{"id":10693,"date":"2019-05-14T09:04:21","date_gmt":"2019-05-14T12:04:21","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=10693"},"modified":"2019-05-13T23:07:41","modified_gmt":"2019-05-14T02:07:41","slug":"a-economia-chinesa-como-alternativa-ao-consenso-de-washington","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/05\/14\/a-economia-chinesa-como-alternativa-ao-consenso-de-washington\/","title":{"rendered":"A economia chinesa como alternativa ao Consenso de Washington"},"content":{"rendered":"<p><strong>Wagner Fernandes de Azevedo<\/strong> &#8211; As declara\u00e7\u00f5es dos membros do Partido Comunista Chin\u00eas\u00a0sugerem que a China considera a atual\u00a0ordem mundial\u00a0\u201cinjusta e ultrapassada\u201d, porque \u201cos\u00a0pa\u00edses em desenvolvimento, que respondem por mais de 50% do\u00a0PIB mundial, n\u00e3o t\u00eam voz nem peso nos principais \u00f3rg\u00e3os de governan\u00e7a global, nomeadamente o\u00a0FMI\u00a0e o\u00a0Banco Mundial\u201d. Entretanto, \u201cisso n\u00e3o quer dizer que a\u00a0Chinapretenda substituir a atual ordem mundial, com os\u00a0Estados Unidos\u00a0no topo, por uma outra ordem sob o seu comando\u201d, afirma o economista\u00a0Luis Antonio Paulino\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, a\u00a0atua\u00e7\u00e3o chinesa\u00a0no\u00a0mercado internacional\u00a0visa defender \u201creformas no atual sistema de governan\u00e7a global, que o torne mais equilibrado, multipolar e em sintonia com a nova realidade mundial\u201d.<\/p>\n<section>De acordo com\u00a0Paulino, embora a\u00a0China\u00a0tente \u201ctransformar\u00a0Xangai\u00a0em um centro financeiro global\u201d para promover a\u00a0internacionaliza\u00e7\u00e3o do renminbi, moeda oficial do pa\u00eds, os chineses n\u00e3o t\u00eam interesse pela completa internacionaliza\u00e7\u00e3o de sua moeda porque \u201cisso implicaria na completa abertura de sua conta de capitais e na impossibilidade de controlar sua pr\u00f3pria taxa de c\u00e2mbio\u201d. Ocontrole de fluxos de capitais\u00a0e da\u00a0taxa de c\u00e2mbio\u00a0pelo\u00a0Banco Central da China, pontua, \u201cs\u00e3o elementos importantes de sua pol\u00edtica macroecon\u00f4mica e de sua estrat\u00e9gia de desenvolvimento, e o que a China poderia ganhar com a completa internacionaliza\u00e7\u00e3o de sua moeda, sobretudo em termos de senhoriagem internacional, possivelmente n\u00e3o compensaria perder totalmente o controle sobre um elemento t\u00e3o essencial em sua estrat\u00e9gia de desenvolvimento\u201d.<\/section>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por e-mail,\u00a0Paulino\u00a0tamb\u00e9m explica o \u201csocialismo chin\u00eas\u201d, que mescla uma economia de mercado com o monop\u00f3lio pol\u00edtico do\u00a0Partido Comunista Chin\u00eas. \u201cO que se convencionou chamar de\u00a0socialismo chin\u00eas\u00a0foi ado\u00e7\u00e3o dos mecanismos de mercado para responder \u00e0quelas perguntas fundamentais que qualquer sistema econ\u00f4mico precisa responder, quais sejam, o que produzir, quanto produzir, como produzir e para quem produzir, na medida em que o sistema de planejamento centralizado mostrou-se ineficaz para resolver essas quest\u00f5es. (&#8230;) Destaque-se que tamb\u00e9m nesse aspecto o\u00a0Partido Comunista Chin\u00eas\u00a0abandonou a ideia de que representa apenas os\u00a0interesses dos trabalhadores. Em 2002, o ent\u00e3o presidente da China,\u00a0Jiang Zemin, prop\u00f4s por meio da\u00a0Teoria das Tr\u00eas Representa\u00e7\u00f5es\u00a0a entrada de capitalistas no Partido Comunista Chin\u00eas. Segundo essa teoria, o Partido Comunista Chin\u00eas representa simultaneamente as for\u00e7as produtivas sociais avan\u00e7adas que respondem pela produ\u00e7\u00e3o, a cultura avan\u00e7ada da China, que responde pelo desenvolvimento cultural, e os interesses sociais da maioria, que respondem pelo consenso pol\u00edtico\u201d, informa.<\/p>\n<p>Para o economista, com esse modelo, a\u00a0China\u00a0\u201cmostrou aos demais pa\u00edses em desenvolvimento\u201d que \u201cexistem outros caminhos para alcan\u00e7ar o desenvolvimento al\u00e9m do chamado \u2018Consenso de Washington\u2019. Ali\u00e1s, em nenhum lugar do mundo em que o Consenso de Washington foi aplicado houve desenvolvimento\u201d, assegura.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de ontem, 07-05-2019,\u00a0Paulino\u00a0participou do Ciclo de Estudos &#8220;A China e o mundo. A (re)configura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica global&#8221;, promovido pelo\u00a0Instituto Humanitas Unisinos &#8211; IHU, e realizado na Unisinos Campus Porto Alegre, onde proferiu a palestra &#8220;O papel da China na economia e na divis\u00e3o internacional do trabalho&#8221;, que pode ser acessada no final da entrevista.<\/p>\n<div>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2019\/05\/08_05_luis_paulino_foto_reproducaoyoutube.