nos \u00e9 pedido que sejamos imaculados, mas que n\u00e3o cessemos de melhorar, vivamos o desejo profundo de progredir no caminho do Evangelho, e n\u00e3o deixemos cair os bra\u00e7os<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>cristianismo<\/strong>\u00a0\u2013 o mist\u00e9rio libertador da Encarna\u00e7\u00e3o \u2013 foi um divisor de \u00e1guas na hist\u00f3ria da humanidade, um movimento revolucion\u00e1rio, nascido das crueldades e das sabedorias do mundo greco-romano. Em uma entrevista sobre seu filme\u00a0<strong><em>Satyricon<\/em>\u00a0<\/strong>[37],\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/525221-vaticano-celebra-fellini\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fellini<\/a>\u00a0[38] desvelou a alma que se escondia no rosto de seus personagens no crep\u00fasculo do imp\u00e9rio romano. As m\u00e1scaras se debatiam entre o t\u00e9dio das concupisc\u00eancias e as ang\u00fastias da desesperan\u00e7a. Para o grande\u00a0<strong>Federico<\/strong>, o filme escancarava &#8220;a nostalgia do Cristo que ainda n\u00e3o havia chegado&#8221;.<\/p>\n<p>Tal como nos personagens do\u00a0<strong><em>Satyricon<\/em><\/strong>, percebo nos cat\u00f3licos de hoje a\u00a0<strong>nostalgia do Cristo<\/strong>\u00a0que n\u00e3o voltou. Mas, creia-me o leitor, ele j\u00e1 esteve entre n\u00f3s encarnado na simplicidade e na sabedoria camponesa de<strong>\u00a0Jo\u00e3o XXIII<\/strong>\u00a0e parece ter retornado no\u00a0<strong>reformismo de Francisco<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Notas:<\/h3>\n<p>[1]\u00a0<strong>Margaret Hilda Thatcher<\/strong>\u00a0(1925-2013): pol\u00edtica brit\u00e2nica, primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990. Ao liderar o governo do Reino Unido, Thatcher estava determinada a reverter o que via como o decl\u00ednio nacional de seu pa\u00eds. Suas pol\u00edticas econ\u00f4micas foram centradas na desregulamenta\u00e7\u00e3o do setor financeiro, na flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e na privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais. Sua popularidade esteve baixa em meio \u00e0 recess\u00e3o econ\u00f4mica iniciada com a Crise do petr\u00f3leo de 1979. No entanto, uma r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, al\u00e9m da vit\u00f3ria brit\u00e2nica na Guerra das Malvinas, fizeram ressurgir o apoio necess\u00e1rio para sua reelei\u00e7\u00e3o em 1983. Devido ao fato de Thatcher ter sobrevivido a uma tentativa de assassinato em 1984, de sua dura oposi\u00e7\u00e3o aos sindicatos e de sua forte cr\u00edtica \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, foi alcunhada de &#8220;Dama de Ferro&#8221;. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[2]\u00a0<strong>Ronald Reagan<\/strong>\u00a0(1911-2004): ator norte-americano formado em economia e sociologia. Foi eleito governador da Calif\u00f3rnia em 1966, e se reelegeu em 1970 com uma margem de um milh\u00e3o de votos. Conquistou a indica\u00e7\u00e3o \u00e0 presid\u00eancia pelo Partido Republicano em 1980, e os eleitores, incomodados com a infla\u00e7\u00e3o e com os americanos mantidos h\u00e1 um ano como ref\u00e9ns no Ir\u00e3, o conduziram \u00e0 Casa Branca. Antes de ocupar a presid\u00eancia, passou 28 anos atuando como ator em 55 filmes que n\u00e3o entraram para a hist\u00f3ria, mas que lhe deram fama e popularidade. Sua carreira no cinema terminou em 1964, em \u201cThe Killers\u201d, \u00fanico filme em que atuou como vil\u00e3o. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[3]\u00a0<strong>Curva de Laffer<\/strong>: \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da rela\u00e7\u00e3o entre o valor arrecadado com um imposto a diferentes Al\u00edquotas. \u00c9 usada para ilustrar o conceito de &#8220;elasticidade da receita tax\u00e1vel&#8221;. Para se construir a curva, considera-se o valor obtido com as al\u00edquotas de 0% e 100%.(Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[4]<strong>\u00a0Friedrich August von Hayek<\/strong>\u00a0(1899-1992): foi um economista da escola austr\u00edaca. Hayek fez contribui\u00e7\u00f5es importantes para a psicologia, a teoria do direito, a economia e a pol\u00edtica. Recebeu o pr\u00eamio Nobel de Economia em 1974. Em psicologia, Hayek prop\u00f4s uma teoria da mente humana segundo a qual a mente \u00e9 um sistema adaptativo. Em economia, Hayek defendeu os m\u00e9ritos da ordem espont\u00e2nea. Segundo Hayek, uma economia \u00e9 um sistema demasiado complexo para ser planejado e deve evoluir espontaneamente. Hayek estudou na Universidade de Viena, onde recebeu o grau de doutor em Direito e em Ci\u00eancias Pol\u00edticas. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[5]\u00a0<strong>Milton Friedman<\/strong>\u00a0(1912-2006): economista, estat\u00edstico e escritor norte-americano que lecionou na Universidade de Chicago por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. Recebeu o Pr\u00eamio de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas em Mem\u00f3ria de Alfred Nobel de 1976 e \u00e9 conhecido por sua pesquisa sobre a an\u00e1lise do consumo, a teoria e hist\u00f3ria monet\u00e1ria, bem como por sua demonstra\u00e7\u00e3o da complexidade da pol\u00edtica de estabiliza\u00e7\u00e3o. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[6] S\u00e3o Paulo: WMF Martins Fontes, 1995. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[7]\u00a0<strong>Fernand Braudel<\/strong>\u00a0(1902-1985): historiador franc\u00eas que foi um dos mais importantes representantes da chamada &#8220;escola dos Annales&#8221;. A sua reputa\u00e7\u00e3o decorre em parte dos seus escritos, mas principalmente de seu sucesso em fazer da escola dos Annales o mais importante motor da pesquisa hist\u00f3rica em Fran\u00e7a, e em grande parte do mundo, ap\u00f3s a d\u00e9cada de 1950. Como principal l\u00edder da escola historiogr\u00e1fica dos Annales nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960, exerceu enorme influ\u00eancia na escrita da Hist\u00f3ria na Fran\u00e7a e em outros pa\u00edses a partir de ent\u00e3o. Braudel tem sido considerado um dos maiores dos historiadores modernos que t\u00eam enfatizado o papel dos fatores socioecon\u00f3micos em grande escala na pesquisa e escrita da Hist\u00f3ria. Ele tamb\u00e9m pode ser considerado como um dos precursores da teoria dos sistemas-mundo. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[8] S\u00e3o Paulo: LTC, 1982. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[9]\u00a0<strong>Herbert Marcuse<\/strong>\u00a0(1898-1979): soci\u00f3logo alem\u00e3o naturalizado estadunidense, membro da Escola de Frankfurt. Estudou Filosofia em Berlim e Freiburg, onde conheceu os fil\u00f3sofos e professores Husserl e Heidegger e se doutorou com a tese Romance de artista. Algumas de suas obras: Raz\u00e3o e Revolu\u00e7\u00e3o, Eros e Civiliza\u00e7\u00e3o, O Homem Unidimensional. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[10]\u00a0<strong>Jeremy Bernard Corbyn<\/strong>\u00a0(1949): \u00e9 um pol\u00edtico brit\u00e2nico, atual l\u00edder do Partido Trabalhista e l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Comuns. \u00c9 deputado pelo c\u00edrculo de Islington North desde 1983 e foi eleito l\u00edder dos trabalhistas em setembro de 2015. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[11]\u00a0<strong>Tony Blair<\/strong>\u00a0(1953): Anthony Charles Lynton &#8220;Tony&#8221; Blair \u00e9 um pol\u00edtico brit\u00e2nico, tendo ocupado o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido de 2 de maio de 1997 a 27 de junho de 2007, e foi l\u00edder do Partido Trabalhista de 1994 a 2007 e de membro do Parlamento Brit\u00e2nico de 1983 a 2007. Depois de deixar o cargo de primeiro-ministro, Blair foi indicado para a posi\u00e7\u00e3o de enviado no Oriente M\u00e9dio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas &#8211; ONU, da Uni\u00e3o Europeia, dos Estados Unidos e da R\u00fassia. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[12]\u00a0<strong>Robert Jacob Alexander<\/strong>, Baron Skidelsky (1939): historiador econ\u00f4mico brit\u00e2nico. Ele \u00e9 autor de uma biografia premiada em tr\u00eas volumes do economista brit\u00e2nico John Maynard Keynes (1883-1946). Skidelsky atuou no Jesus College, Oxford e \u00e9 professor em\u00e9rito de economia pol\u00edtica na Universidade de Warwick, na Inglaterra. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[13]\u00a0<strong>Ann Pettifor<\/strong>: analista do sistema financeiro global baseada no Reino Unido, diretora do Policy Research in Macroeconomics (PRIME), uma rede de economistas preocupados com a teoria e pol\u00edticas monet\u00e1rias keynesianas; pesquisadora honor\u00e1ria no Centro de Pesquisa em Economia Pol\u00edtica da City University, em Londres (CITYPERC) e membro da New Economics Foundation, em Londres. ((Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[14] D<strong>avid Graham Blanchflower<\/strong>\u00a0(1952): economista e acad\u00eamico trabalhista brit\u00e2nico-americano. Atualmente \u00e9 professor titular de economia no Dartmouth College, em Hanover, New Hampshire. Ele tamb\u00e9m \u00e9 pesquisador associado no National Bureau of Economic Research, professor em tempo parcial na Universidade de Stirling, pesquisador do Centro de Estudos Econ\u00f4micos da Universidade de Munique e (desde 1999) no Instituto para o Estudo do Trabalho (IZA) na Universidade de Bonn e editor colaborador da Bloomberg TV. Ele foi membro externo do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (MPC) do Bank of England, de junho de 2006 a junho de 2009.(Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[15]\u00a0<strong>Mariana Mazzucato<\/strong>\u00a0(1968): economista italiana. \u00c9 professora da c\u00e1tedra RM Phillips de Ci\u00eancia e Tecnologia da Universidade de Sussex. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[16]\u00a0<strong>Steve Keen<\/strong>\u00a0(1953): economista e escritor australiano. Ele se considera um p\u00f3s-keynesiano, criticando a economia neocl\u00e1ssica como incoerente, n\u00e3o cient\u00edfica e empiricamente sem apoio. As principais influ\u00eancias no pensamento de Keen sobre economia incluem John Maynard Keynes, Karl Marx, Hyman Minsky, Piero Sraffa, Augusto Graziani, Joseph Alois Schumpeter, Thorstein Veblen e Fran\u00e7ois Quesnay. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[17]\u00a0<strong>Victoria Chick<\/strong>\u00a0(nascida em 1936): economista p\u00f3s-keynesiana que \u00e9 mais conhecida por suas contribui\u00e7\u00f5es para a compreens\u00e3o da Teoria Geral de Keynes e pelo estabelecimento da economia p\u00f3s-keynesiana no Reino Unido e em outros lugares. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[18]\u00a0<strong>Winston Leonard Spencer-Churchill<\/strong>\u00a0(1874-1965): foi um pol\u00edtico conservador e estadista brit\u00e2nico, famoso principalmente por sua atua\u00e7\u00e3o como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi primeiro-ministro brit\u00e2nico por duas vezes (1940-45 e 1951-55). Orador e estadista not\u00e1vel, ele tamb\u00e9m foi oficial no Ex\u00e9rcito Brit\u00e2nico, historiador, escritor e artista. Ele \u00e9 o \u00fanico primeiro-ministro brit\u00e2nico a ter recebido o Pr\u00eamio Nobel de Literatura e a cidadania honor\u00e1ria dos Estados Unidos. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[19]\u00a0<strong>Clement Richard Attlee<\/strong>\u00a0(1883-1967): foi pol\u00edtico ingl\u00eas e primeiro-ministro do Reino Unido entre os anos de 1945 e 1951. Sucedeu a Winston Churchill como primeiro-ministro ap\u00f3s a derrota dos conservadores para o Partido Trabalhista nas elei\u00e7\u00f5es de maio de 1945. Ao longo da guerra, Attlee provaria ser um aliado leal de Churchill, apesar de pertencerem a partidos rivais. Enquanto Churchill se notabilizou pela condu\u00e7\u00e3o da Inglaterra durante a II Guerra, coube a Attlee levar um Estado falido pelo esfor\u00e7o de guerra \u00e0 prosperidade econ\u00f4mica. Foi o grande construtor do Estado Brit\u00e2nico ap\u00f3s o conflito, ao instituir as bases do Estado do bem-estar social no Reino Unido. Foi o respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade e pela nacionaliza\u00e7\u00e3o de minas de carv\u00e3o e estradas e ferro. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[20]\u00a0<strong>Aneurin Bevan<\/strong>\u00a0(1897-1960): foi um pol\u00edtico brit\u00e2nico que, ainda jovem, ingressou no Partido do Trabalho de Gales vindo a ser eleito \u00e0 C\u00e2mara dos Comuns em 1929. Bevan superou um problema de fala para se converter em um respeitado orador. Como ministro da Sa\u00fade do governo de Clement Attlee (1945\u20131951), &#8220;Nye&#8221; Bevan (outra forma pela qual foi conhecido) estabeleceu o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade. Tamb\u00e9m foi ministro do Trabalho (1951), mas renunciou em protesto contra os gastos de rearmamento que reduziram a arrecada\u00e7\u00e3o para programas sociais. Considerado uma figura controversa dentro do Partido do Trabalho, presidiu sua pr\u00f3pria corrente de pensamento, o Bevanismo, e foi l\u00edder do partido at\u00e9 1955. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[21]\u00a0<strong>Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade<\/strong>\u00a0(em ingl\u00eas: National Health Service &#8211; NHS): \u00e9 o nome habitualmente utilizado para referir-se aos quatro sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade do Reino Unido coletiva ou individualmente, embora atualmente, em geral, seja apenas ao servi\u00e7o de sa\u00fade da Inglaterra que \u00e9 corretamente chamado de Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, sem qualquer outra qualifica\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas servi\u00e7os (Inglaterra e Pa\u00eds de Gales, Esc\u00f3cia e Irlanda do Norte) foram criados por legisla\u00e7\u00f5es separadas e come\u00e7aram a funcionar em 5 de julho de 1948; anteriormente a essa data, servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade mais limitados eram operados por autoridades locais e por outros organismos. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[22]\u00a0<strong>Lord William Henry Beveridge<\/strong>\u00a0(1879-1963): autor do famoso Beveridge Report, oficialmente chamado Social Insurance and Allied Service Report de 1942, que foi a base da legisla\u00e7\u00e3o da reforma social do governo trabalhista ingl\u00eas de 1945-1951, advogando o pleno emprego. Assim que, em 1944, publicou o livro The Economics of Full Employment. \u00c9 autor tamb\u00e9m do Voluntary Action de 1948, defendendo o papel do setor privado na provis\u00e3o do estado de bem-estar social. Ele foi muito influenciado pelos socialistas fabianos. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[23]\u00a0<strong>John Maynard Keynes<\/strong>\u00a0(1883-1946): economista e financista brit\u00e2nico. Sua Teoria geral do emprego, do juro e do dinheiro (1936) \u00e9 uma das obras mais importantes da economia. Esse livro transformou a teoria e a pol\u00edtica econ\u00f4micas, e ainda hoje serve de base \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica da maioria dos pa\u00edses n\u00e3o comunistas. Confira o Cadernos IHU ideias n. 37,\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/ihuid37\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">As concep\u00e7\u00f5es te\u00f3rico-anal\u00edticas e as proposi\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica econ\u00f4mica de Keynes<\/a>, de Fernando Ferrari Filho. Leia, tamb\u00e9m, a edi\u00e7\u00e3o 276 da revista IHU On-Line, de 6-10-2008, intitulada\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/ihuon276\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A crise financeira internacional. O retorno de Keynes<\/a>. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[24]\u00a0<strong>Oeconomicae et pecuniariae quaestiones<\/strong>: documento do Vaticano elabora pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 e pelo Dicast\u00e9rio para o Servi\u00e7o do Desenvolvimento Humano Integral e publicado em maio 2018, durante o pontificado de Francisco. Trata de quest\u00f5es econ\u00f4micas e financeiras de forma cr\u00edtica. Acesse a\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2kzna0V\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00edntegra do documento em portugu\u00eas<\/a>. O IHU, na se\u00e7\u00e3o Not\u00edcias do Dia, em seu s\u00edtio, publicou diversas an\u00e1lises sobre o texto. Entre elas\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/2Jitw2w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Documento vaticano sobre economia \u00e9 uma acusa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e intelectualmente grave<\/a>.\u00a0(Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[25]\u00a0<strong>Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9<\/strong>: a mais antiga das nove congrega\u00e7\u00f5es da C\u00faria Romana, um dos \u00f3rg\u00e3os do Vaticano. Fundada pelo papa Paulo III, em 21 de julho de 1542, com o objetivo de defender a Igreja da heresia. \u00c9 historicamente relacionada com a Inquisi\u00e7\u00e3o. At\u00e9 1908, era denominada como Sacra Congrega\u00e7\u00e3o da Inquisi\u00e7\u00e3o Universal quando passou a se chamar Santo Of\u00edcio. Em 1967, uma nova reforma, durante o pontificado de Paulo VI, mudou para o nome atual. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[26]\u00a0<strong>Luis Francisco Ladaria Ferrer<\/strong>\u00a0(1944): te\u00f3logo jesu\u00edta espanhol, professor da Universidade Gregoriana de Roma e nomeado pelo papa Bento XVI secret\u00e1rio da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9. Foi sagrado arcebispo em 26 de julho de 2008. De sua obra, em portugu\u00eas, citamos O Deus Vivo e Verdadeiro: o Mist\u00e9rio da Trindade (S\u00e3o Paulo: Loyola, 2005). Em 2017, foi designado pelo papa Francisco como prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[27]\u00a0<strong>Peter Kodwo Appiah Turkson<\/strong>\u00a0(1948): \u00e9 um cardeal cat\u00f3lico gan\u00eas e presidente do Pontif\u00edcio Conselho Justi\u00e7a e Paz no Vaticano. Foi criado cardeal, pelo papa Jo\u00e3o Paulo II no consist\u00f3rio do dia 21 de outubro de 2003 com o t\u00edtulo de San Lib\u00f3rio, tornando-se o primeiro cardeal gan\u00eas da hist\u00f3ria de seu pa\u00eds. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[28] Semiotexte, 2015. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[29]\u00a0<strong>Franco Berardi<\/strong>\u00a0(1949): mais conhecido por Bifo, \u00e9 um fil\u00f3sofo, escritor e agitador cultural italiano. Oriundo do movimento opera\u00edsta, foi professor secund\u00e1rio em Bolonha e sempre se interessou sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o movimento social anticapitalista e a comunica\u00e7\u00e3o independente. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[30]\u00a0<strong>Evangelii gaudium<\/strong>: A exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Evangelii Gaudium, publicada no dia 24 de novembro de 2013, \u00e9 o documento que orienta o programa do pontificado do papa Francisco. O tema principal \u00e9 o an\u00fancio mission\u00e1rio do Evangelho e sua rela\u00e7\u00e3o com a alegria crist\u00e3. Fala tamb\u00e9m sobre a paz, a homil\u00e9tica, a justi\u00e7a social, a fam\u00edlia, o respeito pela cria\u00e7\u00e3o (ecologia), o ecumenismo e o di\u00e1logo inter-religioso, e o papel das mulheres na Igreja. Tamb\u00e9m critica o consumo da sociedade capitalista, e insiste que os principais destinat\u00e1rios da mensagem crist\u00e3 s\u00e3o os pobres. Acusa tamb\u00e9m o atual sistema econ\u00f4mico de ser injusto, baseado na tirania do mercado, a especula\u00e7\u00e3o financeira, a corrup\u00e7\u00e3o generalizada e a evas\u00e3o fiscal. Evangelii Gaudium. A alegria do Evangelho. Sobre o an\u00fancio do Evangelho no mundo atual \u00e9 publicada, no Brasil, pelas Editoras Paulus e Loyola (S\u00e3o Paulo: 2013). (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[31]\u00a0<strong>Rerum Novarum<\/strong>: primeira enc\u00edclica pontif\u00edcia que aborda os problemas sociais, publicada no dia 15 de maio de 1891 pelo papa Le\u00e3o XIII. O t\u00edtulo pode ser traduzido por \u201cDas coisas novas\u201d. O subt\u00edtulo da enc\u00edclica \u00e9: \u201cSobre a condi\u00e7\u00e3o de vida dos oper\u00e1rios\u201d. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[32]\u00a0<strong>Papa Le\u00e3o XIII<\/strong>\u00a0(1810-1903): nascido Vincenzo Gioacchino Raffaele Luigi Pecci-Prosperi-Buzzi, foi papa de 20 de fevereiro de 1878 at\u00e9 a data de sua morte. Foi ordenado sacerdote da Igreja Cat\u00f3lica em 31 de dezembro de 1837, em 18 de janeiro de 1843 foi indicado N\u00fancio Apost\u00f3lico para a B\u00e9lgica e ordenado bispo titular de Tamiathis em 19 de fevereiro de 1843. Em 27 de julho de 1846 tomou posse como Arcebispo de Perugia, It\u00e1lia, e em 19 de dezembro de 1853 foi criado cardeal com o t\u00edtulo de Cardeal-presb\u00edtero de S\u00e3o Cris\u00f3gono. Foi eleito papa em 20 de fevereiro de 1878 e coroado em 3 de mar\u00e7o do mesmo ano. Em 1924 seus restos mortais foram transferidos para a Bas\u00edlica de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[33]\u00a0<strong>Mater et Magistra<\/strong>\u00a0(em portugu\u00eas: M\u00e3e e Mestra): \u00e9 uma carta enc\u00edclica do Papa Jo\u00e3o XXIII &#8220;sobre a recente evolu\u00e7\u00e3o da Quest\u00e3o Social \u00e0 luz da Doutrina Crist\u00e3&#8221;. Foi publicada em 15 de maio de 1961, no septuag\u00e9simo anivers\u00e1rio da enc\u00edclica Rerum Novarum e no terceiro ano do pontificado de Jo\u00e3o XXIII . Esta enc\u00edclica \u00e9 considerada um marco importante da Doutrina Social da Igreja, porque, atrav\u00e9s de uma profunda leitura dos novos &#8220;\u00absinais dos tempos\u00bb&#8221;, atualizou as orienta\u00e7\u00f5es das enc\u00edclicas sociais anteriores (a partir da Rerum Novarum de Le\u00e3o XIII), dando assim a resposta cat\u00f3lica para os problemas temporais da \u00e9poca. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[34]\u00a0<strong>Pacem in terris<\/strong>: Carta enc\u00edclica do Papa Jo\u00e3o XXIII a todos os homens e mulheres de boa vontade, com uma mensagem de esperan\u00e7a. A Pacem in Terris enuncia quatro crit\u00e9rios para uma sociedade em paz: verdade, justi\u00e7a, amor e liberdade. Trata-se de quatro valores t\u00e3o essenciais que constituem n\u00e3o somente os sinais que nos permitem reconhecer uma sociedade realizada, mas tamb\u00e9m os quatro princ\u00edpios que sust\u00eam o edif\u00edcio da paz. A revista IHU On-Line j\u00e1 abordou esse tema na edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 53, datada de 31 de mar\u00e7o de 2003, com o t\u00edtulo 40 anos depois: Pacem in terris. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[35]\u00a0<strong>Papa Jo\u00e3o XXIII<\/strong>\u00a0(1881-1963): nascido Angelo Giuseppe Roncalli. Foi papa de 28-10-1958 at\u00e9 a data da sua morte. Considerado um papa de transi\u00e7\u00e3o, depois do longo pontificado de Pio XII, convocou o Conc\u00edlio Vaticano II. Conhecido como o &#8220;Papa Bom&#8221;, Jo\u00e3o XXIII foi canonizado em 2013 pelo papa Francisco. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[36]\u00a0<strong>Jacques Le Goff<\/strong>\u00a0(1924): medievalista franc\u00eas, formado em hist\u00f3ria e membro da Escola dos Annales. Presidente, de 1972 a 1977, da VI Se\u00e7\u00e3o da \u00c9cole des Hautes \u00c9tudes en Sciences Sociales (EHESS), foi diretor de pesquisa no grupo de antropologia hist\u00f3rica do Ocidente medieval dessa mesma institui\u00e7\u00e3o. Entre outras altas distin\u00e7\u00f5es, Le Goff recebeu a medalha de ouro do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), pela primeira vez atribu\u00edda a um historiador. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[37]\u00a0<strong>Satyricon<\/strong>: \u00e9 um filme italiano de 1969 dirigido por Federico Fellini, baseado no livro hom\u00f4nimo escrito pelo autor romano Petr\u00f4nio no s\u00e9culo I. \u00c9 uma livre adapta\u00e7\u00e3o com pitadas surrealistas e um tom lis\u00e9rgico e psicod\u00e9lico bem a \u00e9poca em que o filme foi produzido, tem uma constru\u00e7\u00e3o truncada, uma vez que a pe\u00e7a da qual foi inspirada foi descoberta em fragmentos, o que lhe rende uma atmosfera on\u00edrica, como de um sonho descont\u00ednuo. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[38]\u00a0<strong>Federico Fellini<\/strong>\u00a0(1920-1993): um dos mais importantes cineastas italianos. Ficou eternizado pela poesia de seus filmes, que, mesmo quando faziam s\u00e9rias cr\u00edticas \u00e0 sociedade, n\u00e3o deixavam a magia do cinema desaparecer. Geralmente fazia cr\u00edticas ao totalitarismo, marxismo e \u00e0 Igreja. Uma de suas obras mais conhecidas \u00e9 La dolce vitta. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>Parte II: <a href=\"http:\/\/controversia.com.br\/o-velho-capitalismo-e-seu-folego-para-dominacao-do-tempo-e-do-espaco-ii\/\">clique<\/a><\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/590650-o-velho-capitalismo-e-seu-folego-para-dominacao-do-tempo-e-do-espaco-entrevista-especial-com-luiz-gonzaga-belluzzo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Vitor Santos &#8211; Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo. A\u00a0plasticidade do capitalismo\u00a0permite que ele assuma o\u00a0esp\u00edrito do tempo\u00a0e, com isso, v\u00e1 se transmutando e se tornando senhor do tempo e do espa\u00e7o. \u201cO\u00a0velho capitalismo\u00a0reconciliou-se com sua natureza inquieta e criativa. 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