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>Luis Antonio Paulino\u00a0leciona na Universidade Estadual Paulista &#8211; Unesp, na Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias e nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais. \u00c9 graduado em Engenharia pela Faculdade de Engenharia Industrial \u2013 FEI, tem mestrado em Economia e Finan\u00e7as P\u00fablicas pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas &#8211; FGV e doutorado em Ci\u00eancia Econ\u00f4mica pela Universidade Estadual de Campinas.<\/p>\n<p>\u00c9 diretor do\u00a0Instituto Conf\u00facio na Unesp\u00a0e membro do\u00a0Conselho da Matriz do Instituto Conf\u00facio, em\u00a0Pequim, e do Conselho Assessor do Centro Regional dos Institutos Conf\u00facio para a Am\u00e9rica Latina, em Santiago do Chile.<\/p>\n<p>\u00c9 &#8220;short term consultant&#8221; do Banco Mundial, na \u00e1rea de desenvolvimento regional, consultor cultural do governo da cidade de Jining, na China, e supervisor convidado da Universidade de Hubei, Wuhan, China.<\/p>\n<p>Foi assessor especial do Minist\u00e9rio da Fazenda (2003), secret\u00e1rio-adjunto da Secretaria de Coordena\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica e Assuntos Institucionais da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (2004-2005) e chefe das Assessorias do Minist\u00e9rio do Esporte (2012-2014).<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Como compreender a constru\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico chin\u00eas a partir das suas particularidades culturais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0Cada sociedade \u00e9 constru\u00edda sobre uma base econ\u00f4mica, ou modo de produ\u00e7\u00e3o. Essa base \u00e9 constitu\u00edda por for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o (tecnologias, m\u00e1quinas, habilidades humanas) e pelas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o (direitos de propriedade, rela\u00e7\u00f5es de emprego, divis\u00e3o do trabalho). Sobre essa base est\u00e1 a superestrutura, que compreende a cultura, a pol\u00edtica e outros aspectos da vida humana, que, por sua vez, afetam a maneira como a economia \u00e9 posta em pr\u00e1tica. No caso espec\u00edfico da\u00a0<strong>China<\/strong>, o\u00a0<strong>Confucionismo<\/strong>\u00a0\u00e9 um tra\u00e7o cultural milenar e profundo na sociedade chinesa. Quando, em 1949, os\u00a0<strong>comunistas chineses<\/strong>\u00a0chegaram ao poder, o Confucionismo foi combatido, na medida em que sua grande \u00eanfase no respeito \u00e0 hierarquia era considerada contrarrevolucion\u00e1ria em um momento em que a China, para construir a\u00a0<strong>sociedade socialista<\/strong>, precisava romper com o conformismo decorrente dos costumes e tradi\u00e7\u00f5es. Mas o fato \u00e9 que o\u00a0<strong>Confucionismo<\/strong>\u00a0se constitui em um sistema de valores \u00e9ticos e sociais t\u00e3o profundos na\u00a0<strong>sociedade chinesa<\/strong>, e mesmo em outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, que \u00e9 parte da sua identidade nacional. H\u00e1 um ditado que diz que todo chin\u00eas \u00e9 confucionista na vida p\u00fablica, tao\u00edsta na vida privada e budista na morte. Hoje a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0denomina o seu principal \u00f3rg\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o da l\u00edngua e da cultura chinesa no mundo de \u201c<strong>Instituto Conf\u00facio<\/strong>\u201d.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O ambiente de competi\u00e7\u00e3o no setor de alta tecnologia e intelig\u00eancia artificial na China, por exemplo, n\u00e3o tem, a meu ver, nada de confuciano &#8211; Luis Antonio Paulino<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O aspecto que o\u00a0<strong>governo chin\u00eas<\/strong>\u00a0e a pr\u00f3pria comunidade acad\u00eamica chinesa mais destacam atualmente no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/573583-cristaos-em-busca-de-confucio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pensamento confuciano<\/a>\u00a0\u00e9 o conceito de \u201c<strong>harmonia<\/strong>\u201d, o qual tanto se aplica \u00e0\u00a0<strong>sociedade chinesa<\/strong>\u00a0(sociedade harmoniosa), como \u00e0s rela\u00e7\u00f5es da China com o resto do mundo (comunidade de futuro compartilhado pela humanidade). Desde os anos 1990, tem sido bastante frequente em estudos acad\u00eamicos na \u00e1rea de administra\u00e7\u00e3o de empresas referir-se ao \u201cempreendedor confuciano\u201d em contraposi\u00e7\u00e3o ao \u201cempreendedor ocidental\u201d. Uma ideia recorrente nesses estudos \u00e9 que o comportamento do empreendedor confuciano seria mais restringido por quest\u00f5es \u00e9ticas do que o empreendedor n\u00e3o-confuciano. De fato, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/588484-na-china-a-rebeliao-contra-os-9-9-6-trabalho-das-9h-as-21-h-seis-dias-por-semana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ambiente de trabalho na China<\/a>\u00a0tem uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas muito peculiares, tais como a maior valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho coletivo e das redes de rela\u00e7\u00f5es interpessoais, mas da\u00ed a dizer que o comportamento dos empres\u00e1rios chineses se orienta por valores confucianos vai uma grande dist\u00e2ncia. O ambiente de competi\u00e7\u00e3o no setor de\u00a0<strong>alta tecnologia<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>intelig\u00eancia artificial<\/strong>\u00a0na\u00a0<strong>China<\/strong>, por exemplo, n\u00e3o tem, a meu ver, nada de confuciano, no sentido proposto acima. A competi\u00e7\u00e3o no \u201c<strong>Vale do Sil\u00edcio<\/strong>\u201d da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0\u00e9 t\u00e3o ou mais feroz quanto no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/580597-o-modo-como-a-china-desafia-o-vale-do-silicio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cVale do Sil\u00edcio\u201d americano<\/a>, na\u00a0<strong>Calif\u00f3rnia<\/strong>. \u00c9 uma arena de gladiadores. S\u00f3 os vencedores sobrevivem.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 No que consiste o socialismo chin\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0Quando o\u00a0<strong>Partido Comunista Chin\u00eas<\/strong>\u00a0chegou ao poder em 1949 e estabeleceu a\u00a0<strong>Rep\u00fablica Popular da China<\/strong>, a estrat\u00e9gia foi seguir o\u00a0<strong>modelo sovi\u00e9tico de industrializa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0pesada. Isso se deve a v\u00e1rios motivos: primeiro a avers\u00e3o ao\u00a0<strong>Ocidente<\/strong>\u00a0que os\u00a0<strong>chineses<\/strong>\u00a0nutriam depois de mais de um s\u00e9culo de agress\u00f5es e humilha\u00e7\u00f5es das grandes pot\u00eancias e do\u00a0<strong>Jap\u00e3o<\/strong>; segundo porque a\u00a0<strong>ex-URSS<\/strong>\u00a0foi o \u00fanico pa\u00eds que apoiou efetivamente o povo chin\u00eas em sua luta contra os invasores estrangeiros; e terceiro porque o sucesso da ex-URSS em seu esfor\u00e7o de industrializa\u00e7\u00e3o, na d\u00e9cada de 1930, quando o mundo capitalista estava mergulhado na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/46437-o-incidente-da-grande-depressao-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Grande Depress\u00e3o<\/a>\u00a0e o seu papel decisivo na vit\u00f3ria contra o\u00a0<strong>nazismo<\/strong>\u00a0a tornaram refer\u00eancia a todos os povos que lutavam para livrar-se do atraso econ\u00f4mico e do dom\u00ednio imperialista. Mas j\u00e1 no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, os comunistas chineses, sobretudo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/572990-china-proclama-a-era-de-xi-jinping-e-o-equipara-a-mao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mao Ts\u00e9-tung<\/a>, passaram a expressar algumas discord\u00e2ncias em rela\u00e7\u00e3o ao modelo sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>Em 1958,\u00a0<strong>Mao Ts\u00e9-Tung<\/strong>\u00a0escreveu um texto intitulado \u201c<em>A respeito do livro do Stalin sobre os Problemas Econ\u00f4micos do Socialismo na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/em>\u201d, no qual acusa os sovi\u00e9ticos de \u201candarem com uma perna s\u00f3\u201d por privilegiarem a ind\u00fastria pesada em preju\u00edzo da ind\u00fastria leve e da agricultura. Fica evidente a partir dali o desejo dos chineses de abandonar o modelo sovi\u00e9tico de desenvolvimento e encontrar um caminho pr\u00f3prio para o\u00a0<strong>socialismo<\/strong>.\u00a0<strong>Mao Ts\u00e9-tung<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m temia a burocratiza\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Partido Comunista Chin\u00eas<\/strong>\u00a0e a sua transforma\u00e7\u00e3o em uma nova casta dirigente, como estava ocorrendo na\u00a0<strong>ex-URSS<\/strong>. Esse desejo de encontrar o caminho pr\u00f3prio inicialmente revelou-se desastroso. Os\u00a0<strong>movimentos das \u201cCem Flores\u201d<\/strong>, o \u201c<strong>Grande Salto Adiante<\/strong>\u201d e a \u201c<strong>Grande Revolu\u00e7\u00e3o Cultural Prolet\u00e1ria<\/strong>\u201d deixaram um saldo terr\u00edvel em termos pol\u00edticos e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p><strong>Economia de mercado e monop\u00f3lio pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Quando\u00a0<strong>Mao Ts\u00e9-Tung<\/strong>\u00a0morreu, em 1976, a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0encontrava-se com graves problemas econ\u00f4micos e \u00e0 beira de uma guerra civil. \u00c9 quando entra em cena\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/188-noticias\/noticias-2018\/585404-quarenta-anos-das-reformas-de-deng-xiaoping-e-o-renascimento-da-china-como-potencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Deng Xiaoping<\/a>, que inicia, em 1978, o processo de reforma e abertura e abre, finalmente, o caminho para o t\u00e3o sonhado modelo de\u00a0<strong>socialismo chin\u00eas<\/strong>, que logrou transformar a China, em pouco mais de 30 anos, na segunda maior pot\u00eancia econ\u00f4mica do mundo e retirar da pobreza mais de 700 milh\u00f5es de pessoas, feito \u00fanico na hist\u00f3ria da humanidade. O que se convencionou chamar de socialismo chin\u00eas foi ado\u00e7\u00e3o dos mecanismos de mercado para responder \u00e0quelas perguntas fundamentais que qualquer sistema econ\u00f4mico precisa responder, quais sejam, o que produzir, quanto produzir, como produzir e para quem produzir, na medida em que o sistema de planejamento centralizado mostrou-se ineficaz para resolver essas quest\u00f5es. Hoje os chamados \u201c<strong>Plano Quinquenais<\/strong>\u201d, t\u00e3o caracter\u00edsticos dos\u00a0<strong>sistemas socialistas<\/strong>, na\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0s\u00e3o apenas indicativos.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O que se convencionou chamar de socialismo chin\u00eas foi ado\u00e7\u00e3o dos mecanismos de mercado para responder \u00e0quelas perguntas fundamentais que qualquer sistema econ\u00f4mico precisa responder &#8211; Luis Antonio Paulino<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Nesse sentido, a\u00a0<strong>economia chinesa<\/strong>\u00a0pode ser considerada uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/582897-uma-nova-ideia-de-economia-de-mercado-artigo-de-stefano-zamagni\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">economia de mercado<\/a>, embora isso n\u00e3o deva ser confundido com uma\u00a0<strong>economia capitalista<\/strong>. O\u00a0<strong>sistema pol\u00edtico chin\u00eas<\/strong>\u00a0mant\u00e9m as caracter\u00edsticas b\u00e1sicas do sistema socialista, ou seja, a propriedade coletiva ou estatal dos principais meios de produ\u00e7\u00e3o, nomeadamente a terra. A bem da verdade, com o passar dos anos, desde o in\u00edcio da reforma e\u00a0<strong>abertura da China<\/strong>, em 1978, a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0vem atribuindo ao setor privado da economia um papel cada vez mais relevante na economia. Na nomenclatura chinesa, hoje o setor privado joga um papel \u201cdecisivo\u201d, na medida que a maior parte dos empregos \u00e9 gerada no setor privado, o qual contribui tamb\u00e9m com a maior parcela do\u00a0<strong>PIB chin\u00eas<\/strong>. No plano pol\u00edtico, entretanto, o monop\u00f3lio do poder continua nas m\u00e3os do\u00a0<strong>Partido Comunista Chin\u00eas<\/strong>. Destaque-se que tamb\u00e9m nesse aspecto o Partido Comunista Chin\u00eas abandonou a ideia de que representa apenas os interesses dos trabalhadores. Em 2002, o ent\u00e3o presidente da China,\u00a0<strong>Jiang Zemin<\/strong>, prop\u00f4s por meio da\u00a0<strong>Teoria das Tr\u00eas Representa\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0a entrada de capitalistas no Partido Comunista Chin\u00eas. Segundo essa teoria, o Partido Comunista Chin\u00eas representa simultaneamente as for\u00e7as produtivas sociais avan\u00e7adas que respondem pela produ\u00e7\u00e3o, a cultura avan\u00e7ada da China, que responde pelo desenvolvimento cultural, e os interesses sociais da maioria, que respondem pelo consenso pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 O modelo de socialismo chin\u00eas pode ser \u201cexportado\u201d para outros pa\u00edses?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o creio que seja poss\u00edvel. O que de fato a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0mostrou aos demais\u00a0<strong>pa\u00edses em desenvolvimento<\/strong>, e isso de fato representa uma possibilidade para outros pa\u00edses, \u00e9 que existem outros caminhos para alcan\u00e7ar o desenvolvimento al\u00e9m do chamado \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/503805-amargo-deja-vu-um-revival-do-consenso-de-washington\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Consenso de Washington<\/a>\u201d. Ali\u00e1s, em nenhum lugar do mundo em que o Consenso de Washington foi aplicado houve desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 A China \u00e9 o maior parceiro comercial brasileiro h\u00e1 quase uma d\u00e9cada. De que forma essa rela\u00e7\u00e3o impacta o planejamento econ\u00f4mico brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0Na medida em que a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0se torna simultaneamente a segunda maior economia do mundo, podendo tornar-se a primeira em algumas d\u00e9cadas, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/565453-china-se-transforma-no-grande-banqueiro-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">principal parceiro comercial do Brasil<\/a>\u00a0e uma das nossas principais fontes de investimento direto externo, n\u00e3o h\u00e1 como negar que o desempenho da\u00a0<strong>economia brasileira<\/strong>, nos pr\u00f3ximos anos, ser\u00e1 diretamente influenciado pelo que acontecer com a China nos pr\u00f3ximos anos e pela maneira como nos relacionarmos com aquele pa\u00eds. Mas eu diria que isso n\u00e3o \u00e9 um problema apenas do\u00a0<strong>Brasil<\/strong>. Depois de 2008, a China tornou-se a principal fonte do\u00a0<strong>crescimento mundial<\/strong>. Hoje a China sozinha responde por cerca de 25% do crescimento da economia global.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O desempenho da economia brasileira, nos pr\u00f3ximos anos, ser\u00e1 diretamente influenciado pelo que acontecer com a China nos pr\u00f3ximos anos e pela maneira como nos relacionarmos com aquele pa\u00eds &#8211; Luis Antonio Paulino<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Qual \u00e9 a compreens\u00e3o que o Partido Comunista Chin\u00eas tem sobre a atual ordem mundial?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o conhe\u00e7o especificamente a posi\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Partido Comunista Chin\u00eas<\/strong>sobre o tema, mas a considerar as declara\u00e7\u00f5es das principais lideran\u00e7as chinesas, que creio refletirem a opini\u00e3o do pr\u00f3prio Partido, acredito que considerem a atual\u00a0<strong>ordem mundial<\/strong>, baseada no predom\u00ednio econ\u00f4mico, militar e pol\u00edtico global dos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/580727-a-nova-des-ordem-mundial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estados Unidos<\/a>\u00a0e na predomin\u00e2ncia do d\u00f3lar americano no sistema financeiro e de com\u00e9rcio internacional, uma ordem injusta e ultrapassada, na medida em que os pa\u00edses em desenvolvimento, que respondem por mais de 50% do\u00a0<strong>PIB mundial<\/strong>, n\u00e3o t\u00eam voz nem peso nos principais \u00f3rg\u00e3os de governan\u00e7a global, nomeadamente o\u00a0<strong>FMI<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>Banco Mundial<\/strong>.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer, entretanto, que a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/588074-a-crise-sistemica-e-a-ascensao-chinesa-entrevista-especial-com-bruno-hendler\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">China pretenda substituir a atual ordem mundial<\/a>, com os\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>\u00a0no topo, por uma outra ordem sob o seu comando. O que a China vem defendendo s\u00e3o reformas no atual\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/580849-a-visao-de-xi-jinping-sobre-a-governanca-global\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sistema de governan\u00e7a global<\/a>, que o tornem mais equilibrado, multipolar e em sintonia com a nova realidade mundial. A\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0vem propondo que a nova ordem mundial deveria se constituir como uma \u201ccomunidade de futuro compartilhado para a humanidade\u201d sem a predomin\u00e2ncia de uma pot\u00eancia em particular. Como expliquei acima, \u00e9 aplica\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>princ\u00edpio confuciano da harmonia<\/strong>\u00a0aplicado \u00e0s rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Como a pol\u00edtica externa chinesa pode transformar a atual ordem mundial?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00e3o creio que a<strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/582059-competicao-geopolitica-a-china-joga-no-ataque-e-os-eua-na-defesa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pol\u00edtica externa chinesa<\/a><\/strong>\u00a0isoladamente possa e nem pretenda transformar a atual ordem mundial. Ciente de quanto as in\u00fameras agress\u00f5es sofridas em sua hist\u00f3ria recente limitaram o seu desenvolvimento, a\u00a0<strong>Rep\u00fablica Popular da China<\/strong>\u00a0sempre deu \u00eanfase \u00e0 paz como elemento central para a continuidade de seu desenvolvimento, o respeito \u00e0\u00a0<strong>soberania nacional<\/strong>\u00a0como princ\u00edpio b\u00e1sico de seu relacionamento com o mundo, e a defesa \u00e0 integridade territorial como seu principal objetivo. Tal vis\u00e3o de pol\u00edtica externa foi estabelecida logo nos primeiros anos da funda\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Rep\u00fablica Popular da China<\/strong>\u00a0por meio dos \u201c<em>Cinco Princ\u00edpios da Coexist\u00eancia Pac\u00edfica (m\u00fatuo respeito \u00e0 integridade territorial, a m\u00fatua n\u00e3o agress\u00e3o, a n\u00e3o interfer\u00eancia em neg\u00f3cios internos de outro pa\u00eds e a rela\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de coexist\u00eancia mutuamente ben\u00e9ficas). Como j\u00e1 afirmei acima, o que a China vem defendendo s\u00e3o reformas no atual sistema de governan\u00e7a global que o torne mais equilibrado e multipolar, sem a predomin\u00e2ncia de um pa\u00eds sobre os demais. O que a China prop\u00f5e \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o do conceito atual de hegemonia pelo conceito de \u201ccomunidade de futuro compartilhado para humanidade<\/em>\u201d.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">N\u00e3o creio que a pol\u00edtica externa chinesa isoladamente possa e nem pretenda transformar a atual ordem mundial &#8211; Luis Antonio Paulino<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Quais s\u00e3o as possibilidades de a ascens\u00e3o econ\u00f4mica chinesa reconfigurar o sistema financeiro internacional?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0No momento s\u00e3o limitadas, dado o papel dominante dos bancos americanos e do d\u00f3lar no sistema financeiro e de com\u00e9rcio internacional. E o\u00a0<strong>d\u00f3lar<\/strong>\u00a0\u00e9 dominante n\u00e3o s\u00f3 porque interessa aos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>, mas porque a maior parte dos agentes econ\u00f4micos tem prefer\u00eancia pelo d\u00f3lar enquanto moeda internacional. Isso n\u00e3o vai mudar t\u00e3o cedo. Um aspecto importante a se destacar \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a da China na cria\u00e7\u00e3o de novas alternativas para o financiamento de obras de infraestrutura em pa\u00edses em desenvolvimento, como o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/586009-o-sonho-de-xi-o-pesadelo-de-trump\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Banco Asi\u00e1tico de Investimento em Infraestrutura &#8211; AIIB<\/a>\u00a0e o\u00a0<strong>Novo Banco do Desenvolvimento &#8211; NDB<\/strong>, ou\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/533211-o-banco-dos-brics\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Banco do BRICS<\/a>, como foi inicialmente chamado. A preocupa\u00e7\u00e3o do<strong>\u00a0Banco Mundial<\/strong>\u00a0com a sustentabilidade financeira dos seus empr\u00e9stimos, ou seja, a capacidade dos tomadores de empr\u00e9stimos de honrar a d\u00edvida, somada \u00e0 enorme burocracia para a libera\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos, que pode levar anos, e uma certa m\u00e1 vontade em financiar obras de infraestrutura a partir do momento em que, por volta da d\u00e9cada de 1990, as empresas americanas passaram a perder quase todas as concorr\u00eancias para fornecedores de equipamentos e empreiteiras localizadas em pa\u00edses em desenvolvimento, praticamente fechou as portas aos pa\u00edses mais pobres para o financiamento de obras de infraestrutura.<\/p>\n<p><strong>Um Cintur\u00e3o, Uma Rota<\/strong><\/p>\n<p>Esses novos bancos, associados \u00e0 iniciativa chinesa chamada \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/575309-o-mundo-sinocentrico-a-iniciativa-um-cinturao-uma-rota-energia-renovavel-e-o-artico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Um Cintur\u00e3o, Uma Rota<\/a>\u201d vieram para atender essas demandas por financiamento para infraestrutura nos pa\u00edses em desenvolvimento. Gostaria de destacar, neste ponto, que algumas cr\u00edticas que v\u00eam sendo feitas \u00e0 China, alegando que os projetos financiados pela Iniciativa \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/584757-as-novas-rotas-da-seda-entrevista-com-peter-frankopan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Um Cintur\u00e3o, Uma Rota<\/a>\u201d est\u00e3o levando ao endividamento dos pa\u00edses tomadores, s\u00e3o no m\u00ednimo hip\u00f3critas. O fato \u00e9 que se n\u00e3o houvesse esta nova alternativa chinesa de financiamento para a infraestrutura, n\u00e3o haveria alternativa nenhuma para esses pa\u00edses mais pobres, uma vez que o\u00a0<strong>Banco Mundial<\/strong>, como eu disse, mudou seu foco de\u00a0<strong>investimentos em infraestrutura<\/strong>\u00a0para quest\u00f5es pol\u00edticas e institucionais. Pa\u00edses do<strong>\u00a0Sudeste Asi\u00e1tico<\/strong>, da<strong>\u00a0\u00c1sia Central<\/strong>, da\u00a0<strong>\u00c1frica<\/strong>\u00a0e mesmo da\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>, nomeadamente o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, est\u00e3o contando com financiamentos chineses para a execu\u00e7\u00e3o de importantes obras de infraestrutura que n\u00e3o teriam como ser financiadas de outra forma. Diga-se, ainda, a favor da\u00a0<strong>China<\/strong>, que esses empr\u00e9stimos t\u00eam cl\u00e1usulas de pagamento muito mais flex\u00edveis. Nos casos de inadimpl\u00eancia, a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0tem aceitado realizar opera\u00e7\u00f5es de \u201c<em>leasing<\/em>\u201d de obras financiadas por ela, como foi o caso do\u00a0<strong>porto de Hambantota<\/strong>, no<strong>\u00a0Sri Lanka<\/strong>, ou receber o pagamento em mercadorias, como no caso da\u00a0<strong>Venezuela<\/strong>\u00a0e outros pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Hoje a China \u00e9 o principal parceiro comercial de mais de 45 pa\u00edses &#8211; Luis Antonio Paulino<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como se constitui atualmente o processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o do renminbi? O que est\u00e1 em jogo para que o renminbi de fato possa transformar o atual sistema monet\u00e1rio internacional, que hoje tem como padr\u00e3o o d\u00f3lar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0Como afirmei acima, o papel dominante do d\u00f3lar no sistema monet\u00e1rio internacional n\u00e3o \u00e9 algo que v\u00e1 mudar t\u00e3o cedo. O que a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0tem procurado \u00e9 criar uma\u00a0<em>zona do renminbi<\/em>, que, no momento, est\u00e1 restrita ao seu entorno geogr\u00e1fico e, muito parcialmente, \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/588914-djibouti-na-rota-da-seda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00c1frica<\/a>. A China tamb\u00e9m tem fechado alguns acordos de \u201cswap cambial\u201d ou \u201ctroca de moedas\u201d com diversos pa\u00edses com que tem fortes rela\u00e7\u00f5es comerciais \u2014 hoje a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0\u00e9 o principal parceiro comercial de mais de 45 pa\u00edses. O objetivo \u00e9 usar sua pr\u00f3pria moeda para o fechamento sobretudo de opera\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio, inclusive para proteger-se do uso do\u00a0<strong>d\u00f3lar<\/strong>\u00a0como arma pol\u00edtica pelos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>, como ficou demonstrado pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/587316-huawei-e-a-disputa-pelo-mercado-internacional-das-telecomunicacoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pris\u00e3o da vice-presidente da Huawei<\/a>, no\u00a0<strong>Canad\u00e1<\/strong>, por essa empresa chinesa ter supostamente usado o sistema banc\u00e1rio americano para fazer neg\u00f3cios com o\u00a0<strong>Ir\u00e3<\/strong>, que est\u00e1 sob embargo americano.<\/p>\n<p><strong>Xangai como centro financeiro global<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0tenta hoje transformar\u00a0<strong>Xangai<\/strong>\u00a0em um centro financeiro global, para que possa, ao lado de\u00a0<strong>Hong Kong<\/strong>, promover a\u00a0<strong>internacionaliza\u00e7\u00e3o do renminbi<\/strong>.\u00a0<strong>Londres<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Frankfurt<\/strong>\u00a0s\u00e3o tamb\u00e9m, hoje, grandes centros mundiais de negocia\u00e7\u00f5es de t\u00edtulos denominados na moeda chinesa. Outra vantagem importante para a internacionaliza\u00e7\u00e3o da moeda chinesa, mesmo que de forma limitada, \u00e9 diminuir a necessidade de manter grandes reservas em moeda americana, que hoje ultrapassam US$ 4 trilh\u00f5es. Isso \u00e9 um p\u00e9ssimo neg\u00f3cio para a\u00a0<strong>China<\/strong>, na medida em que essas reservas acabam aplicadas em\u00a0<strong>T\u00edtulos do Tesouro dos Estados Unidos<\/strong>, que pagam juros muito baixos, e um bom neg\u00f3cio para os\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>, que podem financiar seu d\u00e9ficit comercial a um custo m\u00ednimo.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A China tenta hoje transformar Xangai em um centro financeiro global, para que possa, ao lado de Hong Kong, promover a internacionaliza\u00e7\u00e3o do renminbi &#8211; Luis Antonio Paulino<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Concluindo, eu diria que n\u00e3o \u00e9 de interesse da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/583034-a-divida-chinesa-ameaca-explodir\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">China<\/a>\u00a0a completa\u00a0<strong>internacionaliza\u00e7\u00e3o de sua moeda<\/strong>\u00a0agora, uma vez que isso implicaria na completa abertura de sua conta de capitais e na impossibilidade de controlar sua pr\u00f3pria taxa de c\u00e2mbio. O controle de fluxos de capitais e um relativo controle da taxa de c\u00e2mbio por parte do\u00a0<strong>Banco Central da China<\/strong>\u00a0s\u00e3o elementos importantes de sua pol\u00edtica macroecon\u00f4mica e de sua estrat\u00e9gia de desenvolvimento, e o que a China poderia ganhar com a completa internacionaliza\u00e7\u00e3o de sua moeda, sobretudo em termos de senhoriagem internacional, possivelmente n\u00e3o compensaria perder totalmente o controle sobre um elemento t\u00e3o essencial em sua estrat\u00e9gia de desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Qual o panorama dos estudos sobre a China, no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0Criamos recentemente uma\u00a0<strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos Chineses &#8211; ABEC<\/strong>\u00a0que atualmente j\u00e1 possui mais de 200 membros em todo o Brasil e no exterior e cuja coordena\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, este ano, est\u00e1 na\u00a0<strong>Unicamp<\/strong>, em\u00a0<strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>. Trata-se de uma rede virtual de pesquisadores cujo objetivo \u00e9 impulsionar o estudo e o conhecimento sobre o gigante asi\u00e1tico em diversas \u00e1reas como neg\u00f3cios e investimentos, meio ambiente, rela\u00e7\u00e3o bilateral, pol\u00edtica, cultura, entre outros. H\u00e1 in\u00fameras iniciativas semelhantes em diferentes estados do Brasil voltadas para o estudo da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>\u00c1sia<\/strong>. O n\u00famero de pesquisadores brasileiros desenvolvendo teses de mestrado e doutorado sobre os mais diferentes temas na China j\u00e1 \u00e9 bastante expressivo. A China entrou definitivamente no radar da\u00a0<strong>pesquisa brasileira<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Em que pontos o Brasil ainda falha no que diz respeito \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da realidade chinesa? Qual a import\u00e2ncia desse entendimento nas constru\u00e7\u00f5es sino-brasileiras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luis Antonio Paulino &#8211;<\/strong>\u00a0\u00c9 de certo modo natural que na impossibilidade de haver um conhecimento mais amplo sobre determinado pa\u00eds se formem certos estere\u00f3tipos que nada mais s\u00e3o do que formas simplificadas de se tentar compreender uma determinada realidade. O problema \u00e9 que essas reputa\u00e7\u00f5es, boas ou ruins, raramente refletem a realidade atual do lugar. No que diz respeito \u00e0\u00a0<strong>China<\/strong>, seja pela dist\u00e2ncia f\u00edsica e psicol\u00f3gica, seja pelas diferen\u00e7as culturais e pol\u00edticas, abundam entre n\u00f3s vis\u00f5es estereotipadas sobre a realidade daquele pa\u00eds, algumas positivas, outras nem tanto. No sentido oposto ocorre exatamente o mesmo, como qualquer um que teve oportunidade de conversar com um cidad\u00e3o chin\u00eas, mesmo supostamente bem informado sobre o\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, j\u00e1 teve oportunidade de constatar.<\/p>\n<p>Os estere\u00f3tipos positivos podem de alguma forma facilitar o entendimento. Quem de n\u00f3s, visitando pa\u00edses aparentemente t\u00e3o distantes de nossa realidade, n\u00e3o se surpreendeu com a acolhida cordial quando se diz que \u00e9 brasileiro? Mas os estere\u00f3tipos negativos podem predispor as pessoas de forma negativa em uma rela\u00e7\u00e3o. O chamado \u201c<em>soft power<\/em>\u201d da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0\u00e9 muito pequeno, como se constata em diversas pesquisas sobre a imagem da China nos\u00a0<strong>pa\u00edses do Ocidente<\/strong>. Em minha experi\u00eancia de trabalho com a China tenho notado que algumas coisas que n\u00e3o d\u00e3o certo se devem mais ao desconhecimento cultural m\u00fatuo do que por raz\u00f5es puramente econ\u00f4micas. Em um momento em que o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/565453-china-se-transforma-no-grande-banqueiro-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">futuro do Brasil est\u00e1 cada vez mais atrelado ao destino da China<\/a>, \u00e9 fundamental aprofundar nosso conhecimento sobre a realidade chinesa e eliminar vis\u00f5es estereotipadas, que nada mais s\u00e3o do que frutos da ignor\u00e2ncia, quando n\u00e3o do obscurantismo.<\/p>\n<h3><strong>Assista \u00e0 \u00edntegra da confer\u00eancia de Luis Paulino:<\/strong><\/h3>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EoiG3RJBgPo\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/588928-a-economia-chinesa-como-alternativa-ao-consenso-de-washington-entrevista-especial-com-luis-antonio-paulino<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wagner Fernandes de Azevedo &#8211; As declara\u00e7\u00f5es dos membros do Partido Comunista Chin\u00eas\u00a0sugerem que a China considera a atual\u00a0ordem mundial\u00a0\u201cinjusta e ultrapassada\u201d, porque \u201cos\u00a0pa\u00edses em desenvolvimento, que respondem por mais de 50% do\u00a0PIB mundial, n\u00e3o t\u00eam voz nem peso nos principais \u00f3rg\u00e3os de governan\u00e7a global, nomeadamente o\u00a0FMI\u00a0e o\u00a0Banco Mundial\u201d. 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